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terça-feira, 31 de dezembro de 2013

OS PERDULÁRIOS

O que o prefeito de Fortaleza (CE), Roberto Cláudio (Pros) e o prefeito de Jaboatão dos Guararapes (PE), Elias Gomes (PSDB) têm em comum? Ambos são perdulários! Quando o assunto é réveillon, eles gastam o que não tem em caixa.
Para o réveillon de Jaboatão dos Guararapes, saiu dos cofres do município o valor de R$ 345 mil para contratar o show de uma hora e poucos minutos da insossa cantora Cláudia Leitte, que se apresentará na virada do ano.
O primeiro réveillon da administração de Roberto Cláudio é dispendioso e falta transparência nos gastos, até agora não houve uma informação concreta de quanto vai custar o réveillon em Gotham City. É previsível que a conta seja salgada, a ver pelo leque grande de artistas contratados.
Há especulações que o valor com os cachês se aproxima da cifra de R$ 5 milhões. O leque de artistas é grande, mas os cachês com valor maior devem ser pagos a Paula Fernandes, Gustavo Lima e Paralamas do Sucesso.
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segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

VERDES EM LEILÃO

Por Otávio Cabral, da coluna Holofote, Veja
O presidente do Partido Verde, José Luiz Penna, tem encontros marcados até o fim de janeiro com os presidentes do PT, do PSDB e do PSB. Embora afirme em público que o PV terá candidato próprio a presidente, ele quer saber o que os presidenciáveis estão dispostos a oferecer por seu apoio.
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SOBRAL - O HOMEM QUE NÃO TINHA PREÇO

O documentário Sobral – O homem que não tinha preço sobre o jurista Heráclito Fontoura Sobral Pinto (1893-1991) é um dos melhores da safra de 2013. Sobral ganhou destaque ao lutar contra as injustiças e defender a democracia mesmo em um dos períodos mais obscuros de nossa história, a ditadura militar.
Este documentário é um dos melhores que vi nos últimos dois anos e traz uma série de depoimentos e imagens de arquivo que mostram a trajetória do advogado e ressaltam a importância de seu trabalho na defesa da justiça e dos direitos humanos.
Sobral Pinto foi sempre um defensor da democracia. Em 1999, teve acesso a arquivos secretos de áudio do Superior Tribunal Militar que registram defesa dos presos políticos na ditadura do pós-64, nessa época, ele ainda era um jovem advogado. No entanto, a voz que mais se escuta nas gravações é a do próprio jurista.
Com a descoberta desses arquivos, o filme faz um relato da trajetória de Sobral Pinto, que sempre foi um homem de coragem e de ética. Ele colocava a justiça acima de qualquer ideologia e enfrentou os ditadores brasileiros. Por isso, é considerado um dos maiores defensores dos direitos humanos do Brasil.
 Sobral – O homem que não tinha preço é um documentário evidentemente pessoal, não só por ser dirigido por Paula Fiuza — neta do jurista Sobral Pinto (1893-1991) — como pela narração, a cargo da própria cineasta logo nos primeiros minutos de projeção.
A intenção é justa: valorizar a trajetória do avô, que, entre seus feitos lendários, salvou Anita Leocádia, filha de Luiz Carlos Prestes e Olga Benário, das garras do nazismo. A falta de distanciamento, porém, talvez tenha levado a uma certa idealização...
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domingo, 29 de dezembro de 2013

A PARANOIA DOS ALGOZES

Por Marsílea Gombata, da Carta Capital
Uma leva de documentos inéditos do Serviço Nacional de Informações (SNI) detalha o período em que a ditadura brasileira, acuada pela campanha internacional contra a tortura e as prisões de opositores, monitorou jornalistas e a direção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). A instituição, mostram os papéis de 1976, era considerada pelo regime uma entidade subversiva e a serviço do Movimento Comunista Internacional, cujo objetivo seria a “agitação e a desmoralização dos “órgãos de segurança do País no exterior”.
“Esta má fé, caracteriza a posição do seu presidente, Caio Mário da Silva Pereira, elemento esquerdista e anti-revolucionário, bem como do seu vice-presidente Heleno Fragoso, militante comunista e notório defensor de presos subversivos, inclusive, do recém expulso Padre François Jentel, como bem mostram os prontuários respectivos (Anexo U)”, revela o informe redigido em português pedestre obtido por CartaCapital. “A representação da OAB, encaminhando a denúncia dos subversivos presos, é mais uma tática do MCI para desmoralizar e intimidar os órgãos de segurança, visando à sua neutralização atual e extinção futura.”
Durante a gestão de Caio Mário da Silva Pereira, lembra o atual presidente do conselho federal da OAB, Marcus Vinicius Furtado Coêlho, houve deliberadas tentativas de vincular a Ordem ao Poder Executivo, “especialmente quando os militares tentaram transformá-la em uma espécie de departamento do Ministério do Trabalho”. “Foi uma reação ao então presidente, visto até hoje como símbolo de resistência à tentativa de ceifar a independência da OAB”, explica, antes de ressaltar que Pereira e seu sucessor, Raymundo Faoro, eram defensores dos direitos humanos, mas não necessariamente de esquerda. “Se olharmos a literatura do Dr. Caio, vemos que não se tratava de um comunista. Ele prezava pelos direitos civis, mas também pela propriedade privada. Faoro tampouco era comunista. Mas em ambas as gestões, na tentativa de restabelecer a dignidade da pessoa humana, a Ordem buscou revelar o que ocorria nos porões da ditadura.”
O regime linha-dura de Ernesto Geisel também demonstrava uma crescente preocupação com jornalistas e outros profissionais liberais, cujas ações eram monitoradas. Em 13 de março de 1976, uma lista com 127 nomes foi enviada ao comando do I Exército, juntamente com a documentação relativa aos “elementos de interesse daquele grande comando”. Nomes como Mino Carta, Milton Coelho da Graça, Millôr Fernandes, Ziraldo Alves Pinto, Walmor Chagas, Ancelmo Rezende Gois e Nelson Werneck Sodré compõem a lista. Até um aliado da ditadura, o empresário Roberto Marinho, não escapou.
O mesmo documento de março de 1976 registra ainda um episódio que revela a proximidade do dono da Rede Globo com a alta cúpula do regime. “Roberto Marinho, que inicialmente se mostrou incrédulo, no que se refere à infiltração comunista no ‘‘complexo – O Globo’’, manifestou ao CMT do I EX a intenção de demitir 17 (dezessete) jornalistas. Tais elementos foram denunciados, pessoalmente, pelo = CMT do I EX, a Roberto Marinho, como sendo elementos do PCB.” Ainda segundo o despacho, as demissões não teriam ocorrido à época a pedido do próprio comandante do I Exército: “(...) o CMT do I EX aconselhou a Roberto Marinho a não despedir os jornalistas, a fim de aguardar os trabalhos de ação psicológica, com o propósito de desmoralizá-los”.
Preso em 1964 e 1975 e integrante do grupo de “elementos” monitorados, Milton Coelho da Graça foi chamado pelo próprio Marinho, em 1976, quando deixou o cárcere, para comandar revistas do grupo, entre elas História do Rock, Vela e Motor e Arte Hoje. Embora não se lembre de demissões por motivos políticos na editora, no jornal ou mesmo na TV Globo, ele se recorda de “O Globo estar cheio de agentes responsáveis por passar informações à polícia e ao serviço secreto”.
Apesar da célebre frase “Dos meus comunistas cuido eu”, dita por Marinho em 1964 ao general Juracy Magalhães, ministro da Justiça do marechal Castello Branco, Coelho da Graça cita uma lista entregue por Magalhães a diretores de veículos com nomes de jornalistas proibidos de trabalhar na imprensa, especialmente como redatores responsáveis por finalizar o texto. “Eles achavam que quem controlava o que saía publicado eram os copydesks”, relembra.
À época, a pressão contra o regime de Geisel ocorria em duas frentes. Enquanto, no plano interno, os ditadores eram pressionados por denúncias de tortura e mortes em instalações militares, como escancarado em um extenso documento elaborado por presos políticos apelidado de “Bagulhão”, no plano externo, diversas entidades na Europa e nos Estados Unidos condenavam a tortura.
O mesmo documento que cita a OAB como parte do MCI define a entidade como uma das responsáveis por engrossar o coro da “‘campanha da Tortura’ no Brasil, da qual faz parte a denúncia dos subversivos e representação da OAB”. “Com apoio de D. Hélder Câmara, essa campanha alcançou repercussão no exterior, onde passou a ser patrocinada pelo Amnesty International, entidade que assumiu a liderança dessas difamações, visando ao descrédito do nosso País.” O relatório cita também o Livre Noir –Terreur et Torture au Brésil, editado em novembro de 1969 na França, o italiano Livro Bianco – Tortura in Brasil, que data de 1970, além das denúncias de tortura publicadas no Tricontinental, da Ospaaal (Organização de Solidariedade aos Povos da Ásia, África e América Latina), e na revista equatoriana Polemica.
Líder ecumênico metodista e coordenador do grupo de trabalho da Comissão Nacional da Verdade que investiga o papel das igrejas na ditadura, Anivaldo Padilha lembra que a campanha internacional acuou os militares. “Não apenas denunciávamos a tortura, mas expúnhamos a falácia do milagre econômico e demonstrávamos que a tortura era parte de um política de Estado organizada como instrumento sistemático de interrogatório e meio de aterrorizar a população”, conta o ex-coordenador da campanha nos EUA. Apesar de a Anistia Internacional ter se unido ao grupo em 1976, os esforços começaram anos antes, por intermédio de dom Hélder Câmara, arcebispo emérito de Olinda e Recife, que buscava denunciar a repressão no Brasil. Soma-se a isso o discurso do ex-presidente norte-americano Jimmy Carter contra as ditaduras na América Latina, ainda durante a corrida à Casa Branca, em 1976.
O relatório elaborado pelos presos e encaminhado pela OAB ao ministro Golbery do Couto e Silva, em 26 de novembro de 1975, cita não apenas métodos de tortura, mas nomes de agentes torturadores. Nele, 35 ex-presos políticos, entre eles o ex-deputado federal José Genoino e o ex-secretário de Direitos Humanos Paulo Vannuchi, relatam torturas a que foram submetidos, assim como prisões de advogados. O texto descreve métodos e instrumentos de tortura, como a “cadeira do dragão” (cadeira elétrica na qual a pessoa senta nu, com os pulsos amarrados aos braços da cadeira, e as pernas presas por uma trava), afogamento, “telefone” (aplicação de pancada com as mãos em concha nos dois ouvidos ao mesmo tempo), “soro da verdade” (uso de pentotal sódico ou barbiturato para produzir efeito de depressão gradativa dos centros bulbares), “tamponamento com éter” (aplicação de compressa embebida em éter na boca, nariz, ouvidos, pênis, vagina, provocando queimaduras), sufocamento, “crucificação”, e “injeção de éter” (que pode levar ao necrosamento dos tecidos atingidos).
Na análise do documento feita pelo SNI a Geisel, os militares revelam preocupação. “A cada denúncia de ‘torturadores’ ou de ‘desaparecidos’, e que traz como consequência a necessidade de processamento de dados para a elaboração das respostas esclarecedoras, ocorre, por outro lado, um surgimento de clima de desestímulo e de certa apreensão entre os componentes dos órgãos de segurança”, diz um dos informes. No mesmo texto, no qual confirmam as ordens para se torturar, como no trecho “cabe considerar que os elementos componentes dos Destacamentos de Operações Internas sempre atuaram no cumprimento das ordens emanadas dos escalões superiores”, lembram que “as providências para elaborar a informação sobre a denúncia formulada pela OAB concorreram para estimular o clima de apreensão”. Uma atmosfera que antevia o debate sobre a necessidade de punição dos repressores: “O objetivo imediato visado é o de dar continuidade à campanha no sentido de pressionar os órgãos de segurança, criando um clima para, no futuro, e, se possível, levar ao banco dos réus os integrantes mencionados”.
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JOÃO GOULART - UMA BIOGRAFIA

Única biografia que conta a trajetória de João Goulart desde sua infância na estância do pai no Rio Grande do Sul até se tornar o 24º. presidente do Brasil. O autor defende que Jango foi o último presidente legítimo a manter relações reais de identificação com a sociedade, especialmente com os trabalhadores.
João Goulart foi, sem dúvida, o principal herdeiro do carisma de Getúlio Vargas, a grande figura da História do Brasil do século XX. Seu nome liga-se fortemente à República que se estabelece no pós-1946, durante a qual constrói sua carreira política como parlamentar e como liderança de uma das maiores organizações do sistema partidário que então se consolida: o Partido Trabalhista Brasileiro.
Contudo, pode-se dizer que, na memória política nacional, o nome de Jango, quando é lembrado, o é muito mais por ter protagonizado os últimos momentos dessa fase da vida política brasileira do que por qualquer outra razão. Jango tornou-se, por excelência, o presidente deposto pelo movimento civil e militar de 1964, que inaugurou mais de vinte anos de autoritarismo no Brasil.
Um fato histórico tão determinante para a trajetória desse presidente da República que praticamente tudo que ele fez no passado pré-64 ou no decurso posterior de sua vida, até porque morreu no exílio, ficou como encapsulado nesse acontecimento: uma espécie de síntese de sua vida, demarcada por sua deposição do poder, em geral analisada como um desdobramento das ações de seu governo, globalmente avaliado como um equívoco político.
Com informações da Livrarias Curitiba
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ENCRENCA ANUNCIADA

Por Otávio Cabral, da coluna Holofote, Veja
A substituição de Alexandre Padilha na Saúde provocou atrito entre Dilma e Lula. O ex-presidente tenta convencê-la a nomear Ciro Gomes, em troca do apoio do Pros à reeleição da presidente. Mas ela teme que a verborragia e o estilo agressivo de Ciro possam causar problemas no governo e na campanha. Por isso, prefere pôr um técnico no cargo. Ao contrário do que costuma acontecer nessas disputas, desta vez o PT está do lado de Dilma.
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sábado, 28 de dezembro de 2013

DESMILITARIZAR A PM JÁ

Por Marcelo Freixo, em Tendências e Debates – Folha de S.Paulo
O que a sociedade deve esperar de policiais militares que, ao longo de sua formação, são obrigados por seus superiores a se sentar e a fazer flexões sobre o asfalto escaldante, que lhes provoca queimaduras nas mãos e nas nádegas?
Como esses soldados, submetidos a um treinamento cruel e humilhante, se comportarão quando estiverem patrulhando as ruas e atuando na "pacificação" das comunidades? Como uma instituição que não respeita os direitos de seus membros pode contribuir com a democracia?
Dar respostas a essas perguntas se tornou ainda mais urgente após a morte do recruta da Polícia Militar do Rio de Janeiro Paulo Aparecido Santos de Lima, de 27 anos, em novembro. Membro da 5ª Companhia Alfa, ele foi parar no CTI (centro de terapia intensiva) do hospital central da PM após ser submetido a um treinamento que mais pareceu uma sessão de tortura, no CFAP (Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças).
Além de Paulo, outros 33 recrutas passaram mal e 24 sofreram queimaduras nas mãos ou nas nádegas. Segundo relatos de colegas, quem não suportava os exercícios sob a temperatura de 42 graus Celsius –a sensação térmica era de 50 graus Celsius– levava um banho de água gelada ou era obrigado a se sentar no asfalto.
E o caso não é isolado. Após a morte de Paulo, o Ministério Público ouviu recrutas da 5ª Companhia Alfa. Eles confirmaram os castigos cruéis e contaram que os oficiais não davam tempo suficiente para que se hidratassem. Alguns tiveram que beber água suja na cavalaria. Segundo informações da enfermaria da unidade, alunos chegaram a urinar e vomitar sangue. O secretário estadual de Segurança do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, classificou a morte como homicídio.
Até policiais experientes não resistem a esses treinamentos. Neste mês, na Bahia, os soldados Luciano Fiuza de Santana, 29, e Manoel dos Reis Freitas Júnior, 34, morreram após passarem mal num teste de aptidão física para ingressar no Batalhão de Choque. Outros precisaram ser hospitalizados.
A tragédia envolvendo o recruta fluminense e os policiais baianos, infelizmente, não é só do Rio e da Bahia, mas de toda a sociedade brasileira. Em todos os Estados do país, a PM é concebida sob a mesma lógica militarista e antidemocrática.
Ninguém precisa ser submetido a exercícios em condições degradantes e a castigos cruéis para se tornar um bom policial. Em vez de se preocupar em formar soldados para a guerra, para o enfrentamento e a manutenção da ordem de forma truculenta, o Estado precisa garantir que esses profissionais atuem de forma a fortalecer a democracia e os direitos civis. A realização dessa missão passa necessariamente por mudanças na essência do braço repressor do poder público.
Desde as manifestações dos últimos meses em todo o país, quando os excessos da PM e a sua dificuldade em conviver com o regime democrático ficaram evidentes, o debate sobre sua desmilitarização se tornou urgente. A PM é uma herança dos anos de chumbo, uma força auxiliar do Exército. Mas o que nós precisamos é de uma instituição civil.
Nesse sentido, é fundamental que o Congresso Nacional aprove a proposta de emenda constitucional (PEC 51/2013) que prevê a desvinculação entre a polícia e as Forças Armadas; a efetivação da carreira única, com a integração entre delegados, agentes, polícia ostensiva, preventiva e investigativa; e a criação de um projeto único de polícia.
Esse debate deve envolver os próprios policiais e as organizações da sociedade civil. Essa proposta não significa estar contra a polícia, mas estar a favor dos servidores da segurança pública e da cidadania.
Marcelo Freixo, 46, professor de história, é deputado estadual pelo PSOL (Partido Socialismo e Liberdade) no Rio de Janeiro.
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QUEM TERÁ A CARA DO NOVO?

Da revista ISTOÉ
Os 100 milhões de eleitores e aqueles três candidatos que concorrem de verdade à Presidência da República em outubro de 2014 terão muitos encontros e desencontros antes que cada cidadão brasileiro tome o caminho das urnas. As mobilizações populares que surpreenderam o País em junho e as últimas pesquisas de opinião emitem um recado muito claro: o Brasil quer mudanças. Não necessariamente uma troca de comandante, mas um novo jeito de comandar e, sobretudo, um outro horizonte a perseguir. Portanto, sairá vencedor das urnas em 2014 aquele que se mostrar capaz de levar o País adiante com uma forma de governar que atenda às demandas cada vez mais concretas.
Os números, inicialmente favoráveis à presidenta Dilma Rousseff, não significam muito nesse início de 2014. Seu governo conta com aprovação superior a 60%, a intenção de voto beira a casa dos 45%, mas 66% dos brasileiros esperam que as coisas não continuem como estão. E é esse último percentual que serve de combustível tanto para os opositores que já estão com o bloco na rua como para aqueles que não assumem uma eventual candidatura, embora não fechem as portas para essa alternativa, como é o caso do ministro presidente do STF, Joaquim Barbosa.
Para tentar convencer o eleitor de que é o melhor candidato, o senador mineiro Aécio Neves, do PSDB, se colocará como o “único” de oposição, lugar que ocupa desde o primeiro mandato de Lula, e lançará ao País um programa de governo que faça um claro contraponto às gestões petistas, principalmente no que se refere à gerência dos recursos públicos. Pesquisas encomendadas pelos tucanos mostram que o eleitor quer um governo eficiente. As enquetes disseram aos tucanos que não importa o matiz ideológico do candidato. Importa, segundo os dados coletados pelo partido, o gerenciamento do setor público. A leitura feita pelo PSDB diz que não se trata mais de prometer escolas, como nas últimas campanhas, mas de mostrar como fazer a escola já existente ter qualidade. O mesmo vale para a saúde e para a segurança pública.
Na economia, o projeto de Aécio é se apresentar ao eleitor como a alternativa mais confiável para a captação de novos investimentos internos e externos. Ele fará duras críticas aos esquemas de corrupção que dominam o noticiário e ao que chama de aparelhamento do Estado promovido pelo PT. “O eleitorado precisa ser lembrado que a presidenta é do PT”, tem dito o senador nas reuniões com os principais assessores. No início de 2014, Aécio vai definir os nomes que serão responsáveis pela estratégia de comunicação de sua campanha. O tucano descarta a possibilidade de contar com um marqueteiro que tenha um superpoder. “Vamos trabalhar de forma colegiada. O candidato não pode ser refém de um guru da propaganda”, disse Aécio a assessores. Nas últimas semanas, o senador tem intensificado as conversas com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que deverá ser um dos coordenadores da campanha. Ao contrário do que aconteceu nas últimas três disputas, o PSDB não irá esconder o ex-presidente. Pelo contrário, FHC terá participação ativa na campanha de Aécio.
Ainda no bloco oposicionista, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, do PSB, ganhou musculatura com a chegada de Marina Silva às suas fileiras. Como participou do governo de Lula e defende os avanços sociais ocorridos nas gestões petistas, planeja se apresentar como o líder capaz de fazer as mudanças reclamadas pelos brasileiros de forma segura, sem rupturas ou quebra de programas como o Bolsa Família, por exemplo. “O desenvolvimento é um processo. Avançamos com a estabilidade econômica obtida pelos governos de Fernando Henrique e com os governos de Lula e Dilma conquistamos importantes passos na questão social. Agora é preciso um novo salto. O Brasil não está satisfeito e quer mais”, tem dito o candidato.
Antes do Carnaval, Campos pretende consolidar a aliança com o PPS – partido que parece ter retirado da área de influência dos tucanos – e busca novos parceiros para tentar obter maior tempo no horário eleitoral de rádio e tevê. Ele ainda aposta que possa ter a seu lado setores que hoje estão na base de apoio do governo como o PDT e o PTB. Menos conhecido dos candidatos, a propaganda eleitoral tem, para o governador de Pernambuco, uma importância maior do que para seus oponentes. A mensagem será a de continuidade sem continuísmo.
Já no QG governista, a maioria dos analistas acredita que haverá um retorno dos protestos, inclusive durante a Copa, mas aposta nas boas respostas que o governo tem a oferecer. O emprego e a renda continuam de pé como os trunfos mais vigorosos de Dilma Rousseff para manter a fidelidade de um eleitorado que Lula cultiva desde 2003. O salário mínimo será reajustado em 2014 com ganhos reais acima da inflação e os programas sociais mantêm seu inegável poder de atração. O programa Mais Médicos será apresentado como uma resposta bem aceita para populações que não possuem um único doutor para zelar por suas dores e doenças. Para o início do ano, a campanha petista está prestes a amarrar um acordo capaz de garantir quase a metade do tempo na tevê, uma vantagem sempre considerável.
Há, no entanto, um fator que tem preocupado os articulistas de Dilma. Seus quatro anos de governo marcaram uma convivência difícil no Congresso, em especial com o maior aliado, o PMDB, com uma estrutura capilar para pedir votos na porta de casa do eleitor – desde que a máquina esteja com vontade de fazer, embaixo, aquilo que se acerta em cima. Tratado de modo que julga oportunista e interesseiro, o PMDB ameaça responder na mesma moeda. Pode apoiar Dilma quando considerar que vale a pena, mas não fará o menor sacrifício se considerar que o risco é maior que o benefício.
Segundo o comando petista, o julgamento sobre o mensalão do PSDB-MG e as investigações sobre o propinoduto do metrô paulistano são temas que poderão favorecer a candidatura de Dilma. “Em caso de emergência, poderemos usar esses casos e mostrar que, no que diz respeito à gestão e à ética, eles não diferem daquilo que nos acusam”, disse um líder nacional do PT na quinta-feira 26. No embate com Eduardo Campos, os petistas acham que será difícil ao governador de Pernambuco fazer oposição a um governo que lhe forneceu recursos necessários para se tornar um presidenciável com vida própria. Num país que assistiu à emergência do “novo”, os próximos dez meses irão mostrar se alguém é capaz de decifrar a mensagem que os brasileiros trazem dentro de si.
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AS CAPAS DESTA HISTÓRIA

O livro As Capas desta História reúne mais de 300 capas de jornais alternativos, clandestinos e produzidos no exílio entre 1964, ano do golpe, e 1979, quando foi aprovada a Lei da Anistia. A obra traz ainda capas de jornais considerados precursores das publicações dos anos de chumbo. São imagens de publicações que rodaram no exílio, em países como Chile, México, Suécia, Itália, França, Portugal e Argélia.
Na seção dos clandestinos estão publicações das principais tendências da esquerda que atuaram durante a ditadura militar, como a Ação Libertadora Nacional (ALN), de Carlos Marighella, que editou 'O Guerrilheiro', e a VAR-Palmares (Vanguarda Armada Revolucionária-Palmares), de Carlos Lamarca, que produzia o 'Palmares'.
Aparecem nesta parte jornais dos PCs (PCB e PCdoB), de organizações trotskistas e de grupos ligados à Igreja Católica. O bloco dos alternativos traz desde capas de jornais do movimento operário, estudantil ('O Movimento'), da imprensa satírica ('O Pasquim', 'Pif-Paf'), experimentos literários, além de publicações ligadas à causa ambiental, gay e negra.
Já a parte dos precursores reúne experiências, como o 'Correio Braziliense', que era editado em Londres, uma vez que a corte portuguesa proibia a produção no Brasil. Além de outras publicações, como o 'Jornal Subiroff'.
O projeto idealizado pelo Instituto Vladimir Herzog, intitulado Resistir é Preciso, que tem o objetivo de manter viva na memória do povo brasileiro a luta da imprensa durante a ditadura militar, época em que muitos profissionais do meio foram perseguidos e mortos.
É um trabalho realizado por Vladimir Saccheta (pesquisa), José Luiz Del Roio (Contexto), Carlos Azevedo (Consultor) e José Maurício de Oliveira (editor de texto) e compreende o período entre o início do golpe militar (1964) e a época da aprovação da Lei da Anistia (1979).
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sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

PERSONALIDADE DO ANO

Artigo de Marina Silva, publicado na Folha de S. Paulo
É comum, ao final de cada ano, que os veículos de comunicação façam enquetes e consultas para escolher –e, às vezes, premiar– as personalidades que se destacaram e influenciaram o rumo dos acontecimentos no país. Exponho aqui o meu voto e o justifico.
Em 2013, o Brasil se encontrou nas ruas. Este não é apenas o fato mais significativo do ano, mas se estende ao futuro e influencia todas as expectativas para o próximo ano.
Na verdade, as jornadas de junho permanecem como uma presença extra, incômoda para muitos como um fantasma na sala, gerando uma sensação de que os bastidores foram devassados, de que não há mais possibilidade de "votos secretos", de que o reino inteiro está nu.
Por mais que os operadores do sistema político tentem restaurar a opacidade na vida institucional, não conseguem escapar aos olhos de um novo sujeito político que, de fora, abre as janelas. Ainda não chegaram a um termo na insistente tentativa de controlar a internet, mas já criaram grandes dificuldades para o surgimento de novos partidos e novas formas de representação política. Não adianta erguer novos muros, todos serão ultrapassados ou derrubados.
Esse novo sujeito, coletivo e difuso, que não obedece a um comando único e age a partir de vários centros, ganhou diversos nomes: ruas, multidão, manifestantes são alguns dos mais frequentes.
Antes de entrar em cena, era o último a saber das coisas, a massa de manobra, a maioria silenciosa, enfim, os que não viam, não ouviam e não falavam. Agora tudo mudou. Esse novo protagonista torna à vida pública de fato pública e exige que vigore efetivamente uma nova República.
Novos tempos e espaços surgem e neles navegam milhares, talvez milhões de militantes de uma política diferente, despreocupados em aparelhar esses espaços ou espichar seus tempos, ou seja, sem a ansiedade tóxica das disputas por hegemonia e poder.
Essa nova militância, que chamo de ativismo autoral, pois não se submete a direções partidárias ou sindicais, ONGs ou lideranças carismáticas, produz uma nova agenda em que as prioridades não são manipuladas. Assim, no país do futebol, tornou-se possível fazer da Copa das Confederações uma ocasião para reivindicar mais saúde e educação.
Por essa emergência que surpreendeu aos desatentos e, principalmente, por essa permanência que se anuncia para o futuro, pela ruptura com os velhos falsos consensos estabelecidos, pelo reencontro de uma utopia de justiça que parecia esquecida, voto nessa bela multidão que foi às ruas como personalidade do ano de 2013 e desejo-lhe mais força e criatividade para renovar a democracia no Brasil em 2014.
Marina Silva, ex-senadora, foi ministra do Meio Ambiente no governo Lula e candidata ao Planalto em 2010. Escreve às sextas na versão impressa da Folha de S. Paulo.
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quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

MARIGHELLA - O GUERRILHEIRO QUE INCENDIOU O MUNDO

A vida de Carlos Marighella (1911-69) foi tão frenética quanto surpreendente. Militante comunista desde a juventude, deputado federal constituinte e fundador do maior grupo armado de oposição à ditadura militar - a Ação Libertadora Nacional -, esse mulato de Salvador era também um profícuo poeta, homem irreverente e brincalhão.
Nesta narrativa repleta de revelações, o jornalista Mário Magalhães investiga as várias facetas do biografado. Em ritmo de thriller, reconstitui com realismo desconcertante passagens pela prisão, resistência à tortura, operações de espionagem na Guerra Fria e assaltos da guerrilha a bancos, carros-fortes e trem-pagador. Mas também recupera a célebre prova de física respondida em versos no Ginásio da Bahia e poemas de amor.
Isso sem negligenciar a influência internacional de Marighella e seu Minimanual do guerrilheiro urbano, guia que correu o mundo e virou cult nos anos 1960. Traduzido para dezenas de idiomas, é tido hoje como um clássico da literatura de combate político, e levou Jean-Paul Sartre, admirador do estilo de seu autor e de sua disposição para a ação audaz, a publicar artigos seus na revista Les Temps Modernes.
A controversa vida de Marighella é também uma história dos movimentos radicais e da esquerda no Brasil e no mundo. Coadjuvantes de peso, que tangenciaram a vida do protagonista, povoam estas páginas: Fidel Castro, Getúlio Vargas, Che Guevara, Carlos Lacerda, Stálin, Luiz Carlos Prestes e Carlos Lamarca, além de figuras-chave da cultura, como os escritores Jorge Amado e Graciliano Ramos; os pintores Cândido Portinari e Joan Miró; os dramaturgos Augusto Boal e Dias Gomes; e os cineastas Glauber Rocha, Jean-Luc Godard e Luchino Visconti.
Proclamado pela ditadura militar como seu inimigo número um, o guerrilheiro foi morto em uma emboscada policial em São Paulo, na noite de 4 de novembro de 1969. Do início ao fim, esta biografia de tirar o fôlego apresenta informações inéditas sobre a trajetória de Marighella e o atribulado e apaixonante tempo em que ele viveu.
Do site da Companhia das Letras
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EM 2014, 'VEM PRA RUA VOCÊ TAMBÉM'

Por Elio Gaspari, colunista da Folha de S. Paulo
A repórter Andréia Sadi revelou que o presidente do Senado, doutor Renan Calheiros, preocupado com sua cabeça, requisitou um jato da FAB para voar de Brasília a Recife, onde fez um implante de 10 mil fios de cabelo. Quem nestas festas viajou com seu dinheiro deve perceber que esse tipo de coisa só acabará pela associação dos direitos de voto e de manifestação em torno de políticas públicas. Só com o voto isso não muda. Pelo voto, Renan começou sua carreira política em 1978, elegendo-se deputado estadual pelo MDB de Alagoas.
Renan Calheiros é um grão-mestre da costura política. Foi líder do governo de Fernando Collor de Mello e ministro da Justiça de Fernando Henrique Cardoso. Desde 2003 é um pilar da coligação petista no Congresso. Pertence a uma categoria imune à vontade popular. Ela pode ir para onde quiser, mas ele continuará no poder, à sua maneira. Como ministro da Justiça do tucanato, tendo seu nome exposto na Pasta Rosa dos amigos do falecido banco Econômico, defendeu o uso do Exército para reprimir saques de famintos durante a seca de 1998. Politico da Zona da Mata alagoana, estava careca de saber que tropa não é remédio para esse tipo de situação. Nessa época, dois de seus irmãos foram acusados de terem mandado chicotear um lavrador acusado de roubar um aparelho de TV numa fazenda. Um desses irmãos elegeu-se deputado federal. Entre 1998 e 2006 teve uma variação patrimonial de 4.260%, amealhando R$ 4 milhões.
Renan teve uma filha fora do matrimônio quando ganhava R$ 12.720. A mãe da criança era ajudada por uma empreiteira amiga que lhe dava uma mesada de R$ 16,5 mil. Por causa desse escândalo por pouco não foi cassado, mas renunciou à presidência do Senado. Reelegeu-se e voltou à cadeira que já foi de Rui Barbosa prometendo uma agenda ética, de "transparência absoluta". Contudo, como diz o senador Edison Lobão Filho, filho e suplente do senador Edison Lobão, ministro de Minas e Energia, "a ética é uma coisa muito subjetiva, muito abstrata". Nesse mundo de abstrações, Renan, vendo a despensa de sua casa concretamente desabastecida, mandou abrir um pregão de R$ 98 mil para a compra de salmão, queijos, filé-mignon, bacalhau e frutas. Apanhado, cancelou a compra.
Renan não é um ponto fora da curva. Ele é a própria curva. Em 2005, como presidente da Casa, deu sete cargos de R$ 10 mil a cada colega. Seu mordomo ganha R$ 18 mil. Em julho, quando ainda havia povo na rua, usou um jatinho da FAB para ir a um casamento em Trancoso. Apanhado, devolveu o dinheiro. Passados cinco meses fez o voo do implante.
Estabeleceu-se uma saudável relação de causa e efeito entre esse tipo de comensal da Viúva e a opinião pública. Eles não se corrigem, mas, uma vez denunciados, recuam. São muitos os maganos que não toleram saguão de aeroporto, despensa vazia e parente desempregado. Nessas práticas, é fácil colocá-los debaixo da luz do sol. Quando se trata de convênios, contratos de empreiteiras e grandes negócios, a conversa é outra.
Em 2014 a turma que paga as contas irá as urnas. Elas poderão ser um bom corretivo, mas a experiência deste ano que está acabando mostra que surgiu outra forma de expressão, mais direta: "Vem pra rua você também".
Elio Gaspari, nascido na Itália, veio ainda criança para o Brasil, onde fez sua carreira jornalística. Recebeu o prêmio de melhor ensaio da ABL em 2003 por "As Ilusões Armadas". Escreve às quartas-feiras e domingos na versão impressa de "Poder".
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"CONSIDERO EDUARDO CAMPOS O POLÍTICO MAIS BRILHANTE QUE JÁ CONHECI"

Por Fabio Victor, enviado especial ao Recife, Folha de S.Paulo  
"Mexeu com o físico, mas com a cabeça não buliu não. Se você quiser, recito todinho o episódio de Inês de Castro, de 'Os Lusíadas'", brincou Ariano Suassuna, 86, na última terça-feira.
Fazia alusão ao copioso trecho do clássico português, mas deu várias outras provas de que falava a verdade.
Na tarde/noite daquele dia, quase quatro meses depois de sofrer um infarto (agora ele revela terem sido dois) e tratar um aneurisma cerebral, o escritor e dramaturgo recebeu a Folha em sua casa no Recife para uma entrevista exclusiva, a primeira depois de duas internações e do repouso forçado.
Dizendo-se cansado, optou por falar deitado em sua cama. Acabara de posar para fotos e na véspera retomara suas aulas-espetáculos com um tributo ao compositor Capiba, uma palestra intercalada por shows de música e dança que durou 1h45min.
Mais magro que o habitual e aparentemente mais fraco (recusou o lanche que lhe chegou, uma fatia de bolo e água de coco), mantém, porém, a cabeça a mil. Em uma hora de entrevista, não perdeu em nenhum momento a lucidez ou a argúcia.
Recitou de memória versos inéditos de sua autoria que estarão no romance em que trabalha há 33 anos e cujo primeiro volume, após seguidos adiamentos, ele diz ter enfim concluído, sob pressão dos problemas de saúde.
Para pôr fim ao primeiro livro daquela que considera a obra de sua vida -e que deverá ter sete volumes, mesclando romance, poesia, teatro e gravura-, Ariano afirma ter tido uma ajuda divina.
"Fiz um pacto com Deus: se ele achasse que o romance tinha alguma coisa de sacrílego ou de desrespeitoso, que interrompesse pela morte."
A obra concluída -ainda sem previsão de lançamento- será um romance epistolar, chamado "O Jumento Sedutor", homenagem a "O Asno de Ouro", do escritor Lucius Apuleio, do século 2. A série completa levará o nome de "A Ilumiara".
O autor de "Romance da Pedra do Reino" e "O Auto da Compadecida" falou ainda sobre morte e a aversão que sentiu da UTI e de política.
Leia a seguir os principais trechos da entrevista.
Folha - O sr. enfrentou problemas graves de saúde, acaba de pular uma fogueira braba...
Ariano Suassuna - [interrompendo] Na verdade eu pulei três fogueiras: eu tive dois infartes e um aneurisma estourou no meu cérebro.
Foram dois infartos, então?
Foram.
Pois é, e depois de quase quatro meses entre internações e repouso, o sr. retomou as atividades públicas ontem numa aula-espetáculo. Como se sente?
Eu fazia muita questão de dar essa aula. Eu disse para mim mesmo que só não dava a aula se não tivesse a menor condição. E queria avaliar minhas forças, para saber se podia continuar, dentro desse pequeno prazo que a gente ainda tem [no mandato de Eduardo Campos, que deixará o cargo até abril para disputar a Presidência], podia continuar a programação que a gente vinha seguindo [de aulas-espetáculos]. Combinei que a gente faria essa no Recife e, de acordo com o comportamento do meu corpo, a gente daria outra em Pombos [agreste de PE].
Deu para avaliar como o corpo reagiu?
Deu. Dá para ir, senti que dá para retomar num ritmo mais leve.
O sr anda falando muito o nome da Caetana, que é como o sr chama a morte. De onde vem esse nome?
No sertão da Paraíba e de Pernambuco chamam a morte de Caetana.
Que é uma moça, mas pode ser também uma onça...
Não, isso aí [de ser onça] já foi invenção minha. Eu aproveitei e comecei a recriar literariamente um mito que foi criado pelo povo. Como o povo sertanejo é machista, só criou a morte feminina. Aí eu, de minha parte, já inventei a contrapartida masculina. Eu acho que a morte aparece como mulher aos homens e como homem às mulheres.
E com que nome?
Caetano.
O sr. já disse que se recusava a morrer e que toda morte é como um suicídio. Como essa experiência afetou o modo com que o sr. lida com ela?
Não afetou não. É claro que, objetivamente, eu sei que vou morrer. Não sei se você já notou, mas nenhum de nós acredita que morre, o que é uma bênção. A gente se porta a vida toda como se nunca fosse morrer, o que é muito bom. Porque se a gente for pensar na morte como uma coisa fundamental, inevitável e próxima, a gente vai perder o gosto de viver, vai perder o gosto de tudo. Eu digo isso procurando verbalizar uma inclinação que acho que é de todo mundo. A gente tem uma tendência a acreditar que não morre.
[Pensar que vai morrer] prejudica um pouco a qualidade de vida, e eu sou um apaixonado pela vida, amo profundamente a vida. Olhe que essa maldita tem me maltratado, mas eu gosto dela.
No "Romance da Pedra do Reino", Quaderna tem um sonho no qual a Caetana [a morte] como que dita para ele palavras de fogo. O sr. teve algum sonho ou alucinação durante este período?
Não. Ordinariamente não tenho... Às vezes eu tenho uns sonhos que se transformam em literatura. Tenho um poema chamado "Sonho" que foi um sonho. E às vezes quando não estou acordado ainda, mas não estou mais dormindo, é o momento em que invento muita coisa, muito criativo.
Essa experiência mudou alguma coisa no seu jeito de perceber o mundo e as pessoas?
Não. Poucos dias antes de adoecer eu dei uma entrevista em que me perguntaram se eu tinha medo da morte. E eu disse: eu não gosto de contar valentia antecipada, acho que a gente só pode dizer que não tem medo de alguma coisa depois de enfrentá-la. Agora, até onde eu vejo, eu não tenho medo da morte. Eu tenho pena de morrer sem ter realizado certas coisas. Por exemplo: se visse que não dava para terminar o romance que escrevo, aí teria muito pena de morrer.
Engraçado, quando eu estava lá [no hospital] nos primeiros momentos, que descobri que tinha tido um infarto –fui saber disso no hospital– eu me agoniei muito porque tinha deixado o manuscrito aqui [em casa]. Eu disse: preciso conversar com Carlos Newton [Junior, professor universitário, especialista na obra do escritor], dizer a ele como era, para levar adiante [o livro].
Primeiro eu dividi o livro grande em vários livros. Cada capítulo do livro é escrito em forma de cartas, sob certo aspecto é um romance epistolar, e toda carta termina do mesmo jeito. Porque eu digo lá que fiz um pacto com Deus, e fiz mesmo: se ele achasse que o romance tinha alguma coisa de sacrílego ou de desrespeitoso, que interrompesse pela morte –coisa com a qual desde agora eu me declaro de acordo. Meu acordo não vale nada num caso desse, mas por outro lado tem uma vantagem. É que eu dou ideia da minha conformidade e da minha resignação e tô conseguindo, com a minha megalomania, um parceiro extraordinário.
O primeiro volume são seis cartas, todas seis terminam do mesmo jeito, com as mesmas palavras.
Qual é o jeito, quais são as palavras?
[uma assessora afirma: "Não diga o que não puder dizer"] A gente tem uma tendência a responder a verdade, né? É uma tentação desgraçada. Bom, todas terminam com um verso, um martelo gabinete e um martelo agalopado [martelos são formas poéticas usadas pelos cantadores nordestinos]. O martelo gabinete é um martelo de seis versos de dez sílabas, e o martelo agalopado são dez versos de dez sílabas.
Deixa eu ver se me lembro do martelo. Diz assim: "O circo, sua estrada e o sol de fogo/ Ferido pela faca na passagem/ meu coração suspira sua dor/ entre os cardos e as pedras da pastagem./ O galope do sonho, o riso doido/ e late o cão por trás desta viagem".
E o martelo agalopado diz: "Pois é assim: meu circo pela estrada/ Dois emblemas me servem de estandarte/ No sertão, o arraial do bacamarte/ Na cidade, a favela consagrada/ Dentro do circo há vida, onça malhada/ Ao luzir do teatro o pelo belo transforma-se num sonho, palco e prelo/ e é ao som deste canto na garganta que a cortina do circo se levanta para mostrar meu povo e seu castelo".
Então se eu morrer o romance está terminado. E para justificar isso eu cito uns versos de Fernando Pessoa dos quais eu gosto muito. Ele fala do navegador que descia a costa da África à procura do caminho das Índias e, quando ele parava em algum lugar na costa da África, plantava um marco. Ele diz: "O esforço é grande e o homem é pequeno/ Eu, Diogo Cão, navegador, deixei/ Este padrão ao pé do areal moreno/ E para diante naveguei./ A alma é divina, a obra é imperfeita./ Este padrão sinala ao vento e aos céus/ Que, da obra ousada, é minha a parte feita:/ O por-fazer é só com Deus".
O sr. já deu por encerrado o trabalho várias vezes, mas sempre o retomou. Os acontecimentos recentes forçaram o sr a finalmente encerrar pra valer?
Forçaram. Eu me forcei a dar o ponto. Mas repare bem: mesmo assim, só há poucos dias eu tomei a decisão definitiva. Primeiro, eu, com medo por causa do infarto, decidi que publicaria as duas primeiras cartas. Depois do infarto, já em casa, resolvi que dava para juntar mais duas, quatro. Depois mais duas, seis. O primeiro volume está concluído.
O nome do primeiro volume, "O Jumento Sedutor", está mantido?
Está mantido. O nome geral é "A Ilumiara".
Serão cinco volumes?
Eu acho que são sete. Mas o por-fazer é só com Deus.
Numa entrevista que me deu há dez anos, o sr. contou que o protagonista do livro se chama Antero Savedra, e o antagonista é Quaderna [da "Pedra do Reino"]. Isso está mantido?
Está mantido, mas o negócio ficou mais complexo, porque Antero Savedra desdobrou-se. Fiz de Antero Savedra um alter ego mais próximo de mim, e criei uma outra máscara chamada... Porque o nome Antero é muito importante... São quatro irmãos: Altino, Auro (ou Áureo), Adriel e Antero. Altino é poeta; Áureo é romancista; Adriel é dramaturgo; e Antero é encenador e ator. Antero diz que tem um parentesco com Orestes e Hamlet, ambos filhos de reis assassinados. Ele cita inclusive uma frase de Hamlet, que diz: "Sou arrogante, vingativo, ambicioso; tenho mais crimes na consciência do que [pensamentos para concebê-los, imaginação para desenvolvê-los,] tempo para executá-los".
Então ele procura um alter ego mais manso, mais conciliador, capaz de perdoar os inimigos. Ele diz uma hora que tem mais facilidade de rezar a Ave Maria do que o Pai Nosso, porque no Pai Nosso se diz "perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoamos...".
Agora, o nome dele de verdade é Paulo Antero. Aí ele assina os primeiros versos P. Antero Shabino.
E o Savedra não tem mais?
Tem, a família é Shabino de Savedra, todos os dois escritos com s. Paulo Antero Shabino, e ele assina P. Antero Shabino. Os inimigos começam a chamá-lo de Pantero, depois Dom Pantero. Ele aí adota o nome. Quando cria o outro alter ego é Dom Pantero.
"A Ilumiara" tem dois nomes [subtítulos]: "A Ilumiara - Autobiografia musical, dançarina, teatral, poética e videocinematográfica". Na página seguinte tem: "A Ilumiara - Romance musical, dançarino, teatral, poético e videocinematográfica."
E tem uma epígrafe de um professor daqui, que foi meu aluno e de quem eu gosto muito –Roberto Motta, filho de Mauro Motta–, ele escreveu um dia num artigo de jornal: "Todos os livros são autobiografias. Mas ele conhece os segredos das máscaras com que nos defendemos da morte".
Esse primeiro volume já pode ser lançado em breve?
Ainda vai depender. Eu terminei meu texto. Mas ele está grande, em folhas de tamanho ofício. Precisa ser reduzido para o tamanho do livro. As ilustrações eu fiz, já estão prontas. Tem muita ilustração baseada em pintura rupestre. Porque eu quero pegar a cultura brasileira desde o começo mesmo, mostrar que isso aqui não envelhece não. Uma obra de arte está feita para ser reinterpretada, revista, revisada. E também me baseei muito em desenhos barrocos.
Os outros volumes vão todos seguir a forma epistolar?
Vão.
O sr. vai incluir essa fogueira que pulou?
Vou. Mas não nesse primeiro volume. E vou incluir uma coisa que foi muito importante para mim e aconteceu ao mesmo tempo [da internação]: a morte de [Gilvan] Samico [gravurista pernambucano morto em novembro]. Considero Samico um artista de importância mundial. Para mim não há em nenhum lugar do mundo –Alemanha, França, Rússia, Estados Unidos, Inglaterra– um gravador como ele. Para mim foi o gravador de nossa época, no mundo inteiro.
Do ponto de vista formal ele é incomparável. Pela importância dele para o nosso tempo e o nosso país... Ele significa para o Brasil o que Goya significa para a Espanha e Dürer para a Alemanha.
O sr. incluirá figuras públicas entre os personagens do romance?
De certa maneira sim. Não são personagens propriamente, faço alusões. Tem um momento em que escolhi sete pessoas importantes do Brasil: um arquiteto negro e analfabeto do Estado do Rio de Janeiro chamado Gabriel Joaquim dos Santos, por quem tenho grande admiração, é o autor da Casa da Flor. Escolhi Villa-Lobos, e sai por aí...
Do que mais sentiu falta na internação. Conseguiu ler e escrever?
Olhe, um dos piores lugares do mundo é a tal da UTI. Vixe, nossa senhora, que lugar horroroso. A pessoa não tem privacidade para coisa nenhuma, uma coisa horrível. Não tem autonomia, é ruim demais. Ficar no hospital no quarto eu até não reclamo muito não. Mas a tal da UTI... Minha atividade nesse período foi zero.
O sr. tem uma ótima memória, que já definiu como "memória de cachorro vingativo". Ela está intacta?
Está, mexeu com o físico, mas com a cabeça não buliu não –a cabeça está boa. Se você quiser eu recito o episódio de Inês de castro, de "Os Lusíadas", todinho [risos].
O sr. sempre apoiou Lula e Dilma e sempre apoiou também Eduardo Campos. Mas em 2014 eles serão adversários. O sr já declarou apoio a Campos. Isso significa rompimento com Lula e Dilma?
Vejo as coisas muito individualmente. Não simpatizo muito com o PT. Nunca dei declaração [de apoio ao PT], senão no começo [do partido], quando eu dizia que os partidos precisavam ter alguma coisa das antigas ordens religiosas, e o único que eu via nessa linha era o PT. Nesse tempo o dr [Miguel] Arraes não tinha entrado no PSB –o PSB era uma academia de letras, não tinha eficácia política nenhuma. Quando dr. Arraes veio me procurar, eu disse a ele que entrasse no PSB. Ele disse que precisava fazer coligação e que entraria no PMDB. Agora, quando ele entrou no PSB, aí eu entrei –nunca tinha entrado num partido político.
Então eu sempre faço uma diferença. Lula é Lula. Não faço restrição nenhuma a Lula, continuo um entusiasta dele, do mesmo jeito que fui quando ele era presidente. Agora, pelo meu gosto, Lula apoiaria Eduardo. Nem houve rompimento com Dilma, gosto muito dela também, mas meu relacionamento com ela é menos fraterno do que com Lula.
Acredita que há chance concreta de Eduardo Campos ser eleito presidente?
Isso eu não sei não. Vou fazer como Capiba [compositor pernambucano morto em 1997]. Ele era torcedor fanático do Santa Cruz, e ia haver um jogo muito importante do Santa Cruz no domingo. Um jornalista telefonou a ele pedindo opinião sobre o jogo. Ele deu várias opiniões, até que o jornalista perguntou: "E qual vai ser o placar?". Aí ele disse: "Me telefone segunda-feira". Me telefone no dia seguinte à eleição que eu digo.
O sr. costuma dizer que conhece Eduardo Campos desde menino, que foi amigo do pai e do avô dele. Trata-se de um apoio mais afetivo que político?
Não, veja bem, eu digo isso realmente, e é verdade: Dudu foi companheiro de infância de meus filhos, morava aí na frente [numa casa defronte à do escritor], vivia aqui em casa. Então tinha uma relação afetiva com ele de um tio para um sobrinho. E ainda mais ele casou-se com uma sobrinha de Zélia [mulher de Suassuna].
Mas eu digo, e realmente é: considero Eduardo Campos o político mais brilhante que já conheci. Ele é de uma capacidade de articulação que você não pode imaginar. Outra coisa: é paciente, é obstinado. Ele tem todas as qualidades de um político. Eu digo sempre: um político tem que ser astucioso, principalmente se ele for boa pessoa. Porque senão ele cai –não faz safadeza, mas cai na mão dos que fazem.
Há críticas ao fato de ele se utilizar dos mesmos métodos que critica. Fez campanha pra eleger a mãe para o TCU, formou uma coalizão de 14 partidos, com aliados como Inocêncio Oliveira e Severino Cavalcanti. Com o sr. vê essas críticas?
Entram por um ouvido e saem pelo outro. Isso é uma necessidade da ação política. Achei até muita graça quando Inocêncio Oliveira o apoiou. Estava todo mundo cortejando o apoio de Inocêncio, o PT, todo mundo. Quando ele apoiou Dudu, vieram dizer que ele aceitou o apoio de Inocêncio Oliveira. Política é assim mesmo. Eu é que não gosto de fazer esse tipo de coisa nunca entrei na política e nunca entrarei.
E como avalia a gestão Dilma?
Não sou homem político, sou um escritor que tem preocupações políticas, com meu país e com meu povo. Eu gostava mais do governo de Lula. Tô gostando do governo de Dilma. Entre Dilma e o PSDB, prefiro Dilma. Mas entre Dilma e Lula, prefiro Lula.
O sr. é bacharel em direito, foi advogado, nos principais livros do sr há julgamentos. Como o sr. viu o julgamento do mensalão no Supremo? O que achou do resultado?
Aquilo foi uma coisa triste. O que acho triste ali é que de repente houve uma crispação desse problema. Não tenho elemento pra provar nem ninguém tem, mas a gente sabe que isso não foi inaugurado naquele momento. Essas práticas existiam em todos os governos e tem havido até agora. Se você não fizer isso você não governa. Tem que questionar a própria existência do Congresso. É bom que exista o Congresso? Eu acho que é. Agora, no Congresso existe esse tipo de coisa? Existe e vai continuar existindo.
A compra de apoio político?
Sim. Sim. Todo mundo sabe que essa ideia de dois mandatos não foi obtida de graça não.
O sr. se refere ao esquema de compra de votos no Congresso para aprovar a emenda da reeleição durante o governo Fernando Henrique Cardoso [revelado pela Folha em 1997, mas nunca investigado]...
Sim.
O sr. é um homem muito religioso, católico devoto de vários santos. Qual avaliação faz do novo papa, Francisco, dos primeiros passos do pontificado dele?
Ah, eu estou entusiasmado com esse papa. Logo no início. Só o fato de ele ter escolhido o nome de Francisco, vi logo que ele era alguma coisa de novo. Era o que a Igreja estava precisando. Estou entusiasmadíssimo. Eu de certa maneira acompanhei, porque um grande amigo meu foi para lá fazer a cobertura, que é Gerson Camarotti [comentarista e repórter do canal Globo News], e conversei muito com Gerson. Até fiz uma introduçãozinha para o livro dele ["Segredos do Conclave", Geração Editorial, 304 págs., R$ 34,90].
Olhe, ele foi o primeiro papa jesuíta, o primeiro chamado Francisco e o primeiro papa latino-americano. Três novidades de uma vez.
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JK - O ARTISTA DO IMPOSSÍVEL

É indispensável a leitura de JK – O artista do impossível, resultado de uma longa pesquisa feita pelo jornalista Claudio Bojunga, na qual ele entrevistou várias personalidades que viveram nos anos 50, este livro é mais do que uma biografia de Juscelino Kubitschek. 
Através de relatos de políticos, diplomatas, economistas, historiadores, sociólogos e artistas, o livro traz uma espécie de ensaio político sobre a modernização do Brasil no século 20, no qual JK desempenhou um papel fundamental. 
Para aqueles que viveram a época, o livro é um resgate da memória daquele período e também uma reflexão sobre tudo o que Juscelino significou para a história do Brasil. 
Para a nova geração, representa a oportunidade de conhecer sobre o homem e o mito, que vivendo à frente de seu tempo, tentou projetar um Brasil melhor para o futuro. A obra é ilustrada por dezenas de fotos da vida e a trajetória de JK.
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PROGRESSO...

Caio Rocha, professor de História, via Facebook
Outro dia, questionaram-me em off nesta rede social: "Caio, como pode você defender um sistema opressor como o capitalismo?" Apenas respondi que é importante nutrir utopias, já que elas servem para o aprimoramento das sociedades humanas e de suas instituições, porém a realidade objetiva não me permite comungar com o caminho que os marxistas ou estatistas propõem para chegar à perfeição do edifício civilizacional, pois ambos (estatismo e marxismo) são comprovadamente insustentáveis e em nada ajudam a reduzir as disparidades entre os indivíduos.
Lênin até deve ter tido boas intenções ao derrubar o czarismo russo em sua revolução vermelha de 1917, mas ao percebermos todo o percurso que deste acontecimento resultou, concluímos que foi algo mais opressor, principalmente na Era Stálin, que classifico como "ditadura SOBRE o proletariado.
A história soviética é marcada por uma casta de notáveis que seguiam a cartilha do partido único e formavam a NOMENKLATURA, beneficiavam-se bastante desse "igualitarismo", ou simplificando: uns se tornaram "mais iguais" que outros, obtendo alguns privilégios vedados aos demais.
Voltando para a discussão sobre o capitalismo, o que tornam as sociedades desiguais economicamente são as relações que os indivíduos estabelecem entre si mesmos e entre a natureza, resumindo, ao tipo de mentalidade que prevalece nas mentes de um povo.
Culturas não desenvolvidas tecnologicamente e que alicerçam suas premissas existenciais em valores nocivos ao progresso, como o assistencialismo, fatalismo, misticismo, extremismo religioso e o patriarcalismo, além de "jeitinhos", ficam à mercê das intempéries da natureza e a pobreza será a marca mais evidente destas relações.
Culturas que valorizam o trabalho e a prosperidade material oferecem aos indivíduos das camadas mais pobres condições de não apenas se integrarem ao mercado de consumo, mas de poder ter ter uma renda que lhes permitam ter uma vida mais digna.
Política social é, ao meu ver, gerar empregos, não por vias públicas, mas em âmbito privado, através de um ambiente favorável ao empreendedorismo e aos investimentos internos. Não é errado enriquecer. Errado é ser avarento e colocar o dinheiro acima de tudo, até das leis, usando de influência econômica e política para prejudicar os interesses de toda uma sociedade.
Quando uma pessoa enriquece de maneira lícita e gera empregos, contribui para que mais famílias tenham o mínimo de dignidade para prover-se do que necessita para sua sobrevivência. Diante de tantas oportunidades que as políticas sociais do governo dá, cabe exatamente aos mais desvalidos buscarem usar dos instrumentos dados para sua emancipação social.
Quanto maior é o ritmo de desenvolvimento econômico, mais gente deixará de ter péssimas condições de vida. Há uma natural distribuição de renda por meio dos salários.
Se o Estado governar as finanças públicas adequadamente, ponderando quanto aos gastos supérfluos e mal planejados e definir política econômica que não sobrecarreguem os ombros dos contribuintes nacionais, os ganhos reais do salário mínimo estarão acima da inflação, havendo uma transferência natural de renda para os trabalhadores. 
E estes, ao se qualificarem, receberão melhores salários que lhes permitirão compor uma poupança. E se tiverem espírito empreendedor, usarão dela para começar um negócio, que por sua vez ao crescer, ajudará a tirar outras pessoas da miséria.
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quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

FELIZ NATAL !

A todos os amigos, leitores, parceiros do blog Sou Chocolate e Não Desisto, desejo um Natal de paz, amor, saúde, fraternidade, sucesso e felicidade. Feliz Natal ! Abraço do amigo, Valério Sobral.
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terça-feira, 24 de dezembro de 2013

FELIZ NATAL E FELIZ ANO NOVO !

Via Facebook de Marina Silva
Primeiro quero agradecer a Deus por tudo que aconteceu em 2013 e desejar um Feliz Natal e um Feliz Ano Novo para todas as pessoas. Este é um momento que a gente já está no nosso tradicional recolhimento com a família, com os amigos.
Também é o momento de a gente fazer a avaliação do ano que está passando e assumir novos compromissos para 2014. E uma coisa fundamental nessa agenda de compromissos é manter acesa a chama da esperança.
E a esperança, sobretudo, de que é possível a gente construir uma cultura de paz, onde seja possível juntar arte, espiritualidade, economia, ecologia, tradição e modernidade.
Eu queria deixar aqui o meu abraço na forma de uma poesia que eu fiz em homenagem à obra do Edvard Munch, “O Grito”, que é uma obra de arte que fala muito a esse nosso tempo, quase que como uma profecia.
E que a arte possa nos ajudar a fazer essa tecitura que nos leve a essa rede de esperança e de uma cultura de paz. A poesia é mais ou menos assim.
A arte mesmo sem rima é poética
Mesmo sem voz é profética
Mesmo sem forma é estética
Mesmo em segredo revela-se
Fala além de seu tempo
Qual onda eleva seus ventos
A inundar litorais
Que a gente possa ter nossos litorais de esperança em 2014 e que a gente possa tecer essa cultura de paz. Um Feliz Natal!
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O "DONO" DO DETRAN

Por João Antonio Barros e Luisa Bustamante, jornal O Dia
Rio - A teia do crime. A Justiça do Rio de Janeiro tem em mãos evidências do gerenciamento político de um dos maiores esquemas de corrupção descobertos no Detran. Gravações telefônicas e depoimentos à 1ª Vara Criminal de Santa Cruz ligam o deputado estadual Coronel Jairo (PMDB) à quadrilha que movimentava R$ 2 milhões por mês na legalização de carros irregulares. O grupo tinha 181 pessoas — funcionários do departamento de trânsito, despachantes e policiais.
Presa na Operação Cruzamento, há dois meses, uma ex-funcionária, com 13 anos de serviço no Posto do Detran de Campo Grande, contou à juíza Regina Célia Moraes de Freitas como a quadrilha agia e qual era o papel de cada um no esquema. O grupo, segundo a testemunha, foi indicado pelo deputado Coronel Jairo — chamado de “o dono do Detran de Campo Grande” — para trabalhar na empresa Facility — responsável pelo recrutamento dos funcionários tercerizados do posto.
Entre os 22 empregados do Detran de Campo Grande que, segundo a testemunha, “indicados” pelo deputado, quatro são parentes de Hélio Oliveira, genro do parlamentar: os irmãos Sandro e Alexandre Afonso, a cunhada Glauciele Paes e o “compadre” Fagner Gomes.
O quarteto era encarregado por cobrar as propinas. Sandro e Fagner coordenavam os turnos da manhã e da tarde e exigiam diária de R$ 50 de cada vistoriador. A caixinha era uma espécie de pedágio para trabalhar nos guichês onde passavam táxis, vans e carros alugados — classificados como os mais fáceis de ter irregularidades e candidatos a pagar boas propinas pela vista grossa. Os funcionários que se recusavam a arrecadar dinheiro — para não atrapalhar a quadrilha — iam para guichês de emplacamento, com baixa possibilidade de irregularidade.
O esquema era suprevisionado pelo chefe do posto, Flávio Tomelin, outra indicação do Coronel Jairo. De acordo com a testemunha, o deputado passou a “controlar” o Detran de Campo Grande em 2008, após a prisão dos irmãos Jerominho e Natalino Guimarães, por ligações com a milícia.
Propina usada na campanha
Parte do dinheiro arrecadado com as propinas era destinada à campanha política. Em depoimento na 1ª Vara Criminal de Santa Cruz, a ex-funcionária do Detran garante que é comum em todos os postos do Detran do Rio recolher dinheiro para ajudar políticos encarregados da nomeação. Sustentou, inclusive, que em 2012 a candidatura do vereador Jairinho (filho do Coronel Jairo) recebeu ajuda financeira e apoio logístico dos envolvidos no esquema.
A testemunha descreve as reuniões organizadas às vésperas da eleição pelo diretor do posto, Flávio Tomelin, para, segundo ela, obrigar os funcionários a conseguir votos de parentes e amigos para o candidato Jairinho. Sem contar a entrega de fichas com dados pessoais e idas a comitês de campanha de Jairinho em Campo Grande e Bangu. O elo entre o deputado e Jairinho com o posto do Detran era feito por Hélio Oliveira. Segundo a testemunha, era ele quem comandava os comitês eleitorais.
Entrevista com Coronel Jairo - 'O governo pede que indique'
O DIA - O senhor colocou pessoas no Detran de Campo Grande?
Não é verdade. Essas pessoas não são nomeadas pelo político. Como é que funciona isso? O governo pede que indique pessoas para fazer curso lá. Eu não nomeio ninguém, o deputado não tem força para nomear. Isso é feito pelo governo, o governo faz um curso lá. Tanto é verdade que a gente manda lá pro governo o nome de 100, 200 pessoas, e só umas 20 é que é (sic) aprovada. Não é nem o deputado que nomeia. O deputado Iranildo (Campos) estava até falando isso: “eu indiquei para o governo uns 100, só botaram 20”. Então, se fosse a gente que nomeasse, todo mundo que a gente mandasse tinha que ser nomeado, né? Não é o caso.
O processo diz que o chefe do posto, Flavio Tomelin teria sido indicado pelo senhor.
Pois é, não pode ser indicado por mim. Ele é orientado para que procure o Detran, é uma pessoa. Quando a gente é aliado do Governo, ele é orientado para que vá lá, mas quem nomeia é o governo, é o Detran.
O senhor sabe que foi citado na investigação?
Foi uma menina. Agora pega lá e vê se tem alguma coisa. Fala de um deputado, sem falar... Agora vê se tem alguma coisa lá, vê se tem alguma ligação minha lá... porque eles fizeram escuta, né? Mas a verdade é que eu nem fui chamado, ninguém me chamou, o Hélio também ninguém chamou.
Além do Hélio, seu genro, o senhor conhece os outros envolvidos? E o Sandro e o Alexandre?
São irmãos dele. Não tem nada a ver, e também já está todo mundo solto. O negócio era tão grave que já está todo mundo solto (ironiza).
Eles trabalham no Detran?
O Sandro é despachante, nunca trabalhou no Detran. O outro trabalhou, mas o Sandro nunca trabalhou não, era despachante, não tem vínculo nenhum com o Detran. Assim como o Hélio também não tem vínculo nenhum com isso.
A juíza fala que há evidência do envolvimento do senhor...
O desembargador lá não concordou com isso não, nem o promotor que está à frente dos trabalhos.
A testemunha revela que o senhor era o “dono” do Detran.
Ela, desesperada lá, falou um montão de bobagem. O que é que a gente vai fazer, né? Eu estou te dizendo a expressão da verdade. Os próprios meninos que foram presos, muitos deles eu nem conheço.
À espera do procurador
O processo que apura a máfia no Detran foi enviado pela juíza Regina Freitas, de Santa Cruz, ao Órgão Especial do Tribunal de Justiça — justamente por envolver um parlamentar com direito a foro privilegiado. Ele aguarda, há duas semanas, o parecer do procurador-geral de Justiça, Marfan Martins Vieira.
Na decisão, a juíza diz que na investigação fica ‘evidenciada a participação no esquema do deputado estadual Coronel Jairo’, que o depoimento da testemunha corrobora as transcrições telefônicas e os ‘demais elementos encontrados nos autos’. A testemunha ganhou direito a delação premiada.
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segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

BALANÇO DE GOVERNO

Por Rosália Rangel, do Diario de Pernambuco
Estou pronto para ganhar 2014 e vou me entregar a essa missão – disputar a Presidência da República –  com a mesma paixão com que eu tenho me entregue a construir um Pernambuco melhor para nossa gente”. Com essa disposição, o governador Eduardo Campos (PSB) traçou um cenário otimista para o seu projeto nacional em que terá como principal adversária a presidente Dilma Rousseff (PT), candidata à reeleição. Ele disse está “animado” para ganhar 2014 e para “dar conta” da missão que receber no próximo ano.
Na sala onde costuma reunir o secretariado para monitorar as ações da gestão, no Centro de Convenções, sede provisória do governo, Eduardo concedeu a habitual entrevista de fim de ano. O socialista fez o último balanço dos sete anos do seu governo, cujos êxitos servirão de vitrine para sua campanha a presidente, a exemplo das escolas integrais, das Unidades de Pronta Atendimento (Upas/Especialidades), projeto que acredita ser fundamental para fazer fluir o atendimento nas unidades de saúde e o Pacto pela Vida, programa de combate à violência.
Na avaliação do governador, 2013 foi um ano bastante “desafiador” para o mundo e muito “intenso” para o Brasil, com o povo brasileiro voltando às ruas embalados pelo desejo de mudança. Debruçado sobre dados estatísticas e resultados, Eduardo estava tranquilo diante dos números alcançados pela gestão. “Nós vamos bater o recorde de investimentos, que é tudo que o Brasil precisa fazer, segundo economistas de todas tendências”, frisou, garantindo que Pernambuco vai alcançou a meta proposta no início do ano de chegar a mais R$ 3,5 bilhões de investimentos. Confira a entrevista concedida aos jornalistas Suetoni Souto Maior, Marisa Gibson, Rosália Rangel, Josué Nogueira, Rochelli Dantas e Tânia Passos, do Diário.
Considerando que este é seu sétimo ano de gestão e o projeto nacional do PSB, se o senhor pudesse citar apenas uma área ou programa do seu governo como modelo para o Brasil, qual seria?
O que mais efetivamente me toca é ver que nosso governo é mais do que um conjunto de realizações setoriais. É uma obra de transformação política, econômica, obra que transformou o quadro social, a gestão pública de Pernambuco. E tem muita coisa que se observa pelos resultados, que as pessoas veem seus filhos estudando em escolas integrais. Temos a maior rede de escolas integrais do Brasil, segundo o Ideb. Ter a maior redução da evasão escolar, segundo o MEC em seu censo 2012. Ter redução da mortalidade, da violência, reduzir o desemprego a menos da metade do que era. Tudo isso pode ser medido por estatísticas mas tem uma coisa que você não mede que é a transformação política que isso está produzindo, transformação na economia.
Quando o senhor começou em 2007, disse que queria, quando acabasse o governo, ser reconhecido como o governador que tinha conseguido implantar um modelo de gestão impecável. Conseguiu?
Quando eu assumi o governo, em 2007, no final de 2008 eu fiz uma conversa com vocês (jornalistas) e dizia com clareza que a gente ia ganhar tudo isso com trabalho e que a gente ia fazer política de estado e que gostaria de poder entregar os nossos compromissos. Uma coisa que os pernambucanos viram é que nossa palavra empenhada é a palavra cumprida. Os nossos compromissos assumidos no sentido de construir um novo Pernambuco, porque o Pernambuco de hoje é melhor do que o Pernambuco daquele tempo e a gente precisa garantir que ele siga melhorando.
O senhor tem comemorado a queda nos homicídios. O governo consegue identificar, exatamente, qual o fator ou a ação que contribuiu para isso?
Consegue pelo território. Temos fomentado com universidades, através da Facepe (Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia do Estado de Pernambuco), vários estudos científicos que o nosso pessoal não tem condições de fazer. Temos uma área de estatística muito boa, mas é preciso que esses dados sejam ofertados a pessoas da ciência política, da antropologia, da sociologia para compreender a dinâmica de coisas que são muito novas também. O mercado do crack, por exemplo, é diferente do mercado de maconha, da cocaína. É necessário saber a dinâmica das gangues. Quando você tem uma boa estatística, quando consegue territorializar essa estatística você começa a interpretar melhor a dinâmica do crime. Isso ao lado do governo presente, que dá uma presença que não é de polícia, absolutamente, mas de assistência social, mediação de conflito, arte, cultura, escola, você começa a ver que tem fatores que são distintos a depender de certas realidades.
O governo comemora os investimentos na saúde, mesmo assim, todas as pesquisas de opinião mostram a área como a mais crítica junto à opinião pública no Brasil, mas também em Pernambuco.
Nós temos um déficit na saúde no Brasil ainda muito claro. Nenhum país do mundo, com economia do padrão do Brasil e com a população do tamanho da do Brasil, se propôs, de maneira tão bonita e correta, um sistema único de saúde. Os Estados Unidos da América, por exemplo, não tem um sistema aberto. Você morre de infarto na porta da rua e não pode bater nem na porta de uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento) porque não existe lá. Isso nos Estados Unidos da América. Então, há um problema? Há um problema. Agora, aqui nós temos cumprindo um programa que é maior do que o nosso compromisso. Nunca se investiu tanto em saúde pública nesse estado como nesses sete anos. Não dá nem para comparar.
Na sua opinião, onde está o gargalo do atendimento na saúde?
O gargalo é na média complexidade. Você procurar em uma UPA um ginecologista, um ortopedista de coluna porque você tem um desvio. Então, temos  que centralizar os serviços de média complexidade e foi daí, exatamente, que veio a ideia da UPA-E (Especialidade). Em 2014, vamos operar nas urgências as grandes linhas de cuidado, a exemplo de câncer, cardiologia, doenças ligadas à saúde da mulher, materno-infantil. Com isso, aqui em Pernambuco, vai estar organizado e as especialidades nas UPA-Es.
Na época do anúncio do Mais Médicos, o senhor falou que, se tivessem tomado as medidas necessárias anos atrás, não precisaria de um programa como esse. O senhor ainda tem essa opinião?
O problema do Mais Médicos é que teve um tempo na década de 1980 que nós fomos diminuindo as vagas das faculdades de medicina que existiam. Como um médico para se formar você leva dez anos, a falta só se sentiria 20 anos depois. Quando você faz o mapa, vê que tem centenas de municípios sem médicos. Se você tem edital chamando pessoas daqui para ali e não tem, o que se pode fazer?
Mas o senhor mesmo já chegou a dizer que tem médico que não gosta de trabalhar…
Fiz uma discussão para arrumar o serviço de assistência hospitalar no estado e dar transparência à quantidade de médicos e resultados e aos hospitais administrados tanto pelo estado quanto por OS (Organizações Sociais). Eles prestam com clareza quanto custa, quantas pessoas estão trabalhando, quantas cirurgias são feitas, qual o tempo de permanência de cada doente. Ou seja, a gente conseguiu chegar a um nível de resultados que todos os monitoramentos têm de unidade hospitalar por unidade hospitalar. Agora, em toda profissão tem gente que gosta de trabalhar e gente que não gosta. Cabe a gente botar esse povo para trabalhar.
A área de mobilidade tem recebido importantes investimentos em Pernambuco, agora existe a preocupação e uma pressão muito grande por conta da Copa do Mundo e algumas obras, no estágio em que elas se encontram, correm o risco de não ter a excelência que se deveria em projetos desse tipo. É mais importante cumprir cronograma ou fazer uma obra de excelência?
Vamos fazer obra de excelência, mas vamos cumprir o cronograma. As duas coisas. Tem coisas que são da Copa e tem coisas que não são. Na questão da mobilidade, a Copa foi uma oportunidade para a gente fazer aquilo que já deveria ter sido feito e faltava dinheiro. O Brasil passou muito tempo sem investir em transporte público de massa e houve todo o processo de incentivo ao transporte individual, inclusive, nos últimos anos. Pulamos de 1,2 milhão de veículos em 2006 para 2,4 milhões de veículos em 2012. E nós tivemos que fazer aqui em relação à mobilidade, que virou um tema nacional, sobretudo a partir de junho, prioridade desde o primeiro governo. Esse conjunto de obras vai ser entregue e, ao lado dessas entregas, vão ter coisas muito importantes que é licitar as linhas. Ter uma política que garanta transparência, controle social sobre as passagens. Tudo vai dar um resultado cultural diferente do transporte coletivo de massa.
De qualquer forma são três meses para fazer grande parte do que foi prometido no quesito mobilidade.
Não tem nada fora do cronograma. Todas as entregas que foram compromisso da Copa das Confederações nós cumprimos. Tudo que é compromisso para a Copa será cumprido. E todas as demais serão entregues até 2014 e a BR-101 que é um prazo para entregar em 2015. Os corredores Norte-Sul/ Leste-Oeste serão entregues em 2014, no prazo pactuado. Os corredores serão em março. O importante é entregar o que foi prometido da maneira correta. É você ter uma estação com segurança, se tiver chovendo, a pessoa está abrigada porque tem o prédio no padrão como deve ser.
As mudanças na Avenida Agamenon Magalhães estavam previstas para ter início em dezembro, mesmo não sendo para a Copa. O que aconteceu?
Para iniciar a obra, tem que ter projeto executivo aprovado. A obra efetivamente começa quando tem projeto, que se transforma em projeto executivo, aprova, e tem que começar a obra com tudo planejado. Não pode parar para projetista dizer o que vai fazer. Só entra quando está completamente seguro de todo o projeto executivo. O executivo foi terminado, o canteiro foi implantado e foi apresentado ao governo federal. A informação que eu tenho é que a liberação virá em dezembro para que possamos em 2014 entrar em campo, porque é parceria nossa com o governo federal.
O senhor citou 2014 como ano de grandes entregas como a Refinaria Abreu e Lima, a Fiat, mas já há uma grande preocupação com relação aos empregos. O pico de obras já está chegando ao fim e as indústrias ainda não estão operando. Como o governo pretende superar esse hiato?
Grandes empreendimentos estão em obra até o fim de 2014 e entram 2015. Vai ter menos obra, mas vai ter obra. A intensidade do ano de 2014 continua até 2015. O que estamos tratando é um conjunto de obras como essa que será sequenciado com um conjunto de outras obras que vão se iniciando. Você tem duas cervejarias (Itaipava e Schin) que irão empregar 950 pessoas cada e começarão a rodar agora nesse verão. Então há um trabalho de articulação que você vai trazendo novos investimentos para que as pessoas que estão habilitadas saiam para outros projetos. É a dinâmica de garantir crescimento econômico, obras públicas, obras privadas, para irem se ajustando.
O ex-ministro Fernando Bezerra Coelho, seu aliado, afirmou que o senhor anunciaria a candidatura oficialmente em fevereiro. Há pressões também para a sucessão estadual. O senhor confirma essa data? Como tem administrado a pressão interna para definir a sucessão em Pernambuco?
Na verdade a nossa programação sempre foi cuidar de 2014 em 2014. É uma decisão estrategicamente tomada por saber que só em 2014 as circunstâncias estavam colocadas.
O senhor está falando do estado?
Não, falo geral também. Nós não tínhamos dúvida que no ano de 2013 ia acontecer muita coisa, que ia jogar sobre 2014 uma circunstância bem distinta da que a gente saía de 2012. Quem poderia imaginar que o PSB chegasse a dezembro de 2013 do tamanho que o PSB chegou? Um partido unido, animado, crescendo, recebendo reforços, fazendo aliança com a Rede, com a (ex-ministra) Marina (Silva); recebendo apoio do PPS, fazendo o que o PSB hoje tem feito na cena política brasileira. Em 2014, a nossa discussão sobre o projeto nacional será prioridade. Então, a prioridade é o projeto nacional, o projeto que vai se colocar com a missão de fazer a mudança que a sociedade deseja que seja feita, aquela mudança que respeita as conquistas, que não nega o papel de quem quer que seja que vem construindo estabilidade, democracia e inclusão social, mas uma mudança que mostra que há uma exigência da sociedade brasileira de mudar o pacto político que está aí porque ele não tem condições, ao nosso ver, de produzir nada de inovador à vida pública brasileira, e pode, ao contrário, colocar em risco as conquistas que tivemos no passado. Isso não é um juízo de valor contra quem quer que seja, é uma constatação da realidade, é uma forma da gente ver essa realidade.
Qual o papel do PSB nesse contexto que o senhor descreve?
O PSB ao mesmo tempo que vai oferecer um projeto para o país, vai ter a tarefa em cada um dos estados de construir uma frente política que guarde coerência exatamente com esses valores, com esses sentimentos e uma proposta para cada estado. Em Pernambuco, com uma obrigação ainda maior de quem produziu essas mudanças para que as conquistas sejam consolidadas e a gente possa ampliar essas conquistas. Então, esse desafio é o que vamos dar conta de fazer nesse primeiro semestre de forma muito tranquila. É bom que temos opções, muitas opções para composição dentro do PSB, fora do PSB, para composição majoritária e vamos fazer isso no tempo certo. Todos estão completamente animados com o projeto nacional e todos estão preparados para fazer a solução que seja necessária ser feita e será feita com muita tranquilidade, no tempo certo.
O senhor tem falado muito de soluções, do ponto de vista de gestão. Que experiências de Pernambuco serviriam para o Brasil, já que o senhor tem criticado tanto a gestão da presidente Dilma?
Acho que o Brasil melhorou nos últimos anos. A gente sempre quer que a melhora seja maior e é bom que seja assim. O Brasil melhorou quando construiu democracia, quando construiu estabilidade, melhorou quando construiu um ciclo de inclusão social. Isso é uma fato e o PSB participou desses momentos. O presidente Fernando Henrique fez oito anos de governo e o PSB se alinhou a luta da Frente Brasil Popular para ver Lula começar o último ciclo de crescimento e inclusão que foi muito importante para o Brasil. Em 2010, fomos convencidos que a eleição poderia ir para o segundo turno e levar a eleição para o segundo turno colocaria em risco o projeto. E mesmo o Brasil crescendo a 7,5%, mesmo todo mundo junto, mesmo Lula com mais de 80% de aprovação, a eleição foi para o segundo turno e nós vimos se iniciar um governo que completa agora três anos.
E como o senhor vê nesse governo?
A gente viu nesse governo uma série de questões acontecerem na economia, no diálogo, na relação política. Uma série de questões. O governo tem acertos? Tem acertos. O governo tem erros? Tem erros. O fato de o governo que está aí é que cresce muito menos do que vinha crescendo antes. Cresce a metade do que crescia na era Lula. Cresce quase a metade do que crescem nossos vizinhos submetidos à mesma crise internacional que nós e estamos crescendo quase a metade do que cresce o mundo, então tem algum problema aqui. Entre esses problemas econômicos, de governança, de pacto federativo, de diálogo institucional, de narrativa na economia do plano de longo prazo, prejudicaram as expectativas sobre o futuro do Brasil. É nesse cenário que o PSB entendeu por bem deixar o governo para que o governo ficasse inteiramente à vontade e o PSB à vontade para fazer um debate sobre o Brasil, para colocar o Brasil num debate que não houve em 2010.
Pela sua exposição, quer dizer que o erro não é apenas a falta de diálogo e foi desde a colocação da candidatura dela, quando foi impedido esse debate que o senhor está propondo agora?
Não, eu disse que houve uma decisão do PSB com o apelo do presidente Lula a quem dedicamos respeito, com quem trabalhávamos naquele instante que ele dizia que queria que o projeto continuasse e havia um risco e nós entendemos que a decisão que tomamos foi certa. A campanha como ela se desenrolou não permitiu um debate efetivo sobre o Brasil. O debate resvalou para temas religiosos, resvalou para agressões. Mas temos um país que tem uma missão muito maior do que fazer uma segunda versão do PAC, do que fazer uma segunda versão do debate entre nós e eles. O Brasil tem 20 anos de janela demográfica, só 20 anos mais o Brasil será um país jovem. Ou nós arrumamos o país nesses 20 anos ou nós vamos chorar esse século todo as oportunidades perdidas. Então, temos que olhar para a qualidade de vida do povo brasileiro que está sendo reclamada, para democracia que esta sendo reclamada, para o serviço público que está sendo colocado em cheque pela cidadania brasileira. Você imaginar que essa não é uma nova hora de fazer um debate com conteúdo, que é só discutir nomes e interesses do partido, aí eu desaprendi política.
O senhor acha que é o político indicado para impedir que o Brasil desperdice esses 20 anos em 2014. O senhor se dispõe a ser esse homem?
Ao longo desses sete anos aqui, eu amadureci muito, aprendi demais e tenho aprendido todos os dias e vejo que estão criadas as circunstâncias políticas no Brasil para que o PSB tenha um candidato para Presidência da República. Essa decisão nós vamos tomar em 2014, mas posso lhe dizer que estou pronto e estou animado para ganhar o ano de 2014 e para  dar conta da missão que me foi entregue. Vou me entregar a essa missão com a mesma paixão que eu tenho me entregue para construir um Pernambuco melhor para nossa gente.
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