quarta-feira, 4 de junho de 2025

MORRE NIÈDE GUIDON

Caroline Rosário*, g1 PI

Niède Guidon, arqueóloga franco-brasileira, morre aos 92 anos no Piauí

Pesquisadora liderou escavações no Parque Nacional da Serra da Capivara, no Piauí, que comprovaram e mudaram o entendimento sobre a presença humana nas Américas.

Morreu, aos 92 anos, na madrugada desta quarta-feira (4), em São Raimundo Nonato, a arqueóloga franco-brasileira Niède Guidon, vítima de um infarto. A informação foi confirmada pela diretora do Parque Nacional da Serra da Capivara, Marian Rodrigues.

"Ela estava razoavelmente bem. Pela idade, tinha dificuldades, estava com a memória recente já um pouco esquecida, mas a saúde estava bem. Ontem [terça-feira] ela apresentou incômodo leve durante o dia, sentindo um aperto no peito, na garganta. Mas à tarde teve a reunião de sempre. Tomou um remédio para passar aquele incômodo e foi dormir", contou Marian Rodrigues.

"Na madrugada, ela se sentiu mal e foi muito rápido. Se sentiu mal e já parou. Quis levantar e não conseguiu, aí já encantou, ancestralizou", completou a diretora.

Niède liderou escavações no Parque Nacional da Serra da Capivara que comprovaram e mudaram o entendimento sobre a presença humana nas Américas. Era pesquisadora, foi professora universitária, membro titular da Academia Brasileira de Ciências e grande oficial da Ordem Nacional do Mérito Científico.

Fundou o Museu do Homem Americano e foi a grande responsável por transformar a região da Serra da Capivara em um dos mais importantes sítios arqueológicos do mundo. Foi bastante influente na preservação do patrimônio cultural e natural do Brasil.

Quem foi a arqueóloga Niède Guidon

Niède nasceu em 12 de março de 1933, em Jaú (SP), filha de pai francês e mãe brasileira. Ela se formou em história pela Universidade de São Paulo (USP) em 1959. Ela foi para a França lecionar e voltou ao Brasil em 1970, quando conheceu as pinturas rupestres de Coronel José Dias, no Sul do Piauí.

A pesquisadora encontrou desenhos datados de até quase 30 mil anos e obteve o doutorado em pré-história pela Universidade de Paris em 1975.

g1 preparou um perfil da arqueóloga que revolucionou a história do "homem americano" e cujo trabalho levou a Unesco a declarar a Serra da Capivara como patrimônio cultural da humanidade.

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*Caroline Rosário, estagiária sob supervisão de Lucas Marreiros.

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