Em menos de 2 minutos Senado derrubou resolução do
Conanda
Vítimas de estupro poderão ter gestação forçada enquanto
seus abusadores continuarão impunes
Em sessão na terça-feira (2) que durou exatamente 100
segundos, o Senado aprovou um projeto
que protege estupradores de crianças e adolescentes. Exagero eu dizer
isso? Não para quem conhece a realidade dos abusos
sexuais contra vulneráveis. Ao dificultar o acesso ao
direito que crianças e adolescentes possuem há décadas de interrupção
da gravidez em casos de violência sexual, o Senado facilita que crianças sejam
mães.
Ao cancelar a resolução
258/2024 do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda),
o Senado dificulta o atendimento a vítimas de violência sexual. Em outras
palavras, senadores querem que a criança abusada não tenha acesso facilitado a
serviço de saúde e assistência social caso seja estuprada.
Fora do mundo da fantasia bolsonarista, o que isso significa
na prática é que crianças e adolescentes, muitas vezes sem terem a quem contar
que foram violentadas, tenham que ser torturadas psicologicamente, carregando
no ventre o fruto do abuso sexual.
Ao derrubar a resolução do Conanda, Damares Alves —relatora
do projeto— quer que seja privilegiada a vontade não da criança, mas de pais,
muitas vezes os estupradores. Segundo o IBGE, a maioria dos casos de violência
sexual relatada por estudantes de 13 a 17 anos ocorreu no contexto familiar (só
23,2% foram cometidos por desconhecidos). Na prática, Damares quer que a
criança/adolescente estuprada pergunte ao familiar ou conhecido estuprador se
pode exercer seu direito de interrupção da gravidez resultante do estupro que
ele praticou.
A aprovação do PDL do Estupro foi repleta de fake news.
O Conanda não criou um tipo de aborto; a hipótese está na
lei. O Conanda não ignorou a vontade dos responsáveis; previu sua busca ativa,
respeitada a autonomia da vítima em caso de abuso.
A violência sexual contra crianças e adolescentes triplicou
na última década. Com o PDL, o Senado facilita que parte das 60 mil crianças e
adolescentes que se tornam mães todos os anos seja submetida à violência de
levar adiante uma gestação forçada, enquanto seus abusadores continuam impunes.

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