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quarta-feira, 24 de maio de 2017

AS MEMORÁVEIS MÚSICAS DAS CAMPANHAS

As campanhas de Zé Prado sempre foram embaladas com belíssimas composições – versões de grandes sucessos musicais – todas feitas pelo compadre e fiel amigo, o poeta popular Pedro Lavandeira que sempre esteve ao lado da família Prado.

Com habilidade em transformar grandes clássicos da música em jingle – espécie de paródia –  Pedro Lavandeira em três décadas deu ritmo, alegria e sentido as campanhas políticas da família Prado.

Confira algumas das memoráveis músicas das campanhas de Zé Prado, na voz de Pedro Lavandeira.




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VAI, VAI, VAI, VAI... NINGUÉM SEGURA NÃO !

O ano era ... 1986,  Zé Prado já consagrado como líder político, mais uma vez concorre a uma vaga na Assembleia Legislativa do Ceará.
As campanhas de Zé Prado eram marcadas por alguns pontos primordiais, como: respeito, honestidade e alegria. Até seus adversários o respeitavam.
Zé Prado era todo simples e isso servia como uma ponte entre ele, o homem do sertão e o da cidade que se identificavam com o “Zé dos pobres”.
A alegria ficava sob a responsabilidade do amigo fiel e compadre, Pedro Lavandeira que comandava o Pipocão e emocionava a todos com suas músicas feitas para as campanhas de Zé Prado. Um dos maiores sucessos da campanha de 1986, foi o jingle Vai, vai, vai, vai ninguém segura não!
Para as centenas de fãs e eleitores pradistas, até hoje essas músicas nos levam a uma doce saudade das campanhas pradista, sob a batuta do maestro Pedro Lavandeira.
A vitória de Zé Prado como deputado mais votado na zona norte do estado representou para o ‘povão’ – que sempre esteve ao lado dele – como chuva no roçado do agricultor, uma extrema felicidade.
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terça-feira, 23 de maio de 2017

FALA, TEMER !

Enfrentando a mais grave crise de seu governo, o presidente Michel Temer (PMDB) diz que renunciar seria uma admissão de culpa e desafia seus opositores: "Se quiserem, me derrubem".
Em entrevista à Folha no Palácio da Alvorada, Temer afirma que não sabia que Joesley Batista, que o gravou de forma escondida, era investigado quando o recebeu fora da agenda em sua residência em março –embora, naquele momento, o dono da JBS já fosse alvo de três operações.
Sobre o ex-assessor Rodrigo Rocha Loures, flagrado correndo com uma mala de dinheiro, Temer diz que mantinha com ele apenas "relação institucional". A atitude de Loures, para o presidente, não foi "aprovável". Mas ele defende o caráter do ex-assessor. "Coitado, ele é de boa índole, de muito boa índole."
O sr. estabeleceu que ministro denunciado será afastado e, se virar réu, exonerado. Caso o procurador-geral da República o denuncie, o sr. vai se submeter a essa regra?
Michel Temer Não, porque eu sou chefe do Executivo. Os ministros são agentes do Executivo, de modo que a linha de corte que eu estabeleci para os ministros, por evidente não será a linha de corte para o presidente.
Mas o sr. voluntariamente poderia se afastar.
Não vou fazer isso, tanto mais que já contestei muito acentuadamente a gravação espetaculosa que foi feita. Tenho demonstrado com relativo sucesso que o que o empresário fez foi induzir uma conversa. Insistem sempre no ponto que avalizei um pagamento para o ex-deputado Eduardo Cunha, quando não querem tomar como resposta o que dei a uma frase dele em que ele dizia: "Olhe, tenho mantido boa relação com o Cunha".
[E eu disse]: "Mantenha isso". Além do quê, ontem mesmo o Eduardo Cunha lançou uma carta em que diz que jamais pediu [dinheiro] a ele [Joesley] e muito menos a mim. E até o contrário. Na verdade, ele me contestou algumas vezes. Como eu poderia comprar o silêncio, se naquele processo que ele sofre em Curitiba, fez 42 perguntas, 21 tentando me incriminar?
O Joesley fala em zerar, liquidar pendências. Não sendo dinheiro, seria o quê?
Não sei. Não dei a menor atenção a isso. Aliás, ele falou que tinha [comprado] dois juízes e um procurador. Conheço o Joesley de antes desse episódio. Sei que ele é um falastrão, uma pessoa que se jacta de eventuais influências. E logo depois ele diz que estava mentindo.
Não é prevaricação se o sr. ouve um empresário dentro da sua casa relatando crimes?
Você sabe que não? Eu ouço muita gente, e muita gente me diz as maiores bobagens que eu não levo em conta. Confesso que não levei essa bobagem em conta. O objetivo central da conversa não era esse. Ele foi levando a conversa para um ponto, as minhas respostas eram monossilábicas...
Quando o sr. fala "ótimo, ótimo", o que o sr. queria dizer?
Não sei, quando ele estava contando que estava se livrando das coisas etc.
Era nesse contexto da suposta compra de juízes.
Mas veja bem. Ele é um grande empresário. Quando tentou muitas vezes falar comigo, achei que fosse por questão da [Operação] Carne Fraca. Eu disse: "Venha quando for possível, eu atendo todo mundo". [Joesley disse] "Mas eu tenho muitos interesses no governo, tenho empregados, dou muito emprego". Daí ele me disse que tinha contato com Geddel [V. Lima, ex-ministro], falou do Rodrigo [Rocha Loures], falei: "Fale com o Rodrigo quando quiser, para não falar toda hora comigo."
Ele buscou o sr. diretamente?
Ele tentou três vezes me procurar. Ligou uma vez para a minha secretária, depois ligou aquele rapaz, o [Ricardo] Saud, eu não quis atendê-lo. Houve um dia que ele me pegou, conseguiu o meu telefone, e eu fiquei sem graça de não atendê-lo. Eu acho que ele ligou ou mandou alguém falar comigo, agora confesso que não me recordo bem.
Por que não estava na agenda? A lei manda.
Você sabe que muitas vezes eu marco cinco audiências e recebo 15 pessoas. Às vezes à noite, portanto inteiramente fora da agenda. Eu começo recebendo às vezes no café da manhã e vou para casa às 22h, tem alguém que quer conversar comigo. Até pode-se dizer, rigorosamente, deveria constar da agenda. Você tem razão.
Foi uma falha?
Foi, digamos, um hábito.
Um hábito ilegal, não?
Não é ilegal porque não é da minha postura ao longo do tempo [na verdade, está na lei 12.813/13]. Talvez eu tenha de tomar mais cuidado. Bastava ter um detector de metal para saber se ele tinha alguma coisa ou não, e não me gravaria.
É moralmente defensável receber tarde da noite, fora da agenda, um empresário que estava sendo investigado?
Eu nem sabia que ele estava sendo investigado.
O sr. não sabia?
No primeiro momento não.
Estava no noticiário o tempo todo, presidente [Joesley naquele momento era investigado nas operações Sepsis, Cui Bono? e Greenfield].
Ele disse na fala comigo que as pessoas estavam tentando apanhá-lo, investigá-lo.
Um assessor muito próximo do sr. [Rocha Loures] foi filmado correndo com uma mala pela rua. Qual sua avaliação?
Vou esclarecer direitinho. Primeiro, tudo foi montado. Ele [Joesley] teve treinamento de 15 dias, vocês que deram [refere-se à Folha], para gravar, fazer a delação, como encaminhar a conversa.
A imagem dele correndo com dinheiro não é montagem.
[Irritado] Não, peraí, eu vou chegar lá, né, se você me permitir... O que ele [Joesley] fez? A primeira coisa, o orientaram ou ele tomou a deliberação: "Grave alguém graúdo".
Depois, como foi mencionado o nome do Rodrigo, certamente disseram: "Vá atrás do Rodrigo". E aí o Rodrigo certamente foi induzido, foi seduzido por ofertas mirabolantes e irreais.
Agora, a pergunta que se impõe é a seguinte: a questão do Cade foi resolvida? Não foi. A questão do BNDES foi resolvida? Não foi.
O Rocha Loures errou?
Errou, evidentemente.
O sr. se sente traído?
Não vou dizer isso, porque ele é um homem, coitado, ele é de boa índole, de muito boa índole. Eu o conheci como deputado, depois foi para o meu gabinete na Vice-Presidência, depois me acompanhou na Presidência, mas um homem de muito boa índole.
Ele foi filmado com R$ 500 mil, que boa índole é essa?
Sempre tive a convicção de que ele tem muito boa índole. Agora, que esse gesto não é aprovável.
O sr. falou com ele desde o episódio?
Não.
O sr. rompeu com ele?
Não se trata de romper ou não romper, não tenho uma relação, a não ser uma relação institucional [com ele].
Quando o sr. diz para o Joesley que ele poderia tratar de "tudo" com o Rodrigo Rocha Loures, o que o sr. quer dizer?
Esse tudo são as matérias administrativas. Não é tuuudo [alongando o "u"]. Eu sei a insinuação que fizeram: "Se você tiver dinheiro para dar para ele, você entregue para ele". Evidentemente que não é isso. Seria uma imbecilidade, da minha parte, terrível.
O sr. o conheceu há quantos anos?
Quando ele era deputado, portanto, há uns dez anos.
E mesmo o conhecendo há dez anos, ele tendo sido seu assessor...
Mas espera aí, eu conheço 513 deputados há dez anos.
Mas apenas ele foi seu assessor próximo.
Como são próximos todos os meus assessores.
E mesmo próximo era apenas uma relação institucional?
Institucional, sem dúvida.
Nos últimos dias, o sr. veio numa escalada nas declarações. Acha que a Procuradoria-Geral armou para o sr.?
Eu percebo que você é muito calma [risos]. Espero que você jamais sofra as imputações morais que eu sofri. Eu estava apenas retrucando as imprecações de natureza moral gravíssimas, nada mais do que isso. Agora, mantenho a serenidade, especialmente na medida em que eu disse: eu não vou renunciar. Se quiserem, me derrubem, porque, se eu renuncio, é uma declaração de culpa.
No pronunciamento o sr. foi muito duro com o acordo de delação.
Não faço nenhuma observação em relação à Procuradoria. Agora, chamou a atenção de todos a tranquilidade com que ele [Joesley] saiu do país, quando muitos estão na prisão. Ou, quando saem, saem com tornozeleira. Além disso, vocês viram o jogo que ele fez na Bolsa. Ele não teve uma informação privilegiada, ele produziu uma informação privilegiada. Ele sabia, empresário sagaz como é, que no momento em que ele entregasse a gravação, o dólar subiria e as ações de sua empresa cairiam. Ele comprou US$ 1 bilhão e vendeu as ações antes da queda.
Se permanecer no cargo, em setembro tem de escolher um novo procurador. O sr. acha que tem condição de conduzir esse processo sem estar contaminado depois de tudo isso que está acontecendo?
Contaminado por esses fatos? Não me contamina, não. Aliás, eu tiro o "se". Porque eu vou continuar.
É preciso alguma mudança na maneira como esses acordos são feitos? Mudança na lei?
Acho que é preciso muita tranquilidade, serenidade, adequação dos atos praticados. Não podem se transformar em atos espetaculosos. E não estou dizendo que a Procuradoria faça isso, ou o Judiciário. Mas é que a naturalidade com que se leva adiante as delações... Você veja, as delações estão sob sigilo. O que acontece? No dia seguinte, são públicas. A melhor maneira de fazer com que eles estejam no dia seguinte em todas as redes de comunicação é colocar uma tarja na capa dizendo: sigiloso.
Esse processo dá novo impulso ao projeto de lei de abuso de autoridade?
É claro que ninguém é a favor do abuso de autoridade. Se é preciso aprimorar toda a legislação referente a abuso de autoridade, eu não saberia dizer. Abusar da autoridade é ultrapassar os limites legais.
O sr. falou muito do Joesley. Mas qual a culpa que o sr. tem?
Ingenuidade. Fui ingênuo ao receber uma pessoa naquele momento.
Além dos áudios, há depoimentos em que os executivos da JBS fazem outras acusações. Por exemplo, que o sr. pediu caixa dois em 2010, 2012 e 2016. Inclusive para o [marqueteiro] Elsinho Mouco, para uma campanha da internet.
No caso do Elsinho, ele fez a campanha do irmão do Joesley, e por isso recebeu aquelas verbas. Fez trabalhos para a empresa. Diz que até recentemente, esse empresário grampeador pediu se o Elsinho poderia ajudá-lo na questão da Carne Fraca.
Empresário grampeador?
Mas qual é o título que ele tem de ter? Coitadinho, ele tem de ter vergonha disso. Ele vai carregar isso pelo resto da vida. E vai transmitir uma herança muito desagradável para os filhos.
Nos depoimentos, há conversa do Loures com o Joesley sobre a suposta compra do Cunha que é muito explícita.
Por que é explícita?
Porque eles conversam sobre pagamentos.
Você está falando de uma conversa do Joesley com o Rodrigo. De repente, você vai me trazer uma conversa do Joesley com o João da Silva.
O Rocha Loures não é um João da Silva.
[Irritado] Eu sei, você está insistindo nisso, mas eu reitero que o Rodrigo era uma relação institucional que eu tinha, de muito apreço até, de muita proximidade. Era uma conversa deles, não é uma conversa minha.
Um desembarque do PSDB e do DEM deixaria o sr. em uma situação muito difícil. O sr. já perdeu PSB e PPS.
O PSB eu não perdi agora, foi antes, em razão da Previdência. No PPS, o Roberto Freire veio me explicar que tinha dificuldades. Eu agradeci, mas o Raul Jungmann, que é do PPS, está conosco.
Até onde o sr. acha que vai a fidelidade do PSDB?
Até 31/12 de 2018.
Até que ponto vale a pena continuar sem força política para aprovar reformas e com a economia debilitada?
[Irritado] Isso é você quem está dizendo. Eu vou revelar força política precisamente ao longo dessas próximas semanas com a votação de matérias importantes.
O sr. acha que consegue?
Tenho absoluta convicção de que consigo. É que criou-se um clima que permeia a entrevista do senhor e das senhoras de que vai ser um desastre, de que o Temer está perdido. Eu não estou perdido.
O julgamento da chapa Dilma-Temer recomeça no TSE em 6 de junho. Essa crise pode influenciar a decisão?
Acho que não. Os ministros se pautam não pelo que acontece na política, mas pelo que passa na vida jurídica.
Se o TSE cassar a chapa, o sr. pretende recorrer ao STF?
Usarei os meios que a legislação me autoriza a usar. Agora, evidentemente que, se um dia, houver uma decisão transitada e julgada eu sou o primeiro a obedecer.
O sr. colocou ênfase no fato de a gravação ter sido adulterada. Se a perícia concluir que não há problemas, o sr. não fica em situação complicada?
Não. Quem falou que o áudio estava adulterado foram os senhores, foi a Folha [com base em análise de um perito feita a pedido do jornal]. E depois eu verifiquei que o "Estadão" também levantou o mesmo problema. Se disserem que não tem modificação nenhuma eu direi: a Folha e o "Estadão" erraram.
Como o sr. vê o fato de a OAB [Ordem dos Advogados do Brasil] ter decidido pedir o seu impeachment?
Lamento pelos colegas advogados. Eu já fui muito saudado, recebi homenagens da OAB. Tem uma certa surpresa minha, porque eles que me deram espada de ouro, aqueles títulos fundamentais da ordem, agora se comportam dessa maneira. Mas reconheço que é legítimo.
Em quanto tempo o sr. acha que reaglutina a base?
Não sei se preciso reaglutinar. Todos os partidos vêm dizer que estão comigo. É natural que, entre os deputados... Com aquele bombardeio, né? Há uma emissora de televisão [TV Globo] que fica o dia inteiro bombardeando.
Essa crise atrasou quanto a retomada da economia?
Tenho que verificar o que vai acontecer nas próximas semanas. [Henrique] Meirelles [Fazenda] me contou que se não tivesse acontecido aquele episódio na quarta [dia da divulgação do caso], ele teria um encontro com 200 empresários, todos animadíssimos. causam um mal para o país.
Como o sr. está sentindo a repercussão de seus dois pronunciamentos, mais incisivo?
Olha, acho que eles gostaram desse novo modelito [risos]. As pessoas acharam que "enfim, temos presidente".
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O PIPOCÃO

O ano era... 1982, Zé Prado disputa a segunda campanha para prefeito de Sobral (CE). Eram três candidatos: Zé Prado, Joaquim Barreto – o Kinkão – e Aurélio Ponte.
Foi neste ano que entrou em cena o “Pipocão”, a charanga que contagiava a multidão nos comícios e terreiros alegres de Zé Prado. Cheio de lâmpadas por todos os lados, o carro era a sensação por onde passava.
Numa alusão divertida ao jogo do bicho, a população identificava os candidatos não pelo número da cédula eleitoral de cada um, mas pelo número do jogo. Zé Prado, o 15, era o jacaré; Aurélio Ponte, o 16, era o leão e Kinkão, o 17, era o macaco.
Todas as campanhas de Zé Prado eram marcadas por uma música feita pelo poeta popular, Pedro Lavandeira e nessa de 1982 não foi diferente; entre todas as músicas da campanha, a que marcou foi a versão de Andar com Fé, Pedro Lavandeira fez Andar com o Zé.
A campanha foi disputadíssima e o nome do novo prefeito de Sobral só foi conhecido próximo ao término da apuração. Zé Prado e Kinkão, sempre próximo um do outro na contagem dos votos, mas no último dia de apuração, Kinkão foi eleito prefeito de Sobral.
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segunda-feira, 22 de maio de 2017

VIRADA ESVAZIADA

A proposta da gestão de João Doria (PSDB) de migrar as atrações principais da Virada Cultural para cinco palcos afastados do centro esvaziou significativamente a edição de 2017 do principal evento cultural da prefeitura –que não revelou número de público até a conclusão desta edição.
Os lugares mais afetados foram os palcos que receberam as principais atrações do evento, que teve início às 18h do sábado (20) e acabou no início da noite de domingo (21).
Anhembi, parque do Carmo, praça do Campo Limpo e Autódromo de Interlagos não chegaram nem perto de ter a quantidade de pessoas que foram aos grandes palcos das edições passadas. A exceção foi o parque Chácara do Jockey, que conseguiu cativar o público com uma curadoria que reunia nomes musicais em ascensão.
Houve shows em que o número de espectadores não chegava a dez. Vencedor do último Grammy Latino de melhor disco de rock em português, Ian Ramil se apresentou para pouco mais de 20 pessoas no tablado da rua 7 de Abril.
Daniela Mercury, destaque da abertura no Anhembi, no sábado, cantou para cerca de 2 a 3 mil pessoas, estimou a Guarda Civil Metropolitana –no Carnaval paulistano, a baiana teve um público de 500 mil pessoas, segundo o patrocinador.
No centro, único local que teve programação 24 horas, o público foi inconstante, mas nenhuma atração lotou, como em anos anteriores.
Apesar de convencido de que o centro "ficou repleto de gente", o secretário municipal de Cultura, André Sturm, afirma que a redução de público foi intencional. "Não queríamos um show com 40 mil pessoas no centro. Foi uma decisão convicta."
Na avaliação de Sturm, a concentração "gerava problemas de segurança, logística e transporte".
A estratégia recebeu elogios de quem foi contemplado com shows perto de suas casas em bairros afastados. Por outro lado, foi criticada pelos que queriam seguir a proposta inicial do evento e aproveitar mais de uma atração em locais diferentes.
FALHAS
O público deparou-se com cancelamentos de shows, atrasos e falhas técnicas neste fim de semana.
Um dos principais nomes da programação descentralizada, Fafá de Belém não cantou para os cerca de 50 fãs que a esperavam na madrugada de domingo (21), no Anhembi. Segundo sua produção, ela teve uma "leve indisposição por conta do frio".
A cantora não deu sorte e repôs a apresentação debaixo de chuva no encerramento do evento, no parque do Carmo, ao lado de Alcione.
O tempo ruim que teria impedido a passagem de som de Mano Brown na sexta também foi o motivo do cancelamento do show que o rapper realizaria no Centro Cultural Palhaço Carequinha, no Grajaú, neste domingo. Edi Rock apresentou-se em seu lugar.
O clima político da semana apareceu na maioria das apresentações acompanhadas pela reportagem; ora do público, ora do palco, vinha o grito de "Fora, Temer".
A chuva não foi o único fator a atrapalhar o evento. Falhas na infraestrutura também afetaram a realização, especialmente na região central.
A prefeitura esqueceu de equipar o tablado onde tocariam, às 18h do sábado, os DJs da festa de soul Talco Bells, no Coreto da Bolsa de Valores, na praça Antônio Prado.
"Viemos com a intenção de fazer uma noite memorável, mas não foi possível", postaram em uma rede social.
A Secretaria Municipal de Cultura afirmou que houve um problema técnico e que a montagem do palco foi concluída às 2h, a tempo da festa Pinga Ni Mim.
Em alguns lugares, a falta de gerador ou de luz inviabilizou as apresentações.
Foi o caso da cantora Iara Rennó. Ela afirma que, ao chegar à rua Aurora, viu o palco apagado por falta do equipamento. "Eu até fiz um pequeno número 'a capella', para diminuir a frustração [dos fãs]". O show foi cancelado.
Outra falha interrompeu a apresentação do Circo Zanni no Anhembi. Uma pane elétrica deixou o palco sem luz por volta das 21h50.
Dispostos a cem metros de distância entre si, os tablados do centro, em sua maioria, sofreram interferência de som de estruturas vizinhas.
O Cabaré Queer, em frente ao Copan, alternava a programação com o Cabaré República, situado do outro lado do mesmo quarteirão. As passagens de som em um se misturavam ao que era tocado no pequeno palco ao lado.
No tablado Instrumental, na praça Dom José Gaspar, era possível ouvir as bandas que tocavam nas redondezas.
A questão irritou o pianista Vitor Araújo, que se apresentou no local às 18h do sábado."Não nos foram dadas as mínimas e mais básicas condições para realizarmos bem o show", escreveu em uma rede social.
A Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo avalia esses casos como pontuais. Segundo o secretário, André Sturm, os erros serão levados em conta para aprimorar a próxima edição.
"A gente começa a fazer essas negociações todas atrasados. Para o ano que vem, não só a gente terá a experiência deste ano como a gente vai poder começar a fazer as contratações muito antes, conseguir preços melhores e empresas mais estruturadas, porque a gente ficou muito na mão dessas licitações que são feitas de última hora, muito limitado com os resultados."
ALTOS E BAIXOS
O que rolou e o que não rolou na Virada
DEU BOM
LIMPEZA
Diferentemente das outras edições, não houve excesso de lixo nas proximidades dos palcos
SEGURANÇA
Com edição mais vazia, as ocorrências policiais diminuíram, nos palcos mais distantes, como os do parque Chácara do Jockey, a sensação era de segurança
ALIMENTAÇÃO
Assim como a segurança, item se beneficiou do público menor; havia pouca fila, mas vendedores reclamam de queda nas vendas
ZONA SUL
Não precisar se deslocar até o centro para acompanhar programação foi ponto positivo apontado por público dos palcos na região
DEU RUIM
CENTRO ESVAZIADO
Com menos atrações e palcos menores, região teve público muito abaixo do das edições anteriores
CANCELAMENTOS
Fafá de Belém, Mano Brown, Talco Bells e Iara Rennó tiveram de cancelar suas apresentações; Fafá cantou, no dia seguinte, com Alcione
MESMO PALCO, DIFERENTE VIBE
De Daniela Mercury para Circo Zanni, público minguou 
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CIRO NÃO ENGANA MAIS NINGUÉM

Da ISTOÉ
“Lula passionaliza imediatamente o debate, radicaliza uma divisão entre brasileiros”, sapecou Ciro Gomes em entrevista concedida à DW Brasil, ainda no começo da última semana. Anteriormente, o próprio ex-governador do Ceará opinara que Luiz Inácio prestaria um desserviço ao Brasil e a si mesmo, caso insistisse em candidatar-se à Presidência.
Quanto ao primeiro argumento, de tão óbvio dispensa comentários, mas o segundo impõe uma interessante reflexão: afinal de contas, a que desserviços Ciro se refere? Aventar que o chefe daria um tiro no pé ao tentar um novo pleito, por exemplo, das duas uma, denota ignorância ou uma pretensa esperteza eleitoral.
Bem diferente do que o pedetista tenta insinuar, e analisando o cenário sob um ponto de vista absolutamente estratégico, Lula faz muito bem ao antecipar sua candidatura. Afundado que está em processos e provas irrefutáveis contra si, não lhe restou outra estratégia a não ser a de rebobinar o esfarrapado personagem do Padim Ciço. Mal ou bem, desta forma criou um fato, e parece ter animado o que restou da sua militância.
Desserviço ao País? Tampouco. Torna-se cada vez mais alvissareira, aliás, a hipótese de que saia candidato. Já condenado em primeira instância, indiciado em outros processos, sem falar nas delações que devem surgir até lá, apenas um milagre o salvaria da derrota nas urnas — convenhamos, o único desfecho capaz de aplacar sua martirização.
Trocando em miúdos, ao tentar parecer um sujeito razoável e não o descompensado emocional que todos já conhecem, Ciro está apenas falando como o eterno pré-candidato que é. Não por acaso, tenta agora ensaiar um discurso moderado, que seduza o eleitor avesso a extremismo.
Pois, na verdade, trata-se de um sujeito ainda mais perigoso do que o próprio Lula. Esse já tem lugar reservado na história como o maior gângster político que o Brasil concebeu, mas nunca deixou de lado o pragmatismo para alcançar seus objetivos. Ciro Gomes, bem ao contrário, desfia a verve típica dos ideólogos. Não por acaso, passou por onze partidos até encontrar-se no PDT, legenda de mentecaptos clássicos como Leonel Brizola e, mais recentemente, Dilma Rousseff.
Ciro, no fundo, tem um quê de Marina Silva: já foi ex-ministro de Lula, gosta de fazer barulho e não engana mais ninguém.
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MILHÕES EM PROPINA

BRASÍLIA - Além do presidente Michel Temer e do senador Aécio Neves, a delação da JBS envolve os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff , ministros da atual gestão e governadores de estado. No caso dos ex-presidentes, o empresário Joesley Batista e o executivo Ricardo Saud relataram pagamentos em contas no exterior tanto para Lula quanto para Dilma. O saldo dessas contas em 2014 teria chegado a US$ 150 milhões.
O ex-ministro Guido Mantega seria o intermediário dos pagamentos que eram devidos em razão de esquemas criminosos no BNDES e em fundos de pensão. Em 2010, por intermédio do ex-ministro Antonio Palocci, teria sido feito outro repasse de R$ 30 milhões para a campanha de Dilma.
O presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), foi acusado por Ricardo Saud. Segundo o relato, o peemedebista recebeu R$ 5 milhões pela atuação em uma Medida Provisória que disciplinava créditos de PIS/Cofins.
No caso dos ministros do governo Temer, Gilberto Kassab foi citado como beneficiário de propina por Wesley Batista, irmão de Joesley, e também pelo executivo Ricardo Saud. Em relação a Marcos Pereira, Joesley relatou aos investigadores ter pago propina em troca da aprovação de um empréstimo de R$ 2,7 bilhões para a JBS pela Caixa Econômica.
GOVERNADORES
O governador do Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja (PSDB), é citado junto com seu antecessor, André Puccinelli (PMDB), como beneficiário de pagamentos de R$ 150 milhões entre 2007 e 2016 como contrapartida a benefícios fiscais recebidos pelo grupo empresarial. O governador mineiro Fernando Pimentel (PT-MG), foi acusado de receber R$ 3,6 milhões no período em que ocupou o ministério do Desenvolvimento na administração Dilma Rousseff.
O governador do Rio Grande do Norte, Robinson Faria (PSD-RN), é acusado de ter recebido junto com seu filho, o deputado Fábio Faria (PSD-RN) um pagamento de R$ 5 milhões em propina em troca da privatização da companhia de água e esgoto do estado.
No caso do governador catarinense, Raimundo Colombo (PSD-SC), a acusação é de pagamento de R$ 10 milhões em troca de favorecimento na licitação na companhia de água e esgoto do estado.
São citados como beneficiários os ex-governadores Cid Gomes (PDT-CE), que teria recebido R$ 20 milhões em troca de liberação de créditos de ICMS, Sérgio Cabral (PMDB-RJ), que teria recebido R$ 40 milhões em propina, e Silval Barbosa (PMDB-MT), que recebeu pagamentos em troca de benefícios fiscais à JBS.
SENADORES
Aparecem ainda na delação os senadores José Serra (PSDB-SP), tendo recebido R$ 20 milhões a pretexto de campanha, e Marta Suplicy (PMDB-SP), como beneficiária de R$ 1 milhão em 2010 e R$ 3 milhões em 2014.
Delator da Lava-Jato, Delcídio Amaral foi mencionado como sido beneficiário de propina de R$ 5 milhões em troca de uma concessão, fato que não consta de sua colaboração. Há relatos ainda de pagamentos para o deputado João Bacelar (PR-BA) e para o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ). 
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O SUCESSOR

O ano era... 1976, para sucedê-lo na prefeitura de Sobral (CE), Zé Prado lança José Euclides. Para eleger seu sucessor, Zé Prado não mediu esforços: saia às ruas de Sobral e distritos dia e noite, pedindo voto para seu candidato.
Com slogan “De Zé pra Zé, do jeito que o povo quer” e a força política que o jovem carismático da família Prado já demonstrava ter, elegeu seu sucessor.
Após cinco meses no poder, Euclides rompe com Zé Prado, seu padrinho político e responsável pela vitória que tornou o desconhecido comerciante em prefeito de Sobral.
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domingo, 21 de maio de 2017

E AGORA, SENHORES ?

Da ISTOÉ
Desde o início da Lava Jato, há três anos, os petistas tentam emplacar uma narrativa não correspondente aos fatos: a de que a operação foi forjada para exterminar o PT e colocar atrás das grades o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, impedindo-o de concorrer novamente à Presidência. Igualmente envolvidos em escândalos de corrupção, cabeças coroadas de PMDB e PSDB, segundo a mesma tese da vitimização, receberiam a condescendência de uma Justiça que se apresentaria de olhos vendados para suas práticas nada republicanas. Na última semana, prevaleceu na Lava Jato a chamada “erga omnes”, um latinismo utilizado no meio jurídico para designar que a lei e a Justiça valem para todos, sem distinção: o presidente da República, Michel Temer, do PMDB, e os tucanos Aécio Neves e José Serra – bem como os petistas Lula e Dilma, figuras carimbadas de outros escândalos – foram severamente atingidos pela delação dos empresários Joesley e Wesley Bastista, donos da empresa global JBS.
O roteiro obedeceu ao script de casos anteriores que implicaram apenas os integrantes do PT: vazamento pela imprensa dita (por eles) “golpista”, alguma imprecisão nas informações divulgadas e gravações às escondidas em que o delator induz diálogos a fim de flagrar a autoridade em situações embaraçosas. Só que pelo menos num primeiro momento, calculadamente, não se ouviu da militância organizada um reparo sequer à atuação do Ministério Público que solicitou – e conseguiu – autorização do Supremo Tribunal Federal para investigar o presidente da República, justamente no momento em que o País demonstrava fôlego econômico. Residem aí duas faces antagônicas de uma importante constatação: a deletéria ao País é que, sim, ainda há uma parcela da sociedade suscetível a discursos rasos, demagógicos e sem conexão com a realidade, cujo único propósito é o de guindar de volta ao Palácio do Planalto aqueles que por 13 anos institucionalizaram a corrupção no País, não só para se perpetuarem no poder como para enriquecimento próprio. A principal delas, e fundamental para a consolidação das instituições, é que a tarefa de limpeza moral e ética da qual se imbuiu os membros da força-tarefa da Lava Jato não deve mesmo ser interrompida, mesmo diante de pressões de toda ordem.
Conspiração?
A maior prova disso foi dada nos últimos dias. Na quarta-feira 17, o jornal OGLOBO antecipou trechos da colaboração premiada dos donos da JBS que implicam Temer. O inteiro teor de áudios, em que o presidente aparece em conversas constrangedoras com Joesley, foi conhecido no dia seguinte. Nele, Joesley narra a Temer, em conversa mantida no Palácio do Jaburu no dia 7 de março, o cometimento de vários crimes: entre eles, o pagamento de mesadas ao ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha, como forma de comprar seu silêncio e a cooptação de juízes e procuradores da República, com objetivo de limpar a barra da empresa no âmbito da Lava Jato. No diálogo, Temer denota atitude incompatível com o cargo de presidente da República. Num dado momento, Joesley diz que está tentando trocar um procurador da República, que o estava investigando. O presidente ouviu e nada fez. Diante da divulgação dos áudios, o País foi incendiado. O Palácio do Planalto, o Legislativo e o mercado financeiro ficaram absolutamente aturdidos. Correu no País o rumor de que ele pediria renúncia do cargo. Ao fim do dia, Temer reuniu a imprensa e disse de maneira taxativa: “Não renunciarei. Repito, não renunciarei”. E acrescentou: “sei o que fiz e sei a correção dos meus atos”.
Internamente, no Planalto foi disseminada a tese de um complô para apear Temer do poder e frear reformas importantes para o País, como a da Previdência. “Fui vítima de uma conspiração”, disse o presidente a interlocutores na quinta-feira 18. Independentemente de o Planalto estar correto ou não quanto à existência de uma armação contra o governo, há elementos capazes de conferir verossimilhança às alegações. Claro, a crise é grave e o presidente da República será instado a responder pelos seus atos. Nas gravações, há evidências de prevaricação, no mínimo, e se incorreu em crime, Temer como qualquer outro cidadão deste País deve estar sujeito aos rigores da lei. Mas é importante ter em mente também que o vazamento da delação do empresário Joesley Batista não foi acidental. Tratou-se de algo muito bem calculado por todos atores envolvidos, muitos dos quais, seguramente interessados em provocar instabilidade ao governo, no momento em que a economia dava sinais de recuperação. Por exemplo, o modus operandi do vazamento foi todo montado para que o fato político se impusesse, antes mesmo do conhecimento dos áudios. Inicialmente, consolidou-se na praça a versão de que Temer havia concedido o aval a Joesley para a compra do silêncio do ex-presidente da Câmara, com a fatídica frase “tem que manter isso, viu?”. Ou seja, o impacto político já era irreversível. A lentidão em dar publicidade à gravação acabou deixando o presidente emparedado.
Quando foram divulgados os trechos, em áudio, ficou clara a imprecisão na edição das conversas. Embora estivesse no contexto da compra de Cunha, a frase “tem que manter isso, viu?” não sucedia outra que versasse literalmente sobre o pagamento do silêncio do peemedebista preso. Ou seja, não há a anuência à propina, como se quis vender no início. Ademais, havia trechos inaudíveis, a gravação continha picotes, que lembram uma edição mal feita. Essa hipótese ainda poderá vir a ser comprovada por meio de perícia na gravação, solicitada pelo presidente. Em declaração à imprensa, Temer disse: “A montanha pariu um rato”, redimensionando o que se achava que teria nas gravações e o que de fato havia nelas. Outros trechos, sim, sugerem prevaricação, discussão sobre obstrução de justiça e ciência sobre negociação de vantagem indevida. E o presidente se fragiliza politicamente por isso. Mas o caldo já estava entornado de antemão.
O fato é que o áudio é inconclusivo sobre a culpabilidade de Temer. Analisando mais profundamente o material, é possível notar outro aspecto. Por exemplo, o enredo é de um empresário que narra crimes em série e tenta induzir o presidente da República a falar o que ele queria ouvir.
Quem se apresenta indiscutivelmente como o partícipe do esquema é o deputado Rodrigo Rocha Lourdes (PMDB). O parlamentar foi filmado pela Polícia Federal recebendo uma mala com R$ 500 mil entregue por Joesley Batista. As cédulas tinham seus números de série informados aos procuradores e as malas e mochilas continham rastreadores. A reação do Supremo Tribunal Federal foi imediata. Logo após a divulgação da conversa, o ministro Edson Fachin, que conduz os processos da Operação Lava Jato no STF, determinou que fosse aberto inquérito para investigar as denúncias contra o Temer. Fachin atendeu a um pedido do procurador-geral da República Rodrigo Janot. É a segunda vez que um presidente do País é investigado durante exercício do mandato. O primeiro foi o ex-presidente Fernando Collor, hoje senador, em 1991.
Comprovadas as suspeitas, o procurador oferece denúncia ao STF, que analisa se torna o presidente réu ou não. A reversão de expectativas em relação aos áudios, no entanto, arrefeceu a pressão no Congresso. O PSDB e o PPS que ameaçaram desertar, recuaram aos 45 minutos do segundo tempo, mostrando serenidade na hora de examinar os fatos, que é o que o Brasil precisa no momento. Outras agremiações não tomaram o mesmo caminho.
O PSB saiu em retirada. A legenda já vinha demonstrando um desconforto com as reformas encaminhadas ao Congresso. Embora houvesse orientação para que sua bancada votasse contra os projetos, a sigla estava dividida. Dos 30 deputados, apenas 14 se mantinham fiéis ao Palácio do Planalto. Mas, na quinta-feira 18, um dia após a divulgação do conteúdo da gravação, a relação azedou. O presidente Carlos Siqueira determinou que o ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, entregasse o cargo e reforçasse a bancada do partido na Câmara.
Mesmo com popularidade baixa, o presidente Michel Temer sempre gozou de prestígio no parlamento. Diferentemente de sua antecessora Dilma Rousseff, Temer contabilizava uma base ampla na Câmara e no Senado. O apoio tem sido fundamental para a aprovação de medidas importantes, como a contenção dos gastos públicos. E seria importante para as futuras batalhas travadas em torno de reformas da Previdência e Trabalhista. Agora, Temer procura reconstruir esse apoio. Prevista para ser analisada na quinta-feira 18, a Reforma Trabalhista foi tirada da pauta do Senado pelo senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES). Na rede social, o senador capixaba justificou o gesto: “diante da gravidade que vive o País, o bom senso diz que é necessário priorizar a solução da crise institucional para depois darmos desdobramento ao debate relacionado à reforma tributária”.
Votação no TSE
Com o novo cenário, Temer corre o risco não apenas de ser derrotado em votações importantes no Congresso, como também ter seu mandato ameaçado na Casa. Ao todo, foram encaminhados oito requerimentos de impeachment na Câmara. Cabe ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), aceitá-los ou não. Por ora, no entanto, a tendência é pelo não encaminhamento dos pedidos. Ou seja, esse não é o caminho mais provável. Mas a panela pode ferver para Temer no TSE. O julgamento está previsto para ser retomado em 6 de junho. Serão julgadas quatro ações do PSDB por abuso de poder econômico e político da chapa Dilma-Temer. Com a cassação da chapa, abre-se chance para que ocorram eleições indiretas.
Nesse caso, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, ficaria encarregado de convocar o Congresso para eleger o sucessor de Temer em 30 dias. Outra hipótese, é Temer optar por renunciar ao mandato, possibilidade que está afastada nesse momento.
Pesa contra essa modalidade o fato de ele não ter mais direito ao foro especial. O caso seguiria para a Justiça de primeira instância. Ficaria mais fácil de ele ser processado e ter até um mandado de prisão decretado, pois não dependeria da composição do plenário do STF.
Tanto nesse caso quanto na possibilidade de impeachment, o Congresso escolhe novo presidente para governar até 2018 em eleição indireta. Ocorre que, no meio desse caldeirão, grupos interessados no retorno de Lula ao poder já articulam a volta das “Diretas Já”. Só há possibilidade de eleição direta se o Congresso aprovar uma PEC. O portador dessa proposta indecente, na semana passda, foi o deputado Miro Teixeira (Rede-RJ), que ressuscitou uma proposta antiga de sua autoria. O texto prevê a realização do pleito até seis meses antes do final do mandato, caso a Presidência fique vaga.
Desde 1954, quando Getúlio disparou um tiro no peito e deixou a vida para entrar na história, o Brasil não enfrentava uma crise tão grave. O destino do País é incerto. As portas de saídas permanecem obscuras. O certo é que as investigações devem continuar.
A recuperação da economia precisa continuar
Nos últimos meses, o noticiário econômico deu ao mercado financeiro muito pouco do que se queixar. A inflação e a taxa básica de juros, a Selic, tiveram consecutivas quedas. O PIB do primeiro trimestre foi positivo. O país voltou a gerar empregos e abriu quase 60 mil vagas em abril. A recuperação da economia, comandada pela política do ministro da Fazenda Henrique Meirelles, caminhava satisfatoriamente, mas ainda dependia da consolidação das reformas trabalhista e previdenciária para continuar avançando. E isso precisa ser mantido, para a criação do ambiente de segurança jurídica e econômica que Temer prometeu aos empresários no ano passado.
Por isso, o mercado financeiro entrou em pânico na manhã de quinta-feira 18, com o surgimento de detalhes da delação da JBS. A perspectiva de ver essa recuperação ameaçada, levou a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) a interromper os negócios durante trinta minutos para controlar a queda de 10,47%. As ações da Petrobras e papéis do setor financeiro recuaram quase 20% e o dólar chegou a ser cotado a R$ 3,40, obrigando o Banco Central a vender US$ 2 bilhões para conter a queda. Na sexta-feira 19, contudo, após Michel Temer dizer que não renunciaria, o mercado começou a reagir, com o dólar caindo e a Bovespa se valorizando. (Barbara Libório)
Os cenários para superar a crise
REFORMAS
Manutenção da atual política do governo Temer de realizar as reformas da Previdência, Trabalhista, Tributária e Política, o que seria a saída menos turbulenta
RENÚNCIA
A renúncia é uma das possibilidades, mas depende de um gesto individual de Temer, que tem dito que não pretende renunciar
TSE
A chapa Dilma/Temer pode ser cassada no próximo dia 6 de junho
ELEIÇÃO INDIRETA
Se Temer renunciar ou for cassado pelo TSE, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, assume por 30 dias e convoca eleição indireta no Congresso. O problema é que quase todos os congressistas estão envolvidos em denúncias de corrupção. A solução seria alguém de fora, de reputação ilibada, como a ministra do STF Cárrnen Lúcia
IMPEACHMENT
Caso Temer não renuncie ou não seja cassado pelo TSE, pode sofrer processo de impeachment, mas esse processo é mais demorado e o País não agüenta mais um longo período de indefinição política
ELEIÇÃO DIRETA
Para que aconteça eleição direta para presidente, o Congresso precisa aprovar uma PEC (Proposta de Emenda Constitucional) estabelecendo eleições gerais já, conforme propõe o deputado Miro Teixeira. Esse processo também é demorado e deixaria um vazio no poder enquanto não se escolheria o novo presidente
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EH, BOI

Artigo de Fernando Gabeira
Estava no meio de um artigo sobre a conversa com Deltan Dallagnol no Teatro do Leblon, a respeito dos livros que publicamos. Mandei o artigo para o espaço. Durante muitos anos trabalhei, no Congresso, para proibir bombas de fragmentação. Elas ficam no terreno, às vezes parecem um brinquedo e, de repente, bum: explodem. Nesse terreno minado, no entanto, a JBS nunca me enganou. Faz alguns anos que a menciono em artigos. Ela recebia muito dinheiro do BNDES. E doava também muito dinheiro para as campanhas políticas. O PT levava a maior parte, mas não era o único.
A Polícia Federal já estava no rastro, investigando suas fontes de renda, BNDES, FGTS, todos esses lugares onde o dinheiro público flui para o bolso dos empresários. Assim como no caso da Odebrecht, as relações com o mundo político eram muito amplas. Elas são suficientes para nos jogar, pelo menos agora, numa rota de incertezas.
Temer foi para o espaço, Aécio foi para o espaço, embora este já estivesse incandescente, como aqueles mísseis da Coreia do Norte no momento do voo. O PT e Lula já sobrevoam o mar do Japão. Tudo isso acontece num momento em que há sinais de uma tímida recuperação econômica. Como navegar nesses mares em que é preciso desmantelar o grande esquema de corrupção e não se pode perder o foco nos 14 milhões de desempregados?
Escrevo de noite, num quarto de hotel, não me sinto capaz de formular todos os passos da saída. Mantenho apenas o que disse no Teatro do Leblon: a história não recomeça do zero, haverá mortos, fraturas expostas, ferimentos leves, algo deve restar para receber a renovação que, acredito, virá em 2018. E até lá? Não creio que se deva inventar nada fora da Constituição. Mas será tudo muito difícil. Mesmo porque, em caso de necessidade, a Constituição pode ser legalmente emendada.
No Teatro do Leblon, ainda no meio da semana, não quis fazer considerações finais. Não há ponto final, dizia. As coisas ainda estão se desenrolando num ritmo alucinante. O sistema político no Brasil entrou em colapso. Isso já era uma realidade para muitos, agora deve se tornar um consenso nacional. A sociedade terá um papel decisivo, pois deve preparar uma renovação e simultaneamente monitorar os ritos fúnebres do velho sistema. A grande questão: que caminho será o menos traumático para uma economia combalida?
No meio dos anos 1980 já existia uma forte discussão a respeito de partidos políticos. Não seriam uma forma de organização condenada? Discutia-se isso também em outros países. Partido ou movimento, o que é melhor para reunir as pessoas?
A discussão na França, creio, deve ter influenciado, anos depois, a eleição de Macron, agora em 2017. Ele estava à frente de um movimento, mas precisará dos partidos para governar. As fórmulas da renovação política trazem inúmeras possibilidades. Talvez seja difícil falar delas com tantos obstáculos a curto prazo no universo político.
No momento em que escrevo há surpresas, eletricidade, sensação. Só há clima talvez para se discutirem as medidas mais imediatas. O processo de redemocratização no Brasil chegou a um impasse. Precisa de um novo fôlego, algo que, guardadas as proporções, traga de novo as esperanças despertadas pelo fim do longo período ditatorial.
Foi um longo processo de degradação. As últimas bombas que ainda estão espalhadas pelo terreno ainda podem explodir. Mas a explosão de cada uma delas deve ser celebrada.
A corrupção, apesar das recusas da esquerda em reconhecer sua importância, tornou-se o grande obstáculo para o crescimento do país. Não vamos nos livrar totalmente dela. Há um longo caminho para fortalecer a estrutura das leis, desenvolver uma luta no campo cultural — onde as transformações são mais lentas — e sinceramente mostrar às pessoas que é razoável que estejam surpresas com tantas revelações escabrosas. Mas um pouco mais de atenção já teria detectado o escândalo na fonte, nas relações da JBS com o BNDES, na sua ampla influência nas eleições. Até que ponto tanta surpresa seria possível num universo não só com um pouco mais de transparência, mas também com menos ingenuidade?
O tom de prosperidade, crescimento, projeção internacional ajudou a JBS a dourar a pílula, mesma fórmula de Cabral para encobrir seus crimes.
Nos dias anteriores ao escândalo da JBS, a presidente do BNDES ainda achava estranhas as notícias de corrupção no banco e anunciava que iria apurar as irregularidades na gestão anterior.
E falamos delas há anos. Se essa gente insiste tanto em nos infantilizar é porque, ao longo desse tempo, a tática se mostrou eficaz.
A vigilância pode nos libertar dela, embora sempre vá existir um grupo numeroso que vê nas denúncias contra seus líderes uma conspiração diabólica. Esses, entregamos a Deus, sua viagem é basicamente religiosa.
Artigo publicado no Segundo Caderno do Globo em 21/05/2017
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UM PAÍS INVIÁVEL

J.R. Guzzo, VEJA
O presidente Michel Temer, no fim das contas, não conseguiu atravessar nem mesmo a miserável pinguela que tinha pela frente para usar a faixa presidencial até o último dia oficial de seu mandato. Era o seu sonho, ou seu único objetivo real — cumprir o curtíssimo prazo que a lei lhe deu para despachar no Palácio do Planalto. Chegou até mesmo a montar um bom ministério, e não só na área econômica.
 Estava começando, enfim, a anotar bons resultados. Mas não deu, e nem poderia dar. Temer assumiu a Presidência da República em situação de D.O.A., como dizem os relatórios hospitalares e policiais nos Estados Unidos — dead on arrival, ou morto na chegada. Chegou morto porque só sabe fazer política, agir e pensar para um Brasil em processo de extinção, onde presidentes da República recebem em palácio indivíduos à beira do xadrez, discutem com eles coisas que jamais deveriam ouvir e não chamam a polícia para levar ninguém preso.
Desde a semana passada, com uma colossal denúncia criminal nas costas de Michel Temer, as datas oficiais da sua certidão de óbito como presidente deixaram de fazer diferença. Seu governo não existe mais. A atual oposição (até ontem governo) do PT-esquerda não existe mais; eles estão rindo, mas riem no próprio velório. Os políticos, como classe, não existem mais. Querem viver de um jeito inviável e manter de pé um país inviável. Acabaram por tornar-se incompreensíveis.
Para ler o artigo na íntegra, compre a edição desta semana de VEJA no iOS, Android ou nas bancas.
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NA MIRA DA JUSTIÇA

O Conselho Pleno da OAB votou pela abertura de processo de impeachment contra o presidente da República, Michel Temer, por crime de responsabilidade.
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A PRIMEIRA CAMPANHA

O ano era... 1972, Zé Prado disputa pela primeira vez uma campanha eleitoral, seu adversário era o empresário Carlos Alberto, o “Carrim”. A campanha empolgava todos os sobralenses dos bairros e dos distritos.
Apoiado pelo prefeito Joaquim Barreto, uma das estratégias políticas de marketing para angariar votos de “Carrim” foi distribuir miniaturas de automóveis de plástico para o povo e dizia: “–Vamos de Carrim para chegar primeiro.”
Em contraposição à estratégia de marketing político de "Carrim", a resposta da campanha pradista veio em forma de jingle eleitoral, Pedro Lavandeira fiel amigo e compadre de Prado, fez duas canções: Todo mundo vai a pé, de carro pode virar e Pra ganhar vou a pé.
Após uma acirrada disputa, Zé Prado foi eleito prefeito de Sobral. De 1973 a 1976, Zé Prado e o vice João Edson Andrade administraram a cidade no prédio da atual Câmara Municipal.
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DEVOLUÇÃO DE PRESENTE

Do Blog do Fausto Macedo, Estadão
A Justiça Federal indeferiu o pedido de liminar em ação ajuizada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o qual pretendia a anulação da decisão do Tribunal de Contas da União (TCU) que determinou a incorporação ao patrimônio da União de presentes que ele recebeu de chefes de Estado em visitas oficiais, quando no exercício do mandato presidencial. A decisão é do juiz federal Carlos Alberto Loverra, da 1.ª Vara Federal de São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo.
As informações foram divulgadas pelo Núcleo de Comunicação Social da Justiça Federal de 1.º Grau em São Paulo – Processo n.º 5001104-15.2017.403.6114.
Entre outros argumentos, o ex-presidente apontou a ‘decadência (perda) do direito de rever atos administrativos de incorporação dos bens ao seu patrimônio privado’ – tendo em vista o transcurso de mais de cinco anos entre tais ocorrências e a decisão do TCU.
Para Carlos Loverra, o argumento quanto ao prazo decadencial não deve ser aceito, tendo em vista que a contagem de tempo inicia-se no dia de desligamento do presidente do cargo, o que ocorreu 31 de dezembro de 2011. Como a decisão do TCU foi dada em 31 de agosto de 2016, não chegou a completar o prazo legal de cinco anos.
O juiz acrescenta que, segundo a legislação, ‘presentes recebidos de Chefes de Estado ou de Governo de outros países em visitas oficiais, devem receber o tratamento geral de destinação à União, pois, em tese, ao Brasil foram ofertados e não à pessoa do Presidente, ressalvados aqueles objetos de caráter personalíssimo ou consumíveis’.
Loverra explica que não há que se falar em perigo de dano ou risco ao resultado útil do processo, requisitos para conceder tutela antecipada, ‘pois a transferência dos bens ao patrimônio da União em nada interferirá em sua integridade, podendo os mesmos serem requisitados e entregues ao autor a qualquer tempo mediante ordem judicial, caso ao final procedente seu pedido’.
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sábado, 20 de maio de 2017

AS CORES DO BRASIL

Em 2014, um governador do PSDB foi pedir ajuda financeira à JBS e ouviu de Joesley que os “vermelhos (PT) entregam mais que vocês, os azuis (PSDB). Saiu sem nada. Como se sabe, a empresa desabrochou no governo do PT.
Da coluna Radar On-Line, VEJA
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PROPINA MILIONÁRIA

SÃO PAULO  -  (Atualizada às 16h50) O empresário Wesley Batista, do grupo JBS, afirmou que a empresa recebeu, em agosto de 2014, R$ 97.519.723,27 do governo do Ceará em restituição de créditos de ICMS, em troca do pagamento de R$ 20 milhões.
As informações constam do termo de colaboração premiada nº 15.
 Segundo Batista, em meados de 2014, o então governador do Ceará, Cid Gomes (PDT), esteve na sede da JBS, em São Paulo e solicitou contribuição para a campanha de Camilo Sobreira de Santana (PT) ao governo do Estado.
O empresário teria respondido que o Ceará devia à empresa R$ 110.404.703,61 em restituição de créditos de ICMS, o que dificultava a contribuição.
Wesley diz que foi procurado, duas semanas depois, pelo deputado federal Antonio Balhmann (PROS-CE), juntamente com o secretário do Estado do Ceará, Arialdo Pinho, com a proposta que, em troca de R$ 20 milhões para a campanha eleitoral, seria liberada a integralidade dos créditos do ICMS.
O empresário contou que concordou com a resposta.
Do total de R$ 20 milhões, R$ 9,8 milhões se referem à “propina na forma de pagamento de notas emitidas contra a JBS sem contrapartida em prestação de serviços”.
Os outros R$ 10,2 milhões se relacionam a “propina dissimulada sob a forma de doação oficial”, de acordo com informações prestadas por Batista durante a colaboração premiada.
Outro lado
 Cid Gomes informou, por meio de nota, que não recebeu recursos da JBS. “Repudio referências em delação que atribuem a mim o recebimento de dinheiro. Nunca recebi um centavo da JBS”, disse Gomes.
O ex-governador afirmou que tem patrimônio de R$ 782 mil, depois de 34 anos trabalhando, “tendo sido duas vezes deputado, duas vezes prefeito e duas vezes governador”.
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CONTRATO FICTÍCIO

Da VEJA
O empresário Wesley  Batista, irmão de Joesley, narrou em sua delação premiada como o Grupo JBS pagou 20 milhões de reais a Gilberto Kassab, ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações. Segundo o empresário, os repasses ocorreram entre o final de 2009 e o final de 2016.
Wesley contou que pagamentos ao ministro já vinham sendo feitos pelo frigorífico Bertin, comprado pela JBS em 2009. Com a fusão, os novos donos decidiram que os repasses deveriam prosseguir – e assim foi feito.
O delator conta que, além de dar prosseguimento ao tal contrato lícito, havia um outro contrato, que ele chama de “overprice”, de 350 mil reais mensais. “A JBS comprou o Bertin no final do ano de 2009 e ficou de 2010 até o final do ano passado pagando esse contrato de aluguel dos caminhões, mais um adicional de 350 mil reais, que era propina, não existia”, disse Wesley.
Segundo ele, a propina nesse contrato extra somou 20 milhões de reais ao longo de quase sete anos.
Outro delator,  o ex-diretor da JBS Ricardo Saud, não só confirmou o pagamento dos 20 milhões como revelou outro repasse a Kassab. Ele contou que o grupo deu 7 milhões de reais para campanhas políticas do próprio ministro e de candidatos indicados por ele.
“O Kassab fez uma coisa: uma parte do dinheiro dele ele pôs para a campanha dele no Senado, uma parte dele ele ajudou uns poucos candidatos a deputado dele, outra parte ele investiu no Robinson Faria e no Fábio Faria (aqui o delator se refere ao governador do Rio Grande do Norte e o filho dele, deputado federal, respectivamente), e uma parte ele tirou para ele, pessoa física”, narrou Saud.
O diretor da JBS explicou como fez os pagamentos: “Ele (Kassab) pediu pra gente guardar lá 7 milhões para ele, desses 7 milhões ia dividir em 22 parcelas de 250. Tinha impostos. Então, ficou 5,5 milhões, divididos em 22 parcelas de 250. Ele fez na empresa do irmão dele, chamada Yapi Consultoria e Debates Ltda. Isso foi feito com nota fiscal dissimulada, nenhum tipo de prestação de serviços, fria, gelada mesmo”, disse.
Em nota, Kassab diz que “as apurações em andamento são importantes para o país e devem continuar como determina a legislação.” O ministro informa que detém participação societária em empresa que opera dentro de estrita legalidade. “Não houve qualquer recebimento de recursos pessoais pelo ministro, o que ficará devidamente comprovado”, diz a nota. Com relação às menções a repasses durante as eleições, Kassab garante que as doações recebidas foram registradas junto à Justiça Eleitoral.
Assista ao vídeo:
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DIGA AO POVO QUE FICO !

Do G1
O ministro da Defesa, Raul Jungmann, informou nesta quinta-feira (18) por meio de nota que permanecerá no cargo “no pleno exercício da direção superior das Forças Armadas, em cumprimento das funções para as quais foi nomeado pelo Senhor Presidente da República”.
A decisão foi anunciada depois de o presidente Michel Temer anunciar que não renunciará à Presidência mesmo após a revelação, pelo jornal "O Globo", de que foi gravado pelo dono do frigorífico JBS, Joesley Batista, dando aval para a compra do silêncio do deputado cassado e ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ).
Jungmann, que é filiado ao PPS, decidiu permanecer no cargo mesmo depois de o presidente licenciado do partido e atual ministro da Cultura, Roberto Freire, ter dito que os ministros da sigla deixariam os cargos caso Temer não renunciasse.
Após a declaração de Temer, a assessoria do Ministério da Cultura informou que Roberto Freire comunicaria ao Palácio do Planalto a decisão de renunciar o cargo de ministro.
Outro ministro que também decidiu deixar o cargo foi Bruno Araújo (Cidades). De acordo com o colunista do G1 e da GloboNews Gerson Camarotti, a decisão foi tomada após consulta a vários deputados do PSDB, partido pelo qual é filiado.
Leia a nota divulgada pelo ministro Raul Jungmann:
NOTA À IMPRENSA
Brasília, 18/05/2017 – Face às notícias divulgadas pela imprensa, o Ministro de Estado da Defesa, Raul Jungmann, comunica que permanece no cargo, no pleno exercício da direção superior das Forças Armadas, em cumprimento das funções para as quais foi nomeado pelo Senhor Presidente da República.
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NO MERCADÃO DO IMPEACHMENT

Da VEJA
Sorrindo, e com cara de deboche, o bilionário Joesley Batista revelou em sua delação premiada como comprou deputados por 5 milhões de reais para que votassem contra o impeachment de Dilma Rousseff.
A ofensiva do dono da JBS no mercado político se deu no sábado que antecedeu a votação no plenário da Câmara, em março do ano passado. A ideia era clara: reverter, à custa de dinheiro, os votos dos parlamentares que estavam dispostos a tirar Dilma do Planalto. Um esforço emergencial para tentar salvar a pele da petista.
Quem levou a proposta para comprar políticos a Joesley foi o deputado baiano João Carlos Bacelar, do PR baiano e então aliado de Dilma. Ele bateu à porta da casa do empresário, em noite alta, no fim de semana que antecedeu a votação. Propôs a operação de última hora, que foi prontamente aceita.
Joesley  conta que Bacelar chegou com os nomes escritos em um papel: “Tem aqui uma lista de 30 deputados, 5 milhões cada um, 30 deputados e nós ganhamos o impeachment”, disse Bacelar, segundo o relato do dono da JBS aos procuradores da Lava-Jato. O dono da JBS foi curto e grosso na resposta:  “João, faz o seguinte: 5 deputados por 3 milhões você pode comprar, por minha conta. (…) Três milhões cada”. Joesley não relaciona os deputados que receberam dinheiro em troca do apoio a Dilma.
Por precaução, Joesley disse que, após dar a autorização para a “compra” dos votos, ficou com a lista de deputados comprados na mão, para no domingo da votação conferir durante a votação o compromisso dos parlamentares com os valores pagos na véspera.  “Só que eu falei: me dá a lista aí. Eu quero ficar com a lista dos possíveis a ser comprados, pra mim (sic) ver depois na televisão se, enfim…”, disse o empresário. “Mas eu conferi na época. Era deputado do baixo clero ali. Eu conferi, deu os cinco dedos e lá tô eu com a dívida de 15 milhões. Eu lembro que eu conferi, deputado não sei o quê…”.
Bacelar, o dono da ideia de distribuir dinheiro a quem ainda estava em dúvida, manteve sua posição em segredo até a véspera da decisão em plenário. Não se sabe se movido por ajuda financeira ou pela própria consciência, votou contra o impeachment. O deputado, é preciso registrar, é personagem recorrente de denúncias de corrupção no Congresso.
Joesley e Bacelar mantinham laços estreitos. Bem antes do impeachment, o empresário pedira ao deputado para ajudar o ex-ministro Guido Mantega na CPI do Carf, da qual o parlamentar baiano era relator.
Assista ao vídeo:
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DE VOLTA À CADEIA

Do G1, Ribeirão Preto
A ex-prefeita de Ribeirão Preto (SP) Dárcy Vera (PSD) e mais quatro réus da Operação Sevandija foram presos na manhã desta sexta-feira (19) depois de perderem no Superior Tribunal de Justiça (STJ) liminares que garantiam sua liberdade provisória.
Acusada de envolvimento no maior esquema de corrupção da história da cidade, Dárcy foi detida em casa, no bairro Ribeirânia, por volta das 6h por agentes da Polícia Federal e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).
Acompanhada de sua advogada de defesa, Maria Cláudia Seixas, ela foi colocada dentro de uma viatura e levada à sede da PF. Na sequência, ela e os demais investigados foram levados ao Instituto Médico Legal (IML).
Com liminares suspensas pela Justiça, também foram presos nesta sexta-feira o ex-secretário de Educação, Ângelo Invernizzi, e a ex-funcionária da Companhia de Desenvolvimento de Ribeirão Preto (Coderp), Maria Lúcia Pandolfo.
O ex-superintendente da Coderp, David Mansur Cury, se apresentou às 5h por livre iniciativa na sede da PF. "Cumpriremos tudo que for necessário e colaboraremos com tudo", disse Cury ao Bom Dia Cidade.
Até então não localizado em casa, o ex-secretário da Casa Civil, Layr Luchesi Júnior, se apresentou durante a manhã na presença de seu advogado. "Estou me apresentando pra continuar contribuindo com a Justiça", afirmou.
O ex-secretário de Administração, Marco Antônio dos Santos, e o advogado do Sindicato dos Servidores Municipais, Sandro Rovani, estão presos desde março deste ano.
Os mandados de prisão preventiva foram expedidos na noite de quinta-feira (18) pela 4ª Vara Criminal de Ribeirão Preto. Os homens serão encaminhados para o Centro de Detenção Provisória (CDP) e as mulheres serão transferidas para a Penitenciária Feminina de Tremembé (SP).
Com as detenções, o Gaeco espera concluir as ações penais da operação até o fim do ano.
Dárcy Vera
A ex-prefeita tinha sido presa em dezembro do ano passado na segunda fase da Operação Sevandija, mas obteve um habeas corpus nove dias depois.
Dárcy é acusada de chefiar um esquema que desviou R$ 45 milhões dos cofres públicos por meio de fraude nos pagamentos de honorários advocatícios no chamado "acordo dos 28%", resultante de uma ação movida por servidores municipais contra a Prefeitura, referente às perdas salariais do Plano Collor.
Segundo o ex-presidente do Sindicato dos Servidores Municipais Wagner Rodrigues, delator do esquema, Dárcy recebeu R$ 7 milhões em propina.
Por quatro votos a um, os ministros da 6ª Turma do STJ decidiram restabelecer a prisão preventiva da ex-prefeita, o que significa que ela deverá permanecer presa até o julgamento do caso.
Para os ministros, apesar de ter deixado a Prefeitura, a ex-prefeita poderia atrapalhar a investigação. Além disso, a quebra de sigilo fiscal e bancário indicou que Dárcy apresentou movimentação financeira incompatível com os rendimentos brutos declarados entre 2010 e 2015, o que pode configurar ocultação de suas fontes de recursos.
A defesa da ex-prefeita informou que vai recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Réus da Sevandija
A decisão do STJ se estende a outros seis réus da Sevandija: o ex-secretário da Casa Civil, Layr Luchesi Júnior, o ex-superintendente da Coderp, Davi Mansur Cury, a ex-funcionária da Coderp, Maria Lúcia Pandolfo, o ex-secretário de Educação, Ângelo Invernizzi, além do ex-secretário de Administração, Marco Antônio dos Santos, e o advogado do Sindicato dos Servidores Municipais, Sandro Rovani- os dois últimos estão presos desde março.
Veja as acusações, segundo o Grupo Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco):
Ângelo Invernizzi: recebeu R$ 100 mil de propina da Atmosphera Construções e Empreendimentos, empresa terceirizada da Prefeitura.
Davi Mansur Cury: organização criminosa, dispensa indevida de licitação, fraude em licitação, peculato, corrupção passiva-indicações e corrupção ativa dos vereadores.
Maria Lúcia Pandolfo: apontada como operadora do controle de pessoas contratadas pela Atmosphera por indicação de vereadores da base aliada de Dárcy Vera.
Marco Antônio dos Santos: principal articulador do esquema de desvio de dinheiro dos cofres da Prefeitura de Ribeirão, articulador da compra de apoio dos vereadores.
Sandro Rovani: apontado como intermediário no repasse de propinas.
Layr Luchesi Junior: acusado de participar das fraudes nas licitações e desvios dos cofres públicos, e apadrinhar funcionários na Atmosphera.
O que dizem as defesas
Ângelo Invernizzi: A defesa vai recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Sandro Rovani: “Entendo que deixar alguém preso porque não foi recuperado todo o valor do desvio eu estou julgando de forma antecipada essas pessoas. Elas têm direito a ampla defesa e contraditório”, diz o advogado Julio Mossim.
Layr Luchesi Junior: “É uma decisão equivocada porque, na verdade, ele está fazendo uma condenação antecipada e, se for assim, não há porquê existir medidas cautelares. Vamos respeitar e buscar através do STF uma tentativa de liberação dele”, afirmou o advogado Fabio Boleta.
David Mansur Cury: O ex-superintendente se disse 'bastante surpreso' com a decisão, mas se apresentou espontaneamente. "Colaboraremos com o que for necessário", disse.
Maria Lúcia Pandolfo: Em nota, a advogada diz ter respeito em relação à decisão do STJ, mas entende que houve tratamento igual para acusados em situações desiguais e, por isso, buscará a reforma do julgamento perante o Supremo Tribunal Federal, após tomar conhecimento do inteiro teor da decisão.
O advogado de Marco Antonio dos Santos não comentou sobre o assunto.
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BANDEIRA BRANCA, O HINO

As campanhas de Zé Prado eram marcadas por vários jingles/paródias que se tornaram memoráveis, entre eles: Falam de Mim, Andar com Fé, Vai Vai Vai Vai... Mas entre tantos que se destacaram, um virou o hino da carreira política pradista: Bandeira Branca.
Conhecida na voz magnifica de Dalva de Oliveira, a música ganhou uma versão feita pelo poeta popular Pedro Lavandeira, amigo fiel e compadre de Zé Prado. Quando o clima ficava quente na campanha, Prado pedia para o compadre Lavandeira cantar Bandeira Branca.
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SEMANA BANDEIRA BRANCA

Próxima sexta-feira, 26 de maio, completa 18 anos que José Parente Prado faleceu. Para lembrar a trajetória política desse líder, o blog Sou Chocolate e Não Desisto realiza a 7ª edição da “Semana Bandeira Branca”.
Um dos maiores líderes políticos do Ceará, Zé Prado foi secretário municipal, deputado estadual por três legislaturas e duas vezes prefeito de Sobral (CE).
A “Semana Bandeira Branca” terá fotos, jingles, vídeos e postagens com histórias que marcaram as campanhas políticas do "Zé dos Pobres".
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sexta-feira, 19 de maio de 2017

ESTRATÉGIAS DE IMPEDIMENTO

O senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) teria buscado estratégias para impedir o avanço das investigações da Operação Lava Jato e, para tanto, tentado articulação com o presidente da República, Michel Temer, e o atual ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, que à época era ministro da Justiça. A constatação é do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, em documento enviado ao STF.
“Mais especificamente sobre a Lava Jato, o senador teria tentado organizar uma forma de impedir que as investigações avançassem, por meio de escolhas dos delegados que conduziam os inquéritos, direcionando as distribuições, mas isso não teria sido finalizado entre ele, Michel Temer e o ex-ministro da Justiça e atual ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes”, registra Janot.
A afirmação do procurador-geral da República está na decisão do ministro do STF Luiz Edson Fachin, que determinou a abertura de inquérito para investigar Temer e Aécio Neves a partir das informações dos depoimentos de delação premiada de executivos do grupo JBS. Os pedidos de abertura de inquérito formulados pela PGR e o conteúdo dos depoimentos foram divulgados hoje (19) pelo STF.
Mais à frente, Janot retoma o tema: “Além disso, verifica-se que Aécio Neves, em articulação, dentre outros, com o presidente Michel Temer, tem buscado impedir que as investigações da Lava Jato avancem, seja por meio de medidas legislativas, seja por meio de controle de indicação de delegados de polícia que conduzirão os inquéritos”. Até o momento, o Palácio do Planalto ainda não se pronunciou sobre os novos conteúdos das delações divulgados hoje pelo STF.
Em depoimento de delação premiada o empresário do grupo JBS, Joesley Batista, diz que teria pagado R$ 2 milhões em propina a Aécio Neves este ano para que ele atuasse em favor da aprovação da lei de abuso de autoridade e anistia ao caixa 2 em campanhas eleitorais.
Ontem, a defesa de Aécio confirmou que o senador afastado pediu R$ 2 milhões ao dono da JBS, Joesley Batista. Entretanto, segundo o advogado José Eduardo Alckmin, foi um pedido de empréstimo para custear a defesa de Aécio, que já era  investigado pela Operação Lava Jato. De acordo com José Eduardo Alckmin, foi uma transação particular, que não teve relação com o cargo de senador.
Da Agência Brasil, via ISTOÉ
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CONTA-PROPINA

A JBS depositou cerca de R$ 300 milhões em propina devida ao PT numa conta secreta controlada por Joesley Batista na Suíça, cuja empresa de fachada, titular oficial da conta, era sediada no Panamá. O saldo dessa conta de propina era gerado aos poucos, em razão de vantagens ilegais obtidas pela JBS junto ao BNDES, sempre na gestão do PT – especialmente nos anos em que Luciano Coutinho presidia o banco. Era uma conta-corrente de propina dividida, nas planilhas da JBS, entre os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. As informações foram encaminhadas por Joesley à Procuradoria-Geral da República.
Segundo disse Joesley, o dinheiro era sacado, no Brasil, em nome de Lula e por ordem de Lula, às vezes por meio de Guido Mantega – e também em campanhas do PT em 2010 e 2014. Os recursos eram entregues em espécie, depositados em contas de laranjas indicados pelo partido e pelo ex-presidente e, também, transferidos oficialmente para contas oficiais de campanhas. Parte expressiva desse bolo foi usada para comprar o apoio de partidos pequenos na campanha de Dilma em 2014.
Diego Escosteguy, ÉPOCA
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CANTANDO NO ESCURO

Artigo de Fernando Gabeira
No momento em que escrevo está tudo muito confuso. Concordo com a ideia de que o Brasil entrou numa rota de incerteza. Mas existem algumas bússolas, ainda que precárias.
Em alguns artigos afirmei que a difícil tarefa de Temer consistia em jogar ao mar os que fossem envolvidos na Lava Jato e saber, com precisão, se em algum momento ele também teria de se lançar na água. Pois bem, chegou a hora. Temer deve abandonar o barco. O momento é ruim porque uma tímida recuperação aparecia no horizonte.
Na verdade, o que restou no poder foi uma parte da grande quadrilha que dirigiu o País nos últimos anos. Agora o quadro se torna um pouco mais completo.
Depois da Odebrecht, a delação da JBS também tem a capacidade de revelar o conjunto do quadro político-partidário no Brasil, sobretudo a necessidade de renová-lo. Ela pode surpreender-nos com detalhes, nomes ou mesmo ritual. Foi uma delação com filmes, áudios, chips nas mochilas, numeração de notas anotada, enfim, uma ação perfeitamente orquestrada.
Nela, além de Temer, caiu também Aécio Neves. Ele já estava sob suspeita, com vários inquéritos. Um deles, originado na delação da Odebrecht, diz respeito à Usina de Santo Antônio, em Porto Velho, Rondônia. Agora Aécio afirma que sua relação com Wesley Batista era pessoal. É impossível imaginar que a JBS, assim como a Odebrecht, tenha apenas amizades. O termo amigo é somente uma forma de encobrir interesses recíprocos.
Enfim, foram quase todos para o espaço. Com o que restou do Congresso é preciso cumprir a Constituição, levando em conta uma variável essencial: a crise econômica, 14 milhões de desempregados. Naturalmente que uma formulação dessas é muito vaga, cumprir a Constituição significa fazer o que está escrito nela ou o que for inserido de forma legal, por meio das votações no Congresso.
Há uma ideia de fazer novas eleições para tudo, envolvendo também os parlamentares. Essa é uma saída complicada, porque dificilmente eles aceitariam encurtar o próprio mandato.
Independentemente dos rumos imediatos, certamente a sucessão de terremotos que abala o País deixará mortos, fraturas expostas e ferimentos leves entre os políticos. A sociedade terá importante papel, pois dependerá dela não apenas a renovação, mas também o controle de uma nova etapa.
O velho sistema eleitoral era movido a dinheiro. Tanto o PSDB como o PT sempre pensaram em ficar 20 anos no poder. Era preciso grana para se eleger, grana para governar e grana para se reeleger. O tempo inteiro é marcado pelo encontro de duas máquinas: a de empresários buscando lucros e a de políticos buscando grana. O planejamento nacional vai para o espaço, o governo do País torna-se apenas a administração do assalto aos recursos populares, de forma que as duas partes estejam satisfeitas. Até que uma delação premiada se instale entre elas.
O que sempre me espanta no Brasil é a surpresa com certos escândalos. A JBS arrancava generosos empréstimos do BNDES, buscava dinheiro em todos os setores públicos onde podia arrancá-lo. Mesmo em termos transparentes, era a maior financiadora de campanhas políticas .
A própria polícia já estava no seu rastro, investigando-a em várias frentes. Havia algo muito sério por trás de tudo isso. Não era claro ainda o papel do PMDB nessa história.
Todos intuíamos que Eduardo Cunha, por exemplo, tinha uma bancada pessoal, movida a propina. Supunha-se que o dinheiro viesse de várias empresas. Agora parece que a JBS teve papel decisivo.
Todos intuíam os vínculos de Temer e Cunha. Mas poucos sabiam como eram profundos, a ponto de Temer estimular o pagamento de um cala-boca para evitar a delação de Cunha.
Também sabíamos que era estranho o BNDES financiar uma empresa de carnes. Nesse caso, era mais fácil duvidar. Bastava ver o volume de dinheiro investido na JBS e o quanto a empresa empregava nas campanhas do PT.
Enfim, o esquema político-partidário estava envolvido, por intermédio de suas principais siglas. A delação da JBS apenas confirmou o processo de decomposição irreversível.
Toda essa tragédia que arruína um país e amplia o sofrimento de seu povo talvez pudesse ser atenuada. Já na década de 1980 discutíamos se os partidos não eram uma forma de organização historicamente condenada. Partido ou movimento?, perguntávamos.
Essa discussão existia também na França e creio que talvez tenha tido uma remota influência na forma como o atual presidente, Emmanuel Macron, se elegeu. São temas que talvez tenhamos de recuperar assim que baixar a temperatura, elevada pelo desfecho policial de nossa História recente.
Os fatos são escabrosos, os jornalistas tendem a uma certa hesitação, o momento é de tatear num quarto escuro em busca de uma tomada de luz. Ainda não dá para respirar, porque são necessárias soluções imediatas, serenas, que levem em conta, sobretudo, os altos níveis de desemprego.
Embora, como afirmei, seja correta a expressão rota de incerteza, a bússola constitucional está aí, assim como existem algumas ideias que possam tirar-nos desta maré baixa. O sistema partidário afundou, algumas instituições se destacaram e a própria sociedade cresceu muito em informação e nível de consciência.
A História não apresenta ao Brasil um problema insolúvel. Apenas vai dar trabalho, ansiedade e muita turbulência. É melhor assim. Demorou muito.
O ideal agora é conversar entre nós, amigos, parentes, colegas de trabalho, sem nos prendermos só às notícias sensacionais, mas focando nas saídas. O mundo real nos interroga. A política só tem sentido quando se propõe a melhorar a vida das pessoas. Fora disso é uma agitação custosa e funesta.
A redemocratização brasileira caiu num pântano. A guinada perversa para a corrupção contribuiu para nos arruinar e lançar tanta gente no desemprego. Numa situação dessas, a chegada da polícia é um alívio e renova as esperanças.
Artigo publicado no Estadão em 19/05/2017
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