Personagem das eleições, ministro do STF vive hoje seu
momento BBB
De interferência na PF ele entende desde os tempos em que
substituiu Moro na pasta da Justiça
A menos de um mês do comparecimento às urnas, quando o
debate de propostas e programas deveria alcançar o ponto máximo nas ruas e
redes, todas as atenções se voltam para a rinha de galos no STF. É mais uma
falsificação que busca se intrometer e deturpar o processo eleitoral. De
esporada em esporada, de golpinho em golpinho, morre a democracia.
Até o mais ingênuo lobo-guará de Brasília sabe que o
ministro André
Mendonça —indicado por Bolsonaro com credenciais de
"terrivelmente evangélico"— age para favorecer uma certa candidatura.
Louve-se a ausência de cinismo nas maquinações. É um jogo pesado, mas às
claras.
A determinação de Mendonça, relator do
caso Master,
de afastar a cúpula da Polícia
Federal —a mesma que revelou ao Brasil a roubalheira do banco e as
relações íntimas do poder com o picareta Daniel Vorcaro— foi aceita sem
vacilação por Luiz Fux e
Nunes Marques. No dia seguinte, Flávio Dino a
derrubou. Logo depois, Edson Fachin cancelou as decisões de Mendonça e Dino. E
tome polca.
De interferência no trabalho da PF André Mendonça entende.
Em 2020, atuando como advogado-geral da União no governo Bolsonaro, acompanhou
de perto o pedido de demissão de Sergio Moro,
que deixou o Ministério da Justiça criticando a insistência do ex-presidente em
trocar o comando da PF e afastar as investigações sobre o filho Flávio.
Foi Mendonça quem substituiu Moro na pasta. Sua realização
mais notável foi elaborar uma lista com 500 servidores, arrolados como
"antifascistas", que deveriam ser monitorados pela PF. O dossiê
acabou proibido pelo STF, mas sei de pelo menos uma pessoa que, tendo ficado
fora da lista, nunca mais recuperou a autoestima.
Em sua diatribe contra a PF, Mendonça citou o livro
"1984", de George Orwell. Faz sentido, pois ele vive hoje seu
momento BBB:
uma celebridade de toga considerada pelos bolsonaristas o maior cabo eleitoral
do filho 01. No ato de 7 de Setembro na Paulista, seu pixuleco inflável foi
muito mais aplaudido que o de Donald Trump.

Nenhum comentário:
Postar um comentário