quinta-feira, 8 de maio de 2014

UMA PECHINCHA

O governador do Estado de São Paulo Geraldo Alckimin vendeu o helicóptero que pertencia ao Governo para uma igreja Assembleia de Deus.
A aeronave foi vendida por US$ 850 mil, cerca de R$1,9 milhões, para a Assembleia de Deus de São Caetano do Sul, uma igreja que faz parte do Ministério Madureira e que tem o pastor Marcos Roberto Dias como presidente.
Para poder comprar o helicóptero, a igreja precisou apresentar uma proposta e participar de uma licitação. De acordo com o blog Painel, da Folha de São Paulo, a denominação evangélica foi a única instituição a apresentar propostas.
A venda do helicóptero que prestava serviços para o governador faz parte de um acordo que Alckimin fez com os manifestantes que protestaram contra o aumento das passagens na capital paulista.
Alckimin se comprometeu a vender a aeronave para poder manter os valores das passagens de metrô. A venda demorou quase um ano para se concretizar. Inicialmente as negociações chegaram a custar R$ 2,3 milhões, ou seja, R$ 400 mil a mais do que foi vendido.
Via O Povo, fonte: Gospel Prime
Bookmark and Share

quarta-feira, 7 de maio de 2014

ACORDO PROPOSTO

O deputado federal Paulo Maluf (PP-SP) quer voltar a viajar para o exterior sem correr o risco de ser preso. Seus advogados em Nova York propuseram um acordo à Promotoria daquela cidade, pelo qual Maluf pagaria uma multa de US$ 1 milhão (R$ 2,2 milhões) para se livrar de uma ordem de prisão preventiva decretada em 2007.
Maluf também entregaria um anel de Sylvia Maluf que estava nos Estados Unidos, avaliado em US$ 250 mil (R$ 557 mil). O anel, de rubi e diamantes, foi enviado para ser leiloado nos EUA e acabou apreendido por promotores.
Maluf teve a prisão decretada em Nova York porque US$ 11,7 milhões (R$ 26 milhões) dos recursos que ele teria desviado de obras quando foi prefeito de São Paulo, entre 1993 e 1996, passaram pelo banco Safra daquela cidade. O valor equivale hoje a US$ 17 milhões. Ele nega as acusações.
Desde 2007, Maluf e seu filho Flávio são réus nos Estados Unidos sob acusação de roubo, fraude e lavagem de dinheiro. No mesmo ano, tiveram a prisão preventiva decretada pela Justiça de lá.
Foi por causa dessa ação que o nome de Maluf foi incluído em 2009 na lista de procurados da Interpol, que reúne polícias de 190 países. Num dos tópicos do acordo em discussão, Maluf terá de confessar um crime.
Uma das sugestões dos promotores dos EUA para esse ponto diz o seguinte: "Segundo a nova proposta, Paulo Maluf teria de se declarar culpado de um crime relacionado com uma conta bancária criada em Nova York, no banco que foi o canal para o movimento de fundos roubados", segundo documento ao qual a Folha teve acesso.
A tal conta, chamada Chanani, era movimentada pelo doleiro Vivaldo Alves, o Birigui, que confessou que o dinheiro era de Maluf. O valor que passou por Nova York é uma pequena fração do total desviado por Maluf, segundo promotores de São Paulo. Maluf é acusado de ter desviado US$ 340 milhões (R$ 758 milhões) de duas grandes obras que fez como prefeito: o túnel Ayrton Senna e a atual avenida Jornalista Roberto Marinho.
CONTRA O ACORDO
É a segunda vez que Maluf faz uma tentativa de acordo com promotores de Nova York. Em 2009, seus advogados propuseram pagar entre US$ 13 milhões e US$ 15 milhões para acabar com a ação. No final daquele ano, a Promotoria retirou o nome de Maluf da lista da Interpol para que ele pudesse passar o final do ano na Europa.
Após a suspensão do pedido de prisão, os advogados de Maluf abandonaram as negociações. O promotor do caso à época, Adam Kaufmann, disse que Maluf enganou-o, uma ofensa grave no sistema de Justiça americano, e colocou o nome do deputado de volta na lista da Interpol. Os advogados americanos de Maluf tentaram revogar a ordem de prisão preventiva em abril, mas a Suprema Corte de Nova York a manteve.
A Promotoria de Nova York consultou o procurador-geral de Justiça de São Paulo, Márcio Elias Rosa, sobre a conveniência do novo acordo e a resposta foi negativa. Em documento assinado por Rosa e pelo promotor Silvio Marques, que investigou Maluf, eles dizem que o acordo não interessa por causa do baixo valor oferecido e por considerarem que o deputado deve ser julgado segundo as leis de Nova York.
Maluf nega ter desviado recursos da Prefeitura de São Paulo, mas não quis comentar o acordo que seus advogados negociam.
Da Folha de S.Paulo
Bookmark and Share

INFLAÇÃO SOB CONTROLE

Charge do Izânio
Bookmark and Share

terça-feira, 6 de maio de 2014

TODO MUNDO DE BOCA LIMPA

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, promulgou nesta segunda-feira uma lei que proíbe o uso de palavras que "soam mal" nos veículos de comunicação, em peças teatrais e em filmes, espetáculos, nos livros e em obras de arte.
A lei, que entrará em vigor em 1º de junho, contempla multas em dinheiro de 2 mil a 2.500 rublos para pessoas físicas (R$ 125 a R$ 156), entre 4 mil e 4.500 (R$ 250 e R$ 281) para cargos públicos e de 40 mil a 50 mil rublos (R$ 2.500 a R$ 3.130) para pessoas jurídicas.
Segundo a lei, filólogos serão os encarregados de determinar se as palavras ou expressões usadas em cada caso são motivo de punição, segundo veículos de imprensa locais.
Assim, fica terminantemente proibido o uso de palavras que "soem mal" em atos públicos, sejam de caráter artístico ou de entretenimento.
No caso dos filmes em que os diálogos contenham palavrões, a lei proíbe a concessão de certificados para sua exibição nos cinemas russos.
Há um ano Putin já havia promulgado uma lei contra o uso das palavras obscenas nos veículos impressos e audiovisuais.
Pelo abuso dos palavrões em suas informações, as autoridades retiraram no ano passado a licença da agência de notícias Rosbalt, embora os opositores tenham considerado uma manobra política para silenciar uma publicação crítica ao Kremlin.
Da EFE, via Folha de S.Paulo
Bookmark and Share

segunda-feira, 5 de maio de 2014

"BANCADA DA BALA" PREGA MORTE DE BANDIDO

Por Giba Bergamin Jr. – Folha de S.Paulo
"Sempre torci para que bandido que baleei morresse. Vou ficar chorando, fazendo novena em cima dele? Antes de ele me jantar, se puder, eu almoço o cara, mesmo."
As palavras são parte de um discurso na Câmara de São Paulo, no último dia 17 de abril, do vereador Conte Lopes (PTB), integrante da "bancada da bala", grupo de policiais da reserva que se elegeram em 2012.
Desde o início da gestão, Lopes e colegas de farda e plenário tornaram o legislativo paulistano uma espécie de palanque pró-PM, muitas vezes despertando a ira de entidades de direitos humanos.
Desde o ano passado ficaram frequentes debates do tema no plenário, que incluem ataques a Geraldo Alckmin (PSDB), apesar de os parlamentares serem, teoricamente, aliados do governador.
Conhecido por suas frases de efeito contra criminosos, Lopes se referia a um vídeo feito por PMs que mostra três jovens baleados por policiais. Ele criticava o Estado por determinar uma investigação sobre a conduta deles.
Porém, as críticas mais duras partem de Paulo Telhada, do mesmo partido do governador. Para o coronel da reserva, a gestão Alckmin trata os policiais com "desprezo".
"Governador, nossa Polícia Militar já salvou seu filho três vezes de ser levado como refém, e vossa excelência não tem reconhecido isso", discursou o tucano, que já almeja vaga na Assembleia.
Procurados, o governo estadual e o líder do PSDB na Câmara, Mário Covas Neto, não quiseram se manifestar.
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública diz que o governo "investe na valorização e na reestruturação da carreira policial". "Na atual gestão foram concedidos três aumentos salariais, um reajuste acumulado de 36,59%, quase o dobro da inflação do período, que foi de 19,38%".
LÁUREA
Telhada não só usa o plenário para fazer uma espécie de "ode" à tropa, como promove eventos em que distribui homenagens a PMs.
É de autoria do tucano uma homenagem à Rota -tropa de elite da PM- que já foi inúmeras vezes acusada de abuso em suas ações.
Não à toa, a sessão que concedeu a Salva de Prata ao batalhão, no ano passado, foi alvo de protestos de grupos de direitos humanos, que mesmo aos gritos de "assassinos", não impediram a aprovação da láurea.
"Eu valorizo, dou uma condecoração, porque a gente, que é militar, gosta e vive disso", disse à Folha. A medalha seria uma maneira de "valorizar o policial, que é muito mal remunerado".
As declarações costumam revoltar Toninho Vespoli (PSOL), vereador ligado aos direitos humanos. "Não é só assassinando as pessoas que teremos a diminuição da violência. Para mim, isso é apologia ao crime e não pode ocorrer nesta Casa. Vamos entrar em estado de barbárie."
Telhada, que se declara evangélico, disse que apologia é elogiar o criminoso. O tucano afirma que lhe atribuíram a frase "bandido bom é bandido morto", que ele diz não ter proferido. Em seu último discurso, porém, fez uma releitura dela. "Bandido, para mim, é para a cadeia ou para o saco mesmo. Ele escolhe o caminho."
Bookmark and Share

LEVOU 20 ANOS PARA SUBIR E 20 DIAS PARA CAIR...

Por Silvio Luiz Gonçalves, via Facebook
Abandonado pelos amigos petistas de longa data, André Vargas foi pressionado a deixar o PT para não prejudicar o andamento das eleições, de governador e presidente.
Com os punhos cerrados, agora de raiva, ninguém atende aos seus telefonemas e não quererem contatos com o amaldiçoado amigo do doleiro.
Deixado a própria sorte, já começa a ter problemas financeiros e ter que pagar as suas própria contas, coisa que antes tudo acontecia em nome da câmara federal.
Desolado, abatido e sem graça é assim que anda o homem que desafiou o presidente do Superior Tribunal Federal, com punhos cerrados, um gesto de apoio aos amigos presos por causa do mensalão.
A "maldição de vargas" começou naquele dia, que sua ousadia, foi mostrada ao mundo, e o Brasil inteiro repudiou o apoio aos bandidos.
E não termina aí, a maldição continua, para esse que ao lado do suposto carrasco, zombou do seu poder de execução. Agora com o pescoço a degola não tem nem como pedir piedade.
Bookmark and Share

ELEIÇÃO INDIRETA

O presidente da Assembleia Legislativa do Tocantins, Sandoval Cardoso (Solidariedade), foi eleito neste domingo, 4, governador do Estado. A eleição indireta, com votos dos deputados, foi realizada devido à renúncia do governador Siqueira Campos (PSDB) e do vice, João Oliveira. Desde a renúncia, no mês passado, Sandoval Cardoso ocupava o cargo interinamente. Ele foi eleito com voto de 15 dos 21 parlamentares presentes e ficará no cargo até dia 31 de dezembro. Em 1º de janeiro de 2015, será empossado o governador escolhido em outubro deste ano nas eleições gerais.
Anunciado o resultado da eleição, o presidente da Mesa Diretora, deputado Osires Damaso (DEM), convocou nova sessão para a posse da chapa eleita, que tem como vice-governador Aldison Wiseman Barros de Lyra (PR).
Renúncia. Na carta de renúncia, entregue à Assembleia Legislativa, Siqueira Campos afirmou que a decisão foi tomada com "propósito de continuar servindo ao bravo povo tocantinense, respeitando as normas sobre inelegibilidade definidas pela Constituição Federal".

Bookmark and Share

DILMA VAI À GUERRA

Por Alberto Bombig, com Leopoldo Mateus, Diego Escosteguy e Leandro Loyola, da Veja
Parece que foi há muito tempo, numa galáxia muito, muito distante. Com a popularidade nas alturas, a presidente Dilma Rousseff caminhava para uma reeleição tranquila. O PT completaria 16 anos no poder – um verdadeiro “império da estrela”. Isso foi antes das manifestações de junho passado e de uma sucessão de erros do governo. Agora, Dilma enfrenta a pior crise de seu mandato: denúncias contra a Petrobras, rebelião na base aliada e guerra interna do PT em torno do movimento “Volta, Lula!”. Pior: seus adversários em outubro, os pré-candidatos Aécio Neves e Eduardo Campos, dão sinais de que podem escalar as pesquisas com a leveza de cavaleiros Jedis, enquanto a popularidade de Dilma despenca como um Jabba the Hutt encosta abaixo.
Nesta semana, o império da estrela resolveu contra-atacar. No Encontro Nacional do PT, nesta sex­ta-feira (2), os guerreiros do partido começaram a acender seus sabres de luz. O presidente da sigla, Rui Falcão, deu o tom – a partir de agora, será “nós contra eles”. Com um único golpe, Falcão atingiu os dois adversários. “Se é preciso repelir o retrocesso (PSDB), também é fundamental desmascarar os que  prometem  uma  nova  política. A proposta  do  ex-­governador  nordestino (Eduardo Campos-PSB)  de  uma  inflação  anual  de  3% pode  provocar  uma  elevação  de  até  60%  na  taxa  de desemprego. Ele busca reembalar sua imagem com tinturas e sabores exóticos. Cuidado! Porque misturar  tapioca  com  açaí  pode  causar indigestão”, disse.
O discurso do orador Rui Falcão foi escrito sob medida para dissipar o clamor “Volta, Lula!”: “A partir de agora, toda a nossa energia se concentrará no objetivo central do PT: a reeleição de Dilma. Com ela, nas lutas, na vida e na campanha, está o companheiro Lula, presidente de honra do PT e a maior liderança que o povo brasileiro já produziu”. O evento, na Zona Norte de São Paulo, reuniu 5 mil delegados que terão a missão de definir as diretrizes do programa de governo e a tática eleitoral do PT para as eleições. A intenção, nas palavras dos dirigentes, era “esfregar sangue no rosto da militância para que todos saiam em defesa de Dilma e do PT”. Como vem ocorrendo ao longo da história petista, quando se sente acuado, o PT parte para cima dos adversários e aposta no velho “nós contra eles”.
Bookmark and Share

SEGUNDO TURNO À VISTA

Da ISTOÉ
Pesquisa ISTOÉ/Sensus mostra pela primeira vez, desde que começaram a ser divulgadas as enquetes eleitorais de 2014, que a sucessão da presidenta Dilma Rousseff deverá ser decidida apenas no segundo turno. No levantamento realizado com dois mil eleitores entre os dias 22 e 25 de abril, Dilma (PT) soma 35% das intenções de voto. É seguida pelo senador mineiro Aécio Neves (PSDB), com 23,7%, e pelo ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), com 11%. Juntos, Aécio e Campos têm 34,7% dos votos, praticamente a mesma votação de Dilma (diferença de 0,3%). Como a pesquisa tem uma margem de erro de 2,2%, se a eleição fosse hoje o futuro presidente seria escolhido no segundo turno numa disputa entre Dilma e o tucano Aécio Neves. A mesma situação ocorre quando, diante do eleitor, é colocada uma lista mais ampla, incluindo os nomes de pré-candidatos nanicos como Levy Fidelix (PRTB) e Randolfe Rodrigues (Psol), por exemplo. Nesse caso, a presidenta fica com 34% das intenções de votos e os demais candidatos, 32,4%. Diferença de 1,6%. Um cenário que também permite concluir pela realização de segundo turno entre Dilma e Aécio. “A leitura completa da pesquisa indica que a presidenta terá muita dificuldade para reverter o quadro atual”, afirma Ricardo Guedes Ferreira Pinto, diretor do Sensus.
O resultado da primeira pesquisa da série que será feita por ISTOÉ em parceria com o Sensus explica a tensão que passou a dominar o Palácio do Planalto e a cúpula do PT nas últimas semanas. Desde que assumiu o governo, em janeiro de 2011, todas as enquetes apontavam para uma confortável reeleição da presidenta ainda no primeiro turno. Agora, mais do que a concreta hipótese dos dois escrutínios, há uma ameaça à própria reeleição. A distância que separa Dilma de seus opositores nunca foi tão pequena. No levantamento ISTOÉ/Sensus realizado em 136 municípios de 24 Estados, menos de 7% dos votos distanciam Dilma de Aécio em um eventual segundo turno. Se a eleição fosse hoje, a presidenta teria 38,6% e o senador mineiro 31,9%, uma diferença de 6,7%. Se a disputa fosse com o ex-governador Eduardo Campos a situação de Dilma seria mais confortável: teria 39,1% contra 24,8%.
“O que se percebe é que no último mês passou a ocorrer uma migração de votos da presidenta para candidatos da oposição. Antes, as pequenas quedas de Dilma aumentavam o índice de indecisos”, diz Guedes. Mais do que o crescimento das candidaturas de PSDB e PSB, dois outros fatores revelados na pesquisa ISTOÉ/Sensus têm tirado o sono dos aliados da presidenta. O primeiro é a alta taxa de rejeição. Hoje 42% dos eleitores afirmam que não votariam em Dilma de jeito nenhum. Eduardo Campos é rejeitado por 35,1% e Aécio Neves por 31,1%. “Como a presidenta é a mais conhecida dos eleitores, não é surpresa que tenha também um índice maior de rejeição, mas 42% é muita coisa”, analisa Guedes. “Não me recordo de nenhum caso de alguém que tenha conseguido se eleger chegando ao segundo turno com mais de 40% de rejeição. E o quadro atual não é favorável para a presidenta reverter esses números”, conclui.
O outro elemento que assombra as lideranças do PT e a cúpula do governo refere-se à fidelidade partidária. Historicamente, o PT costuma assegurar, nas eleições majoritárias, uma média mínima entre 16% e 18% dos votos para seus candidatos, o que tem invariavelmente levado o partido ao segundo turno nas principais disputas. São os chamados votos petistas. Este ano, o levantamento ISTOÉ/Sensus aponta para sinais de fadiga no partido. De acordo com a pesquisa, apenas 9,6% do eleitorado declarou identificação com a legenda da estrela vermelha. Ainda é a legenda com maior empatia (o PSDB tem 5,1% e o PMDB, 2,3%), mas está longe das marcas que exibia em disputas anteriores. “Certamente a prisão dos envolvidos com o mensalão e principalmente as denúncias que pesam sobre a Petrobras são fatores determinantes para isso”, explica Guedes.
Analistas políticos são unânimes ao afirmar que o bom desempenho eleitoral do PT em 2006 (quando o ex-presidente Lula foi reeleito) e em 2010 (quando Dilma venceu) pode ser atribuído, em boa parte, a uma arma poderosa: a melhora do poder aquisitivo do brasileiro desde que Lula e seus aliados chegaram ao Palácio do Planalto em 2003. Programas como o Bolsa Família, aliado a um momento de praticamente pleno emprego e ventos econômicos favoráveis, foram suficientes para se sobrepor à denúncia do mensalão, por exemplo. Agora, a pesquisa ISTOÉ/Sensus constata que a inflação vem implodindo esse capital político e gerando desconfiança entre os eleitores. Dos entrevistados, 65,9% disseram que hoje têm menos poder de compra do que há um ano e apenas 15% afirmam que podem consumir mais. Guedes explica que os anos seguidos de índices inflacionários superiores ao crescimento do PIB levam a uma corrosão no poder de compra. “Na prática, a diminuição do poder aquisitivo fez com que pessoas que deixaram a linha da pobreza acabassem voltando para ela, embora os números absolutos não revelem isso”, diz Guedes. Certa de que se não conseguir mudar esses números corre sério risco de não se reeleger, a presidenta Dilma aproveitou o pronunciamento feito em razão do Dia do Trabalho para anunciar um pacote de bondades que visa principalmente repor o poder aquisitivo perdido pelos brasileiros nos últimos anos (leia reportagem na pág. 48).
A pesquisa ISTOÉ/Sensus também mostra uma inédita reprovação do governo e da forma como a presidenta Dilma conduz a administração federal. Dos eleitores, 66,1% avaliam o governo como regular ou negativo e 49,1% desaprovam o desempenho pessoal da presidenta. Metade dos eleitores (50,2%) acredita que o Brasil não está no rumo certo. Números como esses fazem com que o fisiologismo que norteia a política brasiliense se aflore de forma perversa e partidos aliados passem a flertar com a traição sem o menor constrangimento. Na segunda-feira 28, por exemplo, 20 dos 32 deputados do PR assinaram um documento pedindo a volta do ex-presidente Lula como candidato. Acreditam que Dilma não dará conta de virar o jogo e fazem esse movimento sem segredo. O líder do partido na Câmara, Bernardo Santana, pendurou em seu gabinete a foto oficial de Lula quando assumiu o governo em 2003. Os números negativos e a falta de perspectiva de dias melhores fazem com que também no PT o movimento Volta, Lula ganhe apoio. Na semana passada, a presidenta se pronunciou publicamente tentando conter a debandada: “Ninguém vai me separar de Lula, nem ele vai se separar de mim”, disse. “Sei da lealdade dele a mim e ele da minha lealdade a ele.”
Na oposição, a expectativa é de que as próximas pesquisas confirmem a tendência de queda da presidenta. “O eleitor está cansado disso tudo que está aí e é natural que esses votos comecem a migrar para os candidatos que representam a mudança”, disse o senador Aécio Neves (PSDB-MG). O ex-governador Eduardo Campos (PSB) faz a mesma aposta. Segundo ele, “a migração de votos será ainda maior quando os candidatos da oposição se tornarem mais conhecidos”. De acordo com o diretor do Sensus, Ricardo Guedes, a pesquisa agora apresentada por ISTOÉ mostra que o eleitor ainda não assimilou a presença da ex-senadora Marina Silva (Rede) na chapa liderada por Campos. “Até agora, Marina transferiu para a aliança mais rejeição (ela tem 35,6%) do que votos”, afirma Guedes.
Bookmark and Share

domingo, 4 de maio de 2014

SÃO PAULO É UMA PARADA

Celebrando a diversidade, a 18ª edição da Parada do Orgulho LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgêneros) de São Paulo será realizada hoje (4), a partir das 13 horas na Avenida Paulista, com o tema “País Vencedor é País Sem Homolesbotransfobia: Chega de Mortes! Criminalização Já!” e quatorze trios elétricos, os organizadores do evento pretendem levar mais de 3 milhões de participantes.
Neste ano tem eleições, não será difícil encontrar políticos em cima de um trio elétrico. Em ano eleitoral, os trios elétricos viram palanques para políticos oportunistas. Em busca de aparecer na mídia arco-íris, eles disputam cada metro quadrado nos trios que até parece camarote de cervejaria na Marquês de Sapucaí.
Porém, haverá  políticos no evento que estão engajados com a causa LGBT há muitos anos, por exemplo, a ministra da Cultura, Marta Suplicy (PT-SP), que participou de todas as edições da Parada do Orgulho Gay de São Paulo.
Marta é autora do projeto de lei de união civil entre pessoas do mesmo sexo que estava engavetado na Câmara há mais de 19 anos. Em maio de 2011, o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu a união homoafetiva.
A Parada do Orgulho Gay de São Paulo já faz parte do calendário turístico de São Paulo e segundo o Guinness Book – o livro dos recordes – é a maior manifestação mundial do gênero. Em São Paulo, segundo informações, o evento só perde para a Fórmula 1 em faturamento.
Segundo pesquisa realizada nesta semana na capital paulista, cada frequentador da Parada gasta por dia cerca de R$ 1.850 com hospedagem, alimentação e preparativos para o dia da Parada. O clima de festa arco-íris começa uma semana antes do dia do evento.
A Parada tem se tornado uma espécie de carnaval, mas sem perder o foco principal; a luta da comunidade LGBT e a cada ano o viés político tem se fortalecido no evento, onde os defensores do movimento gay colocam em discussões as políticas públicas da causa LGBT.
Entre as lutas da comunidade gay, está a aprovação do Projeto de Lei Complementar 122 /06 que pune a homofobia no Brasil. O PLC 122/06 está abafada no Senado, sem previsão de ser colocado em pauta.
Bookmark and Share

sábado, 3 de maio de 2014

NOVOS LABORES

Artigo de Marina Silva, publicado na Folha de S. Paulo
Primeiro de Maio, eu me lembro. No início dos anos 80 ajudei a criar a CUT no Acre, com Chico Mendes, e acompanhei sua grande dificuldade em fazer a maioria dos dirigentes sindicais da época aceitar a luta dos seringueiros em defesa da floresta. Mesmo os que queriam transformar a antiga estrutura, dos tempos de Getúlio Vargas, ainda resistiam às novas lideranças, bandeiras e formas de organização. Mais tarde, o que se renovou também viu chegar a estagnação.
Releio no livro "Psicanálise e Política" (Zahar, 2006), de Ricardo Goldemberg: parece inevitável que, depois da ruptura, o movimento busque a estrutura, esvazie a potência do ato político e reproduza "a fixidez do regime anterior". Administrar o sucesso e a vitória envolve poder, estrutura, cargos e recursos. Este é, digamos, o capital do trabalho.
Mas tudo muda.
Na civilização em crise, o planeta mostra dramaticamente seus limites. Operários e camponeses convivem com novos labores e variadas formas de contrato e remuneração. Algumas reivindicações antigas transformam-se em direitos consagrados, políticas de Estado ou estrutura das empresas. Agora há demanda por novos direitos. Ao mesmo tempo, multiplicam-se alternativas de inspiração cooperativista, empreendedorismo social, economia criativa. E novas tecnologias estendem o lugar do trabalho do chão da fábrica à nuvem virtual.
Quando um adolescente, na Índia, recebe um pedido pela internet e providencia a entrega de uma pizza em Nova York, estamos, sem dúvida, diante de uma transformação no mundo do trabalho que exige outra igualmente grande na organização e no ideário dos trabalhadores. E não adianta tirar do baú velhas bandeiras ou ensaiar algum neogetulismo para criar novos pais e mães da pátria.
As jornadas de junho do ano passado revelaram uma infinidade de desejos pulsando na sociedade. Depois delas, vimos uma reanimação nos movimentos sindicais em várias categorias profissionais, num esforço para sacudir o marasmo, romper os laços de dependência e recuperar a potência esvaziada.
Há um caminho possível: os novos significados do trabalho ensejam novas utopias. E mais iniciativa. Tememos as demissões que podem vir, por exemplo, numa grave crise energética. Mas quantos empregos podem ser criados com as energias renováveis e programas de eficiência energética? E com o reflorestamento, a gestão das águas, a reciclagem de materiais, enfim, as amplas potencialidades do desenvolvimento sustentável?
O desejo organizado do povo trabalhador pode inaugurar um mundo de saúde e qualidade de vida, educação e ciência, cultura e criatividade. É preciso apontar as antenas para o futuro.
Bookmark and Share

ANÚNCIO ANTECIPADO

Para acabar com a boataria do “Volta, Lula”, o PT antecipou o anúncio da pré-candidatura da presidente Dilma Rousseff. Na abertura de seu 14.º Encontro Nacional nesta sexta-feira, (2), o presidente do partido, Rui Falcão, perguntou aos 800 delegados e aos cerca de 2 mil convidados que compareceram ao Anhembi, na zona norte de São Paulo, se concordavam com o projeto reeleitoral. O apoio foi unânime.
O ato serviu para tentar dissipar o coro do "volta, Lula", dessa forma, o presidente nacional do partido, Rui Falcão jogou um balde de água fria na ala petista paulista que defendia o nome do ex-presidente Lula como candidato do PT nas eleições deste ano.
O “Volta, Lula” ganhou força principalmente nesta semana com a nota que saiu no site Glamurama, da jornalista Joyce Pascowitch, afirmando que o candidato do PT à Presidência da República seria o ex-presidente Lula. Segundo o site, Lula demonstrou a amigos mais próximos sua intenção de voltar ao posto.
No evento que reuniu algumas estrelas petistas de primeira grandeza, estava Lula que reafirmou o que disse Rui Falcão, que a candidata do PT é a presidente Dilma. A presidente estava no local e depois discursou: "Recebo essa missão honrosa que é ser pré-candidata do PT à Presidência", e atacou a oposição.
Bookmark and Share

CID E MUJICA. QUANTA DIFERENÇA...

Artigo de Sérgio Novais
Depois do dramático dia do fico – quando o ainda Governador do Ceará meteu os pés pelas mãos e, apesar de todas as pressões, não conseguiu seu intento de tirar o vice Domingos do meio de seus planos mirabolantes pelo poder – esperava-se cautela nos passos seguintes. Os cearenses começavam a viver o relevante significado da Semana Santa para os cristãos. Embalados pelos prognósticos de chuvas em todo o Estado, tínhamos mais um motivo para diluir as tensões cotidianas, principalmente com avassaladora onda de violência.
Mas como diz o ditado popular, não há nada que esteja tão ruim, que não possa piorar. A postura do Governador diante do poder – que já era péssima – piorou um pouco mais nesta Santa Semana. Ao longo dos últimos dias foram emitidos do Palácio da Abolição diversos sinais contraditórios sobre a folga pré e pós Semana Santa do rei: Férias? Descanso? Na Meruoca? No exterior? Uma viagem mal contada, com inexplicável ar de mistério, algo inaceitável para um homem público que ocupa o cargo mais importante do Estado e que, por isso, deveria, sim, dar satisfações à sociedade.
Para quem ainda não digeriu a viagem da sogra e aquela esticadinha básica na Europa (com direito a cruzeiro marítimo) em meio a uma viagem oficial paga pelo bolso do contribuinte, uma nova trama parecia estar sendo montada. Dizem no meio político que o ainda Governador tem um assessor especial em viagens de passageiros e de negócios (escusos?). As mesmas fontes afirmam que Arialdo Pinho conhece roteiros, campos de pousos particulares no Brasil e no mundo.
Como não existe “crime perfeito”, há uma enorme diferença entre um vôo sigiloso de um homem de negócios (escusos?) e um vôo sigiloso de uma autoridade. No caso da autoridade, pelo menos 100 pessoas estão envolvidas na operação.
É por isso que vaza! Portanto, as informações divulgadas pelos parlamentares estaduais de que o ainda Governador teria alugado um jatinho, foi a Brasília, Rio Grande do Sul e estaria hospedado na casa de um empresário em Punta Del Este, no Uruguai certamente são verdadeiras.
Estes parlamentares já estiveram no núcleo de poder recente, têm cúmplices, sabem muito das entranhas. Falam de viagens, de extravagâncias, de helicópteros, de casas recém compradas em Miami, de assessores da cozinha do ainda Governador e de outras cozitas más. Desmoralizado mais um vez, o Governador apelou por privacidade! Ou seja, nós devemos pagar a conta e ele fazer viagens com sogra e outras esquisitices ! Vive de farsa.
Já que o Governador gosta do Uruguai – uma das poucas preferências que ele acertou, pois este País e seu povo são especiais – ele deveria mirar no estilo do Presidente Mujica, autêntico, respeitado, vive no meio do seu povo, vestido e calçado como seu povo (independente de ter cobertura da mídia), sendo referência por suas idéias e postura para a América Latina e o mundo. Em tempo: Punta del Este é linda. Não merece este vexame. Este dramalhão está mais para Miami.
Sérgio Novais, ex-vereador de Fortaleza, ex-deputado federal, presidente do PSB-CE e membro da Executiva PSB Nacional.
Bookmark and Share

sexta-feira, 2 de maio de 2014

BANANA, ALIENAÇÃO E ABSINTO

Tive a sorte de não acompanhar o babado, ops, a exploração do episódio da banana.
Vivemos no auge da alienação, da manipulação das massas e do uso do simbolismo para combater forças reais.
Não queria perder o meu tempo com o assunto, mas ontem, ao ler o editorial da Folha sobre o episódio, percebi que o problema é muito maior do que imaginava.
Estamos no mundo da telenovela, dos enredos de filmes baratos, onde o mal é representado pelos olhos esbugalhados, veias saltadas e o bem pela voz suave e pelo incansável desejo de convencer o mal a mudar de lado.
Tive vergonha daquele editorial, tive vergonha de ver pessoas comemorando o simbolismo como forma de combate a um crime de ódio (algo como o beijo gay da novela).
Isso tudo me fez lembrar de um adesivo estúpido, lançado há alguns anos por uma emissora de Rádio, que dizia: "Eu já fui assaltado".
O trânsito da cidade ficou lotado de carros com esse adesivo. E?
Lembrei-me também da atriz Carolina Ferraz em uma campanha social, usando uma camiseta do bem, logo após ter vomitado seu preconceito em uma entrevista sobre a entrada de empregada domésticas pelo elevador social.
Racismo é crime e deve ser combatido como tal. O racista deve ser julgado e deve cumprir a sua pena, que aí sim poderia ser de caráter educativo, mas crime não se combate com camiseta nem com celebridades - na sua maioria empregadores de empregadas negras, moradoras de morros, mas que ganham no Natal uma Louis Vuitton. Pior do que ganhar uma bolsa cara é ter de participar de um programa de TV e seguir o roteiro para endeusar a patroa: "ela é bacana, super humana, só me dá presente de grife"!
Não, não somos todos macacos, somos todos imbecis!
Ou estamos tomando absinto demais?
Cilene Victor, professora de jornalismo na Faculdade Cásper Líbero e comentarista do Jornal da Cultura.
Bookmark and Share

EDUARDO CAMPOS NO PODER E POLÍTICA

Por Fernando Rodrigues, Poder e Política, da Folha/UOL
O pré-candidato a presidente pelo PSB, Eduardo Campos, 48, detalhou a trajetória que deseja para a inflação no Brasil caso venha a ser eleito. Em 2015, manteria a meta em 4,5% ao ano. Nos três anos seguintes, forçaria uma queda para 4%, terminando o mandato sinalizando um percentual de 3%.
Em entrevista ao programa Poder e Política, da Folha e do "UOL", o socialista disse que a meta de inflação de 3% seria fixada oficialmente para 2019. A definição desse percentual é responsabilidade do CMN (Conselho Monetário Nacional), formado pelos ministros da Fazenda e do Planejamento e pelo presidente do Banco Central, sempre com dois anos de antecedência.
Campos detalhou também sua proposta sobre independência do Banco Central. Se eleito, pretende patrocinar a aprovação de uma lei que dê um mandato de três anos ao presidente do BC, período pelo qual o chefe dessa autarquia não poderia ser demitido. Seria permitida apenas uma recondução.
O reajuste das tarifas de energia e combustíveis, represadas no atual governo, seria feito em até três anos, de maneira gradual, para não causar um impacto muito grande sobre a inflação.
Em terceiro lugar na pesquisa Datafolha (tem 10% das intenções de voto), o pré-candidato tenta encontrar uma brecha entre seus dois adversários diretos na disputa de outubro. Dilma Rousseff (PT) lidera a corrida presidencial com 38%. Aécio Neves (PSDB) tem 16%.
Campos se posiciona como um liberal na economia e na gestão do governo (para atrair eleitores tucanos), mas mantendo os gastos com programas sociais (acenando aos petistas). Na área de costumes, tem posições conservadoras –como quase todos os adversários.
Numa eventual gestão de Campos como presidente, ele promete manter a política de reajuste acima da inflação para o salário mínimo. O número de ministérios cairá para "15 a 20". Agências reguladoras terão diretores escolhidos com a ajuda de recrutadores profissionais. O Bolsa Família será ampliado e terá algum reajuste no valor do benefício.
As regras atuais sobre aborto têm a aprovação de Campos. Ele é contra a liberalização da prática além do que a lei já autoriza. Também não defende reduzir a maioridade penal e nem tem simpatia por uma política de descriminalização da maconha.
A seguir, trechos da entrevista, gravada na última terça-feira:
*
Folha/UOL - A meta de inflação anual no Brasil é de 4,5%. O sr. mencionou nesta semana que pode ser atingida até 2018. Tem como ser antes?
Eduardo Campos - É possível, sim. Outros países como Chile, como a Colômbia têm inflação menor que a do Brasil.
Eu falei em 4%, na verdade, de meta de inflação para chegar até 2018. Em 2015 temos que fazer o PPA, o Plano Plurianual, que avança um ano sobre o mandato seguinte, a gente já quer deixar claro uma rampa de queda do centro da meta. E ter um compromisso com o centro da meta e não com o teto. Agora já está furando o teto. A gente precisa focar o centro da meta.
Para 2014 a meta é 4,5%, não tem como mudar. Para 2015 também será 4,5%, pois já está decidido. Qual deve ser a trajetória da meta de inflação do Brasil ao longo dos próximos anos?
Nos próximos quatro anos, a gente deve perseguir uma meta de 4%, como centro da meta.
A partir de qual ano?
A partir do ano de 2016, a gente já se aproxima do centro da meta. Nós queremos olhar para, a partir de 2018, um novo centro da meta, em torno de 3%. Para que o Brasil vá se aproximando de uma inflação de classe mundial para países do padrão do Brasil.
A partir de 2016 o sr. entende que deve ser de 4%?
4%.
Que seguiria até 2018 e 2019...
E o PPA nosso constaria, para 2019, já uma meta de 3%.
O governo represou certos preços controlados, como combustíveis e energia. Quando será possível trazer esses preços para níveis de mercado?
Primeiro, temos que definir uma regra clara sobre esses preços para que o governo não fique com a capacidade de meter a mão. Ele fez isso porque deixou de fazer a governança da macroeconomia, um dever de casa. Como não fez, teve que ir em cima dos preços que ele poderia colocar a mão.
Economistas dizem que se Dilma Rousseff for reeleita, não vai querer aumentar os preços de energia e combustíveis de uma vez no primeiro semestre de 2015. Mas, se for um candidato de oposição, poderia reajustar tudo nos primeiros meses, dando uma pancada para cima na inflação. Isso vai acontecer?
Eu acho que não. Se depender de nós, vamos fazer um processo.
Como?
Passar uma mensagem de tranquilidade. Uma visão de médio e longo prazo. Ao mesmo tempo, não esconder que tem um esqueleto que estão deixando. Nem sei se a presidenta [Dilma Rousseff], perdendo as eleições, não teria a obrigação de já tomar algumas medidas para ir diminuindo o tamanho do passivo que fica.
Em quanto tempo deve ser feita a correção nesses preços de energia e combustível?
Não pode soltar de uma vez só porque são preços transversais à toda a economia. Mas deve ser no menor prazo possível, desde que não crie uma situação de constrangimento para a economia.
Em mais de um ano?
É mais de um ano e menos de três.
Dois anos, na média, até corrigir tudo?
Até corrigir tudo.
O sr. disse recentemente ser a favor de formalizar a independência operacional do Banco Central. Sua pré-candidata a vice-presidente, Marina Silva, deu uma declaração contraditando o que o sr. disse. Em um eventual governo do sr., o Banco Central teria qual tipo de independência?
Há um consenso em nosso conjunto de que o Banco Central deve ter independência administrativa.
Mais do que tem hoje?
Muito mais do que tem hoje.
Como é que se materializa isso?
Seria através de uma lei. Existem vários modelos. Esse debate ainda está acontecendo na nossa equipe de programa de governo.
Não há divergência entre o sr. e Marina Silva sobre isso?
Não. Temos um consenso de que no nosso governo, a partir dia 1º de janeiro, nós teremos uma direção do Banco Central com autonomia administrativa para cumprir a meta de inflação.
Os diretores do Banco Central e o seu presidente teriam mandatos com tempo determinado e não seriam demissíveis pelo presidente?
Há países em que você tem 12 diretores e o mandato é do presidente. Quando o diretor vira presidente por dois anos, ele está blindado na função de presidente.
O sr. tem opinião sobre isso?
Tenho. O mandato seria do presidente do Banco Central.
Não seria demissível no período em que estiver ali?
Na presidência, [não].
O sr. defende mandatos de quantos anos para o presidente do Banco Central?
Três anos.
Reconduzível?
Por uma vez. A partir daí, não coincide com o mandato do [chefe do] Executivo.
Que reformas econômicas são fundamentais para o país?
Temos que alavancar a produtividade da economia brasileira. E o grande desafio da produtividade é a educação. Nós precisamos de um pacto em torno da educação de qualidade que vai conduzir o Brasil a outro padrão de produtividade.
Há necessidade de alguma reforma na área trabalhista?
Ninguém nesse país vai ter condição de assumir um compromisso com a sociedade que tire direitos sociais nos próximos quatro anos. A nossa campanha vem de um conjunto de forças que tem, historicamente, compromissos com as lutas sociais brasileiras.
O que precisamos fazer para alavancar a produtividade no Brasil? Precisamos fazer um grande esforço de qualificação profissional, de educação, inovação -e precisamos desonerar a geração de trabalho. A produtividade em uma fábrica é tocada pelos custos que vêm da carga tributária que existe sobre o salário, e não da renda do trabalhador.
Não vamos colocar na nossa plataforma nada que retire direitos dos trabalhadores. Tocar em férias de trabalhador, décimo terceiro salário, de forma nenhuma. Nós vamos, sim, fazer um esforço para melhorar a produtividade das empresas brasileiras gerarem trabalho sem oneração, através de uma reforma tributária que melhore a composição dos custos no trabalho.
A atual política de reajuste do salário mínimo é adequada?
A gente não pode pensar que a classe trabalhadora vai perder o direito de ter um reajuste da inflação para a sua remuneração. Ou que vamos resolver o problema das contas públicas no Brasil tirando a possibilidade de os trabalhadores que ganham o salário mínimo terem um ganho real. O problema não é o salário mínimo ter ganho em real. O problema é na Previdência, um passivo que foi sendo formato ao longo dos anos.
O salário mínimo precisa seguir tendo reajustes, para garantir o poder de compra real, que é fundamental para ter um país mais equilibrado socialmente, um mercado interno, sobretudo nas regiões mais pobres.
No nosso governo, o salário mínimo terá a recomposição do poder de compra da inflação e algum ganho real.
Vários países europeus têm aumentado a idade de aposentadoria. É o caso de o Brasil começar a pensar também em aumentar a idade de aposentadoria de seus trabalhadores?
Na medida em que haja um processo em que a idade média do país vai crescendo, é natural que vá crescendo também a idade média da aposentadoria. As pessoas estão vivendo mais, é natural que as pessoas também queiram ou possam trabalhar mais do que antes.
Qual o sr. acha que seria a idade adequada hoje de aposentadoria?
Esse é o debate que os especialistas estão fazendo, mas não fechamos a opinião. É preciso incentivar a previdência complementar como uma forma de a gente ter um lastro de poupança que possa nos ajudar a alavancar os investimentos. E agora também há espaço para a previdência complementar pública, porque os novos servidores não terão a paridade.
Será inevitável fazer alguma correção na idade mínima de aposentadoria?
Não, não tomamos essa decisão. Nesse horizonte desses quatro anos agora, não.
O Brasil tem 39 ministros, Quantos ministros o Brasil teria de ter?
Entre 15 e 20 ministros.
Isso é possível?
É claro. É possível.
Em Pernambuco, o sr. governou o Estado com 28 secretários. Por que em Pernambuco não tinha de 15 a 20 secretários?
Você não pode comparar a máquina de um Estado com a máquina de um país. Um Estado tem máquinas muito mais precárias, há uma situação bem diferente da União para você chegar e fazer inovação, como nós fizemos em Pernambuco. Por exemplo, a área de cultura. Em um Estado forte culturalmente como Pernambuco, você precisa ter uma política para o cinema, você precisava ter uma política para a música, para as artes, e tinha que ter uma equipe que cuidasse da estruturação da área cultural.
Precisava ser um secretário?
Precisava, porque esse é o nome da função de confiança que tinha. Agora, nós diminuímos a expressão do número de cargos de confiança sobre a folha de pagamentos. Ou seja, a gente não criou nenhum cargo novo, diferente do que houve na União.
No plano federal, o ex-presidente Lula e a presidente Dilma têm argumentos iguais aos do sr. Dizem que era necessário "empoderar" determinados setores com cargo de ministro para dar relevância àquele setor. Por exemplo, a Secretária de Igualdade Social, a das Mulheres, a dos Direitos Humanos. Não é a mesma coisa que o sr. fez em Pernambuco?
Não, porque o governo federal em regra não executa. A execução se dá através de Estados e municípios. Ele define políticas, estruturas políticas, programas e pode fazer a execução através dos Estados. São situações completamente distintas.
Para reduzir o número de ministérios o sr. teria de fechar várias dessas pastas que eu citei, da área social, agrupando-as em um único lugar. Isso vai acontecer?
Não fizemos esse debate sobre a estrutura.
Mas o sr. está falando de 15 a 20 ministérios...
Não é só diminuir o número de ministérios. É mais do que isso. É conceber um modelo de gestão que tenha transparência e metas, que possa formar uma equipe com pessoas sérias, capazes, competentes, que sejam líderes que inspirem as equipes, e não essa partilha de colocar no ministério alguém que foi indicado só porque o partido "A" está fazendo bloqueio da votação no Congresso.
O atual governo tem uma base ampla de partidos que o apoia e eles estão representados nos ministérios. O sr. está dizendo que isso não vai ser a lógica do seu governo?
Essa lógica está superada pelos fatos, pela história, pelo tempo, pela manifestação da população.
Nós precisamos, para que o Brasil saia do caminho errado e entre no caminho certo, que a sociedade volte a olhar para Brasília e se reconhecer. A sociedade não vai se reconhecer em Brasília se a gente continuar criando ministério, provendo esses cargos da forma que estão sendo colocadas as pessoas para geri-los.
Nós precisamos apostar que a sociedade vai apoiar quem assume esse compromisso e cumpre esse compromisso. E se a sociedade vai apoiar, esse apoio da sociedade vai se refletir no Congresso Nacional, não tenho a menor dúvida disso.
Mas essa lógica de governar com vários partidos e dar a eles cargos funcionou, no Brasil inteiro, em vários governos, e inclusive no seu, em Pernambuco. O sr. tinha 17 partidos na coligação que o elegeu. Eles, em certa medida, estavam representados no seu governo...
Absolutamente.
Não?
O que nós fizemos em Pernambuco foram acordos de programa. É uma visão diferente. Você vai na Alemanha, terminou a eleição, os partidos se reúnem e discutem questões programáticas.
O sr. acha possível ter uma dezena de partidos, mas com base em programa?
Se não tiver os partidos, vai ter pessoas que estão nesses partidos, mas que vão ver algo certo, direito, sendo feito.
A própria presidenta Dilma teve no primeiro ano do governo dela uma torcida extraordinária do Brasil para fazer alguma coisa diferente. Essa oportunidade, ela deixou passar.
A gente derrotou uma ditadura, a gente derrotou uma hiperinflação, colocamos o tema social na mesa do Brasil, [agora] é preciso colocar o tema de melhorar a política. Ou melhora a política, ou não melhora nada nesse país.
Se o sr. tivesse que escolher um ou dois itens do sistema político-partidário para alterar, quais seriam esses pontos?
Mandato de cinco anos sem reeleição e coincidência dos mandatos. São duas medidas que ajudam a abrir outro padrão político.
A gente precisa ter eleições onde o Brasil inteiro fale. Onde não se tenha a visão "eleitoralizada" da política que hoje se tem, de a cada dois anos ter eleição. Termina que quem paga essa conta é a população.
Você está vendo agora, o Brasil está aí com problema de energia e as pessoas escondendo o problema porque tem reeleição.
No Brasil não havia reeleição até 1998. Mas antes disso muitos governadores escondiam muita coisa para fazer seus sucessores. Em São Paulo, há um caso clássico com Orestes Quércia, que elegeu Luiz Antônio Fleury Filho. Uma declaração à época atribuída a Quércia era assim: "Quebrei o Banespa, mas elegi meu sucessor". O fato de não ter a reeleição vai impedir isso?
Eu acho que melhora muito. Sou convicto de que é bom para o Brasil ter eleições coincidentes no mesmo ano e o fim da reeleição e mandato de cinco anos.
O sr. mencionou que em seu eventual governo, se for eleito presidente, José Sarney estaria na oposição. O sr. governaria sem o PMDB?
Tem gente no PMDB que tem uma história ao nosso lado, como, por exemplo, Pedro Simon [RS], é um PMDB que honra qualquer governo a participação dele. O senador Jarbas Vasconcelos [PE], o senador Luiz Henrique da Silveira [SC], que têm uma posição de decência, de comprometimento com a política em outros termos.
O sr. governaria com quadros políticos e com pessoas de partidos e não necessariamente com os partidos?
Não. Eu respeito os partidos, eu sou dirigente de um partido. Eu tenho quatro partidos apoiando a nossa proposta. Nós vamos recebendo desde já a opinião de pessoas que são de outros partidos e que amanhã poderão até ser dirigentes de seus partidos. Mas enquanto não são vão nos ajudar na construção de um momento de mudança muito expressiva na vida pública. Nós não estamos em um momento singelo da vida pública brasileira e os partidos não estão representando exatamente o que a sociedade pensa. Tanto que a sociedade foi às ruas e não levou nenhum partido na frente.
O sr. vai falar com o PMDB e dizer: "Olha, vamos fazer um acordo programático, mas eu não quero dar cargos para a família Sarney, não quero isso etc."?
Nós vamos tirar da base do governo, depois de 30 anos, aquelas mesmas figurinhas que estão lá e que precisam ir para a oposição para surgir uma nova prática política no Brasil.
Vai surgir um novo quadro político das urnas. Não imagine que as urnas, em 2014, não vão fazer parte da limpeza que estou falando aqui. Uma vitória nossa vai possibilitar um novo arranjo político e partidário.
Como é que a gente vai fazer a educação nesse país mudar a vida das pessoas, um esforço para que a gente possa ter crescimento sustentando de 4%, um olhar para a segurança, fazendo o velho debate político sobre pedaços do Estado sendo distribuídos, com velhas raposas que já tiveram tudo que queriam ter do Brasil?
O sr. enxerga a possibilidade de haver fusão de partidos para criar uma nova sigla a partir do ano que vem?
Acho que a gente vai ter que ter uma frente política, respeitando, inclusive, os partidos existentes. Não precisamos ter 400 deputados. Precisamos ter uma base que nos dê a maioria e a possibilidade de discutir, inclusive, composição.
Se nós apresentarmos ao Congresso Nacional, por exemplo, [uma regra] para designar para as agências reguladoras os diretores não mais na indicação política, como se faz hoje, mas por meio de mecanismos de busca, como "headhunter" [recrutador] e comitê de busca. Uma proposta dessas tem 100% de aprovação na opinião pública. Por que o Congresso vai ficar contra isso?
Fazer uma contratação profissional dos diretores de agências reguladoras?
Por mecanismo público, transparente, com banca examinadora. É uma mudança de era. É necessário que alguém se apresente à sociedade brasileira compreendendo o que a sociedade disse nas ruas, está dizendo nas redes. É hora de dar um salto.
Eu e a Marina estamos nos apresentando como um caminho seguro para que as pessoas possam perceber que há possibilidade de governar o Brasil sem esses fisiológicos, sem os patrimonialistas. Nós temos o dever de consciência de tentar fazer isso.
O sr. vai trabalhar para que a população proteste em frente ao Congresso?
Eu vou trabalhar para explicitar ao Congresso Nacional que a sociedade está cada vez mais exigente, mais irrequieta, impaciente, vendo que está pagando tributos cada vez em maior quantidade e que os serviços públicos não estão de maneira adequada.
O sr. disse que é necessário ampliar o número de pessoas beneficiárias do Bolsa Família. Qual é esse número?
Neste momento existe um grande terrorismo eleitoral em cima desse público. Há uma estratégia por parte do governo de [disseminar] medo em cima daqueles que estão recebendo o Bolsa Família, dizendo que se eles [o governo] perderem, como eu acho que vão perder, acaba o Bolsa Família. É preciso que se deixe claro: ninguém vai acabar com o Bolsa Família neste país. O Bolsa Família veio porque o Brasil teve um modelo de desenvolvimento que excluiu milhões de brasileiros.
Agora, tem 25 milhões de pessoas no cadastro único e tem 14 milhões de pessoas atendidas. Entre 14 e 25 [milhões], tem um número, que não se sabe exatamente qual é, de pessoas que têm direito ao Bolsa Família e que precisam ser incorporadas.
E há outro direito: ter o valor reajustado do Bolsa Família para dar para comprar o que dava antes, porque a inflação está tirando a possibilidade de as pessoas do Bolsa Família comprarem as mesmas coisas que compravam antes.
E é fundamental que, além do Bolsa Família, essas famílias recebam outras políticas públicas que estão faltando. Se você só dá o Bolsa Família e não dá escola, não dá saúde, não dá o saneamento, aquela filha do Bolsa Família hoje vai ser a mãe do Bolsa Família amanhã, que é o ciclo que a gente não quer ver no Brasil.
Qual é a estimativa de necessidade de reajuste no valor médio do Bolsa Família?
É recompor o poder de compra. Não tenho o percentual ainda.
Teria que haver uma recomposição já no início do ano que vem no valor do Bolsa Família?
Isso vai constar do nosso programa diante da situação macroeconômica do país, mas temos um compromisso em não permitir [que fique] como é hoje. As pessoas estão percebendo que cada vez que vão ao supermercado estão comprando menos coisa.
Qual a avaliação do sr. sobre o programa Mais Médicos?
O Brasil ficou duas décadas assistindo ao fechamento de vagas nas universidades federais de medicina sob o silêncio geral da sociedade brasileira. Nós não podemos abdicar da possibilidade de formar os médicos que o Brasil precisa.
E precisamos ter um olhar para uma área que o Mais Médicos ainda não atingiu, que é a média complexidade. Com a ação básica que está sendo feita por esses médicos que vieram de fora, eles vão descobrir uma porção de pessoas que precisam fazer exames e procedimentos de média complexidade. E aí está o grande gargalo do SUS.
O sr. manteria o programa, se eleito?
A gente não tem como desmontar o programa se ele for dando certo. Até agora, eu vejo, em alguns lugares, elogio, em outros, preocupação. Se o programa tiver resultado nós vamos efetivamente aperfeiçoá-lo e mantê-lo. Não tem por que agora retirar esses médicos dessas comunidades se eles estiverem atendendo bem, cumprindo o papel. Agora, eu não posso imaginar que isso seja a solução para o Sistema Único de Saúde, onde falta governança, [falta] financiamento.
É um programa de transição?
A verdade é que em 1988 a União colocava 85% dos recursos na saúde pública e hoje coloca 45%. E, como na pesquisa de opinião pública a saúde aparece em primeiro lugar, a União criou um programa e faz uma propaganda enorme desse programa, como se fosse resolver todos os problemas. E a gente sabe que não vai resolver todos os problemas, que a questão da saúde exige muito mais trabalho do que importar médicos.
O sr. declarou recentemente ser a favor de manter as regras atuais sobre a prática do aborto, é isso?
É isso mesmo. Já temos regras, temos que cumprir as regras.
E se, durante um eventual governo seu, o Congresso Nacional aprovasse uma lei que desse, de maneira mais ampla, à mulher a decisão final sobre praticar o aborto. Como o sr. reagiria?
Tenho uma posição muito clara de separar o que são as minhas posições pessoais, enquanto cidadão, cristão, do que é o Estado. Na legislação atual já existem algumas situações em que é permitido o aborto.
Se o Congresso tomasse a iniciativa de aprovar uma lei que ampliasse as situações nas quais o aborto seria considerado legal, o sr. faria carga contra?
Sinceramente, não acredito que o Congresso vá tratar desse tema, nem que passe no Congresso.
Mas se tratasse?
Se tratar,vamos ver exatamente qual é a natureza dessa mudança e observar.
Mas o sr. trabalharia politicamente para manter as regras atuais? Mesmo que o Congresso tomasse a iniciativa?
Não, a depender das mudanças, se for um aperfeiçoamento, algo que não seja tão complexo, não veria nenhum tipo de problema.
O casamento entre pessoas do mesmo sexo hoje é permitido no Brasil. O sr. acha uma boa regra?
A união civil é um direito já conferido pela Suprema Corte do país e nós não podemos discriminar as pessoas por orientação sexual ou por relação homoafetiva. Veja, o papa Francisco, tratando desse tema, já trata com outra compreensão.
Casais gays têm condições de adotar e educar uma criança?
É preciso uma avaliação psicológica, porque há casais heterossexuais que não podem criar nem seus filhos, quanto mais adotar. Quem pode fazer essa avaliação são especialistas, psicólogos, terapeutas, médicos.
Quando se trata da vida de uma criança, que não pode ser criada pela sua família, pela sua mãe natural, pelo seu pai natural, você já está tratando de uma circunstância especial. Se ele vai para outra família, uma família tradicional [ou] uma família homoafetiva, é preciso que haja uma análise complexa de uma equipe multidisciplinar, como exige a Justiça brasileira.
O importante é que a criança vá para um lugar onde ela seja amada, cuidada e respeitada.
É positivo que casais gays tenham filhos por meio de inseminação artificial?
É um direito que o cidadão tem. Existem casos desses no mundo. E acho que esses temas não são temas de Estado, são temas das pessoas, da liberdade, dos direitos humanos. Às vezes eles ganham relevo nas eleições para tentar dividir as pessoas por questões religiosas. Acho isso uma coisa muito ultrapassada, antiga. A gente precisa discutir nesta eleição o Brasil que nós queremos, e não buscar temas que por ventura possam dividir o Brasil de uma forma que não é legal.
O sr. é a favor da inclusão de crianças com deficiência em escolas regulares?
Sou a favor. Meu caçula, Miguel, nasceu com síndrome de Down. Hoje conheço mais ainda essa realidade. Tenho um enorme respeito, sobretudo pelas mães das crianças que têm deficiência, e nós precisamos reduzir os preconceitos, a segregação.
O sr. é a favor da inclusão na mesma escola?
Da inclusão delas. E, claro, essas crianças precisam de, além da inclusão na escola, de mais coisa. Precisam de foco, de terapeuta ocupacional, de outro apoio muito mais complexo do que uma criança completamente sadia.
O sr. já se declarou contra a redução da maioridade penal. Como resolver os casos de menores de 18 anos que cometem crimes de maneira continuada e não podem ser detidos e punidos como adultos?
Esse debate é complexo. Envolve a situação de medo em que as pessoas estão. Todo mundo quer uma saída mágica e acha que reduzir idade penal resolve -90% da população é favorável [à redução da maioridade]. Se [o problema] fosse a idade penal, a gente não tinha ninguém com mais de 18 anos cometendo crime. Estava resolvido por uma lei.
O que nós precisamos é aumentar o tempo de internamento das crianças e adolescentes que cometem esse tipo de conflito com a lei de forma continuada. Eles precisam ficar mais tempo internados para se recuperar.
O número de adolescentes e crianças em conflito com a lei é muito pequeno. O que acontece é que na maioria das vezes não há uma coordenação entre prefeituras para fazer a ação de acompanhamento desses jovens, de voltar aos laços familiares, de voltar à escola.
Como é uma coisa muito trabalhosa, os municípios não cumprem a liberdade assistida, que os juízes tanto tentam. Como não tem a estrutura para fazer a liberdade assistida, o que acontece? O juiz termina internando. Eles são internados nessas fundações, tipo Fundação Casa. Fazendo "curso" e se especializam na criminalidade.
Como resolver?
Resolve botando luz sobre esse problema. Nós precisávamos ter um portal no Brasil que mostrasse quantas crianças deveriam estar em liberdade assistida em cada capital, em cada cidade com [mais de] 500 mil habitantes. Ter o ranking das prefeituras.
Se uma lei resolvesse, era muito simples. Manda a lei, pede para os deputados e senadores votarem, estava resolvido, [reduzindo para] 16 anos. É claro que não resolve com a lei. Resolve com o trabalho, a gente tem que ter escola para essas crianças.
A intervenção do governo federal nesses casos seria qual?
O governo federal precisa entrar na construção de um sistema único de segurança pública. O governo federal não pode ficar omisso, como se encontra.
Hoje todo mundo sabe que um grave problema da segurança é a droga. A quem é que cabe tomar conta das fronteiras? À União. Qual é a droga que está destruindo vidas? É o crack. Ele vem do quê? Da cocaína. Da onde vem a cocaína? Todo mundo sabe.
Como é que está a nossa Polícia Federal, que deveria tomar conta das fronteiras? Está passando por uma severa crise. Tem 3.000 homens e mulheres a menos do que tinha há 4 anos na Polícia Federal. As nossas fronteiras estão desguarnecidas. Como é que a União não tem nada a ver com isso? Tem tudo a ver com isso.
O Brasil deveria, como alguns países já fizeram, descriminalizar certas drogas, como a maconha?
Não.
Por quê?
Porque nós vivemos uma crise muito severa nessa questão da droga, que tem tudo a ver com a questão da violência. E neste ambiente o que nós precisamos é fazer um enfrentamento ao tráfico, precisamos cuidar dos dependentes químicos.
Mas a maconha para muitos não produz dependência química.
[O que] nós precisamos neste instante não é fazer esse debate. O debate que nós precisamos neste instante fazer é focar o combate ao tráfico -sobretudo ao crack, que é a droga que está arrasando a vida de muitas famílias Brasil afora.
O Brasil tem mais de mais de meio milhão de presos. Cerca de um quarto é composto por pessoas apanhadas com pequenas quantidades de drogas. Mais de 100 mil pessoas. É boa essa política de prender essas pessoas e mandá-las para a prisão?
Quem nós temos que botar na prisão são os grandes traficantes, não são os usuários. Há um processo de prender mal e julgar lentamente. As penas alternativas estão aí como solução para uma série de crimes. Precisamos priorizar a pena de prisão para quem comete crimes contra a vida, contra a mulher, contra a criança, quem estupra, quem efetivamente corrompe.
Uma coisa é o traficante. O traficante precisa estar preso mesmo. O traficante é para ser preso, é para ser combatido. Outra coisa é um usuário, um jovem da periferia que precisa de um tratamento, que às vezes precisa de uma qualificação profissional, de uma assistência psicológica -que pode até cumprir uma pena alternativa, trabalhar um mês numa escola, num posto de saúde, num trabalho comunitário, numa creche, num abrigo de idosos, que é muito melhor para a vida dele e para a comunidade do que estar num presídio, custando ao Estado e aprendendo o que não deveria estar aprendendo.
Há traficantes grandes que controlam tudo. E há pequeno traficante que leva a droga daqui para lá, mas é condenado e vai para a prisão do mesmo jeito. Seria bom distinguir entre um e outro?
Essa é uma distinção que cabe ao juiz fazer...
Mas do jeito que a legislação é hoje...
... E também às vezes não é tão neutro assim. Um traficante desses é uma pessoa que numa favela, num bairro pobre, ou num bairro de classe média ou até rico, ele, com seu ofício, pode ter arrasado a vida de muitas crianças oferecendo uma pedrinha de crack, transformando aquele cidadão num dependente químico.
Depois ele, com medo de não poder pagar a droga, pegou um revólver, matou alguém, roubou uma senhora, matou um jovem, um pai de família, então as coisas não são tão pueris assim como muitas vezes parece.
O sr. tem 48 anos. Já consumiu algum tipo de droga considerada ilícita no Brasil?
Não. Sempre fiz esporte, sempre tive uma vida muito saudável.
Na sua juventude, conviveu com pessoas que eventualmente acabaram consumindo drogas?
Sim, conheci pessoas que tiveram problemas com drogas.
E acha que a legislação que temos hoje é adequada?
A legislação pode até ser discutida, mas esse não é um assunto central do Brasil. O assunto central do Brasil, em questão de droga, hoje é fechar nossas fronteiras, combater o crack e botar os grandes traficantes na cadeia. E isso só vai ser feito se a União entrar pesado na questão da segurança pública, se a gente prestigiar a Polícia Federal, aumentar o efetivo da Polícia Federal e der conta da nossa missão.
A gente não pode aliviar no debate da droga neste instante no Brasil, porque muito da insegurança tem a ver com a questão da droga.
Bookmark and Share

ELA ERA DOMÉSTICA

A deputada federal Benedita da Silva (PT-RJ) compareceu ao plenário da Câmara dos Deputados, em Brasília (DF), vestida com um uniforme usado por domésticas em homenagem a essas trabalhadoras. A foto foi publicada no perfil da deputada no Twitter. Confira o vídeo do discurso.
Bookmark and Share

quinta-feira, 1 de maio de 2014

DE VOLTA À PRISÃO

Por Bernardo Caram e Ed Ferreira, O Estado de S. Paulo
BRASÍLIA - O ex-deputado federal José Genoino (PT-SP), condenado no processo do mensalão, se apresentou nesta quinta-feira, 1, ao Centro de Internamento e Reeducação (CIR), dentro do Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, um dia após o presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, ter determinado o fim de sua prisão domiciliar.
O advogado do petista, Cláudio Alencar, disse que vai recorrer ao plenário da Corte para tentar reverter a decisão. Alencar justificou que, ao voltar para uma situação estressante e sem alimentação balanceada, seu cliente pode sofrer um mal súbito, apesar de ter apresentado melhora nos últimos meses.
"Vamos recorrer pedindo ao plenário do Supremo que reveja essa decisão e devolva ao deputado José Genoino a prisão domiciliar, que é a mais adequada para a situação de saúde dele", disse o advogado.
O ex-deputado foi condenado a 4 anos e 8 meses de reclusão no regime semiaberto por corrupção. Nesse sistema, o preso pode sair da cadeia durante o dia para trabalhar, mas tem de retornar para dormir na prisão. Preso em novembro do ano passado, Genoino ficou menos de uma semana na Papuda. Alegando problemas cardíacos, foi transferido para um hospital em Brasília e depois para prisão domiciliar. Anteontem, foi comunicado de que deveria voltar à prisão.
Na chegada ao presídio, por volta das 15 horas, Genoino foi saudado por um pequeno grupo de militantes petistas. Seu médico Geniberto Campos acompanhou o retorno à prisão. "O médico particular veio na tentativa de conversar com o médico do sistema, passar a ficha, passar o prontuário, mas hoje não tem médico", disse Alencar.
O advogado informou que o cardiologista de Genoino ficará à disposição para acompanhá-lo, mas questionou a falta de profissionais do Estado. "O sistema penitenciário é que deveria prover a todos os internos o atendimento de saúde."
Procurada para explicar a falta de médicos no presídio, a assessoria de imprensa da Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal não atendeu às ligações da reportagem até a conclusão desta edição.
Laudo. A decisão de Barbosa de mandar Genoino de volta para a prisão se baseou num laudo de uma junta médica da Universidade de Brasília (UnB) que descreveu o estado do ex-deputado como estável e a cirurgia na aorta, à qual ele foi submetido em julho de 2013, como bem-sucedida.
O cardiologista do petista não questionou o documento da junta médica, mas disse que o sistema penitenciário não é o local adequado para tratar um paciente com esse quadro de saúde. De acordo com o médico, Genoino fez exames anteontem e está bem, mas a maior preocupação é a coagulação do sangue, que não está controlada e exige acompanhamento na dosagem da medicação.
Antes de sair para se entregar, Genoino recebeu a visita de amigos e familiares em casa, num condomínio fechado em Brasília. Seu filho, Ronan, e seu irmão, deputado José Guimarães (PT-CE), foram vistos entrando na residência. Segundo sua ex-assessora Débora Cruz, o petista não demonstrou preocupação com possíveis complicações do seu estado de saúde. "Ele estava forte e disse que vai cumprir o que foi determinado", disse.
Bookmark and Share

GETÚLIO, O FILME

Estreia hoje, 1º de maio, nos cinemas de todo o país, o filme Getúlio, de João Jardim, que retrata os últimos anos do presidente da República, Getúlio Vargas, no papel-título, o ator Tony Ramos. O papel de Carlos Lacerda, principal adversário do ex-presidente é interpretado pelo ator Alexandre Borges.  Braço direito do governo Getúlio, Alzira Vargas, filha do presidente da República, conhecida por todos como Alzirinha Vargas, é interpretado pela atriz Drica Moraes.
A data da estreia do filme é simbólica e tem tudo a ver com Getúlio, foi em seu governo que o salário mínimo foi institucionalizado, na década de 30. Getúlio ficou conhecido como o “Pai dos pobres”. Em 1º de maio de 1954, há exatos 60 anos, o governo de Getúlio Vargas aumentou em 100% o salário mínimo no Brasil.
A trajetória política desse brasileiro é paradoxal; amado por alguns e odiado por outros, Getúlio aborda os últimos 16 dias de vida de Getúlio Vargas, então presidente do Brasil que vive momentos de agitação política, opositores pedem a deposição imediata do presidente, pressionado por uma crise política sem precedentes, em decorrência das acusações de que teria ordenado o atentado contra o jornalista Carlos Lacerda (Alexandre Borges), ele avalia os riscos existentes até tomar a decisão de se suicidar.
O diretor João Jardim, disse em entrevista que é impossível contar a vida de Getúlio Vargas apenas em um filme. Realmente ele tem razão, talvez seja necessário uma trilogia, assim como fez o jornalista e biografo Lira Neto que escreveu a melhor e mais detalhada biografia de Getúlio Vargas em três volumes; os dois primeiros livros da trilogia já foram lançados, o terceiro e último deve chegar até o fim do ano nas livrarias. Tá imperdível!
Assista o trailer do filme Getúlio
Bookmark and Share

QUEIMA DE ARQUIVO

Charge do Aroeira
Bookmark and Share

DIA DO TRABALHO

As comemorações alusivas ao Dia do Trabalho que ocorrem hoje em todo o país prometem ser um grande show! Em ano eleitoral, os palcos das centrais sindicais se multiplicam e se transformam em verdadeira passarela para políticos oportunistas e demagogos. Em São Paulo, a festa das centrais sindicais, CUT e Força Sindical promete levar mais de 1,8 de trabalhadores, artistas, políticos e religiosos.
No Vale do Anhangabaú, a CUT (Central Única dos Trabalhadores) realiza show com vários artistas brasileiros, entre eles, o maestro Antonio Carlos Martins que deve abrir o ato político que terá a presença já confirmada do ex-ministro da Saúde e candidato ao governo de São Paulo, Alexandre Padilha, do ministro do Trabalho, Manoel Dias, do senador Eduardo Suplicy e do prefeito Fernando Haddad.
A Força Sindical promete levar mais de 1,8 milhão de trabalhadores para a Praça Campo de Bagatelle, na zona norte, na capital paulistana. Nos últimos anos, a Força tem economizado na premiação, neste ano não terá o sorteio de um apartamento. Quem comparecer vai concorrer a 19 automóveis Hyundai HB20 0km. Para concorrer aos prêmios, o participante terá de preencher seu cupom e colocá-lo nas urnas disponíveis no local no dia da festa.
Além desses sorteios, a Força também contará com shows de artistas como Latino, Sam Alves, Cristiano Araújo, Paula Fernandes, Sorriso Marto, Fernando e Sorocaba; João Neto & Frederico, Pixote, Patati e Patatá, Lucas e Lucco e Rionegro & Solimões.
Convidados pela Força Sindical em São Paulo, alguns políticos já confirmaram presença: o senador e presidenciável Aécio Neves (PSDB-MG),  Eduardo Campos, ex-governador de Pernambuco e presidenciável pelo PSB. Outros políticos também deve aparecer, entre eles, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB) e o prefeito Fernando Haddad (PT).
A presidente Dilma não estará em nenhum palanque das centrais sindicais. Sobre o Dia do Trabalho, a presidente Dilma se dirigiu aos brasileiros em um pronunciamento em rede nacional de rádio e tv, nesta quarta-feira, 30, no qual mostrou um pacote de bondades, como o reajuste em 10% do programa social Bolsa Família e a correção na tabela do imposto de renda. É uma jogada política que obriga a oposição a ficar calada para não ficar mal na foto com os beneficiários.
Bookmark and Share