Um soldado prisioneiro de guerra volta do Vietnã e
descobre que sua esperança foi em vão
A bela foto daquele momento é premiada e liga o fotógrafo
e seu personagem para sempre
A foto, excepcional, correu o mundo em 1973. Mostrava um soldado
americano, prisioneiro de guerra durante cinco anos no Vietnã,
desembarcando recém-libertado numa base aérea na Califórnia.
O homem é um major e se chama Robert Stirm. Está fardado, de costas para a
câmera, e sua bela família corre euforicamente para abraçá-lo. São duas
meninas, uma já adolescente, dois garotos e a esposa. Parecem estar no ar, os
pés fora do chão, e a alegria em seus rostos é indescritível. A foto é de Slava
Veder, também americano, da Associated Press.
Veder morreu há um mês, aos 99 anos. Sua
foto lhe rendeu o Prêmio
Pulitzer e fama pelo resto da vida. Stirm morreu em 2025, aos 92, mas, para
ele, ao contrário, ela só lhe provocava amargura. Não porque lhe lembrasse o
longo cativeiro na selva, mas porque, ao se reunir com a família naquele
momento, já sabia que seu casamento estava destruído. Dias antes de voltar,
recebera uma carta da mulher contando-lhe que, na ausência dele, ela se
apaixonara por outro homem e, embora aquele caso já tivesse acabado,
convencera-se de que não era feliz no casamento e queria o divórcio.
Stirm não esperava por aquilo. O que o fizera sobreviver à
fome, às torturas e às execuções simuladas na prisão fora a esperança de
reencontrar sua família, recuperar o tempo perdido com a mulher, acompanhar o
que restava da adolescência das crianças. E, ao descer do avião, sentia-se como
se o chão que pisava não existisse. O casamento acabara e eles concordaram em
esperar um ano para a separação, o que aconteceu.
A história chegou à imprensa na época e, por algum tempo,
foi tão conhecida quanto a foto. Para sorte de Stirm, seu rosto não aparecia na
imagem, poupando-o de ser apontado nas ruas. Mas todos sabiam dela nos
quartéis. Promovido a coronel, ele abandonou a vida militar.
Veder e Stirm passaram as muitas décadas seguintes ligados
pela foto. Com frequência, participavam de cerimônias envolvendo os veteranos
daquela guerra absurda. Mas, para Stirm, o Vietnã nunca acabou.

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