As universidades são centros de pensamento crítico e
produção de conhecimento. No governo Bolsonaro, passaram a ser tratadas como
inimigas do poder.
O ministro Abraham Weintraub não demorou a atacá-las. Assim
que assumiu o cargo, em abril, ele classificou as instituições federais como locais
de “balbúrdia”. Em seguida, passou a asfixiá-las com o corte de verbas e bolsas
de pesquisa.
Há duas semanas, o ministro iniciou uma nova ofensiva. Em
entrevista a um site bolsonarista, ele associou as universidades à produção de
drogas. No dia seguinte, repetiu o besteirol no Twitter.
Weintraub disse que “algumas universidades” teriam
plantações extensivas de maconha, “a ponto de precisar de borrifador de
agrotóxico”. Depois afirmou que faculdades de química esconderiam laboratórios
de metanfetaminas.
As acusações misturavam notícias distorcidas e mentiras
deslavadas. Mesmo assim, serviram para incitar as milícias virtuais contra as
universidades.
O ministro já demonstrou que não merece ser levado a sério.
Seguidor de Olavo de Carvalho, ele costuma recorrer à polêmica vazia e ao
insulto para tumultuar o debate político. Ao se ver em apuros, fabrica outro
factoide para desviar a discussão.
O novo ataque às universidades cumpriu essa tarefa. Quando
delirou com as plantações de maconha, Weintraub já sabia que o Brasil seria
reprovado no Pisa, que mede o desempenho dos países na educação. Os dados
remetem ao último ano do governo Temer, mas reforçam a pressão sobre quem está
no poder.
Na quarta-feira, o ministro foi convocado a se explicar
sobre as acusações falsas na Câmara. Ontem os reitores foram à Justiça para
obrigá-lo a se retratar. Na interpelação, afirmaram que Weintraub promove a
“difamação genérica” contra instituições que deveria proteger.
Num governo funcional, o episódio levaria à demissão sumária
do ministro. Na gestão atual, é mais provável que ele ganhe um afago do chefe.

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