Foi pena Flávio Bolsonaro ter se escafedido do debate da
Globo aos 44 do 2º tempo
A Faria Lima, o agronegócio e o Brasil queriam saber de
seus planos de desgoverno
Que anticlímax! Já sabendo que Lula não iria ao
debate, para não ter de apanhar da turma do 1% e levar 20 minutos para poder
responder, preparei-me para ouvir Flávio
Bolsonaro e seu programa presidencial. Do qual, aliás, só conhecemos suas
promessas de anistiar familiares presos ou condenados, soltar golpistas, pôr-se
de quatro para Donald Trump
e construir igrejas evangélicas. Há importantes questões envolvendo-o e que ele
precisava esclarecer, até para dar satisfações aos interessados na sua eleição.
A Faria Lima, por exemplo, talvez quisesse
saber se a condução da economia por
ele não se limitará a facilitar investimentos sem lastro para êmulos de Daniel
Vorcaro, lavagem de capitais, impossibilidade de prestar contas por
negócios vultosos, compra de mansões com juros camaradas do BRB, fazer negócios
suspeitos com dinheiro vivo e envolver-se em práticas incompatíveis com o
decoro do cargo. Há também seu lado como administrador. Todo presidente precisa
ter alguma experiência nisso. A de Flávio resume-se a uma loja
de chocolates que realizou o milagre de não vender chocolate na Páscoa.
O agronegócio
também gostaria de saber se terá de redirecionar seus negócios. Afinal, Flávio
já disse que governará seguindo as ordens de Trump, e Trump não quer que o
Brasil negocie com a China. Sem esta,
para quem os agros vão vender seu algodão, celulose, açúcar, soja em grão ou
farelo e carne suína, bovina e de frango? Para Trump, claro, que os revenderá
com lucro para a China.
Um país para produzir precisa de paz, e Flávio já garantiu,
se eleito, vingança contra todos que impediram que o golpe tentado por seu pai
em 2022 fosse vitorioso. Isso significará expurgo radical no Exército, com
expulsão ou prisão de militares democratas e legalistas; razzia no Itamaraty,
com a aposentadoria do corpo diplomático de carreira e sua substituição por
estranhos ao assunto; e censura cerrada à educação, artes e comunicações.
Pena Flávio ter ficado com medo de Renan Santos
e se escafedido aos 44 do segundo tempo.
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