Augusto Aras começou como Jair Bolsonaro queria. O novo
procurador-geral da República tomou posse ontem. No dia da estreia, defendeu a
reabertura do caso Adélio Bispo.
O homem que esfaqueou o presidente está num presídio de
segurança máxima. Em julho, a Justiça concluiu que ele é incapaz de responder
por seus atos. Laudos de três psiquiatras, indicados pela defesa e pela
acusação, apontaram um quadro de transtorno delirante.
Os advogados de Bolsonaro não quiseram recorrer, e o
processo foi encerrado. Mesmo assim, o presidente continua a alimentar teorias
conspiratórias sobre o atentado. Ele se refere a Adélio como “militante de
esquerda”, insinuando uma trama política para matá-lo.
Em entrevista ao jornal “O Estado de S. Paulo”, o novo chefe
da Procuradoria deu corda ao discurso presidencial. Na contramão da Polícia
Federal, Aras disse não acreditar que Adélio tenha agido sozinho. Ele
acrescentou que ainda é tempo de “buscar a verdade real” sobre o caso. Não foi
a única piscadela a quem o nomeou.
Na posse, Aras disse que a PGR não atuará contra a “nossa
cultura judaico-cristã”. Ele já nomeou militantes bolsonaristas para
postos-chave. Seu secretário-geral, Eitel Santiago, é da turma que chama golpe
de “revolução”. O secretário de Direitos Humanos, Ailton Benedito, defendeu a
apreensão de livros com conteúdo LGBT.
Aras também agradeceu o apoio de Meyer Nigri, a quem chamou
de “amigo de todas as horas”. Dono da construtora Tecnisa, o empresário foi um
dos principais articuladores da campanha do presidente. Ontem soube-se que ele
também influenciou a sucessão na PGR.
À vontade, Bolsonaro chamou o procurador de “querido” e
definiu a relação dos dois como um “amor à primeira vista”. “Só faltou ele me
saudar com o grito de ‘Selva!’”, gracejou, referindo-se à saudação dos quartéis.
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Do ministro Marco Aurélio Mello, no plenário do Supremo, depois de um longo discurso de Gilmar Mendes sobre Lava-Jato, vazamentos do Intercept, direito de defesa, gangsterismo, fetiches sexuais e outros assuntos:
Do ministro Marco Aurélio Mello, no plenário do Supremo, depois de um longo discurso de Gilmar Mendes sobre Lava-Jato, vazamentos do Intercept, direito de defesa, gangsterismo, fetiches sexuais e outros assuntos:
“Presidente, o que estamos a julgar?”

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