Na largada, Lula e Flávio Bolsonaro tentam recriar cenas do
passado
Desafio de presidenciáveis é atrair público para exibir força no início da campanha
A corrida presidencial vai começar em clima de déjà vu.
Na largada oficial da campanha, Lula e Flávio Bolsonaro tentarão recriar cenas
do passado. O presidente voltará a São Bernardo do Campo para relembrar as
greves do ABC. O senador vai à Praia de Copacabana, onde espera reviver os
tempos de glória do pai.
O ato de Lula foi batizado de “Onde tudo começou”. A ideia é
lotar o estádio da Vila Euclides, palco das assembleias de metalúrgicos que o
projetaram na cena nacional. Os marqueteiros querem recriar as imagens do líder
no meio do povo, como se caminhasse sobre a multidão. Na versão original, ele
discursou aboletado numa mesa de escritório. No remake deste domingo,
poderá andar sobre uma passarela, como um astro da música pop.
Não será a única diferença entre 1979 e
2026. Nas assembleias que desafiaram a ditadura, Lula arengou milhares de
operários de braços cruzados. Agora os trabalhadores darão lugar a políticos e
militantes, em atmosfera festiva e sem a ameaça de borrachadas da polícia. O
partido organiza caravanas de outros estados para garantir quorum. Tudo para
evitar o fiasco de público que irritou o presidente em seu último 1º de Maio no
palanque, dois anos atrás.
No Rio, Flávio tentará repetir as aglomerações bolsonaristas
iniciadas em 2018. Quer se mostrar capaz de liderar a tropa do capitão, que
cumpre prisão domiciliar pela tentativa de golpe. Em convocação nas redes, o
senador diz ter escolhido começar a campanha na cidade onde nasceu e cresceu.
Faltou dizer que se mudou para Brasília, onde habita uma mansão de 1.100 m² de
área construída no Lago Sul.
Para divulgar o comício, o PL voltou a usar inteligência
artificial, em vídeo que mistura imagens de arquivo a apoiadores imaginários. O
desafio de Flávio é o mesmo de Lula: produzir cenas reais, com gente de
verdade, para exibir força política na propaganda de TV.
Atrás nas pesquisas, o goiano Ronaldo Caiado e o mineiro
Romeu Zema escolheram jogar em casa. Na impossibilidade de lotar um espaço
público no eixo Rio-SP, começarão a campanha com carreatas no interior de seus
estados.
Renan Santos promete cantar e tocar violão em frente à
Faculdade de Direito da USP, que abandonou sem se formar. Segundo aliados, a
performance será inspirada em Bob Dylan. O autor de “Blowin’ in the wind” se
espantaria com a voz e com as ideias do novo imitador.

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