"O sentimento de pertencimento, é o que permeia a nossa
troca de afeto, e nos faz querer estar com o outro; ainda que o outro, não seja
nosso igual, basta ter sentimentos.” Rossane Correia
Na chamada terceira guerra do golfo, que se inicia com o
bombardeio dos EUA e Israel ao Irã a partir do dia 28 de fevereiro de 2026, o
Irã empreendeu a chamada guerra assimétrica, quando uma força, se reconhecendo
muito inferior em termos militares e econômicos a outra força, utiliza recursos
que contornem essa diferença pra conseguir o sucesso político/estratégico.
No campo da comunicação/propaganda, o Irã
utilizou-se de recursos de inteligência artificial em larga escala para impor
sua narrativa e posicionamento. O país criou diversas empresas de IA, com muito
jovens, e entendeu a lógica dos algoritmos da redes- sociais e canais de
internet americanos e globais. Basicamente criaram perfis de publicação e
outros de compartilhamento para que os algoritmos expusessem pra mais pessoas
os conteúdos. Entre os conteúdos, um, que chamou bastante a atenção, foram as
animações em estilo Lego, aquele brinquedo famoso de montar, que depois se
tronou jogo digital, que não são bloqueados pelas ferramentas, têm alto apelo
popular e trazem um apelo lúdico.
Do ponto de vista de posicionamento, o Irã se colocou como o
defensor do momento de todos os povos agredidos e injustiçados pelo
imperialismo americano, pode colocar aspas se preferir, mas é o posicionamento
deles, além de se apresentar como o herdeiro de uma longa tradição
civilizatória que vem dos antigos persas e da religião humanista islâmica. A
narrativa é a da luta contra o imperialismo decadente, corrupto e degenerado,
que inclusive oprime o próprio povo americano, além de se aliar ao sionismo, apresentado
como uma sombra, ou o cerne do deep state mundial.
O Objetivo do Irã foi reverberar dentro de seus apoiadores e
franjas que mesmo que não o apoiem, se colocam contra imperialismo
americano ou o sionismo, aproveitando as práticas agressivas e até criminosas
do atual governo israelense nas guerras em Gaza e no Líbano, misturando e
confundindo esse governo com o projeto do estado de Israel fundado em 1948,
como também. sensibilizar as franjas das vertentes de esquerda, as populações e
fiéis muçulmanos ou os nacionalistas nesse contexto de contraposição ao movimento
de globalização desde o fim da segunda guerra mundial e que está em crise.
Utilizando sensos comuns, preconceitos enraizados ao lado de
críticas contundentes e justas, sensibiliza focos múltiplos de simpatizantes
para com isso, quebrar a espiral de silêncio e oferecer argumentos para que as
pessoas se sintam apoiadas.
Quebrar a espiral de silêncio é um feito, do ponto de vista
de propaganda importante, o ser humano, animal social, necessita se sentir
apoiado, sentir que não está só em sua opinião e visão, quando isso acontece, o
indivíduo se torna um difusor da sua narrativa e essa vai se espalhando pelas
bolhas.

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