Mensagens pedindo orações por André Mendonça são código
para mobilização
Ao atacar Mendonça, Moraes ameaça também a reputação de
evangélicos
Igrejas evangélicas por todo o país saíram do estado de
torpor para o de ebulição. Seus núcleos bolsonaristas estavam apáticos,
por rejeitarem
Flávio ou por entenderem que ele perderia a eleição. A guerra no STF os
reenergizou.
Os sinais indiretos que circulam são, principalmente,
mensagens que dizem "vamos orar por André
Mendonça" —o que significa, na verdade: vamos atuar nesta eleição,
vamos apoiá-lo.
A divulgação dos diálogos de Alexandre
de Moraes com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro provocou essa mobilização.
Há o entendimento de que defender o impeachment desse ministro levará à vitória
contra o PT.
Essa não é a única posição vocalizada.
Existe a turma preocupada com as consequências que o envolvimento na política
trará para a igreja. Para estes, a foto de André Mendonça com o advogado de
Vorcaro, por exemplo, indica que as coisas não são simples como parecem.
Mas a antipatia por Alexandre de Moraes empolga mais que o
apoio a Flávio Bolsonaro; ela seria capaz de mobilizar evangélicos na reta
final da eleição.
Moraes é visto, em termos bíblicos, como as pessoas que se
acham invencíveis e que perseguiram o povo de Deus. É o caso do faraó do Egito,
que é arrogante, faz "na canetada" e desafia Moisés e Deus.
Essa imagem aparece, por exemplo, na ideia de que Moraes foi
injusto na distribuição das penas para quem participou das manifestações de 8
de janeiro de 2023. Ele impôs sofrimento a pessoas que, segundo esse argumento,
foram na onda de outros, para prevalecer no confronto com Bolsonaro.
A imagem fica acentuada pelo entendimento de que ele teria
ganhado dinheiro de maneira injusta, por Vorcaro, quando o país está endividado
até o pescoço. "Ele toma banho de riqueza enquanto deixa o povo se lavar
com a água dos porcos", comparou uma interlocutora pentecostal.
A antipatia por Moraes cresceu por suas atitudes favoráveis
ao aborto depois da 22ª semana em casos de vítimas de estupro e por ele ter
usado a força do Estado para atacar o pastor Silas Malafaia —autorizando a
apreensão de equipamentos eletrônicos, retendo o passaporte e quebrando o
sigilo financeiro.
Mas a desconfiança em relação a Moraes se amplia porque o
embate dele é com o único evangélico a
atuar no Supremo hoje. O ministro André Mendonça é visto, mesmo fora da bolha
bolsonarista, como alguém colocado nessa função por Deus para fazer justiça.
Nesse sentido, quando Moraes ataca Mendonça, ele ameaça
também a reputação de evangélicos que entendem que o ministro atua para deter
um homem poderoso que se acha acima da justiça e que trava uma batalha
espiritual do bem contra o mal.
O debate já se politizou. Na sexta (4), Mendonça gravou um vídeo agradecendo pelas orações.
É impossível dizer o que acontecerá em um mês. Mas, neste
momento, a queda de braço entre ministros do STF atinge a candidatura do
presidente Lula.
Ela mobiliza evangélicos a se posicionarem em suas igrejas e
a votar, na eleição, contra o bloco governista representado por Moraes.
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