É bastante improvável que a eleição presidencial feche já
no primeiro turno; as incertezas e tensões vão persistir para além da noite de
domingo
Nunca antes na história deste País as eleições chegam ao fim
tão indefinidas, tensas e com o Supremo
Tribunal Federal roubando a cena, soterrado por erros e críticas. Ganhe
quem ganhar a Presidência, as únicas certezas são que o Judiciário estará na
mira e que o Centrão vai continuar poderoso, dominando o Legislativo e
controlando o Executivo.
Quem ganha neste domingo? É certo que o “segundo pelotão”,
com Ronaldo Caiado, Romeu Zema, Augusto Cury e Renan Santos, mal deve chegar a
10% dos votos válidos e só dois candidatos têm chance de vitória, o presidente
Lula e o senador Flávio Bolsonaro. No mais, tudo continua incerto.
Nada é impossível, mas é bastante
improvável que a eleição presidencial feche já no primeiro turno. Logo, as
incertezas e tensões vão persistir e as fakenews vão continuar pipocando para
além da noite de domingo, quando os resultados devem ser anunciados pouco
depois das 21h, como em 2022.
O segundo turno é “uma nova eleição”, logo, as pesquisas, os
especialistas e a mídia, além das campanhas de Lula e Flávio, continuarão
mobilizados, atolados em dúvidas sobre quem vencerá e temerosos de novas
intervenções políticas do Supremo e do próprio TSE, como as que derrubaram o
último debate.
Atenção, porém: essas intervenções podem vir tanto a favor
de Lula quanto de Flávio e não vão começar pelo Judiciário, mas pelo Congresso.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, anunciou que vai iniciar a análise do
fim da escala 6X1 na terça-feira, bem no início do segundo turno.
Como essa é uma das cartas na manga pró Lula, desde que ele
fez as pazes com Alcolumbre, depois de meses de muxoxos, conclui-se que a
decisão é boa para o presidente, que disputa o quarto mandato, e ruim para
Flávio, eleito pelo pai, Jair Bolsonaro, como seu sucessor político.
Se já é esse sufoco todo, imagine-se como será o segundo
turno, com o eleitorado já desanimado, descrente, desmobilizado e sem
praticamente metade dos palanques estaduais, já que uma dúzia de governadores
devem eleitos em primeiro turno.
A expectativa é de guerra de acusações, facknews aos montes,
Supremo se metendo, TSE indo para um lado ou outro, Centrão entrando de mau
jeito e uma disputa feroz pelos votos do “segundo pelotão”, já derrotado. E não
poderiam faltar as igrejas. Não só as evangélicas, majoritariamente pró Flávio,
mas também a Católica, que entrou na campanha de Lula.
É nesse clima de radicalização, crise entre as instituições
e envolvimento religioso, que o primeiro turno vai chegando ao fim e o segundo
já vai começar. O pós-eleição, como o novo governo será melhor? Nem Nossa
Senhora sabe.
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