Pré-candidato a deputado federal pelo PSB, Cristovam
Buarque defende unificação do campo progressista e cobra responsabilização pela
crise no BRB. Ele também explica seu retorno à política aos 82 anos: "Uma
omissão ficar em casa"
Recém-filiado ao Partido Socialista Brasileiro (PSB), o
ex-governador do Distrito Federal Cristovam Buarque afirma que o cenário
atual o incentivou a voltar para a política. "Não estava na minha
cabeça ser candidato. Mas, diante do que a gente vê hoje, eu, 82 anos, mas com
saúde, é uma omissão ficar em casa escrevendo", afirmou aos
jornalistas Ana Maria Campos e Luiz Felipe, no Podcast do Correio.
Cristovam relatou que a mudança de partido ocorreu devido a
divergências internas no Cidadania, o que classificou como alvo de um
"golpe cartorial". "Eu não saio do partido, eu saio da sigla. O
meu partido eu levo comigo", declarou o político. O ex-governador integrou
um bloco de políticos que buscou abrigo na legenda liderada nacionalmente por
Carlos Siqueira e João Campos.
Com atuação política focada na defesa da
educação, ele voltou a propor a criação de um sistema nacional público único de
ensino, com qualidade independente da renda das famílias. "A educação é o
verdadeiro vetor do progresso, não é a fábrica, não. A fábrica é uma
consequência", afirmou.
Ao analisar o cenário político do Distrito Federal, o
ex-governador classificou o eleitorado local como majoritariamente conservador.
Ele também demonstrou preocupação com a fragmentação das forças de esquerda e
centro-esquerda na região. Na avaliação do ex-senador da República e
ex-ministro da Educação, a divisão enfraquece o campo progressista e compromete
a construção de uma narrativa unificada. "Eu me preocupo muito com essa
divisão. Primeiro, porque essa divisão enfraquece e, segundo, porque essa divisão
quebra a narrativa da família progressista", afirmou.
Sobre a crise financeira que o Banco de Brasília (BRB)
enfrenta, ele classificou como fruto de "muita corrupção". "Eu,
sinceramente, não temo em dizer que deve ter sido muita corrupção", disse
Cristovam, que completou: "Ninguém compra uma coisa mal cheirosa, como
títulos, se não está ganhando alguma coisa".
Para Cristovam, o caso serve como "um símbolo de
ineficiência e corrupção" que extrapola os limites do Distrito Federal.
Buarque defendeu que o banco deve ser preservado como instituição pública, mas
exigiu a apuração de responsabilidades: "Eu acho que a gente tem que
salvar o BRB. (...) Mas eu acho que a gente tem que analisar o que é que está
por trás das decisões, dos gestos, e quem ganhou dinheiro com isso".
O pré-candidato questionou a atuação dos órgãos de controle
e da diretoria do banco na condução dos negócios. "Onde é que estavam
todos os fiscalizadores que não agiram e deixaram chegar esse tamanho?",
indagou. Para ele, o caso serve como "um símbolo de ineficiência e
corrupção" que extrapola os limites do Distrito Federal.
Na avaliação dele, o episódio vai além da gestão
bancária e se insere em um contexto mais amplo de moralidade pública e
eficiência estatal. "Eu espero que impacte, porque não é o Master, é um
conjunto de coisas relacionadas com a decência e a eficiência", disse.
Avaliou, ainda, que as irregularidades associadas ao caso atingiram diferentes
esferas do poder público. "Chegou ao Judiciário, chegou a outras
instâncias, e virou uma questão nacional", afirmou, ao destacar a
amplitude das consequências.
Veja, abaixo, o vídeo:

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