Quando o idoso se vê indefeso diante da tela, o Estado
lava as mãos e o joga para a família
O atendimento presencial é garantido pelo Estatuto do
Idoso. O Brasil finge ignorar isso
É outro vídeo que recebi, este de meu amigo Luiz Fernando
Janot. Não sabemos quem o escreveu ou interpretou. Mas sabemos que cada cena e
cada palavra que contém são verdadeiras. As imagens mostram idosos em bancos e
hospitais, tentando conviver com seu pior inimigo: o smartphone.
O texto, na voz de uma mulher, diz:
"Quando uma tecnologia não
respeita a biologia humana ela não é inovação. É o descaso fantasiado de
modernidade. E a punição para quem não consegue passar pela barreira da tela é
o abandono. Agências vazias, portas fechadas e a recusa de um atendimento
presencial.
"O Brasil é o segundo país mais
avançado do mundo digitalmente. Mas de que adianta o sistema ser brilhante se
ele negligencia e isola a sua própria população? Hoje somos
35 milhões de idosos no Brasil. Em quatro anos, seremos 41 milhões,
quase 18% da população. Mas as empresas e o Estado estão empurrando todo mundo
para o digital. E, quando o idoso não consegue, o Estado lava as mãos e joga
nos ombros dos familiares uma responsabilidade que deveria ser das
instituições.
"Estão esquecendo que o atendimento
presencial e humano é garantido no Estatuto do Idoso. Há milhões de
brasileiros sem acesso à internet ou com limitações físicas severas que tornam
impossível o uso de aplicativos. E não é só para pagar uma conta ou acessar o
banco. O agendamento de uma consulta médica pelo SUS passa pela mesma
barreira"
O texto conclui com um apelo que deveria ser levado em
consideração pelas autoridades e por todos nós: "Esse vídeo não é só um
desabafo. É um manifesto. O atendimento humano presencial e capacitado não pode
ser um favor. É um direito do cidadão, independentemente da idade ou do status
social. É preciso que os bancos
atentem para o fim social que têm. Eles têm que atender ao interesse
da sociedade. Faço aqui um apelo direto aos órgãos do governo, às associações
de classe, às comissões dos direitos dos idosos. Unam-se a nós nessa cobrança.
Compartilhem esse manifesto. Não podemos aceitar a exclusão e o silêncio".

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