Mesmo com Vorcaro na cadeia, há suspeitas de que obras de
arte e imóveis relacionados a ele estão sendo vendidos
A pergunta ainda não respondida é: onde foram parar os mais
de R$ 60 bilhões desviados do Master?
As tentativas em curso de desvios bilionários do patrimônio
do Master para
fundos e bens de luxo de Daniel
Vorcaro não têm recebido a atenção e a velocidade necessárias para
impedir que o dinheiro roubado no esquema piramidal de fraudes do banco
desapareça ou vire pó.
Enquanto as investigações avançam para mostrar o
envolvimento de políticos e autoridades na teia de Vorcaro, não se vê a mesma
agilidade para a recuperação dos bens dos envolvidos que estavam em nomes de
laranjas e já teriam sido identificados nos cruzamentos de informações dos
fundos usados no esquema.
Há um jogo de empurra sobre as
responsabilidades. Mas é evidente que o processo comandado pelo liquidante do
conglomerado Master precisa ganhar maior robustez, agilidade e também
transparência. A forma para isso acontecer cabe aos envolvidos, assim como entregar
as soluções.
Um avanço importante foi a decisão 3ª Vara de Falências e
Recuperações Judiciais de São Paulo, que concedeu nesta semana liminar de
urgência para evitar a alienação de bens relacionados ao Master e a Vorcaro.
O juiz Adler Batista Oliveira Nobre reconheceu a existência
de indícios de desvios. Bingo! A decisão foi uma resposta aos pedidos
da EFB Regimes Especiais, liquidante do Master, que identificou a
existência de uma série de esquemas de desvio de recursos por meio de fundos de
investimento e laranjas. É pouco.
Outras medidas desse tipo são urgentes. Vorcaro tinha uma
miríade de investimentos camuflados nas profundezas das inúmeras camadas dos
fundos, que passaram ao largo da fiscalização da CVM.
Mesmo com o banqueiro na cadeia, há suspeitas de que obras
de arte e imóveis relacionados a ele estejam movimentando o mercado.
Vorcaro e comparsas patrocinaram a maior fraude bancária da história do país.
Quiçá do mundo.
É preciso correr para recuperar os bens no Brasil e no
exterior para ajudar na resposta da principal pergunta que está sendo esquecida
com tanta informação sobre o caso: onde foram parar os mais de R$ 60 bilhões
desviados do Master?

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