Na Flórida, um jovem dependente das redes sociais obriga
o TikTok a propor um acordo
Assim como os fabricantes de bebidas e cigarros, as redes
sociais sabem do mal de seus produtos
Nos EUA, é assim. Quando um caso judicial é encerrado mediante
"acordo", significa que a parte acusada, sabendo que vai perder,
interrompe o processo e consegue abafar a história por um bom dinheiro em
sigilo para o acusador. Que vantagem ela leva nisso? Impede que uma derrota
pública deságue numa hemorragia de outros processos do gênero. O TikTok, por
exemplo, acaba de fazer um "acordo" com um jovem de 15 anos, residente na Flórida, que acusou a rede
social de danos à sua saúde mental causados pela dependência aos seus
recursos.
É o segundo "acordo" que o garoto
aceitou —o anterior, há alguns meses, foi com o Google, e pelos
mesmos motivos. Mas ele ainda tem mais dois em andamento, contra o Meta e
o Snapchat, e não importa que, em vez de vencê-los, ele
aceite mais "acordos". Ficará caracterizado que as redes sociais
podem ser desafiadas por quem sinta sua saúde lesada por elas. O julgamento já
está em curso em Los
Angeles e, de seu resultado, devem pipocar inúmeras ações acusando as
redes de provocar dependência psíquica.
Alguém dirá que o garoto é um esperto aproveitador e que, se
não quisesse que as redes sociais lhe provocassem dependência, era só
"saber usá-las". Assim como acontece com o álcool e as drogas, os
leigos acreditam que seja uma questão de moderação, "força de
vontade". Não aceitam que, uma vez instaurada a dependência, não se trata
mais de saber ou não usá-los, e muito menos com moderação. O dependente não tem
escolha —por isso é dependente— e ninguém está a salvo de se tornar um.
Os fabricantes de bebidas e cigarros e os traficantes de
drogas sabem do que seus produtos são feitos e os efeitos que provocam a médio prazo. Tanto quanto eles,
as redes sociais também sabem do estresse, depressão, ansiedade, insatisfação com o próprio corpo, ideias suicidas, submissão à luz da tela, pavor de se ver
sem o celular e outras consequências de seu uso, mesmo "moderado". É
o que as torna trilionárias.
Um jovem luta contra o Godzilla digital. Eu torço por ele.

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