quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

ESCOLHAS DE DORIA

Editorial Folha de S.Paulo
O tucano João Doria merece crédito por guardar consigo um exemplar da edição de 1º de janeiro de 2017 desta Folha, na qual se listaram 118 promessas feitas durante a campanha vitoriosa para prefeito de São Paulo. No mínimo, é um indicativo bem-vindo da disposição de prestar contas.
Encerrado o primeiro ano de mandato, um levantamento deste jornal aponta que apenas 11 daqueles objetivos (9%) estão plenamente cumpridos; mais da metade (53%) se encontra em ritmo lento de execução ou parada.
Doria contesta: de acordo com seus critérios, dá andamento a cem de seus compromissos –apenas 18 não teriam avançado.
A divergência é compreensível a esta altura, dado que há de fato uma boa margem de subjetividade na análise de metas fixadas para um período de quatro anos.
Num exemplo, o prefeito considera em estágio adiantado a venda do Anhembi, parte do programa de privatizações que compõe o capítulo mais inovador de seu plano de governo. Argumenta que já se aprovou lei autorizando a operação; a Câmara Municipal, porém, condicionou o negócio a novas regras de zoneamento para a região.
O episódio, aliás, ilustra em larga medida o conflito entre as expectativas alimentadas pelo tucano –que se apresentou na campanha como gestor com grande disposição para o trabalho– e a realidade da administração cotidiana, em que cada passo depende de arrastadas negociações legislativas.
Desde o início parecia claro que os exageros do marketing de Doria potencializavam o risco de decepção popular, afinal materializada na queda, de 44% para 29%, da parcela dos paulistanos que aprovam sua atuação.
Para tanto contribuiu ainda, tudo indica, a pretensão açodada do tucano de lançar seu nome na corrida presidencial, diante da fragilização de expoentes de seu partido.
Fato é que o prefeito neófito dá mostras de ter aprendido algo com os próprios erros, quando menos em termos de estratégia política. Admitiu deficiências da gestão, em particular na área da zeladoria; não trata mais as críticas como mera picuinha de adversários.
Com três quartos do mandato pela frente, ainda conserva plenas chances de se confirmar como uma novidade da vida pública nacional. Sua equipe, em geral, é qualificada; seu programa exibe propósitos corretos. O cenário da economia e da arrecadação tributária, ademais, tende a ser mais favorável daqui para a frente.
A menos, claro, que Doria decida perseguir outra candidatura, agora ao governo do Estado. Nessa hipótese, será difícil acreditar em alguma contribuição original sua a mais de duas décadas de hegemonia do PSDB no Bandeirantes.
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ADMIRÁVEL MUNDO NOVO

Hubert Alquéres, Blog do Noblat
Mais uma vez o Brasil é retardatário. Ainda estamos com os dois pés no século 20, tentando responder a uma agenda de reformas necessárias que h á tempos deveria ter sido equacionada. A velha polarização esquerda/direita, um anacronismo reduzido à insignificâ ncia em países como a França e a Alemanha, ainda dá o tom na política brasileira.
A Europa e os Estados Unidos concentram suas energias na corrida da inovação e em busca de respostas para os desafios de um mundo em intensa transformação. Estão focados na Quarta Revolução Industrial e no mundo novo que virá a partir da disseminação da inteligência artificial e da robótica.
Já as nossas estão voltadas para fazer a reforma de uma previdência estruturada quando estávamos na era da segunda revolução industrial, com p rodução intensiva de mão de obra. Também pensamos reformar o sistema tributário com os olhos focados no retrovisor, sem levar em conta as alterações no modo de produzir e de como a sociedade vai se estruturar com as mudanças advindas da neorevolucao tecnológica.
Certamente, não estamos respondendo como será o sistema tributário da sociedade do “não-trabalho” e qual será o sistema de proteção social para o imenso exército dos sem-trabalho. O desafio, portanto, será bem maior do que o de  ter um sistema previdenciário exequível.
Não se pode reagir diante da robótica e da inteligência artificial da mesma maneira da classe operária inglesa descrita por Engels. Nos meados do Século XIX operários destruíam máquinas para impedir a substituição da manufatura por máquinas industriais.
Em todas as eras as revoluções tecnológicas trouxeram enormes benefícios para a humanidade. Não será diferente com a Quarta Revoluç&at ilde;o. Sem dúvida, impactará, e para melhor, em nossas vidas.
Surpreendentemente foi Luciano Huck quem fez uma boa provocação por meio do artigo “Tá Ligado?” publicado recentemente no jornal Folha de S. Paulo. Ali ele dá uma pálida ideia do admirável mundo novo que se anuncia: “sim, os carros serão autônomos muito em breve. Sim, o córtex humano estaráconectado à nuvem. Sim, vamos poder fazer download de nossa memória. Sim, vamos usar minérios vindos do espaço. Sim, você poderá escanear seu corpo em casa, gerando um diagnóstico imediato. Sim, a inteligência artificial é uma realidade e irá engolir o mundo.”
De fato, haverá enormes ganhos para a humanidade. Pela primeira vez está dada ao homem a possibilidade de se livrar do trabalho enfadonho e repetitivo, podendo direcionar sua energia e tempo para a sua realização pessoal.
Nos meados do século XIX, quando a jornada de trabalho era de 12 horas, o escritor e jornalista francês Paul Lafargue escreveu sua obra polêmica “O Direito à Preguiça”. Pois bem, não estão distantes os dias em que o homem poderá usufruir desse direito sem ter a sua sobrevivência ameaçada.
A globalização iniciada nas últimas décadas do século passado retirou centenas milhões de pessoas da linha da pobreza e democratizou o consumo tornando os produtos acessíveis para camadas antes excluídas do mercado de massas. Esse processo se intensificará em escala exponencial com a Quarta Revolução Industrial. A massa de riqueza gerada será suficiente para resolver as crises humanitárias e para financiar um mundo ambientalmente sustentado.
Mas como as revoluções industriais antecedentes, a Revolução 4.0 também terá seus impactos negativos.  A robótica e a inteligênc ia artificial substituirão 47% da mão de obra tradicional. O novo desafio é o que fazer com esse exército de deslocados, tanto para dar sentido a suas vidas, como para garantir a sua sobrevivência.
Propostas antes tidas como lunáticas são debatidas no santuário da inovação tecnológica, o Vale do Silício.  Mentes arejadas como a de Bill Gates apontam a tributação dos robôs como um dos caminhos para o financiamento da alocação do contingente dos “sem-trabalho”&n bsp;em outras atividades sociais. A ideia da renda mínima universal é experimentada na Finlândia é admitida por políticos antenados como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
O grande desafio para as próximas décadas é definir como serão repartidos os benefícios gerados pela robotização e pela intelig ência artificial. Com elas, estarão criadas as condições objetivas não apenas para o homem se livrar do trabalho pesado e repetitivo. Também estarão dadas as condições para a conquista da igualdade, bandeira que a humanidade persegue desde a Revolução Francesa.
Nesse quadro a questão da distribuição da riqueza é o grande objetivo a ser perseguido na primeira metade do século 21, assim como a democracia foi o grande valor que se afirmou ao final do século 20.
Não se trata de um simples retorno ao Estado de Bem-Estar Social, pois isto seria inexequível. Mas de reinventá-lo nas condições da sociedade do conhecimento. Por aí o admirável mundo novo poderá ser o reino da prosperidade, da liberdade e da felicidade.
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UM SUPLENTE CONDENADO

A deputada Cristiane Brasil (PTB-RJ), que assumirá nos próximos dias o Ministério do Trabalho, será substituída na Câmara por um suplente condenado à prisão por exploração sexual de menores de idade. Nelson Nahin (PSD-RJ) passou quatro meses preso em 2016, mas foi solto graças a uma liminar concedida pelo ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF). Três meses depois, chegou a assumir uma cadeira na Câmara, na vaga de Índio da Costa (PSD-RJ). Exerceu o mandato por apenas 14 dias em janeiro do ano passado.
Nahin é irmão do ex-governador Anthony Garotinho (PR-RJ), de quem é rival político. Condenado em primeira instância a 12 anos de prisão por estupro de vulnerável, coação no curso do processo e exploração sexual de adolescentes, o suplente ficou preso de julho a outubro de 2016 na prisão, cumprindo pena determinada pela juíza Daniela Barbosa Assunpção, da terceira Vara Criminal de Campos dos Goytacazes (RJ). Antes dela, outros 17 magistrados se declararam impedidos de julgar o caso, que envolvia empresários e autoridades do município.
Meninas de Guarus
O caso que levou à condenação de Nahim ficou conhecido como “Meninas de Guarus”, referência a uma localidade de mesmo nome em Campos, onde garotas pobres eram mantidas encarceradas e submetidas a exploração sexual.
Além dele, outras 13 pessoas, entre ex-vereadores e empresários, foram condenadas por participação no esquema. De acordo com o Ministério Público, 15 meninas foram mantidas em cárcere privado, entre 2008 e 2009, e só deixavam o local para fazer programas sexuais. Em troca, recebiam parte do valor pago pelo cliente, comida e drogas.
Conforme o processo, as vítimas ficavam em um ambiente fechado, presas a correntes e cadeados, sob permanente vigília armada. Além disso, reforça a acusação, as crianças e as adolescentes eram obrigadas a consumir drogas como cocaína, haxixe, crack, maconha e ecstasy antes dos programas. Segundo a acusação, crianças e adolescentes de 8 a 17 anos tinham de fazer até 30 programas por dia.
Liberdade no STF
Ex-presidente da Câmara de Campos, o ex-vereador chegou a ser prefeito interino do município durante o período em que a então prefeita Rosinha Garotinho, sua cunhada, esteve afastada do cargo pela Justiça eleitoral.
Preso em junho de 2016, assim como os demais condenados no caso, Nahim só deixou a prisão no final de outubro do mesmo ano, após conseguir uma liminar em seu habeas corpus (HC 137697) no Supremo Tribunal Federal. Lewandowski garantiu a ele liberdade até que seu recurso seja examinado no mérito.
Nahim apelou ao Supremo depois que o desembargador Antonio José de Carvalho negou o seu pedido de soltura por considerar que a prisão do político e de outros acusados era primordial à segurança de partes envolvidas no processo. Com o foro privilegiado garantido a deputados, senadores e outras autoridades, ele só poderá ser julgado agora pelo Supremo enquanto estiver no exercício do mandato.
Nahim chegou a ser preso também em 2014 por coação de testemunhas no mesmo caso. O deputado sempre negou envolvimento com os crimes atribuídos a ele. Garotinho diz que “está afastado de seu irmão” há pelo menos sete anos e que sequer “mantém relações políticas” com ele.
O Congresso em Foco não conseguiu localizar o suplente de deputado. 
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UM RECORTE SOBRE O AMOR

Carlos de Almeida Vieira, Blog do Noblat
Um recorte sobre o amor no Séc. XXI

No livro de Cristina Nehring Em defesa do Amor-resgatando o romance no século XXI, Ed. Best Seller, há um capítulo inquietante e provocador. A começar com o título, onde há uma citação de Ralph W. Emerson: "É preciso haver dois antes de haver um: o amor como ausência”. Escreve Cristina: “Se o mito de Tristão e Isolda é uma história de transgressão, é igualmente uma história de separação - tanto geográfica quanto sexual. Por que os amantes dizem adeus uns aos outros o tempo inteiro? Por que, na frase de Denis de Rougemont, eles, ‘não perdem uma única oportunidade de se separar?’ É como se soubessem que, para sentir saudade um do outro, nem sempre podem ter um ao outro. Será que eles sentem que, o sal da separação autoinduzida, é possível que o amor deles se torne insípido?”
Junta, separa, separa junta, esse movimento ambivalente quer o que? O reasseguramento do amor de um pelo outro e vice-versa? A escritora fala em “dramatizar efeitos afrodisíacos da ausência”, e lembra também da história de Dante e Beatriz. Unidos, porém fendidos. Juntos, porém afastados. O movimento eterno do amor. A gangorra infinita da paixão! Não ocorre a Cristina, escritora, lembrar que uma relação mais amadurecida vem a ser aquela que os dois amantes são juntos-separados, ou seja, como elaboração da separação, da fusão, cada um tem sua individualidade própria, ainda que estejam juntos. As pessoas, se observamos com mais sensibilidade, são juntas e separadas. Há uma solidão, uma "soledade" implícita no par, mesmo que se amem e se protejam. Essa condição existencial é parte do viver a vida, cada dia tentando ter uma vida própria, e não uma fusão mortífera, onde os dois não se reconhecem como alteridade, e sim fazem um par-fusão, fundidos sem identidade própria e sem amor próprio.
Esse é um drama do século XXI, para não ter perdas e não se perder no outro, sinônimo de morte do amor, hoje, as pessoas se defendem do amar. É um tipo de anorexia afetiva como defesa de uma relação voraz, vampiresca.
Isso reedita a primeira relação, a relação com a mãe - uma relação fusional, com uma fantasia inconsciente de posse. É evidente que, vale a pena considerar que tanto o filho(a) e a mãe, ou quem tem a função materna, são responsáveis, pois reflete uma dificuldade de elaborar a separação, tanto um quanto o outro. Esse amor “porto-seguro”, “interminável”, “eterno”, é uma metáfora para suportar o desconhecido, a dúvida, a incerteza e a mortalidade.
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É HORA DE DAR TCHAU

BRASÍLIA — O governo Michel Temer teve a terceira baixa de ministro em menos de um mês. O comandante do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, Marcos Pereira, deixou a pasta nesta quarta-feira. Ele enviou uma carta ao presidente da República para solicitar o seu afastamento do cargo por questões pessoais e partidárias. Prometeu, entretanto, que ele e seu partido, o PRB, continuarão comprometidos com as reformas. Marcos Pereira é um dos ministros investigados na Operação Lava-Jato.
“Senhor presidente, agradeço imensamente a confiança e fico lisonjeado pelo convite para continuar no cargo até 31 de dezembro, porém preciso deixar ministério para poder me dedicar a questões pessoais e partidárias”, disse o ministro na carta enviada nesta manhã ao presidente Temer. “Eu e meu partido, PRB, apoiamos as reformas e continuaremos apoiando tudo aquilo que for bom para o país.
À tarde, o ministro publicou a carta enviada ao presidente Michel Temer em sua página no Facebook. Nela, disse que foi para o governo contra vontade de alguns conselheiros. Disse que a opinião pública era de que um pastor não teria condições de exercer a função, “mas avanço nesse 20 meses de trabalho incansável provaram que o problema do Brasil não é a fé das pessoas públicas, que é de foro íntimo, mas a vontade de cada um para servir realizar”.
Ele fez um apanhado dos seus feitos à frente da pasta. Disse que reposicionou a imagem do Brasil no exterior. Esteve em 15 países em todos os eventos econômicos relevantes. Renovou o acordo bilateral automotivo com Argentina. Criou fórum permanente de discussão com ministros de comércio exterior do Mercosul. E colocou para funcionar o módulo de exportação do portal único do começo exterior. E ainda teve 1.500 audiências com empresários.
“Não há emprego sem empresas fortes, bem tratadas, que possam continuar gerando riquezas. Se o Estado não atrapalhar, já ajuda. E o melhor programa social é o emprego”, disse o ministro, que admite que não conseguiu fazer uma política industrial para o setor automotivo.
“Assumimos o governo falido, despedaçado, com todos os índices econômicos negativos e sem perspectiva de melhora vista. Com coragem, enfrentamos os desafios que foram impostos e hoje podemos observar um país que encontrou curso novamente, apesar das dificuldades políticas”.
O pedido de demissão veio no mesmo dia da divulgação dos dados da balança comercial. Os números foram comemorados pelo ministro.
“A balança comercial bateu dois recorde seguidos em 2016 e 2017 com saldos de US$ 47 bilhões e US$ 67 bilhões, respectivamente”, frisou. “ A indústria está retomando sua capacidade instalada de produzir, gerando novos empregos e novos investimentos”.
O ministro ressaltou que não fez grandes mudanças estruturais na pasta para acomodar aliados. Disse que priorizou os “bravos servidores”.
Não foi apenas a equipe do Ministério da Indústria que foi pega de surpresa com o pedido de demissão do ministro Marcos Pereira, o próprio presidente Michel Temer teria se surpreendido, de acordo com fontes ouvidas pelo GLOBO. Na conversa que os dois tiveram nesta quarta-feira, ele teria dito que precisa cuidar do partido porque pretende aumentar o número de senadores e deputados nas próximas eleições.
Segundo o relato que fez para sua equipe, Marcos Pereira teria colocado o nome do secretário-executivo do MDIC, Marcos Jorge de Lima, à disposição para ficar interinamente à frente da pasta. No entanto, nem mesmo o próprio técnico estava preparado para a mudança.
Ele estava em recesso. Foi passar as festas de fim de ano com a família em Roraima. Nesta quarta-feira, foi convocado às pressas para assumir o posto.
Lima também é filiado ao PRB e será candidato nas próximas eleições. Por isso, deve permanecer no máximo até o fim do primeiro trimestre à frente da pasta.
Marcos Pereira falou a interlocutores que ofereceu a Temer nomes do PRB para assumir o posto. Pela manhã, logo após falar com o presidente, o ministro convocou uma reunião com a equipe para após o almoço. Antes mesmo do encontro com o chefe, os técnicos souberam da demissão pela imprensa.
A carta nem chegou a ser revisada pelos assessores mais próximos. Por isso, alguns erros de pontuação foram ironizados pelos corredores do ministério. O ministro estava numa disputa interna com o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. O pastor defendia estender benefícios fiscais para o setor automotivo, mas encontrou a resistência do chefe da equipe econômica que defende o ajuste fiscal.
LAVA-JATO
Marcos Pereira é investigado na Operação Lava-Jato. O dono da JBS, Joesley Batista, disse em sua delação que pagou R$ 6 milhões de propina ao pastor e ao seu partido. O acordo teria sido intermediado por um dos vice-presidentes da Caixa Econômica Federal em troca da liberação de empréstimo no banco.
Num dos áudios entregues à Procuradoria-Geral da República, incluídos na complementação da delação premiada de Joesley, o empresário conversa com o vice-presidente corporativo da Caixa, Antonio Carlos Ferreira, que seria um intermediário do ministro.
— E aquele outro movimento por fora, com o Marcos? — pergunta Ferreira a Joesley, que responde: — Ah, então, ele teve lá, eu fiz mais uma, mais outra. Eu sei, sei, não, eu sei, mas assim, dos seis, faltam 1.800, acho. Eu fiz mais 500, 600, tá faltando, tá faltando três. Com mais três resolve, tá?”
Três dias após a divulgação desse áudio, o ministro Marcos Pereira entrou de férias.
MINISTÉRIO DO TRABALHO
Temer abriu o ano com uma polêmica envolvendo a vaga de ministro do Trabalho. O ex-presidente José Sarney negou que tenha vetado o nome do deputado Pedro Fernandes (PTB-MA) para a Pasta, como o próprio parlamentar afirmou. Sarney disse que não foi consultado e que não vetaria um nome do Maranhão.
Nos bastidores, o ex-presidente ficou irritado de ter tido seu nome envolvido na polêmica. Apesar do desmentido, na prática, Sarney continua sendo um dos cacique do PMDB e influente dentro do governo de Michel Temer.
O presidente nacional do PTB, deputado Roberto Jefferson, se reúne no início da tarde desta quarta-feira com o presidente Michel Temer para definir o nome do partido para o Ministério do Trabalho.
O presidente Michel Temer pediu ao presidente do PTB, Roberto Jefferson, que o partido indique um novo nome para o cargo. No dia 27 de dezembro, Ronaldo Nogueira, do PTB, deixou o ministério, e o comando do partido indicou Fernandes para Temer.
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BALANÇA COMERCIAL

A balança comercial teve um superavit de US$ 67 bilhões em 2017, melhor resultado da série histórica iniciada em 1989, de acordo com dados divulgados nesta terça-feira (2) pelo Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços.
As exportações somaram US$ 217,7 bilhões no ano passado – um crescimento de 18,5% em relação a 2016 quando se leva em conta a média diária, usada para excluir os efeitos de mais ou menos dias contabilizados em cada ano.
Já as importações somaram US$ 150,7 bilhões em 2017, ou seja, alta de 10,5% na média diária.
O saldo positivo do ano representou um aumento de 40,5% na comparação com 2016, ano em que o superavit já havia sido recorde, de US$ 47,7 bilhões.
Os destaques das importações no ano foram combustíveis e lubrificantes (crescimento de 42,8%), bens intermediários (insumos para elaboração de produtos), com alta de 11,2%, e bens de consumo, cujas compras de outros países subiram 7,9%.
Já as importações de bens de capital (máquinas e equipamentos), que só reagiram nos últimos meses do ano, tiveram queda de 11,4% na comparação com 2016.
No caso das vendas de produtos brasileiros para outros países, todas as categorias se destacaram, como as exportações de produtos básicos (alta de 28,7%), semimanufaturados (+13,3%) e manufaturados (+9,4%).
Em dezembro, o saldo comercial foi positivo em US$ 4,9 bilhões, valor 13,2% maior do que o registrado no último mês de 2016 pela média diária.
As exportações somaram US$ 17,6 bilhões, alta de 21,4% na comparação com dezembro do ano retrasado, e as importações US$ 12,6 bilhões, crescimento de 20,2% na mesma comparação.
Da Folhapress, via Gazeta do Povo
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INCONGRUÊNCIA MINISTERIAL

Do G1
O presidente Michel Temer aceitou nesta quarta-feira (3) a indicação da deputada Cristiane Brasil para ministra do Trabalho.
O nome da deputada foi levado ao presidente, segundo informou o Blog do Camarotti, em uma reunião no Palácio do Jaburu entre Temer e o pai dela, o ex-deputado Roberto Jefferson, presidente nacional do partido e condenado pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do mensalão – em março de 2016, ele obteve o perdão da pena.
Após a reunião com Temer e o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, Jefferson, em entrevista coletiva, confirmou a indicação e disse que o presidente aceitou (leia íntegra de nota oficial ao final desta reportagem). O ex-deputado chorou ao fazer o anúncio (veja no vídeo abaixo).
"Eu não indiquei [a própria filha], surgiu o nome dela", disse o ex-deputado. Segundo Jefferson, consultado, o líder do PTB na Câmara, deputado Jovair Arantes (PTB-GO), "anuiu".
De acordo com o presidente do PTB, a nomeação deve ser publicada na edição desta quinta (4) do "Diário Oficial da União", e a posse está prevista para a semana que vem.
O cargo de ministro do Trabalho está vago desde o último dia 27, quando Ronaldo Nogueira (PTB-RS) deixou o posto para retomar as atividades como deputado na Câmara. Ele argumentou, ao se demitir, que pretende se candidatar à reeleição.
De acordo com Jefferson, Cristiane Brasil não vai se candidatar à reeleição e, por isso, tem condições de permanecer no ministério até o final do mandato de Temer.
Jefferson afirmou que, em vez da filha, ele próprio vai se candidatar a deputado, mas por São Paulo e não pelo Rio de Janeiro, estado de origem da família e pelo qual a filha é parlamentar.
Inicialmente, o indicado do PTB para ministro do Trabalho foi o deputado Pedro Fernandes (PTB-MA). O parlamentar chegou a dizer que tinha sido convidado e que aceitou. Mas nesta terça-feira (2), ele afirmou que não assumiria mais a pasta por ter sido "vetado" pelo ex-presidente José Sarney (PMDB), que negou o suposto veto.
O parlamentar maranhense disse que "não deu" para ser ministro porque seu nome criaria "embaraço" entre o presidente Michel Temer e Sarney, um dos políticos mais influentes do PMDB e do Maranhão, base eleitoral de Pedro Fernandes.
'Resgate'
Na entrevista em que anunciou que a filha será ministra do Trabalho, Roberto Jefferson se emocionou e não conteve as lágrimas diante dos jornalistas.
Segundo ele, a chegada de Cristiane à Esplanada é um "orgulho" e um "resgate". Questionado se tratava-se de um resgaste da sua carreira e da família, após a condenação de no mensalão, Jefferson concordou.
Jefferson foi perguntado se foi um erro ter indicado o deputado Pedro Fernandes (PTB-MA) para o ministério, uma vez que ele está em campo oposto ao do ex-presidente José Sarney no Maranhão.
Para o petebista, disse que não imaginava a reação, que ele definiu como um "embaraço". "Na hora em que vem o nome, a gente não pensa em desdobramento do presidente Sarney", disse.
Jefferson também foi questionado na entrevista sobre a saúde do presidente Michel Temer. Segundo ele, Temer está com a voz "surdinada", mas com aparência "ótima", "mais magro" e "mais corado".
Temer reduziu o ritmo de trabalho na virada de 2017 para 2018. Em dezembro, passou por cirurgia para desobstruir a uretra e ainda teve lidar com uma infecção urinária nos últimos dias. Nesta quarta, o presidente despachou pela manhã do Palácio do Planalto e à tarde seguiu para o Jaburu.
Perfil
Cristiane Brasil, de 44 anos, é advogada pela Universidade Católica de Petrópolis, cidade onde nasceu.
Em 2014, se elegeu deputada federal pela primeira vez. Antes, foi vereadora do Rio de Janeiro por três mandatos. Em 2009, comandou a Secretaria Municipal do Envelhecimento Saudável e Qualidade de Vida.
Na Câmara, votou a favor do governo Temer em temas importantes para o Palácio do Planalto, como a proposta de emenda à Constituição (PEC) do teto dos gastos públicos, a reforma trabalhista e as denúncias contra o presidente.
Sem inquéritos no STF
Atualmente não há nenhum inquérito em tramitação sobre Cristiane Brasil no Supremo Tribunal Federal (STF).
Em 2015, foram abertas duas investigações sobre a deputada para apurar supostos crimes eleitorais na eleição de 2014, mas os dois casos foram arquivados por falta de provas de seu envolvimento. Nos dois inquéritos, o próprio Ministério Público, responsável por acusações, pediu o arquivamento.
Em um inquérito, ela era suspeita de fazer propaganda irregular no dia da votação de segundo turno, quando foi vista com um grupo de pessoas que carregavam bandeiras em apoio ao senador Aécio Neves (PSDB-MG) e ao governador Luiz Fernando Pezão (PMDB-TJ). Depoimentos confirmaram que ela não participava de atos de campanha, só cumprimentou amigos.
Em outro caso, ela era suspeita de corrupção eleitoral, mediante fornecimento de exames oftalmológicos e óculos em troca de espaço na casa de eleitores para afixar propaganda, além de bancar festa para obter votos. Moradores e testemunhas negaram os fatos, apontados em denúncia anônima.
Citação em delações
A deputada, contudo, apareceu no ano passado nas delações feitas pela Odebrecht e pela J&F – mesmo assim, não foi aberta qualquer investigação.
Executivos da Odebrecht apontaram Cristiane Brasil como possível destinatária de parte da propina paga pela construtora a pedido do deputado federal Pedro Paulo (PMDB-RJ), na condição de coordenador de campanha do ex-prefeito do Rio de Janeiro Paes (PMDB-RJ).
Em abril, quando o caso veio à tona, a deputada disse que os contatos que já teve com executivos da empresa se limitaram a eventos institucionais.
No caso da J&F, o executivo Ricardo Saud disse que a empresa contribuiu para Aécio Neves comprar apoio de partidos políticos na eleição, com R$ 100 milhões. Cristiane seria o canal no PTB, que teria levado R$ 20 milhões para aderir à campanha do tucano. A deputada não se pronunciou à época da delação, em maio.
Nota da Presidência
Leia abaixo a íntegra de nota divulgada pela Presidência da República sobre a nomeação de Cristiane Brasil:
Nota à imprensa
O presidente Michel Temer definiu hoje que a deputada federal Cristiane Brasil será a nova ministra do Trabalho. O presidente recebeu na tarde desta quarta-feira a indicação oficial feita pelo PTB.
Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência da República
* Colaborou Guilherme Mazui, do G1, em Brasília
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UMA QUESTÃO DE ESTILO

Fabio Giambiagi, O Globo
Todo democrata fica admirado quando assiste na televisão ao espetáculo do primeiro-ministro indo para a Câmara dos Representantes do Povo, na Grã-Bretanha, prestar contas do seu mandato.
Seja com o tom cortante de uma Lady Thatcher, com o carisma de Tony Blair ou com o estilo acinzentado dos sucessores deste, é difícil não sentir inveja do espetáculo que é o debate de alto nível propiciado por essa prática ancestral.
Mesmo quando há uma intensa rivalidade política em jogo, o ataque parlamentar não é incompatível com o diálogo, ainda que permeado pelas tensões inerentes à disputa política. O antagonismo entre conservadores e socialistas na Espanha é uma marca das disputas partidárias naquele país.
Lembro sempre o discurso ferino com o qual o líder da oposição saudou o então jovem primeiro-ministro Aznar — até então visto, equivocadamente, como uma figura apagada e sem destaque — após anos de estrelato de Felipe González na condução dos destinos do país: “Em geral, a oposição pede para os governantes irem embora.
Neste caso, porém, eu lanço outro tipo de desafio, depois destes anos nos quais o atual partido oficialista dedicou-se apenas ao exercício da crítica e vos digo: ‘Governem!’”. Salta aos olhos o teor ofídico do discurso. E, não obstante isso, no meio dessa rivalidade foi possível gestar acordos que foram muito importantes para os avanços do país, como os Pactos de Moncloa e de Toledo.
Já enfatizei neste espaço no passado a necessidade de construir alianças em nome da governabilidade, seja para permitir a formação de uma coalizão governante que consiga apoiar uma série de reformas no Congresso, seja no sentido de ampliar o espaço do centro no jogo político, evitando radicalizações que podem comprometer, justamente, a viabilidade dessas reformas.
Um ingrediente importante, porém, desse clima que terá que ser construído é o bom relacionamento entre governo e oposição, para além das “pancadas por baixo da mesa” que são comuns ao jogo político-partidário em qualquer democracia.
Explico: por maior que seja o entrosamento entre os membros de um governo — e o leitor sabe como será difícil cultivar a harmonia entre os sete ou oito partidos que continuarão sendo necessários para montar uma coalizão que consiga ter 308 votos na Câmara de Deputados para aprovar uma Proposta de Emenda Constitucional —, o dia a dia do país será complicado se a oposição agir única e exclusivamente com o propósito de criar problemas para o governo.
A não ser em democracias de fachada, nas quais na prática o governante pode tudo; ou em situações excepcionais em que um presidente ou primeiro-ministro forma uma maioria parlamentar acachapante — como no caso da França atualmente —, para que o Congresso possa operar é preciso ter algum grau de boa vontade da oposição.
Isso envolve certas regras de fair play, baseadas em parte nas boas normas da educação e, também, no pressuposto de que um dia os papéis podem se inverter e quem é oposição pode vir a ser governo e depender dessa mesma compreensão.
Vimos no Brasil, em 2015, numa situação extrema, com a discussão da famigerada “pauta bomba” em plena “guerra quente” entre Eduardo Cunha e Dilma Rousseff, o tipo de problemas que um Congresso hostil pode causar.
Seria um desastre que algo assim se repetisse no futuro. Por isso, será muito importante que, em 2019, existam condições de diálogo entre o governo e a oposição. Isso significa ter os interlocutores certos em cada lado. A rivalidade política não deve ser incompatível com a cordialidade.
Vou dar aqui um pequeno e modesto depoimento pessoal. Não sou político e nem um técnico muito rodado em negociações com parlamentares, mas, sendo participante relativamente ativo do debate econômico, já tive oportunidade de debater com deputados que tinham posições antagônicas com as minhas.
Não obstante isso, foi um prazer manifestar as ideias de forma civilizada, sem nenhuma agressividade ou acusação descabida, diante de pessoas educadas como os deputados Arlindo Chinaglia, Alessandro Molon ou Chico Alencar.
O Parlamento precisa resgatar a cordialidade que existia no trato entre Jarbas Passarinho e Nelson Marchezan, de um lado; e Paulo Brossard, Ulysses Guimarães e Tancredo Neves, de outro... na época do governo militar!
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quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

REFORMAS PARA ALÉM DA PREVIDÊNCIA

Editorial O Globo
A sociedade brasileira enfrenta um momento crítico nas finanças públicas, e dependerá da sua posição nas urnas sobre o que fazer, se o país dará um salto de qualidade no manejo das finanças ou continuará cambaleante, em círculos, alternando surtos de crescimento, só na aparência sustentável, com fases corretivas em meio à inflação e recessão. Como a de que se está saindo.
Em entrevista antes da virada do ano a “O Estado de S.Paulo”, a secretária do Tesouro, Ana Paula Vescovi, expôs o cenário: como as despesas se aproximam do teto constitucional, é preciso fazer escolhas.
Algo a que governos e políticos em geral não estão acostumados. Continua dominante a visão arcaica, e errada, de que dinheiro público sempre aparece quando dele se precisa.
Porém, não é mais assim, com inflação civilizada e controles como a Lei de Responsabilidade Fiscal e o próprio teto inscrito na Constituição.
A crise do Rio de Janeiro é cabal demonstração de que Estado também quebra. Que o digam servidores, aposentados e pensionistas da máquina burocrática fluminense.
A secretária foi feliz ao citar o reajuste do funcionalismo previsto para o ano que vem, adiado pelo governo, de maneira sensata, por MP, mas que foi derrubado monocraticamente pelo ministro do Supremo Ricardo Lewandowski.
Na penada do ministro, surgiu automaticamente um buraco de R$ 6 bilhões no Orçamento deste ano, a ser coberto de alguma maneira. Que os políticos escolham onde cortar.
Tende a ser, como sempre, nos investimentos, passíveis de cortes, e já bastante baixos, e em algumas despesas de custeio.
O resultado é que haverá menos dinheiro ainda para a conservação de estradas, onde acidentes matam bastante a cada feriadão, como o que passou.
Os desastres, por sua vez, aumentam a pressão sobre postos de atendimento de emergência e hospitais públicos, também vítimas da crise fiscal. Este é o encadeamento derivado da decisão tomada por Lewandowski.
A secretária, na entrevista, abordou, na verdade, o enorme efeito pedagógico do teto constitucional conjugado com a Lei de Responsabilidade — que mostrou sua eficácia no impeachment de Dilma — e da “regra de ouro”, também inscrita na Carta.
Segundo a qual, não é possível o Estado emitir títulos para financiar gastos correntes. Ele o faz costumeiramente para rolar a dívida (daí ela continuar em ascensão). Mas não pode emiti-los para bancar aposentadorias, salários de servidores, custeio da máquina, gastos, enfim, de custeio. E se está perto disso.
Por isso, ainda segundo Vescovi, além da reforma da Previdência, imprescindível, vai ser preciso rever o excesso de despesas obrigatórias, que engessam o Orçamento. Além da indexação desses gastos. A crise e o teto forçam a reconstrução das finanças públicas em bases não populistas.
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SEXISMO COTIDIANO

Begoña  Gómez  Urzaiz,  EL PAÍS
Neste ano, muitas mulheres pararam alguns segundos na frente de seu computador ou celular e viram a proliferação de #metoo e #eutambém em sua timeline do Facebook ou seu perfil do Twitter, e se perguntaram: eu também? E um número muito importante respondeu que sim, que #elastambém, apesar de até aquele momento não terem sido vistas como vítimas de agressão sexual, simplesmente porque ser agredida é “o normal”.
A feminista britânica Laura Bates se guiou por uma ideia semelhante, visibilizar o invisível, quando abriu em 2012 seu site Everyday Sexism, na qual qualquer mulher pode denunciar casos de machismo cotidiano, do comentário de um chefe a um anúncio visto no metrô e até — é deprimente, mas é comum — um estupro. Bates reuniu alguns desses testemunhos e refletiu sobre o que significam em um ensaio recomendável, Sexismo Cotidiano, publicado na Espanha pela editora Capitán Swing em outubro deste ano, mas ainda não disponível em português. Estas são algumas de suas conclusões:
1. Se for começar uma frase com o preâmbulo “isso até soa machista, MAS...” talvez seja melhor se calar.
Por exemplo, quando o jornalista Andrew Brown, do Daily Telegraph, disse em relação às categorias femininas das artes marciais nos Jogos Olímpicos de Londres: “Tenho consciência de que isso que vou escrever vai soar totalmente sexista, mas é perturbador ver como todas essas meninas se batem entre si...”. As atletas, inclusive quando se chamam Serena Williams, continuam tendo dificuldades para que seus méritos sejam reconhecidos em si, e não em relação aos homens.
2. Sempre haverá pessoas dispostas a culpar as vítimas.
Isso também comprovamos com desolação nos últimos tempos por conta do caso Weinstein, por exemplo em colunas como a de Mayim Bialik no The New York Times, que sugeriu que uma solução contra o assédio é “vestir-se modestamente” e não sair por aí flertando, e também nos muitos comentários de leitores que qualquer artigo sobre o tema recebe na linha de “ter falado antes”, como se não fosse evidente o tanto que a vítima tem a perder e o pouco que pode ganhar. O blog Everyday Sexism está cheio de testemunhos como esse: “Em uma discoteca em minha universidade, um cara passou do meu lado e subiu a mão por meu vestido, pela parte da frente, de uma forma muito violenta, e depois continuou andando. Fiquei totalmente abalada, furiosa e confusa. Voltei para onde estava meu grupo de amigos e contei a eles o que tinha acabado de acontecer; apatia geral e zero surpresa. Um dos rapazes do grupo disse: ‘É que você está usando um vestido muito bonito esta noite’”.
3. Relaxe, garota. Feminismo é falta de senso de humor.
Bates (que é alta, magra e loira) conta uma história ilustrativa a respeito. Foi a um programa de televisão para falar sobre as “garotas da página 3”, as famosas modelos que apareciam de topless nos tabloides britânicos. O apresentador que a levou aos estúdios da BBC, ao vê-la, deu por certo que ela representava os defensores da página 3, não os contrários. “Era uma pessoa amável, gentil e loquaz, que não parava de falar e contar piadas. Rimos muito até que revelei por acaso de que lado do debate estava. Balbuciou, gaguejou e parou de falar. Depois daquilo a conversa evaporou.” Como afirma a autora, a ideia de feminismo sem humor “é um silenciador incrivelmente potente e efetivo” usado por exemplo para calar e acovardar as mulheres que possam colocar objeções a uma piada machista em um ambiente de trabalho ou na escola. Garota, relaxe, é só uma piada.
4. As mulheres políticas se resumem a tratar “temas de mulheres”...
“A visibilidade das mulheres nos andares mais baixos do poder político é usada muitas vezes como uma camada de verniz em questões de igualdade”, relembra Bates. Preenche-se a cota colocando responsáveis políticas nas áreas tradicionalmente consideradas da esfera feminina.
5. ... e são menosprezadas por isso.
“A sub-representação desanima muitas mulheres políticas a se ocupar de ‘problemas da mulher’ para não ficarem marcadas como fracas”, diz a teórica Kezia Dugdale. A própria ideia de women issues, entendidos como algo que envolve desde a violência de gênero até a política reprodutiva, é extremamente prejudicial, já que parece que os problemas sofridos pelas mulheres são problemas de mulheres, o que não é a mesma coisa. Como se isso não perpetuasse o sistema, e os homens que os sustentam.
6. Elas perdem se têm filhos...
A condição de mãe sempre passará por cima de qualquer outra, qualquer que seja o contexto. No livro se recorda que quando a astronauta russa Yelena Serova se preparava para ir ao espaço depois de anos de treinamento, o que os jornalistas lhe perguntaram foi como isso afetaria a criação de sua filha. Também quando em 2014 se anunciou o nome de Rona Fairhead, embaixadora, ex-presidente do Financial Times Group e conselheira da PepsiCo e do HSBC como candidata a dirigir o BBC Trust, o órgão que regulamenta a rádio e televisão pública britânica, um jornal deu como título: “Mãe de três filhos, pronta para dirigir a BBC”. Ninguém quer que se dê menos importância aos cuidados, mas que sejam importantes para todos. Atualmente circula muito pelas redes uma conversa que ao que parece aconteceu entre a prefeita de Barcelona Ada Colau e o jornalista Antonio García Ferreras. Ele disse a ela: “Prefeita, última pergunta, já que o seu filho te espera”. E ela respondeu: “E o seu espera a você também”. E pronto.
7. ... E perdem mais ainda se não têm.
The New Statesman é uma revista clássica do trabalhismo; o Sunday Times, um jornal mais próximo dos conservadores. Os dois, porém, incorreram no mesmo erro em 2016: publicaram artigos, no caso da revista, na capa, sobre as “líderes sem filhos”, buscando a relação entre as carreiras de Angela Merkel, Theresa May, a escocesa Nicola Sturgeon e outras políticas, e o fato de não terem filhos. A ex-primeira ministra australiana Julia Gillard também foi apelidada por seu rival conservador de “deliberadamente infértil”. Andrea Leadsom, que enfrentou May pela liderança dos tories, por sua vez, se deu mal com a jogada no ano passado. Quando insinuou que sua oponente não podia encabeçar um partido se sequer tinha encabeçado uma família, a opinião pública voltou-se contra ela.
8. O corpo das mulheres grávidas é de domínio público.
“Saí para jantar e, quando fui pagar, o dono do lugar me perguntou sobre minha gravidez. Para minha surpresa, me disse: que bom que você conseguiu manter um peso baixo. É algo importantíssimo”, conta um testemunho de Everyday Sexism. Há centenas de outros exemplos. Qualquer pessoa que tenha passado por isso deparou com desconhecidos espontâneos de ambos os sexos que oferecem mitos médicos sem base, conselhos (conselhos nada, exigências!) de criação e sentenças universais nos locais mais insuspeitos. Como afirma Bates, “a calvície afeta cerca de metade da população masculina a partir dos 50 anos, mas não vemos pessoas estranhas na rua aproximando-se para fazer comentários sobre a escassez de folículos, tocando o couro cabeludo alheio com toda confiança, como se o processo biológico, devido a sua visibilidade, fosse de alguma forma assunto público”.
9. Qualquer ambiente é bom para sexualizar uma mulher.
Bates reúne alguns exemplos que seriam cômicos se não fossem tão trágicos: a vez em que Andrea Thatcher, neta da primeira-ministra, falou em seu funeral e a mídia se entusiasmou: uma jovem loira e exuberante! Aos 15 minutos, o Daily Mail tinha subido pelo menos 20 fotos dela no site. Ou os comentários suscitados por Amanda Knox, Foxy Knoxy para alguns veículos, e Reeva Steenkamp, a mulher sul-africana assassinada por Oscar Pistorius pelo fato de serem brancas, magras e sexualmente objetizáveis.
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UM ANO CRUCIAL

Um ano crucial para América Latina, com eleições no Brasil, no México e na Colômbia
Para a América Latina, 2018 será um ano eleitoral de suma importância. Os dois gigantes da região, Brasil e México, realizarão eleições presidenciais, assim como a Colômbia, quarta economia regional. A Venezuela, protagonista de uma crise política em constante escalada, supostamente também deve convocar uma disputa para presidente. E, em Cuba, Raúl Castro anunciou que este ano abandonará o poder. Veja o que está em jogo.
O Brasil celebra em 7 de outubro sua eleição mais importante e mais imprevisível desde 1989, quando ocorreu a primeira escolha nas urnas de um presidente após o fim da ditadura. A única coisa que se sabe com certeza é que a surpresa daquela eleição, o então líder metalúrgico esquerdista Luiz Inácio Lula da Silva, será também um protagonista da próxima disputa. Não se sabe se Lula, presidente por duas vezes pelo PT e agora recorrendo de uma condenação da Justiça, poderá ser candidato e se, caso não seja, terá, como líder das pesquisas até agora, força para galvanizar apoios em torno do nome que o substituir.
Do lado da centro-direita, também afetada pela Operação Lava Jato, tampouco o panorama é claro. O veterano governador de São Paulo, Geraldo Alckmim, do PSDB, caminha a passos largos para obter a candidatura do seu partido, mas ainda trabalha para obter apoios de mais siglas enquanto tenta vencer sua fragilidade nas pesquisas, especialmente no Nordeste. Há 24 anos no poder do principal Estado do país, tentará conjugar o sentimento anti-Lula com algum aceno de política social num país em que 70% do eleitorado tem renda familiar de até 2 salários mínimos. Não é tarefa fácil, já que parte do apoio entre investidores e empresários depende do endosso de Alckmin a indigestas reformas, como a da Previdência.
Sem falar que Alckmin - ou quem quer que ocupe seu lugar no espectro político-  terá pela primeira vez um adversário não só à esquerda, mas também à direita. A novidade da eleição até o momento é o surgimento da candidatura isolada de extrema direita do deputado e militar reformado Jair Bolsonaro, que aparece em segundo lugar nas pesquisas baseada na pregação contra Lula e até na licença para matar para policiais, um discurso de apelo em um país onde a violência urbana alcança níveis alarmantes. Bolsonaro, por sua vez, terá de provar que sua força eleitoral, é sustentável e perene, o que a maioria dos analistas duvida.
Seja como for, na crise profunda de credibilidade da classe política atual, não se descarta que outsiders venham a surgir. No Brasil, o clichê repetido é que tudo só se define mesmo é na campanha da TV, nas quais os candidatos têm tempo gratuito para se vender aos eleitores de acordo com os apoios partidários que consigam obter. Na divisão do tempo na TV, até o apoio do PMDB, um partido à frente de um Governo com recorde de impopularidade, passa a ter peso. Esse panorama, argumentam, costuma cortar o voo de qualquer outsider. No entanto, com os últimos acontecimentos dentro e fora do país, pode ser que clichês tenham ficado sem validade. Essa será a primeira campanha em que os políticos poderão pagar por propaganda no Facebook, um passo com um potencial imenso e ainda difícil de medir.
O calendário eleitoral já começará, na prática, com tudo neste janeiro. O ano começará com mais um capítulo da novela jurídica de Lula, acusado de ter obtido ganhos pessoais ilícitos como contrapartida por supostamente ter facilitado contratos públicos. Lula já foi condenado em uma das ações pelo juiz Sergio Moro. No dia 24 de janeiro, um tribunal superior vai julgar se confirma ou não a pena. Tudo leva a crer que o ex-presidente deve, sim, ser considerado culpado de novo, o que pela lei que visa tirar os corruptos da política o impediria de concorrer. Ainda assim, resta um longo caminho de contestações judiciais até o Supremo Tribunal Federal e o PT já declarou que vai até o fim para manter Lula na corrida.
Não é uma questão menor: Lula, símbolo de uma era de ouro especialmente para os brasileiros mais pobres, é o favorito isolado nas mais recentes pesquisas, ainda que descontada a efetividade deste tipo de levantamento tantos meses antes das urnas. O instituto Datafolha, de São Paulo, estima que 38% dos eleitores como “lulistas” mais ou menos dispostos a seguir sua indicação. Sem ele na disputa, cresce, por ora, a fatia de brancos e nulos, abrindo ainda mais o campo das incertezas.
MÉXICO
Em 1.o de julho, o México realizará uma eleição presidencial imerso num contexto profundamente difícil. Seis anos atrás, o presidente Enrique Peña Nieto dava ensejo um sexênio de esperança, com uma série de reformas obtidas com o consenso da maioria das forças políticas. Mas a segunda parte do mandato prejudicou – e, em algumas ocasiões, solapou – a imagem do país. Os casos de corrupção atingem continuamente o círculo mais próximo de Peña Nieto e, inclusive, o governante Partido Revolucionário Institucional (PRI). Além disso, a violência tingiu o país de sangue como nunca antes. Ante a ausência de dados oficiais para dezembro, tudo indica que 2017 será o ano mais violento desde que existem registros.
A batalha para suceder Peña Nieto já começou. A campanha eleitoral se anuncia com hostilidades, mais brutal do que nunca e com um possível cenário até agora inédito: três candidatos chegando com chance de vitória até o último momento. Tudo isso em plena renegociação do Tratado de Livre Comércio (TLC) com os Estados Unidos e o Canadá e com a sombra de Donald Trump vindo do norte.
O líder em todas as pesquisas continua sendo Andrés Manuel López Obrador, duas vezes candidato, líder do Movimento de Regeneração Nacional (Morena), um partido que criou à sua imagem e semelhança quando abandonou o PRD no início deste sexênio. Esta será a última vez – segundo ele – que López Obrador tentará chegar à presidência, que perdeu em 2006 por meio ponto para Felipe Calderón. O líder do Morena continua transmitindo uma imagem negativa para um amplo espectro do eleitorado, que o considera uma ameaça para o país – o que vem impedindo que desponte nas pesquisas.
E se alguém tem uma imagem ruim no México atual é o PRI, que, para solucionar seu desgaste, optou por ter como candidato alguém que não milita no partido, embora tenha pedido ao PRI que o faça “seu”: José Antonio Meade. Ex-secretário da Fazenda e único membro do Gabinete de Peña Nieto que esteve no anterior de Felipe Calderón, Meade é a aposta do partido tricolor para se manter no poder, do qual, em 90 anos de história, só esteve longe apenas entre 2000 e 2012.
Como alternativa ao partido considerado “da corrupção” e à ameaça do suposto populismo, apresenta-se Ricardo Anaya, que até semanas atrás era presidente do Partido Ação Nacional (PAN), a tradicional formação opositora do México. Ele lidera a candidatura que seu partido cristalizou ao lado do progressista PRD e do Movimento Cidadão – uma amálgama com muitas divisões ideológicas que, no entanto, podem se consolidar nesta época em que preponderam as emoções.
Enquanto o país espera para ver quantos candidatos independentes poderão participar da batalha final – só Jaime Rodríguez El Bronco e Margarita Zavala, esposa do ex-presidente Calderón, parecem ter lugar garantido –, a única certeza é que os desafios do próximo mandatário do México serão enormes. Além de conter a hemorragia da corrupção e da violência, ele deverá articular, pela primeira vez na história moderna do país, um sistema de Justiça independente que coloque um freio na impunidade galopante.
COLÔMBIA
Em maio de 2018, a Colômbia realiza eleições presidenciais das quais dependerá, em boa medida, a consolidação do processo de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), após o acordo selado em novembro de 2016 pelo Governo de Juan Manuel Santos. O mandatário deixa o cargo após duas legislaturas que deram fim ao conflito armado com a guerrilha mais antiga da América Latina e lhe valeram o Prêmio Nobel da Paz, mas motivaram uma dura oposição de boa parte da sociedade, incentivada por seu antecessor, o ex-presidente Álvaro Uribe.
A partir deste ano, os ex-combatentes terão uma representação garantida no Parlamento – uma das cláusulas dos acordos de paz –, e seu máximo líder, Rodrigo Londoño, “Timochenko”, pretende disputar com os candidatos dos partidos tradicionais. Com esse horizonte, em meio a um clima de elevada polarização social, o país andino atravessa sua transição depois de meio século de guerra. Essa transformação vai repercutir na economia, na arquitetura institucional, na luta contra o narcotráfico, na insegurança que ainda persiste nas zonas rurais e nos principais aspectos da convivência. O próximo chefe de Governo será o encarregado de pilotar essa etapa.
Depois de mais de um ano de pré-campanha, a corrida eleitoral começa a se definir em torno de seis nomes, representantes das principais famílias políticas. As pesquisas projetam um panorama muito fragmentado, com um embate entre quem apoia e quem rechaça os acordos de paz, e a necessidade de formar alianças, no primeiro ou segundo turno ou até antes das eleições legislativas convocadas para maio. Sergio Fajardo, ex-prefeito de Medellín e antigo governador do departamento de Antioquia, encabeça a maioria das pesquisas. Defende a reconciliação do país como prioridade social e evita os rótulos ideológicos. No entanto, disputará com a líder do Partido Verde, Claudia López, e o progressista Polo Democrático, de Jorge Enrique Robledo, sob as siglas da Coalizão Colômbia.
No espectro mais conservador se destacam três figuras: Germán Vargas Lleras, Iván Duque e Marta Lucía Ramírez. O primeiro, dirigente da Mudança Radical, foi vice-presidente de Santos até março de 2016. Duque é o aspirante do Centro Democrático, a legenda de Uribe, mas depois do acordo alcançado por este com o também ex-presidente Andrés Pastrana terá que medir apoios com Ramírez, do Partido Conservador e ex-ministra.
O ex-prefeito de Bogotá Gustavo Petro, que em um sistema político tradicional ocuparia um espaço marcadamente de esquerda, aparece também, por ora, entre os favoritos. Mas seu movimento teria de buscar o apoio de outros setores e não descarta a possibilidade de tentar envolver Humberto de la Calle, mas o candidato do Partido Liberal tem se mostrado cauteloso com relação a seus planos. De la Calle foi chefe da equipe negociadora do Governo com as FARC, é advogado e tem uma extensa carreira política –foi vice-presidente de Ernesto Samper há duas décadas. Seu projeto político busca reduzir o clima de crescente indignação dos colombianos e a desconfiança nas instituições com um programa taxativo contra a corrupção.
VENEZUELA
A Venezuela acaba de encerrar um dos anos mais sombrios de sua história recente. O regime de Nicolás Maduro jogou por terra os últimos recursos que permitiam a existência de um contrapoder na vida pública do país. Desmantelou o Parlamento eleito em dezembro de 2015, de maioria oposicionista, e convocou a eleição de uma Assembleia Nacional Constituinte, uma câmara sem representantes críticos ao chavismo que se transformou em um mero braço executor do Poder Executivo. A oposição rejeitou participar dessas eleições, realizadas em julho, disputou as eleições regionais –em que denunciou fraude– e se dividiu nas municipais, no último trimestre. Houve quatro meses de protestos de rua ininterruptos que deixaram mais de 120 mortos. A tendência hiperinflacionária, a incompetente gestão da política monetária, a repressão, a corrupção e o afundamento da petroleira estatal, a PDVSA, coroam esse dramático panorama.
O país deveria realizar eleições presidências este ano. Maduro já manifestou sua intenção de optar pela reeleição. No entanto, ameaçou fazer isso em condições de abririam o caminho para sua perpetuação no poder, a eliminação da oposição e a consolidação do autoritarismo. O sucessor de Hugo Chávez pretende punir os partidos majoritários da coalizão oposicionista Mesa da Unidade Democrática (MUD) por boicotarem as eleições de prefeitos. O mandatário aproveitou esta circunstância para intimidar os partidos de seus principais adversários (Vontade popular, de Leopoldo López; Primeiro Justiça, de Henrique Capriles; e Ação Democrática, de Henri Ramos Allup) e adverti-los de que não poderão apresentar candidatos. Dias depois, a Assembleia Constituinte deu o primeiro passo para a proibição dessas legendas, que por ora se traduz em obstáculos administrativos.
Se Maduro cumprir sua ameaça, não só converterá a realização das eleições em uma farsa, mas dinamitará de modo irreversível as últimas tentativas de diálogo, que depois de repetidos fracassos vem sendo mantidas há alguns meses na República Dominicana. Além disso, contribuiria para incrementar a pressão da comunidade internacional, sobretudo dos Estados Unidos, dos países vizinhos e da União Europeia. As conversações com a oposição foram acompanhadas em 2017 de gestos que a MUD considera insuficientes, como a libertação de alguns presos políticos ou a concessão da prisão domiciliar a Leopoldo López.
No entanto, a convocação de eleições presidenciais constitui a principal reivindicação há anos. Essa votação é vital para a reativação da Mesa, que atravessa um de seus piores momentos, marcado por tensões internas e divisões. Na semana passada a coalizão admitiu em um comunicado “graves erros e omissões” e se comprometeu a recuperar a unidade e a eleger um candidato único para as próximas eleições, que ainda não têm data.
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NÃO FALTAM MOTIVOS

Editorial O Globo
A polêmica sobre o tema é antiga, estava meio esquecida, mas foi reativada por um estudo do Banco Mundial sobre a (má) qualidade dos gastos públicos brasileiros, encomendado ainda pelo governo Dilma. Dele constam críticas ao fato de filhos de famílias de renda mais alta se beneficiarem mais da universidade pública, gratuita, do que os de renda mais baixa.
O assunto teve mais repercussão ainda porque, no vácuo da questão previdenciária, entrou na agenda de discussões nacionais — e já não era sem tempo — um sério problema subjacente aos sistemas de aposentadorias que é a sua capacidade de transferir renda de pobres para ricos.
Isso acontece porque a aposentadoria do servidor público é generosa ao extremo, e, por isso, o déficit do seu sistema é proporcionalmente muito maior que o do INSS, do qual dependem os assalariados do setor privado. Aos números: um milhão de servidores federais aposentados geram um déficit anual de R$ 78,1 bilhões, enquanto 30 milhões de segurados do INSS — trinta vezes mais — produzem um déficit de R$ 188 bilhões, apenas duas vezes e meia maior que o resultado do sistema previdenciário do funcionalismo público.
Como é o Tesouro que cobre os rombos, com dinheiro de todos os contribuintes, entre eles os pobres, o efeito concentrador de renda dos desequilíbrios da Previdência é indiscutível. Mas há outros no Estado brasileiro. Um deles, a universidade gratuita.
Os críticos do trabalho do Bird argumentam a partir de dados de pesquisas do IBGE, em que foram captados avanços importantes do peso de alunos de renda mais baixa na população universitária. Reflexo de ações afirmativas. Sabe-se, porém, que, se forem analisadas estatísticas segmentadas, a situação é diferente em faculdades que exigem uma base escolar sólida, como Medicina, Engenharia e outras.
Tem-se, portanto, de reconhecer que, mesmo de forma não generalizada, há, sim, um mecanismo de injustiça social em funcionamento e de privilégio em favor de estudantes de famílias abastadas. Fundamenta-se, dessa forma, a necessidade da cobrança, pela universidade pública, de alunos em condições financeiras de pagar. Aplica-se, de maneira irretocável, o princípio da justiça social.
O debate do tema se justifica, também, devido à penúria em que se encontram universidades públicas. Não que a cobrança de quem pode pagar seja a salvação dos estabelecimentos de ensino. Mas, além de justo, representa uma contribuição financeira que é preciso levar em conta. Por menor que seja.
A crise fiscal do Estado brasileiro, por inevitável, espalhou-se pela Federação. As universidades paulistas (USP, Unicamp e Unesp) recebem 9% do ICMS do estado mais rico do país e, mesmo assim, enfrentam dificuldades. Num estágio de gravidade mais elevado, está a Uerj, no Rio de Janeiro. Mais um motivo para o fim da universidade generalizadamente gratuita. 
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LULA É O ESTABLISHMENT

Carlos Andreazza, O Globo
Leio com perplexidade análises que projetam no dia 24 de janeiro — data estabelecida para o julgamento de Lula em segunda instância — a solução do problema em que consiste o ex-presidente. Problema que, diga-se, a parcela do Brasil que, por exemplo, beatificou Cármen Lúcia criou (recriou) para todo o país, ao endossar bovinamente o enredo — escrito por Janot e seus meninos, e editado por Fachin — que criminalizou a atividade política e que, afinal, igualou a ação corrupta de grupos em busca de enriquecimento individual ao projeto autoritário de assalto ao Estado para permanência no poder, de captura da máquina pública para financiar a estrutura do partido, promovido pelo PT.
Deu no que deu.
Se rastejam todos os políticos na mesma lama, ora: aí se revitaliza aquele do qual o brasileiro se lembra, aquele experimentado, sob cujo governo — dane-se que origem da crise em que ainda nos afogamos — havia emprego e crédito fartos etc. Se são todos igualmente bandidos, Lula é o mais antigo e conhecido — espécie de segurança na hora de escolher um entre os marginais. Para ele, a lama é medicinal.
E aí?
O homem, carta fora do baralho em 2016, é hoje o melhor produto do jacobinismo de extração janotista, reerguido pela sanha dos justiceiros cuja estupidez agora faz de um Roberto Barroso — o Gilmar do mensalão — o herói na luta contra a impunidade. Parabéns!
Essa é a caça às bruxas em decorrência da qual Lula ganhou de presente um discurso até para falar novamente em golpe: o de que derrubaram o governo popular para pôr no lugar um — segundo a narrativa da facção mais influente do Ministério Público — ainda mais criminoso.
Com esse texto sob medida para palanque, e com a fibra político-eleitoral que a ideia de resistência vende, ademais num ambiente conflagrado por tática desenhada pelo próprio “perseguido”, como supor que mais um julgamento — não importa em que instância — possa frear uma campanha que há meses testa limites e prospera?
Como, aliás, não supor que a provável nova condenação não seja mais combustível à estratégia — fundamentada em vitimização e politização das ações judiciais — que o ex-presidente concebeu para si?
Faz tempo que o “problema Lula” deixou de ser matéria de tribunal. Daí meu assombro ante a expectativa de que a decisão de 24 de janeiro possa significar revés para o ex-presidente; de que a chancela do TRF-4 à sua condenação por Moro tenha a mais mínima chance de tirá-lo do jogo e clarear o tabuleiro de 2018.
É como se não fosse talvez mesmo o oposto: mais uma etapa no projeto de judicialização do processo eleitoral, esse em que Lula investe para tentar se impor formalização de candidatura adentro, mas do qual sairá candidato mesmo que não possa ser.
Alguém duvida de que já nos confinamos a um pleito em que porção relevante do eleitorado — tanto maior quanto mais próximo do dia 7 de outubro Lula for impedido de disputar — votará em desagravo a um cidadão legalmente culpado? De que a eleição do próximo presidente será em parte um plebiscito sobre a tal injustiça cometida contra Lula?
Este é o Brasil: país em que um indivíduo condenado pela Justiça lidera todas as pesquisas, sujeito cuja eventual (improvável) prisão representaria força eleitoral poderosa a ponto de lhe recuperar a capacidade de transferir votos como para Dilma Rousseff. Eis um ponto relevante — a força de Lula para levantar outro poste.
As mesmas pesquisas indicam que — embora ainda considerável — já não é a mesma. É verdade. Mas verdadeiro também é que, uma vez sem Lula, o PT não terá candidato — a ser de todo construído — como Dilma. Jaques Wagner, por exemplo.
Um político profissional, que governou a Bahia por dois mandatos e cuja proeminência eleitoral no Nordeste pode compensar fração da perda de alcance do ex-presidente para terceirizar votos. Que o leitor não se iluda: o candidato do PT — Lula ou não — estará no segundo turno. Lula ou não, Lula será.
Há mais a ser considerado.
Não são poucos os agentes políticos — inclusive adversários — que torcem (trabalham) por Lula em 2018. Não para que vença a eleição (se acontecer, porém, paciência); mas a que chegue a outubro livre para disputá-la. O que está na mesa é a conservação do sistema; circunstância em que pouco interessará a saúde do país. Convém atentar para a agenda tanto do STF — principal garantidor da insegurança jurídica no Brasil — quanto do TSE.
Não é só a presumível revisão da jurisprudência que hoje autoriza o cumprimento de pena após condenação em segunda instância; mas também a possibilidade de que se afrouxem os critérios de inelegibilidade definidos na lei da Ficha Limpa.
Lula é a força em função da qual todos os atores políticos se organizam: a âncora de previsibilidade eleitoral, que confere memória à disputa e interdita brechas à ascensão de outsiders. Mas não somente; pois também é o termômetro que afere a temperatura da Lava-Jato.
O cálculo sobre sua sobrevivência é ciência exata: se, com tudo que corre contra si, condenado em primeira instância, sentença virtualmente confirmada em segunda, sujeito a ser ainda (provavelmente neste ano) apenado no processo relativo ao sítio de Atibaia, conseguir concorrer à Presidência, terá sido porque a operação fracassou. O raciocínio consequente é óbvio: se ele — ainda que derrotado nas urnas — vencer, ninguém mais cairá.
Lula é o indulto de Natal do establishment projetado para 2018.
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CONTINENTE SELVAGEM

Retrato chocante de uma Europa consumida por vingança, ressentimento e ódio. Lembrado como um momento em que multidões encheram as ruas celebrando a paz, o fim da Segunda Guerra Mundial na Europa foi bem diferente na realidade. Em todo o continente, mais de 30 milhões de pessoas haviam sido mortas, com cidades inteiras arrasadas, paisagens devastadas e instituições totalmente ausentes.
Em Continente selvagem, o premiado escritor e historiador inglês Keith Lowe descreve uma Europa onde alemães e colaboradores foram caçados e executados sumariamente, um violento antissemitismo renasceu, minorias foram perseguidas e dezenas de milhões de pessoas foram expulsas de suas terras ancestrais.
Com base em documentos originais e pesquisa em diversos idiomas e países, o livro cobre os anos de 1944 a 1949, num arco temporal que vai do final da guerra ao estabelecimento de um equilíbrio ainda instável no fim da década de 1940.
Vencedor do prêmio PEN Hessell-Tiltman e na lista dos dez mais vendidos do Sunday Times, esta é a história definitiva da Europa nos anos que se seguiram à Segunda Guerra Mundial.
*"Um livro soberbo e imensamente importante." The Washington Post
"Um relato acachapante da desolação moral e física que assolou a Europa no final dos anos 1940. Com autoridade e embasamento, porém nunca árido, Continente selvagem derruba os mitos tranquilizadores e reconfortantes da unidade nacional e da vitimização - uma tarefa dolorosa mas necessária, realizada de maneira extraordinária." Kirkus Reviews
"Minuciosamente pesquisado e escrito de modo rigoroso e objetivo, desde já um dos livros do ano." Financial Times
"História vívida e assustadora de vinganças assassinas, represálias terroristas e da feroz limpeza étnica que varreu a Europa logo depois - e muitas vezes como continuação direta - da Segunda Guerra Mundial. O excelente livro de Keith Lowe pinta uma imagem pouco conhecida e aterrorizante de um continente mergulhado na ilegalidade, no caos e na violência sem limites." Ian Kershaw, autor de Hitler.
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terça-feira, 2 de janeiro de 2018

CODINOME SARDINHA

Os depoimentos e documentos da delação premiada da empreiteira Odebrecht deixam sem explicação cerca de 600 codinomes de destinatários de propinas e repasses ilegais registrados nas planilhas do setor de operações ilícitas da construtora.
A soma dos recebimentos dos 20 maiores beneficiários sem identificação passa de R$ 100 milhões, segundo levantamento feito pela Folha.
Na documentação também há outro tipo de lacuna: uma planilha intitulada "tradução" traz apelidos vinculados a nomes de políticos, entre eles o do presidente da República, Michel Temer (MDB-SP), o do pré-candidato ao Palácio do Planalto Ciro Gomes (PDT-CE) e o do vice-prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB-SP), mas não há informações sobre repasses ligados aos codinomes.
A reportagem analisou nos últimos quatro meses cerca de 2.300 listas de pagamentos que fazem parte do acervo de 76 mil páginas apresentadas pela Odebrecht no âmbito da colaboração premiada assinada com o Ministério Público Federal.
Além de subornos, as planilhas também contabilizavam transferências com recursos do caixa dois da empresa para quitar despesas como o pagamento de bônus por fora para alguns altos executivos da companhia, com sonegação de imposto, segundo Hilberto Mascarenhas, que chefiou o departamento ilegal de 2006 a 2014.
Nesse material bruto, disponibilizado pelo STF (Supremo Tribunal Federal), o maior número de pagamentos está relacionado à alcunha "conterraneo". Foram 103 transferências que somaram R$ 13,7 milhões.
Os repasses eram sempre do mesmo valor, R$ 125 mil, com exceção de um no montante de R$ 1 milhão. Essas operações ocorreram em um período de 10 meses, entre novembro de 2013 e agosto de 2014.
Em seguida na lista de principais recebedores vem o codinome "eao", que foi associado a 9 desembolsos no total de R$ 7,6 milhões entre 2008 e 2010.
Na delação da empreiteira fechada em dezembro de 2016, não há explicação para esse apelido, porém uma ex-funcionária do departamento de repasses ilegais vinculou o termo às iniciais do acionista e ex-número um do grupo, Emílio Alves Odebrecht.
Segundo o texto de depoimento à Polícia Federal, a ex-secretária da Odebrecht Maria Lúcia Tavares disse "que a sigla EAO, encontrada em algumas planilhas apreendidas na residência da colaboradora significa Emílio Alves Odebrecht".
Outro destinatário de valores milionários foi uma pessoa à qual foi atribuída a alcunha "torrada". Esse beneficiário recebeu R$ 5,6 milhões distribuídos em 14 repasses nos anos de 2009, 2010 e 2014.
TRADUÇÃO
Enquanto há dezenas de codinomes sem identificação, uma planilha do material entregue pela Odebrecht, denominada "tradução", registra nomes de políticos e seus apelidos correspondentes. Porém, no acervo não é possível encontrar operações relativas às alcunhas ou esclarecimentos sobre a inclusão deles no documento do Setor de Operações Estruturadas.
Esse arquivo lista, por exemplo, o presidente Temer associado ao codinome "sem medo", Ciro Gomes ligado ao termo "sardinha" e Bruno Covas relacionado à expressão "neto pobre".
Segundo análise do Ministério Público, essa planilha foi criada em junho de 2006 e modificada pela última vez em junho de 2008.
O acervo de papéis apresentado pela Odebrecht contém outras omissões.
Como a Folha mostrou em em dezembro, as planilhas do material bruto revelam apenas metade dos últimos sete anos de funcionamento do setor ilegal, uma vez que faltam listas de pagamentos relativas a 178 semanas no período de 2008 a 2014.
No último dia 13, reportagem também informou que pelo menos 15 perícias oficiais de tribunais de contas e da Polícia Federal contradizem a alegação da Odebrecht e de seus executivos de que a empreiteira não superfaturou obras incluídas no acordo de delação assinado com o Ministério Público.
OUTRO LADO
A Odebrecht diz que sua delação já se provou eficaz. Michel Temer, Ciro Gomes e Bruno Covas negam o recebimento de repasses ilegais.
Em nota, a empresa informou que seus "executivos e ex-executivos forneceram informações em mais de 900 horas de depoimentos".
A assessoria de Temer relatou que o presidente "desconhece a razão de seu nome constar aleatoriamente numa planilha, sem qualquer informação adicional".
"Vale lembrar que, mais de uma vez, o chamado sistema Drousys da Odebrecht, ao qual a reportagem se refere, já foi alvo de denúncias de adulteração", completa a nota da assessoria.
Ciro Gomes nega ser beneficiário de valores ilícitos. "Era anunciado que uma certa elite tentaria de qualquer forma incluir meu nome nessa imundice que se transformou parte da política brasileira", afirmou.
"Nunca em meus 38 anos de vida pública limpa, sem nunca ter respondido a nenhum mal feito, tive qualquer relação ilegal com qualquer empresa. Quem quer que se aventure a me envolver nisso será processado, como sempre fiz".
Covas relatou que recebeu uma única contribuição da Odebrecht em 2006, para sua campanha a deputado estadual, no valor R$ 7.500, devidamente registrada na Justiça Eleitoral.
(FLÁVIO FERREIRA, DANIEL MARIANI, FÁBIO TAKAHASHI, GABRIELA SÁ PESSOA, GÉSSICA BRANDINO e RODRIGO BORGES DELFIM) 
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À ESPERA DE 2018

Esqueça o calendário gregoriano. Na vida real, não é ele que marca o fim ou início de um ano ou mesmo de um século – são os fatos, os teimosos fatos marcantes ou extraordinários que se encarregam disso.
Foi a eclosão da 1ª. Guerra Mundial em 28 de julho de 1914 que deu início ao Século XX. Ele acabou quando a União Soviética deixou de existir em 26 de dezembro de 1991.
O século XXI só começou para valer em 11 de setembro de 2001 com os ataques terroristas aos Estados Unidos que custaram a vida de 2.996 pessoas. O ano de 2001 estendeu-se por mais uma dezena de meses.
Se nada de relevante acontecer até lá, 2018 para os brasileiros começará de fato apenas no próximo dia 24 quando o Tribunal Regional Federal da 4ª Região decidir a sorte do ex-presidente Lula da Silva.
Se absolvido, ele será candidato à sucessão de Temer na condição de favorito. Se o tribunal, por unanimidade, condená-lo, Lula ficará impedido. Se a condenação não for unânime, ainda restará alguma esperança a ele.
Temer seguirá fingindo que governa até 31 de dezembro. Mas 2018 por estas bandas chegará ao fim em 28 de outubro com a eleição em segundo turno do futuro presidente.
2019, portanto, está logo ali. 2018 sequer começou.
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CORTINA DE FERRO

O livro Cortina de Ferro é a mais completa história já escrita de um dos períodos cruciais do século xx: a era da ocupação soviética do Leste Europeu e de parte da Alemanha, iniciada nos dias finais da Segunda Guerra Mundial.
Valendo-se de documentos inéditos e de dezenas de entrevistas, a historiadora e jornalista Anne Applebaum constrói um painel da expansão militar da URSS e da estratégia de Stálin para controlar a vida política, econômica e cultural de milhões de pessoas na Polônia, na Hungria, na Tcheco-Eslováquia e na Alemanha Oriental.
Sinopse do livro Cortina de Ferro, da historiadora e jornalista Anne Applebaum ,  via livraria da Folha.
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segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

ATRÁS DAS GRADES

O ex-governador do Amazonas José Melo (Pros) passou a virada do ano na sede da Polícia Federal em Manaus. Ele foi preso no domingo (31) por decisão da juíza substituta Ana Paula Silva Podedworny, do Tribunal Federal da 1ª Região. O despacho determinou que Melo ficará preso por pelo menos cinco dias.
Ele é acusado de integrar uma quadrilha que promoveu desvios milionários na saúde.
A Polícia Federal afirma que o ex-governador recebia pagamentos periódicos de uma quadrilha que atuava desviando recursos públicos. Melo é investigado por corrupção ativa, corrupção passiva, lavagem de capitais e de organização criminosa.
Além do ex-governador, três outros secretários da gestão dele passaram a virada do ano presos –Afonso Lobo (Fazenda), Wilson Alecrim (Saúde) e Evandro Melo (Administração).
Nesta segunda (1º), Pedro Elias, que também comandou a secretaria de Saúde, se apresentou na sede da PF. Ele era considerado foragido por não ter sido encontrado em casa no domingo.
Os cinco deverão ser transferidos nesta segunda ao Centro de Detenção Provisória de Manaus 2.
A prisão de Melo no último dia 21 marcou a terceira fase da Operação Maus Caminhos, iniciada em setembro do ano passado, que investiga o desvio de ao menos R$ 50 milhões de repasses do governo federal ao sistema de saúde do Amazonas, segundo o Ministério Público Federal.
No dia 27, ele foi solto beneficiado por uma decisão do juiz plantonista Ricardo Salles, que converteu a prisão temporária do ex-governador em domiciliar.
Em maio, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) cassou Melo por compra de votos para a sua reeleição, em 2014. Em agosto, houve novas eleições no Estado, com a vitória de Amazonino Mendes (PDT).
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