Dos R$ 61 milhões para o filme sobre Bolsonaro, 72% foram
passear no Texas e ficaram por lá
É o único caso em que só 28% do orçamento couberam à
filmagem, parte mais cara da produção
Antonio
Carlos Freixo Junior, vulgo Mineiro, amigo de Flávio
Bolsonaro, é o maior homem da mala que já existiu. Nos últimos quatro anos,
segundo confessou à PGR, despachou R$ 1
bilhão em dinheiro vivo para os amigos de Daniel
Vorcaro, a pedido deste. R$ 1 bilhão corresponde a 10 milhões de notas de
R$ 100. Numa balança, pesariam 2,5 toneladas. Empilhadas, ocupariam um aposento
de 5 metros quadrados do chão ao teto.
Mineiro fez todo esse carreto usando
malas. Uma mala tamanho padrão comporta cerca de 20 mil notas, organizadas
de forma a não deixar um milímetro vazio. Donde, se a aritmética não falha, 10
milhões de notas ocupam 500 malas. Mineiro as comprava no comércio de São
Paulo, e tantas de uma vez que, segundo a repórter Malu Gaspar, de O Globo, o
fabricante ofereceu vender-lhe as malas diretamente. Não se sabe ainda como
essas malas viajavam aos felizes destinatários, se por correio, Sedex, motoboys
ou estafetas. Mineiro também não sabe quem era a maioria desses destinatários
nem seus endereços. Como fazia para as malas chegarem, ainda é um mistério.
Só se sabe que US$ 12,3 milhões desse dinheiro, equivalentes
na época a R$ 61 milhões, foram destinados ao filme "Dark Horse",
a cinebiografia de Jair
Bolsonaro, por intermédio do Havengate
Development Fund, um fundo privado de investimentos sediado no Texas. O
Havengate pertence a Paulo Calixto, advogado do ex-deputado e foragido Eduardo
Bolsonaro, também residente no Texas. "Haven", em português,
significa lugar seguro, abrigo, refúgio. "Havengate" é o portão do
abrigo. Nome perfeito para, se for o caso, abrigar de forma segura o dinheiro
de condenados refugiados.
O dinheiro enviado à Havengate voltou para o Brasil a fim de
financiar a produção de "Dark Horse" pela Go
Up Entertainment, produtora que nunca produziu um filme. Mas só vieram 28%
do dinheiro, justamente o destinado à parte mais cara de uma produção: a
filmagem.
É o único caso na história do cinema em que 72% do orçamento
foram gastos antes de se rodar um só metro de filme.

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