Nesta semana ele matará, com outro nome, outra arma,
outras mãos, por outros meios, outra Dana, outra Daniella, outra Claudia
Ângela está caída na areia de Búzios, com três perfurações à
bala no rosto e uma na nuca. Tem 32 anos. Em pé, a seu lado, Doca, empresário,
entrega a arma ao engenheiro Roberto, que disparará seis vezes contra Jô, 36
anos, em Belo Horizonte. Outro engenheiro, Márcio, descarregará o revólver em
Eloísa, 32 anos, enquanto ela dorme. Nas mãos do paisagista Eduardo, o mesmo
gatilho será acionado, e mais seis tiros acertarão Maria Regina. É no palco que
Lindomar encontra Eliane, 25 anos, e a abate com cinco disparos.
Cláudia também está caída, mas no costão da
Niemeyer. Tem 21 anos. Foi violentada e estrangulada pelo traficante Michel e
pelo cabeleireiro Georges. Um pouco adiante, quem jaz na calçada da Avenida
Atlântica é Aída, 18 anos — abusada e jogada, ainda viva, do 12º andar por
Ronaldo e Cássio, estudantes, com a ajuda de Antônio, porteiro. A quilômetros
dali, sangra até a morte Daniella, 22 anos, 18 perfurações pelo corpo. O ator
Guilherme e sua mulher seguram a faca — ou punhal — que entregarão a Maicol, mecânico.
Em Cajamar, ele golpeará Vitória, 17 anos, a quem agrediu e cujos cabelos
raspou. A lâmina logo estará com José Cícero, que a usará para dar fim a
Yasmin, 27 anos, que tinha contra ele uma medida protetiva e acionara, em vão,
o botão de pânico do aplicativo SOS Mulher, de Mato Grosso.
Maria de Lourdes, 25 anos, queima no chão do quartel, em
Brasília, depois de levar duas facadas no pescoço. Tainara, de 31, é arrastada
pelo asfalto da Marginal Tietê, em São Paulo. O soldado Kevin esfaqueou e ateou
fogo. Douglas atropelou e acelerou o carro. Maria da Conceição, 15 ou 16 anos,
é degolada, esquartejada e enterrada no quintal pelo desembargador José
Cândido. Maria Mercedes, 21 anos, grávida de seis meses, é desmembrada,
colocada numa mala e despachada de navio por Giuseppe.
Soa um tiro, e é Sandra quem cai, baleada nas costas — e
depois, de novo, na cabeça. O revólver que estava na mão do jornalista Antônio
vai para a do motoboy Lindemberg, que atira também duas vezes em Eloá, sua
refém por cinco dias. Outras balas atingem o queixo e a mão de Mércia, 28 anos,
mas é afogada que ela morrerá, no carro submerso pelo policial Mizael. Isamara,
41 anos, está na festa de réveillon, interrompida por Sidnei, técnico de
laboratório contra quem havia feito cinco boletins de ocorrência. Ele a mata a
tiros, e a seu filho e a mais nove parentes.
Para Lorenza, a morte vem silenciosa, pelas mãos do promotor
de Justiça André, que a dopa e asfixia. São as mãos de Giovane que, após o
estupro, apertam o pescoço de Catarina, 31 anos, até que ela não mais respire e
jamais chegue à aula de natação, em Florianópolis. Luana, 41 anos, é esfaqueada
e estrangulada, e o mecânico Wellington grava a cena, no celular.
Alice, trans, 33 anos, é espancada pelos garçons William e
Arthur e não resiste às fraturas e à perfuração do intestino. Gisele está caída
na sala, em São Paulo, com um filete de sangue escorrendo pela têmpora e o
revólver cenograficamente encaixado na mão. Ainda sem camisa, o tenente Geraldo
recebe o abraço do amigo desembargador e a solidariedade do amigo coronel.
Nesta semana ele matará — com outro nome, outra arma, outras mãos, por outros
meios — outra Dana, outra Daniella, outra Claudia, outra Sandra, outra
Catarina, outra Vitória, outra Raiane, outra Tainara, outra Mércia, outra
Maria, outra Aída, outra Eloá, outra Gisele, outra Ângela.

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