sexta-feira, 30 de outubro de 2026

FLÁVIO BOLSONARO ESTÁ ISOLADO

Editorial O Povo

O senador fica cada vez mais isolado em sua posição negacionista dos fatos. Figuras importantes da direita reconhecem como legítimo o resultado das urna das urnas

A fuga de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos pegou de surpresa até mesmo aliados próximos, que se preparavam para organizar a oposição ao governo do presidente reeleito, Luiz Inácio Lula da Silva. No segundo turno, Flávio obteve mais de 48% dos votos, surgindo como candidato natural para comandar o bloco oposicionista.

No entanto, parece que Flávio não compreendeu que, ao abandonar o País, as suas chances de se manter à cabeça do movimento de direita reduziram-se sensivelmente.

Ainda não está claro se ele fugiu sem ao menos avisar os seus aliados mais próximos, ou se os informou, mas não seguiu a orientação sobre a necessidade de encarar os fatos. E a realidade mostra que ele perdeu as eleições irremediavelmente, e que isso não tem volta.

Do ponto de vista da direita, como pode ser observado pelo comportamento de seus principais representantes, é preciso aceitar o resultado das urnas e seguir em frente, adaptando-se à nova situação. Pelo que se observa, um setor expressivo desse movimento quer afastar-se do extremismo bolsonarista para assumir posição mais moderada.

O ambiente piorou após Flávio ter divulgado uma carta de teor golpista, descrevendo-se como "o verdadeiro presidente eleito", assim que chegou aos Estados Unidos. Logo após recuou, autodeclarando-se "líder do Brasil".

As acusações, sem provas, que Flávio repete contra o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o Supremo Tribunal Federal (STF) são desconsideradas tanto por organizações internacionais, que verificaram as eleições brasileiras, quanto por países em todo o mundo que reconhecem, sem ressalvas, a vitória de Lula e a segurança e lisura do processo eleitoral.

Neste cenário, o senador fica cada vez mais isolado em sua posição negacionista dos fatos. Figuras importantes da direita reconhecem como legítimo o resultado das urnas, como o governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos); o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio; o pastor Silas Malafaia, considerado da ala mais radical do bolsonarismo e até mesmo Valdemar Costa Neto, presidente do PL, defendem o reconhecimento da vitória de Lula, ainda que façam algumas críticas ao processo eleitoral.

Partidos que se descrevem de centro, como o MDB, União Brasil e PSD, também se alinham ao reconhecimento.

Portanto, a tese defendida por Flávio, considerando-se "presidente eleito" ou"lider do Brasil", carece de substância e falta-lhe adeptos, mesmo entre correligionários. O que a intensa mobilização política desses dias mostra é que ele está ficando cada vez mais isolado, um cenário que pode se agravar pela convivência com o núcleo radicalizado que opera a partir dos Estados Unidos, mas com pouca influência no Brasil.

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