Uso das seringas supera o negacionismo que prejudica a
cobertura vacinal no país
Medicamentos revolucionários para obesidade viram objeto
de desejo e alvo do crime organizado
Esqueça o futebol, os candidatos ao Planalto e os ministros
do STF. O que entusiasma os brasileiros são as canetas
emagrecedoras e as apostas eletrônicas.
O curioso é que as canetas são canetas apenas no nome. Na
verdade são seringas preenchidas com medicamentos injetáveis.
O uso delas, no entanto, consegue superar o medo, a desconfiança e o
preconceito que envolve injeções e agulhas e o negacionismo que, promovido de
maneira criminosa pelo governo Bolsonaro no período da pandemia, ainda
prejudica a cobertura vacinal no país.
Vendidos sob diversos nomes comerciais, as
drogas semaglutida, liraglutida, dulaglutida e tirzepatida são uma revolução no
tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2. Retardam o esvaziamento do
estômago e prolongam a sensação de saciedade por horas, tirando a vontade de
beliscar. Estudos clínicos apontam sua alta eficácia, com reduções médias de
15% e 20% do peso corporal e, em alguns casos, de até 30%, nível associado ao
da cirurgia bariátrica.
Um dos segmentos mais expressivos da indústria farmacêutica
—entre maio de 2025 e maio de 2026 movimentou R$ 13,3 bilhões—, elas vendem
como pão quente. O medicamento não é barato. Uma caixa de Mounjaro (com quatro
canetas para um mês de tratamento) custa em média R$ 1.400. Com a aprovação
pela Anvisa de
cinco novas canetas à base de semaglutida após a queda da patente da molécula e
a incorporação de dois genéricos de liraglutida no mercado brasileiro, os
preços devem cair, mas não no curto prazo.
Enquanto isso, o crime organizado fatura em cima do objeto
de desejo da população. Aumentaram as operações da Polícia Federal para
combater a produção de canetas emagrecedoras em farmácias clandestinas. Até
estudantes de medicina servem
de mulas, cooptados para fazer contrabando na fronteira com o Paraguai. Os
produtos sem registro na Anvisa são promovidos por influenciadores,
atrizes, cantores e ex-BBBs. O esquema é semelhante ao utilizado pelas bets.
Quem compra as canetas fajutas não tem medo de virar jacaré.

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