Ao classificar facções criminosas como terroristas, Casa
Branca cria riscos para economia e soberania brasileiras; candidato do PL já
pediu bombas na Guanabara
Com o barco ameaçando fazer água, Flávio Bolsonaro remou até
Washington para pedir socorro a Donald Trump. A direita festejou a foto do
senador na Casa Branca. A questão é saber se ela servirá como boia ou como
âncora para suas ambições presidenciais.
A viagem rendeu um alívio momentâneo ao Zero Um. A imagem
com Trump cumpriu a tarefa de desviar as atenções do escândalo do Master. Pela
primeira vez em duas semanas, Flávio apareceu nas manchetes sem a companhia do
“irmão” Daniel Vorcaro.
O problema, para o senador, é que a foto no Salão Oval logo
deixará de ser novidade. E a associação que ele tanto buscou pode vir a
atrapalhá-lo na campanha.
No ano passado, Trump impôs um tarifaço de
60% aos produtos brasileiros. Foi uma chantagem explícita: ao anunciar a
punição, ele cobrou o arquivamento dos processos contra Jair Bolsonaro. O
resultado não foi bem o esperado. Em vez de encerrar os casos, o Supremo mandou
o capitão para a cadeia. Lula engrenou um discurso nacionalista e reconquistou
pontos nas pesquisas.
Ontem a Casa Branca anunciou a classificação de facções
criminosas brasileiras como organizações terroristas. Reivindicada por Flávio,
a medida arrisca causar efeitos mais nocivos que o tarifaço. À economia e à
soberania nacional.
O anúncio do Departamento de Estado marca o início da
interferência americana no processo eleitoral do Brasil. No limite, pode servir
de pretexto para ações militares unilaterais. Sob a alegação de combater o
“narcoterrorismo”, o governo Trump tem atacado embarcações estrangeiras no
Pacífico e no Caribe. Flávio se diz patriota, mas já disse torcer por um
bombardeio americano à Baía de Guanabara.
Ao bajular o presidente americano, o candidato do PL também
mostra ignorar sua fama de pé-frio. Desde que voltou ao poder, o republicano
acumula derrotas ao tentar eleger aliados em países como Canadá, Austrália,
Romênia e Hungria. Em outubro, saberemos se o trumpismo terá mais sorte por
aqui.

Nenhum comentário:
Postar um comentário