É tarefa dos três Poderes responder ao imperativo de
preservar a confiabilidade das instituições
A transparência exibe as chagas, mas pode cicatrizar
feridas e impedir o alastramento da infecção
Daniel
Vorcaro está preso, seu banco liquidado e a vida que previra construir
arruinada.
Seria apenas o destino de um transgressor se na trajetória
dos ilícitos não tivesse arrastado consigo ministros do Supremo Tribunal Federal,
um procurador
da República, parlamentares da cúpula do Congresso e quem mais ainda esteja
por aparecer envolvido nessa macabra teia de cooptações e traficância de
influências.
Ao que já se sabe, foram-se os anéis. Resta agora aos
verdadeiros defensores do Estado de Direito impedir que se percam os dedos, na
metáfora representados pelas instituições pilares da República.
Aos comandantes dos três Poderes cabe sair
do modo passivo para se colocarem à disposição do imperativo de preservar a
lisura e a confiabilidade da Presidência, do Supremo e do Parlamento. Por ora,
os presidentes da República, do STF e do Congresso
Nacional não têm se mostrado à altura do desafio.
Luiz Inácio da Silva busca consultoria de magistrados para
se desviar dos estilhaços, Edson Fachin adia
"medidas cabíveis" para tempo indeterminado e Davi Alcolumbre diz que
não tem de "achar nada" sobre o andamento dos pedidos de impeachment.
Os citados Alexandre
de Moraes e Paulo Gonet sentaram-se à mesa da primeira sessão do
tribunal depois da explosão da bomba numa simulação de normalidade levada ao
extremo no intervalo, quando Moraes, Fachin, Gilmar Mendes e Cristiano Zanin
são fotografados aos risos em roda de colegas. Estão todos —porque são todos
responsáveis pela higidez da legalidade—, mas principalmente a Corte Suprema,
diante de uma escolha: expor, examinar e julgar os fatos com transparência ou
mais uma vez estender o manto da impunidade sobre a sujeira que se avoluma e
não desaparece.
A primeira hipótese expõe as chagas, mas pode conter a
infecção. A segunda produz outro esqueleto no armário onde o colegiado já havia
depositado o Tayayá
de Dias Toffoli e que, pelo clima do dia seguinte, parece julgar ainda
haver espaço para acomodar mais um.

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