Lula precisa terminar uma vida política brilhante com um
governo que ele pretende será “o melhor governo” que já fez.
A definição do quarto governo Lula sairá da escolha do
próximo ministro da Fazenda, assim como a escolha de Antonio Palocci no
primeiro mandato foi essencial para a manutenção do sistema econômico montado
no governo de Fernando Henrique Cardoso, baseado no tripé câmbio flutuante,
metas de inflação e superávit primário. Colocar Henrique Meirelles, deputado
federal eleito pelo PSDB de Goiás, na presidência do Banco Central foi outra
medida surpreendente que deu o rumo do governo. Tudo isso aconteceu porque Palocci,
antigo prefeito de Ribeirão Preto, fundador do PT, tinha o respeito da máquina
partidária do partido.
Nenhum dos coordenadores econômicos do PT,
como Guido Mantega ou Aloizio Mercadante, foi cogitado neste primeiro momento.
Somente quando Palocci teve que sair do governo, devido a acusações de
corrupção, foi substituído por Mantega, que permaneceu no governo Dilma
Rousseff, quando colocou em prática o que chamou de “nova matriz econômica”,
perdendo o controle do equilíbrio fiscal e levando o país à maior crise
financeira já ocorrida e ao impeachment do presidente Dilma Rousseff. Mantega
terminou no staff do banqueiro bandido Daniel Vorcaro.
No segundo mandato de Dilma, diante da catástrofe econômica,
a presidente foi obrigada a convidar para o ministério da Fazenda o economista
Joaquim Levy, ligado à linha econômica que vigorava no governo Fernando
Henrique Cardoso, para tentar recolocar o país na trilha do equilíbrio fiscal.
Não durou um ano, boicotado pela máquina burocrática petista, que colocou em
seu lugar o economista Nelson Barbosa. Esse rápido histórico demonstra que
somente quando o ministro da Fazenda faz parte da máquina petista é possível
fazer uma gestão que não seja boicotada internamente.
O ministro da Fazenda Fernando Haddad é um exemplo disso.
Recebeu forte oposição interna, mas manteve-se no comando das ações com o apoio
do próprio presidente Lula e de uma ala do partido. Tido como seu possível
sucessor, Haddad sempre teve o respaldo do presidente, que o escolheu para
representá-lo na eleição perdida em 2018 e, na recente eleição, aceitou ir para
o sacrifício candidatar-se ao governo de São Paulo apenas para dar um palanque
forte para a campanha da reeleição de Lula, sabendo que poderia, como
aconteceu, perder já no primeiro turno para o governador Tarcisio de Freitas.
A escolha de Dario Durigan para continuar no cargo de
ministro da Fazenda, que assumiu como segundo de Haddad, seria uma reafirmação
da força daquele, e desencadearia uma forte reação interna a essa confirmação
de Lula de que Haddad é o escolhido para seu sucessor. Ainda mais se Lula
colocá-lo, como se especula, como Chefe do Gabinete Civil. Perguntado por
jornalistas, Palocci, que ainda conhece bem o PT por dentro, acha que Durigan
deveria ser mantido como ministro da Fazenda no quarto mandato de Lula.
Outro forte candidato, o governador eleito do Piauí, o
petista Rafael Fonteles ganhou corpo dentro da estrutura petista ao se tornar o
coordenador da campanha presidencial no segundo turno. Considerado um político
eficiente e moderado, Fonteles vem dando vivas ao equilíbrio fiscal, tem bons
resultados em sua gestão, tendo sido reeleito no primeiro turno. Aos 41 anos,
faz parte da nova geração do PT que chega no momento em que Lula começa seu
último mandato como presidente da República, o único eleito diretamente por
quatro vezes. O partido precisa de renovação, e Lula precisa terminar uma vida
política brilhante com um governo que ele pretende será “o melhor governo” que
já fez.
Para tanto, não pode arriscar perder o controle da situação
econômica. A ideia de colocar o vice-presidente Geraldo Alckmin no ministério
da Fazenda é outra saída em direção ao centro político e ao equilíbrio fiscal.
Por todos esses aspectos, também pela necessidade de montar uma aliança formal
com o Centrão para tentar superar pela política a supremacia oposicionista no
Congresso, a escolha será decisiva para o futuro do Lula 4.

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