Atitude de ministro contribuiria para prolongar o desgaste
do candidato à reeleição
Um dia depois da conturbada sessão do Supremo Tribunal
Federal (STF) para analisar o pedido de investigação do ministro Alexandre de
Moraes, fontes da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) dizem
que é preciso encontrar meios, junto ao presidente da Corte, Edson Fachin, para
destravar o processo. Apesar do argumento do ministro Flávio Dino de que o
prosseguimento da sessão agravaria a crise institucional, coordenadores da
campanha lulista avaliam que o magistrado errou ao pedir vista e interromper o
julgamento sobre Moraes, contribuindo para prolongar o desgaste do candidato à
reeleição.
Uma fonte da coordenação da campanha lulista, que pediu
anonimato, criticou a estratégia conjunta de Dino, Moraes, Gilmar Mendes e
Cristiano Zanin para adiar o processo, a fim de favorecer Moraes, sem avaliar
que a consequência maior dessa articulação seria o prejuízo a Lula, em
contraste com o fortalecimento do candidato do PL, Flávio Bolsonaro. Hoje, um
dos principais ataques do adversário a Lula é de que ele seria próximo de
Moraes, algoz do ex-presidente Jair Bolsonaro e do bolsonarismo. A estratégia
ajudou Flávio a crescer nas pesquisas.
Nesse contexto, a mesma fonte acrescentou que será preciso
conversar com Fachin um caminho alternativo para reabrir a discussão, já que
Dino sinalizou que não devolverá o processo à pauta antes do fim do processo
eleitoral. Esse interlocutor, no entanto, não adiantou qual saída seria
possível.
Ao Valor, o advogado Marco Aurélio Carvalho, coordenador da
campanha de Lula em São Paulo, reiterou que Moraes deve esclarecimentos à
sociedade sobre as mensagens que trocou com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono
do Master. O próprio Lula reforçou, em entrevistas recentes, que Moraes e o
ministro André Mendonça, sobre o qual recaem acusações de suposto interesse
eleitoral na condução do caso, devem explicações, enquanto cabe a Fachin
garantir que a crise não vai respingar no processo eleitoral.
Apesar das críticas da coordenação de Lula, uma fonte do STF
observou que, se a análise da questão de ordem de Gilmar — requerendo o
julgamento conjunto de Moraes e Mendonça — avançasse, esbarraria no impasse
sobre o “voto de Minerva”.
Uma corrente sustenta que diante do provável empate, com o
placar de 4 a 4, caberia a Fachin o voto decisivo, que seria pela abertura
imediata da investigação contra Moraes. Em contrapartida, a outra interpretação
é de que tal processo, que tem natureza processual de “PET”, seria uma ação
penal. Nessa condição, deveria ser aplicado o princípio de que ante um impasse,
o interesse do réu, ou seja, de Moraes, deve prevalecer.
Em outra frente, aliados de Dino saíram em defesa do
ministro. O argumento em prol do pedido de vista é de que ele vislumbrou a
deterioração do ambiente, com a escalada dos bate-bocas e trocas de acusações
entre os ministros, em novas cenas que, rapidamente, seriam espalhadas na
internet, agravando a situação do Supremo, e até mesmo de Lula, por se tratar
de uma crise das instituições. Segundo um interlocutor, Dino não vê ambiente
para a retomada da discussão enquanto os ânimos não serenarem, o que não seria
possível no meio do processo eleitoral.

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