Candidato já havia qualificado fim da 6x1 como
inoportuna, eleitoreira e hipocrisia
Ele quer que o trabalhador tenha a liberdade de escolher
entre salário menor ou desemprego
O noticiário espelhou o aparente vaivém de Flávio sobre a escala 6x1.
Na terça (13) o Painel da Folha publicou que "Flávio
Bolsonaro fez chegar a aliados que vai rever pontos da proposta caso seja
eleito".
Isso reflete a real intenção do presidenciável, que já
qualificou o fim da jornada exaustiva como "inoportuna e
eleitoreira", uma "hipocrisia" com risco de "desemprego em
massa". Antes, no mesmo dia, o jornal publicou que "Flávio diz que
vai votar a favor do fim da escala 6x1, pressionado
pela eleição".
Em tempos de falas-notícias, as palavras
escritas importam. O plano de governo de Flávio é mais cristalino que seu
oportunismo: Flávio propõe que o trabalhador entre em acordo com seu
empregador, prevalecendo o negociado sobre o legislado. É em especial sintomático
que Flávio chame exploração do trabalho de liberdade de escolha, uma síntese
perfeita de uma ideia fora de lugar, um país cuja elite professa ser liberal,
moderna e, portanto, maravilhosa, enquanto é rentista e beneficiada por
incentivos fiscais.
Flávio quer que o trabalhador tenha a liberdade de escolher
entre ter o salário cortado ou ficar desempregado: defende jornadas remuneradas
por hora por meio da PEC 12 de 2026. Nela, prevê que os direitos sejam
proporcionais à hora trabalhada, o descanso, portanto, passa a não ser
remunerado. Flávio propõe contratos de trabalho com menos proteção para jovens
e acima de 50 anos. O plano de Flávio é hipócrita ao afirmar que não retirará
direitos ao mesmo tempo em que os flexibiliza expressamente sob a alcunha da
liberdade.
É central ao debate a disputa entre Lula e Flávio sobre quem
domina a retórica do empreendedorismo. Flávio chama exploração do trabalho de
liberdade, porque sabe que o discurso de "empresa de si mesmo" tem
apelo emancipatório para parte dos pobres (com exceções, como os movimentos de
trabalhadores de aplicativos por mais direitos). O exemplo argentino lembra, no
entanto, que a política econômica da extrema direita impõe, aos trabalhadores,
a liberdade da fome e, aos empreendedores, a liberdade da crise.

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