Esvaziado pelos ausentes e avacalhado pelos presentes,
encontro será lembrado por um vice dormindo enquanto seu candidato falava
Esvaziado pelos ausentes e avacalhado pelos presentes, o
debate da Band foi possivelmente o pior encontro de presidenciáveis já
transmitido pela TV brasileira.
À frente nas pesquisas, Lula e Flávio Bolsonaro já haviam
informado que não compareceriam. No domingo, Romeu Zema surpreendeu ao se
juntar ao boicote.
Dos seis convidados, restaram três, que por pouco não se
reduziram a dois.
O psiquiatra Augusto Cury já estava na portaria da Band
quando deixou repórteres perplexos ao avisar que daria meia-volta para casa.
“Vocês não percebem a minha mágoa?”, perguntou.
Minutos depois, ele desistiu da desistência
e se juntou a Ronaldo Caiado e Renan Santos no estúdio. Eles se acomodaram num
cenário melancólico, com três púlpitos vazios.
Apesar do esforço da emissora, não havia muito o que extrair
dali. Os nanicos pareciam mais interessados em criticar os favoritos do que em
apresentar propostas para justificar suas candidaturas.
Renan Santos mostrou a que veio ao exibir duas fraldas com
os nomes de Lula e Flávio. Ao longo do debate, despejou falas misóginas e
xingou eleitores dos adversários. Chegou a ser repreendido por Cury, que se
disse espantado com sua agressividade.
Também estreante em eleições, o psiquiatra se mostrou uma
metralhadora de chavões de autoajuda embrulhada num exótico terno verde. Faltou
explicar o que faz na corrida presidencial.
Ronaldo Caiado não soube aproveitar o fato de ser o único presente com experiência política. Gastou a maior parte do tempo descrevendo Goiás como um paraíso nos trópicos. A imagem do vice cochilando enquanto ele falava resume sua participação no debate.
Difícil criticar Gilberto Kassab pela soneca. Quem resistiu uma hora e meia diante da TV é que merecia uma medalha.

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