quinta-feira, 18 de outubro de 2018

DOAÇÃO ILEGAL

Da Folha de S.Paulo

Empresas estão comprando pacotes de disparos em massa de mensagens contra o PT no WhatsApp e preparam uma grande operação na semana anterior ao segundo turno.

A prática é ilegal, pois se trata de doação de campanha por empresas, vedada pela legislação eleitoral, e não declarada.

A Folha apurou que cada contrato chega a R$ 12 milhões e, entre as empresas compradoras, está a Havan. Os contratos são para disparos de centenas de milhões de mensagens.

As empresas apoiando o candidato Jair Bolsonaro (PSL) compram um serviço chamado "disparo em massa", usando a base de usuários do próprio candidato ou bases vendidas por agências de estratégia digital. Isso também é ilegal, pois a legislação eleitoral proíbe compra de base de terceiros, só permitindo o uso das listas de apoiadores do próprio candidato (números cedidos de forma voluntária).

Quando usam bases de terceiros, essas agências oferecem segmentação por região geográfica e, às vezes, por renda. Enviam ao cliente relatórios de entrega contendo data, hora e conteúdo disparado.

Entre as agências prestando esse tipo de serviços estão a Quickmobile, a Yacows, Croc Services e SMS Market.

Os preços variam de R$ 0,08 a R$ 0,12 por disparo de mensagem para a base própria do candidato e de R$ 0,30 a R$ 0,40 quando a base é fornecida pela agência.

As bases de usuários muitas vezes são fornecidas ilegalmente por empresas de cobrança ou por funcionários de empresas telefônicas.

Empresas investigadas pela reportagem afirmaram não poder aceitar pedidos antes do dia 28 de outubro, data da eleição, afirmando ter serviços enormes de disparos de WhatsApp na semana anterior ao segundo turno comprados por empresas privadas.

Questionado se fez disparo em massa, Luciano Hang, dono da Havan, disse que não sabe "o que é isso". "Não temos essa necessidade. Fiz uma 'live' aqui agora. Não está impulsionada e já deu 1,3 milhão de pessoas. Qual é a necessidade de impulsionar? Digamos que eu tenha 2.000 amigos. Mando para meus amigos e viraliza."

Procurado, o sócio da QuickMobile, Peterson Rosa, afirma que a empresa não está atuando na política neste ano e que seu foco é apenas a mídia corporativa. Ele nega ter fechado contrato com empresas para disparo de conteúdo político.

Richard Papadimitriou, da Yacows, afirmou que não iria se manifestar. A SMS Market não respondeu aos pedidos de entrevista.

Na prestação de contas do candidato Jair Bolsonaro (PSL), consta apenas a empresa AM4 Brasil Inteligência Digital, como tendo recebido R$ 115 mil para mídias digitais.

Segundo Marcos Aurélio Carvalho, um dos donos da empresa, a AM4 tem apenas 20 pessoas trabalhando na campanha. "Quem faz a campanha são os milhares de apoiadores voluntários espalhados em todo o Brasil. Os grupos são criados e nutridos organicamente", diz.

Ele afirma que a AM4 mantém apenas grupos de WhatsApp para denúncias de fake news, listas de transmissão e grupos estaduais chamados comitês de conteúdo.

No entanto, a Folha apurou com ex-funcionários e clientes que o serviço da AM4 não se restringe a isso.
Uma das ferramentas usadas pela campanha de Bolsonaro é a geração de números estrangeiros automaticamente por sites como o TextNow.

Funcionários e voluntários dispõem de dezenas de números assim, que usam para administrar grupos ou participar deles. Com códigos de área de outros países, esses administradores escapam dos filtros de spam e das limitações impostas pelo WhatsApp —o máximo de 256 participantes em cada grupo e o repasse automático de uma mesma mensagem para até 20 pessoas ou grupos.

Os mesmos administradores também usam algoritmos que segmentam os membros dos grupos entre apoiadores, detratores e neutros, e, desta maneira, conseguem customizar de forma mais eficiente o tipo de conteúdo que enviam.

Grande parte do conteúdo não é produzida pela campanha —vem de apoiadores.

Os administradores de grupos bolsonaristas também identificam "influenciadores": apoiadores muito ativos, os quais contatam para que criem mais grupos e façam mais ações a favor do candidato. A prática não é ilegal.

Não há indício de que a AM4 tenha fechado contratos para disparo em massa; Carvalho nega que sua empresa faça segmentação de usuários ou ajuste de conteúdo.

As estimativas de pessoas que trabalham no setor sobre o número de grupos de WhatsApp anti-PT são muito vagas —vão de 20 mil a 300 mil— pois é impossível calcular os grupos fechados.

Diogo Rais, professor de direito eleitoral da Universidade Mackenzie, diz que a compra de serviços de disparo de WhatsApp por empresas para favorecer um candidato configura doação não declarada de campanha, o que é vedado.

Ele não comenta casos específicos, mas lembra que dessa forma pode-se incorrer no crime de abuso de poder econômico e, se julgado que a ação influenciou a eleição, levar à cassação da chapa.

EM MG, ROMEU ZEMA CONTRATOU EMPRESA DE IMPULSIONAMENTO
O candidato ao governo de Minas do partido Novo, Romeu Zema, declarou ao Tribunal Superior Eleitoral pagamento de R$ 200 mil à Croc Services por impulsionamento de conteúdos. O diretório estadual do partido em Minas gastou R$ 165 mil com a empresa.

A Folha teve acesso a propostas e trocas de email da empresa com algumas campanhas oferecendo disparos em massa usando base de dados de terceiros, o que é ilegal.

Indagado pela Folha, Pedro Freitas, sócio-diretor da Croc Services, afirmou: "Quem tem de saber da legislação eleitoral é o candidato, não sou eu."

Depois, recuou e disse que não sabia se sua empresa prestara serviço para Zema. Posteriormente, enviou mensagem afirmando que conferiu seus registros e que vendera pacotes de disparo em massa de WhatsApp, mas só a bases do próprio candidato, filiados ao partido e apoiadores de Zema —o que é legal.

Procurada, a campanha afirmou que "contratou serviço de envio de mensagem somente por WhatsApp para envio aos filiados do partido, pessoas cadastradas pelo website e ações de mobilização de apoiadores".

A Folha apurou que eleitores em Minas receberam mensagens em WhatsApp vinculando o voto em Zema ao voto em Jair Bolsonaro dias antes do primeiro turno. Zema, que estava em terceiro nas pesquisas, terminou em primeiro.

Colaboraram Joana Cunha e Wálter Nunes
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quarta-feira, 17 de outubro de 2018

JERÔNIMO PRADO - 15 ANOS DE SAUDADE

Fotos: da esq. para à dir. O prefeito Jerônimo Prado ao lado da primeira-dama dona Francisquinha Prado assina a Lei 214 que cria a Universidade Vale do Acaraú - UVA. O prefeito Jerônimo Prado, ao lado de seu filho, o secretário José Parente Prado inaugura a primeira praça do então distrito Forquilha. Sempre acompanhado de seu filho Zé Prado, Jerônimo Prado inaugura o primeiro colégio do distrito Olho d´Água – hoje Rafael Arruda.
Memória – Em 17 de outubro de 2003 morre em Sobral (CE), um dos maiores líderes políticos: Jerônimo Medeiros Prado. Nasceu em 15 de julho de1909, no povoado de São Vicente, distrito de Jaibaras, da cidade de Sobral. Em 1932 Jerônimo Prado mudou para Sobral com a família e dar início a uma nova fase de sua vida, começa a ser comerciante.
Em 1940 Jerônimo Prado funda em Sobral a Brasil Oiticica, era a pioneira no comércio de oleaginosas da zona norte do Ceará. Com o sucesso da empresa, Jerônimo Prado mais uma vez se aventura e investe na cultura sobralense e cria o primeiro cinema da cidade, o Cine Alvorada, que se tornou referência cultural no Ceará.
Em 1966, Jerônimo Prado é eleito prefeito de Sobral, começa então a saga da família Prado na política sobralense como exemplo de gestão séria com a participação popular. De 1967 a 1971, Sobral foi administrada por Jerônimo Prado.
Obras importantes foram construídas na gestão Jerônimo Prado: o Estádio Plácido Aderaldo Castelo, conhecido como Estádio do Junco. A adutora para o abastecimento de Sobral. Por meio da Lei Municipal número 214, de 23 de outubro de 1968 cria a Universidade Vale do Acaraú – UVA. A Universidade se torna referência no ensino superior e cultural no estado do Ceará.
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sexta-feira, 12 de outubro de 2018

RELEMBRANDO ULYSSES GUIMARÃES

Foi numa tarde chuvosa de segunda-feira, 12 de outubro que desapareceu o “Senhor Diretas”, Ulysses Guimarães. Ulysses Guimarães morreu (desapareceu) em 12 de outubro de 1992, num acidente de helicóptero nos mares do Rio de Janeiro. Era uma segunda-feira, feriado nacional, dia de Nossa Senhora Aparecida, a padroeira do Brasil.
O helicóptero Esquilo, prefixo PT-HMK, que transportava os casais Ulisses Guimarães e Severo Gomes caiu 30 minutos depois de levantar voo em Angra dos Reis, litoral do Rio de Janeiro, com destino a São Paulo.
O grupo retornava de um fim de semana na casa do empresário Luís Eduardo Guinle, no condomínio Portogallo. Severo, ministro da Agricultura do governo Castelo Branco e da Indústria e do Comércio do governo Geisel, rompera em 1977 com o regime militar, em 1979 filiara-se ao MDB e tornou-se um dos grandes amigos de Ulysses.
Durante várias horas a nação viveu a expectativa de que Ulysses poderia aparecer com vida. Em vão. Com lágrimas nos olhos, o presidente da Câmara dos Deputados, Ibsen Pinheiro (PMDB-RS), na terça-feira, dia 13, reconheceu a tragédia.
O Congresso preparou-se para receber os restos mortais do seu mais ilustre personagem. O corpo não foi encontrado, mas a morte foi oficialmente reconhecida. O país entrou em luto.
Se estivesse vivo, Ulysses Guimarães teria completado 99 anos no último dia 6 de outubro. Ulysses nasceu em Itaqueri da Serra, Itirapina (SP), em 6 de outubro de 1916.
Dr. Ulysses era advogado ativo, mas foi na política que se destacou. Ferrenho opositor à ditadura militar, presidiu a Câmara dos Deputados em duas ocasiões distintas e também foi candidato a presidência da República na eleição de 1989.
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quinta-feira, 11 de outubro de 2018

SUSPEITA DE FRAUDE

O Ministério Público Federal (MPF) em Brasília abriu Procedimento Investigatório Criminal (PIC) para investigar o economista Paulo Guedes, conselheiro econômico do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL). A informação foi revelada pelo jornal Folha de S.Paulo e confirmada pelo jornal O Estado de S. Paulo.

Chamado de “Posto Ipiranga” pelo presidenciável e indicado como ministro da Fazenda em caso de vitória de Bolsonaro, Guedes é suspeito de cometer crimes de gestão fraudulenta e temerária à frente de fundos de investimentos (FIPs) que receberam R$ 1 bilhão, entre 2009 e 2013, de fundos de pensão ligados a empresas públicas. Também será apurada a emissão e negociação de títulos imobiliários sem lastros ou garantias.

Entre os fundos de pensão que repassaram valores aos FIPs administrados por Guedes estão a Funcef, da Caixa, Postalis, dos Correios, Previ, do Banco do Brasil e BNDESPar, este fundo de investimento do BNDES. À época dos fatos apurados, os fundos eram geridos por pessoas indicadas pelo PT e PMDB.

A investigação foi aberta com base em relatórios da Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc) que apontam indícios de fraudes nos aportes feitos pelos fundos de pensão em dois fundos de investimentos criados pela BR Educacional Gestora de Ativos, empresa de Paulo Guedes. A investigação é conduzida pela força-tarefa Greenfield, responsável por apurar desvios nos principais fundos de pensão do País.

Segundo os relatórios da Previc, os aportes nos FIPs podem ter gerado ganho excessivo a Guedes. Em um dos FIPs, que recebeu cerca de R$ 400 milhões, Guedes ganhou 1,75% sobre o valor aportado pelos fundos de pensão logo após o investimento.

Esse mesmo FIP, segundo a Previc, aplicou os valores recebidos dos fundos de pensão em uma empresa: a HSM Educacional, que era controlada pelo próprio Guedes.

A Previc também viu indício de irregularidades no fato de a HSM Educacional, logo após receber os valores, ter adquirido de uma empresa argentina 100% da companhia HSM Brasil, voltada a projetos educacionais e palestras. Como não era uma empresa listada na Bolsa, o investimento foi feito tendo como base um laudo produzido por outra empresa.

Mesmo com laudo apontando a viabilidade do investimento, a empresa que recebeu o aporte registrou prejuízo, principalmente, por causa da remuneração de palestrantes. Somente com o pagamento desse tipo de serviço, entre 2011 e 2012, a empresa gastou R$ 11,9 milhões. Na mesma época, Guedes viajou o País realizando palestras. O MPF quer descobrir se ele recebeu parte desses valores.

Procurado, Paulo Guedes não respondeu aos contatos da reportagem.

Pleiteando o direito de resposta assim como os demais citados em reportagem que trata de uma suposta e recente investigação que estaria sendo conduzida pelo Ministério Público Federal contra o Professor Doutor Paulo Guedes, envolvendo a HSM, temos a esclarecer:

– O Professor Doutor Paulo Guedes jamais foi “controlador” ou “diretor” da HSM, como sugere a matéria. Foi, apenas, membro dos Conselhos de Administração da HSM e Ânima, indicado pelo Fundo BrFip e já está desligado dos Conselhos desde 22 de outubro de 2014.

– A Ânima Educação (Gaec) só passou a ser sócia da HSM em 2013, quando adquiriu sua participação do Fundo citado. No entanto, todas as questões mencionadas na reportagem são relativas a datas anteriores, em período que a HSM possuía como sócios a Geo Eventos e RBS, instituições ligadas às Organizações Globo.

– A HSM possui mais de 30 anos de tradição e tem realizado um trabalho consistente de educação para as lideranças brasileiras, por meio de eventos, soluções digitais e programas de educação corporativa in company.

– A HSM promove a Expo, o maior evento de educação corporativa da América Latina, trazendo para nosso país os melhores pensadores e personalidades do planeta, tais como: Steve Wozniak , Ram Charan, Al Gore, Paul Krugman, Michael Phelps,  Tom Peters, Salim Ismail, Peter Diamandis, JB Straubel, Jack Welch, Philip Kotler, Jim Collins, Malcolm Gladwell, William Ury, Thomas Friedman, além de outras tantas centenas de personalidades que se destacaram em nossos afamados eventos.

– Todas as palestras dos eventos promovidos pela HSM são divulgadas de forma ampla e pública, sendo contratadas em consonância com parâmetros adotados pelos referidos palestrantes em nível internacional.

Via ISTOÉ
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sexta-feira, 5 de outubro de 2018

CONSTITUIÇÃO, 30 ANOS

Hoje, 05 de Outubro, Quantas pessoas individualmente, teriam o que comemorar, inclusive Eu, mas, acima das comemorações ou lembranças alegres ou tristes desta data, Temos o acontecimento de um fato de interesse coletivo, que sempre deve prevalecer em relação às questões pessoais, por maiores ou melhores que sejam, que deve ser lembrado, não apenas pelo seu significado, suas consequências, mas, sobretudo pela expectativa que foi gerada durante anos, e que anos, do Golpe Militar, da falta dos direitos individuais, das barbáries ocorridas e ainda não colocadas às claras para toda nação, da falta de amparo legal a tantos problemas sociais, da falta da regulação de tantos procedimentos demandados pela população...
Enfim, há 30 anos, foi Promulgada e Batizada como Constituição Cidadã, pelo extraordinário Homem Público, Ulysses Guimarães, que carregou nas costas durante anos o fardo pesado na busca da liberdade e da Democracia, Sendo esquecido um ano depois pela população, quando postulou a Presidência da Republica em eleições livres e Diretas, conseguidas com grande esforço, graças a sua coragem de liderar, durante anos, este desejo nacional, onde obteve uma pequena votação, para elegerem um " caçador de Marajá " , que logo depois foi cassado por razões justas, mas pouco significativas, diante dos grandes escândalos que temos assistido nos últimos tempos.
Este Cidadão, bem como a constituição cidadã, continuam ainda sendo a esperança do povo brasileiro, Ele, que como um mistério, morreu num acidente aéreo no oceano, e seu corpo nunca foi encontrado, deve ter encantado no fundo do mar, talvez até para ser poupado, das decepções que teria se vivo estivesse, dos permanentes desrespeitos à sua obra tão importante, e Ela, a Constituição, que nem conseguiram regulamentar muito dos seus artigos até hoje, encontra-se cheia de emendas, nem sempre em benefício da população, parecendo uma colcha de retalhos.
Pois bem meus amigos, minhas amigas, as expectativas da nação brasileira não diminuíram, ao contrário, aumentaram, exatamente, por conta da falta do cumprimento dos princípios constitucionais, que terminam ferindo diretamente os anseios e necessidades da população, além de frustrarem os fundamentos éticos, morais e democráticos que todos desejamos em todo País.
Salve Ulysses Guimarães! Viva a Constituição Cidadã! A luta continua. Viva ao Povo Brasileiro! Um abraço, Joaquim Cunha.
Via Facebook , Joaquim Cunha, ex-prefeito de Gavião (BA) – Foi Presidente da Associação de Prefeitos da Região nordeste e Vice-Presidente da União dos Municípios da Bahia (UPB). 
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terça-feira, 2 de outubro de 2018

A IMPORTÂNCIA DO VOTO

Artigo de Rachel de Queiroz
O artigo "Votar" de Rachel de Queiroz foi publicado na revista O Cruzeiro, em 11 de Janeiro de 1947, com o objetivo de alertar os eleitores de então, quanto a importância do voto, continua contemporâneo.
Não sei se vocês têm meditado como devem no funcionamento do complexo maquinismo político que se chama governo democrático, ou governo do povo. Em política a gente se desabitua de tomar as palavras no seu sentido imediato. No entanto, talvez não exista, mais do que esta, expressão nenhuma nas línguas vivas que deva ser tomada no seu sentido mais literal: governo do povo. Porque, numa democracia, o ato de votar representa o ato de FAZER O GOVERNO.
Pelo voto não se serve a um amigo, não se combate um inimigo, não se presta ato de obediência a um chefe, não se satisfaz uma simpatia. Pelo voto a gente escolhe, de maneira definitiva e irrecorrível, o indivíduo ou grupo de indivíduos que nos vão governar por determinado prazo de tempo.
Escolhem-se pelo voto aqueles que vão modificar as leis velhas e fazer leis novas - e quão profundamente nos interessa essa manufatura de leis! A lei nos pode dar e nos pode tirar tudo, até o ar que se respira e a luz que nos alumia, até os sete palmos de terra da derradeira moradia.
Escolhemos igualmente pelo voto aqueles que nos vão cobrar impostos e, pior ainda, aqueles que irão estipular a quantidade desses impostos. Vejam como é grave a escolha desses "cobradores". Uma vez lá em cima podem nos arrastar à penúria, nos chupar a última gota de sangue do corpo, nos arrancar o último vintém do bolso.
E, por falar em dinheiro, pelo voto escolhem-se não só aqueles que vão receber, guardar e gerir a fazenda pública, mas também se escolhem aqueles que vão "fabricar" o dinheiro. Esta é uma das missões mais delicadas que os votantes confiam aos seus escolhidos.
Pois, se a função emissora cai em mãos desonestas, é o mesmo que ficar o país entregue a uma quadrilha de falsários. Eles desandam a emitir sem conta nem limite, o dinheiro se multiplica tanto que vira papel sujo, e o que ontem valia mil, hoje não vale mais zero.
Não preciso explicar muito este capítulo, já que nós ainda nadamos em plena inflação e sabemos à custa da nossa fome o que é ter moedeiros falsos no poder.
Escolhem-se nas eleições aqueles que têm direito de demitir e nomear funcionários, e presidir a existência de todo o organismo burocrático. E, circunstância mais grave e digna de todo o interesse: dá-se aos representantes do povo que exercem o poder executivo o comando de todas as fôrças armadas: o exército, a marinha, a aviação, as polícias.
E assim, amigos, quando vocês forem levianamente levar um voto para o Sr. Fulaninho que lhes fez um favor, ou para o Sr. Sicrano que tem tanta vontade de ser governador, coitadinho, ou para Beltrano que é tão amável, parou o automóvel, lhes deu uma carona e depois solicitou o seu sufrágio - lembrem-se de que não vão proporcionar a esses sujeitos um simples emprego bem remunerado.
Vão lhes entregar um poder enorme e temeroso, vão fazê-los reis; vão lhes dar soldados para eles comandarem - e soldados são homens cuja principal virtude é a cega obediência às ordens dos chefes que lhe dá o povo. Votando, fazemos dos votados nossos representantes legítimos, passando-lhes procuração para agirem em nosso lugar, como se nós próprios fossem.
Entregamos a esses homens tanques, metralhadoras, canhões, granadas, aviões, submarinos, navios de guerra - e a flor da nossa mocidade, a eles presa por um juramento de fidelidade. E tudo isso pode se virar contra nós e nos destruir, como o monstro Frankenstein se virou contra o seu amo e criador.
Votem, irmãos, votem. Mas pensem bem antes. Votar não é assunto indiferente, é questão pessoal, e quanto! Escolham com calma, pesem e meçam os candidatos, com muito mais paciência e desconfiança do que se estivessem escolhendo uma noiva.
Porque, afinal, a mulher quando é ruim, dá-se uma surra, devolve-se ao pai, pede-se desquite. E o governo, quando é ruim, ele é que nos dá a surra, ele é que nos põe na rua, tira o último pedaço de pão da boca dos nossos filhos e nos faz apodrecer na cadeia. E quando a gente não se conforma, nos intitula de revoltoso e dá cabo de nós a ferro e fogo.
E agora um conselho final, que pode parecer um mau conselho, mas no fundo é muito honesto. Meu amigo e leitor, se você estiver comprometido a votar com alguém, se sofrer pressão de algum poderoso para sufragar este ou aquele candidato, não se preocupe. Não se prenda infantilmente a uma promessa arrancada à sua pobreza, à sua dependência ou à sua timidez. Lembre-se de que o voto é secreto.
Se o obrigam a prometer, prometa. Se tem medo de dizer não, diga sim. O crime não é seu, mas de quem tenta violar a sua livre escolha. Se, do lado de fora da seção eleitoral, você depende e tem medo, não se esqueça de que DENTRO DA CABINE INDEVASSÁVEL VOCÊ É UM HOMEM LIVRE. Falte com a palavra dada à fôrça, e escute apenas a sua consciência. Palavras o vento leva, mas a consciência não muda nunca, acompanha a gente até o inferno".
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segunda-feira, 1 de outubro de 2018

PRIMEIROS DIAS DO NOVO MUNDO

Artigo de Fernando Gabeira
Outro dia, uma simpática leitora me escreveu, dizendo que eu estava em cima do muro. Não é exatamente isso o que acontece. Estou na mesma posição que estarei depois das eleições: independência crítica.
Não gosto de muros, tanto que, quando caiu o de Berlim, mudei-me para lá com a família, para acompanhar as consequências. Nem todo muro dá para aceitar. Nas eleições municipais do Rio, recusei a alternativa que a maioria dos eleitores me apresentou.
Recusá-la agora não significa desrespeito às grandes multidões que escolhem Lula ou Bolsonaro. Pelo contrário, uma oposição consciente pode ser uma forma de valorizar essa escolha.
A amiga pede que eu rejeite apenas Bolsonaro. É ameaçador para a democracia. Ela leu nos jornais que o PT, ao contrario, tem um forte compromisso com a democracia.
Respeito sua posição e a dos jornalistas. No entanto, era deputado federal no período do mensalão. Discutir com fantoches comprados pelo governo era para mim um arremedo de democracia.
Creio que passa por aí nossa divergência. No meu entender, a ameaça à democracia não se resume hoje ao clássico golpe militar, com tanques na rua. Ela pode ser subvertida por dentro, envenenada aos poucos.
Talvez a amiga precise de um pouco de paciência não só comigo, que não aceito esse muro, como também com as pessoas que realmente estão ainda em cima dele, por indecisão. Se ajudar, recomendo o livro de John Gray — “A alma da marionete, um breve ensaio sobre a liberdade humana” — que acaba de ser lançado aqui. Entre outras coisas, ele diz: “não é a autoconsciência, mas a divisão de si mesmo que nos torna humanos.”
Isso não quer dizer que não fazemos escolhas. Caso contrário, não estaríamos onde estamos hoje. Lembro que há pouco mais de 20 anos brincava sobre o tema, com Luís Eduardo Magalhães. Ele, presidente da Câmara; eu, o único deputado do PV. Ele dizia, para me ironizar: como vota sua bancada? Eu dizia: a bancada tem apenas uma pessoa, por sinal bastante dividida.
Compreendo que a pressão é natural. Muitos artistas já estão mergulhados no dilema de declarar voto.
Infelizmente, não sou artista, mas apenas alguém com uma experiência política de pouco mais de meio século. Minha análise me conduz à oposição, não importa o que sair desse duelo entre Lula e Bolsonaro.
Só que, nas circunstâncias nacionais, terá de ser uma oposição construtiva e cuidadosa, exatamente porque me preocupo com a democracia.
Há algum tempo que procuro conhecer os programas de governo do PT e de Bolsonaro. São vagos o bastante para não rejeitá-los em bloco, mas contêm várias armadilhas.
Na verdade, não há ainda programa real de governo. Há intenções, acenos contraditórios. A necessidade de seduzir o centro ainda pode trazer novidades.
O choque de personalidades ofuscou o confronto entre programas. Não só os que estão no muro como os que recusam o dilema eleitoral representam um estímulo para que os candidatos sejam mais explícitos em suas propostas, moderados em sua retórica.
Mesmo com um conhecimento precário dos verdadeiros programas, esquerda e direita terão muitas dificuldades para implementá-los. Como impor uma agenda liberal a um país dividido, como impor uma agenda como a dos anos petistas?
Não, se conseguirmos deter a intolerância entre os contrários. Mas outra busca é possível: deter a intolerância contra quem simplesmente não toma o partido de um dos lados.
Ao invés, é essencial evitar a potencial tragédia no choque entre eles.
O período que vem por aí é muito difícil, desses em que você não inveja os vencedores. A economia patina, o Congresso não se renova, e as eleições sempre trazem grandes expectativas.
Não esperava encarar isso nos primeiros anos de democratização. Mas é preciso olhar de frente. Para mim, o Galeão não é saída porque leio o outro nome dele, Antonio Carlos Jobim, e me lembro da beleza e do talento que o país abriga.
Será apenas uma longa fase de sufoco.
Artigo publicado no O Globo em 01/10/2018
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sexta-feira, 28 de setembro de 2018

O OUTRO BOLSONARO

Da VEJA
Em 2007, o deputado Jair Bolsonaro, então com 52 anos, estava terminando seu segundo casamento, com Ana Cristina Siqueira Valle. Depois de mais de dez anos juntos e um filho, o casal resolveu se separar, mas o caso acabou na Justiça. Eles disputavam a guarda do filho, hoje com 20 anos, e Ana Cristina alegava que seu ex-marido resistia a fazer uma partilha justa dos bens. Por isso, em abril de 2008, ela deu entrada com uma ação na 1ª Vara de Família do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. O processo, com mais de 500 páginas, ao qual VEJA teve acesso, contém uma série de incriminações mútuas que fazem parte do universo privado do ex-casal. Há, no entanto, acusações de Ana Cristina ao ex-marido que entram na esfera do interesse público porque contradizem a imagem que Bolsonaro construiu sobre si mesmo na campanha presidencial. São elas:
 SILÊNCIO – Ainda internado depois do atentado, Bolsonaro não quis se manifestar sobre as acusações da ex-mulher
• Bolsonaro ocultou patrimônio pessoal da Justiça Eleitoral em 2006. Quando foi candidato a deputado federal, declarou que tinha um terreno, uma sala comercial, três carros e duas aplicações financeiras, que somavam, na época, 433 934 reais. Sua ex-mulher, no mesmo processo, anexou uma relação de bens e a declaração do imposto de renda do ex-marido, mostrando que seu patrimônio incluía também três casas, um apartamento, uma sala comercial e cinco lotes. Os bens do casal, em valores de hoje, somariam cerca de 7,8 milhões de reais.
• Bolsonaro tinha uma “próspera condição financeira” quando era casado com Ana Cristina, segundo ela própria. A renda mensal do deputado chegava a 100 000 reais — cerca de 183 000 reais, em valores atualizados. Na época, oficialmente, Bolsonaro recebia 26 700 reais como deputado e 8 600 reais como militar da reserva. Para chegar aos 100 000 reais, diz a ex-mulher, Bolsonaro recebia “outros proventos”, que ela não identifica.
• Bolsonaro, de acordo com Ana Cristina, furtou seu cofre numa agência do Banco do Brasil, em outubro de 2007, e levou todo o conteúdo: joias avaliadas em 600 000 reais, 30 000 dólares em espécie e mais 200 000 reais em dinheiro vivo — totalizando, em valores de hoje, cerca de 1,6 milhão de reais. O cofre ficava na agência do Banco do Brasil da Rua Senador Dantas, no centro do Rio. Seu conteúdo é incompatível com as rendas conhecidas do então casal.
• Bolsonaro era um marido de “comportamento explosivo” e de “desmedida agressividade”. Essa foi a razão que levou Ana Cristina a separar-se, segundo ela mesma informa.
 “ELEVADO PADRÃO” - A casa do deputado num condomínio de luxo no Rio de Janeiro
Bolsonaro e Ana Cristina se separaram oficialmente em 2008, depois de dez anos juntos. Com o passar do tempo, os dois voltaram a se entender e selaram um armistício que dura até hoje, tanto que Ana Cristina, candidata a deputada federal pelo Podemos do Rio de Janeiro, até usa o sobrenome do presidenciável e se apresenta aos eleitores como “Cristina Bolsonaro” — sobrenome que jamais teve.
Agora, ela diz que as acusações que fez contra o ex-marido são fruto de excessos retóricos. Não é incomum que, em separações litigiosas, marido e mulher troquem acusações infundadas, destinadas a magoar ou tentar extrair alguma vantagem. Mas uma consulta ao processo e suas adjacências mostra que Ana Cristina não estava mentindo. O furto do cofre, por exemplo, realmente ocorreu. Em 26 de outubro de 2007, ela esteve na agência do Banco do Brasil e, misteriosamente, sua chave não abriu o cofre. Chamado ao local, um chaveiro destravou o equipamento, e Ana Cristina constatou que estava vazio. “Isso só pode ter sido coisa do meu ex-marido”, disse ela aos funcionários do banco. Um deles tentou acalmá-la, sem sucesso. “Ele pode tudo, e vocês têm medo dele”, respondeu ela. No mesmo dia, Ana Cristina registrou um boletim de ocorrência sobre o furto na 5ª Delegacia da Polícia Civil.
PATRIMÔNIO OCULTO –   Em 2006, Bolsonaro apresentou à Justiça Eleitoral a relação de seus bens, que totalizavam, segundo ele, 433 934 reais — ou 850 000 em valores atualizados. No processo de separação (abaixo), descobre-se que o patrimônio real do casal à época era de 4 milhões de reais — ou 7,8 milhões em valores atualizados
VEJA teve acesso ao inquérito policial. Em depoimento, Alberto Carraz, um dos gerentes do Banco do Brasil, confirmou que tanto Ana Cristina quanto Bolsonaro mantinham cofres na agência. No caso do deputado, não se sabe o que ele guardava — e ele também nunca declarou a propriedade do cofre. Já a ex-mu­lher disse que guardava joias avaliadas em 600 000 reais, mais 30 000 dólares em espécie e 200 000 reais em dinheiro vivo. Localizado por VEJA, Alberto Carraz conta que, de fato, o conteúdo do cofre sumiu e dá uma pista do que pode ter sido o desfecho da história: “Quando Bolsonaro soube que a ex-mu­lher tinha feito um registro de ocorrência na delegacia, ele me disse que iria resolver a questão. Depois, eu soube por ele que estava tudo resolvido e que ela tinha retirado a queixa”. Na verdade, não foi bem assim.
A discussão sobre o furto do cofre continuou, segundo mostra o processo. A defesa de Bolsonaro, na etapa em que o ex-casal discutia a guarda do filho, juntou um depoimento em que o deputado acusava a mulher de chantageá-lo. Dizia que ela tinha levado o filho para o exterior e condicionava o retorno da criança à devolução do dinheiro e das joias subtraídos do cofre. Bolsonaro acusou a mulher de sequestro. Ela acusou-o de furto. Na época, além de procurar a Polícia Federal, Bolsonaro pediu ajuda ao Itamaraty para localizar o filho no exterior. Ana Cristina e a criança estavam em Oslo, na Noruega. Na semana passada, o jornal Folha de S.Paulo divulgou telegramas do Itamaraty nos quais Ana Cristina, em conversa com um vice-cônsul brasileiro em Oslo, dizia que fora para a Noruega depois de ser ameaçada de morte pelo ex-mari­do. Ela negou que tenha dito isso ao vice-cônsul, mas o jornal ouviu cinco amigas brasileiras de Ana Cristina em Oslo e todas a desmentiram e confirmaram que a ameaça de morte fora o motivo de sua viagem para a Europa. O fato é que, quando o depoimento de Bolsonaro acusando Ana Cristina de sequestro foi anexado ao processo, o ex-casal chegou imediatamente a um acordo. O filho voltou do exterior, a disputa pelos bens foi resolvida nos termos reivindicados por Ana Cristina e o valor da pensão foi acertado. Sobre o furto do cofre, porém, nenhuma palavra.
O EX-GERENTE - Carraz confirmou que o casal mantinha dois cofres no banco
Alberto Carraz se diz amigo de Bolsonaro até hoje. Há dois anos, ele foi acusado de furtar 2 milhões de reais de vários cofres da agência do Banco do Brasil. Poderia ter sido ele então o ladrão do cofre de Ana Cristina? Na relação oficial das supostas vítimas de Carraz não aparece o nome nem de Ana Cristina nem de Bolsonaro. E a investigação policial sobre o assunto não deu em nada. Ana Cristina foi chamada a depor duas vezes, não compareceu e, no ano passado, depois de dez anos, a polícia encerrou o caso sem esclarecê-lo. Bolsonaro e Ana Cristina não tinham renda para possuir bens e valores da ordem de 1,6 milhão de reais guardados num cofre de banco. Localizada por VEJA, Ana Cristina não quis entrar em detalhes. Deu-se o seguinte diálogo:
De onde vieram as joias, dólares e reais? Era coisa minha, que juntei. Coisas do meu ex-marido, joias que ganhei do Jair.
Por que a senhora não atendeu às convocações para depor na polícia? Não lembro. Fiquei quieta.
Por quê? Não me sentia à vontade. Iria dar um escândalo para ele e para mim. Deixei para lá.
Escândalo para o deputado? Eu, brava, falo besteira.
Por isso a senhora desistiu da investigação? Nós dois tínhamos um acordo de abrir mão de qualquer apuração porque não seria bom.
Qual o acordo? Aí eu prefiro ficar… me omitir.
Ao entrar na Justiça para formalizar a separação, Ana Cristina queria a divisão que considerava justa do patrimônio que o casal adquiriu ao longo do casamento. À Justiça, ela disse que o ex-marido “proporcionava a sua família um elevado padrão, financiando frequentes viagens ao exterior” e que Bolsonaro tinha “remuneração de militar da reserva, de deputado federal e outros proventos que ultrapassam a mais de 100 000 reais mensalmente”. Na época, a renda oficial de Bolsonaro era de 35 300 reais. Recebia 26 700 reais como deputado e 8 600 reais como militar aposentado. Para chegar aos “mais de 100 000 reais”, a renda do deputado teria de ser multiplicada por três. Ana Cristina não informou quais seriam os “outros rendimentos” de Bolsonaro, mas anexou ao processo uma relação de bens e a declaração de imposto de renda do ex-marido referente ao ano de 2006. Os peritos da Justiça avaliaram esse patrimônio todo em 4 milhões de reais — cerca de 7,8 milhões de reais em valores atualizados.
O FURTO DO COFRE – Em 26 de outubro de 2007, Ana Cristina registrou um boletim de ocorrência que relatava o furto de 600 000 reais em joias, 30 000 dólares em espécie e 200 000 reais em dinheiro vivo, guardados em um cofre que ficava numa agência do Banco do Brasil. Na época, ela acusou Bolsonaro pelo crime.
No mesmo ano de 2006, Bolsonaro entregou à Justiça Eleitoral uma relação de bens que somava somente 433 934 reais — coisa de 10% apenas do que a perícia judicial avaliara. Ele omitiu a propriedade de três casas, um apartamento, uma sala comercial e cinco lotes. A lei exige que cada candidato divulgue seus bens para que o eleitor possa acompanhar a evolução do seu patrimônio e avaliar, por exemplo, se amealhou bens em valores desproporcionais aos proventos recebidos durante o mandato. “É um mecanismo de fiscalização dos eleitores e da imprensa sobre os políticos”, diz Henrique Neves, ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral. Quando um candidato divulga uma lista subfaturada, está enganando o eleitor. O advogado Daniane Furtado, especialista em direito eleitoral, diz que a omissão de bens na declaração entregue à Justiça Eleitoral pode ser enquadrada nos crimes de falsidade ideológica e sonegação. “O que o político informou à Justiça Eleitoral tem de ser compatível com o que está no imposto de renda”, diz.
RENDA NÃO DECLARADA – Ana Cristina anexou ao processo os holerites de Bolsonaro e relatou que o casal tinha uma renda de “mais de 100 000 reais” — em valores de hoje equivalentes a 183 000 reais. Na época, os proventos como deputado e militar da reserva, suas únicas fontes de renda conhecidas, totalizavam 35 300 reais mensais.
Numa das petições, a ex-mulher de Bolsonaro diz que o casal sempre teve uma “afortunada” condição de vida, que podia ser confirmada “pelos sinais exteriores de riqueza”. Para comprovar o relato, juntou ao processo documentos, holerites, fotos de viagens — e a acusação dos tais “mais de 100 000 reais” não declarados, hoje equivalentes a 183 000 reais. Nas declarações de imposto de renda de Bolsonaro anexadas ao processo — tanto a referente a 2006 quanto a de 2007 — não há registro de nenhuma renda além dos proventos de deputado e militar da reserva.
A vida patrimonial de Bolsonaro, a julgar pelos documentos entregues à Receita Federal e à Justiça Eleitoral, é uma gangorra. Em 2001, ele declarou à Receita um patrimônio de 419 000 reais. Em 2006, o patrimônio informado ao Fisco subiu para 1,6 milhão de reais — embora, nos cinco anos transcorridos entre uma declaração e a outra, a soma de seus proventos como parlamentar e militar aposentado não tenha chegado a 1 milhão de reais líquidos. Neste ano eleitoral de 2018, Bolsonaro disse à Justiça Eleitoral que seu patrimônio soma 2,2 milhões de reais, incluindo cinco imóveis. Um deles, comprado em 2009, fica num condomínio residencial localizado em frente à praia na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Corretores da região consultados por VEJA informam que as casas mais baratas no condomínio de Bolsonaro não custam menos de 2 milhões de reais. Uma reportagem da Folha de S.Paulo, publicada em janeiro passado, revelou que Bolsonaro comprou sua casa no condomínio por 400 000 reais — é um valor inferior aos 580 000 reais que o próprio vendedor pagou ao adquiri-la quatro meses antes.
Hoje, Ana Cristina nega as acusações. “Quando você está magoado, fala coisas que não deveria”, disse a VEJA. Sobre os “outros rendimentos” e a vida “afortunada” do candidato, ela diz que nem se lembra: “Eu falei isso?”. No processo, Ana Cristina explicou que a separação do casal aconteceu porque o comportamento de Bolsonaro era “explosivo”, o que tornou a convivência “insuportável”, em virtude da “desmedida agressividade” do parlamentar. Mas, agora, tudo mudou. Diz ela: “Bolsonaro é digno, carinhoso, honesto e provedor. Apesar de ‘machão’, ama os filhos incondicionalmente e trata suas mulheres como princesas”. Consultado por VEJA, Bolsonaro não quis dar entrevista.
Por Hugo Marques, Nonato Viegas e Thiago Bronzatto. Com reportagem de Gabriel Castro e Laryssa Borges.
Publicado em VEJA de 3 de outubro de 2018, edição nº 2602
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PRODUTORA FAKE

Da ÉPOCA
Em Petrolina, município pernambucano de 300 mil habitantes, às margens do Rio São Francisco, funciona o QG da produção de vídeos para a TV e redes sociais da candidatura presidencial de Jair Bolsonaro. Essa, pelo menos, é a informação fornecida pela campanha do PSL na prestação de contas parcial que apresentou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Segundo o documento, foram pagos R$ 240 mil para uma produtora local, cerca de 20% do total de gastos da campanha até agora.
A reportagem de ÉPOCA foi até o endereço registrado da produtora de vídeo, a Mosqueteiros Filmes Ltda. No local, no centro de Petrolina, encontrou apenas uma casa vazia — uma placa anuncia que ela está à venda. O imóvel está sem uso há mais de dois anos, segundo os moradores do bairro. Quem atende o telefone exposto na fachada é Roberta Nogueira, confeiteira e dona do imóvel desde 2005. “Esse pessoal da Mosqueteiros alugou um escritório lá há muito, muito tempo. Já saíram há anos, nem lembro quantos. Não sei onde estão ou se ainda existem”, disse à reportagem por telefone.
A atividade registrada pela empresa na Receita Federal é, de fato, a produção de filmes publicitários, ainda que não tenha sede, telefone ou site na internet para vender esse serviço. Criada em 2011, seus proprietários são Gabriel Salles — que à época tinha 18 anos — e sua mãe, Maria Dias.
Para entender o papel da Mosqueteiros Filmes na campanha de Bolsonaro, o melhor é concentrar a atenção em outra agência de comunicação instalada na cidade, a 9ideia — que tem sede em João Pessoa, capital da Paraíba. Seus quatro funcionários em Petrolina prestam serviços para a prefeitura da cidade. Eles dizem não ter envolvimento nenhum com a campanha do candidato do PSL. Mas o sócio da empresa tem. Ele é o publicitário Lucas Salles.
Quem apresentou Lucas Salles a Jair Bolsonaro foi o coordenador político do pesselista no Nordeste, Julian Lemos, candidato a deputado federal e vice-presidente do PSL. Ainda na fase de pré-campanha, o publicitário se apresentava como consultor político e “marquetólogo” de Bolsonaro — ele e seu cliente não gostam do termo “marqueteiro”.
Lucas Salles, sócio da 9ideia, é o pai de Gabriel e o marido de Maria Dias, os sócios da Mosqueteiros. Os três moram em João Pessoa, a 800 quilômetros de Petrolina. Quando ÉPOCA visitou a 9ideia, na capital paraibana, Lucas Salles e Maria Dias estavam na agência, um pequeno prédio de três andares localizado em uma esquina. O térreo é alugado por uma loja de bolsas, a agência ocupa os outros dois pisos.
Em uma sala de reuniões, ao lado de um aquário em que dez funcionários trabalhavam, o casal falou à reportagem. Perguntei por que receberam o pagamento da campanha pelo CNPJ da Mosqueteiros Filmes, quando quem estava de fato prestando o serviço era a 9ideia. “A 9ideia não está na campanha, não. A Mosqueteiros é que está. É uma empresa de Petrolina, mas tem uma filial aqui, no segundo andar deste prédio”, afirmou Lucas Salles. Segundo Maria Dias, a 9ideia não pode atuar na produção de filmes para a campanha porque é uma agência de publicidade de varejo. Seu objeto social é de agência publicitária, não de produtora de filmes. “O Cenp, que é o Conselho Executivo das Normas-Padrão, não permite que agências de publicidade atendam a contas eleitorais”, afirmou Maria Dias. A Mosqueteiros tem um CNPJ na Paraíba desde 2013.
Em seguida, Lucas Salles me levou ao segundo andar da agência, onde fica, segundo ele, a produtora de filmes. Gabriel Salles, representante legal da Mosqueteiros, teve problemas de saúde nos últimos meses e por isso não estava trabalhando, segundo seu pai. O local estava vazio. Havia um adesivo da Mosqueteiros Filmes exposto na porta de uma pequena sala trancada. “Aqui é a Mosqueteiros.” Depois de pedir para uma auxiliar trazer a chave da sala, ele mostrou alguns itens jogados no chão, como tripés e lâmpadas. “Os equipamentos mais caros ficam lá embaixo, porque é mais seguro”, explicou.
De volta ao primeiro andar, perguntei se aqueles funcionários, na sede da 9ideia, não eram os que estavam realmente trabalhando na campanha presidencial. Lucas Salles respondeu que sim e disse que contratou apenas três frilas para a Mosqueteiros, no Rio de Janeiro. “Mas os funcionários da 9ideia vão ser remunerados de alguma forma com esse dinheiro da campanha que a Mosqueteiros recebeu?”, perguntei. “Sim, vou dar um bônus para eles”, explicou. Segundo o publicitário, eram 16 empregados da 9ideia envolvidos no início do projeto, mas alguns pediram demissão porque sentiram “desconforto” em trabalhar para Bolsonaro.
Lucas Salles nasceu há 55 anos em Campina Grande. Estudou comunicação, militou no PT e hoje dá aula de marketing político em João Pessoa. Usa óculos com uma armação escura e pesada, que contrasta com sua careca. Maria Dias, de 50 anos, também especializada em marketing, é sócia da 9ideia e encarregada da parte jurídica e financeira da empresa. O casal trabalha junto há 30 anos.
Quando fala de Bolsonaro, Salles mostra-se apaixonado. “Tenho uma relação próxima com ele. Quando o conheci, ele perguntou: ‘Você está preparado para a missão?’. Falei: ‘Fui forjado para estar aqui’.” Ele acompanhou Bolsonaro em debates e elaborou o jingle da campanha com o músico Dinarte Nóbrega, seu funcionário. A música “Muda Brasil, muda de verdade” começa com as notas do Hino Nacional. A letra fala em “Bolsonaro, com amor e com coragem”. “Me disseram que não tinha nada a ver falar de amor, que Bolsonaro não tem a ver com amor. Mas, para mim, Deus é amor.” Na sala de reunião, há uma Bíblia sobre a mesa.
 Bolsonaro informou ao TSE ter gasto apenas R$ 1,1 milhão até agora. A produtora Mosqueteiros representa o segundo maior gasto, após uma despesa de R$ 250 mil com uma agência de viagens. As receitas vêm de arrecadação coletiva e de doações de pessoas físicas, segundo a prestação de contas. A estrutura pequena se justifica, em parte, pelo perfil da campanha. Com apenas oito segundos de televisão e 11 inserções de 30 segundos, o foco está nas redes sociais, onde o candidato tem milhões de seguidores.
Outra empresa de marketing, a AM4, centraliza a distribuição de conteúdo digital. Muitos vídeos para compartilhar nas redes sociais são produzidos pela equipe de Salles, e outros são apenas transmissões de discursos de Bolsonaro e de seus filhos. O publicitário de João Pessoa não especificou quanto dinheiro vai tirar da Mosqueteiros para remunerar os funcionários da 9ideia que trabalham na campanha, qual é o salário deles nem qual é o formato que prevê para esse pagamento extra, já que não planeja envolver o CNPJ da agência de publicidade na prestação de contas. O valor pago, R$ 240 mil, está muito abaixo da média do mercado. Para suas produtoras de vídeo, Geraldo Alckmin pagou R$ 15 milhões, e Henrique Meirelles R$ 10 milhões. Os gastos do PT com a mesma atividade foram de R$ 5,2 milhões e os de Ciro Gomes R$ 2,3 milhões.
Perguntei a Salles se ele poderia ter envolvimento na distribuição da verba, já que não é sócio da Mosqueteiros. “Não, mas eu posso fazer parte dela trabalhando nela, para administrar.” Questionei se ele era funcionário da empresa. “Não.” Perguntei se, nesse caso, estava ou não trabalhando na campanha. “Estou na Alfa9.” A Alfa9, sua microempresa, registrada como LCL Salles, recebeu R$ 30 mil da campanha de Bolsonaro, um valor separado do pagamento à Mosqueteiros. Salles disse usar esse dinheiro também para contratar autônomos quando é necessário. O objeto social registrado para a Alfa9 é marketing direto, o que a habilita a prestar serviços de consultoria política, segundo ele. No segundo andar também há um adesivo com a logomarca da Alfa9.
A campanha de Bolsonaro indicou a advogada Karina Kufa, responsável pela prestação de contas, para explicar o imbróglio. “Não há nenhuma irregularidade na contratação”, disse por telefone. “A empresa (Mosqueteiros) tem estrutura suficiente para atender a uma demanda de pequeno porte.” Ao ser questionada sobre o fato de funcionários da 9ideia prestarem serviço para a campanha, Kufa disse que se trata de um problema trabalhista. “Se tiver um problema trabalhista com a empresa dele, de ele estar fazendo o desvio de trabalhadores de uma empresa para outra, isso não é problema da campanha. A campanha contrata empresas.”
De acordo com advogados eleitorais, informar na prestação de contas o CNPJ de uma empresa laranja, que não é a que de fato está prestando o serviço, pode ser considerado crime de falsidade ideológica eleitoral se constatada a intenção de fraude. O Código Eleitoral prevê uma pena de até cinco anos para o delito. Para Salles, não há irregularidade, e cada CNPJ tem seu objeto de atuação nesse caso. “É normal ter duas empresas, uma agência e uma produtora. Se faz assim no Brasil, nos Estados Unidos. Não há nenhum impedimento legal ou moral.”
Para Daniel Falcão, professor de Direito Eleitoral da USP de Ribeirão Preto, São Paulo, uma situação como essa poderia ser um sinal de gasto ou captação ilícita, o que pode motivar uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral. “É muito comum no Brasil pagar dinheiro para uma empresa que não existe. No julgamento da chapa Dilma-Temer pelo TSE, foi um dos pontos centrais. A campanha tem a responsabilidade e a obrigação de verificar exatamente para quem está pagando.”
Empresas também não podem prestar serviços gratuitos a uma campanha eleitoral. Desde que o Supremo Tribunal Federal (STF) proibiu doações de empresas, em 2015, uma pessoa jurídica não pode fornecer apoio a um candidato sem cobrar. “Se a empresa está trabalhando sem receber formalmente em sua conta, pode ser uma doação empresarial ilícita e configurar abuso de poder econômico”, afirmou Marcellus Ferreira Pinto, advogado especializado em Direito Eleitoral.
A captação ilícita está configurada quando há gastos bancados com recursos financeiros que não vêm da conta de campanha, o que é conhecido como caixa dois. Para ser considerado abusivo, esse gasto deve ser uma parcela relevante do total de despesas, a ponto de mudar o resultado da eleição. Uma das consequências da condenação por abuso de poder econômico é a cassação da chapa ou do mandato político. “Não é possível dizer se há abuso de poder econômico sem uma investigação, mas há, nesse caso, uma situação de desorganização contábil, que leva a uma falta de transparência”, disse Raquel Machado, professora de Direito Eleitoral da Universidade Federal do Ceará. “É uma situação comum no Brasil e muito grave. Há empresas contratadas em campanhas que são empresas de fachada.”
Em março do ano passado, a 9ideia foi condenada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) a devolver dinheiro aos cofres públicos. O tribunal reprovou a prestação de contas de um convênio do Ministério do Turismo com a prefeitura de Cajazeiras, na Paraíba. O serviço superfaturado foi um festival de shows de forró em junho de 2009. O ex-prefeito Leonid Souza de Abreu foi condenado solidariamente com a 9ideia a devolver R$ 103 mil. A decisão do TCU incluiu uma multa de R$ 15 mil para a agência. O casal Lucas Salles e Maria Dias afirmou que a responsabilidade é da prefeitura, que teria perdido os comprovantes de que os serviços foram prestados pela agência. Um recurso foi apresentado contra a decisão do TCU.
Das cinco empresas de que Salles é sócio, duas são consideradas inativas pela Receita por terem omitido declarações fiscais, a Praxxi Comunicação e a Associação dos Amigos de Algodão de Jandaíra. Outras duas, a 9ideia e a microempresa em seu nome, a Alfa9 (LCL Salles), têm débitos fiscais inscritos com a União. A 9ideia também está sendo processada por débitos fiscais com a prefeitura de João Pessoa. A 9ideia não nega que tenha eventualmente ficado sem pagar impostos. “A empresa que disser que não tem imposto a ser pago, pode ir atrás que tem coisa”, afirmou Maria Dias.
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quinta-feira, 27 de setembro de 2018

CANDIDATURA REJEITADA

Da Folha de S.Paulo
Por unanimidade, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) rejeitou nesta quinta-feira (27) a candidatura de Anthony Garotinho (PRP) ao governo do Rio.
Os ministros entenderam que ele não pode concorrer porque sua candidatura esbarra na Lei da Ficha Limpa
A decisão tem efeito imediato e ele está proibido de fazer campanha e de receber novos recursos para isso. 
Garotinho tentava reverter uma decisão do TRE-RJ (Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro).
No começo do mês, por unanimidade, o TRE-RJ indeferiu o registro de candidatura de Garotinho. 
Ele foi condenado por improbidade administrativa em maio deste ano, sob acusação de fraudes na saúde durante o mandato de sua mulher, Rosinha Garotinho (2003-2006), que geraram mais de R$ 234 milhões de danos ao erário.
O ministro Og Fernandes, relator do caso, havia concedido liminar (decisão provisória) para permitir Garotinho fazer campanha até que a ação fosse analisada pelo plenário do TSE.
No julgamento, o próprio ministro revogou a liminar. 
Além de Og Fernandes, votaram para barrar Garotinho na eleição os ministros Admar Gonzaga, Tarcísio Vieira, Jorge Mussi, Alexandre de Moraes --que substituiu Luís Roberto Barroso no julgamento --, Edson Fachin e Rosa Weber, presidente do tribunal.
"O dolo está devidamente assentado", disse Gonzaga. 
Para Fachin, não há dúvidas sobre a condenação de Garotinho. 
Moraes destacou que a Justiça Eleitoral reconheceu os fatores que levaram Garotinho a ser considerado inelegível. 
"O candidato ostenta condenação em segundo grau", ressaltou Mussi. 
Os magistrados entenderam ainda que não houve cerceamento de defesa. 
O vice-procurador-geral eleitoral, Humberto Jacques, disse que Garotinho era "sabidamente inelegível". 
Além disso, o TSE avaliou que outra condenação também o impede de ser candidato. Em 2018, o ex-governador foi condenado em segunda instância por calúnia contra o juiz federal Marcelo Leonardo Tavares, a partir de publicações em seu blog pessoale teve seus direitos políticos cassados. Ele não recorreu e o processo foi definitivamente encerrado em março.
A defesa de Garotinho deve recorrer da decisão, no próprio TSE e no STF (Supremo Tribunal Federal). Seus advogados dizem que, por enquanto, aguardam o julgamento de liminares que buscam suspender o efeito de suas condenações. ​
'O QUE ACONTECE CONTRA MIM É UMA VIOLÊNCIA', DIZ GAROTINHO
O ex-governador Anthony Garotinho (PRP) classificou a decisão do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), de indeferir sua candidatura ao Palácio Guanabara, como “uma violência”. 
Garotinho eximiu os ministros do TSE de responsabilidade sobre a decisão que retirou sua candidatura. Afirmou que os magistrados julgaram com base nas informações enviadas pelo TRE (Tribunal Regional Eleitoral) do Rio de Janeiro, que ele considera “contaminado”.
“Tenho certeza de que com o processo em mãos, o STF não permitirá essa violência. O que ocorre contra mim é uma violência. TSE tomou a decisão movido por decisões erradas do TRE-RJ, dominado por alguém que eu denunciei na notícia-crime da Lava Jato: sr. Luiz Zveiter [ex-presidente do Tribunal de Justiça]”, afirmou ele.
Ao mesmo tempo, ele criticou o que considerou celeridade na decisão sobre seu caso. Vinculou a julgamento ao seu crescimento na última pesquisa Ibope, em que subiu quatro pontos percentuais e empatou com o senador Romário (Podemos) em segundo lugar, ambos com 16%.
“Não querem que eu seja candidato? Fizeram esse julgamento para me tirar do debate de amanhã? Querem parar a investigação da Lava Jato no RJ porque denunciei pessoas poderosas? Entrou em pauta porque subi nas pesquisas? É melhor assumir”, disse ele.
O ex-governador afirmou, ainda, que o caso não poderia ser enquadrado na Lei da Ficha Limpa porque a decisão não apontou enriquecimento ilícito de sua parte. O procurador Sidney Madruga, contudo, entendeu que o acórdão do tribunal aponta enriquecimento ilícito de outro envolvido no caso.
MESMO COM CANDIDATURA INDEFERIDA, GAROTINHO ESTARÁ NAS URNAS
Ainda que considerado inelegível pelo TSE, Garotinho estará nas urnas no dia 7 de outubro.
Isso porque, segundo o TRE-RJ, já foi feito o processo de inseminação das urnas, não sendo mais possível excluir o candidato. Sua situação constará como "indeferido com recurso" e os votos a ele serão considerados nulos, a menos que a decisão do TSE seja revertida.
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MORRE JOAQUIM RORIZ

Do  G1, DF
O ex-governador do Distrito Federal Joaquim Roriz morreu às 7h50 desta quinta-feira (27), após um choque séptico decorrente de complicações de infecção pulmonar. Ele tinha 82 anos. A informação foi confirmada pela família e pelos médicos.
A previsão é de que o velório de Roriz comece às 15h desta quinta, no Memorial JK, no centro de Brasília. O local foi escolhido pela viúva, Weslian Roriz. Às 9h de sexta (28), será rezada uma missa no monumento. O enterro será às 11h, no Cemitério Campo da Esperança, na Asa Sul.
Roriz estava internado no Hospital Brasília desde 24 de agosto, após sofrer um quadro de pneumonia e febre.
 Nesta quarta (26), o quadro clínico do ex-governador piorou. Segundo familiares, ele sofreu um infarto à tarde e duas paradas cardíacas e respiratórias no fim da noite, além de enfrentar um quadro infeccioso. Nas primeiras horas da noite, um padre foi chamado para ministrar a extrema-unção, sacramento ligado à tradição católica.
Nos últimos anos, Roriz lidava com diversas doenças crônicas como diabetes, mal de Alzheimer, demência, hipertensão e insuficiência renal (veja detalhes abaixo). Ele deixa a mulher, Weslian, três filhas – Jaqueline, Liliane e Wesliane –, quatro netos e um bisneto.
Roriz nasceu em 4 de agosto de 1936, em Luziânia (GO), e iniciou a carreira política na cidade goiana, onde foi vereador. Antes de iniciar a vida em Brasília, foi eleito deputado estadual (1978), deputado federal (1982) e vice-governador do estado de Goiás (1986). De 1987 a 1988, foi prefeito da capital, Goiânia, como interventor.
No mesmo dia em que deixou a prefeitura de Goiânia, em 17 de outubro de 1988, Roriz se tornou governador do Distrito Federal, indicado pelo então presidente do país, José Sarney. Na época, o DF não tinha o direito de eleger seu governador pelo voto direto.
Ele permaneceu no cargo até março de 1990, quando assumiu o Ministério da Agricultura nas duas primeiras semanas do governo de Fernando Collor. Nos quase 18 meses em que foi governador biônico do DF, ele foi acusado pelos adversários políticos de ter distribuído lotes a eleitores, já de olho na disputa direta pelo cargo em outubro de 1990.
Roriz voltou ao Palácio do Buriti em março de 1991 – desta vez, como o primeiro governador eleito da nova capital. A vice na chapa era Márcia Kubitschek, filha de Juscelino.
O político também foi eleito governador do Distrito Federal nas eleições de 1998 e 2002. Nesse período, inaugurou a primeira linha de metrô da capital federal e a Ponte JK, um dos principais cartões postais da cidade.
Saúde
O quadro de saúde de Roriz era considerado grave há pelo menos um ano. Em agosto de 2017, o ex-governador amputou dois dedos do pé e, dias depois, a perna direita na altura do joelho. O procedimento foi motivado por complicações do diabetes, descoberto há 30 anos.
Roriz também sofria de insuficiência renal, que o obrigava a fazer hemodiálise todo dia, em casa. Nos últimos meses, o político era levado mensalmente a hospitais particulares do Lago Sul, para exames e monitoramento das funções vitais.
Em abril deste ano, Roriz voltou a ser internado em leito semi-intensivo – desta vez, com quadro de pneumonia. A situação se repetiu em agosto e, desde então, o governador não recebeu alta novamente.
Em fevereiro, laudo do Instituto Médico Legal confirmou que Roriz tinha quadros de “mal de Alzheimer em estágio avançado” e “demência vascular”. No documento, constava que o político não tinha esboçado reação nos testes de estado mental.
Em depoimento ao IML, Weslian Roriz disse que os primeiros sintomas começaram há oito anos, e se agravaram desde 2015. Na descrição feita à época, disse que o marido “não sabe lidar com dinheiro, não realiza tarefas domésticas, ‘não sabe o que acontece na política’ e chama pela mulher com frequência, ao longo do dia”.
Importância política
Em 2015, o governador Rodrigo Rollemberg (PSB) – antigo opositor político – prestou homenagem a Roriz, a quem chamou de “governador que mais marcou a vida de Brasília”. Naquele momento, Roriz já estava em uma cadeira rodas e, em razão da saúde frágil, fez apenas um breve discurso ao receber o título de cidadão honorário de Brasília.
"Eu me sinto muito emocionado quando vejo essa casa, construída em homenagem a JK, cheia de gente. A emoção de me tornar cidadão de Brasília, essa cidade que me acolheu e que me permitiu viver os melhores momentos da minha vida. Não tenho muito o que falar.”
“O que consegui realizar, os amigos que fiz ao longo dos anos, falam por mim", disse Roriz, amparado por aliados históricos do clã.
Trajetória conturbada
Paralelo ao sucesso nas urnas, Roriz protagonizou uma sucessão de escândalos na política do DF. Já no quarto mandato, após a eleição de 2002, Roriz deixou o governo para se candidatar ao Senado.
Eleito com 113 mil votos, ele renunciou após cinco meses no cargo, em julho de 2007, para evitar um processo de cassação por quebra de decoro no Conselho de Ética do Senado.
De acordo com as investigações da Polícia Civil na operação Aquarela, Roriz foi gravado ao telefone com o ex-diretor do Banco de Brasília (BRB) Tarcísio Franklin de Moura, negociando a partilha de R$ 2,2 milhões sacados em uma agência da instituição.
O episódio ficou conhecido como “Bezerra de Ouro” porque Roriz afirmou que o valor se referia à compra do embrião de uma bezerra de raça, em São Paulo.
Durante a operação, Moura e outros citados foram presos pela Polícia Civil. O grupo foi acusado de lavagem de dinheiro e fraude em licitações, entre outros crimes.
Em 2017, Roriz deixou de ser réu por formação de quadrilha e peculato porque os crimes prescreveram. Além da demora para a conclusão do caso, Roriz recebeu o direito à atenuação de pena por ter mais de 80 anos.
Candidatura derrubada
No último movimento político como protagonista, em 2010, Joaquim Roriz chegou a lançar candidatura ao governo do Distrito Federal, buscando um quinto mandato no cargo. A tentativa foi vetada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) com base na lei da Ficha Limpa.
A coligação “Esperança Renovada” indicou como substituta a mulher dele, Weslian Roriz. Ela disputou o segundo turno contra o candidato do PT, Agnelo Queiroz, mas recebeu 33,9% dos votos e foi derrotada.
No último dia de campanha, o clã Roriz empregou todos os minutos do programa eleitoral em direitos de resposta.
Caixa de Pandora
Joaquim Roriz também foi investigado na Operação Caixa de Pandora. A ação foi deflagrada pela Polícia Federal (PF) em 2009, com base na delação do ex-secretário de Relações Institucionais do DF Durval Barbosa. O escândalo também ficou conhecido como "Mensalão do DEM”.
Em fevereiro de 2016, Joaquim Roriz e Arruda foram condenados por improbidade administrativa pelo envolvimento no esquema de corrupção. As defesas recorreram, e um pedido de perícia nos gravadores usados por Barbosa travou o processo por dois anos. Em agosto, a suspeita de fraude foi descartada.
Legado político
Já fora da vida pública, Roriz deixou como principais herdeiras do legado político duas das três filhas: Liliane e Jaqueline. Atualmente, os três estão inelegíveis com base na Lei da Ficha Limpa.
Jaqueline foi flagrada, em vídeo, recebendo dinheiro das mãos de Durval Barbosa no mensalão do DEM. Eleita deputada federal em 2010, foi denunciada por quebra de decoro no Conselho de Ética da Câmara – o plenário rejeitou o processo em votação secreta.
Em 2014, no entanto, Jaqueline foi condenada por improbidade administrativa ligada ao caso, e virou “ficha suja” junto com o pai. Naquele ano, oito membros do clã Roriz se inscreveram nas eleições, mas apenas Liliane Roriz foi eleita.
Como distrital, Liliane denunciou um suposto esquema de propina na Câmara Legislativa do DF para privilegiar empresas de saúde que tinham faturas a receber do governo. Atualmente, cinco distritais são réus na operação Drácon, ligada à denúncia – Liliane não é acusada.
A deputada, no entanto, está inelegível porque foi condenada por compra de votos e falsidade ideológica na campanha de 2010. Liliane recorreu, mas não se candidatou para as eleições deste ano.
Veja mais notícias sobre a região no G1 DF.
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MAIS UM PETARDO DO GENERAL

Da VEJA
O candidato a vice-presidente na chapa de Jair Bolsonaro (PSL), general Hamilton Mourão (PRTB), criticou, em palestra na Câmara de Dirigentes Lojistas de Uruguaiana (RS), na última terça-feira, 25, o pagamento de 13º salário e o pagamento do adicional de férias no Brasil. Para o general reformado do Exército, os direitos trabalhistas são “jabuticabas” — isto é, ocorrem só no Brasil e em mais nenhum outro país do mundo. Mourão defendeu uma “implementação séria da reforma trabalhista”.

Temos algumas jabuticabas que a gente sabe que é uma mochila nas costas de todo empresário. Jabuticabas brasileiras: 13º salário. Se a gente arrecada doze, como é que nós pagamos treze? É complicado, e é o único lugar em que a pessoa entra em férias e ganha mais, é aqui no Brasil. São coisas nossas, a legislação que está aí, é sempre aquela visão dita social, mas com o chapéu dos outros, não é com o chapéu do governo”, disse o militar reformado

Após VEJA revelar a declaração de Hamilton Mourão em Uruguaiana, Jair Bolsonaro desautorizou o vice por meio de sua conta no Twitter. “O 13° salário do trabalhador está previsto no art. 7° da Constituição em capítulo das cláusulas pétreas (não passível de ser suprimido sequer por proposta de emenda à Constituição). Criticá-lo, além de uma ofensa à [sic] quem trabalha, confessa desconhecer a Constituição”, escreveu o presidenciável.
Hamilton Mourão também criticou o pagamento de imposto sindical, extinto pela reforma trabalhista aprovada pelo Congresso em 2017. “Sabemos perfeitamente o custo que tem o trabalhador essa questão do sindicato, do imposto sindical, em cima da atividade produtiva, é o mais custo que existe”, disse Mourão.

Na palestra na cidade gaúcha, Hamilton Mourão defendeu um ajuste fiscal com “disciplina fiscal”. “Terá que ser produzido um ajuste fiscal, se não for produzido um ajuste fiscal o governo vai fechar. Isso vai importar em sacrifício de toda ordem, quem está dizendo que vai ser anos maravilhosos logo no começo está mentindo escandalosamente para a população”, afirmou ele, que propôs “enxugamento do Estado”, “liberalização financeira”, “desregulamentação”, abertura comercial e revisão progressiva de desonerações.

Sobre a ideia de Paulo Guedes, economista escolhido por Jair Bolsonaro para um superministério da Economia, de criar um imposto aos moldes da CPMF, o imposto do cheque, Hamilton Mourão disse que “é um imposto que vai tributando em cascata. Para que ocorra algum tipo de imposto dessa natureza, os outros têm que ser abaixados”.

Ao falar sobre juros e por que, na sua visão, “o capital custa caro” no Brasil, Mourão comparou os brasileiros à cigarra da fábula A Cigarra e a Formiga e afirmou que há pouca poupança no país. “Nós somos um país de poupança baixa, o brasileiro poupa pouco, nós somos muito mais cigarras do que formigas, infelizmente”, lamentou.
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AMEAÇA RELATADA

Da Folha de S.Paulo
Cinco brasileiros que vivem na Noruega e conviveram com Ana Cristina Valle, ex-mulher de Jair Bolsonaro (PSL), confirmaram à Folhao relato que consta em documento oficial do Itamaraty, redigido em 2011.
O registro diplomático informa que ela afirmou ao vice-cônsul naquele país que havia sido ameaçada de morte pelo ex-marido e que por isso havia fugido do Brasil.
O caso foi revelado pela Folha, nesta terça (25). Logo após a publicação da reportagem, Ana Cristina divulgou vídeo nas redes sociais no qual negava ter falado sobre o assunto com a embaixada brasileira, rechaçava ter sido alvo de qualquer ameaça e defendia Jair Bolsonaro, atacando a imprensa. 
Dos cinco brasileiros que aceitaram falar com a reportagem, quatro disseram que só o fariam sob anonimato, com medo de represália. Uma decidiu se identificar. 
Simone Afonso, ainda reside na Noruega e conta que conheceu Ana Cristina em 2009, quando ela deixou o Brasil. 
“Ela tentou asilo político aqui, o que foi negado pelo departamento de imigração local. Dizia que estava sendo ameaçada pelo ex-marido, o Jair Bolsonaro, que ele havia tirado a guarda do filho dela”, contou. 
“Todo mundo aqui em Oslo sabe que o discurso dela era: estou aqui por medo do meu ex-marido”, continuou. “E se você quiser, a gente pode fazer uma lista de pessoas daqui que sabem dessa história.”
As outras quatro testemunhas relatam o caso da mesma forma. Segundo elas, Ana Valle, como ela é conhecida por lá, chegou à Noruega muito fragilizada e se aproximou de um grupo de brasileiros. 
Segundo os relatos dos brasileiros, ela costumava repetir que a “minha cabeça vale R$ 50 mil”. Como não tinha fluência na língua local e falava com dificuldade o inglês, Ana dependia das pessoas que acabara de conhecer.
Simone Afonso contou que Ana chegou a morar na casa de um brasileiro em Oslo. Fernando Xavier, disse ela, teria alugado um quarto para a ex-mulher de Bolsonaro até que ela pudesse se estabelecer no país.
Em suas redes sociais, Xavier compartilhou a reportagem da Folhadesta terça (25). “Olha as verdades surgindo do teatro de vampiros!!!! (sic) Chegou ameaçada e ficou anos sem ver o filho!!!”, escreveu. “Eu sou testemunha e muitas outras pessoas da sociedade de Oslo!!!”
Uma das pessoas ouvidas pela Folha disse que, em maio deste ano, Ana Cristina esteve no país afirmando que iria disputar uma vaga de deputada federal pelo Podemos.
Quando ainda morava no exterior, a ex-mulher de Bolsonaro contou aos brasileiros detalhes da disputa judicial que travou com o ex-marido pela guarda do filho do casal, Renan. 
Uma das pessoas com as quais a Folha conversou disse ter enviado para Ana Cristina, no Brasil, a certidão de nascimento com a qual ela conseguiu tirar o filho do país sem a autorização de Bolsonaro —foi isso o que levou o deputado a mobilizar o Itamaraty.
A ex-mulher do presidenciável usou um documento antigo, anterior ao reconhecimento da paternidade. Nele, apenas seu nome constava como responsável pelo menino. Essa mesma pessoa diz que presenciou a ligação do vice-cônsul que consta no telegrama reservado arquivado no Itamaraty. 
REAÇÕES
O vídeo em que Ana Cristina Valle nega a ameaça de morte relatada ao Itamaraty e revelada pela Folha está sendo compartilhado entre os brasileiros que conviveram com ela na Noruega. De acordo com os relatos, ninguém entende o apoio repentino ao ex-marido, de quem ela dizia que tinha medo. 
Muitos deles foram até as redes sociais dela para questioná-la. Dizem que quem conviveu com ela sabe do que chamam de história verdadeira. “Por que, de repente, ela está apoiando a candidatura?”, pergunta Simone Afonso. “Ninguém que é ameaçado de morte quer depois carregar o sobrenome dessa pessoa.”
Ana Cristina foi procurada para comentar os relatos, mas não respondeu até o fechamento desta reportagem. No vídeo publicado na terça para rebater a reportagem da Folha, ela disse que estava indignada. “Venho aqui muito indignada desmentir a suja Folha de S.Paulo, que publica que o Jair me ameaçou de morte. Nunca.”
“Pai do meu filho, meu ex-marido. Ele é muito querido, por mim e por todos. Ele não tem essa índole”, ela disse. “Espero que vocês acreditem que essa mídia suja só quer denegrir a imagem dele, porque ele está em primeiro lugar nas pesquisas e assim vai ficar.”
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quarta-feira, 26 de setembro de 2018

APOLOGIA À TORTURA

Um dos filhos do candidato à Presidência da República Jair Bolsonaro (PSL), o vereador Carlos Bolsonaro publicou em suas redes sociais uma foto em referência ao movimento #Elenão, criado por mulheres contrárias ao presidenciável, com uma simulação de tortura. A foto foi publicada nos stories do vereador no Instagram na noite de terça-feira, 25.
A “brincadeira” mostra um homem amarrado, com o rosto ensanguentado e a cabeça dentro de um saco plástico, e no peito está escrito #EleNão. A imagem tem ainda uma frase “sobre pais que choram no chuveiro”, em uma referência de pais que sentem vergonha de seus filhos por serem homossexuais. Na sequência, a foto publicada é uma de seu pai com a hashtag #EleSim.
Originalmente, a publicação da “tortura” é do perfil no Instagram @direitapvh, que traz postagens críticas ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e homenagem ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
A reportagem ainda não conseguiu contato com o vereador. Em seu Twitter, ele se posicionou oficialmente no início da tarde: “Novamente inventam como se eu tivesse divulgado uma foto dizendo que quem escreve a hashtag #elenao mereceria alguma maldade. Não, canalhas! Foi apenas a replicação da foto de alguém que considera isso uma arte. Me agradeçam por divulgar e não mintam como sempre”, disse.
Carlos Bolsonaro
@CarlosBolsonaro
 Novamente inventam como se eu tivesse divulgado uma foto dizendo que quem escreve a hashtag #elenao mereceria alguma maldade. Não, canalhas! Foi apenas a replicação da foto de alguém que considera isso uma arte. Me agradeçam por divulgar e não mintam como sempre! Segue a verdade:
Do Estadão Conteúdo, via ISTOÉ
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