Lula reúne aliados para avançar na definição de nomes
para a Esplanada
Presidente tem reunião hoje com nomes como Rafael
Fonteles, Camilo Santana e Alckmin
Pouco mais de uma semana após a vitória, o presidente Luiz
Inácio Lula da Silva (PT) volta a se reunir com o núcleo mais próximo da
campanha, nesta terça-feira (3), para dar continuidade à formação do novo
governo. Nos últimos dias, evoluíram as conversas com a cúpula do Congresso, a
fim de garantir a governabilidade do Lula 4, bem como a confirmação de alguns
nomes e de alguns espaços do PT e do PSB.
Ainda nesta terça-feira, Lula deve gravar o pronunciamento
sobre a vitória, a ser transmitido em rede nacional de rádio e TV, que ele
anunciou em um áudio enviado na semana passada no canal “Exército do Lula”,
comandado pelo deputado André Janones (Rede-MG). Ele agradecerá os mais de 64
milhões de votos, e reafirmará o compromisso com as promessas de campanha.
O governador reeleito do Piauí, Rafael
Fonteles (PT), o líder do PT no Senado e ex-ministro Camilo Santana (CE) e o
senador eleito e ex-ministro Rui Costa (PT) retornam de seus Estados, onde
passaram os últimos dias, para se encontrar com Lula. Fonteles e Camilo são
cotados para o Ministério da Fazenda e para a Casa Civil, respectivamente.
Também devem se somar à agenda o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), o
ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (Psol), o
ministro da Secretaria de Comunicação (Secom), Sidônio Palmeira, e o presidente
do PT, Edinho Silva.
Esse grupo se reuniu pela última vez com Lula na manhã de
quarta-feira (28), após a comemoração do aniversário do presidente na véspera,
quando analisaram as consequências da fuga do candidato derrotado à
Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), para os Estados Unidos, e a conjuntura
nacional, em meio à movimentação dos presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo
Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para se
reelegerem para o comando das Casas.
No dia seguinte ao segundo turno, Lula havia se reunido com
Motta e Alcolumbre, quando alinharam o apoio do Palácio do Planalto à reeleição
de ambos, a fim de assegurar a governabilidade durante o novo mandato, em uma
aliança da esquerda com a parcela majoritária do Centrão. Lula sinalizou a
Motta que pode manter o aliado dele, Gustavo Feliciano, no Ministério do
Turismo. Sem partido, Feliciano é conterrâneo de Motta e foi indicado para a
pasta, que está na cota do União Brasil, em um consórcio do presidente da
Câmara com Alcolumbre.
Em paralelo, Lula avalia se aceita, ou não, a recomendação
para indicar um quadro do Centrão para a Secretaria de Relações Institucionais
(SRI), responsável pela interlocução com o Congresso, para montar um Planalto
“plural” e arejar o diálogo com os parlamentares. O presidente foi criticado
porque, no mandato atual, todos os ministros palacianos são petistas ou de
esquerda, como Boulos.
O perfil ideal para a SRI, segundo fontes a par do assunto,
seria o de um deputado, com mandato, fora do PT ou da esquerda. Nesse contexto,
um nome ventilado é o do deputado Silvio Costa Filho (Republicanos-PE). Ele é
próximo de Motta, e foi ministro da Secretaria de Portos e Aeroportos no
terceiro mandato, com desempenho elogiado por Lula. Alas do Republicanos,
entretanto, defendem que ele retorne à pasta.
Simultaneamente, como já mostrou o Valor, Lula
alinhavou com Alcolumbre a indicação do ministro do Tribunal de Contas da União
(TCU), Rodrigo Pacheco, para o Supremo Tribunal Federal (STF). Em abril,
Alcolumbre foi um dos responsáveis pela articulação para que os senadores
rejeitassem o nome do ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge
Messias, para o STF, justamente porque queria Pacheco na vaga. Agora, em
retribuição a Alcolumbre, que pautou a votação do fim da escala 6x1, e deverá
concluir a análise da proposta de emenda à Constituição (PEC) da segurança
pública nesta semana, Lula encaminhará a indicação de Pacheco ao Supremo. A
vaga do ex-senador de Minas Gerais no TCU caberá à bancada do MDB no Senado.
Lula também se comprometeu com Alcolumbre a manter um de
seus principais aliados, o ex-governador do Amapá Waldez Góes, à frente do
Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional.
Em relação ao PT, Fonteles e Santana continuam liderando o
time de “homens fortes” do novo governo. Apesar da manobra intrincada que
envolve a renúncia ao segundo mandato de governador, Fonteles segue cotado para
a Fazenda. Na segunda-feira (2), ele escreveu em uma postagem a mensagem “Viva
o Equilíbrio Fiscal!!!” ao anunciar a permanência de no cargo de seu secretário
de Fazenda, Emílio Joaquim de Oliveira Júnior.
Ele ainda pode emplacar seu aliado, o secretário Nacional de
Segurança Pública, Francisco Lopes, na nova pasta da Segurança, que Lula deve
criar assim que a PEC sobre o tema for aprovada no Congresso. O Piauí tem os
melhores índices de combate à violência do Nordeste.
Camilo, por sua vez, é citado para a Casa Civil, enquanto
Alexandre Padilha deve permanecer no Ministério da Saúde. A ex-ministra Gleisi
Hoffmann, que não se elegeu senadora no Paraná, deverá assumir uma pasta. E o
titular da SRI, José Guimarães, se não permanecer no cargo - na hipótese de
Lula rejeitar a escolha de um nome do Centrão -, poderá ocupar outro espaço.
Os futuros papéis do senador eleito da Bahia Rui Costa e do
ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad, derrotado na corrida pelo governo de
São Paulo, estão indefinidos.
Quanto ao PSB, Alckmin é citado para a Fazenda ou para
retornar à pasta do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (Mdic). O presidente
da sigla, João Campos, derrotado na disputa pelo governo de Pernambuco, deve
ser ministro - provavelmente, da Ciência e Tecnologia. E o candidato derrotado
a vice-governador de Minas Gerais na chapa de Patrus Ananias (PT), Jarbas
Soares Júnior, aliado de Alckmin, deve ganhar um espaço no governo.

Nenhum comentário:
Postar um comentário