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terça-feira, 31 de março de 2015

LULA INDIGNADO

Do UOL
Em discurso nesta terça-feira (31) para sindicalistas e lideranças políticas de esquerda no Sindicato dos Bancários de São Paulo, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu a Petrobras, afirmando que os delatores da operação Lava Jato são "bandidos que passaram a virar heróis" para os partidos de oposição e que está "indignado" com a corrupção.
"Hoje, se tem um brasileiro indignado sou eu. Indignado com a corrupção." Lula também discursou em defesa da presidente Dilma Rousseff, que vem sendo alvo de uma onda pró-impeachment por parte de novos movimentos políticos como o Vem Pra Rua e Movimento Brasil Livre. "Eu tenho certeza que esse país nunca teve ninguém com a valentia e coragem da presidenta Dilma de fazer investigação onde quer que precise fazer investigação. Mas eles estão transformando a denúncia de corrupção a ponto que um bandido que é condenado a não sei quantos anos de prisão fala: 'Eu vou fazer delação premiada'... Aí, o bandido vira herói."
Lula disse que nunca foi feito o "debate correto" sobre a corrupção no Brasil, afirmando que "no Estado de São Paulo a corrupção é crônica". "Nós não fizemos até hoje o debate correto sobre a questão da corrupção neste país. Aqui no Estado de São Paulo, ela é crônica historicamente. Eu lembro que aqui em SP, todas vezes que teve uma eleição para o Estado, o tema da corrupção era abordado com muita violência."
"Quero saber se alguém vai ter coragem de dizer que esse moço esteve envolvido com corrupção. Mas ele conquistou o direito de andar de cabeça erguida", disse Lula, referindo-se ao ex-presidente da Petrobras Sérgio Gabrielli, presente no evento.
"A gente vê o que estão fazendo com a Petrobras, tentando mostrar que a Petrobras é uma empresa corrupta, que na Petrobras tudo é bandalheira. Eles se esquecem de dizer uma coisa: essa empresa é uma empresa de alta governança, e se teve corrupção lá dentro, não foi corrupção de uma totalidade, foi de uma ou outra pessoa, que terão de pagar o preço por ter enganado o povo brasileiro", afirmou Lula.
"Esse país nunca teve ninguém com a coragem de Dilma para fazer investigações onde quer que seja preciso. Fomos nós [os governos petistas] que colocamos um representante do Ministério Público indicado pela categoria, sem interferência do governo. Fomos nós que dobramos o número de policiais federais, os investimentos em inteligência."
Recentemente acusado de dividir politicamente o país em seus discursos, Lula disse que não pretendia fazer isso, mas que "os de baixo nunca apareceram no discurso deles. Só queria que os pobres subissem um degrau na escala social deste país".
Além de São Paulo, o PT e sindicatos também promoveram plenárias pró-governo em outras cidades do país.
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LINGUAGEM DO "P"

Charge do Duke, via O Tempo
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PRIMEIRO DE ABRIL

São paulo - Em evento com cerca de 3 mil petistas e sindicalistas nesta terça-feira, 31, à noite, em São Paulo, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um mea-culpa em relação aos erros do governo Dilma Rousseff na economia e disse estar “indignado” com a corrupção. Lula, no entanto, deixou claro que o motivo da crise é de natureza política, e não econômica, e conclamou os petistas a, em vez de hostilizar os manifestantes anti-Dilma, fazer o debate político de convencimento.
“Todos nós cometemos equívocos”, disse Lula. “Poderíamos ter aumentado o preço da gasolina lá em 2012”.
Depois de ouvir uma série de críticas do presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vagner Freitas, ao “tarifaço” do governo e ao “ajuste do (ministro Joaquim) Levy”, o ex-presidente também citou o aumento da conta de luz, mas defendeu a realização do ajuste fiscal e disse que “nem tudo depende da Dilma”.
Lula, que em conversas fechadas tem criticado a condução política do governo e defendido a tese de que a crise é política e não econômica, também aproveitou para mandar um recado indireto à presidente. “Se nós não errarmos na política, não vamos errar em nada.”
Direito. Depois de fazer o mea-culpa, o ex-presidente, que durante anos usou o discurso do “nós contra eles”, assumiu uma posição mais branda em relação aos protestos que levaram centenas de milhares de pessoas às ruas contra o governo no dia 15 de março.
“Nós temos que ir para a rua muitas vezes, mas não temos que ficar com raiva de quem está indo contra nós. Eu, às vezes, fico irritado quando vejo companheiros dizendo que quem vai para rua contra nós são os que não prestam e nós somos os bons. Nós fomos contra Sarney, contra Collor, contra FHC, contra Geisel, contra Médici. É a primeira vez que estão indo contra nós. Eles têm direito.”
Segundo Lula, o motivo maior da insatisfação contra o governo é o fato de que as pessoas que ascenderam socialmente durante os governos petistas, hoje querem mais ou têm medo de voltar atrás. Por isso, a melhor estratégia, diz, é fazer o debate político para convencê-las dos aspectos positivos do governo. Ele citou dados de eleições perdidas pelo PT em São Paulo para argumentar que o quadro é reversível.
Para animar a militância, Lula listou manchetes negativas sobre a economia em 2003, seu primeiro ano de governo, marcado por um forte ajuste fiscal, para dizer que Dilma pode terminar o segundo mandato melhor do que ele próprio.
Além disso, o ex-presidente tentou dar base ao discurso da militância a respeito das denúncias de corrupção. Segundo ele, foi o governo do PT quem criou as ferramentas para que as fraudes fossem descobertas e punidas e, ao contrário de outros partidos que estiveram no governo, nas administrações petistas integrantes do partido foram condenados e presos. “Hoje, se tem um brasileiro indignado sou eu. Indignado com a corrupção. E tenho a certeza de que este País nunca teve ninguém com a valentia da presidenta Dilma de fazer investigação contra quem quer que seja”, disse o ex-presidente.
Gabrielli. A Plenária Nacional dos Movimentos por Mais Democracia, Mais Direitos e Combate à Corrupção, organizada também pela CUT, reuniu lideranças do PT e PC do B, movimentos sociais como Movimento dos Sem Terra (MST), União Nacional dos Estudantes (UNE) e Central dos Movimentos Populares (CMP). Entre os presentes estava o ex-presidente da Petrobrás José Sergio Gabrielli, que dirigiu a estatal na época dos desvios investigados pela Operação Lava Jato. Ele foi elogiado por Lula e pelo presidente do PT, Rui Falcão. Na saída, Gabrielli defendeu o legado de sua passagem pela estatal e alertou para o risco de criminalização da empresa.
Durante o ato, Gilmar Mauro, líder do MST, chegou a falar em tom ameaçador numa “resistência” popular a uma tentativa de golpe. “Não haverá golpe no Brasil sem resistência popular nas ruas. Nossos movimentos não formaram covardes”, disse ele.
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DISSECANDO A DITADURA

O golpe militar no Brasil que hoje completa foi 51 anos é tema de muitos livros. Lançado no ano passado – nos 50 anos do golpe – cada livro aborda o regime militar sob o seu ponto de vista peculiar, diferentes fatos e os desdobramentos do Golpe. Entre os inúmeros livros lançados, recomendo quatro títulos que não podem faltar em sua biblioteca: A Ditadura militar – os golpes dentro do golpe, Ditadura e democracia no Brasil, 1964 e A Ditadura que mudou o Brasil.
A Ditadura militar – os golpes dentro do golpe – Recorrendo à forma que consagrou nos dois volumes de O Brasil sem retoque (2001), best sellers ainda hoje referenciais, Chagas mais uma vez explora a história contada por jornais e jornalistas para destrinchar, com cores e vozes da época, num ritmo que só mesmo a pena de um grande narrador poderia imprimir, não apenas o espinhoso e sombrio período entre 1964 e 1969 como também os dez delicados anos que precederam a tomada de poder pelos militares.
Ditadura e democracia no Brasil – Cinco décadas depois do golpe que instaurou a ditadura militar no Brasil, diferentes análises continuam divergindo quanto os fundamentos históricos do regime e de suas complexas relações com a sociedade.
Neste livro, o professor Daniel Aarão Reis investiga o papel da sociedade civil durante os anos de chumbo e propõe uma leitura do período e das consequências da ditadura até a Constituição de 1988.
1964 – um panorama de como se instaurou a ditadura civil-militar no Brasil e seus desdobramentos. Pelas mãos de Jorge Ferreira e Ângela de Castro Gomes, é possível entender melhor esse conturbado período da história, que rendeu ao país duas décadas de repressão e tantas injustiças.
Numa linguagem objetiva, sem exageros acadêmicos ou notas de rodapé excessivas, que tornem o texto menos atraente para o grande público, os autores destacam personagens e momentos que marcaram o período, relembrando falas de personalidades e trechos de jornais que noticiaram o Golpe.
A Ditadura que mudou o Brasil – O golpe militar de 1964 foi o estopim para a instauração de uma ditadura autoritária, opressiva e truculenta que se manteve no poder por mais de vinte anos no Brasil. Em 2014, cinquenta anos depois, é hora de aprofundar e renovar a reflexão sobre este período traumático na história do Brasil.
Organizada e escrita pelos mais renomados pesquisadores, "A Ditadura que Mudou o Brasil" é uma coletânea de artigos que oferece novas luzes para compreender as raízes da ditadura, sua evolução e a herança que nos legou: relações sociais autoritárias, censura indiscriminada, aparato repressivo opressor, fragilidade da cidadania, aprofundamento de desigualdades e injustiças sociais.
P.S.: Os quatro livros (A Ditadura envergonhada, A Ditadura escancarada, A Ditadura derrotada e A Ditadura encurralada) de Elio Gaspari sobre a Ditadura Militar no Brasil também são indispensáveis.
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NA CALADA DA NOITE...

Na calada da noite, há 51 anos o país era surpreendido com o golpe militar que tirou do governo, o presidente da República, João Goulart.  Com o golpe militar de 1964, a censura foi instalada, perseguição, tortura e morte para aqueles que discordavam da forma que o governo dos generais conduzia a Nação. A partir daí, o Brasil passou a viver os anos de chumbo.
Duas décadas de atrocidades contra políticos, estudantes, artistas, escritores e civis que discordavam do regime ditatorial implantado no país sob o comando dos militares que colocaram no poder, o general Castelo Branco, o primeiro linha-dura da ditadura.
Hoje é um dia para refletirmos sobre as agruras que nossos irmãos brasileiros passaram naquelas duas décadas sombrias. Alguns foram exilados, outros saíram para comprar cigarro ou um café e nunca mais voltaram. Metaforicamente, eles sumiram num rabo de foguete como diz trecho da canção O Bêbado e o Equilibrista, de João Bosco e Aldir Blanc.
Não podemos esquecer esse momento escuro da história do país e as novas gerações não podem deixar de saber que um dia tivemos nossa liberdade de expressão cerceada. Qualquer forma de censura deve ser combatida, eliminada.
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segunda-feira, 30 de março de 2015

PAGANDO A CONTA

Charge de Fernando Brum, via IstoÉ
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domingo, 29 de março de 2015

DOAÇÃO

Da Exame
Brasília - Em meio a uma crise de energia sem precedentes no país e em busca de fontes alternativas para evitar um racionamento, o governo brasileiro vai gastar R$ 60 milhões para reformar e doar uma usina térmica para a Bolívia. O Ministério de Minas e Energia está nas tratativas finais para viabilizar a negociação.
A usina térmica Rio Madeira pertence à Eletronorte, uma das empresas do grupo Eletrobras. Inaugurada em 1989, ela foi uma das responsáveis por abastecer os estados de Rondônia e Acre por 20 anos. Com potência de 90 megawatts, o empreendimento fica em Porto Velho (RO) e é capaz de fornecer energia para uma cidade de 700 mil habitantes.
Segundo uma fonte, a usina precisa passar por uma "recauchutagem geral" para entrar novamente em operação. Antes de doá-la, a Eletronorte vai converter a usina para gás natural, combustível abundante na Bolívia.
Essa reforma, com o transporte e montagem na Bolívia, custará R$ 60 milhões. O dinheiro já foi transferido pelo governo para a Eletronorte, responsável pela reforma. Uma usina térmica nova, com capacidade de 100 MW, custa hoje em torno de R$ 100 milhões.
A transação está prestes a ser concluída pela estatal e depende apenas de um sinal verde do Ministério de Minas e Energia. A doação da usina faz parte dos compromissos bilaterais assumidos entre os dois países.
A térmica Rio Madeira foi desativada em outubro de 2009, quando o Estado de Rondônia foi conectado ao Sistema Interligado Nacional (SIN) e passou a ser abastecido por hidrelétricas, que produzem energia mais barata.
Em janeiro de 2014, a fiscalização da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) constatou que a usina, embora desligada, tinha condições de operar parcialmente. Seu prazo de concessão acabava apenas em 2018. No entanto, "devido ao alto custo de operação, esta dificilmente seria despachada".
Por essa razão, a Aneel declarou os bens da usina como "inservíveis à concessão de serviço público". Em 2010, cada megawatt-hora (MWh) produzido pela usina custava R$ 846,98. Atualmente, a térmica mais cara em operação no Brasil é a de Xavantes, também a movida a óleo diesel, com custo de operação de R$ 1.167 por MWh.
A conclusão da Aneel deu aval para a continuidade das negociações, que agora estão em fase final. Segundo uma fonte da Eletrobras a par do assunto, trata-se de uma "térmica de qualidade ruim", por isso o Brasil não faria questão de ficar com a planta.
Por meio de nota, o Ministério de Minas e Energia informou que o acordo teve como objetivo "promover a cooperação energética com a Bolívia". O ministério disse que a transferência de R$ 60 milhões foi autorizada por meio da Medida Provisória 625/2013.
O ministério informou ainda que os trâmites necessários para operacionalizar o acordo deveriam ser informados pela Eletronorte. Já a empresa declarou que o governo deveria se pronunciar sobre o assunto, já que se trata de uma negociação internacional.
O pedido de doação da termelétrica foi feito diretamente pelo presidente boliviano, Evo Morales, em uma reunião bilateral com Dilma Rousseff - a primeira entre os dois - durante a primeira Cúpula da Comunidade de Estados Latino-americanos (Celac), na Venezuela, em dezembro de 2011.
No encontro, Evo explicou à presidente os problemas de energia e os apagões constantes enfrentados por seu país e pediu ajuda. Apesar de ser um dos maiores produtores de gás do mundo, a Bolívia não tem os equipamentos para transformá-lo em energia elétrica.
Dilma prometeu ceder então à Bolívia a termelétrica Rio Madeira, que estava sem uso no Brasil, mas que precisava ser reformada. O contrato seria de empréstimo por 10 anos, renováveis. Na prática, no entanto, o empréstimo se transformaria em uma doação, já que o custo de devolver a usina para o Brasil dificilmente compensaria.
A política de boa vizinhança, no entanto, tem por trás não apenas também necessidade de garantir a boa vontade dos bolivianos. Maior fornecedor de gás ao Brasil, o governo da Bolívia já aumentou duas vezes o preço do metro cúbico enviado ao país, mas garante o abastecimento de outras usinas brasileiras.
Além disso, o Brasil quer viabilizar a construção de uma hidrelétrica binacional, na divisa entre os dois países. Trata-se de um projeto antigo e discutido há anos pelos dois governos, sem ter nenhuma decisão prática até hoje.
O governo ainda terá que elaborar um memorando de entendimento para fazer a cessão formal à Bolívia, o que só deve acontecer quando a usina estiver pronta para ser enviada aos bolivianos. O ato também é enxergado como uma forma de melhorar a imagem do Brasil em La Paz, abalada desde a fuga do senador Roger Pinto Molina da embaixada brasileira, ajudado pelo diplomata Eduardo Sabóia.
A Bolívia continua sofrendo com apagões, especialmente no interior do país, para onde deve ser enviada a termelétrica do Rio Madeira.
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ELES SÃO MAIS SUJOS...

Via Romulo Gomes, Facebook
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sábado, 28 de março de 2015

E AGORA SENADOR ?

Um ex-gerente aposentado da Petrobras é um novo personagem das investigações da Operação Lava-Jato envolvendo o pagamento de propina para campanhas do PT. Em uma declaração gravada no dia 15 de março - durante os protestos contra a corrupção e o governo Dilma Rousseff -, em Recife, Carlos Alberto Nogueira Ferreira afirmou que assinou dois cheques nominativos para as construtoras do cartel no valor total de R$ 14 milhões destinados à campanha ao governo de Pernambuco, em 2006, do atual senador Humberto Costa (PT-PE).
"Assinei um cheque de R$ 6 milhões nominativo a Schahin Construtora e outro cheque de R$ 8 milhões nominativo a Odebrecht. Esses R$ 14 milhões de reais em 2006 foram para a campanha do senhor Humberto Costa, candidato a governador de Pernambuco em 2006 e arrecadador financeiro do PT aqui", afirma Ferreira.
Ex-gerente da Petroquímica Suape, em Pernambuco - subsidiária da Petrobras, que fica ao lado da Refinaria Abreu e Lima -, Ferreira está aposentado e foi subordinado a Paulo Roberto Costa o ex-diretor de Abastecimento da estatal que virou peça central da Lava-Jato.
No vídeo que circulou na internet à partir do dia 16, Ferreira acusa ainda o empresário pernambucano Mário Beltrão de ser o PC Farias do senador petista - referência a Paulo César Farias, pivô do impeachment do ex-presidente Fernando Collor de Mello, em 1992.
"Quem recebeu o dinheiro em nome de Humberto Costa foi o senhor Mário Beltrão. Ele é o amigo de infância de Humberto Costa, arrecadador financeiro dele. É o PC Farias do senador Humberto Costa", afirma Ferreira.
As declarações do ex-gerente vão servir no inquérito aberto por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), para investigar o recebimento de propina pelo senador, em sua campanha de 2010. Beltrão também é alvo desse inquérito.
Em sua delação premiada, o ex-diretor de Abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa já havia apontado o envolvimento do senador com propina proveniente da unidade.
Segundo ele, a campanha do senador em 2010 recebeu R$ 1 milhão do esquema de propinas e corrupção na Petrobras. O dinheiro foi solicitado pelo empresário Mário Barbosa Beltrão, amigo de infância do petista e presidente da Associação das Empresas do Estado de Pernambuco (Assimpra).
Paulo Roberto Costa afirmou que o dinheiro saiu da cota de 1% do PP - Partido Progressista que tinha o controle político da diretoria Abastecimento da estatal. Segundo o delator, o PP decidiu que tinha que ajudar na candidatura de Humberto Costa, razão pela qual teria cedido parte de sua comissão. Paulo Roberto Costa afirmou ainda que, se não ajudasse, seria demitido.
Humberto Costa foi eleito em 2010, o primeiro senador pelo PT de Pernambuco. Antes, havia exercido cargo de secretário das Cidades de Pernambuco (2007 a 2010) no governo Eduardo Campos - depois de perder a disputa ao governo em 2006 - e foi ministro da Saúde no primeiro mandato de Lula, de janeiro de 2003 a julho de 2005.
Reação
O senador Humberto Costa entrou no Tribunal de Justiça de Pernambuco com um pedido para que o vídeo fosse retirado da internet.
A gravação circulou na internet à partir do dia 16. " Tão logo tomou conhecimento, por meio de um vídeo, da acusação criminosa feita contra a honra dele durante um ato de rua, o senador Humberto Costa (PT-PE) determinou aos seus advogados que buscassem a identificação do autor e o interpelassem judicialmente", informou a assessoria de imprensa do senador.
"O senador não conhece e jamais viu o homem que fala no vídeo", diz a nota. O senador ressaltou ainda que "recebeu pouco mais de R$ 5 milhões para custeá-la e que, desse total, não houve qualquer doação por parte das construtoras Odebrecht e Schahin, como consta da sua prestação de contas, julgada e aprovada pela Justiça Eleitoral".
A Schahin informou, por meio de nota, que "não tem conhecimento dos fatos mencionados".
A Odebrecht, também por nota, disse que "não comentará ilações levantadas de forma questionável e sem qualquer fundamento".
Mário Beltrão não foi encontrado nesta quinta-feira (26) para comentar o assunto. No ano passado, quando foi apontado pelo delator referente à campanha de 2010, o empresário informou que era "uma leviandade" a acusação.
"Eu sou um homem que preza a transparência e a honestidade. O dia em que eu mentir eu morro do coração. Humberto Costa é meu amigo de infância, mas nunca me pediu colaboração de campanha." Ele afirmou que "jamais pediu um centavo para Paulo Roberto".
Por meio de sua assessoria de imprensa, o senador Humberto Costa negou qualquer irregularidade. Clique e leia íntegra da nota.
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sexta-feira, 27 de março de 2015

O NOVO COMANDANTE DA EDUCAÇÃO

O professor Renato Janine Ribeiro foi escolhido pela presidente Dilma Rousseff para assumir o lugar de Cid Gomes à frente do Ministério da Educação. O anúncio foi feito na noite desta sexta-feira pelo Palácio do Planalto.

Alinhado ao PT, o novo ministro é professor de Ética e Filosofia Política na Universidade de São Paulo (USP), onde obteve seu doutorado. Ribeiro é pós-doutor pela British Library e mestre pela Sorbonne. Segundo suas próprias palavras, ele se dedica à análise de temas como "o caráter teatral da representação política, a idéia de revolução, a democracia, a república, a cultura política brasileira".

A nomeção de Renato Janine Ribeiro não era esperada; antes do anúncio desta sexta-feira, havia especulações sobre a indicação do peemedebista Gabriel Chalita, atual secretário de Educação da cidade de São Paulo, para o ministério. A escolha de Dilma em nada altera a pressão de petistas e peemedebistas por mais espaço no governo.

Cid Gomes, escolhido pela presidente para levar adiante o projeto da "Pátria Educadora", deixou o cargo na semana passada depois de agredir verbalmente os deputados federais e até o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Conteúdo do site da Veja
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FABRICANDO A PRÓPRIA MENTIRA

Por Sandro Vaia, via Blog do Noblat
É possível que esteja acontecendo alguma coisa que a nossa vista não alcança.
Mas os fatos se avolumam diante de nossos olhos e ainda assim existe um exército disciplinado tentando nos convencer de que os fatos não são exatamente fatos. São apenas uma versão distorcida dos fatos, fabricada por nosso superego reacionário e elitista que não se conforma com a ascensão social das classes mais pobres.
Esse truque semântico é um truque pobre, mas pode ter lá a sua eficácia dentro do um universo onde o raciocínio raso se transforma em palavra de ordem e em farol e guia de alguém que anda à procura de um farol e de um guia para justificar a falta de substância e de propósito investidos na defesa do indefensável.
Temos hoje o que é talvez um dos piores governos da história da República,há evidências gritantes de um esquema de corrupção que parece construído para sustentar não os desvios de caráter  da ganância individual mas os alicerces de um projeto de perpetuação do poder, e mesmo assim a desconversa institucionalizada tenta convencer-nos de que todos são iguais.
Tudo o que é malfeito hoje é versão copiada dos malfeitos de ontem.
Um fato extraordinariamente significativo para ilustrar a diferença entre o “todos são iguais” e o esquema organizado de controle do poder é o caso do Postalis, o fundo de pensão dos empregados dos Correios, onde detectou-se um déficit de 5,2 bilhões de dólares, que terá que ser coberto por aportes adicionais dos funcionários durante pelo menos 15 anos para equilibrar as contas e garantir o pagamento das aposentadorias adicionais de quem resolveu apostar uma velhice tranquila nele.
O que você pode dizer de um fundo de pensão estatal que é controlado pelos partidos que dividem o governo, o PT e o PMDB? Que o dinheiro foi desviado? Não se sabe, não há provas. O que o Tribunal de Contas da União diz é que no portfólio do Fundo havia títulos da dívida pública da Venezuela e da Argentina. E havia também ações da empresa do Eike Batista.  Gestão temerária?
Quem é que no pleno domínio de suas faculdades mentais pega as economias de uma multidão de 71 mil trabalhadores e investe em títulos podres como esses? Só há duas explicações possíveis: má fé ou incompetência absurda.
Qualquer das duas hipóteses caracteriza dolo: ou alguém roubou ou alguém foi muito incompetente a ponto de jogar o dinheiro alheio no lixo. Seja qual for a explicação, ela não absolve ninguém.
Contra todas as evidências, os exércitos retardatários de Thomas Traumann, o secretário de Comunicação Social do governo de Dilma, devidamente defenestrado pelo vazamento de seu “documento secreto”, insistem em ignorar a realidade e tentam levar a sua contradança para o terreno da fantasia da luta do bem contra o mal.
A negação da realidade é um sintoma mais um menos agudo de uma patologia que, em seus casos mais graves, pode ser definida como uma espécie de esquizofrenia, uma doença sem cura que procura adaptar à realidade aos sonhos e delírios do paciente.
No livro “O Cérebro Político” do neurologista norte-americano Drew Westen, existe uma tentativa de explicação científica para essa espécie de negação da realidade, que foi medida em várias experiências feitas em laboratório através de ressonância magnética.
As experiências de Westen mostram que se a realidade não se adapta às verdades que seu cérebro rejeita, ele cria uma realidade paralela à qual seu cérebro se adapta. Ou seja: você cria sua própria realidade e passa a viver dentro dela.
Através desse mecanismo você passa a acreditar em suas próprias mentiras. Não é legal?
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OS ROBÔS ABANDONARAM O BARCO

Artigo de Fernando Gabeira
O documento que vazou do Planalto falando dos robôs usados nas redes sociais me fez lembrar de 2010. Foi a última campanha que fiz no Rio de Janeiro. Na época detectamos a ação de robôs, localizamos sua origem, mas não tínhamos como denunciar. Ninguém se interessou.
Os robôs eram uma novidade e, além do mais, o adversário não precisou deles para vencer. Tinha a máquina e muito dinheiro: não seriam mensagens traduzidas, grosseiramente, do inglês – contrataram uma empresa americana – que fariam a diferença. Essa campanha de 2010 pertence ao passado e só interessa, hoje, aos investigadores da Operação Lava Jato.
Os robôs abandonaram Dilma Rousseff depois das eleições. E o Palácio dá importância a isso. Blogueiros oficiais também fazem corpo mole em defendê-la, por divergências políticas. Isso confirma minha suposição de que nem todos os blogueiros oficiais são mercenários. Há os que acreditam no que defendem e acham razoável usar dinheiro público para combater o poderio da imprensa.
Vejo três problemas nesse argumento. O primeiro é uma prática que se choca com a democracia. O segundo, o governo já dispõe de verbas para fazer ampla e intensa propaganda. E, finalmente, Dilma tem todo o espaço de que precisa. Basta convocar uma coletiva e centenas de jornalistas vão ao seu encontro. Se Dilma quiser ocupar diariamente cinco minutos do noticiário nacional, pode fazê-lo. O chamado problema de comunicação do governo lembra-me O Castelo, de Kakfa. A porta sempre esteve aberta e o personagem não se dá conta de que a porta está aberta.
O problema central é que Dilma não sabe tocar esse instrumento. Todos os presidentes da era democrática sabiam. Lembro-me apenas do marechal Dutra, no pós-guerra, mas era muito criança. Falava mal, porém fez carreira militar, era um marechal, que comprou muita matéria plástica. Mas era um outro Brasil comparado com o avanço democrático e a onipresença do meios de comunicação.
Os robôs que abandonaram o barco não me preocupam. Esta semana parei um pouco para pensar na terra arrasada que o PT deixará para uma esquerda democrática no País. Não só pelo cinismo e pela corrupção, pelas teses furadas, mas também pela maneira equivocada de defender teses corretas. Ao excluir dissidentes cubanos, policiais brasileiros, opositores iranianos da rede de proteção, afirmam o contrário dos direitos humanos: a parcialidade contra a universalidade.
Algo semelhante acontece com a política sobre os direitos dos gays, que apoio desde que voltei do exílio, ainda no tempo do jornal Lampião.
Ao tentar transformar as teses do movimento numa política de Estado, chega-se muito rapidamente à desconfiança da maioria, que aceita defesa de direitos, mas não o proselitismo. Tudo isso terá de ser reconstruído em outra atmosfera. Será preciso uma reeducação da esquerda para não confundir seus projetos com o interesse nacional.
Isso se aprende até nas ruas, vendo o desfile de milhares de bandeiras verdes e amarelas. Na sexta-feira 13 houve um desfile de bandeiras vermelhas. Essa tensão entre o vermelho e o verde-amarelo é expressão pictórica da crise política.
Se analisamos a política externa do período, vemos que o Brasil atuou lá fora como se sua bandeira fosse vermelha. Ignora a repressão em Cuba e na Venezuela, numa fantasia bolivariana rejeitada pela maioria do País.
Discordo de uma afirmação no documento vazado do Planalto: o Brasil vive um caos político. Dois milhões pessoas protestam nas ruas sem um incidente digno de registro. Existe maturidade para superar a crise, sem violência.
Bem ou mal, o Congresso Nacional funciona. O caos não é político. É um estado de espírito num governo e num partido que ainda não compreenderam seu fim. Nada mais cândido que a sugestão do documento: intensificar a propaganda em São Paulo.
Com mais propaganda, mais negação da realidade, o governo contribui para aumentar o som do panelaço. E exige muita maturidade da maioria esmagadora que o rejeita.
Li nos jornais a história de um deputado no PT reclamando de ter sido hostilizado em alguns lugares públicos. Se projetasse o que virá no futuro, teria razões para se preocupar.
A crise econômica ainda vai apresentar seus efeitos mais duros. Um deles é o racionamento de energia. Sem isso, acreditam os técnicos, não há retomada do crescimento em 2016. Como crescer sem dispor de mais energia?
As investigações da Lava Jato concentram-se no PT. Muitos depoimentos convergem para inculpar o tesoureiro João Vaccari Neto. Li que uma das saídas do partido seria culpar o tesoureiro, uma versão petista de culpar o mordomo.
Um governo que recusa a realidade, crise econômica que caminha para um desconforto maior e o foco da investigação da Lava Jato no PT são algumas das três variáveis de peso que conduzem a uma nova fase.
Diante desse quadro, não me surpreende que os robôs estejam pulando do barco do governo. Apenas confirmam minha suspeita de que se tornam cada vez mais inteligentes.
Eles continuam à venda no mercado internacional. O secretário da Comunicação recomendou ao governo dar munição a seus soldados na internet, Lula ameaçar com o exército de Stédile. Um novo exército de robôs seria recebido com uma gargalhada nas redes sociais.
Juntamente com os robôs, Cid Gomes saltou do barco. Ao contrário dos robôs, seu cálculo é político. Superou em 100 a marca de Lula sobre os picaretas no Congresso. Preservou-se com os futuros eleitores.
Mas, e aquela história da educação como o carro-chefe do projeto de Dilma? Confusão entre os estudantes que não recebem ajuda e o ministro contando picaretas no Congresso.
É tudo muito grotesco. Os partidos querem ver Dilma sangrando. Além de ser muito sangue o que nos espera pela frente, é preciso levar em conta que, de certa maneira, o Brasil sangra com Dilma. Arrisca-se a morrer exangue.
Artigo publicado no Estadão em 27/03/2015
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CONVITE ACEITO

A presidente Dilma Rousseff convidou nesta sexta-feira (27) o ex-tesoureiro de sua campanha à reeleição, o petista Edinho Silva, para ser o ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República.
Edinho se reuniu com Dilma na manhã desta sexta no Palácio do Planalto, onde aceitou o convite. A posse está marcada para a terça (31), às 11h.
Ele substitui o jornalista Thomas Traumann, que pediu demissão na última quarta (25) após a repercussão do vazamento de texto interno da secretaria com críticas à comunicação do governo e ao PT.
Ex-deputado estadual pelo PT em São Paulo, Edinho atualmente estava dando aulas em uma faculdade particular.
Com informações do UOL.
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CABINE DE PILOTOS

Charge do Sinfrônio, via Diário do Nordeste
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quinta-feira, 26 de março de 2015

SEGREDO DE JUSTIÇA

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu abrir um inquérito contra o senador Agripino Maia (RN), presidente nacional do DEM, após pedido encaminhado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot. O parlamentar foi citado em delação premiada de empresário do Rio Grande do Norte na qual é acusado de ter cobrado propina de R$ 1 milhão para permitir um esquema de corrupção no serviço de inspeção veicular do Estado. O caso chegou ao Supremo em março e a decisão de abertura de inquérito foi tomada pela ministra relatora do caso, Cármen Lúcia, na última sexta-feira (20). O processo tramita no Supremo em segredo de Justiça.
Segundo promotores que acompanham o caso, o empresário George Olímpio teria montado um esquema envolvendo as principais autoridades do Rio Grande do Norte para aprovar uma lei que criava o sistema de inspeção veicular no Estado. A aprovação da lei, segundo a investigação, teria ocorrido sem obedecer os trâmites legais. O esquema de corrupção é investigado pela Operação Sinal Fechado, deflagrada em 2011.
Procurado, o senador disse desconhecer o pedido de abertura de inquérito contra ele no STF. "Não fui comunicado de nada e o que eu posso lhe dizer é que se trata de um reposicionamento por parte de alguém que foi a cartório declarar o contrário do que se supõe estar declarando agora. Trata-se de um processo que já foi apreciado na PGR e arquivado. Eu não tenho informação sobre as razões que estariam levando à reabertura desse assunto", disse o senador ao Estado por telefone.
Segundo Agripino Maia, o delator teria registrado em cartório uma nota que nega o teor das acusações feitas em delação premiada. Maia afirma que esse caso já havia sido analisado pela Procuradoria-Geral da República e arquivado por "inexistência de indícios mínimos". O parlamentar afirma ainda desconhecer os motivos que teriam levado à reabertura do caso. (AE)
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LADEIRA ABAIXO

Segundo o jornal O Globo, um levantamento feito pelo Datafolha, 2 dias após as manifestações de 15 de março revela que 3 a cada 4 eleitores de Dilma estão apreensivos os frustrados com seu governo.
De acordo com o Datafolha, 16% dos que votaram em Dilma estão frustrados e consideram o governo ruim ou péssimo.  
Para 15% dos entrevistados  estão  apreensivos, avaliam a gestão como regular e dão nota 6,1 à presidente.
Apenas 11% dos eleitores de Dilma estão satisfeitos, consideram seu governo bom ou ótimo e dão nota 8,3.
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BONDADE COM O DINHEIRO ALHEIO

Depois de furado o esquema gigantesco da Petrobrás, era apenas questão de tempo para começarem a estourar os tumores de outras estatais. Era cutucar e aparecer. O Estado chegou antes e temos aí os Correios, para confirmar a expectativa. Não foi o primeiro, certamente não será o último.
Fala sério: investir em títulos da Venezuela?! Isso não pode ser verdade. Mais do que uma aplicação de altíssimo risco, com o governo Nicolás Maduro desabando, é também uma operação suspeita e confirma o que todo brasileiro sabe, ou tinha obrigação de saber, a esta altura do campeonato: o modus operandi da era PT.
Além da má administração, impera a confusão entre Estado e governo e entre governo e partido. Dá nessas coisas. A maior empresa do País foi fatiada e dilapidada em mais de R$ 1 bilhão, a querida e popular instituição dos Correios foi chamada a financiar ditaduras destrambelhadas, o programa Mais Médicos foi maquiado para disfarçar uma mãozinha milionária para os "cumpanheiro" cubanos.
A Operação Lava Jato expôs dirigentes partidários, parlamentares, ex-ministros, diretores, doleiros e executivos das grandes empreiteiras - com o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, no meio do furacão. E todos eles expuseram o Brasil à vergonha internacional e a processos judiciais preocupantes nos Estados Unidos. Sabe-se lá quanto tempo a Petrobrás levará para se recuperar financeiramente. Pior: quanto tempo levará para resgatar a credibilidade e a autoestima.
E os Correios gastaram a seu bel prazer, principalmente no ano eleitoral de 2014, e serão julgados pelo Tribunal de Contas da União (TCU) por ações irregulares pró-Dilma durante a campanha à reeleição. Agora, com um rombo de bilhões de reais, o que fazem seus chefões? Mandam a conta para os funcionários.
Conforme a reportagem do Estado, o Postalis, fundo de pensão dos Correios, espetou um extra de 26% sobre os ganhos de empregados, aposentados e pensionistas para cobrir um rombo que foi criado pela incompetência, pelo partidarismo e pela ideologia. Como Robin Hood ao contrário, os Correios tiram dos trabalhadores para dar aos patrões e candidatos.
E a história de Cuba? O Mais Médicos faz sentido, porque há municípios sem nenhum atendimento. E trazer generalistas cubanos também faz sentido, porque eles são especialistas em prevenção básica justamente em áreas carentes e não atendidas. Mas uma gravação obtida pela TV Bandeirantes mostra que o objetivo real não era nem uma coisa nem outra. Era despejar um bom dinheiro no regime dos irmãos Castro. Os médicos de outras nacionalidades só serviram para dourar a pílula.
Como resultado, temos que o Ministério da Saúde financia Cuba, os Correios dão uma forcinha ora para a Venezuela, ora para a campanha de reeleição da presidente, e a Petrobrás financia PT, PP e PMDB antes, durante e depois de eleições, para eternizar um projeto de poder.
Tem muita investigação, muito inquérito, muitos réus, muita gente presa, mas, no frigir dos ovos, adivinha quem paga essa conta? Você!
Juiz. A Polícia Federal não tem dúvida de que o juiz Flávio Roberto de Souza está armando tudo para se passar por maluco e sair dessa afastado das funções, mas com uma gorda aposentadoria vitalícia e com uma bolada extra no bolso (ou em paraísos fiscais).
Nada faz sentido: chegar no Porsche de Eike Batista em pleno fórum? Já com os fotógrafos a postos? Levar piano para a casa do vizinho? Depois de tudo isso falar em budismo, carma e "repousar a mente"? Isso não é coisa de louco, é coisa de gente muito viva.
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MEA MÁXIMA CULPA

Charge do Baggi, via Jornal de Brasília
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quarta-feira, 25 de março de 2015

CAINDO FORA

O Ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social, Thomas Traumann pediu demissão do cargo. É mais um ministro de Dilma que se antecipa a demissão e deixa o governo.
O vazamento do documento da Secom em que se discutia o que o governo deveria fazer na área da comunicação para estancar o “caos político” foi o pivô.
No documento vazado, há uma confissão que o governo usou verbas publicitárias para abastecer seu exército de blogueiros chapa-branca.
Por discordar dessa forma de distribuição de verbas para sites e blogs que defendem o governo nas redes sociais, foi o principal motivo que a jornalista e então ministra da pasta, Helena Chagas deixou o governo.
Pra não desgastar ainda mais a imagem do governo, Thomas Traumann deve dar expediente na área de comunicação da combalida Petrobras.
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PRIVATIZAÇÃO À VISTA

“O ministro da Secretaria de Aviação Civil (SAC), Eliseu Padilha, disse que a concessão dos aeroportos de Porto Alegre, Salvador e Florianópolis ocorrerá no início do primeiro semestre do ano que vem. Na abertura de um evento sobre gestão aeroportuária, Padilha informou a representantes do setor de aviação civil que a parceria do Estado com a iniciativa privada, do ponto de vista temporal, é “infinita”.
Padilha destacou, no entanto, que os aeroportos de Congonhas, Santos Dumont e Manaus não serão repassados à iniciativa privada para “subsistência” da Infraero. De acordo com o ministro da SAC, as concessões dos aeroportos elevaram o nível de gestão e operação dos terminais brasileiros.
“Estamos em uma linha de ascensão na operação dos aeroportos e vamos subir. A competição vai fazer esse nível subir. Ela [presidenta Dilma Rousseff] optou pela parceria púbico privada, algo que internamente não foi fácil. Mas, agora, é uma parceria que do ponto de vista temporal, em principio, é infinita. Temos hoje 82% de aprovação [dos passageiros] e esse índice vai subir. Se estivermos acima de 90% [de aprovação dos aeroportos] óbvio que não vamos querer voltar atrás com esses parceiros que nos levaram a alcançar esse nível”, argumentou o ministro.”
Agência Brasil
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INFLAÇÃO SEM CONTROLE

Charge do Izânio
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terça-feira, 24 de março de 2015

THOMAS TRAUMANN, O INCONFUNDÍVEL

O relatório da Secom que fala abertamente do financiamento do governo aos blogs sujos -- uma vergonha a ser investigada pelo Ministério Público Federal -- não tem assinatura, mas, eu, Mario, reconheço o "estilo".
Pelos erros de português, o falso tom técnico, o conjunto palerma a ponto de adentrar abertamente a ilegalidade, o relatório foi escrito pelo ministro Thomas Traumann.
O hoje ministro foi subordinado meu na revista Veja. Quando fechava comigo, eu constatava como a incompetência é irmã da presunção. O sujeito era incapaz de acertar uma legenda, mas se achava um outro Thomas, o Mann.
Era também um despreparado para a vida civilizada. Thomas Traumann achava que podia sair de casa vestido de camisa e gravata, sem paletó. Da última vez que o vi, no Palácio do Eliseu, em Paris, continuava com a sua risada de puxa-saco, sempre muito mais alta do que a graça da piada.
Como virou ministro? Sem chance de alcançar cargos de chefia no jornalismo, seguiu um caminho mais fácil. Foi ser membro do governo mais ridículo da história do Brasil. Agora, pelo jeito, terá de bater perna em outra freguesia.
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QUE PAÍS É ESSE ?

Artigo de Fernando Gabeira
Depois das manifestações de domingo passado, o ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque foi preso no Rio. A operação tem o nome “Que país é esse?”. É uma alusão à frase de Duque quando foi preso pela primeira vez: que país é esse? Mesmo sem saber ainda que país é esse, na prisão de agora houve uma certeza temporal: era o primeiro dia depois que milhões de brasileiros foram para as ruas contra a corrupção, gritando “Fora Dilma”, “Fora PT”.
A reação do governo foi patética. Desde o princípio, fonte oficial espalhou que o movimento não tinha foco, era dispersivo.
Só mais tarde, na entrevista dos dois ministros, um de barba, outro sem barba, um deles reconheceu que havia uma luta contra a corrupção. E veio com a história de que ninguém mais do que o governo do PT combateu a corrupção.
Interessante é que, na coletiva, não se perguntou: como um movimento contra a corrupção pode, ao mesmo tempo, pedir a queda de um governo que a combateu mais do que tudo?
Volto à questão do foco. Quem trabalha com imagem, pelo menos, sabe que não é uma questão de muita controvérsia. Dez pessoas diante da imagem desfocada tendem a dizer que ela está fora de foco. O governo desfocou propositalmente as imagens de “Fora Dilma”, “Fora PT”, como se os manifestantes tivessem ido à rua apenas para tratar da corrupção de forma abstrata.
Até pesquisas surgiram para afirmar que as manifestações foram, principalmente, contra a corrupção, e não contra o governo. Como se esses elementos não estivessem entrelaçados e pudessem ser servidos em compartimentos estanques.
Se levarmos mesmo a sério tudo o que dizem, passaremos todo o dia batendo panelas. Dilma apareceu na versão sandálias da humildade. O tom era o mesmo. A mesma arrogância: nossa política econômica foi correta, posso ter errado na dose, cometi um pecadinho com o financiamento estudantil. Só faltou dizer: muito apressada, esqueci de fechar a torneira do banheiro por um minuto. É muito difícil sair de uma crise quando não se leva em conta a realidade. É impossível a esquerda manter sua base com um ajuste econômico rigoroso. É impossível conquistar os adversários com ajuste econômico porque seu tema também é a corrupção.
Correndo por fora de toda a cena de reforma política, a prisão de Renato Duque joga o foco na participação do PT. O tesoureiro João Vaccari já foi indiciado. Promotores demonstraram com cruzamento de datas propinas e doações. E revelaram o mecanismo de lavagem de dinheiro através das contas de campanha.
Renato Duque e João Vaccari negam tudo, disciplinadamente protegem o partido. Mas até quando? Independente do que falem ou deixem de falar, os dados recolhidos até agora indicam que dinheiro do petrolão circulou pelas campanhas de Dilma. Tudo isso trará mais tensão à atmosfera política. O problema é que precisamos de algum tipo de ajuste econômico para não cair mais no buraco.
É um momento em que certas espertezas não podem turvar mais o quadro nebuloso. O presidente da Câmara é investigado no petrolão. O presidente do Senado também, assim como dezenas de parlamentares. Como dizer então que a corrupção está apenas no governo?
O que se pode dizer é que ela está principalmente no governo, que detém, em última análise, o controle da estatal saqueada. O PMDB percebeu o momento do PT e procura ocupar o centro da cena. É uma ilusão achar que uma simples mudança na configuração da aliança possa alterar a crise de legitimidade.
Fernando Henrique e Marina afirmam que o impeachment não é a saída. Mas sua reação revela como a crise é profunda; em termos normais, líderes apontam caminhos; no momento, limitam-se a dizer por onde não se deve ir. Apontar ou rejeitar saídas a médio prazo é quase impossível. Mas há algumas variáveis que podem definir seu curso. A primeira delas é a reação da própria Dilma à sua improvável capacidade de autocrítica e energia para recolocar o governo de pé.
A segunda variável é a do ajuste fiscal, que depende, na verdade, mais do governo do que do próprio Congresso. É quase unânime a ideia de que o ajuste fiscal é uma condição para o crescimento. Mas afirmar que basta para a retomada divide opiniões.
A terceira variável é o curso da Operação Lava-Jato. O que predomina até agora é a negação, apesar de tantas evidências apresentadas pelos promotores. No mensalão, Dilma refugiou-se na condição de presidente para escapar do assunto. Tudo o que aconteceu na Petrobras diz respeito ao seu governo, muitas das propinas podem ter irrigado suas campanhas presidenciais. Nesse caso não cabe nenhum tipo de reinvenção, exceto dizer adeus.
“Que país é esse?” na música da Legião Urbana tem um tom de crítica e desencanto. Outro país pode surgir se tudo for investigado e a sociedade obtiver mudanças imediatas. Quem sabe a energia na mudança política seja o componente que falta para um ajuste econômico necessário?
Artigo publicado no Segundo Caderno do Globo em 22/03/2015
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CASA, COMIDA E ROUPA LAVADA

Do O Povo
O ex-ministro da Educação Cid Gomes (Pros) morou em Brasília nos últimos dois meses e meio numa casa locada pelo Governo do Ceará de aluguel mensal entre R$ 15 e 19 mil reais. A residência, situada no Lago Sul, bairro nobre da Capital Federal, faz parte dos gastos do Executivo desde 2011 e abriga as instalações da Coordenadoria de Representação em Brasília (Coreb), conforme o Portal da Transparência. O fato foi denunciado pela revista Época na última semana.
O Governo do Estado, em nota, afirma que o ex-governador “utilizou um cômodo do escritório enquanto aguardava o imóvel funcional do Governo Federal a que tinha direito, que estava em reforma”. A nota ressalta que é comum aos Estados manterem escritório de representação em Brasília.
Em geral, ministros se instalam em residências do Governo Federal no Lago Sul ou pagam aluguel com verba da União. A assessoria do ex-ministro não quis se pronunciar sobre o assunto e orientou a reportagem a procurar o Governo do Estado para esclarecimentos.
O imóvel foi contratado ainda na gestão de Cid Gomes para ser “a sede das instalações da residência oficial de Representação do Governo do Estado do Ceará”. Dentre outros espaços, a casa é equipada com garagem para três carros, quatro quartos, sauna, piscina e sala de TV.
Custos
O aluguel do escritório, de responsabilidade da Casa Civil, já custou aos cofres públicos R$ 347.918,00 desde 2013 até março deste ano. Em janeiro de 2014, a parcela de R$ 15 mil foi ajustada para R$ 17.584,99, conforme aditivo ao contrato. No Portal da Transparência, os aluguéis foram pagos em valores de R$ 15 mil até dezembro de 2013, de R$ 15.826,50 até dezembro de 2014 e de R$ 19 mil em fevereiro e março de 2015.
Não há registros dos valores do aluguel entre 2011 e 2012. No entanto, o Portal da Transparência apresenta custos com vigilância armada no local desde 2011. Gastos com o serviço já somam R$ 856.213,30. A soma de aluguel, serviços de manutenção, seguro contra incêndio, dedetização e Internet banda larga dispenderam R$ 1,3 milhão de dinheiro público, conforme o Portal.
Na quarta-feira, 18, quando Cid foi à Câmara dos Deputados explicar a acusação de que lá “há 300,400 achacadores” , a residência estava lotada pela delegação cearense que foi acompanhar o pronunciamento do ex-governador. O relato consta na revista Época.
Com Cid, estavam o governador Camilo Santana (PT), o presidente da Assembleia Legislativa, Zezinho Albuquerque (Pros), o prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio (Pros), entre deputados e secretários. Na data, Cid deixou o ministério e a casa e voltou para o Ceará.
NÚMEROS
1,3 milhão de reais é o custo de aluguel e serviços na casa do Governo desde 2011
147 mil reais é o valor gasto com manutenção na casa desde 2012
Saiba mais
Escritório
A descrição da casa no contrato com a locatária Elo Empreendimentos afirma que o imóvel é composto, no primeiro pavimento, por salão em três ambientes, escritório, lavabo, sala de TV, adega, copa, cozinha com armários, duas dependências de empregados, área de serviço coberta, garagem para três carros, piscina aquecida, sauna, churrasqueira e área verde. No segundo pavimento, o imóvel tem sala íntima, quatro quartos, sendo um com varanda, duas suítes com hidromassagem, closet e banheiro social.
Polêmica
Cid Gomes deixou o Ministério da Educação, na quarta-feira, 18, após menos de três meses na pasta. A afirmação de que na Câmara há “achacadores” desgastou sua relação com o Legislativo. Na audiência em que ele deveria explicar a acusação, houve bate-boca. Depois de ser chamado de “palhaço”, ele se ausentou do Plenário acompanhado por políticos do Ceará e se encaminhou ao Palácio do Planalto para formalizar sua exoneração.
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PADRE CÍCERO, 171 ANOS

A cidade de Juazeiro do Norte, no Ceará celebra hoje o aniversário de 171 anos de Padre Cícero. Cícero Romão Batista nasceu no Crato, 24 de março de 1844 e faleceu em Juazeiro do Norte, 20 de julho de 1934. Carismático, Padre Cícero ou “Padim Ciço”, obteve grande prestígio e influência sobre a vida social, política e religiosa do Ceará e da Região Nordeste do Brasil.
Padre Cícero, foi o primeiro prefeito de Juazeiro do Norte, em 1911, quando o povoado foi elevado a cidade. Voltou ao poder, em 1914, quando o governador Marcos Rabelo foi deposto. No final da década de 1920, o Padre Cícero começou a perder a sua força política, que praticamente acabou depois da Revolução de 1930. Seu prestígio como santo milagreiro, porém, aumentaria cada vez mais.
Em 1° de novembro de 1969 no alto do Horto, em Juazeiro do Norte foi erguido uma estátua (a terceira maior do mundo) em homenagem ao Padre Cícero Romão Batista. Em 22 de março de 2001 “Padim Ciço” foi eleito o cearense do século.
A trajetória religiosa e política de Padre Cícero é relatada na excelente biografia Padre Cícero: poder, fé e guerra no sertão, do jornalista Lira Neto. A obra é primorosa, resultado de intenso trabalho de dez anos de pesquisa, baseada em documentos raros e inéditos tornam a biografia a mais completa obra sobre a vida do mais amado e controvertido religioso que o Brasil já teve, Padre Cícero, para os romeiros e fiéis, o “Padim Ciço”.
Clique aqui e ouça a música Viva meu Padim, composta pelo Rei do Baião, Luiz Gonzaga e João Silva para homenagear Padre Cícero. A canção tem a participação especial de Benito di Paula.
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segunda-feira, 23 de março de 2015

O DEGRADANTE ESPETÁCULO DE CID GOMES, O MINISTRO QUE NÃO FOI

Por Leandro Loyola, Época
Cid Gomes se virou sozinho. Àquela altura do dia, ainda ministro da Educação, ele apareceu na garagem da casa mantida pelo governo do Ceará, em Brasília, e saiu dirigindo um carro cinza. Seu irmão Ciro Gomes e vários apoiadores vindos do Ceará especialmente para a ocasião entraram em outros quatro carros e o seguiram. Na quarta-feira, Cid nem parecia um ministro de Estado. Ministros se deslocam em Brasília em sedãs pretos com placa oficial, motorista, segurança e vidros escuros; Cid dirigia um carro compacto com os vidros abertos. Em poucos minutos estacionou em frente à entrada do Congresso, desceu e se encaminhou para a missão de se explicar diante daqueles que chamara de “300, 400 achacadores”. Parecia já praticar o desapego ao cargo de apenas três meses – que perderia três horas depois.
Saiu de lá após lances rocambolescos como Cid, o ministro da Pátria Educadora, que se tornou breve no cargo por um episódio de má educação – ou, no mínimo, de pouquíssimo tato político. Duas semanas antes, atacara o Congresso: “Tem lá uns 400 deputados, 300 deputados que, quanto pior, melhor para eles. Eles querem é que o governo esteja frágil porque é a forma de eles achacarem mais, tomarem mais, tirarem mais”. Prevalecia a tradição dos políticos da família Gomes de cometer grosserias verbais em profusão. Ao sair do Congresso, foi ao Palácio do Planalto. “Você não precisava ter feito isso, não precisava ter sido desse jeito”, disse a presidente Dilma Rousseff. Cid lamentou. Dilma, que gosta dele, também. A demissão foi anunciada pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha, não pelo Palácio do Planalto – num sinal inequívoco de desprestígio do governo. Mais um vexame para a lista de erros políticos de Aloizio Mercadante e de Dilma. Foi ideia de ambos dar um cargo de tamanho prestígio ao irmão menos talentoso da família Gomes. Cid voltará ao Ceará; Dilma, Mercadante, o governo e o PT sofrerão as consequências políticas da verborragia tresloucada dele. 
Cid Gomes nunca chegou realmente a Brasília – sua mente e seu modo de agir estiveram o tempo todo voltados para o Ceará, que ele governou por dois mandatos e monitora por meio do governador Camilo Santana. Durante os três meses que passou em Brasília, Cid viveu em uma casa alugada pelo governo do Ceará no Lago Sul, bairro nobre da cidade. O aluguel de R$ 15 mil da “residência da representação do Ceará”, com 700 metros quadrados, quatro quartos (duas suítes), sala de TV e piscina, começou em 2011, ainda no governo de Cid. Em geral, ministros moram em residências do governo federal no Lago Sul ou recebem verba para pagar aluguel. A residência destinada ao ministro da Educação, que seria ocupada por Cid, está em reforma. O governo do Ceará afirma que Cid não morou na casa, apenas “utilizou um dos cômodos, enquanto recebia o imóvel do governo federal, que estava sendo reformado”. Cid Gomes não foi localizado.
Na quarta-feira, a casa estava lotada por uma delegação que chegou a Brasília para encenar a retirada de Cid do cenário nacional. O governador Camilo foi para apoiar o amigo. O presidente da Assembleia Legislativa, Zezinho Albuquerque, não só foi, como convocou vereadores e prefeitos para a viagem – estavam lá vários deles, inclusive o de Fortaleza, Roberto Cláudio, e o de Sobral (cidade de Cid), Veveu Arruda. Dez deputados estaduais também foram. Parte dessa turma se deslocou em jatinhos alugados. Na Câmara, a galera se acomodou nas galerias para assistir ao calvário de Cid. Osmar Baquit, secretário estadual da Pesca, comandava os aplausos e gritos da galera como se ainda fosse presidente do time de futebol Fortaleza. “Eu prefiro ser acusado por ele de mal-educado do que ser, como ele, acusado de achaque...”, disse Cid na tribuna da Câmara, em referência ao presidente da Casa, Eduardo Cunha, do PMDB, que estava a 5 metros dele. Sua torcida aplaudia efusivamente – tanto que foi retirada pela segurança da Casa.
Cid teve de ouvir desaforos. “Vossa Excelência é desqualificado, Vossa Excelência envergonha este país; que está atravessando uma crise enorme, inclusive moral, e não pode ter um ministro que não tem moral, que não tem decência, que não tem ética, que é achacador do Estado do Ceará”, disse o deputado André Moura, do PSC. Cid ouviu em pé, a maior parte do tempo com as mãos para trás. Muitas vezes reagia com sorrisos. Cid acabou perdendo a paciência. “O senhor, por favor, me respeite!”, gritou, mas seu microfone foi cortado. Irritado, Cid desceu da tribuna e saiu do plenário. A claque cearense fez seu trabalho: gritou, empurrou e aplaudiu Cid. Produziu para a política local cearense a versão do político que perdeu o cargo porque chamou parlamentares de corruptos. Nesse embate de baixo nível, o empate é a tragédia nacional.
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NEM TRABALHADORES NO PARTIDO, NEM PARTIDO DOS TRABALHADORES

A lição vem de Luis Carlos Prestes, que por sua vez a tirou de Lenin: um grupo intelectualizado, com conhecimentos profundos de política, economia, História, sociologia e congêneres,  forma um  partido e imprime nele diretrizes sólidas capazes de sensibilizar e  conduzir o proletariado. Aos poucos,  esse grupo vai traduzindo e  repassando para a militância as noções básicas de seus objetivos.  O  proletariado percebe  serem  aqueles  os seus sentimentos e anseios.  Esforça-se para compreender  o máximo da teoria  que lhe é oferecida. Deve estudar. Absorver os ensinamentos, acoplá-los à sua vida  e,  aos poucos, assume a direção do partido,  exprimindo, pela ação,   a busca da igualdade e do bem comum que    representa, maioria que é.
O singular está em que o PT começou mais ou menos assim, trinta anos atrás. Um núcleo  de intelectuais, inclusive da Igreja, envolveu lideranças proletárias, inclusive a   maior delas, o Lula. Imaginaram aproveitar o potencial humano do metalúrgico e de seus companheiros, repassando a eles conhecimento  e deles recebendo lições práticas de suas necessidades e de sua capacidade de luta e de resistência. Assim formou-se o PT, entusiasmando  a juventude e assustando as elites.
O diabo é que concluímos, hoje, que  o Partido dos Trabalhadores deixou de ter trabalhadores e  cansou  de ser partido. Ao conquistar o poder, transformou-se num aglomerado de burocratas empenhados em afastar-se do proletariado, sem falar nos aproveitadores que se aproximam dos cofres públicos. Com o passar do tempo das lutas, os intelectuais foram saindo  de mansinho, depois da Igreja.  Ganha uma viagem a Cuba quem citar um pensador de renome, um intelectual do tipo Florestan Fernandes orientando o PT.  Hoje, o ideal dos companheiros é alçar-se à classe média ou chegar  acima dela, de preferência como funcionário público e dirigente de uma empresa estatal.  O próprio Lula aburguesou-se.  Encontram-se nas bancadas do partido  uns poucos ex-sindicalistas, mas nenhum operário eleito nessa condição.
Quem quiser explicar o sufoco porque passa o governo Dilma deve buscar as origens  na metamorfose petista. Aliás, ela nunca foi do PT, até o dia em que precisou tratar de sua carreira política. Era brizolista. Por isso faz caretas sempre que telefona alguém do PT.
Ainda agora, quando a presidente da República propôs ao Congresso a redução do salário-desemprego ou a extinção de pensões para viúvas abaixo dos 45 anos, onde se encontrava o partido?  Qual a proposta que seus ministros, seus  deputados e senadores apresentaram nos últimos doze anos para ampliar direitos sociais? Fica-se apenas no programa de renda mínima do isolado Eduardo Suplicy. O resto é assistencialismo, do tipo bolsa-família, porque conquistas, mesmo, sobram as implantadas por Getúlio Vargas, muitas suprimidas ao longo das últimas décadas.
Nada como o tempo para passar, já dizia o poeta. O sonho da fundação do PT desfez-se de forma  melancólica.  Tornou-se um partido igual aos outros.  O proletariado  dá-se por feliz se mantiver o trabalho  de ridícula remuneração. O operário não acredita quando o avô lembra que já houve estabilidade no emprego.
Assistimos a um novo surto de maldades, entre os  sucessivos praticados com regularidade pelas elites e pelos governos. Nos tempos recentes, Eurico Dutra congelou por cinco anos  o salário-mínimo. Depois Castello Branco suprimiu a estabilidade e o salário-família. Fernando Henrique optou por criar empregos no estrangeiro  e demissões no Brasil. Pois não é que agora, em pleno governo do PT, Dilma ameaça direitos do trabalhador? Adota o mesmo modelo neoliberal do mundo desenvolvido, ou seja, para os subdesenvolvidos  superarem suas crises, nada como demissões em massa, supressão de direitos sociais, cortes de gastos públicos, endividamento externo, aumento de impostos e de preços de combustíveis, transportes,  luz  e gás. 
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LÁ VEM O BRASIL, DESCENDO A LADEIRA !

O povo recomeça a peregrinação, e desta vez, como sempre desejei, com ordem, objetivos definidos, lutando pelo que já não pode calar dentro de cada um de nós.
Os políticos, numa quantidade significativa, ainda resistem em não ouvir e abrir mão dos interesses pessoais e pequenos, diante do grande clamor coletivo.
Tentam, hipocritamente, desviar as razões com argumentos frágeis, mentirosos e que já não conseguem convencer, nem mesmo os menos esclarecidos, que já sentem no bolso, no estômago, no desemprego, na paralisia nacional, nos serviços essenciais, o quanto está difícil.
Governar é estar afinado e comprometido com as vontades e necessidades coletivas, o que não temos visto nos últimos tempos.
No município de Gavião, uma pequena célula desta imensidão nacional, não tem sido diferente.  Aliás, tem sido, mesmo sem ter a Petrobras, muito pior. Não apenas por terem desativado a comarca local, que deixou o povo órfão de justiça, mas sobre tudo, por ter no comando do município, pessoas desprovidas de qualquer formação moral e ética, que usam e abusam do poder, descumprindo toda e qualquer legalidade, moralidade, impessoalidade, eficiência e publicidade, além de manter pela força da descriminação, perseguição e cooptação de pessoas, pelas suas necessidades mais básicas, que infelizmente muitos tem se submetido, por encontrarem-se abatidos economicamente pelas sucessivas falta de chuvas e oportunidades de desenvolverem outras atividades que correspondam às suas necessidades.
Muitos viram retirantes, outros procuram outros estados e cidades onde possam lutar por sonhos que já não são possíveis de serem realizados na sua terra. É triste!
O povo está nas ruas, o Governo inerte às suas demandas, os apoiadores deste sistema, atônitos entre os interesses mesquinhos e inconfessáveis e as próximas eleições que se avizinham. Querem mais, querem sempre mais!
E você, o que acha? Como se comportar diante de tudo isto? Acredita que alguém envolvido e se prestando a sustentar tudo isto, pode ser a solução?
É preciso refletir e não continuar se equivocando, achando que a mudança de nome, apenas, será uma mudança de ação e de rumos.
E você jovem, o que espera?
Precisam lutar, compartilhar e construir a sua própria história!
Urge uma tomada de decisão! O tempo passa, a hora é agora! Que Deus nos proteja!
Um abraço, Joaquim Cunha.
Joaquim Cunha, ex-prefeito de Gavião (BA) – Foi Presidente da Associação de Prefeitos da Região nordeste e Vice-Presidente da União dos Municípios da Bahia (UPB).
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CONTAGEM REGRESSIVA PARA LULA

Enquanto eu estava sem internet, João Vaccari Neto e Renato Duque viraram réus do petrolão.
O juiz Sergio Moro aceitou a denúncia contra o tesoureiro do PT e o ex-diretor de Serviços da Petrobras pelos crimes de lavagem de dinheiro, corrupção e formação de quadrilha.
O depoimento do vice-presidente da Camargo Corrêa, Eduardo Leite, foi decisivo para a abertura da ação penal contra o tesoureiro: “Ele revelou que se encontrou com Vaccari e que este pediu doações oficiais eleitorais a título de propinas”, disse o procurador Deltan Dallagnol.
“Também há prova documental do repasse de parte da propina, 4,26 milhões de reais em doações eleitorais registradas ao Partido dos Trabalhadores, o que teria sido feito por solicitação de Renato Duque e de João Vaccari”, escreveu Sergio Moro.
O juiz mandou Duque para uma penitenciária estadual do Paraná, ambiente ideal para amolecer bem depressa o afilhado de José Dirceu. Se a esposa de Duque já era uma “bomba-relógio prestes a explodir”, como informou a coluna Radar, agora só falta explodir em cima de Lula.
Já Vaccari insiste em permanecer no cargo, mas ainda acabará preso e terá de ser muito bunda-mole para sacrificar-se pelo chefe, como fez o também tesoureiro Delúbio Soares no mensalão.
A contagem regressiva para a Operação Lava Jato chegar a Lula começou – e ele sabe disso. Tanto que pressionou Dilma Rousseff a substituir o incompetente Aloizio Mercadante por Jaques Wagner na coordenação das atividades do governo no Congresso Nacional.
De petrolão, Wagner entende. Ricardo Pessoa disse ter financiado sua campanha ao governo da Bahia com propinas da Petrobras, como mostrei aqui; José Sérgio Gabrielli, ex-presidente da estatal, foi secretário de seu governo; e são baianas várias das empreiteiras envolvidas no esquema, como Odebrecht, OAS e a própria UTC de Pessoa.
Enquanto a NET me desconecta, Lula vai fazendo suas conexões.
Se para eleger Dilma, o poderoso chefão de Vaccari disse “Eles não sabem o que nós seremos capazes de fazer”, imagine do que ele é capaz para escapar da cadeia.
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PARA EMBRULHAR

Charge do Fernando Brum, via IstoÉ

Pacotão anticorrupção anunciado pela presidente Dilma é mais do mesmo; apresentado há dez anos, o então governo Lula apresentou um pacote para combater a corrupção e não saiu do papel.

Agora Dilma tenta emplacar mais uma vez, praticamente o mesmo pacote para combater a corrupção que se alastrou em seu governo. Dar pra acreditar ?
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OS NÚMEROS APONTAM

Ao menos 59,7% dos brasileiros são a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff. Os dados são de uma pesquisa da Confederação Nacional do Transporte (CNT), divulgados nesta segunda-feira (23/3).
Os números apontam, ainda, que 66,9% não acreditam na eficácia das medidas do governo contra a crise econômica e se mostram descrentes na política e nos políticos.
Entre os brasileiros ouvidos no estudo, 90,1% dos que acompanham as denúncias de corrupção na Petrobras acreditam que os nomes citados na lista enviada ao STF estão envolvidos no esquema criminoso.
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QUEM CUIDARÁ DA GENTE ?

Por Joaquim Cunha, via Facebook
Meus Amigos, Minhas Amigas, a democracia representativa, foi a forma que encontraram para evitar, o que já era difícil na época, a interação entre o Governo e o Povo.
Estes representantes escolhidos pela população, passariam a intermediar os problemas coletivos, e após debates e decisões, encaminhá-los e defendê-los, como legítimos detentores deste papel, pela outorga popular.
Pelo que temos visto, ressalvadas algumas exceções, os nossos representantes, infelizmente, se comportam de forma desrespeitosa aos nossos interesses e necessidades, traem os nossos posicionamentos políticos e partidário, sentem-se fortalecidos com os nossos votos e passam a ser meros mercadores dos seus interesses pessoais, trocando a nossa confiança e esperança, por favorecimentos escusos e inconfessáveis, do poder executivo, que por sua vez, a maioria dos seus detentores, governam de forma completamente divorciada dos interesses coletivos, mas sustentados, até mesmo para as práticas imorais, corruptas e dissimuladas, por quem deveria está defendendo e lutando pelos interesses do País e sua gente.
Cansados de tamanho desrespeito, hipocrisia, desmandos, enriquecimento ilícito, que subtraem os serviços públicos que tanto dificultam as nossas vidas, nos resta aguardar a tão falada reforma política, e que nela não falte o Voto distrital, que os coloca mais perto de nós e consequentemente, mais fácil de fazermos as nossas escolhas e de acompanhamos as suas ações; a proibição do financiamento privado de campanhas, que tem fabricado tantos operadores de lavagem de dinheiro, em detrimento de pessoas que poderiam nos representar com mais respeito, lealdade e generosidade, que não conseguem mandatos, pela terrível desigualdade nas disputas; planejamento, projeto e comportamento no exercício do mandato, anexado ao registro da candidatura, para que qualquer desvio deste compromisso, possa a justiça eleitoral interromper imediatamente o mandato.
O que mais é necessário para comprovar a falta de idoneidade moral e ética de tantos que continuam a nos governar?
Se este tem sido o caminho, que cada vez mais tem sido adotado por tantos, quem cuidará da gente?
Estamos assim destinados, todos, cada um a seu tempo, a sermos órfãos oficiais?
Que Deus nos dê coragem e tolerância, sabedoria e persistência, para fazermos por via democrática, a inflexão que se faz tão necessária e urgente. Um abraço, Joaquim Cunha.
Joaquim Cunha, ex-prefeito de Gavião (BA) – Foi Presidente da Associação de Prefeitos da Região nordeste e Vice-Presidente da União dos Municípios da Bahia (UPB).
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IRRITADO COM DILMA

Trancaram o cofre - A ordem no governo federal é não mandar ao Congresso neste ano a regulamentação da lei que mudou o indexador das dívidas de Estados e municípios. O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), tem demonstrado irritação com Dilma Rousseff pela mudança na condução da renegociação da dívida e a demora em liberar a verba do PAC para obras na capital paulista. Desde que assumiu, Haddad recebeu apenas R$ 418 milhões dos R$ 8,1 bilhões prometidos pelo governo.
Da coluna Painel, da Folha de S.Paulo
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sexta-feira, 20 de março de 2015

INCONSISTÊNCIA, DESAFORO E QUEDA

Por Érico Firmo, O Povo
O dia de ontem foi histórico na Câmara dos Deputados em vários aspectos. Não tenho conhecimento de que, na história do Poder Legislativo, uma autoridade do Poder Executivo já tenha se referido daquela forma aos parlamentares. O ex-ministro Cid Gomes (Pros) foi corajoso, certamente. A fala tornou sua situação política insustentável. Por isso, fato também inusitado, quando abandonou o plenário já era ex-ministro de fato. Cruzou a rua e foi ao Palácio do Planalto para formalizar o inevitável.
Cid abandonou a sessão para a qual havia sido convocado - coisa que já era inédita em mais de duas décadas - depois de ser chamado de palhaço pelo deputado Sergio Zveiter (PSD-RJ). Exigiu respeito, teve a palavra cortada e ainda foi repreendido pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ): “Vossa excelência nem parlamentar é pra interferir dessa forma”, disse o peemedebista. Era demais para quem, como governador, nunca teve problema real com o Legislativo. A insatisfação dos parlamentares derrubou, de forma quase imediata, um dos mais importantes ministros do governo. Também não é algo que se possa considerar rotineiro na política.
Foi por uma trapalhada verbal que o ex-governador cearense se tornou um dos ministros de mais efêmera passagem da história do Poder Executivo no Brasil. Não que tenha dito algum absurdo. É senso comum o clientelismo, o fisiologismo, o patrimonialismo, o jogo de interesses e chantagem que compõe as relações políticas. Quando governador, Cid teve alguns entreveros com sua bancada federal. Sabe do que está falando. O problema foi ter ficado nesse senso comum.
Pela posição que ocupava até ontem, Cid precisaria ir além, ser mais profundo e específico. Não apenas generalizou – o que já seria ruim. Na sua contabilidade de “300 a 400”, colocou na maioria do Congresso Nacional a pecha de “achacadores”. Não deixou margem para dúvida de que, em sua opinião, são eles que comandam o Poder Legislativo brasileiro. E sobretudo na base aliada do governo do qual fazia parte.
E teve razão na cobrança o líder peemedebista Leonardo Picciani (RJ): a fala de Cid foi sem consistência e sem dar nomes. Os deputados se mostraram chocados, mas sabem que o ministro não fala de algo irreal, absurdo. Para ser dito, entretanto, precisa ser provado. E precisa ser nominado. Sem isso, é apenas desaforo.
CID FICOU SEM MARGEM PARA RECUO
Cid argumentou que não falou a frase em público. Mas é o cruel ônus do mundo de hoje: tudo se grava, tudo é difundido. Uma vez que sua manifestação foi divulgada, ele tomou a única atitude que caberia: admitiu o que disse. A partir daí, poderia ter recuado, pedido desculpas. Fez isso com meias palavras. Pediu perdão àqueles em quem não cabia a carapuça. Assim, manteve o ataque a outros tantos. Foi corajoso, mas inviabilizou a permanência.
O ex-governador procurou demonstrar respeito pelo Legislativo. Mas completou: “O que não quer dizer que concorde com a postura de alguns, de vários, de muitos”. E disse haver oportunismo. Apontou para o presidente Eduardo Cunha e nele personificou a crítica de achacador. Àquela altura, com dedo em riste, devia se saber ex-ministro. Ao falar dos membros da base aliada que pressionam o governo, exortou: “Larguem o osso. Saiam do governo. Vão para a oposição”. E mais: cobrou à Câmara que investigasse quem custeou as despesas da comitiva de deputados médicos que foi a São Paulo na semana passada, para conferir se ele estava mesmo doente e impossibilitado de comparecer.
Os deputados já estavam furiosos e ficaram ainda mais, como seria previsível. Líderes de PMDB, DEM, Solidariedade, PSC, o líder da oposição e outros mais cobraram a saída imediata dele do ministério.
Foi constrangedor o silêncio da base aliada. Afora Domingos Neto, cearense e líder do Pros, ninguém partiu em sua defesa. A própria oposição cobrou do líder do PT que se posicionasse em defesa do ministro. Ao falar depois que Cid já se retirara, o líder governista José Guimarães (PT) informou que o ex-governador havia ido ao Palácio do Planalto se reunir com a presidente Dilma Rousseff (PT). E disse que não podia analisar qual era o cenário.
Os governistas não tinham argumentos para defender Cid. E, se tivessem, não seria inteligente fazê-lo, diante da fragilidade da base aliada e da crise política.
O FUTURO DE CID
Perante a opinião pública, Cid Gomes não se saiu mal. Falou o que muita gente pensa. Diante dos parlamentares, quem se pretendia o articulador de um novo grande bloco para dar sustentação à base aliada sai com as pontes queimadas, implodidas, destruídas. No Ceará, segue um líder político de primeira grandeza, embora seja o caso de se observar qual será a posição da bancada federal. Um bom punhado dos deputados cearenses querem lhe ver pelas costas.
Para o futuro, Cid mantém a força estadual. Perde, porém, o espaço que lhe daria projeção nacional. Fica sem visibilidade. Provavelmente, irá para os Estados Unidos, conforme era seu plano. Mas, certamente, voltará. Talvez para 2018.
Até lá, deverá enfrentar os processos que Eduardo Cunha anunciou que irá mover, tanto como pessoa física quanto em nome da Câmara.
O presidente da Câmara que, aliás, já apresentou queixa-crime contra o irmão de Cid, Ciro Gomes, por ter sido chamado, anos atrás de “relator dos trambiques que se fazem nas medidas provisórias”.
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