Cinco países da América Latina aceitaram o emprego de
militares dos EUA em seus territórios para combater o crime organizado. Eles
fazem parte de um grupo de 19 países que aderiram à Coalizão Anticartéis das
Américas. O presidente Donald Trump tem mantido posição ambígua em relação à
possibilidade de intervenção militar sem autorização de governos.
Os países que já assinaram a autorização são Guatemala,
Honduras, Jamaica, Colômbia e Equador. Do total de 19 países, apenas dois não
estão sob governos de direita: Guatemala e Bahamas.
A Colômbia aderiu depois da posse do presidente Abelardo de
la Espriella, no dia 7.
Seu antecessor, Gustavo Petro, rejeitava ação militar
americana, da mesma forma que a presidente do México, Claudia Sheinbaum. Mesmo
assim, Trump se negou a responder se poderia ou não ordenar ações militares nos
dois países.
A coalizão tem origem em uma reunião de
cúpula realizada em março na Flórida. A tese da ação militar americana é
apoiada pela designação de narcotraficantes como terroristas.
Em 28 de maio, o Departamento de Estado incluiu o PCC
(Primeiro Comando da Capital) e o Comando Vermelho nessa lista, composta por 12
grupos da América Latina. A medida foi adotada logo depois de o senador Flávio
Bolsonaro, agora candidato à Presidência, entregar em Washington um dossiê
defendendo a designação.
Em vídeo divulgado na quinta-feira, em que aparece com uma
camiseta da unidade de selva do exército americano, e cercado de militares, o
secretário de Defesa Pete Hegseth avisa que os narcotraficantes serão tratados
como o Estado Islâmico e a Al-Qaeda.
O Comando Sul conduziu desde setembro ao menos 59
bombardeios contra barcos no Caribe e no Pacífico, provenientes de Venezuela,
Colômbia e Equador, deixando 196 mortos. Segundo relatos de moradores, havia
pescadores entre eles. Nenhuma evidência foi apresentada pelo Pentágono de que
se tratava de criminosos.
Os documentos de Estratégia de Segurança e de Defesa dos EUA
preveem a concentração de forças militares nas Américas, para fazer frente à
influência chinesa e projetar poder na região.
Na hipótese de eleição de Flávio Bolsonaro, o Brasil deverá
ser incluído na coalizão, e talvez na lista menor dos países que aceitam o
emprego de forças americanas em seu território. O senador comentou no X, em 23
de outubro, um post de Hegseth, mostrando um ataque contra uma embarcação.
Ele escreveu em inglês: “Que inveja! Ouvi dizer que há
barcos como este aqui no Rio de Janeiro, na Baía de Guanabara, inundando o
Brasil de drogas. Vocês não gostariam de passar alguns meses aqui nos ajudando
a combater essas organizações terroristas?” •

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