O país é sofrido em matéria de crise de combustível,
apesar de hoje ser importante produtor de petróleo, o que não acontecia nos
anos 70
A renúncia de Carlos Massa, o Ratinho Júnior, de sua
candidatura à Presidência da República pegou seus correligionários de surpresa.
Alguns até se recusavam, no dia seguinte da decisão, a acreditar na veracidade
da notícia. Tudo havia sido combinado, discutido e acertado, nos mínimos
detalhes, nos últimos meses. Não havia dúvidas, mas a persistente oposição do
pai, dono de poderoso conglomerado de empresas, entre elas o SBT no Paraná,
mudou o rumo da conversa. Ratinho Júnior decidiu permanecer no cargo de governador
até o fim do mandato, tentar eleger seu sucessor, que ganhou concorrente de
peso na pessoa de Sergio Moro, e assumir a presidência dos negócios do pai.
Deixou a política para tratar dos próprios interesses.
Relegou amigos e correligionários o sol e a
chuva. Gilberto Kassab, presidente do PSD, terá que optar entre o goiano
Ronaldo Caiado e o gaúcho Eduardo Leite. São perfis diferentes, com olhar
diverso para a realidade nacional. Caiado vem de um período de governo
bem-sucedido em Goiás, onde expandiu a economia, Goiânia hoje é capital do
agronegócio, ultrapassou Brasília em termos de desenvolvimento, e garantiu a
segurança da população. Leite é um administrador competente, com tinturas de
esquerda moderado, capaz de dialogar bem com o centro democrático. É distante
da extrema-direita e do bolsonarismo.
O radicalismo substituiu a melhor política no país. Não há
espaço para discussão de meios e métodos para alcançar resultados positivos e
escapar do subdesenvolvimento persistente. A mais nova crise do petróleo,
consequência das loucuras de Donald Trump, demonstra que o país continua preso
à inexistência de antevisão para superar limites. Nos anos 70, ocorreu a
primeira grande crise do petróleo, sempre consequência das guerras entre Israel
e vizinhos. Naquela época, o preço do barril de petróleo subiu de um para US$
10. Aumento espetacular. No Brasil, o governo tentou de tudo para evitar a
contaminação da economia com a elevação dos preços da gasolina e do óleo
diesel.
Mas não há como evitar. Os aumentos chegaram ao posto de
gasolina e ao preço do pão. O Brasil iniciou um processo de aumento da dívida
externa para conseguir comprar petróleo e, ao mesmo tempo, tentou reduzir o
consumo interno do produto. Chegou ao racionamento, a exemplo de alguns
europeus que tomaram a mesma providência. Naquela época, surgiu o programa do
álcool. Desde então, o álcool oscilou como principal combustível de automóveis
no Brasil. Houve época em que ele sumiu dos postos. Hoje é comum, mas seu preço
oscila junto com o da gasolina, o que é espantoso.
Os governos brasileiros não trabalham com planejamento nem
costumam se antecipar às crises. O país é sofrido em matéria de crise de
combustível, apesar de hoje ser importante produtor de petróleo, o que não
acontecia nos anos 70. Mas o transporte de carga no país continua a ser
realizado por caminhões, baseado no consumo do óleo diesel, subproduto do
petróleo.
O governo Lula, no período entre 2023 e 2025, construiu 225
quilômetros de rodovias no país. Duplicou cerca de 180 quilômetros. A soma dos
dois desforços resulta em aumento de 400 quilômetros, pouco para um país de
dimensões continentais. No capítulo ferrovias, o desempenho do governo é
lamentável. Ele retomou as obras da ferrovia chamada de Transnordestina, novela
que se desenvolve nos últimos anos e não sai do lugar. Planejou e licitou
grandes projetos, como a ferrovia Oeste-Leste, que terá um total de 1.527
quilômetros, mas continua a existir apenas no papel. Na realidade, não
construiu um único quilômetro de ferrovia neste país, nos últimos anos. O
transporte de carga continua a ser realizado majoritariamente por caminhões. O
remédio, extremo e ineficaz, é criar subsídio para evitar que o aumento de
preço chegue ao consumidor na véspera da eleição. Vai chegar por outro caminho
quando a crise da dívida interna explodir. Preço é preço, não há como fugir
dele.
O Brasil poderia ter, hoje, em funcionamento trens
elétricos, caminhões elétricos, ônibus elétricos e carros elétricos (estes
existem por força do planejamento dos chineses), mas nada disto existe — exceto
os veículos —, a não ser em caráter experimental. A negligência vai mais longe.
Existe energia de sobra, tanto eólica quanto solar. É tanta sobra que as
empresas são obrigadas a desligar os geradores para não sobrecarregar as redes
de transmissão. Na realidade, há menos redes de transmissão do que o necessário
para carregar o enorme volume de energia gerado pelo sol e pelos ventos para
todo o território nacional. O que realmente sobra no Brasil é incompetência,
negligência, falta de planejamento e preguiça de realizar, além da onipresente
corrupção. É mais fácil fazer o discurso do que fazer a obra. E haja subsídio
para pagar o preço do combustível.

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