Os militares de 1964 tiveram ajuda dos americanos para
dar um golpe de Estado, mas eram nacionalistas
Parece ser mais uma operação do Banco Master.
O PL deverá lançar em São Paulo a candidatura do deputado André do
Prado ao Senado. E, como suplente, se a lei permitir, o ex-deputado
Eduardo Bolsonaro. Eleito, Prado poderia ocupar uma secretaria de Estado ou um
ministério, caso Flávio
Bolsonaro vença as eleições. Com isso, Eduardo assumiria o mandato de
senador.
Assim como as debêntures de Vorcaro até meses atrás tinham
valor no mercado, a artimanha do PL e de Eduardo é permitida pela legislação
eleitoral. Tem sido praticada para dar cobertura a personagens sem voto, muitos
deles milionários ou aqueles com dívidas ainda não julgadas pela Justiça. O
filho de Jair está nesse último bloco, atingido por inquéritos diversos. Depois
de desejar chantagear o país pela absolvição de seu pai, vive nos Estados Unidos.
Não volta ao Brasil por recear ser preso ao colocar o pé no aeroporto. É um bom
candidato para representar São Paulo no Senado?
À beira das eleições, os bolsonaristas se
mobilizam para o desembarque no Senado. No discurso, pretendem conseguir votos
para retirar ministros do STF.
É da política. Poderiam até querer mudar a camisa do Vasco. Na prática, no
entanto, vendem o país. E, nessa ação, os filhos de Jair fazem a feira. Eduardo
lutou para que o governo americano impusesse tarifas pesadas aos produtos
brasileiros. Era chantagem. Queria em troca libertar o pai condenado por
golpismo. Flávio, aquele que não fala nada no Brasil, foi aos Estados Unidos
oferecer o subsolo do país — as terras-raras – e, com a outra mão, pedir
interferência nas eleições de outubro.
Nunca, neste país, surgiu uma direita tão entreguista. Os
militares de 1964 tiveram ajuda dos americanos para dar um golpe de Estado. Mas
eram nacionalistas, e não estava na mesa a entrega do país. Os bolsonaristas
nem sequer se envergonham e perpetram o escambo à luz do dia. Não houve
arrependimento pela perda de empregos causada pelo tarifaço trumpista ou
mudança de planos na entrega das terras-raras.
Mesmo não declarados, esses são os propósitos reais da
direita radical. Espécie de subserviência consentida — ou o Brasil como mais um
estado norte-americano. De novo, a História escapa de nossas mãos. Foi assim
com a Revolução Industrial e a miopia das classes dirigentes do Império —
aquelas que defendiam a manutenção da mão de obra escrava na economia. Não à
toa, ainda somos um país quase extrativista, exportador de commodities.
Dependemos das boas chuvas.
Com o mundo próximo de uma mudança radical nos meios de
produção — a tal IA —, com consequências para toda a sociedade, os políticos
não conseguem mirar um metro à frente. Vazado à direita por um golpismo
renitente e, à esquerda, por um estatismo anacrônico (viva a Terrabras!), o
país se vê enredado no feitiço do tempo que o leva a repetir padrões. De um
lado ou de outro, um crescimento medíocre apoiado por políticas ultrapassadas.
Pergunta: não é de estranhar que os sucessos econômicos, nas
últimas décadas, sejam o PCC de Marcola
e o Master de Vorcaro? Poderiam ser lembrados ainda os rendimentos do
Judiciário e a carga tributária.
Para só ficar em alguns nomes de São Paulo, o Senado já
contou com Mário Covas, Fernando
Henrique Cardoso e Eduardo
Suplicy. Covas foi quem, em 1988, na tribuna do Senado, defendeu um choque
de capitalismo na economia brasileira. No país recém-democratizado, ainda sob a
hiperinflação herdada dos militares, ele defendia o fim dos subsídios e
privilégios; privatizações e abertura da economia; disciplina fiscal rigorosa;
e reforma institucional. Presidente da República, Fernando Henrique conseguiu
seguir algumas das propostas de Covas, como extirpar a inflação. Mas nem todas
avançaram — a reforma da Previdência encontrou no PT de Lula forte
oposição. Idem o conceito de privatização. Minuto de silêncio: devemos lembrar
o rombo dos Correios e da anunciada Terrabras; integram nosso museu de grandes
novidades.
A polarização cegou o país para o futuro. Estamos presos na
mediocridade dos extremos. O país envelhece rapidamente e não se discute a
capacitação dos jovens. Mas se fala de golden shower. Fala-se de
todos os tipos de cotas, e não se briga por uma educação fundamental que ensine
o básico da matemática. É evocado o nome de Deus, e não se vê como pecado a
letalidade sobre jovens pobres e negros.
Os próximos senadores terão a missão de decidir o que o
Brasil deseja ser. Porque, ao final de seus mandatos, o mundo será
irremediavelmente outro.

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