É no que dá um governo que não liga para articulação
política, não liga para a falta que lhe faz uma base de apoio no Congresso, não
liga para a sorte dos projetos que despacha para lá, e tampouco para o fato
inédito na história do país de o presidente da República ter abandonado em
tempo recorde o partido pelo qual se elegeu.
Embora se apresente como o presidente que mais reverencia e
respeita o Congresso, Jair Bolsonaro, de fato, demonstra um enorme desprezo por
seus antigos colegas. Faz questão de manter distância deles, só aparecendo por
lá para fazer pirotecnia e tirar selfies. Prefere a companhia dos seus
ex-colegas de farda.
Não existe espaço vazio na política. E se o presidente da
República não ocupa o que por tradição seria seu, o Congresso o faz. Esta
semana, segundo o TAG REPORTER, relatório semanal das jornalistas Helena Chagas
e Lydia Medeiros, o Congresso votará o primeiro Orçamento da União 100%
impositivo, o de 2020.
Foi no governo da presidente Dilma Rousseff que as emendas
individuais de deputados federais e de senadores se tornaram impositivas. No
vazio político do governo Bolsonaro, o processo ganhou velocidade e irá se
completar. Ele será obrigado doravante a cumprir todas as prioridades
estabelecidas pelo Congresso.
Mesmo o poder do governo de contingenciar recursos será
limitado. Na semana passada, por exemplo, o Congresso aprovou projeto de lei
que resgatou trechos da Lei de Diretrizes Orçamentárias vetados por Bolsonaro.
E incluiu outros dispositivos que tinham ficado de fora. Tais como:
+ Emendas de comissão e do relator-geral do Orçamento também
passam a ser impositivas;
+ As emendas do relator-geral do Orçamento (no valor de R$ 7
bilhões em contrapartida ao valor de R$ 15 milhões de cada emenda de
parlamentar) terão de ser empenhadas num prazo de 90 dias;
+ O contingenciamento de emendas parlamentares (individuais,
de bancada, de comissão e do relator) será obrigatoriamente linear.
Bolsonaro, claro, tem poder de veto sobre as mudanças que o
Congresso fizer. Como o Congresso tem o poder final para derrubar os vetos que
ele faça. É o que no Congresso se promete fazer. A briga dos dois poderes
poderá acabar no Supremo Tribunal Federal.

Nenhum comentário:
Postar um comentário