Terminou hoje a novela dos exames de Bolsonaro. Foram
negativos para o coronavírus. Felizmente acabou a novela. Todos ganharam.
Bolsonaro pode dizer que foi perseguido injustamente, pois sempre disse a
verdade. O Estadão pode reafirmar a tese de que a saúde de um presidente é uma
questão de estado: não deve ser vista sob o ângulo de direito à privacidade.
Continua entretanto a novela do vídeo. Esta novela só
termina quando o vídeo for exibido. Muitos vão extrair conclusões diferentes.
Mas a conclusão que importa é a do Procurador Geral da República. Compete a
ele, denunciar ou não Bolsonaro.
O Ministro da Saúde está na corda bamba. As razões são as de
sempre, quase as mesmas que derrubaram Mandetta: abertura precoce, cloroquina.
Nas redes sociais bolsonaristas já há um clamor pela sua demissão. Ao contrário
de Mandetta nem a opinião pública antibolsonaro ele conseguiu seduzir.
As tramas envolvendo Bolsonaro ainda dominam a cena. Mesmo
aqui, algumas pessoas me censuram por ser brando na crítica. Outras ficam
bravas porque são a favor de Bolsonaro.
Se achasse Bolsonaro o centro do mundo já teria me
candidatado para essas expedições a Marte.
Alguns acham que sou oposicão a Bolsonaro porque trabalho na
Globo, onde exibo meus documentários. Sou da oposicão desde que me entendo por
gente.
Hoje o sol nos abandonou. Não completamente. Na televisão
perguntaram pelo gato que sempre aparece quando faço comentários. É o Nino.
Ultimamente ele está buscando lugares mais quentes para
dormir. Costuma aparecer no jornal das seis. Mas hoje ele enrolou o pescoço
numa sacola de papel, correu alvoroçado e com o susto se escondeu. Ele deve ter
sentido aquele barulho como se o mundo estivesse caindo na sua cabeça.
Pela manhã entrevistei, junto com outros, um jurista sobre
lockdown. Lembrei que medidas restritivas em crises sanitárias são quase sempre
contestadas, em nome da liberdade individual. Foi assim na Revolta da Vacina,
em 1904, na Revolta das Máscaras nos EUA durante a gripe espanhola, e está
sendo assim agora.
Ele lembrou que as leis são para salvar vidas e mencionou a
vacina obrigatória. Não tive tempo de contestar, mas a vacina obrigatória
despertou um movimento de desobediência em vários paises do mundo.
Sobrevive até hoje.
O New York Times publica uma excelente reportagem sobre a
pandemia na América do Sul. Estamos sendo muito atingidos, sem a mesma
repercussão das tragédias na Europa e Estados Unidos.
A reportagem destaca três paises: Brasil, Peru e Equador. No
Cone Sul a pandemia é mais branda. Não temos condições de impor um lockdown e
manter em casa pessoas que não têm como ficar amontoadas em cômodos pequenos e
úmidos: vamos sofrer muito.
Hoje li no Estadão que a pandemia está dificultando o
diagnóstico e tratamento de 50 mil casos de câncer. Nem todos os hospitais
estão cheios. Mas há medo de buscar tratamento e contrair o covid 19.
São tempos muito difíceis. Amanhã às 18h conversarei sobre eles com o Embaixador Marcos Azambuja, numa live do CEBRI, Centro Brasileiro de Relações Exteriores. Partilhamos de um senso de humor mesmo em situações tão terriveis como essa. O titulo é: A tempestade perfeita. Fiz um artigo sintetizando minha intervenção inicial. Sai sexta feira no Estadão. O debate mesmo, só aqui no Diário, para quem não teve tempo de assistí-lo.

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