Além dos cochilos em reuniões e das pernas inchadas,
Trump pode estar ficando gagá
O problema é se o trumpismo depende dele para existir,
assim como o bolsonarismo
Fotos de Donald Trump o
mostram com hematomas nas mãos, pernas inchadas e dificuldade
de ficar acordado em cerimônias. Alguns veem nisso sinais de decrepitude. A Casa Branca desmente. Segundo ela,
as manchas são provocadas pelos apertos de mão que Trump tem de cumprir —mas,
como elas aparecem também em sua mão esquerda, será porque, às vezes, ele
cumprimenta canhotos? As pernas inchadas se deveriam às horas que passa sentado
com outros líderes —mas estes cumprem a mesma rotina em seus países e não
aparentam o problema. Quanto a cochilar nas cerimônias, por que não se Trump
mal escuta o que dizem nelas?
A internet tem centenas de artigos
discutindo, além das mazelas físicas, a decrepitude mental de Trump. Não são só
as palavras trocadas, ideias repetidas e contradições flagrantes, mas também os
delírios bélicos (quantas vezes já não anunciou a destruição do Irã?), espasmos
hidrófobos (ao mandar repórteres calar a boca) e coices em aliados (Canadá,
Japão, Coreia do Sul, Alemanha, França, o próprio Reino Unido e, claro, o Brasil).
Trump está vendo sua popularidade derreter pela guerra sem
sentido em que meteu os EUA e da qual não consegue sair. As elites que subjugou
no grito —política, econômica, jurídica, universitária e até jornalística—
começam a reagir. E tudo indica que ele levará uma surra nas eleições de
novembro, que devolverão aos democratas o comando do Congresso. Além de babar
na gravata, como diria Nelson Rodrigues, pode se tornar um pato manco antes
ainda do esperado.
Mas a pergunta é se o trumpismo precisará de Trump para continuar existindo.
Todo o aparato autoritário que impôs no lugar das agências e das instituições
que asfixiou ou fechou continuará existindo com J.D. Vance ou Marco Rubio, se
eles o sucederem.
O autoritarismo como antessala do fascismo não depende mais
dos titulares, como Trump, nos EUA, ou Jair
Bolsonaro, no Brasil. Aprendeu a se erigir em sistema, de forma a
sobreviver com os reservas, como Rubio ou Vance, ou fetos, como Flávio
Bolsonaro.
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