Douglas Ruas nem precisava de canetada do TSE e confusão
armada por Garotinho
Impactado por votos na Baixada Fluminense, pleito virou
um negócio de família
No Rio de Janeiro, a política é um negócio de família. O
método genealógico –uma tradição na história brasileira, basta lembrar dos
Andradas de Minas Gerais, que atuam desde antes da declaração de independência
do país –domina as relações de poder na atual sociedade fluminense, aí
incluídas as igrejas evangélicas e as milícias.
A partir de 2018 o
clã Bolsonaro –em torno do qual gravitam os clãs menores– instalou no
estado uma espécie de novo chaguismo, sistema baseado no uso da máquina e no
desvio de dinheiro dos cofres públicos para a compra de votos e a obtenção de
imbatível vantagem eleitoral.
Depois de Wilson
Witzel e de Cláudio
Castro, ambos marcados por denúncias de corrupção, a bola da vez para
assumir o governo é Douglas
Ruas, filho do PM reformado Capitão Nelson, que desde 2021 é prefeito de
São Gonçalo, segundo maior colégio eleitoral do estado. Nelson é suspeito de
ter comandado um "carro da linguiça", expressão usada no Rio para se
referir a veículos clandestinos a serviço de grupos de extermínio que agem em
áreas periféricas.
Quatro vezes prefeito da capital, Eduardo Paes, em seu sonho
de se tornar governador, tentou neutralizar o esquema bolsonarista nos
municípios da Baixada Fluminense –um retrato sem filtro do Rio de Janeiro, com
imóveis de alto padrão, onde vivem empresários e caciques eleitorais, a poucos
metros de barracos ocupados por famílias sem a sorte e a esperteza de ter
entrado para a política ou arranjado os contatos certos.
Paes fez um acordo com o dono de Duque de Caxias. Para vice
na chapa, indicou Jane Reis, irmã de Washington Reis, ex-secretário de Castro e
o homem que conseguiu o certificado de vacina falso para Bolsonaro. Reis elegeu
os dois irmãos, Rosenverg e Gutemberg —o primeiro para a Alerj (Assembleia
Legislativa do Estado do Rio de Janeiro) e o segundo para a Câmara dos
Deputados—, mas deu um perdido no aliado. Douglas Ruas teve 50% dos votos
válidos em Caxias. Na vizinha Nova Iguaçu, domínio da família Canella, quase
60%.
Para vencer, Ruas não precisava da canetada do TSE (Tribunal
Superior Eleitoral) nem da confusão
armada de propósito pelo velho Garotinho.

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