.

.

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

MORRE DIRCE TUTU QUADROS

A ex-deputada federal Dirce Tutu Quadros morreu hoje, aos 70 anos, vítima de enfisema pulmonar.
Ela estava ao lado da filha Ana Laura. Os outros dois filhos, Ana Claudia e Jânio Quadros Neto, devem embarcar logo mais para Los Angeles, nos EUA, onde ela vivia.
Tutu estava internada havia algumas semanas em uma clínica que cuida de pacientes terminais. Há poucos dias, voltou para casa, onde estava quando faleceu.
Deputada constituinte, ela foi considerada uma das dez melhores parlamentares do país na ocasião, por sua atuação na comissão de fiscalização e controle da Câmara dos Deputados.
Filha única do ex-presidente Jânio Quadros, teve em alguns momentos uma relação conturbada com o pai.
Em uma das brigas públicas, chegou a apresentar o número de uma conta que ele manteria na Suíça.
"Os dois se amavam loucamente, brigavam muito. Eram extremamente parecidos", diz o publicitário Ruy Nogueira, que foi assessor de Tutu e é amigo da família.
"Tutu era uma mulher inteligente e corajosa", afirma.
Bookmark and Share

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

PEZÃO É A OPÇÃO

As candidaturas de Anthony Garotinho (PR) e Marcelo Crivela (PRB) ao governo do Rio de Janeiro, não é uma disputa política, é religiosa.
De um lado está Garotinho - apoiado pelo fundamentalista religioso, Silas Malafaia - tentando mostrar o poder de fogo de sua Assembleia de Deus e do outro lado está Crivela - sobrinho de Edir Macedo - que tenta mostrar que sua Universal do Reino de Deus é mais forte que qualquer outra facção religiosa.
Diante dessa disputa em que está em primeiro lugar são os dogmas de cada religião e não político, a candidatura de Luiz Fernando Pezão, do PMDB ao governo do Rio de Janeiro é a melhor opção.
Bookmark and Share

sábado, 16 de agosto de 2014

PESQUISA EM MÃOS

Apesar do discurso de que só pensaria na substituição de Eduardo Campos depois do seu enterro, o PSB encomendou uma pesquisa telefônica com 30 000 entrevistas já na quinta-feira passada.
No levantamento que vai balizar a decisão do partido, Dilma Rousseff aparece em primeiro lugar, seguida de Marina Silva um pouco à frente de Aécio Neves – ou empatada, considerando a margem de erro.
Na simulação de segundo turno, Marina ganha de Dilma – mas também em cenário de empate técnico.
Da coluna Radar On-Line - Lauro Jardim – Veja 
Bookmark and Share

GETÚLIO - DA VOLTA PELA CONSAGRAÇÃO POPULAR AO SUICÍDIO

Será lançado na próxima segunda-feira (18), às 19h00 na Livraria Cultura do Conjunto Nacional na Avenida Paulista, o livro Getúlio – Da volta pela consagração popular ao suicídio, é o terceiro e último volume da trilogia biográfica de Getúlio Vargas, escrito pelo jornalista e escritor Lira Neto, um dos mais conceituados biógrafos do país.
A obra é a mais completa sobre a vida desse controverso político brasileiro Getúlio Dornelles Vargas. A série biográfica é o resultado primoroso de cinco anos de extenso trabalho que o autor dedicou a Getúlio. Muitas horas de pesquisa, viagens, entrevistas e documentos, alguns inéditos.

Leia também: Getúlio - Dos anos de formação à conquista do poder e Getúlio - Do governo provisório à ditadura do estado novo.
Sinopse
Na terceira e última parte da série biográfica sobre Getúlio Vargas, Lira Neto reconstitui os acontecimentos políticos e pessoais mais importantes dos anos finais do ex-presidente. Entre a deposição por um golpe militar, em outubro de 1945, e o suicídio, em agosto de 1954, o livro revela como a história do Brasil se entrançou com a vida de Getúlio, inclusive enquanto afastado do poder.
Bookmark and Share

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

MORRE EDUARDO CAMPOS

Do G1, em Brasília
O candidato a presidente do PSB, o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos, morreu na manhã desta quarta-feira (13) após a queda do jato particular em que viajava em um bairro residencial em Santos, no litoral paulista. Ele tinha completado 49 anos no último domingo (veja fotos da trajetória do presidenciável).
Chovia no momento do acidente (veja como foi). A Aeronáutica informou em nota que o avião decolou do aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, com destino ao aeroporto de Guarujá (SP). "Quando se preparava para pouso, o avião arremeteu devido ao mau tempo. Em seguida, o controle de tráfego aéreo perdeu contato com a aeronave", informou a nota (leia a íntegra da nota ao final desta reportagem).
Moradores disseram ter visto uma bola de fogo no céu. O avião caiu no quintal de uma casa. abandonada, no bairro Boqueirão. Os destroços atingiram outras residências vizinhas. Dez pessoas tiveram ferimentos leves e precisaram ser encaminhadas para hospitais da região. Todas foram liberadas. A análise da caixa-preta do avião, que poderá ajudar na determinação da causa do acidente, será feita no Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), em Brasília.
Campos tinha uma programação de campanha em Santos nesta quarta. De acordo com a assessoria do candidato, ele participaria às 8h, às 9h30 e às 14h30 de programas de emissoras locais de televisão. Às 10h30, concederia uma entrevista coletiva e às 12h30 iria a um seminário sobre o Porto de Santos.
A bordo da aeronave (veja como foi a queda do avião), estavam sete pessoas, das quais cinco passageiros (Campos e quatro assessores da campanha) e dois tripulantes. Veja a lista dos mortos:
- Eduardo Campos, candidado à Presidência
- Alexandre Severo e Silva, fotógrafo
- Carlos Augusto Leal Filho (Percol), assessor
- Pedro Valadares Neto, assessor e ex-deputado federal
- Marcelo de Oliveira Lyra, cinegrafista- Geraldo Magela Barbosa da Cunha, piloto
- Marcos Martins, piloto
A Polícia Federal abriu inquérito para investigar o motivo do acidente. A PF enviou peritos para Santos a fim de trabalhar na apuração do caso. Aeronáutica e Polícia Civil também vão investigar.
O governador Geraldo Alckmin (PSDB) se deslocou para a cidade depois de tomar conhecimento da morte de Campos. "Estamos diante de uma tragédia que entristece todo o país. Quero em nome do povo de São Paulo trazer nossos sentimentos a todos os familiares das pessoas que perderam a vida nesse acidente", afirmou Alckmin.
Os principais adversários de Campos na campanha eleitoral, a presidente Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB), cancelaram os compromissos de campanha. Todos os comitês de Dilma suspenderam as atividades após a confirmação da morte. "Estou absolutamente perplexo", afirmou Aécio Neves no Rio Grande do Norte.
A presidente decretou luto oficial de três dias. "Estivemos juntos, pela última vez, no enterro do nosso querido Ariano Suassuna. Conversamos como amigos. Sempre tivemos claro que nossas eventuais divergências políticas sempre seriam menores que o respeito mútuo característico de nossa convivência", afirmou a presidente em nota oficial. "O Brasil perde um dos seus mais talentosos políticos, que sempre lutou com idealismo por aquilo em que acreditava. A perda é irreparável e incompreensível", declarou Aécio.
Nove anos antes, em 2005, no mesmo dia (13 de agosto), morreu o avô do presidenciável, Miguel Arrais, de quem Campos era herdeiro político.
Campos deixou o governo de Pernambuco em abril deste ano para concorrer à Presidência da República. Ele começou na vida política aos 21 anos. Foi deputado federal, ministro da Ciência e Tecnologia no governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e governou Pernambuco por dois mandatos (veja a trajetória política).
No ano passado, ele fechou um acordo com a ex-senadora Marina Silva que, não conseguiu registrar na Justiça Eleitoral o partido Rede Sustentabilidade a tempo de concorrer na eleição presidencial. Pelo acordo, Marina e integrantes da Rede ingressaram no PSB, e ela se tornou candidata a vice na chapa de Campos.
Segundo a mais recente pesquisa de intenção de voto do Ibope, divulgada no último dia 7, ele tinha 9% das intenções de voto, atrás de Dilma, com 38%, e Aécio, com 23%.
De acordo com a legislação eleitoral, o PSB poderá registrar em até dez dias outro candidato para substituir Eduardo Campos na disputa pela Presidência da República. Qualquer filiado pode ser indicado, sem a necessidade de que o partido realize outra convenção. Marina Silva é a mais cotada para assumir o posto de candidata no lugar de Campos. Para cientistas políticos, a sucessão presidencial se tornou imprevisível.
A morte de Eduardo Campos repercutiu de imediato no mundo políítico e também na imprensa internacional.
"Estamos muito chocados com tudo", afirmou o deputado federal Marcio França (PSB), presidente do diretório estadual do partido em São Paulo. França relatou que a mulher de Campos e o filho voltaram do Rio de Janeiro para Pernambuco em um avião de carreira.
Marina Silva se disse em "profunda tristeza" durante curto e emocionado pronunciamento na Prefeitura de Santos. "Durante esses dez meses de convivência aprendi a respeitá-lo, admirá-lo e a confiar nas suas atitudes e nos seus ideais de vida. Dez meses de intensa convivência. [...] Eduardo estava empenhado com esses ideais até os útlimos segundos de sua vida", afirmou.
No site da campanha, a coligação Unidos pelo Brasil, que reúne PSB, PPS, PPL, PHS, PRP, PSL, além da Rede, publicou texto afirmando que "a perda de Eduardo encerrou sua vida, mas não seus ideais. Fica a semente da esperança que move diariamente os brasileiros criativos e empreendedores, capazes de transformar em virtuoso seu duro cotidiano".
O PSB afirmou em nota que o Brasil perdeu um "jovem e promissor estadista". "Não é só Pernambuco e sua gente que perdem seu líder; não é só o PSB que perde seu líder. É o Brasil que perde um jovem e promissor  estadista", diz a nota.
Bookmark and Share

domingo, 10 de agosto de 2014

RECORDANDO TITO

Há exatos 40 anos, prestes a completar 29 anos, morria o homem que foi o símbolo da luta pelos direitos humanos na ditadura militar: Tito de Alencar Lima, conhecido como Frei Tito.
Enforcou-se na zona rural do convento de L’Arbresle, nos arredores de Lyon, França, já enlouquecido pelo trauma de ter passado 14 meses nos porões da ditadura militar.
A tragédia que tirou a vida do frei acontecera na noite do dia dez de agosto de 1974, quando a repressão da qual ele foi vítima ainda continuava a prender, torturar e assassinar no Brasil.
Pensei em iniciar este resumo com os nomes dos seus torturadores conhecidos, porém a náusea não me permitiu.
Desde muito novo Tito concluíra que só a vida religiosa daria sentido luminoso aos seus passos e que só na Igreja – consoante visões febris de Isaias – viria fazer justiça aos pobres da terra. Para ele, a Igreja não é templo dos ricos; ao contrário, é ainda a fraternidade subversiva das catacumbas romanas, sem profanações do dinheiro, e para sempre incumbida da construção de um futuro de justiça e liberdade, do futuro sem peias, quando Deus mesmo estará com seu povo.
Em 1969, Tito cursava Filosofia na Universidade de São Paulo e já tinha em seu currículo um histórico de militância: fora dirigente regional e nacional da Juventude Estudantil Católica, um dos movimentos de vanguarda da militância cristã da época.
Na madrugada do dia 3 para o dia 4 de novembro, Tito foi preso junto com outros dominicanos no convento em que morava pela equipe do delegado Sérgio Paranhos Fleury, seu primeiro torturador. Nesse dia, a sua igreja lhe faltou.
Entre os presos estava Frei Betto, suspeito de participar de um esquema comandado pelo líder da Aliança Libertadora Nacional (ALN), Carlos Marighella, grande vulto brasileiro que pregava a luta armada. Começava, assim, o martírio de Frei Tito e dos seus irmãos. Como instrumento de intriga, os agentes da repressão espalharam a história que os dominicanos traíram os participantes da ALN, sendo este mal entendido esclarecido apenas em 1982, com a publicação do formidável Batismo de Sangue, livro do frei Betto.
Foram vários meses de horrores e vilanias. “Se sobreviver, jamais esquecerá o preço de sua valentia”, disse-lhe um torturador. O frade dominicano passou pelo pau-de-arara, sentou na cadeira do dragão e recebeu choques elétricos na cabeça, nos ouvidos e nos tendões do pé.
Deram-lhe pauladas nas costas, no peito e nas pernas, incharam suas mãos com palmatória, revestiram-no de paramentos e o fizeram abrir a boca "para receber a hóstia sagrada" - descargas elétricas na boca. Queimaram pontas de cigarro em seu corpo e fizeram-no passar pelo "corredor polonês". Apesar da intensa tortura que sofrera, Frei Tito nunca falou. “É preferível morrer do que perder a vida”, anotou em sua Bíblia, depois que um de seus torturadores avisou que, se não falasse, seria quebrado por dentro.
Em janeiro de 1971, foi banido do país; voou para o Chile e, depois, para Roma, Paris e Lyon. Mas o sonho da morte o habitava. A tortura que sofrera no Brasil havia rebentado seu espírito e continuava atormentando-o sem parar. “Longe vem o retirante... vem dizer que nos esquecemos de amar”, ele disse nos poemas. Tito sentia “um silêncio de Deus”. Certa vez, escreveu: “Não busco o céu, mas talvez a terra, um paraíso perdido”. Mas, o paraíso na terra estava perdido para sempre: em agosto de 1974 Frei Tito livra-se da tortura e morre, na certeza de poder viver depois da morte.
Na cruz que lhe coube entre os bosques de L’Arbresle, está gravado: "Frei da Província do Brasil. Encarcerado, torturado, banido, atormentado até a morte, por ter proclamado o Evangelho, lutando pela libertação de seus irmãos. Tito descansa nesta terra estrangeira".
A inscrição termina com estas palavras cortantes de Lucas: “Digo-vos que, se os discípulos se calarem, as próprias pedras clamarão”.
Em 1970, sob custódia da “Operação Bandeirantes”, frei Tito escreveu sobre a sua tortura num documento que rodou o mundo, tornando-se um dos símbolos da luta pelos direitos humanos na ditadura. Quando foi solto, em dezembro do mesmo ano, pediu exílio no Chile, de onde seguiu para Itália e França.
As feridas de seu corpo cicatrizaram, mas as torturas deixaram marcas incuráveis em sua alma. Era constantemente atormentado pelos fantasmas do passado, via Fleury em todos os lugares, ouvia suas ameaças. Fez terapia, mas de nada adiantou: seus traumas eram demasiadamente profundos. Enlouquecido, sozinho, atormentado, Tito morreu sob a copa de um álamo. “Se minha alma está morta, quem a ressuscitará?”, escrevera ele pouco antes de morrer. Esse discípulo não se calou. Afirmou seus princípios no paraíso da meninice, nos longos dias de combate e no inferno que finalmente o consumiu.
Quando, só em 25 de março de 1983, o corpo de Frei Tito chegou ao Brasil, foi realizada em São Paulo uma missa de corpo presente acompanhada por mais de 4 mil pessoas.
Fontes: jornais e Grupo Tortura Nunca Mais.
Conteúdo do blog Ainda Espantado
Bookmark and Share

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

SEM DEBOCHE

Do UOL
Eleito com 1,3 milhão de votos em 2010, o deputado federal Francisco Everardo Oliveira Silva (PR-SP), o palhaço Tiririca, 49, defendeu o voto "deboche" em sua campanha: "pior que tá não fica". Em 2013, o parlamentar afirmou que deixaria a atividade pública para se dedicar somente aos palcos e TV: "deputado trabalha muito e rende pouco".
Este ano, porém, o deputado voltou atrás e optou por tentar a reeleição. O "método Tiririca" de disputar uma eleição, porém, não agrada a outras humoristas profissionais.
"Eu não discuto o humorista, o ator. Mas eu passo longe do Tiririca político, do Tiririca 'quanto pior, melhor'. A política pode ser alegre sem ser cômica. As coisas sérias podem ser feitas com alegria", diz Geraldo Freire de Castro Filho, 74, o Castrinho, candidato a deputado estadual pelo PRB do Rio de Janeiro.
Ator, comediante e redator de programas de TV e espetáculos teatrais há 55 anos, o candidato do PRB defende em sua campanha eleitoral o tripé segurança (fortalecimento de comitês de moradores nos bairros), educação (investimentos em escolas em tempo integral) e saúde.
Evangélico, ele defende a candidatura de Marcelo Crivella (PRB) ao governo fluminense, diz porém que não apoia a candidatura presidencial da legenda. "Não sou Dilma de jeito nenhum. PT nunca mais". E diz não ser conservador.
Tiririca foi procurado pelo UOL durante cinco dias, mas não atendeu ao pedido de entrevista. Sua assessoria de imprensa não confirma, mas o candidato teria combinado com a direção do PR paulista de não dar entrevistas no período de campanha eleitoral.
O "antitiririca"
O candidato a deputado estadual pelo PSD da Paraíba Marcio Tadeu de Lima, 48, o Marcio Tadeu, tem a mesma opinião de Castrinho e diz ser um "antitiririca".
"Não concordo com essa linha. Não quero fazer piada com política. Política é para ser levada a sério. Sou um antitiririca", diz.
"Explico isso pra todo mundo. O que eu falo para os meus eleitores é que terei, como sempre tive, bom humor no trabalho", afirma. Apesar disso, o candidato admite que sua popularidade como humorista, sobretudo na Paraíba, é o que sustenta sua candidatura.
Há 28 anos, Marcio Tadeu é comediante na Paraíba e há seis ampliou seu trabalho, atuando no programa "Zorra Total", da TV Globo, e em três novelas da emissora.
"Minha plataforma política contempla dois pontos principais: a descentralização das atividades culturais no Estado, que hoje estão concentradas no eixo João Pessoa e Campina Grande, e a educação integral para as crianças e adolescentes", afirma.
Marcio Tadeu apoia a candidatura de Cássio Cunha Lima (PSDB) para governador da Paraíba e de Aécio Neves (PSDB) para a presidência: "acompanho meu partido".
Ceguinho defende educação
O candidato a deputado federal pelo PSB de Minas Gerais Geraldo Sebastião Magela Dias, 56, o Geraldo Magela Ceguinho, explica que sua plataforma política contempla a cultura e a educação, além da defesa de bandeiras de deficientes.
"Pretendo dar uma atenção especial à questão cultural. É necessário que criemos condições para que os artistas tenham acesso aos teatros do interior. A grande maioria pertence aos municípios e eles poderiam oferecer condições melhores para os artistas", diz.
O candidato cego ainda defende mandato de cinco anos, com direito à reeleição, para ocupantes de cargos executivos e legislativos, e coincidência das eleições.
"No Congresso Nacional vai estar o deputado, não o humorista. Vou continuar brincando, mas tratando as coisas com seriedade. Mesmo como humorista, posso fazer um trabalho sério. Um projeto pode beneficiar tanta gente".
Ceguinho diz que não é um candidato "Tiririca", mas não faz comentários sobre o colega humorista, nem o deputado paulista. "É meio complicado", afirma.
Ele apoia as candidaturas do PSB, Tarcísio Delgado para governador de Minas Gerais e Eduardo Campos para presidente, porém "vai arregaçar as mangas mesmo" para trabalhar, além da sua, é na campanha para o senado do ex-governador mineiro Antonio Anastasia (PSDB).
Escova, dentifrício e pedágios
Uma defesa de uma inserção maior da arte e da cultura na educação formal de jovens, como forma de evitar a violência, a inclusão da escova de dentes e do dentifrício na cesta básica, além da dedução no IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores), no ano posterior, de parte dos valores pagos de pedágio pelos proprietários de veículos, são as principais bandeiras do candidato a deputado federal pelo PRP do Espírito Santo Múcio Rossini Macedo, 48, o comediante Tonho dos Couros.
"Os palhaços são aqueles que se esquecem do povo. Sou humorista e uso na campanha o slogan: se você sempre votou no palhaço e se deu mal, desta vez vote em um profissional, que é uma forma de alertar a população", afirma o candidato.
Tonho dos Couros é um dos 15 personagens do humorista de Picuí, Paraíba, que relata em forma de comédia "o sofrimento do povo nordestino" em teatros do Sudeste do país, sobretudo o Espírito Santo.
"Bancada do riso"
"Tiririca até entrou (elegeu-se) como um deboche. Mas soube mudar isso e tornou-se um deputado muito bom. Ele é só um na bancada do riso e conseguiu aprovar o projeto de lei do artista mambembe, do artista de rua. Ele fez muita coisa pelo palhaço, pelo artista de rua", diz o candidato a deputado federal pelo PRTB do Ceará Lailton Rocha Melo, 49, o humorista Lailtinho Brega.
Membro ativo da Associação Cearense de Humor, que reúne 90 humoristas do Estado, o candidato tem dois eixos em sua plataforma eleitoral: a defesa da utilização de arte e cultura para a recuperação de dependentes químicos e a bandeira de maior inserção da população LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros) na sociedade.
"O Ceará é um celeiro de humoristas. O Estado é um caldeirão cultural. Temos de participar disso tudo", afirma. "Minha praia não é o deboche. Vou lá [Câmara dos Deputados] para trabalhar".
Bookmark and Share

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

LULA EXCLUSIVO

Antes de mais nada, impressiona a paixão. Aos 68 anos, Luiz Inácio Lula da Silva não perdeu o vigor com que arengava à multidão reunida no gramado da Vila Euclides no fim do anos 70. E nos momentos em que sustenta algo capaz de empolgá-lo, ocorrência frequente, aperta com força metalúrgica o pulso do entrevistador mais próximo, como se pretendesse transmitir-lhe fisicamente sua emoção. Assim se deu nesta longa entrevista que o ex-presidente Lula deu a Carta Capital. No caso de Mino, esta foi mais uma das inúmeras, a começar pela primeira, em janeiro de 1978.
Carta Capital: O senhor enxerga alguma relação entre a Copa do Mundo e a eleição? Se enxerga, por que e de que maneira?
LULA: Eu acho difícil imaginar que a Copa do Mundo possa ter qualquer efeito sobre a preferência por este ou aquele candidato. Por outro lado, se o Brasil perder,  acho que teremos um desastre similar àquele de 1950. Tenho uma frustração tremenda, e a gente não sabe com que resultado psicológico para o povo. Em 50 jogaram o fracasso nas costas do goleiro Barbosa.
CC: Em primeiro lugar do Bigode.
O Barbosa carregou por 50 anos a responsabilidade, e morreu muito pobre, com a fama de ter sido quem derrotou o Brasil. É uma vergonha jogar a culpa num jogador. Se o Brasil ganha, a campanha passa debater o futuro do País e do futebol vai ficar para especialistas como eu.
CC: E as chamadas manifestações?
LULA: Ainda há pouco tempo a gente não esperava que pudessem acontecer manifestações. E elas aconteceram sem qualquer radicalização inicial, porque as pessoas reivindicavam saúde padrão Fifa, educação padrão Fifa, poderiam ter reivindicado saúde padrão Interlagos, quando há corrida, ou padrão de tênis, Wimbledon, na hora do tênis. Eu acho que isso é até saudável, o povo elevou seu padrão reivindicatório. E é plenamente aceitável dentro do processo de consolidação democrático que vive o Brasil. Eu acho que,  ao realizar a Copa, o governo assumiu o compromisso de garantir o bem-estar e a segurança dos brasileiros e dos torcedores estrangeiros. Quem quiser fazer passeata que faça, quem quiser levantar faixa, que levante, mas é importante saber que, assim como alguém tem o direito de protestar, o cidadão que comprou o ingresso e quer ir ver a Copa tenha a garantia de assistir aos jogos em perfeita paz.
CC: O povo brasileiro amadureceu e nós entendemos que o resultado da Copa será bem menos importante do que foi em 1950. Mesmo que a Seleção perca, não haverá tragédia. Deste ponto de vista. Efeitos sobre as eleições podem ocorrer em função das chamadas manifestações.
LULA:  Tenho certeza de que a presidenta Dilma e os governos estaduais estão tomando toda a responsabilidade para garantir ordem. Com isso podemos ficar tranquilos, é questão de honra para o governo brasileiro. O que está em jogo é também a imagem do Brasil no exterior. De qualeur maneira, acho que não vai ter violência, e, se houver será tão marginal a ponto de ser punida pela própria sociedade. Agora se um sindicato quer fazer uma faixa “abaixo não sei o quê, 10% de aumento”, é seu direito. Eu me lembro que disse ao ministro José Eduardo Cardozo, quando começou a se aventar a possibilidade de uma lei contra os mascarados: “Olha, gente, nem brincar com lei contra mascarados porque a primeira coisa que iremos prejudicar vai ser o Carnaval, não os mascarados”. A Constituição e o Código Penal definem claramente o que é o ordem e o que é desordem e, portanto, o governo tem mecanismos para evitar qualquer abuso. Recomenda-se senso comum. Nesses dias tentaram até confundir uma frase minha sobre uma linha de metrô até os estádios. Em 1950, no Maracanã cabiam 200 mil pessoas, mais de duas vezes as assistências atuais. É verdade, havia menos carros nas ruas, infinitamente menos carros, mas também não havia metrô.
CC:  De todo modo, vale apena realizar uma Copa?
LULA: Discordo daqueles que defendem a Copa no Brasil dizendo que vão entrar 30 bilhões, ou que geraremos novos empregos. O problema não é econômico. A Copa do Mundo vai nos permitir, no maior evento de futebol do mundo, mostrar a cara do Brasil do jeito que ele é. O encontro de civilizações, o resultado dessa miscigenação extraordinária entre europeus, negros e índios que criou o povo brasileiro. Qual é o maior patrimônio que temos para mostrar? A nossa gente.
CC: Em que medida essas manifestações nascem do fato de que houve uma ascensão econômica? Aqueles que melhoraram de vida reivindicam mais saúde, mais educação.
LULA: Eu acho que não há apenas uma explicação para o que está acontecendo. Precisamos aprender a falar com o povo, para que entenda o momento histórico. O jovem hoje com 18 anos tinha 6 anos quando ganhei a primeira eleição, há 14 anos quando deixei de ser presidente da República. Se ele tentar se informar pela televisão, ele é analfabeto político. Se tentar se informar pela imprensa escrita, com raríssimas exceções, ele também será um analfabeto político. A tentativa midiática é mostrar tudo pelo negativo. Agora, se nós tivermos  a capacidade de dizer que certamente o pai dele viveu num mundo pior do que o dele, e se começarmos  a mostrar como a mudança se deu, tenho certeza de que ele vai compreender que ainda falta muito, mas que em 12 anos passos adiante foram dados.
CC: O governo não soube se comunicar?
LULA: Eu acho. Eu de vez em quando gosto de falar de problema histórico, para a gente entender o que de fato aconteceu neste país. Já disse e repito: Cristóvão Colombo chegou em Santo Domingo, em 1492, e em 1507 ali surgia a primeira faculdade. No Peru, em 1550, na Bolívia, em 1624. O Brasil ganhou a primeira faculdade com dom João VI, mas a primeira universidade somente em 1930. Então você compreende o nosso atraso. Qual é o nosso orgulho? Primeiro, em 100 anos, o Brasil conseguiu chegar a 3 milhões de estudantes em universidades. Nós, em 12 anos, vamos chegar a 7,5 milhões de estudantes, ou seja, em 12 anos, nós colocamos mais jovens na universidade do que foi conseguido em um século. Escolas técnicas. De 1909 até 2002, foram inauguradas 140. Em 12 anos, nós inauguramos 365. Ou seja, duas vezes e meia o número alcançado em um século. E daí você consegue imaginar o que significa o Reuni ao elevar o número de alunos por sala de aula, de 12 para 18. Ou o que significa o Ciências Sem Fronteiras, o Fies: 18 universidades federais novas. Pergunta o que o Fernando Henrique Cardoso fez? Se você pensar em 146 campi novos, chegará à conclusão de que foi preciso um sem diploma chegar na Presidência da República para colocar a educação como prioridade neste país. Nós triplicamos o Orçamento da União para a educação. É pouco? É tão pouco que a presidenta Dilma já aprovou a lei permitindo 75% dos royalties para a educação. É tão pouco que a Dilma criou o Ciência Sem Fronteiras para levar 65 mil jovens a estudar no exterior. É tão pouco que ela criou o Pronatec, que já tem 6 milhões de jovens se preparando para exercer uma profissão. Isso tudo estimula essa juventude a querer mais. Tem de quer mais. Quanto mais ela reivindicar, mais a gente se sente na obrigação de fazer. Quem comia acém passou a comer contrafilé e agora quer filé. E é bom que seja assim, é bom que as pessoas não se nivelem por baixo. Eu sempre fui contra a teoria de que é melhor pingar do que secar. Quanto mais o povo for exigente e reivindicar, forçará o governo a fazer mais.
O que é ruim? A hipocrisia. Nós temos um setor médio da sociedade, que ficou esmagado entre as conquistas sociais da parte mais pobre da população e os ricos, que ganharam dinheiro também. A classe média, em vários setores, proporcionalmente ganhou menos. Toda vez que um pobre ascende um degrau, quem está dez degraus acima acha que perdeu algumas coisas. A Marilena Chauí tem uma tese que eu acho correta: um setor da classe média braseira que às vezes também é progressista, do ponto de vista social, mas não aprendeu a socializar os espaços públicos e então fica incomodado.
CC: Nós entendemos que o problema é apresentado pela elite brasileira. Quem se empenha contra a igualdade?
LULA: Eu sou o mais crítico do comportamento da elite brasileira ao longo da historia. Este país foi o último a acabar com escravidão, foi o último a ser independente. Só foi ter voto da mulher na Constituição de 34. Tudo por aqui resulta de um acordo, inclusive um acordo contra a ascensão social. Na Guerra dos Guararapes, quando pretos e índios quiseram participar, a elite disse “não, não vai entrar, porque depois que terminar essa guerra vão querer se voltar contra nós”. Esta é a história política do Brasil. Ocorre, porém, que a ascensão dos pobres levou empresas brasileiras a ganhar como nunca. Não sou eu quem lembra – em 1912, Ford dizia: “Quero pagar um bom salario para meus trabalhadores para que eles possam consumir”. Por exemplo: pobre em shopping dá lucro. Muitas vezes os donos não aceitam num primeiro momento, mas depois percebem que é bom. Tínhamos 36 milhões de brasileiros viajando de avião, agora temos 112 milhões.
CC: Notáveis avanços são inegáveis. Mas como vai ser daqui para a frente?
LULA: Eu fazia debates mundo afora, com o Mantega, o Meirelles, às vezes a Dilma. E eu dizia: esses ministros meus, eles falam da macroeconomia, mas o que eles não dizem é que essa macroeconomia só deu certo por causa da minha microeconomia. O que foi a microeconomia? Foi o aumento de salário, foi a compra de alimentos, a agricultura familiar, foi o financiamento, foi o crédito consignado, foi o Bolsa Família. Foi essa microeconomia que deu sustentabilidade à macroeconomia. Na Constituição de 46, quando o trabalho era o assunto, concluía-se: “ Não pode dar 30 dias de férias para o trabalhador, porque o ócio o prejudica”. Chamavam férias de ócio. Agora, as pessoas dizem que o Bolsa Família cria um exército de vagabundos. E o futuro? Numa escada de dez degraus, os pobres só subiram dois, um e meio, ainda falta muito para subir. Por isso eu tenho orgulho da presidenta Dilma, ela sabe que muita gente vai se bater contra ela a assustar que, para controlar a inflação e fazer o País crescer, é preciso ter um pouco de desemprego, arrocho no salário mínimo, ou seja, que é preciso fazer o que sempre foi feito neste País e que não deu certo. Então, o que o governo tem de garantir é o aumento da poupança interna, mais investimento do Estado, mais junção entre empresa privada e pública, mais capital externo para investir no setor produtivo. Para tanto, é indispensável dar continuidade à ascensão dos mais pobres. Porque é isso que também vai garantir a ascensão do Brasil no mundo desenvolvido, com alto padrão de qualidade de vida, renda per capita de 20 mil, 30 mil dólares, e até mais. O Brasil não pode parar agora. Está tudo mais difícil, mas temos agora o que a gente na tinha há cinco anos, vamos contar com o pré-sal, daqui a pouco.
CC: Temos um agronegócio muito exuberante, muito produtivo e competitivo: é possível mobilizar essa capacidade para estimular a indústria de equipamentos agrícolas?
LULA: Nós já temos uma indústria de equipamentos agrícolas muito boa. Quando na Presidência, cansei de discutir com empresários que feiras de agronegócio nós precisamos é fazer na Argentina, no México, Nigéria, Angola, Índia. Temos de mostrar nossa capacidade nos outros mercados. Esta é uma área na qual o Brasil está pronto, não só porque tem conhecimento tecnológico, mas também porque tem capacidade de área agriculturável, terra, sol e água. Sem a vergonha de dizer que exportamos commodities. Hoje, a commodity tem preço. O que nós precisamos é produzir não só o alimento, mas a indústria de alimentos, não só a soja, mas o óleo de soja.
CC: Permita-nos insistir: como vencer as resistências da elite, atiçada pela mídia?
LULA: No movimento sindical, em 1969, comecei a negociar com a Fiesp, certamente a elite era muito mais retrógrada do que hoje. Eu lembro quando nós constituímos a primeira grande comissão de fábrica na Volkswagem nos anos 80, nós fomos pedir a Antônio Ermírio de Moraes a criação de uma comissão de fábrica na sua indústria química de São Miguel Paulista, e significava trabalhador querendo mandar na empresa dele. Hoje tem uma classe empresarial, mais jovem, que já compreende a importância da negociação coletiva. Mesmo assim, permanecem setores retrógrados. Ainda temos coronel que mata gente por este Brasil afora por briga de terra. Nesses dias a Nissan americana não queria deixar seu pessoal sindicalizar-se por lá mesmo e eu tive de mandar uma carta para o presidente da empresa. Mas voltemos à mídia.
CC: A mídia nutre essa elite?
LULA: Eu certamente não sou especialista nesta questão da mídia e nunca tive muita simpatia dos seus donos. Toda vez que tentei conversar com eles, cuidei de explicar que ao governo não interessa uma mídia chapa-branca, como foram no governo Fernando Henrique Cardoso. Eu não quero isso, não quero que tratem o PT como trataram a turma do Collor nos dois primeiros anos do seu mandato. Agora, também é inaceitável a falta de respeito com Dilma. Se querem falar mal, façam-no no editorial do jornal. Na hora da cobertura do fato, publiquem o fato como ele é. Nunca liguei para o dono de mídia pedindo para fazer essa ou aquela matéria, mas o respeito há de ter, tanto mais por parte da comunicação, que é concessão do Estado. Respeito à instituição, e acho que eles saíram de um momento em que lambiam as botas ditadura e evoluíram para o pensamento único a favor de FHC, e contra o meu governo e contra o da Dilma, e contra a presidenta com agressividade ainda maior.
CC: E em termos de informação?
LULA: Quando eu cito os números da educação, por exemplo, é porque nunca foram divulgados por esta mídia. É como se houvesse a obrigação de omitir, sem perceber que com isso se desrespeita o próprio público, que lê, ouve ou assiste. Nem o recente Ibope eles divulgaram. Nem comentaram a inauguração da Rodovia Norte-Sul, que passaram três anos criticando. Há uma predisposição ao negativismo, e isso contribui para uma desinformação da sociedade brasileira. E uma questão é ideológica, se fosse econômica, eles deveriam ir todo dia à igreja acender uma vela para mim, porque muitos estão quebrados e se salvaram no meu governo. Eu estou com a alma tão leve, eu até acho normal o que eles fazem. Vem esse metalúrgico, que a gente supunha destinado a um fracasso total, e é um sucesso. Vem essa mulher aí, que a gente achava um poste, e ela não é um poste. E essa mulher vai se eleger outra vez.
CC: Na verdade, o que está esmaecendo no Brasil e no mundo é o espírito crítico.
LULA: Porque interessa uma parte da elite brasileira a negação da política. O que vem depois é sempre pior, quando você nega a política. A ditadura brasileira foi a negação da política. O que é muito grave, porque, se você atravessa um momento sem nenhuma referência, sem ninguém em condições de controlar a situação, o próprio Estado vai à deriva.
CC: Insistimos novamente: o governo não se comunica?
LULA: Vocês estão certos, não se comunica, eu tenho falado para o Guido Mantega, para a Dilma: vendo como está o mundo hoje, a cada dois meses o governo tem de fazer igual uma empresa com seus acionistas, que têm fundos de pensão. Ou seja, você de fazer viagens e convencer o fundo de que sua empresa é rentável e vale a pena investir. Então, a cada dois meses o governo brasileiro tem de ir a Nova York, não para falar com aposentados brasileiros, mas com o investidor. Já falei com o Itamaraty, com Bradesco, Santander, todos se dispõem a articular os maiores debates brasileiros para mostrar ao mundo realizações e potencialidades. A Petrobras tem de viajar a cada 30 dias para onde tem investidor. Não podemos ficar por conta de um jornalista inglês que copiou matéria de um jornalista que vive no Rio de Janeiro e fica procurando matéria em jornal para se inspirar. O Brasil precisa reconhecer enquanto vira a sétima economia mundial com viés de ser a quinta, que lá fora já não se fala bem da gente. José Luis Fiori escreveu um artigo comparando Brasil e México para acabar com o complexo de vira-lata de quem fala que o Brasil está pior que o México. O que o México tem melhor que o Brasil? Eu quero que o México fique cada vez mais rico, mas a comparação com o Brasil é inadequada, porque o Brasil é maior que o México em tudo. Dias atrás, estava aqui com meu amigo Gerdau e perguntei: como está o setor siderúrgico? E ele: não está muito bem. Perguntei: quanto é que você está ganhando no Brasil? Somente aqui, respondeu. Perguntem para o José Gomes da Silva, da Coteminas, onde ganha dinheiro? No Brasil. O mercado interno brasileiro é uma benção de Deus que a elite não sabia existir, eles nunca imaginaram que podíamos ultrapassar os 35 milhões de consumidores.
CC: Que chances há de mudar essa falha do governo?
LULA: Não é fácil, eu sei o que foram meu primeiro e segundo mandatos. Tenho dito com a Dilma que não tem de dar ouvidos a quem fala que gastamos muito com publicidade. Eu acho que, se foi anunciado um programa hoje, e no segundo dia não houve repercussão, vai em rede nacional. O governo tem de dizer o que a mídia não divulgou, porque se não disser, o silêncio se fecha sobre o fato. Dois dias de tolerância, e coloca um ministro em rede nacional, não precisa ir a presidenta todo dia. Mas não fiquemos nisso. O Marco Regulatório tem de ser compreendido. Não é censura, queremos é fazer valer a Constituição de 88, tanto mais quando entram em cena Facebook e companhia, eu nem sei o nome de tudo. Existe o Marco Regulatório de 1962. O Franklin Martins foi feliz ao observar: “Em 62, a gente tinha mais televizinhos do que televisores”. Eu lembro que menino ia à casa do vizinho ver televisão, a gente só podia sentar no chão, o sofá era do dono da casa e ainda ele pisava no dedo da gente. Para assistir luta livre, tinha de gastar dinheiro no bar, o dono cobrava. Hoje acontece essa revolução tecnológica e você não quer discutir sua regulamentação? Então, o Marco Regulatório e a reforma política são dois temas de ponta que o PT tem de assumir. Temos de convocar uma Constituinte própria para fazer uma reforma política.
CC: O que seria esta Constituinte própria?
LULA: Não se destinaria a elaborar uma nova Constituição, e sim discutir a reforma política, exclusivamente. O congresso tem de aprovar a ideia do plebiscito, e na convocação você diz o que é. E ai, não faltam recursos jurídicos para adotar a nomenclatura adequada. É insuportável governar com o Congresso tomado por tantos partidos. É preciso ter critério para organizar um partido, tem de haver cláusula de barreira.
CC: Este problema não resulta do fato de que os partidos brasileiros nunca foram o intermediário necessário entre a nação e o governo?
LULA: O Brasil não tem tradição de partido nacional, a tradição são tribos locais, com caciques regionais. Depois do PCB, o PT tornou-se o único partido nacional, cuja atuação partidária a direção decidia. Mas o PT erra quando começa a entrar na mesmice dos outros partidos. Erra quando usa a mesma prática dos outros partidos. Eu não quero voltar às origens, briguei a vida inteira para ser classe média e agora vou voltar a brigar. O PT, tem que saber, criar esse partido não foi fácil. Lembro de alguém que vendeu uma cabrita, que dava leite para amamentar o filho, para legalizar o PT. E até hoje há gente que anda três, quatro dias de canoa para participar de uma convenção. A gente não pode permitir que meia dúzia de pessoas deformem esse partido, ele é muito grande. É um partido que o próprio povo dirige. Não é uma coisa simples, nós temos de valorizar isso. Já disse na convenção do PT: quero ajudar o PT a voltar ao seu leito natural. Se tem uma coisa que o PT tem de notabilizar é voltar à sua tradição politica. É isso que dá autoridade moral e força para a gente.
CC: Não é fácil manter a coerência na hora da coalizão...
LULA: Não é vergonha você repartir administração com outros partidos, sempre que pastas sejam definidas na base da afinidade. A reforma politica é a briga que nós temos de ter hoje. Não acho que tenha de ser da Dilma. Ela é candidata, acho que a briga tem de ser de todo o partido. O Rui Falcão tem sido de grande valia nessa luta. Agora vou fazer campanha pelo Nordeste, essa é a contribuição que me cabe no momento. E, se eu fosse o governo, ficaria ouvindo todo programa de rádio, de televisão, e o que não for verdade, pedir direito de resposta. Utilizar a internet e não ficar chorando “a Globo não me dá espaço”. A gente tem outros instrumentos para dizer o que quer. Estou muito disposto, física e psicologicamente para rodar o Brasil.
CC: A campanha, assumir os palanques...
LULA: Assumir os palanques. Estarei com Dilma onde ela achar conveniente estar. Preciso tomar muito cuidado, porque haverá na base aliada interesses de que eu não vá, porque a Dilma não pode ir, ela é candidata e da base aliada, mas eu tenho compromisso com o meu partido. Eu sei que isso vai ser um problema, a gente vai ter de conversar e negociar muito. Estou feliz, sabe por quê? Eu sempre achei que quem deixa a Presidência fica pensando: como seu estarei daqui a algum tempo? Porque as pessoas vão esquecendo, você vai perdendo a importância. Eu lembro que em 2002, 2006, ninguém queria o FHC no palanque. Nem Serra colocou. Em 2010, Serra me apresentou como amigo dele e não colocou o FHC. Então, eu me sinto feliz, eu estou bem, eu ainda tenho consciência de que sou uma pessoa importante na política brasileira, e como tal, direi que Dilma é a pessoa mais talhada para cuidar do Brasil.
CC: E essa história que a imprensa criou do “Volta Lula”?
LULA: O “Volta Lula” começou  já na época que eu era presidente, quando pediam o terceiro mandato. Eu, graças a Deus, aprendi a ter responsabilidade muito cedo. E aprendi que, ao aceitar o terceiro mandato, por me achar insubstituível, poderia permitir que outros também achassem, com a possibilidade de alguém, algum dia, tentar o quarto. Não é prudente brincar com a democracia. Cumpri meus dois mandatos, saí cercado pelo carinho do povo. Se, em algum momento, tiver de voltar, posso daqui a quatro anos. Mas não é a minha prioridade. Eu estarei com 72 e acho que tem de ser gente mais jovem, com mais vigor físico e capacidade de administração. Mas em politica a gente não pode dizer que não, nem sim. Nunca me passou pela cabeça voltar. Em todo caso, minha relação com a Dilma é muito forte, e de muito respeito e admiração pelo caráter dela. Bem formada ideologicamente e muito leal. Nunca iria disputar sua candidatura.
Não faltou quem quisesse minha volta, mas quando o Rui Falcão, botou em votação, deixei claro: “Quero que saibam, sou candidato a cabo eleitoral da companheira Dilma Rousseff para o segundo mandato à Presidência da República”.
CC: E quanto aos adversários?
LULA: Conheço o Eduardo Campos, é meu amigo, gosto dele profundamente. Conheço o Aécio, ele não tem a mesma firmeza ideológica do Eduardo, tem outro compromisso, é um representante mais afinado com a elite. Mas a Dilma é a mais preparada. Fico triste que não conseguimos construir algo capaz de manter o Eduardo Campos junto da gente. Mas era destino.
CC: E a Marina?
LULA: Eu gosto muito da Marina, como figura humana. Foi minha companheira no PT por 30 anos, tenho por ela um carinho muito grande, mas acho que, de vez em quando, comete equívocos na análise política dela, meio messiânica. Imaginei-a candidata, e agora entra de vice. Nisso não consigo entender a Marina. Mas não confundo relação de amizade com a minha decisão política. Tenho amizade com o Aécio mais formal do que com o Eduardo e sua família.
CC: Dilma ganha no primeiro turno?
LULA: A ganhar no primeiro turno por 51% a 49% prefiro ganhar no segundo turno, com 65% a 35%. Reeleição é sempre muito difícil, mas no segundo turno você pode consolidar um processo de alianças com a coalisão e você é eleito com mais desenvoltura, e também permite fazer um debate mais profundo. No primeiro turno todo mundo fala a mesma coisa, promete tudo para o povo. Eu acho que a Dilma está tranquila. Se em 2002 a esperança venceu o medo, acho que agora a esperança e a certeza do que pode ser feito pode vencer o ódio.
CC: A campanha será sangrenta?
LULA: Pelas características dos candidatos, acho que não. De resto, o resultado de uma campanha não define apenas vencedor e derrotados, é o grau de politização da sociedade, é o gosto pela política, é perceber que durante a campanha os candidatos aprenderam alguma coisa e deram um salto de qualidade. Quando disputei com o Serra, nós tivemos uma campanha mais civilizada do que com o Alckmin. Ele se apresenta como cidadão refinado, mas foi de extrema agressividade.
CC: Qual seria o adversário mais provável para o segundo turno?
LULA: Eu acho que, em um segundo turno, será tucano. O PSDB tem base partidária mais organizada, governam São Paulo, Paraná, alguns estados importantes no Nordeste, e tem mais tradição de palanque. Já o PSB tem pouco palanque estadual, a campanha do Eduardo vai ser mais difícil do que em 1989.
CC: O Padilha, candidato petista em São Paulo?
LULA: O Padilha é um daqueles fenômenos. Eu disse outro dia em Sorocaba ao Padilha: “Depois de quem o precedeu, Arruda Sampaio, Suplicy, Dirceu, Marta, Genuíno, Mercadante, você é o melhor candidato de todos nós, o mais alegre, o mais simpático, sua capacidade de comunicação com o povo é fantástica, unificou o partido”. Mas é uma campanha difícil. Primeiro, porque os tucanos têm uma base sólida em São Paulo, e há conservadorismo no estado e isso dá quase uma garantia. Não sei se Paulo Skaf vai ser candidato, há dois anos que faz campanha não como candidato, mas como presidente da Fiesp. Agora o desafio do PT é ter os votos que o partido tem habitualmente na cidade, todas as eleições.
CC: Fale da central de boatos a respeito do seu filho Fábio.
LULA: Ao mesmo tempo que sou defensor intransigente da liberdade que temos na internet, acho que somos vitimas dessa liberdade, porque o cidadão entra no seu quarto, seu escritório, e fala a besteira que quiser. Há muito tempo vêm denúncias, outro dia mostram a sede da Esalq e disseram que era a cada do meu filho, outro dia ele era dono da Friboi, um dia desses ele foi à Itaipu com o Samec passear, daí um jornal disse que ele estava fazendo negócios, inventaram que ele tem um jato. Conseguimos detectar o paradeiro de dez pessoas, uma era do Instituto Fernando Henrique Cardoso, filho do ex-ministro Graziano. Os envolvidos foram acionados, um veio prestar depoimento e disse: “Mas eu sou eleitor do Lula, eu só citei, não sabia se era verdade, mas coloquei”.  Muitos pedem desculpas. O Graziano veio aqui também. Quando, muito tempo atrás, eu fui contra a invasão do Afeganistão pela então URSS, diziam que eu era da CIA, depois eu era visto pela direita como o cara do Partidão. Isso me permitiu continuar percorrendo o caminho do meio. Mas vale acentuar que nós chegamos à excrecência da excrecência do comportamento humano. Um dia desses eu vejo O Que Sei de Lula, um livro. O autor não conviveu comigo um único segundo para escrever a orelha do livro. Fico pensando o que faço com um cidadão desse? Acabo percebendo que o melhor é a desmoralização pela mentira. O Romeu Tuma Jr. não merece o comportamento do pai dele. O pai dele foi um cidadão digno. Quando a minha mãe estava para morrer, ele, meu carcereiro, me deixava sair da cadeia às 2 da manhã para visitá-la. Então, quando um cidadão conta uma mentira dessa, o que fazer? Processar? Acho que falta um pouco de senso de responsabilidade no comportamento das pessoas. De verdade, falta reconstruir a estrutura social da família. Quando eu era pequeno, tinha vontade de comer uma maçã embrulhada em papel azul, e ficava diante da barraca olhando e olhando, e sabe por que eu não pegava e não saía correndo? Para não envergonhar a minha mãe. Ela era a minha referência de comportamento.
CC: Mas uma política social que conseguisse alcançar um certo grau de igualdade, isso não recriaria automaticamente valores perdidos?
LULA: Há todo um conjunto de fatores viáveis, não concordo com diminuir a idade penal e colocar mais polícia na rua para coibir a violência. Isso não vai funcionar. Eu acho que, se houver mais gente na escola e mais gente trabalhando, vamos caminhar no rumo certo.
CC: Seria correto dizer que há uma concepção errada da polícia num Estado democrático. Trata-se de uma instituição absolutamente necessária, mas muito maltratada, porque ela não é para reprimir, é para prevenir. Será que não vivemos uma crise institucional dos poderes que haveriam de constituir um Estado moderno?
LULA: Quando a gente fala em reforma, precisamos reformar também o Poder Judiciário. É tudo muito lento. Mas a Justiça pede por uma reforma, porque é justo exigir mais competência, é preciso ter mais estrutura para chegar a um cargo na Justiça. Quanto à polícia, tenho uma observação. A nossa polícia sabe que em muitos casos o crime organizado está mais preparado do que ela. Todo ser humano tem medo. Há casos em que o policial tira a farda para ninguém saber que ele é policial. Ele vai trabalhar com um pouco de medo, e o medo faz você mais violento. Se você aborda o suspeito, já de revólver em punho, caso este reaja, você puxa o gatilho. Como é que você resolve isso? Nós cometemos um erro na Constituição, que foi dar muita autonomia aos estados para que sua polícia se desvincule com muita autonomia da PM. Dá a impressão de que os estados saberiam lidar com a criminalidade, mas não prática muitos estados ficam reféns da própria polícia. Primeiro, seria preciso que os policiais se formassem por cursos de inteligência, assim como se formam em tiro ao alvo e arte marcial. Segundo, é preciso pagar melhor. Acho que, no caso da organização da polícia, o problema está na Constituição de 88. Nas Forças Armadas, nós liberamos 7 mil, 8 mil fardados por ano, que poderiam ser chamados diretamente para a polícia. Mas não, têm de prestar concurso. É preciso rediscutir a respeito. Sem deixar de partir do pressuposto de que nenhum governador quer abrir mão do controle da polícia. Decisivo seria definir o papel de cada um. Porque, quando um governador prende um bandido, ele gosta de aparecer na televisão, mas, quando ele não prende, o governo federal é o culpado. Essa ponderação explica-se a outros campos. A educação. Quem é que cuida? O governo federal, estadual ou a prefeitura? E no ensino técnico? Saúde? Nós precisamos definir tudo isso. Temos de repactuar os entes federados. Construir um pacto federativo, não só a partir da discussão financeira, mas também de acordo com a responsabilidade de cada um. Penso que no segundo mandato da Dilma terá de fazer coisas novas, é importante promover debates que ainda não foram feitos. Só se fala em política tributária, e ninguém quer política tributária. Eu tentei implementar duas vezes, ninguém quis. Dilma tem de fazer um esforço muito grande para destravar este país.
CC: Até que ponto o senhor pode influenciar Dilma na escolha dos futuros ministros?
LULA: Eu não quero influenciar a Dilma. Faço política por uma transferência de confiança. Eu confio na Dilma. Se for eleita, vai fazer suas escolhas, vou torcer para dar certo. Se achar que ela está errada, vou dar uns palpites. Se em algum momento ela resolver discutir comigo alguns nomes, eu também não terei dúvidas em ajudá-la.
CC: Digamos que a presidenta não queira ouvir ninguém, quem quer que seja.
LULA: Não existe isso.
CC: Admitamos uma sugestão não solicitada: “Este cara é muito bom”.
LULA: Vamos supor que a Dilma seja eleita e eu resolva indicar o Belluzzo. E ela falasse ”não”. O que iria acontecer? Ia ficar um arranhãozinho na nossa relação de amizade. Dai eu preferir não indicar. É mais saudável, nem eu nem ela teremos decepções. Agora, se o partido vier discutir comigo quais nomes vai indicar, eu direi o que acho a respeito. Com ela, não. A não ser que a escolha me pareça absurda e então não hesitarei: “Este é problema”.
CC: Como analisar o avanço na relação dos BRICS?
LULA: Neste mundo globalizado a gente tem de procurar parceiros. Acabou o tempo em que o mundo pobre esperava tudo da Europa e dos Estados Unidos. Então, eu penso que o Brasil tem de fortalecer as suas relações. Eu sou da tese de que a gente tem de criar um colchão de proteção do Brasil em suas relações externas, do ponto de vista estratégico, do ponto de vista da segurança, econômico, do ponto de vista estratégico do desenvolvimento científico-tecnológico.  Porque quem já tem não quer repartir com a gente.
Por isso o Brasil há de fortalecer cada vez mais sua participação, sobretudo na América do Sul. E ter aqui, na América do Sul, algo muito forte na área do comércio e da interação das nossas empresas. Ter empresas fortes e bancos desenvolvimentos fortes. O BNDES tem de arcar com um papel mais importante e a gente tem de construir o Banco Sul. Acho que temos de fazer o mesmo com a África, porque agora, no século XXI, a África dará um salto de qualidade.
E com os BRICS, precisamos tomar decisões políticas. Nós somos uma espécie de pêndulo do planeta Terra, então não podemos ficar dependendo do dólar para fazer negócio. Temos de construir, e não esperar que o mundo construído no século XIX, no começo XX, venha nos salvar. Nós podemos fazer a diferença. Eu acho que esse acordo da Rússia com a China, esse negócio do gás, foi um tapa com luva de pelica na cada da Aliança do Atlântico. Acho que os BRICS devem funcionar como uma espécie de segurança na relação de cinco economias importantes. Por que eu falo isso? O Mercosul, quando cheguei à Presidência, não valia nada. A Alca e que estava na moda. Nós não implantamos a Alca e o Mercosul passou de 10 bilhões para 49 bilhões de fluxo de comércio exterior. A América do Sul não valia nada, o Brasil não conversava com ninguém, ninguém conversava com o Brasil.
CC: Não é do interesse das elites que esses dados apareçam.
LULA: O Brasil é o primeiro produtor, e primeiro exportador, de carne processada, suco de laranja, tabaco, o segundo de soja. Tudo que você imaginar, o Brasil está entre os cinco do mundo. Vamos gostar deste País!
Entrevista exclusiva publicada na revista Carta Capital, edição 802 de 4 de junho de 2014, a Luiz Gonzaga Belluzzo e Mino Carta.
Bookmark and Share