Na reta final do primeiro turno, Lula parte para o
vale-tudo do populismo
Medidas testam limites do eleitor moderado, que não tem
tantas alternativas
O eventual eleitor institucionalista em busca de argumentos
para não votar em Lula
deparou-se com vários no último par de semanas. Como a lista é longa,
concentro-me nos dois casos mais gritantes de populismo
eleitoreiro.
O primeiro foi o reajuste
de 15% nos benefícios do Bolsa Família,
decretado a apenas 17 dias do primeiro turno. O problema aqui não é o conteúdo,
mas o timing. Compensar o programa pelas perdas inflacionárias dos últimos anos
sempre teve sentido, mas o governo Lula, por boas ou más razões, havia
preferido não fazê-lo. O reajuste não constava da proposta de Orçamento para
2027 enviada ao Congresso pouco antes. Mas bastaram as pesquisas o colocarem
num quadro eleitoralmente desafiador para ele agir.
Se o reajuste era necessário, o presidente
errou ao esperar até quase o final de seu mandato para decretá-lo. Se o certo
era segurar as despesas, então ele foi irresponsável ao incorrer em gasto
expressivo de forma atabalhoada.
O caso das
bets é até pior. Com a proscrição
de todas as casas de aposta a nove dias do pleito, Lula implodiu quase
quatro anos de esforços de seu próprio governo para regulamentar a matéria. O
banimento poderá reduzir o fluxo de apostas, mas não resolverá o problema dos
ludopatas, que continuarão jogando em sites irregulares. A medida priva ainda o
governo de arrecadação e consolida a percepção de que no Brasil não existe
estabilidade jurídica.
Os dois casos mostram que Lula dá mais importância a
assegurar mais quatro anos de poder para si do que a tentar fazer o melhor
governo possível no tempo que lhe foi concedido, uma traição à própria ideia de
exercício republicano do mandato.
O eleitor institucionalista pode então tirar o petista do
rol de candidatos a considerar? Não é tão simples, e o próprio presidente
explica o porquê: "Se vocês tivessem de escolher entre mim e um gênio, é
uma coisa. Mas não é isso que está na mesa".
Lula foi desmesuradamente gentil com Flávio
Bolsonaro ao descrevê-lo
só como alguém que não atingiu a genialidade.
Nenhum comentário:
Postar um comentário