Queda da inflação se deveu à redução de tarifas de
energia residencial; expetativa para o ano ainda é de estouro da meta
A alta do IPCA, principal índice de inflação ao
consumidor, de apenas 0,16% em janeiro, foi a menor para o mês desde o Plano
Real, em 1994, o que gerou comemoração no núcleo político do governo.
Nos 12 meses até janeiro, a variação do índice ficou em
4,56%, abaixo dos 4,83% de um mês antes. Qualquer otimismo, no entanto, é
prematuro, já que o dado foi influenciado por alívio pontual da energia
elétrica residencial, que se reverterá em fevereiro.
A queda na conta de luz foi de 14,21% e retirou 0,55 ponto
percentual do índice —que, sem
esse efeito, teria subido cerca de 0,70%, no maior aumento para o período
desde 2022.
Trata-se do efeito do chamado bônus de Itaipu, que reflete a
comercialização da energia pela usina. Fora disso, o quadro ainda é
preocupante, com continuada pressão em itens essenciais, como alimentos, e nos
principais segmentos que indicam tensão duradoura, como serviços.
Permanecem elevadas as várias medidas do chamado núcleo da
inflação, que em geral buscam excluir itens mais voláteis para obter uma visão
mais apurada das tendências. A média desses cortes subiu 0,61%, ou cerca de
7,3% em termos anualizados, trajetória incompatível com a meta de inflação (3%)
e mesmo com seu limite superior (4,5%).
No caso de alimentação e
bebidas, houve alta de 0,96%, menos que em dezembro (1,18%). Mesmo assim, a
inflação acumulada nesses produtos ficou em 7,25% nos últimos 12 meses.
Deve-se contar com algum arrefecimento nos próximos meses
diante da esperada alta na colheita de grãos, que deve atingir novo recorde. A
valorização do real nas últimas semanas também pode ajudar a conter custos.
Se haverá melhoria na percepção da população é uma
incógnita, pois as pessoas se importam com o nível absoluto dos preços, que
permanecerá elevado.
Pior, em fevereiro e março há outras pressões sazonais de
reajustes, caso da educação. No agregado, espera-se que o IPCA suba pelo menos
1,3% neste mês. Para o ano, as expectativas coletadas na pesquisa do Banco
Central ainda apontam para 5,58%.
Não é por acaso que o
BC está em campanha de subida da taxa básica de juros, que deve atingir
14,25% anuais em março.
O resultado do arrocho é uma desaceleração na atividade
econômica que parece se iniciar.
Tudo isso teria sido desnecessário se o governo Luiz Inácio Lula da
Silva (PT) tivesse
adotado uma conduta mais prudente na gestão do Orçamento. A conta chegou
para toda a população.

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