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quarta-feira, 31 de outubro de 2012

UM GRANDE TOMBO

Por José Antonio Lima da Carta Capital
 O segundo turno das eleições municipais pelo País confirmou uma tendência verificada ainda no primeiro turno. Embora tenha conquistado São Paulo, a maior cidade brasileira, o PT sofreu um grande tombo em vários dos municípios mais populosos. Ainda assim, continua com o maior número de prefeituras nas 186 cidades com mais de 100 mil eleitores. O partido é seguido pelo PSDB, que teve uma expressiva alta, pelo PMDB, que caiu, e pelo PSB, sigla que deixou as urnas com motivos para comemorar. Somados os números de eleitores, o PT é hoje a legenda que governa para mais pessoas no Brasil.
Antes das eleições, o Partido dos Trabalhadores comandava 46 das 186 maiores cidades do país. A partir de 2013, o partido terá 32 prefeitos. A queda maior ocorreu nos municípios com um número de eleitores entre 150 mil e 200 mil. Nas 36 cidades deste recorte, o partido tinha 13 prefeituras e conquistou apenas cinco. Nos 83 municípios com mais de 200 eleitores, o PT caiu de 21 para 16 prefeitos.
Mesmo com a perda de 14 cidades entre as 186 maiores, o PT continuará governando um grande número de eleitores. São 17,5 milhões de um total de 64,1 milhões, o equivalente a 27% do total. Além de São Paulo (que faz a diferença, com seus 8,6 milhões de eleitores), o PT ganhou nas outras quatro maiores cidades da Grande São Paulo – Guarulhos (825 mil eleitores), São Bernardo do Campo (574 mil), Santo André (553 mil) e Osasco (543 mil) – e em outros grandes municípios, como Goiânia (850 mil), João Pessoa (480 mil), São José dos Campos (455 mil) e Uberlândia (444 mil).
PSDB e PSB crescem
O PSDB teve o maior ganho entre todos os partidos nas cidades com mais de 100 mil eleitores, passando de 19 prefeituras antes das eleições para 31 em 2013, tornando-se o segundo maior partido neste recorte, com um município a menos que o PT. Os tucanos ganharam seis cidades a mais entre as 83 maiores (foram de 9 para 15), com destaque para as capitais Manaus (1,1 milhão de eleitores) e Belém (1 milhão). Outros municípios importantes nas mãos do PSDB são Teresina (531 mil eleitores), Maceió (500 mil), Sorocaba (427 mil), no interior paulista, e Jaboatão dos Guararapes (416 mil), região metropolitana de Recife.
No total de eleitores governados nos 100 maiores municípios, o PSDB aparece em terceiro lugar, com 8,8 milhões. O quarto colocado neste quesito é o PSB, com 8,7 milhões de eleitores.
Os socialistas tinham nove das 186 maiores cidades e agora têm 18. O PSB conseguiu se destacar nos maiores municípios. Além de ganhar cinco capitais (Belo Horizonte, Fortaleza, Recife, Cuiabá e Porto velho), o partido conquistou cidades importantes, como Campinas (785 mil eleitores) e Duque de Caxias (602 mil), respectivamente os terceiros maiores colégios eleitorais de São Paulo e Rio de Janeiro.
PMDB tem o segundo maior eleitorado
Assim como ocorreu com o PT, o PMDB sofreu uma queda expressiva (perdeu sete prefeituras no universo das 186 maiores), mas continua com força. A legenda tem 29 municípios sob controle, com uma quantidade de eleitores de 10,1 milhões. As maiores cidades com prefeitos do PMDB são Rio de Janeiro (4,7 milhões de eleitores), Nova Iguaçu (561 mil), Juiz de Fora (386 mil) e Joinville (369 mil).
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AFASTADA


A prefeita de Natal Micarla de Sousa (PV) foi afastada do cargo nesta quarta-feira (31). A decisão foi do desembargador Amaury Moura, do Tribunal de Justiça, acatando pedido feito pelo procurador-geral de Justiça, Manoel Onofre Neto. 
Em ação com pedido liminar, o Ministério Público denunciou o suposto envolvimento da prefeita em esquemas de fraudes em processos licitatórios da Secretaria Municipal de Saúde. 
O caso ficou conhecido como Operação Assepsia, na qual foram denunciados empresários, o procurador do município e secretários por ilegalidades em contratos de empresas para gerenciamento de Unidades de Pronto Atendimento (UPA) e da Assistência Médico Especializada (AME).
Na ação, o procurador-geral de Justiça pediu também o afastamento dos secretários municipais Jean Valério Damasceno (Secretaria Municipal de Juventude, Esporte, Lazer e Copa do Mundo da FIFA) e João Bosco Afonso (Secretaria Especial de Meio Ambiente e Urbanismo). O desembargador não analisou o pedido do Ministério Público. O processo tramita em segredo de justiça.
A prefeita será substituída pelo vice-prefeito, Paulinho Freire (PP), que foi eleito vereador no pleito municipal deste ano.
A gestão de Micarla de Sousa, que é presidente estadual do Partido Verde, tem um índice de desaprovação superior a 95%, segundo o Ibope. Durante a manhã desta quarta-feira, após saber que havia sido afastada da prefeitura, ela permaneceu em casa e não concedeu entrevista à imprensa ou emitiu nota oficial. 
O telefone celular do secretário municipal de Comunicação continua desligado. A administradora afastada recebeu, nesta manhã, a visita de alguns auxiliares de primeiro escalão, mas eles também não falaram à imprensa.
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"LEI CAROLINA DIECKMANN"


Do UOL, em São Paulo
O Senado aprovou nesta quarta-feira (31) o Projeto de Lei da Câmara 35/2012, que altera o Código Penal para tipificar como crime uma série de infrações no universo virtual. A proposta, apelidada de “lei Carolina Dieckmann”, foi votada na Câmara em maio deste ano, logo depois que fotos da atriz em poses sensuais foram parar na internet sem sua autorização. Como recebeu emendas no Senado, a proposta segue novamente para a Câmara dos Deputados, onde será revista.
“Ele [o projeto] produzirá uma mudança na utilização da internet no Brasil. Inclusive punir os criminosos que roubaram e distribuíram as fotos da atriz Carolina Dieckmann”, afirmou então o presidente da Câmara, deputado Marco Maia (PT-RS). “Infrações relacionadas ao meio eletrônico como invadir computadores, violar dados de usuários ou derrubar sites estão mais perto de se tornarem crimes”, definiu a Agência Senado ao anunciar a aprovação.
O projeto de lei que tem autoria do deputado Paulo Teixeira (PT-SP) classifica como crime, por exemplo, a violação indevida de equipamentos e sistemas conectados ou não à rede de computadores, com o fim de obter, adulterar ou destruir dados ou informações sem autorização do titular, ou ainda para instalar vulnerabilidades. A pena nesses casos é de três meses a um ano de detenção, além de multa.
Também está prevista punição de seis meses a dois anos de reclusão, além de multa, para quem obtiver dados após a invasão ou controlar a máquina invadida remotamente. A pena aumenta de um a dois terços se houver divulgação, comercialização ou transmissão a terceiro dos dados obtidos. Segundo a Agência Senado, estima-se que, em 2011, as instituições financeiras tiveram prejuízos de cerca de R$ 2 bilhões com delitos cibernéticos.
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ÚLTIMA EDIÇÃO

A trajetória vitoriosa de um dos mais importantes jornais  do país, o Jornal da Tarde, chega ao fim, circula  hoje, 31 de outubro sua última edição. Ao longo de seus 46 anos de circulação, o JT foi polo de inovação e criatividade e, com seus premiados jornalismo e design gráfico e sua prestação de serviços, influenciou gerações de leitores e de profissionais da comunicação.
O Jornal da Tarde que teve como um de seus idealizadores, o jornalista Mino Carta – depois criou as revistas Veja e Carta Capital – inovou o jornalismo brasileiro com esse “formato de literatura”, gênero que surgiu nos Estados Unidos na década de 60 como novo jornalismo. Os principais expoentes do gênero estão Tom Wolfe, Gay Talese, Norman Mailer e Truman Capote. 
O JT deixa de circular por uma decisão empresarial, afirmou o Grupo Estado, ao qual pertencia a publicação. O foco estratégico é fortalecer a marca Estadão, com uma plataforma mais robusta e avançada, principalmente no meio digital. Um dos carros-chefes do jornal é o Jornal do  Carro, que continuará, mas agora encartado no jornal Estadão, ampliado e com novas seções. Já sai na próxima quarta-feira, 7 de novembro.
Jornal da Tarde é o terceiro jornal a fechar às portas em pouco mais de três anos. Em maio de 2009, o tradicional jornal econômico, Gazeta Mercantil, encerra sua circulação após 89 anos. Setembro de 2010 outro tradicional e gigante da imprensa brasileira, o Jornal do Brasil, com 119 anos de existência coloca um ponto final em suas atividades impressas e passa a existir apenas na internet.
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VIOLÊNCIA E MEDO


O foco da grande imprensa brasileira está no furacão Sandy, nos Estados Unidos, enquanto isso, São Paulo vive há mais de quatro meses uma onda de assassinatos a policiais e civis. Nos bairros mais afastados do centro já impera o toque de recolher por criminosos de facções que dominam o tráfico há mais de uma década.
Enquanto isso, o secretário de Segurança Pública do Estado de São Paulo, Antonio Ferreira Pinto, em entrevista disse que não há necessidade de Exército, Marinha ou Aeronáutica, já que as policias são autossuficientes. Afirmou ainda que o departamento de inteligência da polícia é muito bom.
A cidade de São Paulo tem hoje uma média de 4,5 homicídios por dia, 135 no mês de setembro, comparado ao mesmo período de 2011, um aumento de 96%. É uma guerra de grande proporção que o secretário Antonio Ferreira Pinto parece ignorar.
A Secretaria de Segurança Pública não apresenta uma estratégia que tenha eficácia para estagnar esse derramamento de sangue. Enquanto isso, policiais e cidadãos de bem continuam sendo assassinados e entram para os números dessa triste estatística da violência.
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terça-feira, 30 de outubro de 2012

HOMENAGENS INDEVIDAS


O Ministério Público do Estado do Ceará (MP-CE) propôs uma Ação Civil Pública (ACP) contra a Prefeitura de Sobral para pedir a nulidade de homenagens a pessoas vivas no município. O MP pede que, em 60 dias, sejam retiradas de todos os patrimônios públicos os letreiros ou outras homenagens a pessoas vivas na cidade.
Na ação, o MP pede que a Prefeitura de Sobral seja condenada a não conceder novas homenagens a pessoas vivas nos prédios e logradouros públicos da cidade. Em caso de descumprimento da sentença, o MP também pede que a Prefeitura pague uma multa diária no valor de R$ 20 mil, que deve ser destinado ao Fundo Estadual de Direitos Difusos.
Os promotores responsáveis pela ação argumentam que a conduta viola o princípio da impessoalidade, previsto na Constituição Federal de 1988.
Dentre os exemplos citados pelo MP estão a Vila Olímpica Ciro Gomes, que presta homenagem ao ex-deputado federal, a Escola Municipal Padre Osvaldo Chaves, que homenageia o religioso e educador de Sobral, a Praça Joceli Dantas, que homenageia um empresário local do ramo do café, a Escola Municipal Maria José Santos Ferreira Gomes, mãe do atual governador do Ceará e o Hospital do Coração de Sobral Pe. José Linhares Ponte, que presta homenagem ao deputado federal eleito pelo PP.
A Prefeitura Municipal de Sobral declarou que ainda não foi notificada sobre a ação, e por isso não irá falar sobre o assunto.
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segunda-feira, 29 de outubro de 2012

DE TRUNFOS E TRIUNFOS

Por Dora Kramer  colunista do O Estado de S.Paulo
O resultado de São Paulo foi uma derrota vergonhosa do PSDB e, para o PT, mais que uma vitória: um triunfo mais que suficiente para o partido sair desta eleição com dois trunfos.
A imposição de uma derrota ao PSDB dentro "de casa" e, além de tudo, disputando com um candidato tido inicialmente como imbatível é um deles. O mais substancioso.
O outro trunfo, a conquista de um estandarte para servir de contrapeso às condenações no Supremo Tribunal Federal, não tem validade prática. É meramente simbólico, mas pode funcionar para aplacar os brios feridos do partido.
Pelo menos durante esta semana as comemorações farão com que o STF passe alguns dias sem ser acusado disso ou daquilo. Ou não, porque sempre haverá quem alegue que o eleitor paulistano deu uma "resposta" ao Supremo elegendo Fernando Haddad prefeito.
Delírios à parte, fato é que na política o PT saiu desse 2.º turno como o grande vitorioso. Elegeu São Paulo como sua principal arena e nela venceu. Só que o conjunto não é feito só de vitórias. Houve derrotas importantes que não permitem ao PT conduzir-se como absoluto.
Se de um lado o ex-presidente Lula cumpriu com alto êxito seu objetivo na cidadela tucana, de outro viu emergir desta eleição uma inquietação no campo governista que terá trabalho para neutralizar.
Levado pelo sucesso em Recife em embate direto com o PT, o governador Eduardo Campos entrou na cena antes do esperado. Começa a trilhar caminho próprio, acumulando forças e agregando aliados para enfrentar a contraofensiva que vem logo adiante.
No campo oposicionista propriamente dito, não obstante ganhos significativos - Manaus e Salvador - em termos nacionais, o balanço é de acentuada perda pela exposição dos frangalhos do PSDB em São Paulo.
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EDIFÍCIO DO PODER, SEM Nº


Por José Roberto de Toledo, colunista do O Estado de S.Paulo
Mudam divisórias, PT e PSB ganham mais espaço, PMDB e PSDB perdem salas, mas as estruturas do edifício do poder continuam inalteradas no Brasil. Os petistas ocupam a cobertura há 10 anos, mas o restante do prédio é dividido entre 30 condôminos. O PT elege o síndico, mas não administra o condomínio sem ceder poder a outros. Ninguém tem hegemonia. E é bom que seja assim.
O PT sai maior das urnas, mas com direito a ocupar apenas 11% das prefeituras e a governar 20% do eleitorado local. Tudo bem que isso inclui o canto mais populoso do edifício, a sala São Paulo, mas está longe de configurar um domínio da política brasileira. O partido de Lula cresce, mas não é o único. O PSB vem na cola e tem seus próprios planos.
O partido do governador Eduardo Campos, de Pernambuco, elegeu 131 prefeitos a mais do que em 2008 e entrou para o seleto clube dos 10%: os prefeitos do PSB passarão a governar uma fatia que corresponde a 11% do eleitorado local a partir de janeiro. A sigla dobrou o que conseguira quatro anos atrás: governará 15 milhões de eleitores. Só outros três partidos estão nesse clube.
A base municipal obtida pelo PSB é necessária para o partido barganhar melhores condições numa coligação presidencial, mas, sem articulações com outras siglas, é insuficiente para lançar o governador pernambucano à sucessão de Dilma Rousseff (PT) na disputa de 2014. Por isso, devem crescer as conversas de Campos com os tucanos, por exemplo.
O PSDB viu sua participação no bolo do eleitorado municipal cair de 14% para 13% nesses quatro anos. A maior queda foi a do PMDB: de 22% para 17% do eleitorado municipal. A fatia do PT cresceu de 16% para 20%.
Todas essas participações são maiores do que o pedaço do bolo que está no prato de Eduardo Campos, por enquanto. Mas o tamanho e a distribuição das fatias devem continuar mudando mesmo depois de terminada a apuração.
Há, por exemplo, as conversas de fusão entre o PP de Paulo Maluf com o PSD de Gilberto Kassab. O primeiro encolheu, e o segundo roubou prefeitos e prefeituras de todos os partidos médios e virou uma sigla com boa penetração nos rincões do Brasil profundo. O PSD é uma contradição em termos: cresceu, mas encolheu. Os seus 497 novos prefeitos governarão, juntos, um eleitorado equivalente ao que Kassab deixará de governar.
Mesmo assim, se PSD e PP virarem PSDP ou PPSD comandarão 966 prefeituras e governarão 16 milhões de eleitores. Ficariam em segundo lugar no ranking de prefeitos e em quarto no de eleitorado a governar. Como serão, na imensa maioria, cidades pequenas, não devem movimentar muito dinheiro, mas, a depender a distribuição geográfica, têm potencial para eleger a terceira ou quarta maior bancada de deputados federais em 2014.
Falsa hegemonia. Colocados em perspectiva, os avanços do PT mostram que o partido de Dilma e Lula está longe de ter se tornado hegemônico: 89% das prefeituras e 80% do eleitorado municipal estarão nas mãos de outras legendas partidárias. Não dá para fazer o que bem entender na assembleia do condomínio sem colher uma reação negativa dos outros condôminos. O poder petista é consorciado. Para ser exercido continuará dependente de alianças.
O resultado do 2.º turno em si mostra que quando o PT enfrenta um duelo dois a dois e seu desempenho piora bastante. Dos 22 segundos turnos que disputaram, os petistas ganharam só em oito municípios. A taxa de sucesso foi de apenas 36%, praticamente duas derrotas para cada vitória.
Essa é uma característica do PT. Para continuar crescendo, o partido de Lula precisará fazer um esforço cada vez maior. Como elege proporcionalmente menos candidatos do que o PMDB e o PSDB, por exemplo, precisará lançar um número ainda maior de postulantes a prefeito em 2016 para aumentar sua fatia de poder municipal. Até agora tem conseguido, mas a um custo relativamente mais alto do que o de seus aliados e rivais.
O PT chegou ao posto de maior partido brasileiro graças a uma organização nacional, a um projeto de poder e a lideranças carismáticas. Seu principal concorrente, o PSDB, tem uma lição de casa mais trabalhosa. Precisa renovar suas lideranças, ajustar seu discurso eleitoral e corrigir deficiências regionais.
Das sete centenas de prefeitos tucanos, 45% estão concentrados em São Paulo (176) e em Minas Gerais (142). Isso pode ser um problema para o PSDB eleger deputados federais em 2014, principalmente no Ceará, na Bahia e no Rio Grande do Norte.
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domingo, 28 de outubro de 2012

QUEM GANHA E QUEM PERDE

O segundo turno das eleições municipais de 2012 chega ao fim. Veja quem ganhou e quem perdeu. Confira como fica o mapa político a partir de 1 de janeiro de 2013, clicando nos seguintes links: UOL, Época, Terra, Veja e Estadão.
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sábado, 27 de outubro de 2012

2º TURNO EMOCIONANTE


Do O Povo
O fortalezense irá às urnas hoje decidir a eleição mais disputada desde que foi instituída a realização de segundo turno. De forma inédita na história da Capital, a pesquisa realizada na véspera da votação mostra empate entre os dois competidores que chegaram a essa fase da disputa. No dia da eleição, o resultado é completamente imprevisível.
Tanto Elmano de Freitas (PT) quanto Roberto Cláudio (PSB) aparecem com 50% dos votos válidos, que é a forma oficial como será divulgado pela Justiça Eleitoral o resultado do pleito deste domingo. Nesse cálculo, são desconsiderados os indecisos, os que dizem votar em branco, nulo ou em nenhum dos dois.
Considerado o total de votos, os dois competidores aparecem com 42% das intenções de voto. Roberto Cláudio oscilou positivamente um ponto desde a pesquisa realizada nas últimas terça e quarta-feira. Já Elmano se manteve com o mesmo percentual desde a primeira pesquisa realizada neste segundo turno, realizada há cerca de dez dias.
Mesmo na véspera do pleito, ainda há 7% de eleitores que não sabem em quem votar para prefeito. Além disso, dentre aqueles que já se decidiram por um dos lados, há 8% que admitem rever a posição até a hora de digitar o número na urna eletrônica. O que acrescenta ingredientes adicionais ao cenário de indefinição.
O índice de consolidação do voto entre ambos é igualmente muito próximo: são 8% os que votam em Elmano e admitem trocar de candidato. Entre os que votam em Roberto Cláudio, o índice é de 7%.
O percentual dos que dizem votar em branco, nulo ou em nenhum dos dois soma 9%. Mas esse percentual é mais elevado entre os mais jovens - chega a 17% - e entre os mais escolarizados - fica em 14%.
O petista abre sua maior vantagem entre os eleitores entre 45 e 59 anos. Já o candidato do PSB alcança maior diferença sobre o oponente entre os eleitores mais ricos.
Metodologia
O Datafolha ouviu 1.748 eleitores de Fortaleza na sexta-feira e neste sábado. A margem de erro máxima é de três pontos percentuais para mais ou para menos, considerado nível de confiança de 95%. Isso significa que, entre 100 levantamentos feitos com a mesma metodologia, em 95 o resultado estará dentro da margem de erro prevista. A pesquisa está registrada no Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE) com o número CE-00185/2012. 
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DISPUTA INDEFINIDA


Ao que tudo indica, o segundo turno da eleição será decidido nos últimos momentos da apuração, que está prevista para começar às 17h (horário cearense). Na última pesquisa Ibope antes da votação, divulgada neste sábado (27), os candidatos a prefeito de Fortaleza estão em empate técnico. O candidato Roberto Cláudio (PSB) aparece com 44% contra 42% de Elmano de Freitas (PT). A margem de erro é de 3 pontos percentuais, para mais ou para menos.
Roberto Cláudio e Elmano de Freitas aparecem em empate técnico na última pesquisa Ibope antes do segundo turno.
A eleição deve ser definida a partir dos indecisos, que contabilizam 4%. A pesquisa mostra, também, que brancos e nulos representam 10%.
Votos válidos
Quando são considerados apenas os votos válidos, o candidato pessebista tem 51%, e o candidato petista aparece com 49%.
Comparando com a pesquisa divulgada na última quinta-feira (25), Roberto Cláudio (PSB) cresceu um ponto percentual, pois apresentava 43%. Já o concorrente do PT, Elmano de Freitas, caiu um ponto.
Registrada no Tribunal Regional Eleitoral do Ceará sob o protocolo n° CE-00184/2012, a pesquisa foi encomendada pela TV verdes Mares e realizada entre a última quinta-feira (25) e este sábado (27). Foram entrevistados 1.001 eleitores.
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sexta-feira, 26 de outubro de 2012

DISCURSO DA DERROTA


Por Estelita Hass Carazzai, de Curitiba
Após pesquisa Datafolha registrar 17 pontos percentuais de vantagem para seu adversário na reta final da eleição, Ratinho Junior (PSC), que disputa a Prefeitura de Curitiba, já reconhece erros na campanha e diz torcer para que as pesquisas estejam enganadas.
O candidato do PSC, 31 anos e deputado federal em segundo mandato, foi a grande surpresa do primeiro turno. Ficou em primeiro lugar, com 34% dos votos válidos, e deixou para trás o pedetista Gustavo Fruet, apoiado pelo PT dos ministros Gleisi Hoffmann (Casa Civil) e Paulo Bernardo (Comunicações); e Luciano Ducci (PSB), atual prefeito e afilhado político do governador tucano Beto Richa.
Hoje, porém, Ratinho está atrás do adversário. Segundo Datafolha divulgado nesta semana, Fruet tem 52% das intenções de voto, contra 35% de Ratinho. Na pesquisa da semana anterior, ele tinha 36% --a oscilação foi dentro da margem de erro.
"Nós erramos, demoramos a reagir", diz, sobre a campanha no segundo turno.
A inércia da candidatura ocorre a despeito de uma mudança de estratégia. Desde a semana passada, ele vem centrando críticas em Fruet, ex-tucano, e em sua aliança com o PT, acusando-o de "contradição". Vinhetas na TV também afirmam que o partido rival "nunca deu certo em prefeituras", numa tentativa de atingir o eleitorado anti-PT.
A avaliação de Ratinho, porém, é que ele não conseguiu atrair os eleitores do atual prefeito. Segundo o Datafolha, 55% dos eleitores de Ducci no primeiro turno declaram voto em Fruet.
"Acho que é pela ligação que ele tinha com o grupo anterior [de Ducci]", diz o candidato do PSC. Fruet saiu do PSDB, que apoia o atual prefeito, no ano passado, e chegou a fazer campanha ao lado de Ducci em 2010.
Ratinho Junior também avalia que errou ao não rebater as acusações de inexperiência, que ocorrem desde o primeiro turno.
"Eles [Ducci e Fruet] me desconstruíram, jogaram uma sensação de insegurança para a população", afirma.
Integrantes da campanha concordam que houve "erro de estratégia", o que causou debates acalorados na coordenação, e "demora" ao mobilizar a militância após o primeiro turno.
Agora, Ratinho diz estar fazendo uma "defesa territorial", indo atrás do eleitor mais pobre e da periferia, que votou nele e em Ducci. A campanha tem reforçado que o candidato, filho do apresentador Ratinho, é "do povão", e apelado pela "virada".
Ratinho não comenta o que fará caso perca a eleição --ele é deputado federal licenciado e tem mandato até 2014.
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SOMOS TOP 100


Caros amigos, leitores e parceiros do blog SOU CHOCOLATE E NÃO DESISTO é com imenso prazer que comunico a todos que pela quarta vez - em 2011 ficamos em 2º lugar no voto Júri Acadêmico - estamos entre os 100 Blogs de Política do Brasil, no maior e mais importante prêmio da blogosfera brasileira, o Prêmio TopBlog. A premiação acontece em dois turnos.
Somos finalistas do 2º Turno, obrigado a todos que votaram no primeiro turno. Agora, conto com o voto de todos para chegar a final e mais uma vez ficar entre os três blogs mais votados na categoria Blog Política/Pessoal. Para votar é simples; vote com seu perfil do Facebook, Twitter ou Email. Clique aqui ou no selo amarelo na parte superior do Blog e confirme seu voto. Muito obrigado.
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quinta-feira, 25 de outubro de 2012

DISPUTA VOTO A VOTO

Do O Povo
Realizada a quatro dias do segundo turno, a pesquisa O POVO/Datafolha mostra cenário absolutamente indefinido na eleição para prefeito de Fortaleza. Desde a pesquisa realizada na semana passada, o candidato do PSB, Roberto Cláudio, cresceu quatro pontos percentuais. Ele passou de 37% para 41%. Já o concorrente do PT, Elmano de Freitas, ficou estável, com 42%.
Como a margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos, a situação permanece de empate técnico, como na semana passada. Contudo, às vésperas da eleição, a diferença entre eles caiu de cinco para um ponto percentual.
Roberto Cláudio cresceu principalmente entre os que antes declaravam votar em branco, nulo ou em nenhum dos candidatos.
Esse índice passou de 11% para 8%. Já os que dizem não saber em quem votar permanecem estáveis em 9%. Com disputa tão parelha, esses eleitores serão determinantes para o resultado da eleição.
Quando são considerados apenas os votos válidos, forma oficial como a Justiça Eleitoral divulga o resultado da eleição, Elmano oscilou negativamente de 53% para 51%, enquanto Roberto Cláudio fez o caminho inverso e foi de 47% para 49%.
O percentual de eleitores que dizem não votar em Elmano de jeito nenhum passou de 38% para 41%. Já os que não declaram voto no petista, mas admitem essa possibilidade se mantiveram nos mesmos 11% da semana passada. Em relação a Roberto Cláudio, os que rejeitam totalmente a hipótese de voto nele fizeram praticamente o caminho inverso em relação ao observado com Elmano e oscilaram de 41% para 39%. Já os que admitem a possibilidade de voto nele oscilaram de 15% para 14%.
Roberto Cláudio permanece se saindo melhor em atrair eleitores que, no primeiro turno, optaram tanto por Heitor Férrer (PDT) quanto por Moroni Torgan (DEM).
Ele obtém 46% das intenções de voto dos que declaram ter votado no pedetista, contra 28% que migraram para o petista. Já entre os que dizem ter votado no candidato do DEM, a diferença é maior: 58% optam agora pelo postulante do PSB, enquanto 21% preferem Elmano. Curiosamente, há 7% dentre os que votaram no candidato do PT no primeiro turno que agora mudaram de lado e votam no concorrente do PSB. Outros 5% estão indecisos sobre a repetição do voto. E, entre os que declaram ter escolhido Roberto Cláudio no primeiro turno, há ainda mais defecções em favor de Elmano: 10%, enquanto 6% não sabem.
O Datafolha ouviu 1.279 eleitores anteontem e ontem. A pesquisa está registrada com o número CE-00182/2012.
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DISPUTA ACIRRADA

Do jornal Diário do Nordeste

Três dias antes da votação para eleger o novo prefeito de Fortaleza, o Ibope apresenta os números de sua última pesquisa, contratada pelo Diário do Nordeste, sobre a disputa entre os candidatos Elmano de Freitas (PT) e Roberto Cláudio (PSB). Se na primeira pesquisa neste segundo turno os percentuais atribuídos aos dois candidatos indicavam um empate técnico, caracterizando uma disputa acirrada, agora ela está mais dura ainda. Os dois têm os mesmos números de intenção de voto.
Os entrevistadores do Ibope estiveram em campo entre os dias 21 e 23 últimos e ouviram um total de 805 eleitores maiores de 16 anos, representando os mais diversos segmentos do eleitorado fortalezense. Para cumprir ao que determina a legislação eleitoral, a pesquisa está devidamente registrada no Tribunal Regional Eleitoral.
Neste momento, diz o relatório do Ibope, os candidatos Elmano de Freita e Roberto Cláudio aparecem numericamente empatados com 43% das menções cada um. Sem considerar os eleitores que declaram a intenção de votar em branco, os que afirmam anular o seu voto e os que ainda se declaram indecisos, cada um dos candidatos têm 50% dos votos válidos.
Na rodada anterior, realizada para a TV Verdes Mares, também integrante do Sistema Verdes Mares, entre os dias 15 e 17 de outubro, os dois candidatos apareciam tecnicamente empatados no limite da margem de erro da pesquisa. Naquela oportunidade Roberto Cláudio tinha 41% contra 39% de Elmano de Freitas. Na pesquisa agora publicada 11% dos eleitores declaram intenção de votar em branco ou anular o voto, enquanto 3% não opinam a respeito.
Destaques
Apesar de estarem numericamente empatados para o total da amostra, nota-se que as intenções de voto de cada um dos candidatos não são homogêneas em todos os segmentos analisados, afirma o relatório do Ibope.
Comparando-se os resultados da atual pesquisa com o observado na pesquisa anterior, realizada para a TV Verdes Mares, nota-se que o segmento em que as intenções de voto em Elmano crescem mais é o de eleitores de 40 a 49 anos: 14 pontos percentuais, indo de 33% para 47%. Neste grupo, o candidato petista tem 9 pontos de vantagem em relação ao postulante Roberto Cláudio.
Outro segmento em que Elmano está mais à frente do candidato do PSB é o de eleitores que cursaram até a 4ª série: o petista tem 48% das menções, 10 pontos percentuais a mais do que Roberto Cláudio (38%).
O representante do PSB na disputa, Roberto Cláudio, por sua vez, se destaca no grupo de eleitores com idade entre 30 e 39 anos: as menções a ele cresceram 12 pontos percentuais em uma semana, atingindo 48%, contra 39% de Elmano.
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quarta-feira, 24 de outubro de 2012

MONITORAMENTO NA REDE


O governo boliviano advertiu que quem insultar o presidente Evo Morales nas redes sociais poderá ser punido. O ministro da Cultura, Pablo Groux, disse que o Ministério da Comunicação está estudando a possibilidade de apresentar um projeto de lei para controlar as redes sociais.
Uma unidade que monitora blogs e redes sociais já está em funcionamento, segundo o ministro de Governo, Carlos Romero. Ele disse que o direito de opinião "não será afetado", mas criticou as mensagens "discriminatórias e racistas" que são postadas nas redes sociais.
A advertência também foi feita pelo vice-presidente, Álvaro García Linera: "Estou entrando na internet e vou anotando, com nome e sobrenome, os insultos feitos ao nosso presidente", disse.
Segundo o jornal argentino La Nación, a ameaça de punir quem escreva insultos contra o presidente Morales pegou de surpresa parlamentares da oposição boliviana. Um deles, o deputado Willman Cardozo disse que pedirá um relatório sobre o caso à ministra de Comunicação, Amanda Dávila.”Que ela nos diga de que maneira os cidadãos estão sendo controlados em suas contas na internet, em seus e-mails, e que nos dê as garantias necessárias”, ressaltou.
Esta não é a primeira vez que o governo boliviano tenta controlar as publicações a respeito de Morales na internet. Em junho deste ano, a agência de notícias ANF destacou que o governo teria pedido informações ao Google a respeito de insultos feitos ao mandatário e pedido que fossem deletados.
Via Veja.
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sexta-feira, 19 de outubro de 2012

TWITTER BOMBARDEADO

Do jornal O Estado de S. Paulo

O Twitter do presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia (PT), foi bombardeado por críticas após aprovação na quarta-feira, 17, de projeto que torna oficial a "gazeta" dos deputados às segundas e sextas-feiras.  
De acordo com o projeto, as sessões ordinárias poderão ser realizadas apenas entre terça e quinta-feira e permite que os deputados não trabalhem na segunda e na sexta-feira sem risco de represálias. A proposta altera o regimento interno da Câmara, que previa a realização de sessões ordinárias durante os cinco dias da semana.  
Na prática, a aprovação oficializa o que já ocorre todas às segundas e sextas, quando raramente ocorrem sessões ordinárias e as sessões são apenas de debates.   Os internautas criticaram a nova regulamentação e a forma como os deputados aprovam os projetos que vão de encontro ao benefício próprio. Para alguns, o projeto significa uma "semana de três dias de trabalho".
Voto contra. O deputado Rubens Bueno (PPS) de manifestou contra a aprovação do projeto e escreveu em sua página do Twitter que o partido votou contra a "gazeta institucionalizada" na Câmara.
Maia, por meio de nota, rebateu as críticas de Bueno. "Se o deputado Rubens Bueno tivesse inteligência emocional, procuraria se informar sobre o funcionamento do parlamento em outros países e descobriria que o Legislativo brasileiro é um dos poucos que funciona cinco dias por semana durante o ano todo", disse o parlamentar.
Comparando valores. Levando em consideração a "semana de três dias", o salário de um deputado é de R$ 26.700 para uma média de 14 dias por mês, enquanto o de um trabalhador que recebe o salário mínimo é de R$ 622, para uma média de 23 dias úteis. Comparando os valores, um deputado recebe R$ 1.907 por dia e um trabalhador, R$ 28,30. 
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quinta-feira, 18 de outubro de 2012

EMPATE TÉCNICO


Do jornal O Povo
Elmano de Freitas tem 42% das intenções de voto, contra 37% de Roberto Cláudio. Considerados apenas votos válidos, o petista tem 53%. O adversário do PSB aparece com 47%
A 10 dias da votação, a primeira pesquisa sobre o segundo turno da eleição para prefeito de Fortaleza mostra confronto tecnicamente empatado. Consulta realizada pelo Datafolha e contratada pelo O POVO mostra Elmano de Freitas (PT) com 42% das intenções de voto, contra 37% de Roberto Cláudio (PSB). Como a margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos, o instituto considera que eles estão tecnicamente empatados.
O percentual de eleitores fortalezenses que dizem votar em branco, nulo ou em nenhum dos candidatos é de 11%. Na apuração do primeiro turno, brancos e nulos somaram 7,6%. Já os que ainda se declaram indecisos são 9%, segundo o Datafolha.
Considerados apenas os votos válidos – forma oficial de divulgação do resultado pela Justiça Eleitoral – Elmano tem 53%, contra 47% de Roberto Cláudio. Nesse cálculo, são excluídos justamente os eleitores que declaram votar em branco, nulo, em nenhum dos candidatos e, também, os indecisos.
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ENEM AÍ...

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quarta-feira, 17 de outubro de 2012

MANDATO SIMBÓLICO

Plínio de Arruda, do PSOL, será um dos 20 vintes deputados vivos cassados na ditadura que receberão simbolicamente o mandato de novo. Ao todo foram cassados 189 parlamentares durante a ditadura. Destes, apenas 20 estão vivos. Entre eles, Plínio de Arruda Sampaio.

A devolução simbólica dos mandatos cassados será feita pela Câmara, em sessão solene no dia 04 de dezembro, Dia de Santa Bárbara, e será acompanhada da exposição "Democracia interrompida" e de um documentário na TV Câmara.

Do Psol / Curitiba, via Jean Willys
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quinta-feira, 11 de outubro de 2012

DEZ PONTOS DE VANTAGEM


Do UOL, em São Paulo
O candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, aparece dez pontos à frente de José Serra (PSDB) na primeira pesquisa Datafolha realizada sobre a disputa no segundo turno na cidade.
Haddad aparece com 47% das intenções de voto, contra 37% de Serra. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
O levantamento aponta ainda que 8% do eleitorado ainda não sabem em quem vai votar no dia 28, data em que voltarão às urnas para escolher o novo prefeito. Brancos, nulos e eleitores que afirmam que não votarão em nenhum também somam 8%.
Considerando apenas os votos válidos --quando são excluídos brancos, nulos e, no caso da pesquisa, também eleitores indecisos--, a vantagem é ainda maior: Haddad tem 56% e Serra aparece com 44%.
O último levantamento do Datafolha antes do primeiro turno, divugado no dia 6, mostrou vantagem menor do petista em um até então hipotético confronto com Serra. Naquela pesquisa, o candidato do PT tinha 45%, contra 39% do tucano. Não é possível, porém, apontar um crescimento de Haddad, pois as pesquisas foram realizadas em momentos diferentes da disputa.
No primeiro turno, Serra foi o mais votado, com 30,75% dos votos válidos, enquanto Haddad obteve 28,98% dos votos.
Agora, no segundo turno, embora com um período de campanha mais curto, os candidatos terão mais tempo na TV e no rádio. Cada candidato terá 20 minutos diários divididos em dois blocos do programa eleitoral.
Em São Paulo, as propagadas dos candidatos voltarão a ser veiculadas na próxima segunda-feira (15).
A pesquisa foi realizada entre ontem e hoje e ouviu 2.090 pessoas e está registrada no Tribunal Regional Eleitoral com o número SP-01851/2012.
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quarta-feira, 10 de outubro de 2012

FRAUDE EM LICITAÇÕES

Do jornal O Povo
Polícia e Ministério Público fazem busca e apreensão na Prefeitura de Sobral
Operação do Ministério Público, com apoio das polícias Civil e Militar, cumpriu, na manhã desta quarta-feira, 10, mandados de busca e apreensão na Prefeitura de Sobral, no Serviço de Água e Esgoto (Saae) de Sobral e em empresas que mantém contratos com o Município.
A ação é parte de investigação de esquema de empresas de fachada que manteriam contratos com a Saae. Os mandados foram concedidos pelo juiz Francisco Cavalcante Neto, da 1ª Vara Criminal de Sobral. O magistrado determinou ainda que o Banco Central bloqueie as contas das empresas envolvidas.
De acordo com o Ministério Público, as empresas seriam de fachada e cometiam fraudes por meio de simulações de concorrência em licitações. Embora aparentemente houvesse várias concorrentes, na prática, a vencedora integrava sempre o mesmo grupo. Durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão, foram encontrados no mesmo local carimbos de diversas empresas, além de notas fiscais e recibos. As cifras seriam superiores a R$ 1 milhão. A participação de funcionários da Prefeitura ainda é investigada.
As empresas acusadas pelo Ministério Público são a AGT Construções Ltda, a C.A. Construções e Ferrovias e a Benedito Basílio Madeira. Segundo os promotores, entre os indícios de que as empresas são de fachada está o fato de a AGT funcionar em um casebre em um distrito de Sobral. A C.A. está instalada em um cubículo. Já a Benedito Basílio – uma construtora – teria instalações numa casinha de um só cômodo.
A operação foi desencadeada desde as 6 horas. A ação foi movida pelos promotores Irapuan Dionísio Junior, Carlos Augusto Vasconcelos,Juliana Cronemberger, André Tabosa, Bismack Rodrigues e Venusto da Silva Cardoso.
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terça-feira, 9 de outubro de 2012

JORNALISMO DE RISCO

Por Eliane Brum, Época
Um repórter ameaçado de morte
Em 14 de julho, André Caramante, repórter da Folha de S.Paulo, assinou uma matéria com o seguinte título: “Ex-chefe da Rota vira político e prega a violência no Facebook”. No texto, de apenas quatro parágrafos, o jornalista denunciava que o coronel reformado da Polícia Militar Paulo Adriano Lopes Lucinda Telhada, candidato a vereador em São Paulo pelo PSDB nas eleições do último domingo, usava sua página no Facebook para “veicular relatos de supostos confrontos com civis”, sempre chamando-os de “vagabundos”. Em reação à matéria, Telhada conclamou seus seguidores no Facebook a enviar mensagens ao jornal contra o repórter, a quem se referia como “notório defensor de bandidos”. A partir daquele momento, redes sociais, blogs e o site da Folha foram infestados por comentários contra Caramante, desde chamá-lo de “péssimo repórter” até defender a sua execução, com frases como “bala nele”. Caramante seguiu trabalhando. No início de setembro, o tom subiu: as ameaças de morte ultrapassaram o território da internet e foram estendidas também à sua família. 
O que aconteceu com o repórter e com o coronel é revelador – e nos obriga a refletir. Hoje, um dos mais respeitados jornalistas do país na área de segurança pública, funcionário de um dos maiores e mais influentes jornais do Brasil, no estado mais rico da nação, está escondido em outro país com sua família desde 12 de setembro para não morrer. Hoje, Coronel Telhada, que comandou a Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar) até novembro de 2011, comemora a sua vitória nas eleições, ao tornar-se o quinto vereador mais votado, com 89.053 votos e o slogan “Uma nova Rota na política de São Paulo”.
O que isso significa?
Os 13 anos em que André Caramante cobre a área de segurança pública são marcados pela denúncia séria, resultado de apuração rigorosa, dos abusos cometidos por parte da polícia no estado de São Paulo. A relevância do seu trabalho foi reconhecida duas vezes pelo Prêmio Folha de Jornalismo. Caramante já denunciou sete grupos de extermínio formados por policiais militares e civis, assim como por ex-policiais. Mantém sua própria planilha na qual registra os mortos pela polícia. E faz a denúncia sistemática da figura amplamente difundida da “resistência à prisão” como justificativa para execução, em geral dos suspeitos mais pobres. Por sua competência, Caramante ganhou o respeito da sociedade interessada em uma polícia eficiente, com atuação pautada pelo cumprimento da lei – e o ódio de uma minoria truculenta, os maus policiais, tanto militares quanto civis, e daqueles cujos interesses e projeto de poder estão ligados a eles.
Antes de ser jornalista, Caramante quis ser jogador de futebol. Morador da periferia de São Paulo, comprou a primeira chuteira vendendo papelão. Era “um meia-direita dedicado”, na sua própria avaliação, e usou a chuteira com brio nas peladas de várzea e nas peneiras na Portuguesa, no Novorizontino e no Palmeiras, clubes nos quais chegou a treinar nas categorias de base. A necessidade de ajudar com as despesas da casa o despachou para a arquibancada. Em especial a da Vila Belmiro, por um amor incondicional pelo Santos herdado do pai.
Aos 11 anos, Caramante começou a trabalhar como camelô, vendendo chocolates e sacolas no Brás, em São Paulo. Mais tarde, aos 17, o estudante de escola pública pagou a faculdade de jornalismo da Uniban com o salário de office-boy e com os vales-transporte que economizava fazendo o serviço a pé. “Não sabia se a faculdade era boa ou ruim, não entendia dessas coisas, apenas sabia o que queria fazer”, conta. “O livro Rota 66, de Caco Barcellos, tinha me mostrado o que era jornalismo.”
Em seu livro Rota 66 – a história da polícia que mata (Record), Caco Barcellos, um dos grandes nomes do jornalismo brasileiro, hoje na TV Globo, investigou o trabalho da Rota entre as décadas de 1970 e 1990. E provou que ela atuava como um aparelho estatal de extermínio, responsável pela execução de milhares de pessoas. A reação às denúncias obrigou o repórter a passar um período fora do Brasil, devido a ameaças de morte. Duas décadas depois do lançamento do livro que o inspirou, Caramante vive uma situação semelhante.
A notícia de que ele estava vivendo escondido, com a família, vazou na semana passada, em matéria da Revista Imprensa. Até então, Caramante pretendia manter o fato em sigilo. A decisão de esconder-se com a família foi difícil para o repórter que nunca quis virar notícia – e que sempre evitou ser fotografado. Enquanto era alvo único das ameaças de morte, Caramante manteve uma rotina normal. O jornalista só aceitou se mudar para um destino secreto quando sua família passou a ser ameaçada. Mesmo assim, para ele é ponto de honra seguir com seu trabalho de reportagem. Pela internet, envia informações ao jornal com frequência. E segue assinando matérias na área da segurança pública.
Quando um repórter é obrigado a mudar de país e se esconder com a família por fazer bem o seu trabalho e prestar um serviço à população, ao fiscalizar os órgãos de segurança pública, este não é um problema só dele – mas da imprensa, que tem o dever de informar, e da sociedade, que tem o direito de ser informada. É disso que se trata.
Na entrevista a seguir, feita por email entre sexta-feira e domingo, André Caramante, 34 anos, fala sobre a situação de exceção que ele e sua família estão vivendo, mas principalmente sobre as complexas relaçõesentre violência e poder que a tornaram possível.
Em 14 de julho, você publicou na Folha de S.Paulo uma matéria com o seguinte título: “Ex-chefe da Rota vira político e prega a violência no Facebook”. Você se referia ao coronel reformado Paulo Adriano Lopes Lucinda Telhada, que comandou a Rota, em São Paulo, até novembro de 2011, e, nestas eleições, disputou uma vaga para vereador pelo PSDB. O que aconteceu a partir desta matéria que o levou a, dois meses depois, ter de esconder-se com a família?
André Caramante - Cubro segurança pública há 13 anos, então, muito dessa situação não é exatamente novidade. Nestes 13 anos, sempre mantive minha lupa sobre os abusos cometidos por policiais, especialmente no que diz respeito à letalidade. Considero legítimo que a sociedade possa fiscalizar o Estado, especialmente seu braço armado. Não podemos considerar eficiente uma polícia que mata tanto quanto a do estado de São Paulo. Entre 2006 e 2010, a Polícia Militar de São Paulo matou nove vezes mais do que todas as polícias dos Estados Unidos juntas. A cultura da nossa polícia militarizada permite que se mate sem que se conheça sequer a identidade do "oponente". É tão normal e aceitável quanto utilizar uma figura jurídica inexistente para preencher o boletim de ocorrência – a "resistência (à prisão) seguida de morte". A morte do empresário Ricardo de Aquino por policiais militares no bairro Alto de Pinheiros (em São Paulo) colocou a questão na agenda da mídia e das autoridades alguns meses atrás. Como ele, vários outros foram vítimas dessa cultura e do mau treinamento. É óbvio que alguns policiais agem na ilegalidade e a maioria age dentro da lei. Também faço um trabalho consistente de denúncia de grupos de extermínio formados por policiais militares e civis e ex-policiais civis e militares, tendo revelado ao menos sete deles. São grupos que, ao exemplo das milícias do Rio, tentam controlar as atividades ilícitas na cidade – máquinas caça-níquel e tráfico de drogas, às vezes cruzando o caminho do PCC – e geram mortes. Há grupos bem estruturados e com braços de inteligência. Um deles, inclusive, planejou a morte de um integrante do alto escalão do governo paulista, sem que tenha conseguido levar a cabo a ação.Meu trabalho de denúncia também abrange a corrupção na Polícia Civil. Hoje, as coisas se dividem mais ou menos assim no Estado de São Paulo: alguns integrantes da PM cometem violência e alguns da Civil escorregam na corrupção. São questões totalmente relacionadas a poder e dinheiro. Em dezembro do ano passado, publicamos uma investigação da Polícia Federal que mostrava policiais civis cobrando grandes valores para liberar da prisão suspeitos de tráfico de drogas. Somadas, as propinas chegavam a R$ 3 milhões. É uma conduta isolada? Esquemas assim não surgem do nada. É da cultura da instituição, e são as pessoas que constroem a cultura organizacional. Mudar não é uma questão de ser fácil ou difícil, mas de não ser interessante para as pessoas que estão lá.
Você vem denunciando essa situação há bastante tempo, mas só agora teve de esconder-secom sua família por causa de ameaças de morte. O que aconteceu?
Caramante – O que houve foi não digo o surgimento, mas a publicidade e o crescimento exponencial de um clima favorável à intimidação, no qual pessoas sentiram-se à vontade, ou mesmo incitadas, a disseminar "avisos". A partir da matéria sobre o que estava acontecendo no Facebook houve um acirramento dos ânimos de quem antes já me via como inimigo, além do crescimento quantitativo dos que mantêm os olhos em mim e no meu trabalho de uma forma negativa.Houve uma onda de comentários no Facebook, no Twitter, em blogs e no site da Folha que foram desde "péssimo repórter" até "bala nele". Era só "ativismo de sofá", de gente que só despeja frases no teclado do computador? Provavelmente.Depois, alertas de caráter dúbio – "Quando acontecer algo com alguém da sua família...", "Quando você for sequestrado..." – surgiam nos espaços de comentários do site da Folha em qualquer reportagem que eu escrevesse e até naquelas em que não tive participação, mas que traziam denúncias contra membros das polícias. Também orquestraram o envio de diversas cartas contra mim, enquanto profissional, para a Folha.Após pouco mais de um mês de bombardeio digital, as ameaças tornaram-se mais concretas, com fatos atualmente sob investigação das autoridades competentes. 
Que fatos são estes?
Caramante – Não falo de um fato, mas de uma série, que se iniciou dias após aquela onda nas redes sociais. Foram ligações, comprovações por fontes altamente confiáveis,de que estavam levantando informações de familiares, motos em trajetos curiosamente iguais aos meus. Não acho possível dimensionar a gravidade do risco, e também chegou-se a um ponto em que não valia mais a pena ficar avaliando. Decidi ouvir gente mais experiente do que eu e, em conjunto com o jornal, foi tomada uma decisão: trabalho à distância.
Não estou fisicamente na redação desde o início de setembro, sem que tenha saído da ativa. Esta é uma situação em que o risco físico toma a cena, mas certamente ele não é o único. Venham de onde vierem, a ameaça e a intimidação têm o objetivo de desestabilizar, tirar de cena. Jogam com o risco psicológico também, testam quão boa é a sua cabeça e quão forte é a sua corrente.
Qual é o papel do Coronel Telhada, ex-comandante da Rota, nesta série de ameaças?
Caramante – Em sua página, o coronel reformado começou a divulgar relatos de confrontos entre PMs da Rota e civis – estes sempre chamados de "vagabundos” –, além de divulgar fotos de pessoas que, segundo ele, eram suspeitos de crimes. Fiz um texto objetivo, relativamente curto, sobre isso. No dia da publicação no jornal, 14 de julho, ele postou no Facebook uma mensagem na qual me acusava de "defender abertamente o crime" e pedia uma mobilização contra mim. A conduta desse senhor deflagrou uma onda de tentativas de intimidação, de incitação à violência contra um jornalista – um profissional que apenas retratou o que o próprio coronel reformado registrou publicamente na rede social. Não estou dizendo que ele quis ou que ele não quis incitar atos violentos. Estou dizendo que acabou incitando.
Quem efetivamente está ameaçando você? E quais foram as ameaças?
Caramante – De onde vejo, apontar um ou outro possível autor pode dar grande margem a erro. Tenho minhas suspeitas, mas não cometeria o equívoco de acusar sem provas. Creio que haja dois tipos de ameaça. A primeira se aproxima do "ativismo de sofá", de quem escreve no computador algo que jamais cumprirá. Os autores deste tipo de ameaça não são tão desconhecidos assim, e não é tão difícil encontrá-los nos canais digitais. A segunda, esta sim grave, é a ameaça de quem considera a possibilidade de agir. Aqui estão desde admiradores de policiais alvos de reportagens, pessoas que pouco têm a perder e vivem com parâmetros de raciocínio e moral diferentes dos nossos, até outros que há tempos me têm como um inimigo e podem aproveitar justamente esta visibilidade do caso do Facebook para tentar algo e "colocar na conta" de outro. O caso do Facebook, além de ser apenas uma parte da história, pode ser usado por outros para acobertar eventuais retaliações. Mas, veja, isto é o que eu deduzo com base na minha experiência, não há qualquer base de pesquisa ou de investigação científica.
O que você está dizendo é que pessoas que se ressentem há muito tempo com suas denúncias de abusos cometidos pela polícia estariam se aproveitando do caso do Facebook para se vingar e desviar a responsabilidade para o Coronel Telhada?
Caramante – Sim, é uma possibilidade.
Quando as primeiras ameaças se tornaram públicas, você disse que continuaria a fazer o seu trabalho. Imagino que deve ter sido difícil tomar a decisão de se afastar da redação. Como esta decisão foi tomada?
Caramante – É importante esclarecer que o termo "afastamento" não é apropriado para o meu caso. Continuo exercendo minhas atividades profissionais, onde quer que eu esteja. Não estar fisicamente na redação me causa impedimentos que são irrisórios frente à necessidade atual de garantia da integridade, minha e da minha família.
Quando você deixou de trabalhar na redação?
Caramante – Desde o início de setembro. Os advogados do jornal encaminharam às autoridades uma solicitação de investigação sobre as ameaças. Alterei completamente minha rotina e minha localização.
Foi difícil?
Caramante – Sou trabalhador desde os 11 anos e não tenho dúvidas quanto à profissão que escolhi. A decisão de estar fisicamente ausente da redação não foi nada fácil. Particularmente, via este passo como um sinal de recuo, um erro do ponto de vista do meu ideal e mesmo de estratégia em relação a quem tenta enfraquecer o trabalho da imprensa. O que fizemos, então, foi arquitetar uma ausência que fosse apenas física, com uma operação que permitisse que seguíssemos em frente. Existem inúmeras maneiras de fazer reportagem.
Qual foi a reação da sua família e como eles estão vivendo esse momento?
Caramante – Estão todos cientes e bastante atentos. Não é fácil estar ausente, mas não creio que seria muito melhor estar presente e vivendo com sombras. Meus filhos percebem a situação incomum que vivem atualmente, mas ignoram essa história toda. Felizmente, eles sentem-se seguros onde pai e mãe estão – não importa onde. Minha rede familiar está permeada pelo estresse, mas ela é muito forte. Sempre foi, desde muito antes de toda essa situação. Além disso, a corrente formada por colegas de profissão e entidades daqui e de fora também deixou claro que este não é um problema só meu. Entidades como Repórteres Sem Fronteiras, Knight Center of Journalism (vinculado à Universidade do Texas), Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo, Instituto Sou da Paz, coletivo Sindicato É Pra Lutar e movimento independente Mães de Maio se manifestaram publicamente em apoio à minha atuação e ao direito de informar.
É isso que está em jogo, o direito de informar?
Caramante – É uma questão ligada ao direito de informar e de ser informado, e meus companheiros de profissão sabem do que falo. Há, atualmente, no estado de São Paulo, uma grande preocupação por parte de autoridades da segurança pública de tentar evitar que muitos fatos sejam tornados públicos pela imprensa. Por conta disso, funcionários públicos que as autoridades acreditam manter contato com jornalistas passam a ser alvo de perseguição nas instituições às quais pertencem. Muitas vezes, essas perseguições são feitas com base apenas no "achismo".
Que fatos são estes, que as autoridades da segurança pública não querem que se tornem públicos?
Caramante – Qualquer dado que não conste do relatório oficial publicado mensalmente no site da secretaria. Não é exagero. Falo de qualquer dado mesmo. Basta perguntar a quem cobre a área. Não é de hoje. Sempre foi assim. No estado de São Paulo, jornalistas são impedidos de consultar boletins de ocorrência, um documento público. Tudo – absolutamente tudo – tem de passar pelas canetas das assessorias de imprensa da Secretaria e da Polícia Militar. É uma operação extremamente centralizada e que visa impedir o repórter de ir a uma delegacia e obter informações sobre uma ocorrência.
Por quê?
Caramante – Vejo como uma tentativa de construir uma realidade que não existe aqui, como se vivêssemos na Suécia. A proibição do acesso a boletins de ocorrência integra uma estratégia de forte controle de informações. "Só sai o que eu quero." Não importa a relevância do dado, esta é a diretriz. Delegados só dão entrevistas mediante autorização de assessores de imprensa. É meio estranho que uma autoridade seja submetida a esse tipo de imposição para tentar controlar a informação.
Esta foi a primeira vez que você foi ameaçado de morte?
Caramante – Não. Como vários outros colegas, já passei por situações semelhantes. Ouvi pelo telefone frases como "Cuidado, muita gente morre em assalto por aí", seguida por meu endereço completo. Tempos atrás, policiais à paisana fotografaram minha família durante um passeio.
Você costuma denunciar os abusos cometidos pela polícia, especialmente contra os moradores das periferias de São Paulo e da Grande São Paulo. Você se considera, hoje, nesta situação, uma vítima da polícia?
Caramante – Não me considero vítima de nada. Tenho plena consciência de que não posso e não quero ser notícia. Sou contratado por um jornal para contar as histórias das outras pessoas, para fiscalizar um determinado segmento do poder público. E a minha preocupação é sempre esta: contar a história do próximo, registrar os fatos, levar a notícia para quem lê a Folha de S.Paulo. As páginas de um jornal marcam a história de um país. Eu sou uma peça dessa engrenagem que imprime a história no papel do jornal. A exposição desses últimos fatos me trouxe tristeza porque não é o que busco como repórter. Aí vão perguntar: “E por que você está dando entrevista?”. Estou dando entrevista porque, do muito que foi dito sobre a minha pessoa, pouco foi dito por mim. Porque quero esclarecer que não estou "afastado". Afastamento dá a ideia de punição, de suspensão, e nunca houve nada nesse sentido da parte do jornal. Pelo contrário: sanamos a demanda urgente relativa à garantia da integridade e ao mesmo tempo planejamos a continuidade do trabalho. E mais: não existe isso de perseguir a Polícia Militar ou a Polícia Civil com meu trabalho. O que penso é que ninguém quer ter nessas instituições pessoas que não façam jus à condição de representantes do Estado.
Já entrevistei muitas pessoas ameaçadas de morte, algumas delas ameaçadas de morte por policiais, de diferentes estados. Minha percepção é de que estas últimas sentem um nível de desamparo maior, na medida em que, se aqueles que deveriam protegê-las, em vez disso ameaçam a sua vida, para quem então pedem ajuda? Sem contar que membros da polícia, por disporem do aparato do Estado, têm meios para comprometer a credibilidade da vítima, “plantando” falsas provas. Como você percebe isso?
Caramante – Quando você tem indicativos de que alguns dos representantes armados do Estado querem te desestabilizar, com certeza, a reflexão é sempre essa: para quem recorrer, como agir? Muitas vezes, essas mesmas pessoas tentam desmoralizar seu trabalho e sua conduta fora do campo profissional, mas tenho tentado me manter centrado. Converso com repórteres amigos para dividir alguns pensamentos e pensar em maneiras de me manter firme na caminhada.
Por que o estão ameaçando? Que “ameaça” você representa para que ameacem a sua vida? E por que agora, neste momento?
Caramante – Como te falei, não é de agora. É uma coisa que ficou mais acentuada. Pode ser que tenha alguma relação com o período eleitoral ou com outros interesses que ainda não consigo afirmar quais são. Um deles, por exemplo, pode ser a necessidade que muitos têm de manter o poder ou de chegar até o poder.
Quem? Pode explicar melhor?
Caramante – Não posso nomeá-los, pois aí já entraremos em informações referentes aos bastidores das polícias, e esses meandros estão muito ligados às minhas fontes e às minhas apurações. Hoje, em São Paulo, a questão da polícia vai além dos muros dessas instituições. A cidade nunca esteve, em período democrático, tão militarizada. Trinta das 31 subprefeituras ganharam comando de PMs da reserva na gestão Kassab. Com a criação da operação delegada, os policiais militares hoje atuam oficialmente não apenas para a corporação, mas também para a prefeitura – é o bico legalizado. Vemos então que as frentes de poder estão crescendo, e há muita gente na disputa. Sem contar os cargos na Câmara Municipal.
Por que isso está acontecendo? Por que, por exemplo, 30 das 31 subprefeituras de São Paulo ganharam comando de PMs da reserva nesta gestão? Como você caracterizaria esse projeto de poder?
Caramante – Esse processo ganhou corpo quando o coronel (agora reformado) da PM Álvaro Batista Camilo, também candidato a vereador, pelo PSD, se aproximou do prefeito Kassab, na época em que era comandante-geral da PM. Como é sabido, Kassab vem marcando sua gestão com uma postura de cerceamento. Já são notórias as tentativas de proibição de sopões a moradores de rua, de saraus na periferia, da feira da praça Roosevelt, no centro de São Paulo, e outras mais.
O que o fato de um repórter de um dos maiores jornais do país ser ameaçado de morte revela sobre a violência no estado de São Paulo?
Caramante – É uma questão que não diz respeito somente à violência. Esta é a parte tangível de todo o contexto que citei anteriormente. A relação polícia X poder é atualmente um ponto muito importante. Desde a abertura política, talvez seja este o momento em que São Paulo mais tenha a influência de policiais militares. Com poder em jogo, os ânimos se acirram, em qualquer área.
Por que agora? E o que está em jogo?
Caramante – Estamos em um momento propício por conta da já citada aproximação sem precedentes (da polícia) com outras esferas do poder público. Muitos oficiais da PM notaram, e agora tentam dar vazão a isso, que há outras e importantes áreas para onde estender seu campo de atuação – e de poder.
Você cobre a área policial há 13 anos. Documentou, como repórter, a ascensão do PCC. Você costuma dizer que vivemos numa guerra. Por quê? Como é essa guerra e em que momento dessa guerra estamos hoje?
Caramante – É uma guerra entre o grupo criminoso PCC e as forças de segurança do Estado. O PCC é forte porque controla o tráfico de drogas no estado de São Paulo. É inegável o fato de o estado de São Paulo, desde 1999, ter conseguido baixar suas taxas de homicídios dolosos (intencionais). Essa queda, porém, é fruto de controle duplo: se deve tanto a progressos na Segurança Pública quanto ao comando do PCC. Em muitas situações, é o PCC quem decide quem morre em São Paulo, nos chamados tribunais do crime. Hoje, outubro de 2012, a guerra está mais acirrada entre o PCC e os policiais militares da Rota, considerada uma tropa de elite da PM paulista e que conta com 820 integrantes. Investigações contra o PCC antes feitas pela Polícia Civil, que tem essa atribuição pela lei, foram remetidas à Rota, que tem função de policiamento preventivo, ou seja, trabalhar para evitar que o crime ocorra.Estou dizendo isso porque defendo criminosos e quero dar uma chance a eles? Não. Falo porque é ilegal. Quem investiga é a Polícia Civil. Há aí uma nítida tentativa de empoderar ainda mais os integrantes da Rota. É o Estado agindo ilegalmente.
Por quê?
Caramante – Isso é um reflexo da atual cúpula da Secretaria da Segurança Pública, que tem um histórico de relacionamento intrínseco com a Rota. Nos primeiros escalões da segurança pública paulista, também, impera uma certa desconfiança quanto à atuação de parte da Polícia Civil nas investigações sobre o PCC. Fala-se em corrupção.
Na semana passada, a Folha publicou que arquivos da facção PCC revelam atuação em 123 cidades de São Paulo, com 1.343 homens em todas as regiões do estado. O governo de São Paulo tentou minimizar o impacto das informações e o poder do PCC. O governador, Geraldo Alckmin, afirmou que “há muita lenda” sobre facções criminosas no estado de São Paulo. O secretário da Segurança Pública, Antonio Ferreira Pinto, declarou: “A facção é bem menor do que dizem. Não chega a 30 ou 40 indivíduos que estão presos há muito tempo e se dedicam ao tráfico. Nós temos asfixiado esse tráfico com grandes prisões”. O coronel da Polícia Militar Marcos Roberto Chaves da Silva, comandante do policiamento da capital, disse que existe “folclore” nas informações sobre o PCC. Qual é a verdade?
Caramante – Curioso como esse folclore é alinhado à realidade. No mês passado, por exemplo, a Rota matou nove pessoas envolvidas em um “tribunal do crime”, um julgamento no qual um homem suspeito de estuprar uma menina teria sua vida decidida pelos criminosos do PCC. Um dos nove mortos pela Rota era o “réu” do partido do crime, como os policiais chamam o PCC. Para justificar a ação, o governo disse que todos eram muito perigosos, que integravam o PCC. Passado o calor do acontecimento, o governo voltou à postura habitual de minimizar a importância, o tamanho e o poder do grupo. Se são apenas 30 ou 40 indivíduos, as oito mortes no mês passado reduziram significativamente o PCC. É isso o que vemos quando policiais militares são mortos quando estão de folga, como tem ocorrido constantemente em São Paulo? Será que o PCC deixou de decidir quem vive ou quem morre durante um “tribunal do crime”, quase sempre via telefones celulares usados por criminosos que estão presos e, na teoria, deveriam estar sem comunicação com as ruas? Quem vive na periferia de São Paulo sabe bem como as coisas são.
E como as coisas são? Como é o cotidiano de quem vive na periferia com relação ao PCC e à Rota?
Caramante – O PCC domina os pontos de tráfico de drogas em São Paulo. Para evitar a presença das polícias, tenta corromper alguns de seus integrantes e também busca evitar crimes nas redondezas dos pontos de tráfico, principalmente homicídios. No meio disso, quem não é nem do PCC, nem da polícia, assiste a tudo em silêncio, esperando que não "sobre" para si.
O governador Geraldo Alckmin trocou o comando da Rota, no final de setembro. Entre as razões, estaria a divulgação de que o número de pessoas assassinadas pela tropa aumentou 45% nos primeiros cinco meses deste ano, comparado ao mesmo período do ano passado. Qual é a sua opinião sobre a Rota? Ela deveria acabar?
Caramante – Não só a Rota, mas toda a Polícia Militar. A PM tem uma estrutura que desconhece meritocracia e privilegia uma variação do nepotismo. Policiais dos escalões mais baixos são usados como degrau para filhos de oficiais que estão no topo da pirâmide. É como se o filho do coronel fosse, desde sempre, o coronel de amanhã, e o filho do praça já nascesse sabendo que jamais será oficial. Há exceções que o governo pode vir a bradar, claro, mas a regra é mais ou menos essa.Quantos oficiais foram mortos pelo PCC?Nenhum. É óbvio que não tem de morrer nem o official, nem o praça. Mas, hoje, só morre aquele trabalhador que está na linha de frente e também vive na periferia de São Paulo.Quem cobre segurança pública em São Paulo também sabe que os policiais da Rota saem às ruas com um ímpeto diferenciado e, às vezes, alguns deles cometem excessos. É o caso da morte do representante comercial Paulo Alberto Santana Oliveira de Jesus em Osasco, na Grande São Paulo, em setembro de 2011. Ele foi morto em casa, desarmado e com as mãos para trás. Em maio deste ano, das mortes de seis suspeitos de integrar o PCC na zona leste de São Paulo, um deles foi levado a uma rodovia e executado. Em ambas as situações, foi forjado um confronto armado, segundo dados apresentados por promotores. As seis mortes na zona leste são tidas como estopim para o atual acirramento da violência entre PCC e Rota.
Me parece curioso, para dizer o mínimo, que um repórter tenha de se esconder para proteger sua vida após ter denunciado que um candidato a vereador pelo PSDB e ex-comandante da Rota disseminava a violência no Facebook e ninguém, de nenhum partido, tenha falado disso durantea campanha. Você tem alguma hipótese para esse silêncio?
Caramante – No fim de setembro, um candidato a vereador em São Paulo, assim como esse ex-chefe da Rota, pediu a impugnação da candidatura dele e alegou que esse senhor aparecia em sua propaganda política fardado, o que não é permitido pela lei eleitoral. Esse mesmo candidato também foi alvo da ira dos simpatizantes do ex-chefe da Rota e recebeu ameaças. A promotoria eleitoral também pediu, na semana passada, a impugnação da candidatura desse PM reformado e alegou que ele utilizou sua página no Facebook para incitar a violência.
Por que você se tornou repórter de polícia?
Caramante – Porque quem tem a obrigação de nos defender não pode, sob hipótese alguma, atentar contra nós. Também queria que meu pai tivesse o orgulho de ver seu sobrenome no jornal por uma causa justa.Sempre admirei o trabalho de repórteres como ( Caco) Barcellos. Há histórias e situações que precisam ser contadas. Admiro muito, também, José Hamilton Ribeiro, mestre na arte de contar histórias. Ouvi palavras de apoio dos dois recentemente. As de Barcellos recebi com reverência. O tenho como meu maior exemplo. As de seu Zé Hamilton, com emoção. Me pegou desprevenido. Me marcou.Quero agradecer cada mão estendida e cada palavra de apoio que foi dita em nome da garantia do direito de informar e ser informado.
“Repórter de polícia” ainda é uma boa definição para jornalistas como você?
Caramante – Acredito que o termo “repórter de polícia” deixou de existir. Hoje, cobrimos segurança pública e, por conta de uma evolução da cobertura nessa área, que deixou de ser tão vinculada às autoridades, como era no passado, somos repórteres de segurança pública.
E qual é a importância de se cobrir a área de segurança pública num país como o Brasil?
Caramante – É um tema intimamente ligado ao cotidiano das pessoas, e ainda temos muito a evoluir tanto no combate à criminalidade comum quanto à de parte das forças de segurança.
Você monitora o número de pessoas mortas pela polícia. Quantos foram mortos até hoje no estado de São Paulo?
Caramante – Sim, monitoro porque o jornal para o qual trabalho dá atenção especial para a questão da letalidade policial. Tenho meu próprio sistema de dados, no qual registro todas as mortes cometidas por policiais militares. Estes números não batem com os oficiais. A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo divulga em sua página na internet apenas as chamadas "resistências seguidas de morte", mas há outros casos que entram na vala comum dos homicídios dolosos cometidos por qualquer cidadão. Minha contabilidade mostra que, entre 2005 e agosto deste ano, policiais militares mataram 4.358 pessoas no estado. Destas, 3.401 foram em “resistência(à prisão) seguida de morte” – figura jurídica inexistente, repito – e 957 em homicídios dolosos, que vão desde brigas em bar, no trânsito, casos conjugais, até mortes como a do empresário Ricardo de Aquino. São 47,3 mortos por PMs a cada mês. Ou seja: 1,5 a cada dia. Este é o retrato de uma Polícia Militar extremamente letal e que precisa passar por reformas o quanto antes.
Em que medida as relações entre o aparato de repressão do Estado e a população explicitam a desigualdade e as fissuras da sociedade brasileira num estado como São Paulo?
Caramante – A Polícia Militar que atua dentro do perímetro do rodízio de veículos (de São Paulo), o chamado centro expandido, não é a mesma que atua na periferia. Temos duas polícias militares para cuidar da mesma cidade, e cada uma delas trata os cidadãos de maneira diferenciada, isso de acordo com o CEP da pessoa. Muitas vezes, policiais são mandados à periferia como forma de punição dentro do jogo de poder que não está nos manuais da corporação. Então, já vai para lá com um sentimento diferenciado. Recentemente, pesquisadores mostraram, com base em dados da Secretaria Municipal da Saúde, que 93% dos mortos pela Polícia Militar moravam na periferia de São Paulo. O estudo teve como base os anos entre 2001 e 2010. No período, dos mortos por PMs, 54% eram pardos ou negros.
Hoje há programas de TV que cobrem a área policial, nos quais suspeitos são tratados por jornalistas como condenados – e condenados sem direito algum –, marcas de tortura em detidos e presos são ignoradas e apresentadores incitam a violência da sociedade contra “vagabundos”. Você acha que esse tipo de imprensa colabora para que jornalistas como você, que trabalham com seriedade e denunciam também os abusos cometidos pela polícia, sofram ameaças?
Caramante – São profissionais da imprensa que recebem altos salários para fazer o que fazem. Eles são experientes e, creio, no fundo sabem que somente a Justiça pode condenar ou inocentar algum suspeito de determinado crime. Estão ali por cifras altas. É a mesma situação de um profissional de jornalismo que abandona a carreira numa redação para ser assessor e ganhar R$ 1 milhão por seis meses de trabalho numa campanha política. São opções e temos de respeitar quem as toma. Mas essas pessoas também têm de respeitar quem não pensa como elas.
Como é estar no lugar de vítima para você, que tanto denunciou a violação de direitos humanos dos mais pobres e indefesos?
Caramante – Vítima é a dona Maria da Conceição, mãe do Antonio Carlos da Silva, o Carlinhos, portador de deficiência mental que foi morto por policiais militares que integram o grupo de extermínio “Highlanders”, segundo a Polícia Civil e a Promotoria. Ele teve a cabeça e as mãos arrancadas após ter sido morto porque andava na rua e tinha dificuldades de comunicação.
Você pode contar melhor esta história?
Caramante – Carlinhos foi morto em outubro de 2008, na periferia da zona sul de São Paulo. Estava perto de casa quando foi obrigado a entrar em uma viatura da Polícia Militar que fazia ronda no local. Vizinhos assistiram à cena e relataram à família. Imediatamente, a mãe, dona Maria da Conceição dos Santos, a irmã, Vânia Lúcia, e o pai começaram a procurá-lo. Poucas horas depois foram até o 37º Batalhão, onde ouviram da boca dos PMs – que, segundo a Polícia Civil e a Promotoria, mataram seu filho – que não o tinham visto. Encontraram o corpo de Carlinhos, decapitado e com as mãos arrancadas, em uma cidade vizinha. Ele, que era portador de necessidades especiais, tinha dificuldades para se comunicar.
Uma das maiores dificuldades da situação que você está vivendo parece ser o fato de ter virado notícia. Por quê?
Caramante – Para começar, nunca me vi numa situação assim. Não é para isso que decidi ser repórter. A questão da exposição parece parte de uma realidade paralela, não se encaixa na minha trajetória. Optei por sempre passar despercebido.Quero poder continuar sentando numa delegacia sem que ninguém saiba quem eu sou.
Imagino que você tenha medo em alguns momentos ou o tempo todo. Como lida com isso?
Caramante – O medo pode ser uma ótima ferramenta para aguçar os instintos. Sim, pode ser devastador também. Tento utilizá-lo como um agente minimizador de riscos. Nos momentos mais difíceis de administrá-lo, busco lembrar por que estou nesta caminhada. Me vêm à mente pessoas das quais contei histórias. O foco são elas, não eu.
Há perspectiva de sair dessa situação em breve?
Caramante – Minha situação atual passa por constante avaliação da direção do jornal. Por enquanto, manteremos como está.
Como essa experiência está transformando você? Já é possível perceber alguns impactos e mudanças?
Caramante – Situações dessa intensidade são oportunidades para reafirmar algumas ideias e descartar outras. Houve impacto, e mudanças certamente virão. Mas estão em curso, e por isso prefiro guardá-las aqui comigo.
Que ideias você reafirmou e quais descartou?
Caramante – Reafirmei, por exemplo, a ideia de que tenho de permanecer alguém que conta as histórias dos outros, e também meu intuito de contribuir, minimamente que seja, para a melhoria dos setores que cubro. Deixei de lado a ideia de que riscos podem ser mensurados com algum grau de exatidão. Ninguém faz nada, até que alguém faça.
Como tem sido seu cotidiano nessa situação de ameaçado de morte?
Caramante – Realmente acho difícil falar sobre isso. Há preocupação referente não apenas à situação atual, mas a como será no futuro. Esta não é uma situação que tenha prazo de validade. Agora à noite, um dos meus filhos disse que preferia estar na nossa casa de verdade. Perguntei o motivo. "Lá é mais colorido."
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quarta-feira, 3 de outubro de 2012

CARTA-BOMBA


Da coluna do Felipe Patury, da revista Época
O prefeito da cidade cearense de Maracanaú, Roberto Pessoa (foto) (PR), arretou-se com o ex-ministro da Integração Nacional Ciro Gomes (PSB), irmão do governador Cid Gomes (PSB). No último domingo, Ciro foi até Maracanaú, na região metropolitana de Fortaleza, apoiar a candidatura de um opositor ao candidato patrocinado pelo prefeito nas eleições municipais. Aproveitou também para disparar uma série de ofensas contra Pessoa.
A relação entre os irmãos Gomes e o prefeito, que já era intempestiva, piorou. Roberto Pessoa escreveu uma carta mal criada desancando Ciro Gomes. O conteúdo, que segue publicado abaixo na íntegra, resume-se em chamar Gomes de vagabundo e boquirrota, acusá-lo de manter relações com políticos cearenses de índole duvidosa e de ser chefe de quadrilha.
O ápice do documento está na insinuação de que Gomes seria usuário de drogas. Diz o prefeito: “O que se escuta nas rodas sociais e políticas é que esse seu comportamento de destempero, arrogância, com olhar esbugalhado e incisivo, acusações desmedidas e mentiras ao léu, sempre ocorrem sob efeito alucinógeno de substância em forma de pó branco, que se sabe não ser sal, maisena nem goma”.
A acirrada disputa entre os Gomes e Pessoa em Maracanaú tem explicação. A cidade é a segunda maior economia do estado e é sede de um portentoso parque industrial. A íntegra da carta segue logo abaixo:
“O ex-Dep Federal pelo estado de São Paulo, o desocupado Ciro Gomes, esteve em Maracanaú no último sábado dia 29.09, num mini-comício de seu candidato moribundo, que só tem 25% nas pesquisas realizadas em 26.09, fazendo acusações à minha pessoa e acertou um tiro no próprio pé.
Suas acusações foram dirigidas ao prefeito que foi reeleito com 88% dos votos válidos e, depois de 8 anos de mandato, ainda tem 90% de aprovação.
Com seu destempero, desequilíbrio e mentiras de carteirinha de costume, fez várias acusações à minha pessoa, todas sem fundamento de verdade.
Esqueceu, o vagabundo Ciro Gomes, de falar sobre seu conterrâneo e amigo ex-prefeito de Ipu, Sávio Pontes, preso por corrupção e desvio de dinheiro público, que teve o mandato cassado pela justiça.
Também esqueceu o mentiroso Ciro Gomes de falar sobre seu amigo Mazim, ex-prefeito de Trairi, e sua esposa, pessoas da cozinha dos Ferreira Gomes, juntamente com mais 15 pessoas aliadas, foram presas por desvio de R$ 20 milhões em recursos públicos.
Esqueceu ainda o boquirrota Ciro Gomes de dizer que a candidata a prefeita da Cariús, Natália FERREIRA GOMES, pelo partido PHS, aliada ao esquema do Governo do Estado, foi presa por 9 dias juntamente com seu marido Esivan por tráfico internacional de drogas.
Em suas acusações o Pescoção alega que ofereci proteção à candidata a prefeita de Santana do Cariri, Srª Daniele de Abreu Machado, que ele afirma participar de quadrilha de sequestro. Ora, essa Senhora é tabeliã na cidade do Crato e respeitada em toda a região do cariri, estando com 16% à frente do candidato apoiado pelo mentiroso e pelo Governo do Estado, que representa uma das oligarquias mais atrasadas do Ceará.
A respeito do Sr. Moraizinho, citado pelo mentiroso, o que sei é que esse senhor esteve em palanque vizinho ao de seu irmão CID, na campanha eleitoral de 2010, na cidade de Madalena. Também nas eleições de 2010 o candidato irmão do Pescoção foi visto em conversa coloquial e amigável com o ex-prefeito Ageu, de Boa Viagem, condenado a quase 200 anos de prisão por envolvimento no assalto ao Banco Central de Fortaleza, o maior da história do Brasil. De tudo isso tenho registros fotográficos.
Todo o Ceará me conhece e sabe que as acusações a mim dirigidas são levianas e mentirosas. Por isso e em respeito à minha história política, minha família, meus amigos e aos milhares de eleitores que me apoiam nos 184 municípios do estado do Ceará, estou respondendo as ofensas desse mentiroso falastrão. Não calo, porque não consinto.
Sou empresário há 49 anos e as empresas de minha família produzem quase 1 milhão de ovos por dia, gerando 1 mil empregos diretos e indiretos no estado do Ceará. E você desocupado Ciro Gomes, sabe qual a diferença ente uma fatura e uma duplicata? De onde vem o dinheiro que financia suas viagens internacionais em jatinhos particulares, se hospedando nos hotéis mais luxuosos do mundo? Como ganhou dinheiro para alcançar um patrimônio que tem até apartamentos em bairros nobres nas cidades do Rio de Janeiro e São Paulo?
Será que seus recursos não provêm de lobies junto ao Governo do Ceará e a Prefeitura de Belo Horizonte, defendendo interesses de empreiteiras e empresas de informática. Sei disso e posso provar, assim requeira a justiça ou você mesmo em debate público que pode marcar dia, hora e local.
Além disso, como andam as apurações da denúncia feita em matéria da revista VEJA, no 2° semestre de 2010, que indica desvio de R$ 300 milhões no Ministério da Integração Nacional quando você era ministro?
Pergunto ainda: como está a questão dos “cartõezeiros”, que envolve seu amigo e ex-patrão Arialdo Pinho?
Agora fica minha última indagação: quem é chefe de quadrilha? Eu ou você?
Bem a propósito, o que se escuta nas rodas sociais e políticas é que esse seu comportamento de destempero, arrogância, com olhar esbugalhado e incisivo, acusações desmedidas e mentiras ao léu, sempre ocorrem sob efeito alucinógeno de substância em forma de pó branco, que se sabe não ser sal, maisena nem goma. Isso tem sido dito inclusive por profissionais e estudiosos da psicologia e psiquiatria.
Mas, em verdade, sobre isso saiba que meu sentimento é de preocupação e compaixão por você e que oro para que consiga se libertar dessa praga. Ofereço até os serviços do CAPS-AD de Pajuçara, que tem excelentes profissionais e conseguido grande sucesso na recuperação dessa dependência.
Roberto Pessoa
Prefeito Municipal de Maracanaú”.

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