terça-feira, 23 de agosto de 2016

O 'TROUXA' E A 'INOCENTA'

José Casado, O Globo
Ela se considera vítima do próprio partido e da oposição, traída pelos aliados e até hoje perseguida pelos assassinos e torturadores da ditadura acabada 31 anos atrás. Ele se acha “trouxa”, otário, simplório, fácil de ser enganado. Foi dessa forma que a ex-presidente Dilma Rousseff e o pecuarista José Carlos Bumlai se apresentaram nos últimos dias.
Dilma, em defesa prévia, culpou o PT por “responsabilidade” no pagamento ilícito de US$ 4,5 milhões aos publicitários João Santana e Mônica Moura para saldar dívidas da sua campanha presidencial de 2010. O dinheiro teve origem em propinas cobradas pelo ex-secretário de Finanças do PT João Vaccari sobre os contratos da Petrobras com o um estaleiro de Cingapura, Keppel Fels — contou no tribunal o engenheiro Zwi Skornicki, intermediário de repasses mensais de US$ 500 mil para Santana, via Suíça, entre setembro de 2013 e outubro de 2014, quando Dilma foi reeleita.
Era um segredo das campanhas presidenciais de 2010 e 2014: “Achava que isso poderia prejudicar profundamente a presidente Dilma”, disse Santana, em juízo, ao explicar por que não contara antes. “Eu que ajudei, de certa maneira, a eleição dela, não seria a pessoa que iria destruir a presidente. Nessa época (da sua prisão, em fevereiro deste ano), já se iniciava um processo de impeachment”.
Há mais coisas ocultas. Envolvem o fluxo de dinheiro da Odebrecht para campanhas de Dilma, Lula e outros do PT. Ficaram reservadas à colaboração premiada cujo desfecho talvez coincida com o impeachment no Senado. Nesse outro processo, a “presidenta inocenta” — segundo o golpismo gramatical da senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) — apresentou sexta-feira uma defesa de 675 páginas.
Nela se definiu como vítima de uma “farsa” marcada pelo “desvio de poder, pela traição, pela desonestidade e pela ilegalidade”. Amaldiçoou quem discorda: “Nunca poderão afastar das suas mentes a lembrança dos que morreram e foram torturados.” Se confirmado o epílogo, Dilma estará fora do baralho, inelegível aos 68 anos de idade. E, sem imunidade, passa ao centro das investigações sobre corrupção na Petrobras.
Isso porque os publicitários confirmaram seu aval para operações ilegais com fornecedores da estatal. Como Dilma, o pecuarista Bumlai também culpa o PT por suas dores. Apresentou uma defesa em 70 páginas na sexta-feira. Delas emerge como o “amigo de Lula” que aos 72 anos coleciona doenças, carros (23) e imóveis (23) — entre eles, uma fazenda de R$ 90,4 milhões.
Bumlai se define, literalmente, como “um trouxa usado pelo PT e pelo Banco Schahin” na lavagem de R$ 12 milhões. Esse dinheiro teria sido usado, em parte, para pagamento de uma suposta chantagem sobre Lula, quando era presidente da República. O objetivo era evitar revelações sobre o sequestro, a tortura e o assassinato do prefeito de Santo André (SP), Celso Daniel, no ano eleitoral de 2002.
A vítima teria descoberto desvio dos cofres municipais para o caixa do PT. O caso permaneceu à sombra por 14 anos. Ressurgiu no juízo de Curitiba pela voz de Bumlai, agora no improvável papel de “trouxa” — confissão que lhe abriu o caminho para um acordo de delação premiada.
José Casado é jornalista
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A ASCENSÃO E A DECADÊNCIA DE DILMA

As jornadas de junho de 2013, em que milhões de manifestantes foram às ruas das cidades brasileiras para protestar contra a má qualidade dos serviços públicos, marcaram a virada na sorte da presidente Dilma Rousseff. Ela experimentou uma forte queda na sua popularidade.
Outros problemas como a inflação alta e erros na gestão da economia, como a adoção da Nova Matriz Econômica, contribuíram para corroer  a imagem de Dilma como boa gestora. A Operação Lava Jato, que desvendou um esquema de corrupção entranhado na Petrobras e outras empresas estatais, fez cair no esquecimento a "faxina ética" do primeiro mandato.
O erro estratégico crucial, porém, talvez tenha sido o confronto com Eduardo Cunha, do PMDB, na disputa da presidência da Câmara em fevereiro de 2015, quando Dilma já havia conquistado o segundo mandato. Cunha virou inimigo figadal e conduziu na Câmara o processo de impeachment. O pedido seguiu para o Senado e será julgado a partir de quinta-feira (25/08).
Da Época
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SILÊNCIO PROFUNDO

Mesmo sem ter comparecido uma vez sequer à Câmara no primeiro semestre de 2016, o deputado Aníbal Gomes (PMDB-CE) recebeu mais de R$ 200 mil da Casa entre salários e verba para cobrir despesas atribuídas ao exercício do mandato, como passagens aéreas e aluguel de veículo. Antes de se licenciar do mandato, em 18 de abril, em razão de uma cirurgia na coluna, Aníbal faltou aos 36 dias em que sua presença foi exigida em plenário para votações. Todas as suas faltas foram abonadas pela Câmara com a apresentação de atestado médico. Em junho, o deputado foi denunciado formalmente ao Supremo Tribunal Federal (STF), por corrupção, com base nas investigações da Operação Lava Jato. Essa e outras histórias são contadas na 24ª edição da Revista Congresso em Foco.
As justificativas das faltas garantiram ao peemedebista mais de R$ 100 mil em salários, de janeiro a abril. No mesmo período, a Câmara bancou outros R$ 100 mil em despesas de Aníbal, por meio da chamada Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar (Ceap). Foram R$ 32 mil apenas com o aluguel de uma caminhonete Amarok utilizada por ele no Ceará e outros R$ 32 mil em passagens aéreas, quase sempre entre Brasília e Fortaleza. A assessoria do deputado alega que ele esteve na capital federal, mesmo sem registrar presença na Câmara, para resolver problemas pontuais.
No Supremo, Aníbal responde a três inquéritos relacionados à Lava Jato por lavagem de dinheiro, corrupção passiva e formação de quadrilha. Na denúncia que apresentou em junho, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, acusa o parlamentar de ter recebido por meio de um assessor R$ 3 milhões desviados de contrato de uma entidade com a Petrobras.
Um dos delatores do esquema, o ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa contou que Aníbal lhe prometeu R$ 800 mil para facilitar um negócio fechado entre a companhia e um sindicato de práticos, profissionais que transportam navios em portos. Paulo Roberto ainda apontou o cearense como intermediário do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), no esquema. Janot, no entanto, não incluiu Renan na denúncia, alegando falta de provas. Caberá ao Supremo decidir se transforma o deputado em réu. O procurador-geral da República também recomenda que o peemedebista perca o mandato.
Por meio de sua assessoria, o deputado licenciado destacou que ainda não é réu e que, ao longo das investigações, “demonstrará de forma cabal que jamais praticou qualquer ato ilegal”. Ainda segundo os assessores, Aníbal se afastou da Câmara devido a um “complicado procedimento cirúrgico” na coluna e pretende voltar ao trabalho em meados de setembro. Na legislatura passada, o peemedebista foi o 11º deputado mais faltoso. Deixou de comparecer a 40% das sessões destinadas a votação: foram 155 ausências nos 393 dias em que a presença era obrigatória.
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domingo, 21 de agosto de 2016

UM PAÍS ESTRANHO

Artigo de Fernando Gabeira
O melhor cenário para a Olimpíada seria a ausência de grandes desastres. E isso aconteceu. Não fomos avaliados apenas por hospedar os Jogos, mas sim por fazê-lo no meio de uma grande crise política e econômica.
Muitas cidades do mundo vão continuar querendo hospedar uma Olimpíada sabendo que custam bilhões de dólares. Cada uma deve ter sua razão. Legado e contas a pagar, a qualidade do biscoito Globo e que diabo o nadador americano andou fazendo na noite em que teria sido assaltado — tudo isso ainda pode render alguma polêmica. Como disse o treinador do francês que perdeu o ouro no salto com vara, o Brasil é um país muito estranho, e é possível que usem as forças mágicas do candomblé nas grandes decisões. Onde estavam os santos no sete a um para a Alemanha, em todas as provas que perdemos? Santos não amarelam, logo é possível supor que estivessem de férias. Nem todos os temas têm o charme do esporte ou dos choques culturais que uma Olimpíada enseja. Mas são o tecido de uma realidade que se recusa a desaparecer apesar da euforia com as vitórias, dos casos de gente que superou a mesa de operações, o câncer ou a pobreza para disputar a medalha olímpica.
No meio da confusão, o governo pelo menos notou essa realidade incômoda, quando anunciou um novo caminho para o saneamento básico: a privatização. Não é o único caminho. No mundo há serviços públicos e particulares que funcionam bem. Se o governo estava fazendo uma cena, apenas para aparecer bem no filme da Olimpíada, vamos ficar sabendo mais cedo ou mais tarde. O que será da violência depois dos Jogos? Os assaltos continuaram acontecendo, um soldado da Força Nacional morreu alvejado na Maré, um policial rodoviário foi atingido gravemente em outro incidente. O soldado, infelizmente, morreu numa circunstância cada vez mais comum: entrar, inadvertidamente, numa área perigosa da cidade. Temer não entendeu o que se passou. Disse na TV que a morte do soldado foi um incidente lamentável, mas que tudo estava correndo bem na Olimpíada.
Poderia, pelo menos, dizer que era solidário com a família do soldado, que o Brasil reconhecia seu sacrifício. Parece que a morte de um policial é algo natural, frequente e previsível. Nada a fazer, nenhuma lágrima, nesse oceano que foi a Olimpíada. Choro de vitória ou derrota, quase vitória ou quase derrota, choro de locutor esportivo, de torcedor, todos choramos quando perdemos um jogo. Mas não choramos quando perdemos um soldado.
Todos nos indignamos quando há uma tentativa de estupro. E vasculhamos todos os meandros do discurso para apontar traços da cultura do estupro. As camareiras da Vila Olímpica apanharam mais do que Neymar em campo. Foram assediadas por boxers, espancadas por atleta búlgaro, mas as camareiras, como os soldados, são transparentes. Nos EUA caiu um presidente do FMI por molestar a camareira do hotel. A Olimpíada foi um grande momento. Os atletas festejam suas vitórias, avaliam seus erros, preparam um novo plano de treinamento.
E nós caímos na vida cotidiana, que para muitos é tão difícil e arriscada como uma Olimpíada. Depois de uma certa idade, então, cada corrida, cada salto, cada longa caminhada é celebrada como um recorde. Mas o mais importante é perceber que começou de novo o jogo cotidiano. Vamos ter os forças federais até quando? Se ficarem, o que fazer para assegurar que sua saída não cause danos? Há um problema adicional que poucos notaram: a campanha eleitoral começou. Não vi ainda candidatos no meu caminho. Mas sei que existem e que, daqui a pouco, sorridentes e com as mãos estendidas, virão propor soluções fáceis para os intrincados problemas de sempre. Antes da operação Lava-Jato, as campanhas já pareciam irreais. Agora, depois de tudo revelado, a distância entre o discurso dos políticos e a realidade das pessoas deve provocar inúmeros curto-circuitos.
Não se trata apenas de uma operação que desvendou os meandros da organização criminosa no poder. Em 2013, as pessoas já pressionavam por serviços públicos decentes; em 2015, pelo impeachment de Dilma. Em termos puramente subjetivos, o Brasil mudou muito nos últimos anos. A Olimpíada foi produto de um delírio do passado, realizado com os pés no chão na aspereza do presente. Como disse o técnico francês ao “Le Monde”, o Brasil é um país estranho, mágico. Vivo nele há muitas décadas para saber que por baixo da cortina de exotismo alguns problemas sobrevivem a todos os orixás, santos e pajés. Quando ouvi um locutor satisfeito porque o lixo da Baía de Guanabara foi para o fundo, num dia de regata, pensei: se apenas os estrangeiros acreditassem na magia brasileira, seria mais fácil.
É tempo de eleições, e os mágicos virão com todos os truques, lenços desaparecem, coelhos saem da cartola. Os políticos não inventaram o Brasil. Apenas exploram alguns pontos fracos.
Artigo publicado no Segundo Caderno do Globo em 21/08/2016
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FOGO AMIGO

Hubert Alquéres, Blog do Noblat
Lula deve estar esfregando as mãos de felicidade com a troca de chumbo entre tucanos e peemedebistas. Sabe, por experiência própria, o quanto o fogo amigo é desagregador. O caudilho vislumbra, na divisão da base de sustentação do governo Michel Temer, a possibilidade de se reposicionar no tabuleiro, com vistas a retornar ao poder em 2018.
Até aí, tudo de bem. É do jogo. Assim como foi do jogo a antiga oposição explorar as contradições internas do lulopetismo para viabilizar o impeachment.
Surpreendente mesmo é a ingenuidade de políticos tarimbados do PMDB e PSDB que caíram na arapuca, sem nenhuma alusão ao pássaro símbolo da socialdemocracia. Reconheça-se, a batalha de Itararé teve início por meio de um terceiro, Rodrigo Maia, presidente da Câmara de Deputados e parlamentar do DEM.
No afã de demonstrar sua gratidão, o filho do ex-prefeito carioca Cesar Maia deu declarações sobre uma possível candidatura à reeleição de Michel Temer, intenção, registre-se, imediatamente desmentida pelo presidente em exercício.
Maia colocou o carro na frente dos bois. Até porque a disputa presidencial não está na ordem do dia.
Mas em vez de baixar as armas, macacos velhos dos dois principais partidos da base governista dispararam torpedos uns contra os outros. O mais grave, colocaram no meio do fogo o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, obrigando o próprio presidente a sair em defesa do seu auxiliar e a escalar seus generais a fazerem o mesmo.
A antecipação de uma batalha que só acontecerá em 2018 é um desserviço ao país. A transição não se encerra com o impeachment, nem com o fim da interinidade do presidente da República. Aliás, diga-se, ela começará verdadeiramente a partir desse momento, embora muitos passos já tenham sido dados pós o afastamento de Dilma Rousseff.
Na economia, começa-se a enxergar uma luz no fim do túnel, ainda que ela seja extremamente tênue, com o aumento da confiança dos empresários. Pode ser que a “recessão em formato de U” tenha se estabilizado no fundo e “aos poucos começa a se recuperar”, como escreveu a colunista Miriam Leitão, em O Globo.
E internacionalmente vivemos um momento de calmaria, como registrou o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn. Ou seja, como destacou o economista Marcos Lisboa, abre-se uma “janela de oportunidade” para o governo Temer levar adiante o ajuste fiscal necessário e iniciar a retomada das reformas estruturantes abandonadas nos anos de lulopetismo.
Para que isso aconteça, é imprescindível a credibilidade e força da atual equipe econômica que terá de viabilizar o ajuste fiscal de acordo com as condições que lhe são dadas. E elas nem sempre são o espelho fiel do que se aprende nos manuais acadêmicos.
Do governo cobra-se, sobretudo, firmeza na perseguição do objetivo do saneamento das contas públicas e coragem para enfrentar os gargalos que corroem a capacidade de investimento do Estado, penalizam o conjunto dos brasileiros e mantem intocados interesses corporativos.
As contradições no interior dos partidos que compõem essa base deveriam, portanto, ser resolvidas pela via do diálogo, do respeito mútuo. O duelo travado nas páginas e manchetes de jornais em nada ajuda na superação de divergências que, até certo ponto e grau, são compreensíveis de existir em um campo político heterogêneo.
O momento não comporta ilusão. Se a atual equipe econômica fracassar, todos serão cobrados em 2018. E Lula estará lá, com a boca de jacaré, ou de jararaca, aberta.
As eleições municipais já são por si mesmo um fator de risco à coesão das forças pró-reformas. Podem comprometer a aliança do bloco governista, se não houver maturidade de suas lideranças nas disputas locais.  Adicionar problemas em uma situação já suficientemente delicada contraria a lógica.
É da política que todos os partidos procurem acumular forças em 2016, para se posicionarem no tabuleiro de 2018.  Mas não podem sacrificar o país para fazer valer seus interesses particulares. O alerta vale para todos. Para quem é ministro, presidente de partido, peemedebista, tucano, demista ou qualquer outro.
Convém à artilharia governista mirar no que é necessário para o país e não atirar na sua própria tropa. 
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sexta-feira, 19 de agosto de 2016

PÁGINA VIRADA

Rodrigo Constantino, ISTOÉ
Com 59 votos a favor e 21 contra, o Senado transformou a presidente Dilma em ré no processo do impeachment. O afastamento definitivo dela, portanto, aproxima-se, para alívio geral da nação. Será um marco em nossa democracia, uma conquista e tanto do povo que foi às ruas lutar por liberdade.
Dilma foi provavelmente a pior presidente que o Brasil já teve em sua história. Com um misto de muita arrogância e incompetência com viés ideológico, ela se mostrou disposta a insistir em erros grosseiros que vinham afundando de vez o País no caos econômico e social. No futuro, muitos terão dificuldade de compreender como alguém com esse perfil chegou ao poder.
Mas não devemos culpar Dilma sozinha. Afinal, ela não causou esse estrago todo sem ajuda. Na verdade, foi seu partido o maior responsável pela desgraça brasileira, e Lula é indubitavelmente o grande arquiteto de tudo. O PT se mostrou uma quadrilha mafiosa que usava o discurso de “justiça social” como pretexto para chegar e ficar no poder.
Assistir o debacle desse falso ídolo popular, portanto, é alvissareiro para todos aqueles que sonham em construir um país de verdade, sem magia, sem messias, sem populismo. Lula e seu PT representam o que há de pior em nossa cultura: a malandragem, a falta de caráter, o cinismo de quem está disposto a qualquer coisa para se dar bem.
Mas se, por um lado, o simbolismo dessa derrota é tão relevante, isso não quer dizer que o Brasil se livrou de vez do câncer populista. O PT pode sofrer bastante nas eleições municipais e definhar como partido, mas o petismo continua vivo. Basta observar suas linhas auxiliares, o PSOL, a Rede e o PCdoB, reproduzindo os mesmos discursos, adotando a mesma narrativa de vitimização das “minorias” contra as “elites”.
É cedo para dizer que a população aprendeu a lição e ficará longe desses embusteiros. Eles pululam no Brasil, e um país com tanta miséria e ignorância será sempre um solo fértil para o florescimento desses tipos. Uma batalha importante foi vencida, mas a guerra continua – e está longe do término.
Uma página sombria de nossa história está prestes a ser virada. Mas o trabalho de reconstrução está apenas começando. É preciso aprovar reformas estruturais, reduzir drasticamente o escopo do estado na economia e em nossas vidas, limitar os gastos públicos, atacar as máfias sindicais que representam o atraso, desafiar os grupos de interesses e a patota encastelada no governo, mamando em privilégios.
Evitaremos, com o afastamento do PT, que o Brasil vire a Venezuela. Mas agora temos de lutar para que se aproxime do modelo mais liberal dos países desenvolvidos. Não será nada fácil. Mas também não é impossível. Portanto, mãos à obra, patriotas!
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quinta-feira, 18 de agosto de 2016

HADDAD, O 'DIFERENTÃO'

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), divulgou nesta quarta-feira o slogan da campanha pela reeleição: “É mais São Paulo. É diferente”. A frase, que será usada no material impresso e no site do candidato que deve entrar no ar até o fim da semana, desagradou a uma parte da coordenação da campanha, temerosa de que o “é diferente” seja interpretado como uma tentativa de Haddad de se desvincular do PT.
Para outra parte, no entanto, o objetivo é diferenciar Haddad da classe política em geral. Segundo a ala, o termo foi usado com base em pesquisas que indicam o petista como o candidato que não faz promessas demagógicas.
De acordo com integrantes do comitê petista, a marqueteira Angela Chaves foi questionada durante a apresentação do slogan. A maioria da coordenação sugeriu que o “é diferente” fosse complementado com alguma outra informação que qualificasse a informação. “É diferente do quê?”, questionou um dos chefes da campanha petista.
Outros coordenadores compararam o slogan ao jingle da campanha de Eduardo Suplicy à Prefeitura em 1985 – “experimente o Suplicy, é diferente de tudo que está aí”.
A decisão da marqueteira, porém, foi endossada por Haddad. A coordenação nega que o objetivo seja desvincular o candidato do PT. “É diferente porque é um político honesto, se preocupa com a população mais pobre, é mais humano, tem uma agenda moderna”, disse o presidente do PT paulistano, Paulo Fiorilo. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Via ISTOÉ
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CHEGOU A HORA DE SAIR

Da ISTOÉ
Nos cômodos cada vez mais silentes do Palácio da Alvorada, restam poucos objetos pessoais de Dilma Rousseff. Nas últimas semanas, a presidente afastada transportou a maioria de seus pertences para sua residência em Porto Alegre. Até uma das bicicletas com a qual se habituou a fazer exercícios matinais diários já foi despachada para o Sul – provavelmente sem volta. Nada mais emblemático. Embora publicamente se esmere para transparecer valentia, Dilma, no íntimo, não acredita mais numa reviravolta capaz de mantê-la no poder. A interlocutores, admitiu um périplo por oito meses a países da América do Sul, como Chile e Uruguai, na ressaca do impeachment. Na semana passada, o cronograma da saída de Dilma do Planalto andou mais uma casa. Na madrugada de quarta-feira 10 foi dado o penúltimo passo para o seu definitivo afastamento. Num prenúncio da votação derradeira em plenário, por 59 votos a 21, Dilma virou ré por crime de responsabilidade fiscal. Era necessário um mínimo de 54 votos. Em conversa na terça-feira 9 com senadores do PT, Lula também jogou a toalha: “Não há mais tempo para salvação (de Dilma). Agora é trabalhar o pós”, afirmou.
Dilma beira a porta dos fundos da história. A tendência é pela derrota ainda mais fragorosa na sessão final, marcada para começar no próximo dia 25. Não há mais indecisos e o número de senadores favoráveis ao “Fora, Dilma” pode chegar a 62. Num último e idílico esforço não para salvar o mandato, mas para tentar preservar sua já maculada biografia, a presidente afastada pretende sacar da cartola, nesta semana, uma Carta aos Brasileiros. Trata-se de um factóide. O novo documento, mais um a se somar à coleção de manobras diversionistas de Dilma, não seduz nem o PT, a quem coube fulminá-lo no nascedouro sem qualquer cerimônia. A decisão de suprimir o termo “golpe” do texto, tomada aos 45 minutos do segundo tempo, é inodora, insípida e indolor. Falta-lhe sobretudo credibilidade para gesto de tamanha relevância política. Um plebiscito no qual os brasileiros decidiriam por antecipar ou não as eleições presidenciais de 2018 jamais poderia ser convocado por alguém rejeitado pela maioria da população. Por isso mesmo, a ideia não prosperou nem seguirá adiante.
Para tomar emprestado um bordão esportivo em tempos de Olimpíada, Dilma irá para o chuveiro mais cedo, mas quem será asseado é o País. Candidamente, a petista entoa o mantra do “não sei de nada”, “não tenho culpa de nada”, “sou vitima da mídia e das elites” celebrizado por Luiz Inácio Lula da Silva. Mais um discurso destinado a alimentar com as sementes do engodo uma plateia de convertidos – hoje estourando 30% dos brasileiros. Apesar da tentativa de terceirizar a própria culpa e de criar uma narrativa épica, mas fictícia, a petista é um pote até aqui de malfeitos. Além das pedaladas – que não foram meras maquiagens fiscais, como quer fazer crer a tropa de choque petista, mas uma estratégia política para vender ao eleitor um Brasil irreal, com único objetivo de vencer a eleição, – Dilma é acusada de incorrer em outros crimes mais graves.
Atentado à justiça
Se, como disse o procurador da República Ivan Cláudio Marx, o ex-presidente Lula foi o “chefe de organização criminosa” para obstruir a Justiça, Dilma é no mínimo co-partícipe da trama. Em maio, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu que a presidente afastada fosse investigada por tentativa de atrapalhar as investigações da Lava Jato. Segundo delação do ex-senador Delcídio do Amaral, antecipada por ISTOÉ, a presidente Dilma o teria usado como emissário da proposta a um candidato a ministro do STJ para trocar a indicação pela concessão de habeas corpus pedido por empreiteiros presos em Curitiba. Tudo ocorreu como combinado. Os empresários só não foram soltos porque o relatório produzido pelo ministro nomeado Marcelo Navarro foi derrubado pelos seus pares. A petista ainda corre o risco ser indiciada pela Procuradoria-Geral da República, se não por esta denúncia, mas pela nomeação desastrada de Lula para a Casa Civil, a fim de mantê-lo distante da jurisdição de Moro, concedendo-lhe foro privilegiado. Não bastassem as investidas contra o livre trabalho do Judiciário, que configuram crime de responsabilidade passível de perda de mandato tipificado no inciso 5 do Artigo 6º da Lei 1.079, as recentes propostas de delações premiadas de executivos de empreiteiras implicadas no Petrolão deixam claro que Dilma não só sabia como operou pessoalmente na arrecadação ilegal de sua campanha em 2014. Aos procuradores da Lava Jato, segundo reportagem de ISTOÉ, Marcelo Odebrecht afirmou que a mandatária exigiu R$ 12 milhões para a campanha durante encontro privado. O dinheiro seria fruto de propina desviada da Petrobras. “É para pagar”, teria ordenado ela, de acordo com a proposta de delação do empresário. Parte do recurso seria utilizada para pagar o marqueteiro João Santana. Solto na semana passada, Santana também confirmou em delação a participação direta de Dilma no manejo de recursos irregulares destinados a irrigar os cofres de sua campanha à reeleição.
Legado de Dilma: um país em crise
Para completar o cenário nada edificante para quem jura inocência, a herança de Dilma é de amargar. De chorar lágrimas de esguicho. No “golpe” sem armas e tanques, alardeado pelo PT e congêneres, a vítima foi o povo. Dilma herdou de seu antecessor um País que crescia 7,5%, com baixa taxa de desemprego, inflação controlada e investidores animados. Em meio ao repique da crise e a queda nos preços das commodities, decidiu abandonar a política econômica adotada até então para implantar sua “nova matriz econômica”, baseada em crédito abundante, política fiscal frouxa e juros baixos. No vale-tudo para se reeleger, tomou decisões temerárias como segurar preços administrados e abandonar o equilíbrio fiscal. “O governo agiu como alguém que sonhou que iria ganhar na mega-sena e saiu por aí gastando o que não tem”, diz Carlos Pereira, cientista político da FGV-Rio. Com a volta da inflação, a comida sumiu do prato de muitos brasileiros. O poder de compra foi corroído. O projeto de inclusão, ancorado no consumo e traduzido pela ascensão social de milhões de pessoas, ruiu como um castelo de cartas. O aumento do desemprego e a queda nos rendimentos fizeram com que quase 4 milhões voltassem às classes D e E, de acordo com recente levantamento realizado com base em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios e da Pesquisa Mensal de Emprego, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O setor elétrico, tido como especialidade da gerentona, entrou em colapso. O investment grade virou pó e a corrupção, já institucionalizada, se retroalimentou da tragédia político-econômica e administrativa.
Na sessão do Senado que praticamente selou o destino de Dilma, os próprios aliados da presidente afastada baixaram as armas. Enquanto uns estavam mais preocupados em checar no celular os últimos resultados da Olimpíada, integrantes da comissão de frente em defesa da petista, como a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), demonstravam resignação ante a derrota iminente. “Nós que defendemos a presidenta Dilma temos consciência. Achamos até que ela não tem condições mais de governabilidade. E não seríamos nós senadoras e senadores irresponsáveis de apenas defender a volta dela para ampliar uma crise que não é só política, mas econômica também”, disse momentos antes do início da votação.
Não raro alinhado às teses petistas, o presidente do STF, Ricardo Lewandowski, atuou como manda o figurino. Exercendo papel de magistrado, limitou-se a cumprir as regras estabelecidas. Com elegância, chegou a suspender o áudio de Gleisi Hoffmann: “Senhora senadora, eu tenho que ser muito rígido com o tempo. Peço escusas à Vossa Excelência”, disse. Repetiu a dose ante os excessos de Grazziotin e Kátia Abreu (PMDB-TO). Esta última também teve o microfone cortado. Tranqüilo e sereno, o presidente do Supremo adentrou ao plenário do Senado às 9h05. “O Senado está aqui para exercer uma de suas mais graves atribuições que a Constituição lhe acomete”, sapecou. Logo na abertura dos trabalhos, Lewandowski solicitou aos senadores que só pedissem a palavra para se pronunciar sobre questões processuais. “Tendo em conta a previsão de que esta sessão poderá tornar-se um tanto quanto longa, eu peço vênia, desde logo, para ser muito rigoroso na contagem dos prazos”. Antes do início da sessão, o presidente do STF rejeitou as questões de ordem que pediam a suspensão do processo de impeachment de Dilma. Num dos recursos sem qualquer cabimento, aliados da presidente afastada pediam para que fossem aguardados os resultados de delações premiadas. Houve ainda um pedido de suspeição do relator Antonio Anastasia, pelo fato de ele ser do PSDB, assim como um dos autores da denúncia, o advogado e ex-ministro da Justiça Miguel Reale Júnior “Indefiro as questões de ordem 1 e 2 por tratarem de fatos estranhos ao presente processo. Não é possível suspender o feito com fundamento nestes argumentos”, afirmou. Ao fim, o placar de 59 a 21, e a comemoração. “Ganhamos todos com esse julgamento. Ganha o País, que tem a chance de ver resgatadas as condições políticas para dar seguimento à estabilidade econômica”, disse a senadora Lúcia Vânia (PSB-GO).
Ao tirar Dilma da frente, o Brasil começa uma nova etapa. A saída definitiva da petista fará com que o presidente em exercício Michel Temer atue com mais desprendimento para colocar em marcha as reformas necessárias ao País. Num primeiro momento, como antecipou o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, o governo deverá dedicar-se à implementação de medidas destinadas a disciplinar as contas públicas, fundamentais para a retomada dos investimentos e da confiança dos investidores. Há uma pauta de modernização da economia, já iniciada, com a revisão das metas fiscais para este e para o próximo ano e com a proposta de um teto para o aumento do gasto público, que poderá deslanchar a partir do impeachment. É imperativo que o Congresso a aprove. Mesmo as iniciativas mais impopulares, como alterações nas leis trabalhistas e previdenciárias. Só assim, o País poderá sair da ruína econômica legada pela desastrosa gestão petista.
O destino cumpre um roteiro nem de perto imaginado por Dilma quando tomou posse ainda para o seu primeiro mandato em 1° de janeiro de 2011. Resignada, nos dias derradeiros, Dilma acalentou um último desejo: o de não sair do Palácio do Planalto pelos fundos, como Fernando Collor, em 1992, cercado por um pequeno séquito de assessores. A cena pode até não se repetir. Na prática, porém, para a maioria dos brasileiros, o efeito é o mesmo: Dilma não deixará saudades. A partir de setembro, será apenas mais um quadro pendurado na galeria de ex-presidentes.
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POLÍTICOS NA FICÇÃO

A ficção tem retratado o mundo político brasileiro de várias formas há muito tempo. As mazelas, mentiras, políticos inescrupulosos têm feito parte dos folhetins; mas nem tudo é sordidez, há políticos sérios que são muito bem interpretados por grandes atores. Abaixo, veja alguns personagens políticos históricos da nossa teledramaturgia.
Em "O Bem Amado" (1973), Odorico Paraguaçu torna-se prefeito da cidade de Sucupira com uma promessa excêntrica: a construção do cemitério da cidade. O personagem, vivido por Paulo Gracindo, é corrupto, demagogo, mulherengo e costumava criar frases e neologismos em seus discursos.
Além da viúva Porcina (Regina Duarte) e Sinhozinho Malta (Lima Duarte), "Roque Santeiro" (1985) tinha o prefeito Florindo Abelha (Ary Fontoura), que explorava a suposta divindade de Roque Santeiro, mesmo sabendo que ele não havia morrido.
De boia-fria a político, Sassá Mutema (Lima Duarte) passa de analfabeto a prefeito da cidade. A novela "O Salvador da Pátria" (1989) mostra sua evolução, o aprendizado das primeiras palavras e a vida dura como agricultor.
Milton Gonçalves viveu Romildo Rosa, um político poderoso que veio de família pobre, mas conseguiu enriquecer por meio de negociações nem sempre muito honestas. Apesar de corrupto, não acha que seja um canalha e vive tendo problemas com os filhos.
Defensor dos sem-terra, o senador Roberto Caxias (Carlos Vereza), em "O Rei do Gado" (1996), era um dos destaques da trama por ser um político honesto.
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O MONÓLOGO VAZIO DE DILMA

Elio Gaspari, O Globo
Dilma Rousseff leu sua carta ao povo diante de jornalistas, mas não aceitou perguntas. Ela gostaria de ir ao Senado para apresentar sua defesa, mas não quer perguntas. Foi esse gosto pelo monólogo que a levou ao ponto onde está. Mesmo assim, há monólogos que ilustram. Esse não foi o caso da carta lida ontem.
Quando a senhora e o PT não sabiam o que fazer, propunham um pacto. Assim foi em 2013, quando os brasileiros foram para a rua. Ela ofereceu cinco pactos e mudou de assunto semanas depois. Ontem, novamente, ofereceu um “pacto pela unidade, pelo desenvolvimento e pela justiça”. Quando pactos não rendem, surge a carta do plebiscito, e Dilma voltou a tirá-la da manga. Sugeriu a realização de um plebiscito “sobre a realização antecipada de eleições, bem como sobre a reforma política e eleitoral”.
A reforma política é necessária e não precisa de plebiscito, mas é o caso de se lembrar que tipo de reforma era defendida pelo seu partido. O PT queria, e quase conseguiu, a instituição do voto de lista. Ela confiscaria o direito do eleitor de votar no candidato de sua escolha. Esse poder iria sobretudo para as direções partidárias. (O PT teve dois ex-presidentes e três ex-tesoureiros encarcerados.)
Dilma e o PT revelaram-se intelectualmente exaustos. Tiveram em Eduardo Cunha um aliado, um cúmplice e, finalmente, um inimigo. Nem ela nem o PT conseguiram dar apoio à Operação Lava-Jato. Ambos foram ostensivos críticos do instituto da colaboração premiada. Sem ela, a Lava-Jato estaria no ralo.
A um passo das cenas finais de sua carreira politica, a presidente diz platitudes como esta: “É fundamental a continuidade da luta contra a corrupção. Este é um compromisso inegociável. Não aceitaremos qualquer pacto em favor da impunidade.”
A presidente arruinou a economia do país pulando do galho das “campeãs nacionais” para as “mãos de tesoura” de Joaquim Levy, e dele para o breve mandarinato de Nelson Barbosa. Teve em Michel Temer um parceiro de chapa, um articulador político e, finalmente, um inimigo a quem chama de usurpador.
Num episódio raro, a carta de Dilma se parece mais com o programa de um governo que, tendo existido, deixou de existir, mas persiste, vagando qual alma penada.
Sua carta aos senadores poderia ter sido diferente na extensão e no conteúdo. Por decisão dela e de seu bunker do Palácio do Planalto, foi um documento empolado no estilo e catastrófico na essência. Ele não seria capaz de mudar votos no plenário do Senado que baixará a lâmina sobre seu mandato. Poderia ter motivado pessoas que aceitam parte de seus argumentos contra o processo de impeachment. Se ele não tiver esse efeito, isso refletirá a exaustão política do petismo e do dilmismo (se é que isso existe).
A presidente afastada vive seus últimos dias de poder na redoma do Alvorada, transformado em magnífico calabouço. Lá espera o automóvel que a conduzirá ao aeroporto. Poderia ter sido diferente, se ela e o PT tivessem entendido que estar no poder não significa poder fazer o que se queira. Algum dia essa ficha haverá de cair.
Elio Gaspari é jornalista
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RECORDANDO JOSÉ CAVALCANTI

Hoje, não sei o porquê cargas d´água, lembrei do sarcástico, José Cavalcanti, (1918 -1995),  político paraibano. Zé Cavalcanti ocupou os cargos de prefeito (Patos – PB), deputado estadual por quatro legislatura, autor de vários livros, em setembro de 1981, Cavalvati assumiu uma cadeira na Academia Paraibana de Letras.
Alguns livros escritos pelo político, que era tido como muito engraçado: Potocas, piadas e pilhérias; Casca e nó; Sem peia e sem cabresto; Bicho do cão; Gaveta de sapateiro; Bisaco de cego; Quengada de matuto; Papo furado; Espalha brasas; Rabo cheio; Caga-fogo; Busca-pé; Um setentão; e outros tantos.
Abaixo, separei algumas das memoráveis frases de José Cavalcanti, de 1969, porém, bem atuais:
Governo é como dono de roleta: todos torcem contra ele.
Político é como gato: pede miando e come rosnando.
Governo não faz saneamento básico, porque esgoto é como erro de médico: a terra esconde.
Político, em campanha, é como taxista: se oferece sem ser chamado.
Político é como vendedor de fumo em corda: mede comprido e corta curto.
Bajulação é como moeda falsa: compromete tanto quem a dá como quem recebe a recebe.
Político é como relógio: uns adiantam, outros atrasam, poucos regulam.
A vaidade política é como água salgada: quanto mais se bebe, mais aumenta a sede.
O governo pode destinar o dinheiro para investimento ou para propaganda: com o primeiro ele conquista obras para o povo, com a segunda ele conquista povo para o governo.
Em política, a lisonja é como labareda: destrói a quem abraça.
Oposição é como pedra de amolar: afia, mas não corta.
Democracia sem oposição é como casa sem mulher: nela, vive-se triste.
Quem perde eleição é como quem apanha da mulher: não presta queixa a ninguém.
Oposição deve ser tratada como grama de jardim: tem o direito de viver, mas não pode crescer.
Numa eleição, primeiro aparecem as dúvidas, depois as dívidas.
Político pobre é como mamoeiro: quando dá muito dá duas safras.
Um político na sela e um eleitor na garupa, o cavalo é do eleitor.
Eleitor de político pobre é como eco: responde, mas não vem.
Político pobre é como jabuti: tem as pernas curtas.
Político não mente: inventa a verdade.
Político pensa uma coisa, diz outra, e faz o contrário.
Quando o político diz que tem dúvidas sobre uma coisa, no íntimo já tem certeza.
A política é cega: o seu guia é o interesse.
A Ambição política é como tosse: ninguém consegue escondê-la.
O triste na política é pensar que o amigo está lhe traindo, e ver que está mesmo.
Político é um sujeito hábil que nunca falha na solução de um caso, se o caso é dele.
Político sabido é o que vende os correligionários e compra os adversários.
O político sempre deixa pra amanhã o que promete hoje.
Quando dois políticos confabulam e negociam, um terceiro será vítima.
Deputado é um sujeito que adora discussão, mesmo sem saber o que discute.
Político é como mandacaru: nem dá sombra nem encosto.
Quem faz política é como quem amassa barro: não tem medo de respingos de lama.
Quem faz política é como quem atira no vôo: só aperta o gatilho na hora certa.
Em política não se tem alternativa: ou engana ou será enganado.
A reeleição é mais uma oportunidade que o povo dá ao político pra ele errar de novo.
Política também é uma religião: o poder é o paraíso, a oposição o purgatório e o ostracismo, o inferno.
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SEM CULPA OU PRECONCEITO

Zuenir Ventura, O Globo
Isso os jornais estrangeiros ainda não registraram, eles, que estão implicando tanto com nossa maneira de torcer, e até de comer: esta Olimpíada talvez seja a mais liberada que já existiu em termos de comportamento. Ao contrário do que cantou Tim Maia, vale tudo, inclusive homem com homem e mulher com mulher. É um grande armário aberto. A Vila Olímpica, onde os guerreiros descansam seus músculos, é uma festa para os sentidos. Longe das arenas, seus quase 11 mil moradores, ou exatos 75%, praticam sexo a uma média de seis exibições por dia, usando as 450 mil camisinhas que foram distribuídas. É o que Ancelmo Gois chamaria de “Feira livre de saliência”. Pergunto a alguém que trabalha lá dentro se a estatística é confiável. Ele diz que não sabe, mas garante, pelo que conversou com colegas de outros países, que está sendo batido aqui um recorde mundial.
O que mais impressiona, porém, não é o desempenho dos héteros, mas a naturalidade com que representantes da outra categoria têm exposto publicamente, sem culpa e hipocrisia, suas opções sexuais. Um exemplo é a cena em que a jogadora Izzy, de rúgbi, foi pedida em casamento pela namorada, a voluntária Marjorie, em pleno gramado e com direito a demorado beijo na boca. Ou então Larissa, do vôlei de praia, correndo para comemorar a vitória beijando a namorada que assistia à partida. Ou a modelo canadense que veio só para acompanhar Mayssa, goleira da seleção de handebol e seu declarado grande amor. Ou o casal Rafaela-Thamara anunciando que ia festejar o ouro na Disney.
Diante de manifestações assim, eu diria que a nossa torcida pode ser barulhenta e mal-educada, como tem sido acusada (até por gente da terra dos holligans), mas não tem demonstrado discriminação. Em vez de vaiar, tem estimulado e aplaudido esses gestos.
Enquanto isso, o tabloide britânico “The Sun”, para reclamar da pouca presença de público em algumas provas esportivas, afirmou que o “Rio é uma cidade fantasma”, quando a televisão mostrava multidões em lugares como o Boulevard Olímpico, com intermináveis filas, e o Parque Olímpico, onde o que faltava era comida, não gente. A última dessas curiosidades foi a do repórter do “New York Times” David Segal. Seu paladar acostumado com salsicha e ketchup estranhou a “falta de gosto e de graça” dos biscoitos de polvilho Globo, que o coleguinha descobriu ser o “resumo da culinária carioca”, a qual, segundo ele, nunca foi boa.
Com original bom humor de parte a parte, o pessoal do programa “Estúdio I” levou o gringo para provar outros “resumos”: galeto, coração de galinha, sobrecoxa, pão de alho, farofa e queijo coalho. Dessa vez, ele não reclamou de falta de gosto. Imagina quando experimentar feijoada.
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MORRE PROFESSOR TEODORO

Vítima de complicações do diabetes, morreu, nesta quinta-feira, o deputado estadual José Teodoro Soares, o “Professor Teodoro (PSD), de 76 anos. Ele chegou a ser internado no Hospital Monte Klinikum, no bairro Meireles.
Houve agravamento do quadro. Segundo relatos, ele teria tido falha nos rins.
O velório ocorrerá a partir do meio-dia, no hall da Assembleia Legislativa. O corpo deve passar por Sobral, onde Teodoro, como reitor da UVA, deu dimensão a essa Instituição. O enterro está programado para sua terra, Reriutaba (Zona Norte).
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UMA CONSPIRAÇÃO EM CURSO

Em resumo, o argumento central dessa reação dos maus políticos aos rigores da Lava Jato é o de que é preciso distinguir entre os que faturam “por fora” para enriquecer e quem o faz “apenas” para se eleger. Essa ideia marota, patrocinada por um time poderoso cuja escalação qualquer pessoa que acompanhe o noticiário político tem em mente, significa estabelecer uma clara distinção entre caixa 2 e propina, descriminalizando o primeiro por meio de algum expediente técnico-jurídico. Afinal, o custo das campanhas eleitorais anda pela hora da morte e se tornou insuportável com a proibição do financiamento eleitoral por pessoas jurídicas.
Os maus políticos embarcam nessa conspiração contra a moralização de suas atividades por uma simples razão: não sabem fazer política de outro jeito. Estão inexoravelmente vinculados ao patrimonialismo que predomina na vida pública. Essa distorção extremamente nociva do trato da coisa pública contamina até mesmo o glamourizado “idealismo da esquerda”. Tornou-se comum, depois da devastadora passagem do lulopetismo pelo poder central, notórios esquerdistas fazerem vista grossa à ladroeira patrocinada pelos poderosos.
Na verdade, é preciso considerar que nas últimas décadas se consolidou o conúbio entre os partidos – todos eles – e o grande capital patrocinador de eleições. E isso se fez ao abrigo da lei – ou seja, não era ilegal receber doações, desde que registradas na Justiça Eleitoral.
Diante desse quadro promíscuo, é razoável supor que os agentes da Lava Jato e congêneres eventualmente se deixem levar pelo entusiasmo ou pelo excesso de zelo e ultrapassem os limites de sua competência. Abusos desse tipo devem ser reprimidos e corrigidos. Mas os fatos demonstram que em dois anos e meio na coordenação da Lava Jato em primeira instância é insignificante a quantidade de despachos do juiz Sergio Moro que foram reformados pelas instâncias superiores.
Assim, é inegável que, felizmente, o bom senso esteja prevalecendo nas decisões judiciais relativas a questões especialmente delicadas como a contribuição de empresas a campanhas eleitorais, agora proibida. E o bom senso mostra que as doações eleitorais por parte de pessoas jurídicas – inclusive grandes empreiteiras – nem sempre foram ilegais, sub-reptícias, destinadas a proporcionar vantagens mútuas condenáveis. É necessário saber distinguir entre doações recebidas de boa-fé e aquelas que foram produto de desvios e ilegalidades diversos. Na espécie, não cabem generalizações injustas. Essa distinção precisa ser feita até para neutralizar a tentativa de empresários delatores que têm interesse em meter no mesmo saco todos a quem deram dinheiro, inclusive aqueles que receberam a doação de boa-fé, sem oferecer contrapartida ilícita.
Os que conspiram contra a Lava Jato queixam-se de que os agentes federais tendem a pecar por excesso de rigor, exagerando em sua ação. Se existe algum excesso ou exagero é na sem-vergonhice com que maus políticos se entregaram à corrupção, ativa e passiva, sob o argumento despudorado de que essa é a “regra do jogo”. Essa regra foram eles próprios que criaram. Está mais do que na hora de mudá-la, por meio de uma reforma político-partidária que deixe bem claros e separados os campos da militância em favor do interesse público e a mera bandidagem.
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quarta-feira, 17 de agosto de 2016

O CAIXA DOIS DO TUCANO

Executivos da Odebrecht afirmaram aos investigadores da Operação Lava Jato que a campanha do hoje ministro das Relações Exteriores, José Serra (PSDB-SP), à Presidência da República, em 2010, recebeu R$ 23 milhões da empreiteira via caixa dois.
Corrigido pela inflação do período, o valor atualmente equivale a R$ 34,5 milhões.
A afirmação foi feita a procuradores da força-tarefa da operação e da PGR (Procuradoria-Geral da República) na semana passada por funcionários da empresa que tentam um acordo de delação premiada, conforme antecipou a colunista Mônica Bergamo.
Durante a reunião, realizada na sede da Polícia Federal em Curitiba, os executivos disseram que parte do dinheiro foi entregue no Brasil e parte foi paga por meio de depósitos bancários realizados em contas no exterior.
As conversas fazem parte de entrevistas em que os possíveis delatores da Lava Jato corroboram informações apresentadas pelos advogados na negociação da delação premiada.
O acordo, entretanto, ainda não foi assinado.
Para comprovar que houve o pagamento por meio de caixa dois, a Odebrecht vai apresentar extratos bancários de depósitos realizados fora do país que tinham como destinatária final a campanha presidencial do então candidato.
Segundo informações do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), a empreiteira doou em 2010 R$ 2,4 milhões para o Comitê Financeiro Nacional para Presidente da República de Serra (R$ 3,6 milhões em valores corrigidos).
Dessa maneira, a campanha do tucano teria recebido, apenas do grupo baiano, R$ 25,4 milhões, sendo R$ 23 milhões "por fora".
Segundo os depoimentos de executivos da Odebrecht, a negociação para o repasse à campanha de Serra se deu com a direção nacional do PSDB à época, que depois distribuiu parte do dinheiro entre outras candidaturas.
DELAÇÃO
Os envolvidos nas negociações consideram o tema um dos principais anexos que integram a pré-delação da empresa. É primeira vez que o tucano aparece envolvido em esquemas de corrupção por potenciais colaboradores da operação que investiga desvios na Petrobras.
Em conversas futuras com os procuradores, os executivos também pretendem revelar que o ministro das Relações Exteriores era tratado pelos apelidos de "Vizinho" e "Careca" em documentos da empreiteira.
ACARAJÉ
O nome do tucano foi um dos que apareceram na lista de políticos encontrada na casa do presidente da Odebrecht Infraestrutura, Benedicto Barbosa da Silva Júnior, durante a 23ª fase da Lava Jato, a Acarajé, em fevereiro.
A Folha também apurou que funcionários da companhia relatarão que houve propina paga a intermediários de Serra no período em que ele foi governador de São Paulo (de 2007 a 2010) vinculados à construção do trecho sul do Rodoanel Mário Covas.
O trecho em questão teve construção iniciada no primeiro ano da gestão do tucano e foi orçado em R$ 3,6 bilhões na época.
Na última quinta-feira (4), o ex-presidente do grupo, Marcelo Odebrecht, falou pela primeira vez aos procuradores que investigam o petrolão. Ele está preso há mais de um ano na Lava Jato.
A reunião, realizada com nove procuradores e cinco advogados na superintendência da Polícia Federal de Curitiba, onde Marcelo está preso, começou por volta das 10h e terminou quase sete horas depois.
Ao longo da conversa, o executivo foi cobrado pelos investigadores a falar de maneira "explícita" dos atos de corrupção, "sem rodeios".
O ex-presidente do grupo vinha se preparando havia meses para esse dia, com reuniões semanais com advogados. Na véspera da oitiva, ele recebeu as visitas da mulher, Isabela, e das três filhas para lhe dar apoio.
'LIÇÃO DE CASA'
Além de Marcelo Odebrecht, cerca de 30 executivos da empreiteira deram depoimentos em Curitiba.
As oitivas foram duras. Alguns executivos chegaram a ser chamados de mentirosos pelos investigadores. Parte foi ordenada a fazer a "lição de casa", trazendo mais informações sobre casos que interessam aos procuradores.
OUTRO LADO
O ministro das relações exteriores, José Serra (PSDB-SP), afirmou, por meio de nota enviada por sua assessoria de imprensa, que a campanha dele durante a disputa a Presidência da República em 2010 foi conduzida em acordo com a legislação eleitoral em vigor.
O tucano disse também que as finanças de sua disputa pelo Palácio do Planalto eram de responsabilidade do partido, o PSDB.
Ainda em nota, José Serra reiterou que ninguém foi autorizado a falar em seu nome.
"A minha campanha foi conduzida na forma da lei e, no que diz respeito às finanças, era de responsabilidade do partido", afirmou.
Segundo a prestação de contas da campanha tucana no TSE (Tribunal Superior Eleitoral), o Comitê Financeiro Nacional para Presidente da República, do PSDB, declarou ter recebido R$ 2,4 milhões da empreiteira na disputa de 2010.
Sobre o suposto pagamento de propina a intermediários do tucano quando ele foi governador do Estado de São Paulo, entre 2007 e 2010, e que teriam relação com a construção do trecho sul do Rodoanel, o ministro disse que considera "absurda a acusação".
"Até porque a empresa em questão já participava da obra quando assumi o governo do Estado."
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VERDADES E MENTIRAS

Sinopse
É senso comum dizer que todo político mente. Mas não seria a verdade uma ilusão, uma impossibilidade que tornaria a mentira ética?
Nesse livro, quatro respeitados pensadores de nosso tempo - Gilberto Dimenstein, Leandro Karnal, Luiz Felipe Pondé e Mario Sergio Cortella - debatem as fricções que envolvem a tensa relação entre ética e democracia, colocando em xeque as verdades e as mentiras que compõem o universo político nacional.
Com opiniões por vezes divergentes, mas que se complementam, eles discutem o que, de fato, define um governo democrático e o quanto ele é reflexo de nosso posicionamento como cidadãos.
Os autores trazem à conversa temas que tratam de práticas e dilemas da vida pública com que temos convivido já há bastante tempo e mostram que, mesmo em cenários de crise, há, sim, motivos para acreditar no exercício de uma democracia que tenha o coletivo como bem maior.
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terça-feira, 16 de agosto de 2016

A SÚPLICA DE DILMA

A súplica da presidente ré, Dilma Rousseff em forma de carta aos senadores, saiu  nesta tarde.  Sem novidades na argumentação, a carta reforçou a pecha de 'golpe'.
Dilma defendeu a realização de um plebiscito para a realização de novas eleições.  Essa ideia de novas eleições é ‘marinice’, como disse o inexpressivo, ex-tudo, Ciro Gomes.
Essa foi a última tentativa da petista em sensibilizar os senadores, antes da votação final do impechment que começará na próxima quinta-feira (25), e deverá durar de 3 a 4 dias.
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