O senador fica cada vez mais isolado em sua posição
negacionista dos fatos. Figuras importantes da direita reconhecem como legítimo
o resultado das urna das urnas
A fuga de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos pegou de
surpresa até mesmo aliados próximos, que se preparavam para organizar a
oposição ao governo do presidente reeleito, Luiz Inácio Lula da Silva. No
segundo turno, Flávio obteve mais de 48% dos votos, surgindo como candidato
natural para comandar o bloco oposicionista.
No entanto, parece que Flávio não compreendeu que, ao
abandonar o País, as suas chances de se manter à cabeça do movimento de direita
reduziram-se sensivelmente.
Ainda não está claro se ele fugiu sem ao menos avisar os
seus aliados mais próximos, ou se os informou, mas não seguiu a orientação
sobre a necessidade de encarar os fatos. E a realidade mostra que ele perdeu as
eleições irremediavelmente, e que isso não tem volta.
Do ponto de vista da direita, como pode ser observado pelo
comportamento de seus principais representantes, é preciso aceitar o resultado
das urnas e seguir em frente, adaptando-se à nova situação. Pelo que se
observa, um setor expressivo desse movimento quer afastar-se do extremismo
bolsonarista para assumir posição mais moderada.
O ambiente piorou após Flávio ter divulgado uma carta de
teor golpista, descrevendo-se como "o verdadeiro presidente eleito",
assim que chegou aos Estados Unidos. Logo após recuou, autodeclarando-se
"líder do Brasil".
As acusações, sem provas, que Flávio repete contra o
Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o Supremo Tribunal Federal (STF) são
desconsideradas tanto por organizações internacionais, que verificaram as
eleições brasileiras, quanto por países em todo o mundo que reconhecem, sem
ressalvas, a vitória de Lula e a segurança e lisura do processo eleitoral.
Neste cenário, o senador fica cada vez mais isolado em sua
posição negacionista dos fatos. Figuras importantes da direita reconhecem como
legítimo o resultado das urnas, como o governador reeleito de São Paulo,
Tarcísio de Freitas (Republicanos); o senador Rogério Marinho (PL-RN),
coordenador da campanha de Flávio; o pastor Silas Malafaia, considerado da ala
mais radical do bolsonarismo e até mesmo Valdemar Costa Neto, presidente do PL,
defendem o reconhecimento da vitória de Lula, ainda que façam algumas críticas
ao processo eleitoral.
Partidos que se descrevem de centro, como o MDB, União
Brasil e PSD, também se alinham ao reconhecimento.
Portanto, a tese defendida por Flávio, considerando-se
"presidente eleito" ou"lider do Brasil", carece de
substância e falta-lhe adeptos, mesmo entre correligionários. O que a intensa
mobilização política desses dias mostra é que ele está ficando cada vez mais
isolado, um cenário que pode se agravar pela convivência com o núcleo
radicalizado que opera a partir dos Estados Unidos, mas com pouca influência no
Brasil.

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