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segunda-feira, 31 de março de 2014

NA CALADA DA NOITE...

Na calada da noite, há 50 anos o país era surpreendido com o golpe militar que tirou do governo, o presidente da República, João Goulart.  Com o golpe militar de 1964, a censura foi instalada, perseguição, tortura e morte para aqueles que discordavam da forma que o governo dos generais conduzia a Nação. A partir daí, o Brasil passou a viver os anos de chumbo.
Duas décadas de atrocidades contra políticos, estudantes, artistas, escritores e civis que discordavam do regime ditatorial implantado no país sob o comando dos militares que colocaram no poder, o general Castelo Branco, o primeiro linha-dura da ditadura.
Hoje é um dia para refletirmos sobre as agruras que nossos irmãos brasileiros passaram naquelas duas décadas sombrias. Alguns foram exilados, outros saíram para comprar cigarro ou um café e nunca mais voltaram. Metaforicamente, eles sumiram num rabo de foguete como diz trecho da canção O Bêbado e o Equilibrista, de João Bosco e Aldir Blanc.
Não podemos esquecer esse momento escuro da história do país e as novas gerações não podem deixar de saber que um dia tivemos nossa liberdade de expressão cerceada. Qualquer forma de censura deve ser combatida, eliminada.
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ASSUNTO DE CAPA

Das quatro principais revistas semanais do país, apenas Veja não trouxe como assunto de capa, o Golpe Militar de 1964 que completa 50 anos, hoje (31). Porém, o assunto não deixou de ser abordado pela revista em suas páginas. Em seu site, Veja faz um especial sobre o Golpe Militar de 64, com extenso material; fotos e informações.
As outras revistas semanais Carta Capital, Época e IstoÉ, abordaram o tema na capa de suas publicações, lembrando desse momento sombrio que o Brasil mergulhou na noite de 31 de março de 1964, quando o golpe militar foi consumado e a ditadura militar se instalou no país por longos 21 anos.
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OS 20 DIAS QUE MUDARAM O BRASIL

Por Sérgio Pardellas, ISTOÉ
Foi a partir de uma data associada ao mau agouro que a situação política do então presidente da República João Goulart se deterioraria e as forças golpistas civis e militares encontrariam solo fértil para, dali a 20 dias, articular e sacramentar sua deposição, que condenou o País a 20 anos de trevas. Eram 19h45 de uma sexta-feira 13 quando o nada supersticioso Jango, suando frio, ainda meio baqueado por uma queda de pressão horas antes, subiu ao palanque erguido na Central do Brasil, no Rio de Janeiro. Enquanto aguardava o momento do seu pronunciamento, Jango fixou os olhos na multidão – cerca de 200 mil pessoas. A imensa maioria exibia cartazes com dizeres a seu favor. Em meio a um ambiente de radicalização à direita e à esquerda, greves e inflação em alta, o evento estava sendo observado com atenção não só pela população, mas por segmentos expressivos da sociedade civil, agentes políticos de todas as colorações partidárias e, principalmente, militares governistas e oposicionistas. Afinal, o comício poderia marcar a definitiva aliança com as esquerdas de um presidente até então hesitante a fazê-lo por medo de perder o apoio dos moderados, encarnados pelo PSD de Tancredo Neves. A expectativa se confirmou.
Ao tomar a palavra, às 20h46, sob forte calor e tensão emocional, ao lado da mulher, Maria Thereza, Jango, de improviso, proferiu um de seus mais duros discursos desde a posse. Enquanto o ministro da Casa Civil Darcy Ribeiro soprava palavras incendiárias em seu ouvido, aproveitando as pausas no discurso, Goulart selava sua união com as esquerdas ao defender as reformas de base, entre elas a agrária, confirmar o rompimento com o PSD e pregar a necessidade de reescrever a Constituição, à qual se referiu como antiquada. O pronunciamento magnetizou a plateia e inflamou representantes do PTB, PCB e CGT, mas também atiçou a caserna e setores conservadores. A imprensa alinhou-se nas críticas ao comício e, daquela sexta-feira até 1º de abril, o conflito político entre os grupos antagônicos da época assumiu proporções preocupantes para a continuidade do processo democrático.
O discurso de Jango se materializaria, dois dias depois, em uma mensagem enviada ao Congresso. Além das reformas de base, Goulart propunha uma reforma eleitoral que criava o instituto da reeleição para presidente e abria brechas legais para a candidatura ao pleito de 1965 do cunhado Leonel Brizola, uma das principais lideranças do PTB. Até então, o petebista não poderia se lançar candidato porque a Constituição dizia que eram inelegíveis parentes de até segundo grau de ocupantes do Executivo.
O ambiente não poderia ser mais propício para a movimentação dos militares golpistas. Para as esquerdas, as iniciativas do presidente foram encaradas como uma vitória. Para a direita e conspiradores, “já não se tratava de resistir, mas de intervir no processo para liquidar uma situação tida como intolerável”, sublinhou o jornalista Carlos Castello Branco, que assinava uma das colunas mais respeitadas da época, Coisas da Política, no “Jornal do Brasil”.  Até Juscelino Kubitschek, do PSD, que não costurava e nem sequer pensava em golpe de Estado, pois era um dos candidatos favoritos à eleição de 1965, comentou com um interlocutor: “Jango passou dos limites. Saiu da legalidade que o sustentava”, anunciou. O governador de Minas Gerais, Magalhães Pinto, da UDN, e o de São Paulo, Adhemar de Barros, passaram a ocupar rádios e televisões para atacar Goulart. Carlos Lacerda, ferrenho opositor, governador da Guanabara, ampliou o tom dos ataques. Em meio ao clima de tensão política e desconfiança geral, nem as esquerdas pareciam pacificadas, mesmo após todos os movimentos do presidente em direção aos seus anseios. Houve, na esquerda, quem considerasse que um eventual golpe em marcha, de inspiração direitista ou não, pudesse contar com a participação do próprio presidente. 
A Marcha da Família disseminou o medo da esquerda
No dia 18 de março, o ex-presidente da República Eurico Gaspar Dutra concedia uma entrevista ao “JB” em que, além de atacar pessoalmente Goulart, pregava “a união em defesa da legalidade enquanto é tempo”. A entrevista, de grande repercussão, embalou manifestações populares a favor da destituição de Jango. Numa espécie de revide ao Comício da Central, no dia 19 de março surgiu o movimento intitulado Marcha da Família com Deus pela Liberdade. Ostentando cartazes com os dizeres “Comuna não tem vez” e “Aqui não, João”, a marcha reuniu 500 mil pessoas, entre lideranças conservadoras, católicas e setores da classe média, na praça da república, em São Paulo. O evento que tomou as ruas da cidade representou o grande ato de resistência a Jango. Naquela altura, entre os círculos conspiratórios, Castelo Branco começava a se sobressair como liderança anti-Goulart. O sentimento de medo de um governo de esquerda que, para os opositores a Jango, “ameaçava a Constituição e a família brasileira”, fora disseminado e ganhou ainda mais fôlego. Restava a gota d’água. E ela teria proporções de um oceano para Goulart: a rebelião dos marinheiros.
Em 23 de março, marinheiros e fuzileiros organizavam o aniversário da associação que os representava. A festa ocorreria na sede da Petrobras e serviria para os subalternos da Marinha criticarem as condições de trabalho. O ministro da Marinha, Sílvio Mota, interveio na tentativa de proibir não só a utilização da Petrobras como local da festa, mas também a comemoração em si. No dia 24 de março, véspera do aniversário da associação não reconhecida pela Marinha, Mota mandou prender 12 de seus dirigentes. Entre eles, seu presidente, o cabo José Anselmo. Quando a crise eclodiu, em 25 de março, Jango estava com a família em São Borja. Durante o evento, realizado na sede do Sindicato dos Metalúrgicos da Guanabara, cerca de dois mil marinheiros ouviram um discurso desafiador do cabo Anselmo. Em tom político, ele defendeu as reformas de base e atacou seus superiores.
A festa se desenrolava quando Mota mandou prender outros 40 marinheiros, mas foi desautorizado por Jango. Horas depois, o ministro da Marinha renunciou ao cargo. No dia 27 de março, Jango, mesmo pressionado pelas Forças Armadas, decidiu anistiar os rebeldes. Sentindo-se feridas no que mais de essencial existia nelas, os fundamentos da autoridade, hierarquia, disciplina e respeito às leis militares, as Forças Armadas estavam à beira de um rompimento definitivo com Jango. Em conversa com o ministro da Guerra, general Jair Dantas Ribeiro, JK dizia que na noite de 29 para 30 de março o País vivia “a maior crise político-militar de sua história”. Os jornais afirmavam que “o estado de direito submergia no Brasil”.
O momento exigia de Jango prudência política, mas ocorreu o inverso. No dia 30 de março, o presidente resolveu comparecer à sede do Automóvel Clube, onde aconteceria a posse da nova diretoria da Associação dos Sargentos e Suboficiais da Polícia Militar. Para assessores próximos a Goulart, a ida ao evento era uma insensatez. Tancredo Neves aconselhou-o pessoalmente a não ir, mas o presidente fez ouvidos moucos e desembarcou no Automóvel Clube perto das 20h, acompanhado da mulher e de alguns ministros. Em discurso, além de acusar “inimigos da democracia” de conspirar contra o seu governo, Jango usou termos contrários à disciplina militar que azedaram de vez sua relação já esgarçada com as Forças Armadas. Até os oficiais legalistas e nacionalistas já temiam pelo pior. “Acabou-se. Não há mais sustentação. Eles vão dar o golpe”, disse o tenente-coronel Alfredo Arraes de Alencar. A partir dali, organizações de esquerda passaram a se preparar de fato para um possível golpe. “Agora, quanto pior, melhor”, dizia o general Ernesto Geisel.
Rebelião dos marinheiros e discurso em clube militar foram a gota d’água
No dia 31 de março, o movimento golpista já estava em marcha e ganhava dinâmica própria. Em editorial intitulado “Basta!”, o prestigiado jornal “Correio da Manhã” passou a cobrar a deposição de Jango. O presidente do Senado, Auro de Moura Andrade, foi um dos primeiros políticos a romper publicamente com Jango, ao denunciar a “infiltração comunista no País” e afirmar a necessidade da “intervenção militar para garantir a ordem”. Em seguida, o governador de Minas, Magalhães Pinto, apresentou-se como líder civil do movimento para depor Goulart. Horas depois o presidente teve a confirmação do golpe em curso. De Juiz de Fora (MG), o general Olímpio Mourão Filho liderava um comboio militar, formado por recrutas, que marchava para a Guanabara. Em uma derradeira conversa com Jango, no Palácio Laranjeiras, JK sugeriu ao chefe do Executivo medidas conservadoras para estancar a crise. Fez coro o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, Peri Bevilaqua. O general garantiu apoio militar, desde que declarasse oposição às greves patrocinadas pela CGT e se comprometesse com a manutenção da disciplina e da hierarquia militar. Goulart se recusou a tais exigências. Naquele momento, o presidente ainda acreditava num dispositivo militar a seu favor. Pensava também contar com o apoio do general do II Exército, Amaury Kruel, que ainda não havia se posicionado em meio ao turbilhão da crise. Quando tropas, tanques e carros blindados do Exército estacionaram no Ibirapuera (SP), Kruel tomou sua decisão em favor dos golpistas. Em pronunciamento às rádios, depois de o governador Adhemar de Barros declarar apoio aos mineiros, Kruel disse que a Pátria deveria ser salva do “jugo vermelho”. Foi uma derrota para Goulart. Do QG do Exército, Geisel e Golbery do Couto e Silva aglutinavam os focos de rebelião militar por telefone. Na noite de 31 de março, Kruel ordenou o deslocamento das tropas do II Exército em direção à Guanabara. Ou seja, para lá marchavam as colunas militares de Minas e de São Paulo, ambas para derrubar o governo. No Nordeste, o comandante do IV Exército também acompanhou os golpistas e ordenou a prisão do governador Miguel Arraes. Ao amanhecer do dia 1º de abril, o governo de Jango estava sitiado. Às duas da madrugada do dia seguinte, quando o presidente já se encontrava em sua estância em Porto Alegre, o presidente do Congresso, Auro de Moura Andrade, declarou a vacância do cargo de presidente. O golpe estava consumado.
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domingo, 30 de março de 2014

PARIS COR DE ROSA

Filha de imigrantes espanhóis, feminista e discreta apparatchik do Partido Socialista (PS) francês, Anne Hidalgo será, aos 54 anos, a primeira mulher a comandar a prefeitura de Paris.
Segundo estimativa feita pelos institutos Ifop e Sas para o canal de televisão i-Télé, Anne Hidalgo obteve 54,5% dos votos no segundo turno das eleições municipais, desbancando sua rival, a candidata pelo partido de direita UMP Nathalie Kosciusko-Morizet, que teve 45,5% das intenções.
Morena de sorriso largo, quase sempre vista com um lenço cor-de-rosa, Anne Hidalgo terá o desafio de dirigir uma cidade de 2,2 milhões de habitantes, centro de todos os poderes da França e principal ponto turístico do mundo.
Hidalgo vai entrar para o grupo, ainda muito restrito, de mulheres à frente das grandes cidades mundiais. Ela vai se unir, por exemplo, à Ana Botella, prefeita de Madri, e Carolina Toha, prefeita de Santiago.
Braço direito de Bertrand Delanoë, prefeito de Paris desde 2001, Hidalgo salvou a honra dos socialistas nas eleições municipais, que deram vitória aos partidos de direita do país.
Uma "bolha" comparada ao restante da França, como disse diversas vezes Hidalgo, Paris e seus milhões de habitantes foram poupados da onda de rejeição à política do governo socialista, muito impopular em todo o país.
Nascida em 19 de junho de 1959 em San Fernando, na região espanhola da Andaluzia, sob a ditadura de Franco. Naturalizada francesa aos 14 anos, Hidalgo morou em Lyon antes de mudar-se, em 1984, para Paris.
Formada em direito social, ela entra para o PS em 1994, incentivada pelo rigor moral do então candidato socialista às eleições presidenciais, Lionel Jospin.
Durante a campanha eleitoral, Hidalgo teve que enfrentar brincadeiras sobre sua origem ao ser chamada de "zeladora" pelos simpatizantes da direita. A brincadeira preconceituosa faz referência aos espanhóis que ocupavam, em meados do século XX, os cargos de zelador dos prédios da capital francesa. A referência é uma clara comparação às origens de sua concorrente, Nathalie Kosciusko-Morizet, neta de embaixador e bisneta de um dos fundadores do Partido Comunista francês.
Descrita como honesta, estudiosa e modesta por pessoas próximas, Hidalgo batalhou para conseguir um lugar ao sol no Partido Socialista. "Conquistar autoridade, legitimidade, lutar no seu próprio meio, isso é o mais difícil", disse a prefeita eleita de Paris em entrevista ao jornal francês Libération.
À frente da prefeitura de Paris, Anne Hidalgo promete levar adiante o trabalho iniciado pelo atual prefeito Bertrand Delanoë. Ela promete também criar 10.000 novas moradias, 5.000 vagas a mais nas creches e acesso mais fácil aos serviços de saúde. Outra promessa de campanha é o não aumento dos impostos e a luta por uma política de segurança melhor.
Hidalgo, que esteve à frente da pasta de urbanização durante os anos Delanoë, chama para si o sucesso do "Vélib'", programa de livre acesso a bicicletas, copiado massivamente por outras capitais do mundo. Ela diz querer fazer de Paris uma "cidade do mundo", "inovadora e criadora de empregos, uma cidade ecologicamente correta onde é possível se locomover à pé ou de bicicleta".
Via UOL, conteúdo da AFP (Agência France-Press)
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JUNTOS E EMBOLADO´S

Charge do Aroeira
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UMA VEZ BOQUIRROTO, SEMPRE BOQUIRROTO

Por Roberto Pessoa, via Facebook
Uma vez boquirroto, sempre boquirroto. O senhor 'Ciro Sarampo Gomes' resolveu tripudiar da morte de mais de mil cearenses, mortos neste ano, e de suas famílias.
Sem argumentos, o secretário-irmão agora usa as redes sociais para atribuir a crise da segurança pública à gestão da Prefeitura de Maracanaú. Isso mesmo, pasmem. É VERDADE!
Ciro, que não acredito que permanecesse solto se enfrentasse uma mínima investigação, depois de esconder as vítimas do piscinão, agora quer esconder as vítimas da segurança pública.
Pois sou claro, senhor Ciro Sarampo Gomes, o senhor e sua família têm as mãos sujas. E sujas, entre outras coisas, do sangue dos cearenses. Se quiser debater sobre isso, pode vir. Já falei ao seu irmão e falo ao senhor, pode escolher o tema e o local.
Não tenho medo de arrogância nem de cara feia. Já investigaram toda a minha vida e minhas empresas e não encontraram nada. E apesar de toda perseguição, não vou desistir de combater a oligarquia que vocês querem implantar no Ceará.
Suas mentiras só ferem a inteligência do povo cearense.
Roberto Pessoa, empresário, ex-prefeito de Maracanaú (região metropolitana de Fortaleza) e ex-deputado federal
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sábado, 29 de março de 2014

"O GOLPE DE 1964 DESTRUIU MINHA FAMÍLIA"

Por Eliane Lobato, ISTOÉ
Viúva do ex-presidente João Goulart (1919/1976), Maria Thereza Goulart tem planos frugais para a segunda-feira 31 de março, data da efeméride dos 50 anos do golpe militar que depôs seu marido: viajará para Porto Alegre (RS) com a filha, Denise, e desfrutará do descanso com a família. Há quase meio século, em 1º de abril de 1964, ela, o marido e os dois filhos tiveram de sair às pressas do País em direção ao Uruguai, onde iriam se exilar. Antes de partirem de Porto Alegre, o então governador do Rio Grande do Sul Leonel Brizola (1922/2004) sugeriu um movimento de resistência ao golpe, mas Jango não consentiu por, entre outras coisas, temer um derramamento de sangue. São momentos tensos que voltam à memória de Maria Thereza, hoje com 73 anos, e provocam tristeza, embora ela lute contra a melancolia que este passado evoca. Arredia a entrevistas, a ex-primeira-dama conversou com ISTOÉ com exclusividade. Contou que escreveu um diário no exílio e que esse material vai virar um livro. Mas só após sua morte. “Antes, não. Acho que há pessoas que não vão gostar. Não tenho coragem de enfrentar isso agora.”
À ISTOÉ, Maria Thereza disse ainda que a famosa foto em que ela aparece ao lado do marido no palanque do histórico comício da Central do Brasil, em 13 de março de 1964, não revela seu verdadeiro estado íntimo. A imagem da mulher apontada como uma das dez mais lindas do mundo pela revista “Time” não exprime a apreensão que sentia. “Estava gelada, dura por dentro”, conta. Poucos minutos antes, Jango havia tido queda de pressão. Muitos amigos e correligionários tentaram dissuadi-lo de ir ao comício, mas “ele estava com ideia fixa” e “preparado para o que ia acontecer”, declara ela.
Para a jovem primeira-dama que nunca tinha pisado em um palanque, saber que eles poderiam ser alvo de um atentado a era atemorizante. De fato, houve esse temor, fazendo com que Jango aumentasse o aparato de segurança do evento. Segundo ela, a pouca idade – 24 anos em 64 – ajudou-a a superar as angústias dos momentos que antecederam o golpe. Mesmo assim, desabafou: “Para mim foi tudo muito tenso. O golpe de 64 destruiu a minha família. Tivemos que sair correndo, deixar nossa vida, tudo nosso para trás. Destruiu porque tirou tudo da gente. A gente passou a viver com sofrimento”.
Nascida em São Borja, a quase 500 quilômetros de Porto Alegre, Maria Thereza se casou com Jango aos 17 anos de idade e foi a primeira-dama mais jovem que o País já teve. Após a morte do marido, na Argentina, em 1976, demorou ainda alguns anos para voltar a viver no Brasil e escolheu o Rio de Janeiro, onde ainda mora, perto dos filhos, netos e bisnetos, para passar o resto de seus dias. Apesar de tudo, se declara feliz.
ISTOÉ – Como a sra. vê o País neste momento, 50 anos depois do golpe militar que derrubou seu marido da Presidência?
Maria Thereza Goulart – Sinto, neste momento, o resgate justo da memória do Jango. Isso é mais importante do que o resgate do meu marido. Não espero que ele seja transformado num Deus, não digo que ele tenha sido perfeito. Mas Jango foi um grande patriota, um presidente que amou o País, sobretudo. Pode ter tido seus defeitos, como todos, mas vai ficar guardado na memória com respeito e dignidade.
ISTOÉ – Como a sra. recorda de seu papel naquele momento?
Maria Thereza – Minha presença ao lado dele foi importante, procurei ser companheira. Nunca fui muito política. Vivemos momentos muito assustadores. Meu marido já tinha previsto o futuro, quando saímos para o exílio. Jango já estava marcado pelo golpe. Mas eu até pensei que voltaríamos. Jango estava preparado, achou que era o momento de ele renunciar. Mas, para mim, foi tudo muito tenso. Acho que a minha pouca idade até ajudou a ter forças para viver aquilo. O golpe de 64 destruiu a minha família. Nós saímos daqui correndo, deixamos nossa vida, tudo nosso para trás. O golpe tirou tudo da gente. A gente passou a viver com sofrimento.
ISTOÉ – A sra. não gosta de falar sobre isso?
Maria Thereza – Sou permanentemente convidada para dar entrevistas, participar de eventos, mas te digo, sinceramente, não gosto, evito. Primeiro porque fico triste. Não gosto de ficar falando das tristezas do passado. Segundo porque pensar em tudo o que poderia ter acontecido de pior ainda me assusta. Ajudei a criar meus oito netos, tenho meus dois filhos amados... A vida foi continuando.
ISTOÉ – Depois do golpe, a sra. sabia que iria para o Uruguai e imaginava que viveria lá por tanto tempo?
Maria Thereza – O desterro foi muito cruel, especialmente para o Jango. Mas eu não sabia, com antecedência, o nosso destino. Quando saímos, com as duas crianças, é que me disseram que eu ia morar no Uruguai. Não sabia de nada até então.
ISTOÉ – Como era a vida no exílio?
Maria Thereza – Era difícil porque estávamos longe de todos os que amávamos, das nossas coisas. Eu sentia medo do que pudesse nos acontecer lá. Jango sofria calado, não era de ficar reclamando, fraquejando. Perdi meu pai e minha mãe no Brasil e não pude chegar perto. Era muita tensão, Jango sabia de tudo o que estava acontecendo no Brasil, dos horrores todos. O medo tornou-se um grande inimigo capaz de me confundir entre o ódio e o perdão.
ISTOÉ – A foto da sra. no palanque do comício na Central do Brasil, no dia 13 de março de 1964, mostra uma mulher extremamente bonita e passa a imagem de força, segurança. A sra. se sentia assim?
Maria Thereza – Essa imagem é, na verdade, de apreensão extrema. A foto não mostra tudo. Eu estava com muito medo. Estava gelada, dura por dentro. Nos disseram que poderiam ser jogadas bombas no palanque, no meio das pessoas. Jango teve uma queda de pressão antes, estava muito tenso. Tínhamos noção do que poderia acontecer ali. Mas ele estava firme, preparado. Disseram para ele não fazer aquele comício, mas não adiantavam os conselhos. Ele estava com ideia fixa, estava realmente preparado para o que pudesse acontecer.
ISTOÉ – A sra. subiu em palanque alguma outra vez na vida, além dessa?
Maria Thereza – Nunca mais. Nem antes eu tinha vivido isso. Só subi em palanque naquele comício da Central.
ISTOÉ – Por marcar meio século do golpe militar, este ano a data de 31 de março será diferente para a sra.? Onde pretende passar o dia e o que pretende fazer?
Maria Thereza – Vou para Porto Alegre com minha filha, Denise. Vamos participar de um evento lá. É difícil para mim, porque me emociono. Mas vou, acho que devo e que estou preparada. E só. O resto, será comigo mesma e minha família.
ISTOÉ – No ano passado teve início a exumação do cadáver de Jango. Qual é a sua expectativa do resultado das análises?
Maria Thereza – Poderá nos ajudar a tirar essa dúvida da cabeça. A gente vai sair desse estado de incerteza, questionamentos, espero – embora ache difícil depois de tantos anos. Fui contra isso durante muito tempo. Não queria porque sabia que seria muito doloroso, como de fato foi. Desabei naquele momento, perto do caixão de Jango de novo. Eu sempre achei que ele tinha morrido de infarto. Mas tantas dúvidas foram sendo levantadas, tanta polêmica... Hoje, acho possível, sim, que tenham envenenado algum dos remédios que ele tomava para o coração. Pode ter havido troca do remédio, sim.
ISTOÉ – A sra. acha importantes esses movimentos em busca de um passado? O que pensa do trabalho da Comissão Nacional da Verdade?
Maria Thereza – Muito importante. As pessoas precisam saber o que aconteceu, que fim tiveram os que desapareceram. Vivemos um momento muito importante. Essas medidas já deveriam ter sido tomadas, mas não foram antes dos governos do Lula e da Dilma. A iniciativa foi deles. Ninguém antes foi capaz de tomar uma atitude dessas. Fiquei arrasada com os depoimentos desse militar (coronel Paulo Malhães) que disse as coisas horríveis que faziam com quem lutava contra o regime. Como uma pessoa ainda tem coragem de contar? Mas é importante a gente saber, sim. Mesmo com todo o sofrimento que provoque, especialmente para os familiares.
ISTOÉ – Quando pensa sobre o passado, o que prevalece nas lembranças?
Maria Thereza – A certeza de que fui casada com um homem maravilhoso, que tive uma vida maravilhosa até acontecer o golpe. Sou a mesma pessoa simples. Minha vida mudou muito, mas eu não mudei. O grande mérito, acho, foi ter entendido que o que aconteceu no passado faz parte do passado. Me acho meio provinciana até hoje. Vou a São Borja, onde nasci. Me reencontro comigo lá.
ISTOÉ – Não pretende contar sua história em livro?
Maria Thereza – Olha, vou contar: comecei um diário quando estava no exílio, que vai virar um livro um dia, quando eu não estiver mais aqui neste mundo. Escrevi muitas partes em espanhol. Falo de tudo o que aconteceu, conto tudo. Pedi à minha família para só publicar quando eu não mais estiver aqui, porque pode ser que algumas pessoas não gostem, não tenho muita coragem de enfrentar isso.
ISTOÉ – Recentemente, tentaram reeditar a Marcha da Família com Deus, a exemplo do ocorrido em 1964. O que achou?
Maria Thereza – Ainda tem gente que tem coragem de fazer isso?! Ainda tem tempo? Me disseram que foi um fiasco horrível. Imagino que tenha sido mesmo.
ISTOÉ – Como foi a convivência com o poder?
Maria Thereza – No início foi muito difícil me adaptar. Mas, como ele era vice-presidente, fui aprendendo e contei com a ajuda de pessoas como a dona Risoleta (mulher de Tancredo Neves, político) e Iara Vargas (política e sobrinha do presidente Getúlio Vargas). Elas me orientavam muito, em tudo. Fizemos, eu e Jango, uma viagem belíssima para os Estados Unidos, a convite de (Richard) Nixon (presidente americano). Foi uma vida de glamour, mas eu sabia que tinha que manter os pés no chão, que não podia me deslumbrar para não me perder no meio daquilo. De certa forma, eu já tinha uma relação com o poder de longe porque minha tia era casada com um irmão de Getúlio (Vargas), frequentava o palácio. Olha, o que posso dizer é que o poder chega e passa.
ISTOÉ – Como foi depois da morte de Jango?
Maria Thereza – Meus dois filhos são meus dois grandes amigos, companheiros. Fui avó cedo, com 37 anos. Meu neto, o Cris (Christopher), é uma grande paixão, e me ajudou muito. Ele é o que mais gosta de política.
 ISTOÉ – Como é a sua vida no Rio?
Maria Thereza – Gosto muito de viver no Rio. Sou andarilha, faço caminhadas na praia, ginástica, estou sempre em movimento. Quase nem assisto televisão. Estou agora na fase do check up anual, me cuido. E estou preparando uma festa para uma afilhada, filha de uma ex-empregada que é amiga, na Baixada Fluminense, onde ela mora. Serei madrinha de batismo e, por isso, estou fazendo um curso preparatório. A festa será lá, onde vou sempre. Aliás, meu médico veio de Cuba e trabalha lá na Baixada: é o João Marcelo (Goulart, neto). É um grande médico, tenho muito orgulho dele e de todos os outros netos também. Minha família é a minha segurança, meu apoio, alegria.
ISTOÉ – A sra. é vaidosa? Já fez plástica?
Maria Thereza – Sim, mas sem exageros. Mantenho os 46 quilos que tinha quando casei. Mas não me privo de comer coisas de que gosto para manter o corpo. Como tudo o que tenho vontade, até sanduíche. Fiz uma plástica, um minilifting. E estou querendo fazer outra.
ISTOÉ – O Jango era um homem bonito e assediado pelas mulheres, não é? Tinha ciúmes?
Maria Thereza – Não tinha ciúmes. Ele sempre disse: nunca vou deixar de voltar para casa. Mas tinha uma vida fora de casa – e, aliás, vou dizer: isso era muito bom, se ficasse muito tempo não ia dar certo. Casamento é assim. Dentro de casa, Jango era um doce de pessoa, adorava os filhos, era uma festa quando ele chegava. Era um pai maravilhoso
ISTOÉ – A sra. ouvia falar que ele tinha casos extraconjugais?
Maria Thereza – Tinha conhecimento, sim. Mas as pessoas falavam mais do que acontecia. Ele tinha alguns casos, todos os políticos tinham, e muitos ainda têm. Mas ele sempre voltava para casa. Jango era perseguido político e na vida íntima. Diziam que ele tinha várias mulheres. Não eram tantas. Ele gostava, não vou dizer que não. Quando ele era solteiro, sabia que tinha algumas em Porto Alegre, mas eu nunca vi. Falavam de uma moça no Uruguai. Nós morávamos em Punta del Este, eu sabia que tinha essa pessoa, mas nunca vi essa criatura que diziam que o acompanhava a lugares. Nossa vida não foi alterada por causa disso. Mas hoje inventam, publicam falsidades, fartam-se com mentiras que vendem. Falar mal de pessoas, especialmente as que não estão mais aqui para se defender, é muito sério. Tenho horror disso. Infelizmente, vão muito além da verdade e criam fantasias.
ISTOÉ – Falavam da sra. também, não é?
Maria Thereza – Sim. Me arrumaram tantos casos aqui no Brasil... Mas quando eu poderia ter algum caso se vivia cercada por seguranças? Nunca aconteceu nada disso.
ISTOÉ – A sra. não quis se casar novamente?
Maria Thereza – Não. Tive uns três relacionamentos mais sérios, mas acabaram não dando certo. Acho que tudo ficou muito marcado na minha vida, não consegui. Namorei um gaúcho bem mais jovem, e também gostei muito de um canadense, de um banco do Canadá. Mas não consegui. Tudo bem. Tenho uma família maravilhosa, amizades verdadeiras, sou feliz. Sou a Tetê de sempre.
ISTOÉ – O Jango também a chamava de Tetê?
Maria Thereza – Não. Ele me apelidou de Teca. Só ele me chamava assim. Tenho uma foto dele, quando ainda era ministro do Trabalho e namorávamos, com a dedicatória: “Para Teca, com carinho, Jango.”
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PETISTAS BOLADOS

Pra melhorar a imagem da presidente Dilma nas redes sociais durante campanha à reeleição deste ano, um batalhão de petistas serão recrutados em abril, em São José dos Campos (SP). Com oficinas, criação de blogs, perfis no Facebook, Twitter e palestras, o treinamento ensinará como defender o governo e o PT nas redes sociais.
Convidado pela turma petista para dar uma palestra em um dos cinco dias que acontece o treinamento para mídias sociais, o criador do fictício e engraçadíssimo  perfil Dilma Bolada, no Facebook, Jeferson Monteiro, cobrou R$ 10 mil reais; os petistas se recusaram a pagar o valor cobrado pelo estudante de publicidade. Enfurecidos, já tacharam o garoto de capitalista.
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A AMAZÔNIA COMO ESPERANÇA E SOLUÇÃO

Por Washington Novaes, O Estado de S.Paulo
As maiores inundações das últimas décadas em Rondônia, principalmente em Porto Velho, por causa do Rio Madeira e das hidrelétricas nele construídas, segundo muitos especialistas; as enchentes no Acre e o bloqueio de rodovias abertas há décadas; a polêmica sobre deficiências no estudo de impacto ambiental no Rio Madeira - tudo isso trouxe a Amazônia de volta ao centro de discussões, em que se envolveu até a presidente da República.
Na questão do Rio Madeira, segundo técnicos, o problema da contribuição das hidrelétricas para as enchentes calamitosas se deve a que seu estudo de impacto ambiental (EIA) não levou em consideração os aumentos dos fluxos de água vertida pelos reservatórios, vindos para o Brasil em decorrência do derretimento de gelos nos Andes - fenômeno observado há décadas pelos cientistas da área do clima. Mas a presidente da República criticou a visão dos técnicos.
O debate logo se ampliou para toda a questão de hidrelétricas na Amazônia, já que estão planejadas também usinas para a bacia do Tapajós e para a área do Rio Teles Pires (igualmente criticadas por técnicos e ambientalistas). Em meio a tudo, voltou à cena parecer do Ibama, de 2007, que sugerira se dobrasse a área alagável prevista nos projetos do Madeira e sugerira um EIA-Rima mais abrangente, incluindo a Bolívia. Também na Amazônia, a Justiça de Rondônia mandou agora rever os estudos do EIA-Rima de outra usina, Belo Monte. A Fundação Nacional do Índio lembrou (Estado, 19/3) que, das 31 condicionantes estabelecidas para essa usina, 22 estão atrasadas ou não saíram do papel - principalmente as que são de responsabilidade do próprio governo.
Polêmicas sobre hidrelétricas na Amazônia são antigas. Basta lembrar a que cercou a construção da Usina de Tucuruí, principalmente para fornecer energia mais barata que a do mercado a empresas fabricantes de alumínio, que vieram até de outros países. Ou a própria polêmica sobre a Usina de Belo Monte, em que a construtora se recusa agora a assinar termos de compromisso para garantir a execução dos projetos de mitigação de impactos para grupos indígenas.
Outra discussão é a dos impactos decorrentes dos fluxos de migrantes gerados por projetos como esses - e outros. Agora mesmo, em Porto Velho, um dos problemas está exatamente na ausência de infraestruturas para receber esses fluxos, centenas de milhares de pessoas (que já se fixaram em Porto Velho). Em Tucuruí também foi assim, como já está sendo em Altamira, por causa de Belo Monte. E já ocorrera em projetos de outras áreas, como o Jari. Ao todo, há 366 projetos hidrelétricos em oito países amazônicos, já planejados (soldepandobolivia, 19/3), em implantação ou em operação.
Usinas não são a única questão na Amazônia. Quem se preocupa em quantificar os efeitos das migrações de centenas de milhares de pessoas para áreas beneficiadas por projetos de incentivos fiscais (isenção de impostos) para indústrias? Que ocorreu em Manaus, por exemplo, onde, por causa da poluição, grande parte da população que migrou tem de consumir apenas água subterrânea, embora a cidade seja cercada por rios do porte do Solimões e do Negro. E em Belém, onde apenas 8% da população dispõe de coleta de esgotos e estes são despejados nos rios.
Mas nada demove os planejadores oficiais. Não anunciou a própria presidente o lançamento de edital para a implantação da Hidrovia Tocantins-Araguaia, que começará pelo derrocamento (remoção de pedras submersas) do Pedral do Lourenço, com a construção de um canal de calado mínimo de 3 metros e largura de 145 a 160 metros no Tocantins (Agência Brasil, 21/3)? Projeto semelhante tem sido defendido para um canal no Rio Araguaia, mais extenso que o Canal do Panamá, para assegurar um leito navegável, já que o rio recebe resíduos de erosões que mudam o leito navegável de lugar de ano para ano (milhões de metros cúbicos anuais, já medidos por hidrólogos da Universidade Federal de Goiás). Nas duas obras, quem pagará? Que fará para remover os resíduos conduzidos pelo rio e os o que forem retirados na implantação? E não é para finalidades como as da hidrovia que se está acabando de implantar a Ferrovia Norte-Sul?
O Brasil precisa de uma estratégia para a Amazônia, que deixe de considerar a floresta ou os povos que a habitam como "obstáculos" ao progresso. A floresta é um dos hábitats da biodiversidade brasileira (pelo menos 15% da planetária), fonte de novos medicamentos, novos alimentos, novos materiais que substituirão os que se esgotarem. E vários estudos mostram que áreas indígenas são o melhor caminho para a conservação dessa biodiversidade, mais eficiente até que parques e áreas de proteção legalizados. A Floresta Amazônica é também essencial para a parte brasileira (12%) da água superficial no planeta - alto privilégio. E para o clima. O mundo continua a perder áreas florestais -15,5 milhões de hectares por ano, segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO, em 21/3). Mesmo aqui, embora tenha diminuído bastante o desmatamento, há lugares (Mato Grosso, principalmente) e períodos em que ele recrudesce.
Também não se pode postergar mais a preparação de projetos competentes para a área do clima. O Ministério do Meio Ambiente tem dito que não consegue aplicar R$ 90 milhões com essa destinação, que poderiam ir para convênios com Estados e municípios, que não os fazem. Os graves problemas do clima que estamos enfrentando podem repetir-se.
Não podemos fazer da Amazônia um problema - ela deve ser uma solução. Nem podemos perder a esperança. Há uns 20 anos o autor destas linhas perguntou a uma jovem nordestina, que carregava um recém-nascido no colo e migrara para a última fronteira da penetração em Rondônia, se ela e o marido tinham esperança de enriquecer ali. E ela, serena, respondeu: "Nós já semo rico de esperança".
Washington Novaes é jornalista.
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SALVADOR, 465 ANOS

Salvador, capital da Bahia, completa hoje 465 anos. Fundada como São Salvador da Bahia de Todos os Santos, foi primeira capital do Brasil. A cidade de Salvador é notável, no Brasil, pela sua gastronomia, música e arquitetura, e sua área metropolitana é a mais rica do nordeste do Brasil. A influência africana em muitos aspectos culturais da cidade a torna o centro da cultura afro-brasileira.
O Centro Histórico de Salvador, iconizado no bairro do Pelourinho, é conhecido pela sua arquitetura colonial portuguesa com monumentos históricos que datam do século XVII até o século XIX, tendo sido declarado como Patrimônio Mundial pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) em 1985.
Situada na microrregião homônima, Salvador possui mais de 2,8 milhões de habitantes, sendo o município mais populoso do Nordeste, o terceiro mais populoso do Brasil e o oitavo mais populoso da América Latina (superado por São Paulo, Cidade do México, Buenos Aires, Lima, Bogotá, Rio de Janeiro e Santiago).
Sua região metropolitana, conhecida como "Grande Salvador", possui 3 884 435 habitantes recenseados em 2012 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o que a torna a área metropolitana mais populosa do Nordeste, sétima do Brasil e uma das 120 maiores do mundo.  Por essas dimensões urbano-populacionais, é classificada pelo estudo do IBGE sobre a rede urbana brasileira como uma metrópole regional.
A primeira sede da administração colonial portuguesa do Brasil, a cidade é uma das mais antigas da América. Era, antigamente, chamada de "Bahia" ou "cidade da Bahia". Também recebeu epítetos como Roma Negra e Meca da Negritude, por ser uma metrópole com uma percentagem grande de negros. De acordo com o antropólogo Vivaldo da Costa Lima, a expressão "Roma Negra" é uma derivação de "Roma Africana", cunhada por Mãe Aninha, fundadora do Ilê Axé Opó Afonjá.  Nos anos 1940, em depoimento à antropóloga cultural Ruth Landes.
Segundo Mãe Aninha, assim como Roma é o centro do catolicismo, Salvador seria o centro do culto aos orixás. Posteriormente, em seu livro Cidade das Mulheres, Landes traduziu a expressão como Negro Africa. Posteriormente, quando o livro foi traduzido para o português, Negro Africa transformou-se Roma Negra.
Centro econômico do estado, Salvador é também porto exportador, centro industrial, administrativo e turístico. Ademais, é sede de importantes empresas regionais, nacionais e internacionais. Foi em Salvador onde surgiu a Odebrecht, que, em 2008, tornou-se o maior conglomerado de empresas do ramo da construção civil e petroquímica da América Latina, com várias unidades de negócios em Salvador, Rio de Janeiro, São Paulo e diversos países do mundo.  
Além de empresas, a cidade sedia também muitos eventos, organizações e instituições, como a Universidade Federal da Bahia (segunda melhor do Norte-Nordeste e a 58ª da América Latina e a brasileira que mais melhorou nos últimos dois anos) e a Escola de Administração do Exército Brasileiro.
Conteúdo: Wikipédia
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CEARÁ, UM VERDADEIRO IRAQUE

Por Roberta Tavares, do jornal Tribuna do Ceará
Invasões, tiros de metralhadora, explosões e pessoas morrendo como moscas. Um cenário de guerra. E de guerra urbana também. O número de homicídios registrados no Ceará nos últimos sete anos e três meses, durante a gestão do governador Cid Gomes (Pros), pode ser comparado ao de militares mortos em combate na última Guerra do Iraque.
O Tribuna do Ceará fez um levantamento e constatou que, de janeiro de 2007 a março de 2014, foram registrados 20.740 homicídios no Estado (sendo 2.860 por ano). A estatística praticamente se iguala ao número de soldados mortos durante os oito anos e nove meses de guerra no Iraque, de todas as nações em combate, com 21.428 (sendo 2.448 por ano).
A Guerra do Iraque iniciou em março de 2003 e foi encerrada em 15 de dezembro de 2011. Durante o período de conflito, foi reportado que 4.805 combatentes da coalizão ocidental foram mortos, incluindo 4.487 americanos, 179 britânicos e 139 militares de pelo menos 22 outros países. Das forças de segurança iraquiana, foram 16.623 mortes.
Enquanto isso, nos últimos sete anos, que coincide com o governo Cid Gomes, o Ceará – ressalte-se: sem guerra – teve 20.740 vidas interrompidas por causa da criminalidade. Conforme dados colhidos no Mapa da Violência e na Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), o número de homicídios (incluindo lesões seguidas de morte e latrocínios) no Estado só aumenta. Enquanto em 2007 foram contabilizados 1.936 crimes de morte, em 2013 o número subiu 130%, com 4.462 homicídios. Nesse último, pode-se dizer que foi registrado um homicídio a cada duas horas.
Para o sociólogo Márcio Renato, como medida de prevenção, o Estado precisa valorizar a vida antes de combater o crime. Caso contrário, o Ceará entrará mais adiante nesse abismo, onde o medo prevalece, e sugere mudanças: “Desmilitarizar a polícia, discutir a descriminalização das drogas e repensar em políticas que batam de frente com a desigualdade social devem ser metas urgentes por parte do Estado”, pontua.
Epidemia
Em Fortaleza, houve crescimento de 18,4% na quantidade de assassinatos, comparando 2012 e 2013. Apenas no ano passado, a capital cearense registrou 2.017 casos, respondendo sozinha por 45,2% do total de mortes violentas no Estado.
A cidade foi considerada a 13ª mais violenta do mundo em 2013. No ano seguinte, já pulou para a 7ª colocação. E os números oficiais da SSPDS comprovam: somente em 2014, a cada dia, 9,8 pessoas são mortas em Fortaleza.
Segundo relatório da ONG mexicana Conselho Cidadão para a Segurança Pública e Justiça Penal, Fortaleza tem uma taxa de 79.42 homicídios a cada 100 mil habitantes, com 2.754 homicídios registrados em 2013. Essa taxa é a 2ª maior do mundo, inferior apenas a Caracas, capital da Venezuela.
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OLHOS FAMINTOS

Charge do Benett
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sexta-feira, 28 de março de 2014

CAUSAS PROFUNDAS

Do site de Marina Silva, artigo publicado na Folha de S.Paulo 
Há duas semanas, na gravação de um diálogo para o programa partidário, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, sintetizou precisamente a situação da Petrobras: em três anos, disse ele, o valor da empresa caiu pela metade e sua dívida aumentou quatro vezes. Nos dias seguintes, vimos a sequência de escândalos que podem explicar como se chegou a essa situação.
A compra desastrosa de Pasadena (EUA), o superfaturamento nas obras da refinaria Abreu e Lima, a suspeita de que funcionários receberam propinas de uma empresa holandesa, a prisão de um ex-diretor acusado de vários crimes financeiros, tudo isso deixa a sociedade brasileira indignada e temerosa de que seja apenas a famosa “pontinha do iceberg”.
A Petrobras, que é importante para o Brasil, precisa ser saneada com a maior rapidez possível e voltar a ficar saudável. Para isso, devemos ter a responsabilidade de não permitir que seja ainda mais prejudicada pelo embate entre posições extremas, ansiosas por resultados eleitorais: de um lado os que se expõem para ganhar, de outro os que se escondem para não perder.
Foi a política imediatista que gerou essa situação. A visão estratégica foi obscurecida pelo escambo eleitoral.
Troca-se pedaços do Estado por apoio político e espasmódico no Congresso, cuidados socioambientais por dividendos na campanha eleitoral, resolução dos problemas de infraestrutura por marketing. Uma pauta oculta aos olhos da sociedade, que já não se surpreende quando fica sabendo do adiamento ou suspensão das obras para a Copa do Mundo, do corte no orçamento da Educação, da possibilidade de racionamento de água e energia, da interrupção brusca nos transportes e outros serviços essenciais. O Brasil vive um apagão sistêmico, a Petrobras é apenas o exemplo mais ruidoso.
Desde a crise financeira internacional de 2008, quem antevia a conjuntura adversa atual já avisava: acima dos “gerentes”, o Brasil precisa que seus líderes tenham um olhar para o futuro, uma compreensão das novas exigências da civilização, uma agenda estratégica de reformas para adequar o país às mudanças do mundo contemporâneo. Infelizmente, nem o que prometeram foi entregue: ficamos sem estratégia e com uma gerência vocacionada para a falência.
O momento atual, com a crise crônica instalada na economia, no Estado e na sociedade, deve nos fazer pensar na necessidade urgente de um realinhamento político –independente de partidos– de todos os que se orientam pelas causas republicanas. Os que vão investigar os recônditos da Petrobras devem estar imbuídos desse cuidado, semelhante ao que se deve tomar ao retirar petróleo em águas profundas.
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PASSA, PASSA, PASADENA

Água era o meu foco. Revisitava o Rio Piracicaba castigado pela seca. No passado fui a algumas reuniões do Comitê de Bacia. Já havia na época uma preocupação com o futuro do rio, tão solicitado: abastece uma região em crescimento e mais 8,8 milhões de pessoas em São Paulo.
Lembrei, à beira do Piracicaba, alguns autores no fim do século passado afirmando que a água seria o petróleo do século 21, com potencial de provocar conflitos e até guerras. Mas ao falar no petróleo como algo do passado constatei que está na ordem do dia. Enterraram uma fortuna em Pasadena, no Texas. Outra Pasadena, na Califórnia, é a cidade cenário da sitecom The Big Bang Theory.
Pois é, nossa Pasadena começou com um singular ponto que se expande de forma vertiginosa. Foi uma espécie de Big Bang na consciência dos que ainda duvidavam que a Petrobrás estivesse indo para o buraco nas mãos dos aliados PT e PMDB. Diante dos fatos, vão-se enrolar de novo na Bandeira Nacional, sobretudo num momento de Copa do Mundo, fulgurante de verde e amarelo.
Os críticos da Petrobrás não são bons brasileiros. Bons são os que se apossaram dela e a fizeram perder R$ 200 bilhões nestes anos e despencar no ranking das grandes empresas do mundo.
O líder do governo, senador Eduardo Braga (PMDB-AM), disse que a perda desse dinheiro faz parte do jogo capitalista de perde e ganha. Se fosse numa empresa privada, dificilmente seus diretores resistiriam no cargo. Em Pasadena enterrou-se dinheiro público. O que deveria ser mais grave em termos políticos.
Pasadena é uma boa versão com sotaque latino para Waterloo. Dilma Rousseff afirma que assinou a compra da refinaria no Texas sem conhecer as cláusulas. Depois disso conheceu. Ela lançou uma nota para explicar o momento em que não sabia. E se esqueceu de explicar todos os anos de silêncio e inação.
Os diretores que teriam omitido as cláusulas que enterram mais de US$ 1 bilhão em Pasadena continuaram no cargo. Até a coisa explodir mesmo. Tenho a impressão de que tentaram sentar-se em cima da refinaria de Pasadena. Sentaram-se numa baioneta, porque não se esconde um negócio desastroso de mais de US$ 1 bilhão.
Os fatos começam a se desdobrar agora que os olhares se voltam para esse refúgio dos nacionalistas, defensores da Pátria enriquecidos.
Uma empresa holandesa cobrou US$ 17 milhões da Petrobrás por serviços que não constavam do contrato. A primeira parcela da compra em Pasadena foi declarada como US$ 360 milhões, mas no documento americano ela foi registrada como uma compra de US$ 420 milhões. Refinarias compradas no Japão têm as mesmas cláusulas do contrato desastroso de Pasadena.
Um amigo de Brasília me disse ao telefone: “Se esse Paulo Roberto Costa, diretor da Petrobrás, abrir a boca, a República vai estremecer”. Conversa de Brasília. Quantas vezes não se falou o mesmo de Marco Valério?! O que pode trazer revelações são os computadores, pen drives e documentos encontrados na casa dele. A Polícia Federal não acreditava que ele iria falar, tanto que o prendeu com o argumento de que estava destruindo provas.
Passa, passa, Pasadena, quero ver passar. A Petrobrás da nossa juventude, dos gritos de “o petróleo é nosso”, se tornou o reduto preferido dos dois grandes partidos que nos governam. O petróleo é deles, do PT e do PMDB. Levaram o slogan ao pé da letra e suas pegadas na maior empresa do País demonstram que devoram até aquilo que dizem amar.
De certa forma, isso já era evidente para mim nas discussões dos contratos do pré-sal. Eles impuseram uma cláusula que obriga a Petrobrás a participar de todos os projetos de exploração. Não deram a chance à empresa de recusar o que não lhe interessava.
Tudo isso é para fortalecer a Petrobrás, isto é, fortalecer-se com ela, com uma base de grandes negócios, influência eleitoral e, de vez em quando, uma presepada nacionalista, tapas imundos de óleo nas costas uns dos outros, garrafas de champanhe quebradas em cascos de navios.
Lá, no Texas, os magnatas do petróleo usavam aqueles chapéus de cowboy. Lá, em Pasadena. Aqui, os nossos magnatas em verde e amarelo estão com poucas opções no momento. Ou reconhecem o tremendo fracasso que é a passagem dos “muy amigos” da Petrobrás pela direção da empresa ou se enrolam na Bandeira e acusam todos de estarem querendo vender a Petrobrás. Diante das eleições e da Copa do Mundo, devem optar por uma alternativa mais carnavalesca.
Mas os fatos ainda não são de todo conhecidos. Deverá haver uma intensa guerra de bastidores para que não o sejam, especialmente os documentos nas mãos da Polícia Federal.
Pasadena. Certos nomes me intrigam. O mensalão não seria o que foi se não houvesse esse nome tão popular inventado por Roberto Jefferson, que no passado apresentava programas populares de TV. Pasadena soa como algo esperto, dessas saidinhas em que você vai e volta em cinco minutos, leve e faceiro. Mas pode ser que Pasadena não passe e fique ressoando por muito tempo, como o mensalão. E se tornar uma saidinha para comprar cigarros, dessas sem volta, para nunca mais.
Criada uma comissão no Congresso Nacional, envolvidos Ministério Público e Polícia Federal, podem sair informações que, somadas às de fontes independentes, deem ao País a clara visão do que é a Petrobrás no período petista. Não tenho esperança de que depois disso todos se convençam de que a Petrobrás foi devastada. Mas será divertido vê-los brigando com os fatos, com as mãos empapadas de óleo.
Diante do Rio Piracicaba meu foco é a água. Na semana passada, vi como na Venezuela o uso político do petróleo deformou o país. No Brasil o alvo da voracidade aliada é a Petrobrás.
E se a água é o petróleo do século 21, daqui a pouco vão descobri-la, quando vierem lavar as mãos nas margens dos nossos rios.
Fernando Gabeira, jornalista, escritor, ex-deputado federal
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PENSÃO NA MIRA

Por Lauro Jardim, da coluna Radar OnlineVeja
O Ministério Público do Rio Grande do Norte ingressou com uma ação civil pública para cassar a pensão vitalícia de dois ex-governadores do Rio Grande do Norte. José Agripino Maia recebe 11 000 reais mensais desde abril de 1994, quando renunciou ao segundo mandato.
O benefício de seu padrinho político, o primo Lavoisier Maia, é ainda mais antigo, desde 16 de março de 1983. (a propósito, Lavoisier nem eleito foi; era governador biônico).
O MP descobriu que o estado sequer tem arquivado documentos do processo administrativo que tenham concedido o benefício.
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TRATE DE SE EXPLICAR !

O Supremo Tribunal de Justiça abriu um inquérito para investigar o deputado Marco Feliciano (PSC-SP). Ele está sendo investigado por preconceito religioso.
Apuração foi pedida pelo procurador-geral da República após denúncias. A Polícia Federal deve ouvir o deputado em 30 dias. Ele disse que profetizava "o sepultamento dos pais de santo" e o "fechamento de terreiros de macumba".
Feliciano presidiu a Comissão dos Direitos Humanos em 2013 e ajudou a aprovar o projeto de cura gay, do deputado protestante, João Campos (PSDB-GO), que mais tarde foi engavetado.
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A JOGADA RURALISTA PARA FATIAR O LATIFÚNDIO

Por Daniela Chiaretti é repórter especial, do Valor Econômico
Só quem passou os últimos anos recluso em um mosteiro tibetano não sabe que no Brasil aconteceu um debate sanguíneo envolvendo quem ama muito a floresta e quem ama muito a produção, embora nenhum dos lados gostasse desta polarização. Depois de muita discussão sobre a importância das matas ciliares (que ladeiam os rios como se fossem cílios e evitam erosão e deslizamentos), e muito Google para decifrar as diferenças entre apicuns e manguezais, o Código Florestal ficou pronto. Passou pela Câmara e Senado, recebeu os vetos presidenciais e virou a Lei n° 12.651. Ninguém ficou contente, mas foi o resultado político possível diante do cipoal de questões técnicas, interesses econômicos, estudos científicos e visões de mundo distintas. Isso foi em maio de 2012. Dois anos depois, as decisões estão sendo implementadas e está todo mundo tocando a vida? Nada. O Cadastro Ambiental Rural, um instrumento que tanto ambientalistas quanto produtores rurais querem que funcione e é considerado a coluna vertebral do Código, não foi lançado até hoje. O atraso trava tudo. É espantoso.
O registro eletrônico que atende pela sigla CAR serve para identificar o proprietário e a área de propriedade rural, mostrar quem tem passivo ambiental e quem está cheio de ativos florestais. O Ministério do Meio Ambiente trabalhou meses neste instrumento. Criou um sistema nacional, o Sicar, que permite a qualquer produtor baixar o aplicativo no computador, preencher as informações sobre o imóvel e seus limites e indicar nas imagens de satélite onde ficam a Reserva Legal e as Áreas de Proteção Permanente. É um processo de declaração de matas (ou da falta delas) muito parecido ao do Imposto de Renda. O arquivo é depois enviado às secretarias estaduais que analisam os dados. Quem desmatou o que não podia terá 20 anos para consertar o estrago. Se em cada palmo da terra há grãos plantados e não há espaço para nenhuma árvore, pode-se compensar a dívida procurando outra propriedade no mesmo Estado e bioma que tenha ativos, e pagar para que as florestas do vizinho sejam mantidas em pé. Tudo lindo, tudo pronto há meses, mas nada funcionando. "O CAR é o eixo condutor do Código. Tudo é baseado em quem fez o cadastro, da liberação de créditos a incentivos econômicos", diz Roberto Smeraldi, diretor de políticas da Amigos da Terra - Amazônia Brasileira. "Sem ele é impossível implementar o resto da lei" continua. Por quê, então, o troço não decola? "É um atraso político", diz o ambientalista.
O mistério veio à tona há alguns dias. O Código Florestal precisa de algumas regulamentações e há dois documentos a serem publicados. Um deles é o decreto sobre o Programa de Regularização Ambiental. Está na Casa Civil há meses. Técnicos do Ministério da Agricultura (MAPA) sugeriram um texto para o ponto que versa sobre a conversão de multas para áreas desmatadas antes de 2008. "Suponha que um produtor rural que, antes de 2008, desmatou uma área em sua propriedade. Podia desmatar, mas não tinha autorização", ilustra João Cruz Reis Filho, chefe da assessoria de gestão estratégica do MAPA. Como se trata de um erro administrativo, a proposta do Ministério é que a multa vire advertência. Para o Ministério do Meio Ambiente (MMA) multa é multa, advertência é outra coisa, e o tal parágrafo, uma maluquice. A ex-ministra da Casa Civil Gleisi Hoffmann deixou o abacaxi como legado para seu sucessor, Aloizio Mercadante, descascar.
Há uma segunda investida, mais controversa, e que pode jogar areia em tudo. Deputados mais radicais da base ruralista insistem que o CAR seja feito por matrícula e não por imóvel rural. O argumento da área jurídica do MAPA, que encampou a ideia, é que o dono de um imóvel rural pode ter anexos com matrículas e históricos de ocupação diferentes - um pedaço, por exemplo, pode ter sido comprado em épocas em que o Código Florestal nem existia.
A sugestão arrepia os ambientalistas: trata-se de uma manobra dos grandes proprietários para burlar a legislação e não recuperarem o que desmataram. É que o Código Florestal concedeu benefícios aos pequenos proprietários, com terras até quatro módulos fiscais. Se eles desmataram parte de sua Reserva Legal até 2008, não precisam recuperá-la, por exemplo. Mas isso não vale para as imensas propriedades no Cerrado, onde árvores são artigo raro. Se prevalecer a pressão ruralista, temem os outros, as propriedades serão fatiadas, as matas não serão repostas e os latifúndios irão desaparecer do mapa brasileiro por passe de mágica.
Um detalhe: há 5,4 milhões de imóveis rurais no Brasil. O número de matrículas rurais vai a mais de 70 milhões. Não há CAR que dê conta disso. A pressão de alguns deputados do PMDB pelo registro por matrícula está dividindo o agronegócio. Dentro de entidades como a Confederação Nacional da Agricultura ou a Abiove, da soja, tem gente que não concorda com esta abordagem.
E é assim que os meses passam e o decreto presidencial não sai e nem a instrução normativa do Ministério do Meio Ambiente, que está pronta há meses e explicará como o CAR irá funcionar. Estes dois imbroglios paralisaram o sistema há meses. A Casa Civil diz que o decreto está na iminência de sair - discurso que repete desde outubro de 2013. Dois anos depois do Código Florestal ter sido aprovado, os produtores rurais estão no mesmo quadro de insegurança jurídica de antes.
O arcabouço técnico para que o CAR funcione está pronto há meses. O MMA comprou imagens de satélite do país todo e criou um site federal (www.car.gov.br). Se o sujeito tem uma propriedade rural no Ceará, faz o download e segue as instruções. Se a terra estiver no Espírito Santo ou outro Estado que optou por ter seu sistema próprio, o Sicar o remete ao site estadual. Se o produtor vive em local remoto sem acesso à internet, é só preencher tudo offline e encaminhar para a federação da agricultura local. Funcionários foram treinados nas secretarias estaduais, organizações não governamentais foram capacitadas para ajudar, o Ministério da Agricultura produziu uma bela cartilha. E pensar que o CAR é apenas a primeira parte de um esforço de recuperação de áreas degradadas. O atraso federal faz do início deste processo um enorme vexame.
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CARTEL DE TRENS

Por Fausto Macedo, O Estado de S.Paulo
O Ministério Público do Estado de São Paulo e a Siemens assinaram nesta quinta-feira, 27, acordo de cooperação – Termo de Ajustamento de Conduta – por meio do qual a multinacional se compromete a repassar aos promotores que investigam o cartel do sistema metroferroviário todos os documentos preservados em seus arquivos, inclusive da matriz na Alemanha, “notadamente cópia de contratos de consultoria (business agreement consultancies) e respectivos comprovantes de transferência ou pagamentos bancários” .
Os contratos de consultoria são o principal alvo da promotoria porque podem revelar os destinatários de recursos ilícitos, inclusive agentes públicos brasileiros. O pacto, com validade de 90 dias, deverá acelerar os trabalhos da Promotoria do Patrimônio Público e Social – braço do Ministério Público que investiga corrupção.
A promotoria pediu, em caráter oficial, cooperação do Ministério Público da Alemanha. A colaboração, no entanto, é cercada de atos burocráticos que, muitas vezes, fazem arrastar por longos anos as demandas entre países.
O acordo é subscrito por 7 promotores de Justiça do Ministério Público paulista e, pela Siemens, seu presidente no Brasil, Paulo Roberto Stark, o vice jurídico, Fábio Luciano Gomes Selhorst e o advogado Domingos Fernando Refinetti;
O Termo de Ajustamento de Conduta é diferente do acordo de leniência firmado pela Siemens com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) em maio de 2013, pelo qual a empresa repassou ao órgão antitruste do governo brasileiro documentação relativa aos contratos firmados em São Paulo e no Distrito Federal e arquivos com correspondências pessoais de seis executivos seus.
Em troca da cooperação em nível internacional, a Siemens se livra de eventual ação judicial. O acordo diz que “em razão da colaboração prestada não é necessária, neste momento, a propositura pelo Ministério Público de ações cautelares ou ações civis públicas, ou outras medidas constritivas de bens e direitos em face da Siemens.”
O Ministério Público de São Paulo conduz pelo menos 45 inquéritos civis para investigar o cartel do qual a Siemens e outras multinacionais participaram no âmbito do Metrô e da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM).
Esses inquéritos poderão se transformar am ações civis contra a Siemens. Mas o acordo prevê que a promotoria e a empresa “verificarão a possibilidade de assinatura de termos de ajustamento de conduta visando à resolução definitiva dos inquéritos civis”.
A Siemens também se compromete a apresentar. em prazos não inferiores a 15 dias, as testemunhas residentes no país ou no exterior “que poderão ser ouvidas e que possam prestar auxílio nas investigações”. O acordo terá de ser homologado pelo Conselho Superior do Ministério Público, colegiado presidido pelo procurador geral de Justiça.
Eventual “descumprimento injustificado” das solicitações ou requisições do Ministério Público poderá acarretar a possibilidade da propositura das ações e medidas cautelares ou ações civis cabíveis “não sem que antes seja dada ampla oportunidade para que a Siemens, por meio de seus advogados, apontem e fundamentem as razões e motivos de eventual impossibilidade no cumprimento de tais requisições ou solicitações”.
ABAIXO A NOTA DA SIEMENS SOBRE O ACORDO:
“O acordo reconhece a postura colaborativa da Siemens e define a estrutura de cooperação. A iniciativa irá auxiliar e apoiar as investigações, e é mais um importante passo concreto para resolver a questão. “Estamos fazendo tudo que é possível para esclarecer os fatos e encerrar este capítulo embaraçoso do passado. A Siemens está comprometida com a luta por um ambiente de negócios limpos e está empenhada em combater ativamente as más práticas”, disse Paulo Stark, CEO da Siemens do Brasil.
Em linha com as suas regras internas de compliance, a Siemens relatou descobertas sobre uma possível conduta anticompetitiva no setor metroferroviário para o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) e ao Ministério Público Estadual e Federal, em 2013. A autodenúncia voluntária foi o resultado de uma investigação interna, detalhada e minuciosa que foi conduzida na Siemens, no âmbito do programa de compliance da companhia, e deu origem a uma série de investigações públicas ao longo dos últimos meses. A empresa tem colaborado ativamente com o Ministério Público de São Paulo e outros órgãos.
Compliance é uma parte permanente e integral dos processos de negócios da empresa. As Diretrizes de Conduta Profissional da Siemens oferecem o enquadramento ético e jurídico em que a companhia conduz suas atividades comerciais. O sistema de compliance visa assegurar que todas as práticas de negócios da Siemens em todo o mundo permaneçam neste enquadramento, bem como em conformidade com as leis aplicáveis. Para servir a esse propósito, o sistema de compliance inclui três pilares: prevenir, detectar e responder. A Siemens trabalha continuamente no fortalecimento do compliance e no combate à corrupção e outros delitos graves, juntamente com parceiros de mercado e organizações não governamentais”
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quinta-feira, 27 de março de 2014

RECADASTRAMENTO BIOMÉTRICO

Charge de Izânio Façanha, via site da TV Cidade Verde
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DE LEÃO FEROZ À GATO PACATO

O que fez Eduardo Cunha (PMDB-RJ), líder de seu partido na Câmara mudar de posicionamento sobre o Marco Civil da Internet?  Líder dos partidos rebelados, o “blocão” que provocou desconforto ao governo nos últimos meses com duas derrotas na Câmara, Cunha votou favorável a lei do Marco Civil na Internet.
A desculpa do deputado foi que, mudou de posição em função das alterações feitas pelo deputado Alessandro Molon (PT-RJ), relator da matéria.  Pura balela! Eduardo Cunha passou de leão feroz à gato pacato por fisiologismo, esse grande mal que assola às instituições.
O ‘amansa leão’ que o governo deu em Cunha foi garantir que ele será o novo presidente da Câmara. E a dose foi pra leão nenhum botar defeito; o remanejamento que acontecerá de Ideli Salvatti – desafeto de Eduardo Cunha – da Secretaria de Relações Instituições por Ricardo Berzoini atende ao líder do “blocão”.
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HORA DA VERDADE...

O coronel Paulo Malhães, que recentemente havia assumido tersido o responsável por desaparecer com o corpo de Rubens Paiva, afirmou nesta terça-feira (25) que tinha "verdadeiro pavor de interrogar mulheres e gays", em referência à sua atuação na Casa da Morte de Petrópolis, um dos centros clandestinos de tortura do regime militar, na serra fluminense.
A resposta foi dada no momento em que os representantes da Comissão Nacional da Verdade, em audiência pública realizada nesta tarde, no Rio de Janeiro, perguntaram se ele conhecia a militante da VPR (Vanguarda Popular Revolucionária) Heleny Ferreira Telles Guariba, desaparecida desde 1971.
"Quantas pessoas o senhor matou?", quis saber o ex-ministro José Carlos Dias. "Tantas quanto foram necessárias", respondeu o coronel. "Arrepende-se de alguma morte?" "Não." "Quantos torturou?" "Difícil dizer, mas foram muitos", devolveu.
Malhães disse ainda que, no começo do período da ditadura, chegou a torturar presos políticos, mas teria deixado de utilizar métodos violentos após "sofrer uma evolução". "Meus interrogatórios eram uma conversa normal. Havia, sim, tortura psicológica. É aquela que você não agride ninguém", declarou.
Malhães declarou que, na Casa de Petrópolis, matou "pouca gente", mas não quantificou o número de óbitos,  apesar da insistência dos membros da CNV. "Eu não tinha outra solução. Qual seria a outra solução? Me dê uma!", exclamou. "Me dê uma chance!"

Conteúdo do UOL
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quarta-feira, 26 de março de 2014

PRESUNÇÃO DE CULPA

Por Dora Kramer, colunista do jornal O Estado de S.Paulo
Na tentativa de afrouxar o nó em que se enroscou ao dizer que, quando ministra da Casa Civil, aprovara um negócio milionário na Petrobrás com base em relatório incompleto, a presidente Dilma Rousseff complica a cada dia a narrativa do Palácio do Planalto.
É a tal história dos equívocos em série cometidos para tentar corrigir o erro de origem. A explicação dada por Dilma na semana passada se contrapôs à versão oferecida anteriormente pela presidente e pelo ex-presidente da Petrobrás para a compra da refinaria de Pasadena. Os dois disseram que o negócio foi feito porque na época pareceu bom.
Depois, a presidente resolveu pedir o afastamento de Nestor Cerveró da diretoria da BR Distribuidora. Não ficou claro o motivo. Ele foi o responsável pelo aludido relatório, cujas falhas a presidente disse ter tomado conhecimento em 2008. Levou seis anos para ser punido antes de ter sido promovido.
Ainda assim, fica a dúvida: foi demitido por que, se o negócio era bom segundo Graça Foster, Sérgio Gabrielli e vários integrantes do Conselho de Administração que aprovaram a compra e já se pronunciaram? Ficou parecendo que o Palácio do Planalto precisava arrumar um culpado e uma demissão para dar verossimilhança à sua versão.
Agora, a fim de evitar a criação de uma CPI para investigar a Petrobrás e desestimular a convocação de Graça, Gabrielli, Cerveró e mais o ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa, acusado e preso por suspeita de corrupção, o governo tenta criar uma atmosfera de intimidação geral disseminando versões segundo as quais congressistas teriam muito a perder se insistirem em mexer nesse vespeiro.
A manobra obedece à dinâmica de sempre: circulam histórias de que alguém ouviu dos ex-diretores que estão prestes a explodir ao molde de homens-bomba, dispostos a contar o que sabem e, com isso, envolver e constranger boa parte da República. Será verdade?
Em relação a Paulo Roberto Costa não há como conferir, pois ele está em poder da Polícia Federal. Corre na capital que seu poder e trânsito eram "gigantes" entre parlamentares de partidos governistas. Um tanto vago, mas o suficiente para amedrontar quem tem a temer.
Quanto a Nestor Cerveró, sua volta ao Brasil (está em férias na Europa) é aguardada para a semana que vem. Segundo um amigo parlamentar que conversou com ele, está absolutamente tranquilo, não dá o menor sinal de que pretenda explodir. Afastado da diretoria da BR, continua funcionário de carreira da Petrobrás e nessa condição voltará, conversará na empresa para tomar pé da situação e, se convocado pelo Congresso, irá prestar esclarecimentos.
Para repetir o que já disseram Sérgio Gabrielli e Graça Foster: que a compra da refinaria foi baseada em estudos técnicos bem fundamentados. Ou seja, vai desmentir a presidente da República, já devidamente desmentida pelo silêncio da atual e pelo pronunciamento do ex-presidente da Petrobrás.
A tentativa de impedir a criação da CPI pela via da intimidação não parece ser a estratégia mais inteligente para ninguém. Joga tanto o Legislativo quanto o Executivo na vala comum da suspeição geral. Parte do pressuposto de que todos são culpados até prova em contrário.
O governo, porque usa desse instrumento de chantagem para impedir a abertura de uma investigação no Parlamento. E o Congresso, pela ideia de que esse tipo de ameaça seja eficaz mesmo quando dirigida a deputados e senadores da oposição.
Pode dar certo, mas pode dar muito errado. Vai depender da disposição do Legislativo de aceitar ou não a regra do jogo em que é posto, a princípio, na condição de devedor com a faca no pescoço e convidado a compartilhar da lei da Omertá.
O governo tem maioria para impedir a CPI, com suavidade. Mas, pode acabar em minoria se insistir em atuar com brutalidade.
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DITADURA CAPILAR

Até o início desse mês, os cidadãos da Coreia do Norte podiam cortar os seus cabelos de acordo com um dos 28 cortes (sendo 18 para as mulheres e 10 para homens) definidos e aprovados pelo governo. Se o fato já soa estranho, agora, o governo coreano limitou ainda mais as opções dos homens, especialmente os estudantes. Segundo a BBC, todos os universitários coreanos serão obrigados a cortar os cabelos no mesmo ‘estilo’ e corte do líder do país, Kim Jong-Un.
A rede de notícias informou que as autoridades do país instituíram a regra há duas semanas, mas só agora a notícia saiu da Coreia.  Além de restringir os cortes, os coreanos parecem não ter gostado nada da única opção que lhes restou. Segundo a BBC – citando um jornal coreano – um cidadão que vivia na capital do país, Pyongyang, e agora mora na China, afirmou que o corte de cabelo de Kim Jong-Un é impopular por aparentemente lembrar o “estilo dos contrabandistas chineses”. De acordo com a BBC, não há a confirmação de que a medida seria estendida a todos os homens da Coreia do Norte.
Mulheres
As mulheres ainda estão ‘permitidas’ a escolherem um dos 18 cortes que o governo definiu como ‘liberados’.  Segundo o portal de notícias Want China Times, no ano passado, o governo norte-coreano recomendou 28 cortes de cabelo que seus cidadãos poderiam adotar – na época, as autoridades afirmaram que esse cortes eram ‘mais confortáveis’ e que ‘afastavam os cidadãos dos perigos corruptores do capitalismo’. As regras para escolher o corte também variavam de acordo com a idade e status de relacionamento da pessoa. Fotos dos cortes liberados foram espalhados em cabelereiros. Nenhum dos cortes recomendados ultrapassa o ombro (para as mulheres) e as orelhas  (para os homens). Segundo o Want China Times, cortes mais simples e retos são recomendados a mulheres solteiras – para que seja fácil diferenciá-las das casadas.
Atualização: às 16h15, a matéria foi atualizada com a informação de que a exigência de cortes de cabelos vale inicialmente para universitários homens. Anteriormente, as informações eram de que a medida era válida a todos os norte-coreanos
Conteúdo da Época Negócios
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terça-feira, 25 de março de 2014

...E NA PROXIMIDADE DOS 50 ANOS DO GOLPE...

Por Caio Rocha, professor de História, via Facebook
Sou avesso à militarismos, por motivos econômicos e convicção liberal no que se refere à política, embora concorde com alguns princípios que a vida em caserna abraça, como a noção de ORDEM, que é essencialmente necessária para o progresso material, social e filosófico-científico de qualquer povo.
A meu ver, este conceito não deve se originar ou se cristalizar socialmente em regimes centralizadores e disciplinadores que violam sistematicamente as liberdades individuais, como o que existiu entre 1964 à 1985. Cabe à própria sociedade democrática se esforçar por civilizar-se, dando subsídios para que o sistema educacional eleve o grau de instrução de seu povo, tornando-o mais culto, ordeiro e fazendo triunfar seu estandarte nos mais distantes rincões do planeta, guardando na natureza de cada indivíduo a rejeição à demagogia, ao fisiologismo, à violência e falta de isonomia institucional.
Vejo nas reedições das Marchas da Família com Deus pela Liberdade no Brasil de 2014 muito saudosismo em relação ao Brasil de 1964, em virtude do aumento dos casos de violência e da escancarada corrupção noticiada na imprensa. Creio eu ser por desconhecimento histórico, uma vez que clamam para que "salvem nossa democracia" justamente às pessoas avessas a ela, pois sabemos que os militares, uma vez no poder, usariam de todos os subterfúgios para permanecerem com poder de mando.
Olhemos para o passado: Não vemos democracia em Deodoro, Floriano Peixoto e Hermes da Fonseca. Nem em Getúlio, que subiu ao poder com ajuda dos militares e era também militar, nem em Castelo Branco, Costa e Silva, Geisel, Médici ou Figueiredo. Talvez o mais democrático militar a se tornar presidente tenha sido Eurico Gaspar Dutra, já que desmontou o Estado Novo varguista com a Carta de 1946, mas o mesmo teve os seus momentos de rigidez, a partir do auge da Guerra Fria.
O presidente João Goulart era um político populista e incompetente que adotou medidas econômicas impopulares. Deveria ter concluído o seu mandato e não ser mais eleito como mandatário. E em caso de denúncias de corrupção, ser afastado pelo Congresso Nacional, assim como se procedera com Fernando Collor, sem atuação do exército. Da mesma forma, não se pode usar a insegurança na atualidade como argumento a se justificar uma intervenção das forças armadas para se afastar uma governante constituída e democraticamente eleita, por mais que discordemos infinitamente da maneira como administra a nação.
A ditadura brasileira só serviu para criar mártires e "santos" de guerrilha que usaram de seus martírios como instrumento para se conseguir votos e projeção política na "nova" democracia. A melhor forma de se combater o comunismo, o fascismo e idéias estatizantes é o sacramento da individualidade em uma economia onde o mercado ofereça oportunidades de ascensão social por meio da geração de empregos, o que influi positivamente na melhoria do padrão de vida e a necessidade de maior instrução, criando sentimento de prosperidade que se traduz em uma alteração dos valores sacramentados na mentalidade coletiva, sendo menos fatalista e pró-cientificista/racional, onde cada um torna-se protagonista de sua própria história e passa a rejeitar tudo aquilo que lhe impeça de atingir o sucesso. Em matéria de economia, o regime militar distanciou-se do liberalismo e de certa forma inibiu o desenvolvimento dos agentes econômicos privados.
Os tempos de hoje são outros e os políticos são uma ameaça à democracia e à ordem, uma vez que insistem em cometer certos erros do passado, em vez de aprender com eles. Da insatisfação social deveria nascer um espírito reformador das instituições políticas, econômicas e jurídicas nacionais. Os protestos que acontecem desde junho de 2013 ainda produziram poucos efeitos práticos.
Somente com o respeito às liberdades individuais e à igualdade de tratamento do Estado faz nascer uma concepção pacifista de mundo, moldado por limites entre o direito individual e o direito de outros. Há uma relutância à mudanças, dado o grau de parasitismo em que se desgraçadamente se encontram. Não se pode negar o senso geral de ilegalidade nas relações interpessoais e isso é perigoso para qualquer democracia. As penas deveriam ser endurecidas e os privilégios que o Estado concede à uma casta que orbita em torno do serviço público serem cortados.
"Res publica" no Brasil não é e nunca foi coisa do povo. E com militares no poder, menos ainda.
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segunda-feira, 24 de março de 2014

O MUNDO DÁ VOLTAS

Se a paixão tem memória como diz o título de uma canção interpretada por Alcione, o mesmo não se aplica a política petista e peemedebista. Dono de uma verborragia de causar inveja  incautos, o ex-tudo Ciro Gomes foi convidado pelo ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, o ‘Irrevogável’  – ele mesmo, o mandante do dossiê dos ‘aloprados’ em 2006 – para coordenar a campanha à reeleição da presidente Dilma no nordeste.
Talvez alguém defenda a indicação do ex-ministro como boa opção, com justificativa rala que a política é dinâmica, que Ciro não faz política olhando pelo retrovisor. O PT padece de amnésia aguda, está acometido desde 2002. A carreira política de Ciro Gomes e sua família foi construída no fisiologismo rasteiro. Quem é poder, pode contar com apoio irrestrito dos Ferreira Gomes.
Quando o PT não estava no poder, veja o que dizia Ciro Gomes: “Os políticos do PT são uns mijões nas calças, uns frouxos”. Fez as pazes com PT, foi nomeado no governo Lula, ministro da Integração Nacional e por lá ficou sem fazer nada por muito tempo.
“Porque a Suíça não tem presidente da República. (...) É só um aviso aí para esses petistas furibundos. Tem que fazer perguntas com pouco mais de cuidado pra largar de ser burro”.  O arauto do conhecimento estava errado, a Suíça tem presidente.
Esse convite caiu como uma luva para o ex-deputado, põe fim no ostracismo político que viveu nos últimos quatro anos, difícil vai ser segurar a língua de trapo que tem, nem Dilma escapou. Há poucos meses, numa emissora de rádio cearense, Ciro disse: “Dilma é arrogante e inexperiente. Ela está pilotando uma aliança assentada na “putaria”, na roubalheira e no clientelismo”.
Ciro também tem centrado fogo no PMDB, que tem como vice-presidente da República, Michel Temer, que deve continuar como vice de Dilma na aliança para reeleição presidencial, a qual tem o ex-tudo Ciro Gomes como coordenador de campanha no nordeste.  
Em 2001, ele disse: “Não quero o apoio do PMDB, que é dominado por um grupo de reconhecidos corruptos”. Em 2010, após ser escanteado pelo PSB, Ciro usou artilharia pesada contra o PMDB, classificou a sigla como “ajuntamento de assaltantes”. Ciro ainda não disse se aceita o convite.
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