sexta-feira, 24 de março de 2017

RECORDANDO PADRE CÍCERO

A cidade de Juazeiro do Norte, no Ceará celebra hoje o aniversário de 173 anos de Padre Cícero. Cícero Romão Batista nasceu no Crato, 24 de março de 1844 e faleceu em Juazeiro do Norte, 20 de julho de 1934. Carismático, Padre Cícero ou “Padim Ciço”, obteve grande prestígio e influência sobre a vida social, política e religiosa do Ceará e da Região Nordeste do Brasil.
Padre Cícero, foi o primeiro prefeito de Juazeiro do Norte, em 1911, quando o povoado foi elevado a cidade. Voltou ao poder, em 1914, quando o governador Marcos Rabelo foi deposto. No final da década de 1920, o Padre Cícero começou a perder a sua força política, que praticamente acabou depois da Revolução de 1930. Seu prestígio como santo milagreiro, porém, aumentaria cada vez mais.
Em 1° de novembro de 1969 no alto do Horto, em Juazeiro do Norte foi erguido uma estátua (a terceira maior do mundo) em homenagem ao Padre Cícero Romão Batista. Em 22 de março de 2001 “Padim Ciço” foi eleito o cearense do século.
A trajetória religiosa e política de Padre Cícero é relatada na excelente biografia Padre Cícero: poder, fé e guerra no sertão, do jornalista Lira Neto. A obra é primorosa, resultado trabalho intenso de dez anos de pesquisa, baseada em documentos raros e inéditos tornam a biografia a mais completa obra sobre a vida do mais amado e controvertido religioso que o Brasil já teve, Padre Cícero, para os romeiros e fiéis, o “Padim Ciço”.
Clique aqui e ouça a música Viva meu Padim, composta pelo Rei do Baião, Luiz Gonzaga e João Silva para homenagear Padre Cícero. A canção tem a participação especial de Benito di Paula.
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segunda-feira, 20 de março de 2017

NAÇÃO BLOGUEIRA

A blogosfera está em festa, 20 de março é Dia do Blogueiro. Um levantamento divulgado no caderno Link do O Estado de S. Paulo, mostra que em 2010 eram mais de 146 milhões de blogs no mundo. Em 2012, a estimativa era que chegasse a 150 milhões. No início de 2013, os recentes dados surpreenderam essa estimativa, que  ultrapassou a casa dos 152 milhões. Hoje, somos mais de 155 milhões.
Em língua portuguesa, a blogosfera ainda dar os primeiros passos, apenas 2% deles estão nessa linguagem — o japonês é a língua mais falada (37%), e o inglês, o segundo (36%). Com 48%, os EUA aparecem no topo da lista. Apenas 10% estão na Ásia. Outro fato interessante: 67% dos blogueiros são homens.
Em 2013, dados divulgados pelo site Technorati publicou que existem entre 180 de 200 milhões de Blogs/Sites no mundo todo. Os dados são do ranking do site Alexa - responsável por medir diariamente o ranking dos blogs/Sites na blogosfera mundial. No Brasil estimasse quase 3,5 milhões de Blogs/Sites com as mais variadas publicações.
Parabéns a todos os blogueiros!
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domingo, 19 de março de 2017

O JOIO E O TRIGO

Artigo de Fernando Gabeira
 
Assim que foram homologadas as delações de Odebrecht, começou um movimento para anistiar o caixa dois e separar o joio do trigo. Se me lembro bem da parábola em Mateus, todos, mesmo os mais simples de espírito, queriam separar o joio do trigo. A sabedoria de Cristo foi indicar quando isso era possível, o momento em que, realmente, se separa o joio do trigo. Na crise do sistema político brasileiro também existe um momento adequado para separar o joio do trigo: o fim das investigações.

De nada adianta construir um arsenal de leis protetoras antes que as investigações precisem o que representa cada caso. Muitos acham que essa teia de proteção é necessária para preservar o sistema político. Mas qualquer tentativa nesse sentido vai arrasar ainda mais sua credibilidade. Disseram, por exemplo, que a Lava-Jato estava criminalizando as doações oficiais e que esse erro foi seguido pelo Supremo, que tornou réu o senador Valdir Raupp. Todos sabem que não é bem assim. Não se criminalizou doação oficial. O que estava em debate era o uso da doação oficial para mascarar propina.

Se aceitamos essa tese, o comércio de joias também foi criminalizado no Rio. No entanto, as joias continuam sendo vendidas com liberdade. O que foi denunciado em alguns joalheiros foi o uso de sua estrutura legal para esconder a fortuna de Sérgio Cabral. Além disso, toda essa história em torno do caixa dois não cola. Aliás, não cola desde o mensalão, quando as doações eram chamadas de “recursos não contabilizados”.

É difícil convencer de que algo enraizado na cultura política brasileira não seja crime. Se acreditassem nessa complacência cultural não usariam mensageiros e senhas para camuflar a operação. Talvez o jogo de bicho, com as banquinhas na rua, possa reclamar essa tolerância social. Caixa dois, não. Se examinarmos, friamente, a perspectiva dos políticos, eles estão invertendo as prioridades. Em primeiro lugar, possivelmente, serão julgados pelos eleitores. Só depois é que serão julgados pelo Supremo. Ao se lançarem numa prematura batalha jurídica, inclusive com aquelas leis da madrugada, vão ser julgados com muito mais severidade no universo da política.

O único fator que poderia dar mais celeridade ao processo jurídico seria o fim do foro especial. Nesse caso, seria possível contar com julgamentos políticos e jurídicos mais próximos um do outro, antes das eleições de 2018. Esta semana, revelou-se mais um vez como os políticos jogam com o foro privilegiado como um escudo. O governador Pezão nomeou secretária uma ex-deputada, Solange de Almeida, acusada de ser cúmplice de Eduardo Cunha. Ela assinava os requerimentos com os quais Cunha pressionava empresas em busca de propina. Pezão tem foro especial. Trouxe Solange para seu círculo de detentores de foro especial e, com ela, procurava livrar Cunha de, pelo menos, um processo nas mãos de Sérgio Moro.

Pezão voltou atrás. Mas as pegadas são de um gigante. Inicialmente disse que não se importava com Solange ser ré porque também ele, Pezão, era investigado. Em seguida, afirmou que cancelou a nomeação porque soube que Solange já estava condenada em segunda instância, por improbidade administrativa. Se fosse condenada apenas em primeira instância, talvez ele aceitasse. Na verdade, não está se importando mais com o que pensam os eleitores. Assim, como, aliás, não estão mais se importando alguns senadores que decidiram ocupar todos os espaços para se defender da Lava Jato, inclusive escolhendo Lobão como presidente da CCJ.

A manobra fracassada de Pezão apenas serviu para mostrar que o foro privilegiado é o instrumento preferido para proteger alguém da Justiça comum. É um método que ficou célebre com o Bessias levando o documento de posse para Lula e, de uma certa forma, se repetiu na nomeação de Moreira Franco por Temer. As coisas estão ficando muito nítidas. E eles já não estão se importando com isso. A tentativa de novas leis de proteção revela o desespero de quem não já não se contenta apenas com o foro privilegiado. Um líder do PT chegou a dizer que a Justiça não sabe o que é ou não é crime, logo era preciso fazer leis específicas para orientá-la nesse universo da corrupção política. E esta é a grande tentação pelas quais passam nesse momento. Criar as leis que possam salvá-los da Justiça, pois têm como certa a hipótese de que se salvam nas eleições.

Provavelmente vão se ferrar, tanto numa como na outra. Mas se julgam os caras mais espertos do Brasil. Curitiba e Bangu estão cheios de gente esperta, mas, ainda assim, estão de braços abertos para novos candidatos.

Artigo publicado no Segundo Caderno do Globo em 19/03/2017
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sábado, 18 de março de 2017

DO PAU OCO

Da ISTOÉ

Conhecido como o “senhor rouba mas faz”, o deputado Paulo Maluf (PP-SP), 85 anos, enche o peito para se gabar de não estar na lista de Janot, assim como não esteve no mensalão. Em entrevista à IstoÉ, embalado pelo momento político, Maluf posa de vestal, sem ser, é claro, e diz que, perto do PT, ele se considera um “santo”. Afinal, segundo ele, os petistas trabalhavam com empresas que tinham até departamento de propina, enquanto que ele jacta-se de não ter sido condenado em última instância em nenhuma ação por corrupção. Acusado de ter superfaturado várias obras, enquanto prefeito de SP, Maluf alega que responder a processos não significa nada. Argumenta, num discurso batido, que as acusações carecem de provas. Sobre a prisão em 2005, sob a acusação  de depositar US$ 160 milhões nos EUA, Maluf inverte as coisas: “Não fui preso. Fui solto”.

Sempre disseram que o senhor era o maior corrupto da história do País, mas agora você está se gabando de não estar na lista de Janot. O senhor se redimiu?
Vou ser franco. Eu tenho um defeito. Sou polêmico porque falo o que eu penso. Eu tinha um preceptor político, Antonio Gontijo de Carvalho, era mineiro, que dizia: “Maluf, na minha terra, quando o adversário não tem defeito, eu invento”.
Mas não inventaram que o senhor é corrupto.
Vamos aos fatos. Quando entrei na política, tomava posse Costa e Silva e o ministro Delfim Neto. Convidado pelo Delfim para ser presidente da Caixa, eu tinha 35 anos, eu já morava na casa onde eu moro. Já era diretor da Eucatex. Não entrei na vida pública para enriquecer. Eu já entrei rico. Detesto essa palavra rico. Mas entrei na vida pública pensando no bem público. Construiu quase todas as grandes obras de São Paulo. Eu não destruí nada. Só construí.
Mas é sabido que algumas dessas obras foram superfaturadas.
Não tem mais prova neste País? O sujeito fala por falar? No mínimo tem que ter um documento provando. Quando se faz uma obra, foi um conjunto de mil pessoas. Um viaduto, tem a Secretaria de Obras que faz a concorrência, tem 30 engenheiros, tem o julgamento da concorrência que é público, vai construindo o viaduto e vão sendo autorizados pagamentos. Tudo isso é auditado pelo Tribunal de Contas. Para dizer que você superfaturou, tem que botar mil na gaveta. Isso não existe. As obras que eu fiz em São Paulo foram auditadas pelo Tribunal de Contas.
O que o senhor responde a quem garante que o senhor é corrupto?
Eu falo a eles: trabalhem como eu.
E sobre o PT, o que o senhor diz?
O PT hoje é exemplo de corrupção. As empresas que trabalharam para eles, tínham um departamento de propina. Não era um diretor que corrompia. Eles tinham um departamento inteiro. Eu morava na rua Costa Rica 146 e continuo morando na Costa Rica 146. Quando eu fui casar há 62 anos, na Igreja da Catedral da Sé, fui no Rolls Royce da minha mãe. Naquele tempo já tínhamos um Rolls Royce.
O senhor quer dizer que perto do PT …
Perto do PT, eu sou um santo. Não só do PT. Perto de todos os políticos do mundo. O dinheiro nunca me estimulou. O que me estimula é desamarrar fitinha de inauguração. Fiz mais de 60 viadutos em São Paulo. Fiz túneis que nunca alagaram, estações de metrô que nunca caíram…
Mas o Lula foi à sua casa em 2012 pedir apoio para a candidatura do então candidato a prefeito Fernando Haddad. O senhor não sabia que os petistas usavam dinheiro de caixa dois para eleger seus candidatos?
O que eu disse claro para o Rui Falcão, presidente do partido, é que eu não me caso no porão de igreja. Eu me caso no altar e com o cardeal. Eu não lhes pedi nada. Acho que o Haddad é um cara correto, mas o cardeal tem que ir em casa me pedir em casamento. Foi assim que aconteceu. Lula foi na minha casa. A mídia tomou um susto quando soube que o Lula tinha almoçado na minha casa. Mas não houve oportunismo da minha parte. Haddad tinha 3% nas pesquisas. O Serra liderava com folga, com 31%, mas acabou perdendo.
Mas usaram dinheiro de caixa dois na campanha…
Não sei se usaram. Cada campanha é uma campanha. O Haddad naquela eleição era o novo, como foi o Doria agora.
Apesar de o senhor dizer que é santo, ainda responde há mais de 60 processos por corrupção, como no superfaturamento da avenida Águas Espraiadas (atual Roberto Marinho)…
Processo não é condenação. Processo é oportunidade para provar juridicamente que é inocente. Qual é a função do Ministério Público? Por que ganham R$ 30 mil por mês? É para trabalhar. Então eles acusam. Ótimo. E a gente se defende. Não sou contra processo. Eu não perdi nenhum.
E aquela ação em que o senhor perdeu por ter doado os fusquinhas para cada um dos jogadores da seleção de futebol de 70?
Eu ganhei. Demorou 30 anos, mas eu ganhei na última instância.
Se é assim, por que o senhor ainda está na lista da Interpol, podendo ser preso caso deixe o Brasil?
Estou na lista da Interpol porque não temos governo aqui no Brasil. A lista da Interpol não mostra que eu fui condenado não. É que eu estou sendo processado nos Estados Unidos, mas o processo nem começou. Para começar o processo eu tenho que ser ouvido. Eu disse, eu quero ser ouvido sim. Mas quero ser ouvido aqui, por carta rogatória ou por videoconferência, como diz a legislação brasileira.

E por que os americanos insistem que o senhor seja ouvido nos Estados Unidos?
Eles querem passar por cima das leis brasileiras. Aliás, no caso dos pilotos americanos do Legacy, que derrubaram o jato da Gol em 2006, matando 150 pessoas, eles foram ouvidos naJustiça brasileira por videoconferência. Quero ser ouvido sim. Mas eles querem que eu tome um avião e vá até lá. Não vou. Não vou. Sou um homem que respeita a lei. Querem me ouvir, tem que me ouvir aqui onde eu moro. Se tivesse um governo com autoridade, enfrentava o governo americano e dizia: aqui não é quintal americano e vocês que mandem uma carta rogatória para ele ser ouvido aqui.
O senhor chegou a ficar preso 41 dias na sede da Polícia Federal em São Paulo, juntamente com seu filho Flávio. O senhor acha que prisão é uma coisa que ficou no passado para o senhor?
Não fui preso. Eu fui solto. É diferente. O Supremo Tribunal Federal me deu a garantia de que não havia fundamento legal nenhum para a prisão. Se soltaram o goleiro Bruno, que é assassino, se o Pimenta Neves é assassino confesso e ficou solto, por que iriam me manter preso? Eu tinha que responder em liberdade. Qual é o perigo que o Paulo Maluf oferece à sociedade solto? É um absurdo. Tem gente que só joga para a platéia. Aquela prisão o Supremo disse que foi ilegal e que se tivesse alguma coisa que eu respondesse em casa.
E como o senhor está vendo o governo atual? Ele é menos corrupto do que foi o de Lula?
Esquece corrupção. Tenho esperança no governo Temer. Está fazendo força pelas reformas que o País precisa. Vou votar a favor da reforma da Previdência do governo. Um dia desses, uma repórter me ligou querendo saber porque eu votaria a favor da reforma. Eu perguntei quantos anos ela tinha. Ela me disse ter 25. Eu falei pra ela: olha, você está contribuindo agora não para a sua aposentadoria, mas para quem está aposentado. Se a gente não fizer a reforma, não vai ter dinheiro para pagar a tua aposentadoria. Essa é a questão.
Temer vai tirar o País da crise?
Acho que sim. Já conversei com ele mais de uma vez. Ele conversa muito com o Delfim também, que é um dos economistas mais lúcidos do Brasil. Está disposto a fazer as reformas da Previdência, Trabalhista e a reforma política. Ele me disse: não quero ser endeusado na próxima eleição, mas quero deixar meu nome para a próxima geração.
O Lula está dizendo que quer voltar. O senhor concorda com uma nova candidatura dele em 2018?
O Lula foi bom presidente. Todas as acusações de corrupção contra ele são mentirosas.
Mas para o Ministério Público, empreiteiras lhe beneficiaram com apartamento e sitio…
O triplex do Guarujá não é triplex nenhum. São três apartamentinhos do BNH um em cima do outro. Se o Lula quiser ir para o Guarujá, eu tenho uma casa com cinco suítes, defronte para o mar. Está à disposição dele.
 
E o sítio de Atibaia?
Aquele sitiozinho de merda de Atibaia é uma acusação injusta. O que move o Lula não é o dinheiro, ele gosta de poder.
Mas não é um risco para o País? Afinal o PT quebrou o Brasil.
Ele tem o direito democrático de querer concorrer. Agora, não será roubando a bola e não deixando ele participar do jogo. Isso sim é antidemocrático.
O senhor já está com 85 anos e há uns dez anos disse que não pretendia mais disputar eleições, pois desejava cuidar dos netos. O senhor mantém essa postura?
Ainda é cedo para falar em 2018, mas pretendo me reeleger deputado federal.
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PARABÉNS, MARTA SUPLICY !

Hoje é dia de parabenizar a querida senadora, Marta Suplicy. Marta Teresa Smith de Vasconcelos, nasceu em São Paulo, 18 de março de 1945.
Formada em psicologia, Marta apresentou vários programa na tv brasileira, se destacou em seu primeiro programa, o TV Mulher da Rede Globo na década de 80.
Ex-deputada federal - 1995 /1999 - foi prefeita de São Paulo - 2001 / 2005 - e ministra do Turismo - 2007 /2008. Em 2010 foi eleita senadora, primeira mulher a representar São Paulo no Senado.
Perseverante e determinada, Marta Suplicy representa a força da mulher na política brasileira e sua contribuição tem sido de valor imensurável para uma sociedade mais justa e igualitária.
Parabéns, Marta!
Recomendo - O blog Sou Chocolate e Não Desisto recomenda a leitura do livro de Marta Suplicy Minha vida de prefeita - o que São Paulo me ensinou.
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sexta-feira, 17 de março de 2017

RECORDANDO CLODOVIL

Memória: Há exatos 8 anos faleceu em Brasília no Hospital Santa Lúcia, o deputado federal, Clodovil Hernandes, 71 anos. A morte cerebral foi anunciada pelo diretor do hospital, após 30 horas de ser encontrado desmaiado em sem seu apartamento, em Brasília.
Costureiro, apresentador de tv, ator e deputado federal, o segundo mais votado na eleição de 2006 – mais de 490 mil votos – Clodovil Hernandes teve sua vida marcada por polêmicas. Por onde passou deixou alguns desafetos e muitos amigos.
Em 1985, Clodovil recebeu uma homenagem de Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, na canção Deixa a tanga voar.
Biografia: Nasceu em Elisário (SP). Nos anos 60 e 70, Clodovil foi uma das figuras máximas da alta-costura brasileira. Os modelos assinados pelo estilista eram disputados por socialites e celebridades. Ainda no começo dessa carreira, ganhou o prêmio mais cobiçado do mundo da moda, o Agulhas de Ouro.
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quinta-feira, 16 de março de 2017

A LISTA DE JANOT

O ministro da Indústria e Comércio, Marcos Pereira (PRB), além de mais quatro senadores e cinco deputados tiveram pedido de inquérito apresentado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ao Supremo Tribunal Federal, em razão da delação premiada da empreiteira Odebrecht.
Os senadores são Lindbergh Farias (PT-RJ), Jorge Viana (PT-AC), Marta Suplicy (PMDB-SP) e Lídice da Mata (PSB-BA). Já os deputados são Marco Maia (PT-RS), Andrés Sanchez (PT-SP), Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA), José Carlos Aleluia (DEM-BA) e Paes Landim (PTB-PI).
Os nomes, que estão em sigilo, foram revelados pelo "Jornal Nacional" e posteriormente confirmados pela Folha.
Além disso, sete nomes sem foro no Supremo são mencionados nos pedidos para que seus casos sejam enviados a instâncias inferiores: o ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB), o ex-governador do Rio Sérgio Cabral (PMDB), o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB), o prefeito de Ribeirão Preto, Duarte Nogueira (PSDB), o presidente da Fiesp, Paulo Skaf (PMDB), o prefeito de Araraquara, Edinho Silva (PT) e Anderson Dornelles, ex-assessor da ex-presidente Dilma Rousseff.
Há ainda menção a pelo menos dez governadores, segundo a Folha apurou.
Nesses casos, Janot pediu ao STF que envie as delações ao Superior Tribunal de Justiça, onde eles têm foro.
Entre eles, estão Geraldo Alckmin (PSDB-SP), Luiz Fernando Pezão (PMDB-RJ), Fernando Pimentel (PT-MG), Tião Viana (PT-AC), Beto Richa (PSDB-PR) e Renan Filho (PMDB-AL).
O pedido, no caso dos governadores, foi feito por Janot ao ministro Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato no STF (Supremo Tribunal Federal).
Se Fachin acatar o pedido, a procuradoria pode então pedir ao STJ a abertura de inquérito, algo que ainda não foi decidido por Janot.
LENTO PROCESSO
Os pedidos de inquérito e envio de casos a outras instâncias são apenas as etapas iniciais do que promete ser um longo processo.
Caso os inquéritos sejam autorizados, começa então a fase de investigação sobre menções de pagamento de caixa dois e propina pela Odebrecht.
Após essa fase, se a PGR concluir que há indícios suficientes, é oferecida a denúncia, que pode ou não ser aceita pelo Supremo ou pela instância correspondente.
Aceita a denúncia, o citado vira réu e começa o julgamento.
A comparação com a primeira lista de Janot, divulgada há dois anos, ilustra a complexidade do processo. Na época, 50 políticos foram alvos de pedido de inquérito, mas até agora apenas seis se tornaram réus.
sigilo
O escopo completo da delação da Odebrecht, maior empresa implicada na Lava Jato, bem como a lista de pessoas investigadas, só será conhecido caso Fachin decida divulgar o material, o que não tem data para ocorrer.
Até agora, sabe-se que a lista de Janot atingiu o Palácio do Planalto e a cúpula do Poder Legislativo.
Além de Pereira, ao menos cinco ministros sofreram pedidos de inquérito: Eliseu Padilha (Casa Civil), Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência), Gilberto Kassab (Ciência e Tecnologia), Bruno Araújo (Cidades) e Aloysio Nunes Ferreira (Relações Exteriores).
Estão na lista também os presidentes do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), e da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), além dos senadores Renan Calheiros (PMDB-AL), Romero Jucá (PMDB-RR), Edison Lobão (PMDB-MA), José Serra (PSDB-SP) e Aécio Neves (PSDB-MG).
Os ex-presidentes petistas Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, que não têm foro privilegiado, devem ter seus casos enviados para a primeira instância.
Nos pedidos de abertura de inquérito, Janot busca diferenciar as práticas de doação eleitoral.
Ele tenta separar uma espécie de caixa dois "puro", sem contrapartida ilícita, dos caixas um ou dois vinculados a uma vantagem indevida.
Para o primeiro caso, a acusação se daria com base no código eleitoral, com punições mais brandas, como defendem os políticos que são mencionados neste contexto.
Nas doações ligadas a pagamento de propina seria aplicado o Código Penal, com acusação por corrupção passiva, com penas de reclusão maiores.
Caberá à equipe de Janot e à Polícia Federal investigar nos eventuais inquéritos abertos os motivo dos repasses informados pelos delatores e buscar provar o motivo pelo qual o dinheiro foi entregue.
Viraram réus
Investigado Quando virou réu
Eduardo Cunha (PMDB-RJ) 2.mar.2016
Nelson Meurer (PP-PR) 21.jun.2016
Gleisi Hoffmann (PT-PR) 27.set.2016
Aníbal Gomes (PMDB-CE) 6.dez.2016
Valdir Raupp (PMDB-RO) 7.mar.2017
Vander Loubet (PT-MS) 14.mar.2017
OUTRO LADO
Procurada, a assessoria de Geraldo Alckmin disse que como a Justiça não deu, até o momento, publicidade aos atos da PGR, "o governador Geraldo Alckmin não tem elementos sobre os quais se manifestar", informou.
Também em nota, o governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, disse que "desconhece a informação" e citou outros inquéritos contra ele que foram arquivados. Pezão ainda afirma que "está, como sempre esteve, à disposição da Justiça".
O governador de Minas, Fernando Pimentel, disse que não irá se posicionar sobre informações não oficiais.
Edinho Silva afirmou que sua conduta como coordenador financeiro da campanha de Dilma em 2014 "se deu dentro da legalidade e de forma ética" e que "irá esclarecer todos os fatos".
O ex-ministro Geddel Vieira Lima afirmou que não irá falar "sobre o que não conheço". Seu irmão, Lúcio Vieira Lima, não quis comentar.
Anderson Dornelles, braço direito de Dilma, disse que nunca esteve na sede da Odebrecht nem solicitou ajuda financeira. Lindbergh Farias disse que o arquivamento é "o único desfecho possível para esse processo".
Paes Landim, José Carlos Aleluia, Paulo Skaf e Marcos Pereira disseram que suas doações de campanhas foram legais e estão declaradas.
Andrés Sanchez nega citação feita sobre ele por delator.
Os outros citados não foram encontrados pela reportagem.
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FORA DA LISTA

Painel, Folha de S.Paulo

Tranquilão Alheio à agonia dos colegas do Congresso, o deputado Paulo Maluf (PP-SP) exibia pose de estadista nesta terça (14). “Não só não estou na Lava Jato e na lista do Janot, como não estou no mensalão”, disse. “Estou interessado na reforma da Previdência, sem ela não vai ter aposentadoria.”
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quarta-feira, 15 de março de 2017

NEPOTISMO CRUZADO

A Câmara Municipal de São Paulo paga quase R$ 10 mil por mês para um assessor que nunca é visto no gabinete e que vive em Atibaia, no interior paulista. Vitor Lucas de Freitas Rosa foi nomeado assistente parlamentar do vereador Claudinho (PSDB), mas na verdade presta serviço para o deputado estadual Coronel Telhada, também do PSDB, conforme reportagem de Agostinho Teixeira, da Rádio Bandeirantes.  
No gabinete onde Vitor deveria estar, é difícil encontrar alguém que o conheça ou que já tenha ouvido falar no nome dele. Sem saber que estava sendo gravado, ele confirmou que raramente vem a São Paulo e admitiu que parou de trabalhar porque estaria com problemas de saúde.
Mas, no Departamento de Recursos Humanos da Câmara Municipal de São Paulo, ninguém sabe dessa doença. Segundo uma funcionária do setor, o assessor parlamentar do vereador Claudinho não comunicou nenhum problema de saúde e não está de licença.
Vitor Lucas Freitas Rosa, na verdade, faz parte de um esquema conhecido como "nepotismo cruzado". Nesse caso, envolvendo justamente o deputado estadual Coronel Telhada e o vereador Claudinho.
Como Vitor é filho do chefe de gabinete do deputado Telhada e não pode ser contratado pela Assembléia Legislativa, a saída foi nomeá-lo na Câmara Municipal. O vereador Claudinho, por sua vez, teve o irmão de um dos funcionários dele contratado pelo deputado.
Ouvido pela reportagem da Rádio Bandeirantes, Coronel Telhada chamou a manobra de "parceria".
Segundo o Supremo, nepotismo cruzado é crime. Os envolvidos estão sujeitos à multa e a perda do cargo e dos direitos políticos pelo prazo de três a cinco anos.
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INQUÉRITO AUTORIZADO

O ministro Ricardo Lewandowski, do STF (Supremo Tribunal Federal), autorizou nesta quarta (15) a abertura de inquérito para apurar se o ministro Eliseu Padilha (Casa Civil) cometeu crime ambiental na construção de um canal de drenagem no Rio Grande do Sul.
A empresa Girassol Reflorestamento, da qual Padilha é um dos sócios, construiu um canal de drenagem no Balneário Dunas Altas, em Palmares do Sul (RS), área de preservação permanente.
"Apurou-se que Eliseu Padilha está entre os sócios da Girassol Reflorestamento, e ainda que constava nas proximidades da intervenção irregular uma placa com os dizeres 'Fazenda Giriva - Posse de Eliseu Padilha'", informa o pedido feito pela PGR em fevereiro.
A investigação aponta que a construção "trata-se de intervenção irregular, não licenciada, em área de preservação, de importância muito alta, conforme indicado pelo Ministério do Meio Ambiente".
De acordo com a PGR, "a abertura do canal e a deposição do material resultaram na alteração dos ambientes naturais existentes no local em uma faixa de cerca de 7 metros de largura e uma extensão de 4.450 metros".
O documento dos investigadores informa ainda que "foram atingidos ambientes de campos de dunas móveis, dunas vegetadas, campos arenosos, áreas úmidas e banhados".
Na decisão, o ministro afirma que "à primeira vista, os fatos descritos pelo procurador-geral da República em sua manifestação configuram, em tese, ilícito penal, devendo-se salientar que os autos possuem elementos probatórios aptos a embasar o início das investigações".
Lewandowski deu prazo de 60 dias para que os investigadores cumpram as diligências solicitadas, como confirmar a destruição da área no local.
Segundo o ministro, "as diligências requeridas mostram-se necessárias para melhor elucidar as condutas descritas na representação" da PGR.
O caso estava com a Justiça Federal em Porto Alegre em 2014 e foi remetido ao Supremo em agosto de 2016 devido à prerrogativa de foro de Padilha, que virou ministro de Michel Temer.
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TANCREDO NEVES, O PRÍNCIPE CIVIL

Silencioso nas articulações, estrondoso na tribuna, mestre da conciliação, Tancredo Neves se tornou o símbolo da redemocratização brasileira. Em seus cinquenta anos de vida pública, o político mineiro participou dos momentos mais importantes da história do Brasil.

Foi ministro da Justiça de Getúlio Vargas em 1954, apoiando o presidente até o trágico fim. Primeiro-ministro da experiência parlamentarista de João Goulart em 1961. Líder do governo, senador e governador de Minas Gerais.

Nos 21 anos de resistência pacífica ao regime militar, costurou a derrocada da ditadura em 1985 aceitando eleger-se presidente, ainda que sob regras não democráticas. Foi internado em estado grave às vésperas de assumir o poder.

Sua morte estarreceu a população — “Eles não o deixaram tomar posse”, repetia-se pelas ruas enquanto passava o cortejo fúnebre —, porém seu legado conduziu o Brasil de volta ao caminho da democracia. Além de uma biografia, Tancredo Neves, o príncipe civil é uma grande reportagem sobre a política brasileira.

Sinopse do livro, via biblioteca da Folha
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domingo, 12 de março de 2017

NA CORTE DO REI ARTUR

Artigo de Fernando Gabeira

As revelações dos dirigentes da Odebrecht inauguram a fase da tsunami que deverá levar o Brasil a reformar seu sistema político. Não podia dar certo. A Odebrecht deu R$ 10,5 bilhões aos políticos. De um modo geral, ela ganha quatro vezes o valor de suas propinas. Uma só empresa, portanto, deve ter faturado R$ 42 bilhões de vantagem nessas operações. Janot decidiu não quebrar o sigilo da ação internacional da Odebrecht: é o que dizem os jornais. Isso esconderia um pedaço do Brasil por algum tempo.

É um pedaço tão sinistro que, no futuro, de alguma forma, o país terá que se desculpar por ele. Interferência em seis processos eleitorais estrangeiros, compra de ministros e até de presidentes, como no Peru — tudo isso é um escândalo sem precedentes. Ele vai se tornar muito mais grave se concluirmos que a Odebrecht foi financiada pelo BNDES. A corrupção no continente e na África era movida com dinheiro oficial, um eufemismo para dinheiro do povo.

Os danos à imagem do Brasil, infelizmente, não se esgotam nessa trama que Janot, aparentemente, quer manter em sigilo. O jornal “Le Monde”, numa reportagem de grande repercussão, afirmou que o Brasil teria comprado a escolha do Rio para a Olimpíada. Um empresário brasileiro depositou cerca de US$ 1,5 milhão na conta de um dirigente do COI. Nesta semana, um dos envolvidos no episódio, Frank Fredericks, pediu demissão. Ele monitorava o sorteio e levou US$ 300 mil. O mais interessante da história é o personagem que surgiu como o corruptor ativo, o empresário brasileiro Arthur César de Menezes Soares Filho, velho conhecido da política fluminense: o Rei Artur. Ele era dono da Facility e tinha amplos negócios com o governo Cabral. Eram amigos. Lá fora, isso não importa. O que as pessoas guardam é a ideia de que o Brasil comprou a Olimpíada.

Se chamo a atenção para as manchas na imagem do país é porque realmente me sinto um pouco confuso sobre o país em que estou vivendo. Em 1949, os norte-americanos fizeram um filme chamado “Na corte do Rei Artur”. É a história de um mecânico que leva um golpe na cabeça e acorda na corte do Rei Artur, no século XVI, e se apaixona por Alessandra. São os artifícios da máquina do tempo. Agora, levamos uma pancada na cabeça e acordamos na corte do Rei Artur, uma versão pós-moderna na qual o melhor amigo do rei é, na verdade, o Tio Patinhas, Sérgio Cabral, que estocava dinheiro, joia, ouro, diamante, quem sabe um dia para despejá-los em sua piscina de Mangaratiba.

Sempre se falou no Rei Artur e em seus negócios escusos. Mas comprar uma Olimpíada é algo que surpreende pela audácia, assim como surpreende pela audácia a fortuna de seu amigo, que considerávamos apenas um corrupto de médio porte. Nesse livre devaneio, a corte do Rei Artur se estende por todo o país. Levamos uma pancada na cabeça e constatamos que o sistema partidário brasileiro está em vias de desaparecimento.

Marcelo Odebrecht, bobo da corte? É um luxo mesmo para um lugar com tanta esperteza. Literalmente, essas empresas devem ter roubado do Brasil o valor do déficit orçamentário deste ano, R$ 139 bilhões. Associadas a um governo corrupto, roubaram tudo o que podiam aqui e, com uma parte do dinheiro, foram comprar autoridades lá fora. E como se não bastasse, o tronco fluminense teria comprado uma Olimpíada, uma festa internacional teoricamente voltada a estimular valores éticos e fraternidade entre os povos.

Finalmente roubaram também a limpidez da imagem do país no exterior. Esse sistema político partidário está pela hora da morte. A insistência da esquerda em negar o gigantesco processo de corrupção e o papel de Lula no seu comando é um dado imutável, mas, ao mesmo tempo, decisivo para as eleições de 2018. A autocrítica é uma saída que poderia fortalecer a esquerda a longo prazo, mas a tiraria do páreo. Por outro lado, o confronto com a avalanche de dados que surgem das delações e documentos é um caminho masoquista que vai arrasá-la ainda mais.

Apesar da pancada na cabeça que me levou à corte do Rei Artur, creio que posso imaginar paisagem depois da batalha ao acordar desse golpe. Passada a tsunami, o sistema partidário será levado na enxurrada ou terá de se abrigar em patamares éticos mais elevados, através de uma reforma.

E as eleições presidenciais brasileiras podem tomar, por caminhos diferentes, o mesmo rumo da francesa. Pela primeira vez, a tradicional alternativa esquerda-direita não irá ao segundo turno.
O chamado momento pós-ideológico não significa o fim do populismo, pois na França, assim como nos Estados Unidos, ele assume outras formas, canaliza o ressentimento popular e torna-se um dos atores principais do processo.

No filme “A corte do Rei Artur”, o mecânico americano Frank Martin, de Connecticut, termina pedindo reformas no reino. Aqui, além de reformas, algumas prisões são necessárias, inclusive a do próprio rei.

Artigo publicado no Segundo Caderno do Globo em 12/03/2017
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sexta-feira, 10 de março de 2017

A AGONIA DO SIGILO

Artigo de Fernando Gabeira

O WikiLeaks disparou a bomba mais potente da semana: a revelação de um instrumento da CIA para invadir telefones, tablets e televisões conectadas à internet. Ao mesmo tempo que notícias como essa mostram a vulnerabilidade da privacidade do indivíduo, elas revelam também como o sigilo estatal está cada vez mais ao alcance da sociedade. E a ferramenta da CIA e todos os seus usuários têm em si mesmos uma forte proteção, é um sigilo que a alta tecnologia torna mais recôndito.

Aqui, no Brasil, num nível mais artesanal, o sigilo oficial em torno dos depoimentos dos dirigentes da Odebrecht foi um fracasso de crítica, mas um sucesso de público. Uma análise antecipada mostraria que o sigilo não iria sustentar-se. O melhor era abrir tudo, com todas as letras. Em primeiro lugar, porque dissipa dúvidas e neutraliza interpretações de má-fé. Em segundo, porque se pode fazer um trabalho mais didático, como o fizeram as autoridades norte-americanas e suíças.

Um dirigente da Odebrecht, Hilberto Mascarenhas, revelou que a empreiteira pagou R$ 10,5 bilhões em propinas a políticos de 2006 a 20014. Um dado fundamental.

Mas tanto nos EUA como na Suíça, para que todos fossem mais inteligíveis do que um simples vazamento, existiu a preocupação de mostrar o quanto a Odebrecht lucrou com esse dinheiro investido em propinas. Se a informação chegasse completa aos brasileiros, com as duas colunas, a julgar pelos índices suíços de um dólar de propina por quatro de lucro, a Odebrecht, na verdade, recebeu em troca dos R$ 10,5 bilhões cerca de R$ 42 bilhões.

A planilha, mais uma vez, vem cheia de apelidos sonoros. “Amigo” é um deles. Já se dizia que “amigo” era o Lula. Mas agora a afirmação vem de delator da empresa diante de um ministro do TSE. Lula afirma que não existem provas de que ele seja o “amigo”. Quando forem comparados os dados de Curitiba com os obtidos pelo TSE, ele terá de encontrar uma resposta mais elaborada.
Como a eventual candidatura de Lula poderá sobreviver depois da avalanche dos fatos? Se ela deixar de ser competitiva, neutralizará a alegação perseguição política.

De certa maneira, alguns lances de 2018 estão sendo decididos pela tática suicida da esquerda. A julgar pelas eleições municipais de 2016, é possível que no Brasil, por um caminho muito mais vergonhoso, se chegue a um cenário parecido com o da França, onde a esquerda se desgastou tanto que não deverá chegar ao segundo turno. Das correntes de direita que se habilitam, uma delas sempre tentará ocupar o espaço do populismo, das soluções simples, da exploração do ressentimento.

Quando menciono esse cenário, sei que irrito interlocutores de esquerda e de direita, porque estou subestimando o potencial do PT e de seus aliados, como o PCdoB e o PDT, cujas eleições também eram financiadas pela Odebrecht, segundo os delatores. Mas, na verdade, é apenas uma tentativa de imaginar um pouco a paisagem depois da batalha. No momento, o que vejo são dois contendores: uma avalanche de fatos e uma força política decidida a negá-los. Qual deles vai atropelar o outro?

É difícil esconder os fatos, embora exista a tentação de atropelá-los, fugir para o território das narrativas, dos fatos alternativos, da pós-verdade. Falsas notícias, lendas urbanas, teorias conspiratórias brotam com facilidade num mundo conectado. Mas quando se trata de um esquema de corrupção que desviou dos cofres públicos uma soma talvez maior que o déficit do Orçamento nacional de R$ 136 bilhões, o País precisa saber a verdade.

Li que Janot decidiu manter sob sigilo os dados das delações sobre corrupção em outros países. Por quê? Não podem ser públicos aqui, se certamente serão divulgados no continente?
A corrupção lá fora tem relação com o Brasil, pois a BNDES financiava a Odebrecht. Ainda não sabemos precisamente o que aconteceu no banco estatal na sua longa e extensa parceria com a Odebrecht e outras empresas. Se houvesse um Parlamento menos estranho que o nosso, os deputados teriam convocado a presidente do BNDES para cobrar dela um relatório sobre seu papel nessa história.

Tudo indica que, no fundo, a Odebrecht usou também o dinheiro de um banco oficial para corromper autoridades estrangeiras. Nada melhor que os fatos para confirmar ou desmentir essa tese.

O governo Temer não compreendeu ainda a importância disso ou quer esconder os dados do BNDES. Aliás, Temer parece também não entender o quadro ao afirmar que o prejuízo causado pelo PT foi incalculável. Um pequeno grupo de trabalho com a máquina de somar dispensaria o adjetivo e traria um pouco mais de precisão. A não ser que Temer se refira a um quadro mais amplo que o da corrupção e o incalculável aluda também ao mundo simbólico dos valores.

Em termos econômicos, os números da corrupção estão aí, soltos, porém sob controle, como um animal doméstico: basta chamá-los que eles aparecem na sala.

A contabilidade não se esgota nos ganhos fabulosos das empresas envolvidas no esquema, nem na parte do leão que coube ao PT. Ela se estende aos pequenos e ao grande aliado do partido, o PMDB. E, em escala menor, ao PSDB e ao DEM. Mesmo no quadrilha montado por Sérgio Cabral não se sabe ainda o quanto de recursos federais foi devorado no jogo de propina e superfaturamento.

A Odebrecht pagou R$ 6,7 bilhões num acordo de leniência. Mas ele foi feito com todas as delações avaliadas, houve um cálculo real de quanto ela ganhou? Só uma medida provisória comprada pela Odebrecht, a 460, teria dada a ela R$ 2 bilhões. E a cesta de compras da empresa era muito variada, como também abundantes as ofertas no sistema político transformado em balcão de negócios.

Apesar de estar vendo o essencial, continuo me sentindo como se estivesse olhando uma cena pelo buraco da fechadura, por meio dos vazamentos. Esperando a porta se abrir.

Artigo publicado no Estadão em 10/03/2017
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quarta-feira, 8 de março de 2017

LUGAR DE MULHER É NA POLÍTICA

A força que a mulher tem na política brasileira é grande, capaz de fazer grandes transformações, e tem feito, credenciando ainda mais na vida política, partidária, militando e fortalecendo sua presença no cenário político brasileiro. O lugar da mulher não se restringe mais a vida de dona de casa, ou atrás de um balcão acompanhando o cônjuge ou algum parente; lugar de mulher é na política.
Até o fim da década de 90, o voto feminino era minoria (49,9%), a partir do ano 2000, se consolidou, hoje é maioria (55,4%) do eleitorado do país. Tem sido o responsável pelo resultado das últimas eleições e o crescimento há cada pleito demonstra que o voto feminino é peça fundamental no jogo político e continuará dando às cartas nas próximas eleições.
O Brasil que até maio do ano passado foi comandado por uma mulher, Dilma Rousseff, - sua eleição representou um marco na história da política brasileira – a participação da mulher na vida política do país ainda é tímida comparada a outros países, como demonstra estudo recente da União Interparlamentar, num ranking de 146 países, o Brasil ocupa o 110º lugar, fica atrás de países como Togo, Eslovênia e Serra Leoa.
Um grande avanço para incentivar engajamento da mulher no cenário político brasileiro foi a criação da Lei de Cotas de Gênero (autoria de Marta Suplicy), que determina que os partidos disponibilizassem mínimo de 20% das vagas para candidatas em eleições proporcionais, mesmo assim, a participação da mulher na política ainda aparece tímida. Em 2010, o Tribunal Superior  Eleitoral (TSE), promoveu mudança na lei, alterando o mínimo para 30%.
Faltam incentivos por parte dos partidos – em sua maioria são presididos por homens – para que a mulher esteja mais inserida no cenário político. Os partidos políticos alegam dificuldades em atrair mulheres para seus quadros.
O país têm 5.570 municípios, na eleição de 2016, ano em que se comemorou 84 anos do voto feminino no Brasil, foram eleitas 641 prefeitas, em 2012 esse número foi 659 prefeitas eleitas.  Em 2016, elegeram-se 7.821 vereadoras, número maior que 2012, quando 7.648 vereadoras  foram eleitas. Das capitais brasileiras, apenas uma, Boa Vista (RR), reelegeu uma mulher prefeita, Teresa Surita.
Nas Assembleias Legislativas, em 2014, foram eleitas 103 deputadas. Dos 27 estados da Federação, apenas Roraima elegeu uma mulher, Suely Campos. No Congresso, a bancada feminina praticamente manteve o mesmo número de senadoras e deputadas da eleição de 2010. O Senado tem 81 senadores, 13 são mulheres. Na Câmara, dos 513 deputados, 46 são mulheres.
Desde a conquista do voto feminino em 1932 – o que veio tarde – a mulher tem conquistado novos setores na política e tem contribuído muito para um Brasil melhor. A prova disso são as cidades e capitais que são ou que foram administradas por mulheres competentes, engajadas com a causa pública: sejam como secretárias, vereadoras, prefeitas, deputadas, senadoras, governadoras ou ministras.
É necessário que a mulher tenha mais espaço na política, assim, será possível termos uma sociedade mais justa e igualitária. A mulher é determinada, não se deixa abater fácil com obstáculos que o dia a dia impõe.
São mulheres assim, guerreiras, perseverantes, cheias de esperanças e capacidade para lutar por uma sociedade onde todos tenham oportunidades iguais que o blog Sou Chocolate e Não Desisto homenageia todas as mulheres neste Dia Internacional da Mulher.
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A LUTA FEMININA

Criada em 1560, a Câmara Municipal de São Paulo (CMSP) esperou quatro séculos para testemunhar a chegada de uma mulher, com a eleição de Elisa Kauffmann Abramovich (veja matéria na pág. 18), em 1947. Hoje, os homens ainda ocupam cerca de 90% das cadeiras do Legislativo paulistano, mostrando que a luta das mulheres pela igualdade na participação política ainda está longe de terminar.
É uma batalha que começa no século 19, com o aparecimento das primeiras feministas brasileiras, inspiradas em movimentos europeus e norte-americanos. A Constituição Republicana de 1891, na mesma linha de outras da América Latina, nem se dava ao trabalho de proibir o voto feminino, já que apenas os homens eram considerados cidadãos. Na época, algumas militantes tentaram usar essa brecha para obter o direito ao voto na Justiça ou pressionar pela criação de novas leis, mas a resistência dos homens que dominavam a política era feroz.
Mulheres nunca poderão votar, porque possuem “cérebros infantis”, sofrendo de “inferioridade mental” e “retardo evolutivo” em relação aos homens – era o que argumentava o deputado Tito Olívio (lembrado por Augusto C. Buonicore em estudo incluído no livro Voto Feminino & Feminismo). A maioria dos inimigos do voto feminino, contudo, preferia argumentos mais condescendentes, dizendo que a mulher deveria continuar a exercer o seu nobre papel de “rainha do lar”, evitando se meter em algo tão prosaico como a política.
A primeira vitória ocorreu em 1928, quando o governo do Rio Grande do Norte aprovou o direito ao voto feminino, abrindo passagem para a eleição da primeira vereadora e da primeira prefeita (veja mais na pág. 23). Para as outras mulheres do País, a conquista só chegou em 1932, com a promulgação do novo Código Eleitoral.
Clubes do Bolinha
Na Câmara Municipal de São Paulo, os efeitos dessa conquista só iriam aparecer 20 anos depois. A primeira eleição para vereadores com participação feminina, em 1936, escolheu apenas homens. No ano seguinte, veio a ditadura do Estado Novo, que fechou os Parlamentos. O Clube do Bolinha parlamentar só seria desfeito com a vitória de Elisa, em 1947 – que, mesmo assim, foi cassada antes de tomar posse. Mulher no Plenário, mesmo, é algo que o Legislativo paulistano só foi conhecer em 1952, com Anna Lamberga Zeglio, primeira mulher a ser empossada vereadora na cidade. Na mesma legislatura (que durou até 1955), a suplente Dulce Sales Cunha Braga assumiu no lugar de Estanislau Rubens do Amaral, iniciando, assim, uma longa carreira política, que a levaria até o Senado.
Nos anos seguintes, as mulheres, ainda que em minoria, estiveram presentes em quase todas as legislaturas, menos entre 1973 e 1977, quando os paulistanos voltaram a reeditar o Clube do Bolinha parlamentar, elegendo apenas homens. Em 1961, Ruth Guimarães tornou-se a primeira mulher a ocupar cargo na Mesa Diretora, como 3ª secretária. Outro marco da época foi a eleição da primeira vereadora negra, Theodosina Rosário Ribeiro, em 1968. Ela ainda seria eleita a primeira deputada estadual negra por São Paulo, em 1970.
Atualmente, a Mesa Diretora da Câmara abriga duas mulheres: a 1ª vice-presidente Marta Costa (PSD) e a corregedora-geral Sandra Tadeu (DEM). As outras vereadoras são Edir Sales (PSD), Juliana Cardoso (PT), Noemi Nonato (PROS) e Patrícia Bezerra (PSDB).
Lei que não pega
“O déficit de mulheres nos cargos de poder e de representação política é fruto de um sistema patriarcal caracterizado pelo monopólio do poder político, militar e econômico nas mãos dos homens, assegurado mediante o controle físico e ideológico exercido sobre o corpo e a vida das mulheres na esfera privada e pública”, afirma a advogada Isadora Brandão Araújo da Silva, da Marcha Mundial das Mulheres, em artigo publicado no relatório Direitos Humanos no Brasil 2012, da Rede Social de Justiça e Direitos Humanos. Para Isadora, os partidos políticos tendem a reproduzir os mesmos limites para a participação feminina. “São atribuídas às mulheres tarefas subvalorizadas, como as de secretariado e logística, ao passo em que são alijadas das instâncias de formulação política, deliberação e articulação.”
Na busca de abrir mais espaço para as mulheres na política, o relatório destaca o papel das leis que implantaram as cotas de gênero. A Lei 9.100, de 1995, obrigou os partidos a reservar pelo menos 20% das vagas para candidaturas de mulheres. Em 1997, a Lei 9.504 aumentou o percentual das vagas para 30% (para candidaturas de cada sexo).
Foi uma lei que demorou a pegar. Entendendo que a cota mínima de mulheres deveria ser calculada sobre o número de candidaturas que cada partido poderia lançar, e não sobre o número real de candidaturas, a maioria dos partidos passou anos sem atingir a cota mínima de mulheres candidatas. Nas eleições municipais de 2008, por exemplo, as candidaturas femininas eram apenas 19,84% do total.
A situação só mudou após uma resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em 2011, deixar claro que a cota de 30% valia para o número de candidatos inscritos pelos partidos, e não para o número dos que poderiam se inscrever. Nas eleições de 2012, segundo o TSE, foi a primeira vez em que a participação feminina atingiu a cota prevista na lei, chegando a 32,57% das candidaturas a vereador.
As seis vereadoras que atuam hoje na Câmara paulistana correspondem a 10,9% do Parlamento, abaixo das médias do continente americano (25,2%) e do mundo (21,8%). “A participação feminina na política, do ponto de vista formal dos cargos eletivos, ainda é muito baixa. Enfrentamos uma política que não abre espaço para as mulheres”, afirma a militante feminista Maria Amélia de Almeida Teles, autora de Breve História do Feminismo no Brasil.
Para Amélia, a política de cotas é fundamental, mas só vai funcionar quando os partidos investirem para valer na formação e na mobilização feminina. Ela também acredita que não dá para integrar as mulheres sem criar horários de reuniões que respeitem a lógica da dupla jornada, por exemplo. “Muitos partidos buscam aplicar a lei de forma burocrática, chamando mulheres só para preencher vagas, e não para ganhar eleição”, diz. Enquanto isso não mudar, “continuaremos a ter uma política toda feita por homens para homens”.
Por Fausto Salvadori, da revista Apartes
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terça-feira, 7 de março de 2017

RECORDANDO LUIS CARLOS PRESTES

Há 27 anos morria Luís Carlos Prestes, o “Cavaleiro da Esperança”. Nascido em Porto Alegre, em 3 de janeiro de 1898. Prestes faleceu em 7 de março de1990, no Rio de Janeiro. Luiz Carlos Prestes foi militar, líder político e um dos maiores revolucionários brasileiro.
Filho de Antonio Pereira Prestes, capitão do exército, e de Leocádia Felizardo Prestes, professora primária. Com o pai morto durante sua infância, Prestes recebeu influência marcante da educação da mãe na composição de sua personalidade.
Levou vida pobre, sendo educado em casa pela mãe, depois entrando para o Colégio Militar em 1909. Concluídos os estudos neste, segue na Escola Militar do Realengo, no Rio de Janeiro, atual Academia Militar das Agulhas Negras, contribuindo com o sustento da família com o seu soldo. Aluno brilhante, chegaria à patente de segundo-tenente.
Ao tomar conhecimento das "cartas falsas" atribuídas a Artur Bernardes, começa a envolver-se em questões políticas, dedicando-se ao combate ao futuro presidente que estava sendo programado pelos militares. Já como capitão, lidera o foco da primeira revolta tenentista na região das Missões, em Santo Ângelo, no Rio Grande do Sul. Suas metas eram o combate à oligarquia, estabelecimento do voto secreto, e convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte.
Ao unir-se a um contingente paulista de militares revoltosos em Foz do Iguaçu, rompendo as linhas de defesa do governo, Prestes passa a liderar tal grupo que como outros de militares revoltosos, entre eles Miguel Costa, resolvem fazer oposição armada ao governo.
O grupo formado no Paraná logo seria batizado de Coluna Miguel Costa-Prestes (popularmente Coluna Prestes), que ao longo de dois anos e cinco meses percorreu, com 1500 homens cerca de 25000 km no interior do país, passando por (na época) 13 estados brasileiros.
 Desgastados, os remanescentes da Coluna Prestes iriam buscar asilo na vizinha Bolívia. Deslocando-se à Argentina, é neste país, ao dedicar-se a leituras das mais diversas, é que surgirá no militar Prestes a convicção da eficácia das ideias marxista-leninistas.
Em 1931 já é comunista convicto, viajando para a União Soviética, retornando ao Brasil em 1934 com a esposa, Olga Benário, judia alemã, membro do partido comunista alemão. Os dois, sob o comando da facção Aliança Nacional Libertadora, ligada ao Partido Comunista Brasileiro, comandaria o fracassado golpe de 1935 conhecido como "Intentona Comunista", que visava derrubar o governo de Getúlio Vargas.
Prestes foi preso, sendo que sua mulher, grávida, foi deportada e entregue à Guestapo (a polícia política da Alemanha nazista), morrendo em 1942 em um campo de concentração.
Solto em meio ao processo de redemocratização, o "Cavaleiro da Esperança" elege-se senador pelo PCB em 1945, para logo ver a cassação do registro de seu partido sob a administração Dutra, em 1947.
Além disso, decretou-se sua prisão preventiva, o que o forçou a entrar para a clandestinidade. Sua prisão seria revogada em 1958 pelo presidente Kubitschek, mas, com o Golpe Militar de 1964, novamente torna-se um clandestino. Deixa o Brasil novamente rumo à União Soviética em 1971, voltando com a anistia decretada em 1979, sendo que a partir daí, passa a se distanciar do PCB, deixando a secretaria-geral do partido em 1983, cargo que ocupou por décadas.
Crendo que o PCB desviara-se do ideal marxista, seu novo partido será o PDT, legenda sob a qual pedirá votos a Brizola e a Lula nas eleições de 1989.
Com informações do InforEscola
Entre tantos livros escritos sobre a vida de Luís Carlos Prestes, o blog Sou Chocolate e Não Desisto recomenda a leitura da recente biografia Luís Carlos Prestes – Um revolucionário entre dois mundos, de Daniel Aarão Reis.
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TIRO PELA CULATRA

Bernardo Mello Franco, Folha de S.Paulo
BRASÍLIA - Uma investigação aberta a pedido do PSDB virou motivo de dor de cabeça para o PSDB. O partido terminou a semana na mira do processo que ele mesmo moveu para tentar cassar a chapa Dilma-Temer, que o derrotou em 2014.
Na quinta (2), o delator Benedicto Junior disse ao TSE que a Odebrecht repassou R$ 9 milhões em caixa dois aos tucanos. Segundo o executivo, a dinheirama foi entregue ao marqueteiro de Aécio Neves e a três protegidos dele: Antonio Anastasia, Pimenta da Veiga e Dimas Fabiano.
Na véspera, Marcelo Odebrecht fez outra revelação embaraçosa para o PSDB. Ele disse que Aécio o procurou pessoalmente para pedir um socorro de R$ 15 milhões. A abordagem ocorreu quando o senador corria risco de ficar fora do segundo turno.
Ao se ver atingido por um tiro que disparou, o partido apelou à esperteza. Alegou que não é alvo do processo e pediu ao ministro Herman Benjamin que suprima as citações que o comprometem. Pode ser que cole, mas as acusações voltarão à tona assim que o Supremo retirar o sigilo das 77 delações da Odebrecht.
O avanço da Lava Jato está deixando claro que o PT não foi o único partido a se lambuzar na farra das empreiteiras, para usar a célebre expressão do ex-ministro Jaques Wagner. Siglas que não foram convidadas para o petrolão encontraram outros meios para fazer negócios, como o controle de máquinas estaduais.
Dois executivos da Odebrecht já ligaram Aécio, o "Mineirinho", a fraudes na construção da Cidade Administrativa de Minas. Os tucanos paulistas José Serra e Geraldo Alckmin, que se revezam no governo de São Paulo há 16 anos, também ganharam apelidos na planilha da empreiteira.
Na sexta (3), o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso defendeu Aécio e disse que palavra de delator não é prova. É verdade, mas poucos tucanos se lembraram disso quando viram os rivais na fogueira. Na nota, FHC também reclamou da imprensa. Nada como um dia após o outro.
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