Como previ, o dia foi tomado por discussões sobre a presença
de Bolsonaro em manifestação sobre o AI5.
É uma constante perda de energia. Há anos que observo
populistas de direita e esquerda. Falam uma coisa hoje, outra amanhã, uma
diante de uma plateia, outra diferente em outro auditório. Analisar as suas
frases é como lutar com mosquitos na beira do rio no crepúsculo. Prefiro essa
última hiptese: é mais tranquila e a água fresca.
No passado, quando Lula já fora do poder dizia uma coisa
depois desdizia, resolvi conceder um habeas lingua e não comentar mais suas
frases.
Hoje, o Ministério da Saúde nos deu um susto. Aumentou em
270 o número de mortes nas últimas 24 horas. O erro foi corrigido mas é preciso
muito cuidado com isso.
No esforço de manter as pessoas em casa, a imprensa mostrou
exaustivamente o perigo do corona vírus. Uma longa exposição às noticias
aumenta um pouco nossa ansiedade.
Não sou partidário de uma tática, oposta de enfatizar apenas
boas noticias. Não há espaço para um otimismo ingênuo.
A coisa é dificil. É preciso encará-la de frente. Hoje, por
exemplo, depois de duas semanas entubado um amigo foi liberado do aparelho.
É um dia feliz. Sei que vai passar alguns dias a mais no
hospital. Sei que será uma recuperação difícil. Imagino pela entrevista de um
doente que escapou do entubamento que há dificuldades de recuperar a voz, a
força dos músculos.
Mas ele escapou e em outras circunstânca tomaria uma taça
de de vinho para celebrar essa notícia maravilhosa. Mas não posso me
esquecer que o corona matou 113 pessoas, descontado o erro do Ministério da
Saúde. Creio que numa guerra talvez as pessoas tenham também essas sensações
contraditórias.

Nenhum comentário:
Postar um comentário