Lula foi transparente na campanha. É coerente agora. Não tem
pressa. E, no seu ritmo, reunindo-se com Mantega e outros mercadantes,
distribui comunicação política clara: a agenda fiscalista foi derrotada nas
urnas. Derrotados, segundo nos informa o presidente reeleito, o mercado
financeiro e o Banco Central, aplicador de juros – comunica-se também – para
punir o País. O governo, inflacionário e endividador, trata remédio como
doença.
(A propósito, que Galípolo se prepare: o
inconformismo petista com a autonomia do BC, combatente único da inflação,
materializar-se-á num novo grau de agressividade contra a sua gestão e ele
próprio, um traidor.)
Vitorioso nas urnas, motor para a mobilização de eleitores
ausentes no primeiro turno, o discurso de defesa-ampliação de programas
sociais, contra a ameaça do tesouraço bolsonarista. Vitorioso nas urnas,
afinal, o governo “quatro anos em um mês” – o compromisso acelerado com a
expansão de gastos. A isso se subordinará aquilo que Lula 4 fizer em termos de
ajuste fiscal. O que quer que venha, virá a serviço de encaixar o aumento da
conta.
Veremos isso no pronunciamento do presidente à Nação, a ser
transmitido no domingo, em que a responsabilidade fiscal, porção secundária no
texto, comporá o aceno conciliatório àqueles que o rejeitam.
Esta é a mensagem difundida diariamente, desde 25 de
outubro: Lula não disputará um terceiro turno contra a pautapressão dos que,
avalia, chantageiam-no. Vai viajar, enquanto Dario Durigan (cuja cotação para
permanecer à frente da Fazenda subiu) prepararia um cardápio magro de possíveis
medidas, dentre as quais, quando voltar, e sem afã, escolherá salada com
tomate, quiçá, por ousadia, acrescida de um franguinho.
Lula escolherá algo que diminua o ritmo de crescimento da
dívida pública. Noutras palavras: tentará rolar a bomba adiante.
O presidente reeleito não considera que o problema fiscal do
Brasil seja grave; não para impor respostas urgentes e estruturais. Essa é a
premissa a ser entendida por quem pretende projetar a gestão econômica de Lula
4 – um governo (outra premissa) de continuidade. O presidente reeleito avalia
que este é seu melhor governo.
Houve incompreensão sobre o que declarou assim que
vitorioso: “(...) vamos mudar o jeito de governar este país.” Falava de forma.
Do jeito. E falava de comunicação, ante o efeito Janones. Falava sobre como
comunicar melhor sobre o seu (melhor) governo.
Depois da reunião com Mercadante e outros mantegas, em 5 de
novembro, disse: “Precisamos saber que, para a gente atrair, a gente vai ter
que ter uma economia arrumada. Ninguém vai querer vir fazer investimento em uma
economia totalmente desordenada.” O conceito de “economia arrumada” é relativo.
Lula tem certeza de que o seu melhor governo tem a “economia arrumada”.

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