Flávio negociou liberação de emendas com miliciano
envolvido no assassinato de Marielle
Imagine se Flávio decidir usar o Planalto para beneficiar
amigos de longa data
Se ganhar a eleição para presidente da República —como tem
chances reais de fazê-lo—, Flávio
Bolsonaro seria o mais próximo que já tivemos de um chefe do Executivo
federal com laços milicianos. Uso aqui milícia não como figura de linguagem,
mas literalmente: em sua trajetória, Flávio Bolsonaro tem mantido relação
direta com integrantes de grupos armados que usam de coação com discurso
moralizante para aferir lucro individual por meio do uso da violência e
outros negócios escusos.
Como seria, portanto, um presidente da
República amigo de miliciano no mais alto cargo? Primeiro, um presidente amigo
de miliciano repassaria dinheiro para seus amigos milicianos. Não seria uma
novidade. Como revelado nesta segunda (21) em O Estado de S. Paulo, Flávio
destinou quase R$ 200 mil a um projeto na área de influência dos mandantes da
morte de Marielle
Franco, tendo negociado a liberação de emendas com miliciano envolvido no
assassinato da vereadora.
Segundo, um presidente amigo de miliciano faria de tudo para
esconder o dinheiro que milicianos lavarem. Não seria novidade, pois foi o que
seu pai fez. O Bolsonaro pai cortou a verba do Coaf (Conselho de Controle de
Atividades Financeiras), órgão que justamente identifica movimentações
suspeitas de bandidos como milicianos e afins. Fica no ar a dúvida de por que
os Bolsonaros querem dificultar que se monitore o dinheiro do crime, inclusive
da milícia.
Terceiro, um presidente amigo de miliciano empregaria alguns
deles no próprio Estado. Não seria novidade. Como deputado estadual, Flávio
empregou a mãe e a mulher do ex-policial militar Adriano
da Nóbrega, morto em 2020, acusado de comandar a maior milícia do Rio de
Janeiro. O PM não era um desconhecido. Flávio homenageou duas vezes o
ex-policial miliciano na Assembleia do Rio; em 2003, por sua "dedicação,
brilhantismo e galhardia".
Se o clã Bolsonaro logrou empregar miliciano e repassar
dinheiro para miliciano, dificultando seu monitoramento, imagine se Flávio
tiver a chave do Palácio do Planalto e decidir usá-la para beneficiar amigos de
longa data.
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