EUA e Israel planejavam instalar Mahmoud Ahmadinejad no
poder no Irã
Ex-presidente linha-dura estava na lista de pagamentos do
Mossad, segundo NYT
Ideologia e religião imunizam seus portadores contra a
corrupção? Até existem indivíduos tão dedicados a uma causa ou ideia –pense num
Savanarola, por exemplo— que seu fanatismo os blinda de tentações terrenas. Mas
a literatura mostra que, no agregado, nenhuma das duas funciona como barreira
de proteção. Ao contrário até, é nos países mais religiosos, que são também os
mais pobres e institucionalmente frágeis, que encontraremos maiores taxas de
corrupção.
Um caso ainda em desenvolvimento ilustra bem essa
história. Trump e Netanyahu erraram
feio ao atacar o Irã,
mas seu plano inicial era menos desvairado do que pode parecer. Eles tinham
preparado um esquema de substituição de liderança que seguia o modelo da ação
dos EUA na Venezuela.
A crer numa série de reportagens do
"New York Times", a Delcy
Rodríguez persa seria ninguém menos do que o ex-presidente Mahmoud
Ahmadinejad (2005-13) que se revelou uma liderança particularmente
linha-dura, acelerando o programa nuclear do país, reprimindo dissidentes com
violência e exibindo uma retórica fortemente antiocidental. Ele prometia
eliminar o Estado judeu. Segundo o jornal, Ahmadinejad estava na lista de
pagamentos do Mossad, ao qual fornecia informações. A ideia era instalá-lo no
poder depois do assassinato do aiatolá Ali
Khamenei. Uma série de falhas, porém, fez com que o plano desandasse.
Ahmadinejad estaria hoje em prisão domiciliar no Irã.
A ideologia não evitou que o ex-presidente iraniano se
aproximasse dos israelenses. A combinação de dinheiro com a perspectiva de
reaver o poder foi uma tentação grande demais.
Não é um caso isolado. Os Wittgenstein, família de origem
judaica que detinha uma das maiores fortunas da Europa no entre guerras,
gastaram a maior parte de seu patrimônio subornando nazistas para salvar a vida
de duas irmãs que haviam ficado na Áustria. O decreto que as isentava de ir
para os campos de extermínio foi assinado pelo próprio Führer. Até Hitler
abrandou seu antissemitismo por algumas toneladas de ouro.

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