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sexta-feira, 30 de setembro de 2016

QUEM TEM MORAL AGORA, SENADORA ?

Da ISTOÉ
No dia 25 de agosto, durante uma das longas sessões que antecederam o julgamento do impeachment da presidente Dilma Rousseff, a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) usou a tribuna do Senado para fazer um ataque indecoroso aos colegas: “Aqui não tem ninguém com condições de acusar ninguém. E nem de julgar! Qual é a moral desse Senado para julgar a Presidente da República? Que moral têm os senadores para dizer que ela é culpada? Quero saber!”. Na verdade, Gleisi refletia o próprio espelho. Na terça-feira 27, a senadora foi transformada em ré pelo Supremo Tribunal Federal (STF), bem como seu marido, o ex-ministro Paulo Bernardo, em uma denúncia por corrupção e lavagem de dinheiro decorrente da Operação Lava Jato. Há fortes indícios de que ela recebeu R$ 1 milhão para sua campanha ao Senado em 2010 provenientes de propina desviada dos cofres da Petrobras. A decisão – por unanimidade, frise-se – da Segunda Turma do Supremo, faz de Gleisi a primeira integrante do Senado a se tornar réu na Lava Jato. Ou seja, ironicamente, a senadora que, dedo em riste, há pouco mais de um mês ousou questionar a moral alheia no Senado, puxa o pelotão dos implicados na Casa. E por corrupção.
Teori considerou os argumentos e conjuntos probatórios apresentados na denúncia contra Gleisi suficientes para a abertura da ação penal. Foi acompanhado por Ricardo Lewandowski, Celso de Mello, Gilmar Mendes e Dias Toffoli. O principal argumento da defesa, de que as provas se apoiariam somente em depoimentos de delação premiada, foi rebatido enfaticamente por Teori. “Há outros inúmeros indícios que reforçam as declarações prestadas por colaboradores, tais como registros telefônicos, informações policiais e documentos apreendidos”, afirmou o ministro. Um desses documentos é uma agenda do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa. Nela estão relacionados pagamentos de propina a políticos. Na lista constam as iniciais PB ao lado do número “1,0”. Em sua delação, Paulo Roberto revelou que a anotação se referia a Paulo Bernardo e o valor era um repasse de R$ 1 milhão à campanha da senadora.
TELEFONEMA PARA O PT
A quebra do sigilo telefônico do empresário Ernesto Krugler Rodrigues é outro elemento a complicar o casal imoral. Krugler é acusado de receber das mãos de Antônio Carlos Brasil Fioravante – um dos homens da mala do doleiro Alberto Youssef— a quantia para a campanha de Gleisi. Os repasses teriam sido feitos em quatro parcelas de R$ 250 mil, em dinheiro, e não entraram na contabilidade oficial da campanha. Segundo apurou a investigação, os locais de entrega dos valores indicados por Fioravante em sua delação premiada correspondiam a endereços vinculados a Ernesto Krugler Rodrigues. Em uma das quebras de sigilo telefônico, foi identificada uma conversa em 3 de setembro de 2010 entre Ernesto e Fioravante. No mesmo dia, antes desse telefonema, houve uma ligação do PT do Paraná para Ernesto e duas chamadas de Gleisi ao partido. Ernesto atuou na arregimentação de outros empresários para participarem de jantares de campanhas e de outros eventos.
Os advogados de Gleisi e Paulo Bernardo também lançaram mão de um argumento, como num efeito bumerangue, se volta contra o próprio líder máximo do PT, o ex-presidente Lula. Com base na delação premiada do ex-deputado Pedro Corrêa (PP-PE), atualmente preso em Curitiba por conta da Lava Jato, eles apontaram Lula como responsável por captar, junto a Paulo Roberto Costa, o repasse de R$ 1 milhão para a campanha de Gleisi. “Isso salta ainda mais aos olhos quando verificamos a iminência de um quinto colaborador. Talvez esse com mais autoridade sobre os fatos, pois era um deputado do Partido Progressista, que vem e fala uma outra hipótese: ‘Esse negócio da Gleisi Hoffmann de dar R$ 1 milhão foi o presidente Lula que mandou fazer’”, argumentou o advogado.
Para os mais supersticiosos, haveria uma maldição na Casa Civil durante a era petista. Na verdade, não se trata exatamente de algo intangível, posicionado entre o etéreo e o mítico, fruto de uma crença. Impressiona a quantidade de infratores, dotados de extraordinária capacidade de manejar o dinheiro público de maneira nada republicana, que ocupou o gabinete mais importante da Esplanada dos Ministérios, depois da Presidência. Com a acusação de Gleisi, são cinco ex-titulares da pasta flagrados em malfeitos. O caso mais emblemático é o de José Dirceu, preso em Curitiba por envolvimento na Lava Jato em meio ao cumprimento da pena imposta pela condenação do mensalão. Depois dele, veio Dilma Rousseff, que acabou defenestrada do cargo e ainda pode ser arrastada para o epicentro da Lava Jato, com o dinheiro recebido por sua campanha. Erenice Guerra, que também ocupou a cadeira da sala contígua ao gabinete da Presidência da República, no Palácio do Planalto, renunciou ao cargo depois de surgirem evidências de prática de tráfico de influência no governo. Antônio Palocci teve destino pior: foi preso na última semana sob acusação de receber propina da empreiteira Odebrecht. Quer dizer, nos anos petistas houve na Casa Civil uma espécie de prova do revezamento do delito.
O VOTO DE TEORI
Segundo o ministro do STF, Teori Zavascki (foto), há indícios da participação dos envolvidos na captação de R$ 1 milhão à campanha de Gleisi ao Senado em 2010, que configuraria os crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.
Paulo Bernardo
“Em função do cargo de ministro do Planejamento, utilizando-se de sua influência e posição de destaque no âmbito do governo federal, teria solicitado vantagem indevida no valor de R$ 1 milhão a Paulo Roberto Costa destinado à campanha eleitoral de Gleisi Hoffmann, sua esposa, ao Senador Federal”.No material apreendido pelos policiais, havia uma agenda de Paulo Roberto com uma tabela de pagamento de propina há políticos. Em um dos repasses constava as iniciais de Paulo Bernardo.
Gleisi Hoffmann
“Também possuía, ao tempo de sua solicitação, posição relevante dentro do Partido dos Trabalhadores (PT), sendo apontada como forte candidata a vencer as eleições ao Senado, em 2010, no estado do Paraná, o que de fato ocorreu. Desse modo, o recebimento por parte dessa acusada teria sido em razão do cargo de senadora da república, mesmo antes de assumir, mas ao qual era candidata”.
Ernesto Krugler Rodrigues
“Encarregou-se de receber materialmente a propina ao longo de 2010, à qual se destinava a custear a campanha eleitoral de Gleisi Hoffmann”. A propina de R$ 1 milhão destinada à campanha de Gleisi foi dividida em quatro parcelas de R$ 250 mil. Registros telefônicos mostram ligação entre ele e o entregador de dinheiro de Alberto Yousseff.
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O HOMEM DE R$ 200 MILHÕES

Da ISTOÉ
Preso na última segunda-feira 26, Antonio Palocci atravessou a recepção da Superintendência da Polícia Federal do Paraná meio sorumbático. Cabisbaixo, mal conseguiu reparar no quadro que adorna a entrada da carceragem em Curitiba com a imagem de uma onça agressiva – “a fera”, como costumam dizer os agentes penitenciários. Seu semblante abatido em nada lembrava o impávido ex-ministro da Fazenda de Lula e da Casa Civil de Dilma, protagonista do Petrolão, responsável por gerenciar negociatas que renderam cifras extraordinárias ao PT. Tampouco fazia jus ao physique du rôle do consultor milionário investigado pelo Ministério Público Federal. Pela primeira vez, em muitos anos, Palocci estava mais para Antonio, o médico sanitarista boa praça de Ribeirão Preto que debutou para a política em 1981 vendendo estrelinha do PT. De lá para cá, realmente, muita coisa mudou em sua vida. Preso pela Lava Jato, o petista é o retrato mais bem acabado do político que enriqueceu no poder – e graças ao poder. No início dos anos 2000, antes de se eleger deputado, Palocci tinha um patrimônio que somava R$ 295 mil. Sua conta-corrente no Banco do Brasil apresentava um saldo de R$ 2.300. No Banespa, seus depósitos somavam R$ 148. A ascensão patrimonial foi colossal. Na última semana, o juiz Sérgio Moro bloqueou das contas pessoais – físicas e jurídicas – do petista um total de R$ 30,8 milhões. Entre os bens adquiridos por Palocci nos últimos anos figuram um apartamento nos Jardins, área nobre de São Paulo, avaliado em R$ 13 milhões e um escritório na mesma região, que hoje vale pelo menos R$ 2 milhões. A movimentação bancária do ex-ministro entre 2010 e 2015, a qual ISTOÉ teve acesso, revela números ainda mais exuberantes. Neste período, R$ 216,2 milhões passaram pelas contas de Palocci e de sua empresa de consultoria, a Projeto. Os serviços contratados, acreditam os procuradores, iam além dos conselhos. Muitas vezes, os serviços de consultoria propriamente ditos nem eram prestados. Traduziam-se em lobby. Em português claro: tráfico de influência em favor de grandes empresas junto aos governos petistas.
Os bens do petista consultor
O enriquecimento e os valores movimentados pela firma de consultoria de Palocci acenderam o sinal de alerta entre os investigadores. Fundada em 2006, a Projeto recebeu R$ 52,8 milhões entre junho de 2011 e abril de 2015. Só em 2010, quando Palocci coordenava a campanha de Dilma, o ex-ministro teve ganhos de R$ 12 milhões. É um faturamento infinitamente maior do que o de prestigiadas assessorias de negócios do País. Conforme ISTOÉ adiantou com exclusividade em seu site, na última semana, duas novas investigações a respeito da evolução patrimonial foram abertas pala Procuradoria da República do Distrito Federal. As autoridades possuem fortes indícios de que os serviços oficialmente contratados pela Caoa e pelo Grupo Pão de Açúcar não foram prestados.
A primeira das apurações mira em valores recebidos do Grupo Pão de Açúcar. Ao todo, a firma de Palocci amealhou R$ 5,5 milhões do conglomerado varejista. O dinheiro era repassado pelo ex-ministro da Justiça falecido Márcio Thomaz Bastos. Chama a atenção o fato de os depósitos terem começado logo após Palocci ser anunciado ministro da Casa Civil da ex-presidente Dilma. O que por si só configuraria um conflito de interesses. As irregularidades se acumulam. Sequer há um contrato formal entre as partes. O próprio Grupo Pão de Açúcar reconheceu, depois de uma auditoria interna sob nova administração, não ter identificado qualquer serviço prestado pela Projeto. Na prática, acreditam os procuradores, a verdadeira razão dos pagamentos não podia ser registrada em papel: propina para Palocci defender os interesses da empresa.
A segunda apuração do MPF contra Palocci esquadrinha as suas relações com o grupo Caoa. A empresa automobilística aparece como a segunda principal cliente da Projeto. Pagou R$ 10 milhões à firma do petista. Uma parte dos depósitos ocorreu durante a primeira campanha de Dilma. Seria, de acordo com o contrato selado, para Palocci identificar e auxiliar em negócios na China. Não é o que acreditam os investigadores. “Aventou-se que o presente contrato destinar-se-ia, em verdade, a acobertar a prática do crime de tráfico de influência, ocorrido no processo de edição de medidas provisórias que, ao concederem benefícios fiscais à indústria automobilística, favoreceram sobremaneira a Hyundai-Caoa”, afirmou o procurador Frederico Paiva em despacho. A medida provisória, de fato, atendeu aos interesses da Caoa ao prorrogar as vantagens tributárias para montadoras instaladas nas regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste. O grupo comanda uma fábrica da Hyundai em Anápolis (GO). Por contratar “consultorias” similares, a Caoa se tornou alvo das operações Zelotes e Acrônimo. Em uma delas, há suspeitas de que teria pago R$ 10 milhões a Fernando Pimentel, então ministro da Indústria e Comércio de Dilma. Em troca, teria recebido benefícios fiscais.
Aos poucos, os investigadores vão conseguindo mapear a origem e o destino dos recursos amealhados por Palocci. Um relatório produzido pela CPI do BNDES mostra que o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) identificou nove operações bancárias suspeitas ligadas ao ex-ministro. Há outros alertas ainda de entradas atípicas de dinheiro no caixa de sua consultoria, como somas acima de R$ 1 milhão pagas por treze empresas. Só a Amil e seu ex-controlador Edson Bueno depositaram R$ 24,9 milhões nas contas da Projeto.
Foram, inclusive, as revelações pela imprensa a respeito dos ganhos milionários de Palocci com consultorias que levaram à segunda queda do petista. Em 2011, Palocci tinha conseguido voltar ao poder como ministro da Casa Civil de Dilma, depois de deixar a Fazenda, em março de 2006, em meio ao escândalo da quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo. O episódio rendeu um inquérito contra o petista no Supremo Tribunal Federal. Entrou na conta dos 19 arquivados desde 2005. A passagem do petista pela Casa Civil durou cinco meses. Foi abatido em pleno vôo ante às denúncias de multiplicação por 20 de seus bens – hoje, sabe-se, que a progressão patrimonial foi e é muito maior.
Palocci entrou no radar da Lava Jato também por uma consultoria que ajudou a engordar o seu patrimônio. Entre 2007 e 2010, sua empresa recebeu recursos da construtora WTorre. Neste período, a empreiteira comprou e, logo, arrendou o Estaleiro Rio Grande para a Petrobras construir plataformas. Coincidentemente, a consultoria de Palocci se encerrou junto com a venda do estaleiro para a Engevix. O serviço de lobby, desconfiam investigadores, não era mais necessário. Depoimentos de delatores, como Paulo Roberto Costa, Alberto Youssef e Fernando Baiano mostram o envolvimento do ex-ministro com o Petrolão. Ao juiz Sergio Moro, eles narraram que Palocci pediu R$ 2 milhões desviados da Petrobras para a campanha presidencial de 2010.
Na manhã da segunda-feira 26, a Lava Jato fechou o cerco contra Palocci. O petista, conhecido como “italiano” nas listas de propina, foi preso em seu apartamento na capital paulista. Não restam dúvidas, para os procuradores, de que o ex-ministro tinha papel central nas negociatas entre os governos do PT e a Odebrecht. Era o elo entre os desejos financeiros do partido e os da empreiteira. “Existe um pagamento (da Odebrecht) que é feito constantemente e que forma um caixa mesmo, uma poupança, digamos assim, de onde são depois, posteriormente, pelo gestor da conta – no caso, o senhor Antonio Palocci – destinados os pagamentos no interesse do partido”, afirmou a procuradora Laura Tessler. E-mails e planilhas mostram que o ex-ministro gerenciou R$ 128 milhões em propina paga pela construtora entre 2008 e o final de 2013. Cerca de R$ 30 milhões foram pagos em espécie a Palocci entre julho e outubro de 2010 num total de 26 pagamentos. Cada entrega era feita mediante uma senha com nome de um prato italiano, como espaguete, lasanha e canelone. Em contrapartida, Palocci agia dentro do governo, com anuência de lideranças petistas, para garantir que a construtora ganhasse contratos, obtivesse empréstimos de bancos estatais e pautasse projetos de seu interesse.
A Lava Jato prendeu, além de Palocci, seus dois homens de confiança: Branislav Kontic e Juscelino Dourado. Chefe de gabinete do petista durante o governo Dilma, Kontic participava ativamente das operações ilegais do ex-ministro. Era ele quem fazia a comunicação do petista com executivos da empreiteira. Foi o responsável por encaminhar mensagens relacionadas à compra de um terreno na capital paulista pela Odebrecht onde pretendiam erguer a sede do Instituto Lula. A área, que custou R$ 12 milhões, seria repassada pela empreiteira e seu valor descontado das propinas. A participação de Juscelino Dourado, assessor de Palocci desde os tempos em que ele comandava a prefeitura de Ribeirão Preto, não fica para trás. Ele é acusado de receber U$S 48 milhões em negócios ilícitos. Há suspeitas que seja, na verdade, responsável por receber e lavar recursos para Palocci. Na mira dos investigadores está uma fazenda referência na criação e no leilão de gados Nelore. A PF deflagrou busca e apreensão na propriedade, localizada em Mato Grosso. Há suspeitas de que Dourado seja laranja do ex-ministro no empreendimento. “Nós, da Receita Federal, estamos acompanhando vertentes relacionadas à interposição de pessoas na aquisição de dois imóveis, principalmente uma fazenda no Mato Grosso”, afirmou o auditor Roberto Leone. “Possivelmente, no caso da fazenda, há indícios de que houve um subfaturamento na declaração ou na escrituração”, complementou.
O hoje milionário Palocci construiu uma carreira política tão ascendente como cercada de suspeitas. Elegeu-se vereador, deputado estadual, federal e prefeito de Ribeirão Preto. Sua gestão à frente do município paulista foi marcada por suspeições. A primeira acusação foi de direcionar uma licitação exigindo que os molhos de tomates viessem com ervilha. Tirou da frente, assim, uma grande quantidade de concorrentes. Um expediente que teria sido repetido na máfia do lixo. Segundo a denúncia, Palocci recebia uma mesada para favorecer o Grupo Leão Leão em contratos de coleta. Em 2002, ele deixou o comando do município. Assumiu a coordenação da vitoriosa campanha de Lula à presidência. Com a chegada do PT ao poder, foi alçado ao cargo de ministro da Fazenda e recebeu do ex-presidente a missão de fazer a interlocução com os empresários. A partir daí, tornou-se o poderoso petista conectado com o mercado. O resto já é história. Treze anos depois, sabe-se que Palocci usou as conexões para se tornar o homem de mais de R$ 200 milhões – agora, preso.
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O PADRÃO POLÍTICO DO PT

A decisão unânime da 2.ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) de aceitar a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) e seu marido, o ex-ministro dos governos petistas Paulo Bernardo, por corrupção e lavagem de dinheiro, reflete uma realidade que se enquadra no “contexto de corrupção sistêmica dentro da Petrobrás”, de acordo com entendimento do ministro-relator Teori Zavascki. Essa realidade, que o acúmulo de evidências torna irrefutável, na verdade extrapola o âmbito da Petrobrás e se estende a todo o aparato governamental da era lulopetista. Reflete o método político pelo qual Lula e seu PT optaram, na desastrada tentativa de consolidar um projeto de poder populista.
Chamado a prestar contas à Justiça, o casal de militantes petistas – ela senadora, com passagem pela chefia da Casa Civil de Dilma; ele quadro partidário de primeira linha do lulopetismo, ministro do Planejamento (2005 a 2011) e das Comunicações (2011 a 2015) – surge como símbolo da impostura de um partido político que chegou ao poder prometendo impor padrões morais rígidos à gestão da coisa pública e de ser um defensor intransigente das classes menos favorecidas, provedor infalível e generoso de suas necessidades materiais.
Um fenômeno relevante nos 36 anos de existência do PT ajuda a entender os desvios da trajetória político-programática estabelecida na fundação do partido. Numa primeira etapa, intelectuais e líderes religiosos que haviam ajudado a fundar o partido e a consolidar suas primeiras conquistas foram praticamente expulsos de suas fileiras pela ala sindical, mais rude e direta. Em seguida, após se ter transformado em partido eleitoralmente competitivo e depois de ter conquistado o Planalto, o PT passou a sofrer defecções importantes no seu quadro de lideranças, motivadas pela decepção com os novos caminhos que estavam sendo trilhados sob o comando de Lula e José Dirceu. A liderança remanescente acomodou-se sem maiores problemas em conveniente tolerância à adesão de Lula às práticas políticas de seus novos aliados, que no passado condenara com veemência. Essa gente sempre soube que corrupção é crime. Apenas passou a admitir que é impossível governar sem concessões a ela.
Os resultados da “luta em benefício das causas populares” foram a gastança descontrolada dos recursos públicos, a “nova matriz econômica” que resultou na recessão econômica, no estouro da inflação – que afeta principalmente os mais pobres – e nos mais de 12 milhões de desempregados em todo o País.
O casal Gleisi e Paulo Bernardo simboliza quase à perfeição o substrato do lulopetismo, que tem como uma de suas características mais marcantes a hipocrisia. A senadora, que como dirigente da cúpula partidária e ex-chefe da Casa Civil convivia necessariamente com a corrupção generalizada no governo, teve a ousadia de proclamar, no plenário do Senado, que ali ninguém tinha “autoridade moral” para julgar Dilma Rousseff. E, ao saber que se tornara ré no STF, afirmar que, finalmente, poderia contar a seu favor com o “benefício da dúvida” que lhe teria sido negado na fase de investigação da Lava Jato.
O ex-ministro do Planejamento, por sua vez, fez mais. Estava à frente da pasta quando o “governo popular” implantou a cobrança de uma taxa debitada compulsoriamente na conta de todos os aposentados beneficiários de crédito consignado. Um golpe que possibilitou a arrecadação de R$ 100 milhões que teriam sido destinados aos cofres do PT, descontada a milionária comissão que teria sido embolsada. A investigação relativa a esse golpe, por conta do qual Paulo Bernardo passou alguns dias encarcerado em junho último, não é a mesma que agora leva o STF a transformá-lo em réu. Essa é relativa à acusação de que ele teria recebido dinheiro do esquema do petrolão para abastecer a candidatura de sua cara metade ao Senado, em 2010.
Em seu relatório a favor do recebimento da denúncia, o ministro Zavascki destacou que se sentia à vontade para acolher o pedido da PGR porque evidências contidas no processo vão “muito além das declarações prestadas em colaboração premiada”. Poderia ter dito, em outras palavras, que o jeito petista de fazer política é reconhecível à primeira vista. 
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EM BUSCA DO GOVERNANTE IDEAL

Da Época
Honesto e preocupado com o equilíbrio das contas públicas, mesmo que sem experiência na política. Eis a pessoa ideal para ocupar a prefeitura nas maiores cidades do Brasil, segundo uma pesquisa exclusiva, concebida por ÉPOCA com o instituto de pesquisa AntennasBI. Entre os dias 16 e 21 de setembro, o instituto colheu respostas de 1.752 eleitores de São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Fortaleza e Belo Horizonte, as cinco cidades mais populosas com eleições neste ano. Desapegado de partidos ou de posições ideológicas clássicas, o habitante dessas capitais não se empolga com o velho rótulo “rouba, mas faz”, consagrado nos anos 1950. Prefere o “não fez ainda, mas também não roubou”. A pesquisa traz outra novidade animadora.
Nove em cada dez entrevistados consideram o cuidado com as contas públicas “importante” ou “muito importante” – em empate técnico com as áreas tradicionalmente prioritárias, saúde e educação. Não ter o nome associado a escândalo de corrupção apareceu no mesmo patamar. No fim da lista de bandeiras ficou “propor e fazer muitas obras”, considerado importante por apenas 56% dos participantes. O impeachment da presidente Dilma Rousseff, condenada por crime de responsabilidade fiscal, ajudou a popularizar o discurso de respeito às contas públicas. Isso para não falar no desemprego recorde causado pela maior recessão da história brasileira, consequência direta de uma gestão fiscalmente irresponsável.
O contraste entre as obras ambiciosas da Copa e a baixa qualidade dos serviços públicos foi o estopim para as manifestações de rua, a partir de 2013. “Queremos hospitais padrão Fifa”, diziam cartazes. A dificuldade do prefeito Eduardo Paes de emplacar um sucessor, meses após o Rio de Janeiro sediar a Olimpíada com grande sucesso, mostra o desânimo do eleitor com obras vistosas.
Ao avaliar o perfil pessoal do candidato, 86% dos entrevistados consideraram importante “não ter o nome associado a escândalos de corrupção” ou “não ser investigado por crime ou contravenção”. Tamanha intolerância com a corrupção é inusitada no eleitorado brasileiro – mesmo se considerado apenas o das maiores capitais, tradicionalmente mais atento ao noticiário. O julgamento do mensalão, em 2012, e a Operação Lava Jato, a partir de 2014, mudaram a percepção geral. O “rouba, mas faz” foi proscrito pelo eleitor, embora ainda sobreviva, mesmo de forma inconsciente, no discurso de alguns políticos – é o caso do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que em discurso recente defendeu a complacência com malfeitos. “A posição mais honesta é a do político, sabe por quê? Porque todo ano, por mais ladrão que ele seja, ele tem que ir pra rua encarar o povo e pedir voto”, disse Lula em setembro.
“A ascensão do discurso anticorrupção é um fenômeno dos países emergentes”, diz Christopher Garman, cientista político da consultoria internacional Eurasia. “Com o ciclo de crescimento econômico robusto nesses países, o dinheiro no setor público aumentou e as oportunidades de corrupção também”, diz. “Na Índia, um partido anticorrupção ganhou terreno. Chile, México e Peru também estão assistindo a escândalos de corrupção.”
Para 54% dos entrevistados, o candidato a prefeito não precisa “ter ocupado outros cargos públicos”. Por isso parece ter apelo o mantra “Não sou político, sou empresário”, de João Doria Jr., candidato do PSDB à prefeitura de São Paulo, que disparou em intenções de voto na reta final do primeiro turno. Em São Paulo, mesmo o candidato da situação, o prefeito Fernando Haddad, investe na imagem do professor universitário que caiu por acaso na política – cara ao ex-presidente Fernando Henrique, conselheiro eventual de Haddad. Para Garman, a insatisfação com políticos no Brasil é diferente da que se vê nos Estados Unidos. Lá, Donald Trump disputa a Presidência e alardeia: “Não sou político, graças a Deus”. “Trump é apoiado por uma classe média antiga que perdeu dinheiro e culpa os imigrantes”, diz Garman. “No Brasil, a insatisfação vem de uma classe média que emergiu e passou a exigir melhores serviços públicos.”
Crises econômicas mudam o humor dos eleitores no mundo inteiro. Levam ao chamado “voto de vingança”, que faz os políticos da situação perder espaço para os da oposição. A intensidade da vingança varia conforme a parcela de culpa na crise que o eleitor atribui ao governante e a qualidade que o eleitor vê nas alternativas. Nestas eleições municipais, o efeito vingança parece se manifestar em capitais do Sul e do Sudeste. Nenhum prefeito atual é favorito a se reeleger ou fazer sucessor. Por sua intenção punitiva e sua origem na revolta, esse voto tem potencial para acirrar ânimos, o que se observa no Brasil. “O voto de vingança aprofundou as divisões ideológicas nos países europeus mais afetados pela crise de 2009”, afirma Liisa Talving, pesquisadora do Centro de Ciências Sociais de Berlim (WZB).
Há outras mudanças em curso. A posse do presidente Michel Temer, após o impedimento de Dilma, ajuda a entender por que 62% dos entrevistados dizem que, nesta eleição, prestarão atenção aos vices. Ideologicamente, a maior parte dos eleitores se diz desapegada de posições clássicas e se declara “de centro” . Mas é inegável que o pêndulo eleitoral no Brasil pende agora para a direita. De Fernando Henrique a Dilma Rousseff, passando por Lula, foram 21 anos de governos de esquerda ou centro-esquerda no Brasil. A imagem da esquerda se desgastou especialmente nos últimos anos do governo Dilma Rousseff, em função da farra econômica que provocou o desemprego e dos escândalos de corrupção.
A crise econômica e a enxurrada de denúncias dos últimos anos têm mais efeitos perceptíveis. Seis em cada dez entrevistados pelo instituto AntennasBI se dizem “muito desiludidos” com a política, mas cinco em cada dez afirmam, mesmo assim, que cresceu a frequência com que discutem a respeito. E oito em cada dez se dizem interessados ou muito interessados no tema. A maioria afirma curtir (71%), compartilhar (65%) ou comentar (67%) notícias sobre política em redes sociais.
A pesquisa mostra que, mesmo desiludido com os acontecimentos recentes, o brasileiro das grandes cidades se engajou na eleição municipal. Trata-se de uma notícia excelente. Fora da política não há solução. Muitos dos problemas que temos hoje são causados por maus políticos – e o único jeito de resolvê-los é trocando-os por políticos melhores. Nas democracias, isso se faz pelo voto. E os eleitores das maiores metrópoles brasileiras, pelo que mostra a pesquisa, têm plena consciência do que querem no momento atual.
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ELEIÇÕES À BALA

Em 1989, no auge do poder do narcotráfico, o candidato à Presidência da Colômbia Luís Carlos Galán foi assassinado a tiros durante um comício no município do Soacha, próximo à capital Bogotá. O crime chocou o mundo. Quase 30 anos depois, cenas desse tipo de barbárie se repetiram, desta vez no Brasil, durante a campanha das eleições municipais. De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral, somente até 26 de agosto foram registrados vinte homicídios envolvendo candidatos e pré-candidatos a cargos eletivos neste ano. Os assassinatos ocorreram em dez estados (Rio de Janeiro, São Paulo, Ceará, Bahia, Alagoas, Rio Grande do Norte, Acre, Rondônia, Rio Grande do Sul e Goiás).
Foi uma das campanhas eleitorais mais violentas da história nacional. O mais recente assassinato ocorreu na quarta-feira 28. O candidato do PTB à Prefeitura de Itumbiara, em Goiás, José Gomes da Rocha, foi morto a tiros durante um comício. Ele estava acompanhado do vice-governador José Eliton (PSDB), que acabou atingido, mas sobreviveu. O atentado aconteceu durante uma carreata. Zé Gomes, como era chamado por seus eleitores, estava na carroceria de uma caminhonete, acompanhado de José Eliton e do deputado federal Jovair Arantes (PTB).
O atirador Gilberto Ferreira do Amaral se aproximou de carro da multidão que cercava o veículo dos políticos. Aparentando frieza, Gilberto parou o automóvel e atravessou a rua em direção ao grupo. Ao chegar perto, puxou a arma e disparou treze vezes. Um tiro atingiu em cheio Zé Gomes, que morreu na hora. Outros disparos mataram o policial militar Vanilson Pereira. O quarto atingido foi o advogado da Prefeitura de Itumbiara, Célio Rezende. Ele e o vice-governador José Eliton foram levados para o hospital – ambos estão fora de perigo.
Gilberto Ferreira tentou fugir, mas acabou baleado e morreu. Ele tinha 53 anos e trabalhava de motorista para a Prefeitura de Itumbiara. Ferreira havia entrado com um processo na Justiça cobrando da administração do município o pagamento de horas extras referentes aos anos de 2009 e 2013. Na ocasião, o prefeito era Zé Gomes.
O crime de Itumbiara provocou reação do TSE.  O presidente do tribunal, Gilmar Mendes, acionou o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, para que a Polícia Federal entrasse nas investigações. O próprio Moraes foi ao hospital onde o vice-governador José Eliton, alvejado no abdômen, está internado. “Trata-se de um episódio chocante”, classificou Mendes.
No mesmo dia do assassinato de Zé Gomes, delegacias policiais de quatro estados registraram outros atentados a candidatos. Na madrugada de quarta, o candidato a vereador em Nova Iguaçu (RJ), Luiz Carlos Magno da Silva (PTC), teve sua casa alvejada por tiros. Em Minas Novas (MG), dois homens em uma motocicleta abriram fogo contra o carro do prefeito e candidato à reeleição da cidade, Gilberto Gomes da Silva (PPS). Ninguém ficou ferido. No município de Araçoiaba da Serra (SP), uma bomba arremessada contra a casa do candidato a prefeito Dirlei Salas (PV) destruiu o muro. Na cidade de Santa Cecília (SC), João Rodoger de Medeiros (PSD), que concorre ao cargo de prefeito de Santa Cecília (SC), sofreu uma tentativa de assassinato.
PEDÁGIO ELEITORAL
Dois dias antes, no Rio de Janeiro, o candidato a vereador no Rio de Janeiro pelo PP Marcos Falcon morreu assassinado. Foi morto a tiros por dois homens encapuzados que invadiram seu comitê de campanha, na zona norte da capital fluminense. Subtenente da Polícia Militar, Falcon era presidente da Portela e havia sofrido outros atentados.
Os casos estão sob investigação policial. Pelo modo com que foram cometidos, supõe-se que sejam crimes políticos. Trata-se, portanto, de uma situação que precisa ser enfrentada com urgência para que não se observe daqui por diante a escalada da brutalidade. Cada um dos atentados macula o processo democrático brasileiro e joga sobre o País uma sombra de medo que não pode ser aceita.
É escandalosa e muito grave também a denúncia de que, no Rio de Janeiro, milicianos cobravam até R$ 120 mil de candidatos para permitir que eles fizessem incursões por áreas dominadas por poder paralelo, que funciona à margem do Estado. Os bandidos – escondidos sob a farda da polícia – já comandam várias regiões cariocas, controlando o comércio, o transporte, o direito de ir e vir dos moradores. Agora, infiltram-se na política, truncando o processo eleitoral ao decidir quem pode entrar ou não nas regiões sob seu controle. É o crime organizado afrontando o estado democrático de direito.
Áudios atribuídos a sobrinho de candidato a prefeito atestaria financiamento: “Vem PCC. O jogo do bicho está patrocinando tudo. Se eles gastarem R$ 10 milhões nós gastamos vinte”.
O Ministério Público Federal investiga a influência do PCC nas eleições municipais do Ceará, revelada por ISTOÉ em sua edição 2432, de 15 de julho. Em Mombaça, no interior do Estado, procuradores tiveram acesso a áudios atribuídos ao sobrinho do candidato a prefeito Dudu Eleotério (PP), onde ele sugere que o PCC e o jogo do bicho estariam prontos para gastar R$ 20 milhões a fim de eleger seu tio. “O Dudu vai para as cabeças (…)Quando você tiver em Mombaça vou te explicar tudo (…) Eles não querem assim, dinheiro contra dinheiro? Então vai ser assim agora. Vem PCC !!!”, afirma ele para acrescentar em seguida. “O jogo do bicho está patrocinando tudo. Se eles gastarem R$ 10 milhões nós gastamos vinte para ganhar”. O CEO da principal facção criminosa do País, Alejandro Camacho, irmão de Marcola, tem fortes vínculos com Mombaça. Não à toa, na cidade ele é tratado como Junior Mombaça.
No processo, o MPF identifica o deputado estadual Naumi Amorim(PMB) – líder nas pesquisas a prefeito de Caucaia – como um dos suspeitos de ter usado sua amizade com o governador Camilo Santana para transferir um dos principais líderes do PCC, Francisco da Silva, vulgo Rafael Xilito, de um presídio para uma penitenciária em Pacatuba, onde em tese disporia de mais regalias.
Nos próximos dias, o MPF aprofundará as investigações sobre outro personagem conhecido da região: o empresário e candidato a prefeito de Morada Nova, Wanderley Nogueira (PT), ligado ao ex-líder do governo Dilma na Câmara, deputado José Guimarães. 
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OS SINAIS DE MELHORA ESTÃO AÍ

Da ISTOÉ
Os números podem parecer insignificantes. Zero vírgula três pontos para lá, ajuste para cá. Fato é que a economia brasileira, enfim, está se recuperando. Os preços dos alimentos estão caindo no atacado e, em breve, devem fazer o mesmo no varejo. Os empresários estão mais confiantes e, menos endividados, os consumidores se preparam para novas compras. O Brasil foi até citado pela diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional, Christine Lagarde, como exemplo de país que tem mostrado “sinais de melhoria após um período de severa contração.” Num contexto positivo, mas ainda permeado por dúvidas e incertezas, a política monetária coordenada por Ilan Goldfajn, presidente do Banco Central (BC), é fonte de grande expectativa. Divulgado na semana passada, o Relatório Trimestral de Inflação do BC sinalizou que pode iniciar um ciclo de corte de juros na próxima reunião do Comitê de Política Monetária, em outubro. No documento, a instituição projeta a inflação abaixo da meta de 4,5% no ano que vem e em 2018.
Em alta
Os indicadores mostram que o pior ficou para trás
A confiança aumentou
Em setembro, o Índice de Confiança da Construção atingiu 74,6 pontos, o maior nível desde junho de 2015
O consumo voltou
As vendas no varejo subiram 1,1% em agosto, primeira alta desde abril de 2015
O desemprego começou a cair
Em agosto, a taxa de desemprego na região metropolitana de São Paulo recuou de 17,4% para 17,2%
A dívida também
O endividamento das famílias caiu 2,2 pontos em junho e chegou a 43,7% em relação à renda, o menor nível desde dezembro de 2012
A inflação desacelerou
Nos oito meses até agosto, o IPCA avançou 5,42% e ficou abaixo dos 7,06% registrados no mesmo período de 2015
Os juros podem cair
No Relatório Trimestral de Inflação, a autoridade monetária sinalizou que há espaço para corte de juros ainda em 2016
Fonte: FGV, Boa Vista SCPC, Dieese, Banco Central, IBGE
“O processo de retomada já começou”, afirma Samuel Pessôa, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV). “Mas é possível que ela seja mais branda do que as anteriores, principalmente porque o desequilíbrio fiscal ainda não foi sanado.” Embora o governo já tenha apresentado medidas para desatar esse nó, a PEC que limita o crescimento das despesas públicas ao definir um teto e a reforma da Previdência, que representa atualmente o maior gargalo das contas públicas, dependem do Congresso Nacional. “O estado de destruição que foi deixado pelo governo anterior é muito dramático para que tenhamos qualquer ilusão de que a retomada vai ser rápida e forte”, diz Monica de Bolle, professora da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, e pesquisadora do Instituto Peterson de Economia Internacional. “De todo modo, é possível dizer que existe uma perspectiva de melhora onde antes não havia perspectiva nenhuma. O País deixou de ficar à deriva e passou a ter um rumo.” Economista-chefe da XP Investimentos, Zeina Latif enxerga os recentes números positivos como “sinais de estabilização”. “Depois de quedas tão expressivas, isso por si só já uma boa notícia”, diz.
Um dos setores que mais se destacam nesse movimento é a indústria. Após cinco trimestres em baixa, ela voltou a crescer no segundo trimestre e, no caso da indústria de transformação, voltou até a contratar. “Esse é o dado mais palpável”, diz o economista Vitor Wilher. Em agosto, a produção subiu e impulsionou a perspectiva de que o terceiro trimestre será melhor, influenciado por um câmbio favorável para as exportações, apesar de um mercado doméstico ainda enfraquecido. Na construção, o índice de confiança medido pela FGV alcançou 74,6 pontos em setembro, chegando ao maior nível desde junho do ano passado.
Na prática, os cidadãos comuns já têm o que comemorar. Segundo o BC, a proporção do endividamento das famílias em relação à renda acumulada nos últimos 12 meses até junho recuou 2,2 pontos sobre o mesmo período do ano anterior e ficou em 43,7%, menor índice desde dezembro de 2012. O número é positivo, porque, com a trajetória de sua dívida em queda, os consumidores podem começar a pensar em voltar às compras. Ainda assim, há a possibilidade de que eles esperem mais um pouco. Wilher calcula que o patamar ideal de endividamento seria de, no máximo, um terço da renda das famílias.
Se houver uma redução significativa dos juros, acompanhada de maior confiança dos agentes econômicos, a expectativa se refletirá sobre o consumo e o investimento. Num cenário otimista, isso poderia gerar um crescimento de 2% da economia brasileira no ano que vem, com impacto positivo na queda do desemprego. Nesse ponto, contudo, os economistas aconselham cautela. A recuperação do mercado de trabalho, que inclui a taxa de desemprego e o nível de renda, deverá ser mais lenta que nos demais setores. “Os grandes números macroeconômicos, como o crescimento do PIB, dos indicadores de confiança, da produção industrial, demoram para ser sentidos no bolso do trabalhador”, diz Monica de Bolle. “Foi assim na queda e é assim na subida.”
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DE MÉDICO MODESTO A MILIONÁRIO PRESO

Da ISTOÉ
Preso na última segunda-feira 26, Antonio Palocci atravessou a recepção da Superintendência da Polícia Federal do Paraná meio sorumbático. Cabisbaixo, mal conseguiu reparar no quadro que adorna a entrada da carceragem em Curitiba com a imagem de uma onça agressiva – “a fera”, como costumam dizer os agentes penitenciários. Seu semblante abatido em nada lembrava o impávido ex-ministro da Fazenda de Lula e da Casa Civil de Dilma, protagonista do Petrolão, responsável por gerenciar negociatas que renderam cifras extraordinárias ao PT. Tampouco fazia jus ao physique du rôle do consultor milionário investigado pelo Ministério Público Federal. Pela primeira vez, em muitos anos, Palocci estava mais para Antonio, o médico sanitarista boa praça de Ribeirão Preto que debutou para a política em 1981 vendendo estrelinha do PT. De lá para cá, realmente, muita coisa mudou em sua vida. Preso pela Lava Jato, o petista é o retrato mais bem acabado do político que enriqueceu no poder – e graças ao poder. No início dos anos 2000, antes de se eleger deputado, Palocci tinha um patrimônio que somava R$ 295 mil. Sua conta-corrente no Banco do Brasil apresentava um saldo de R$ 2.300. No Banespa, seus depósitos somavam R$ 148. A ascensão patrimonial foi colossal. Na última semana, o juiz Sérgio Moro bloqueou das contas pessoais – físicas e jurídicas – do petista um total de R$ 30,8 milhões. Entre os bens adquiridos por Palocci nos últimos anos figuram um apartamento nos Jardins, área nobre de São Paulo, avaliado em R$ 13 milhões e um escritório na mesma região, que hoje vale pelo menos R$ 2 milhões. A movimentação bancária do ex-ministro entre 2010 e 2015, a qual ISTOÉ teve acesso, revela números ainda mais exuberantes. Neste período, R$ 216,2 milhões passaram pelas contas de Palocci e de sua empresa de consultoria, a Projeto. Os serviços contratados, acreditam os procuradores, iam além dos conselhos. Muitas vezes, os serviços de consultoria propriamente ditos nem eram prestados. Traduziam-se em lobby. Em português claro: tráfico de influência em favor de grandes empresas junto aos governos petistas.
Os bens do petista consultor
O enriquecimento e os valores movimentados pela firma de consultoria de Palocci acenderam o sinal de alerta entre os investigadores. Fundada em 2006, a Projeto recebeu R$ 52,8 milhões entre junho de 2011 e abril de 2015. Só em 2010, quando Palocci coordenava a campanha de Dilma, o ex-ministro teve ganhos de R$ 12 milhões. É um faturamento infinitamente maior do que o de prestigiadas assessorias de negócios do País. Conforme ISTOÉ adiantou com exclusividade em seu site, na última semana, duas novas investigações a respeito da evolução patrimonial foram abertas pala Procuradoria da República do Distrito Federal. As autoridades possuem fortes indícios de que os serviços oficialmente contratados pela Caoa e pelo Grupo Pão de Açúcar não foram prestados.
A primeira das apurações mira em valores recebidos do Grupo Pão de Açúcar. Ao todo, a firma de Palocci amealhou R$ 5,5 milhões do conglomerado varejista. O dinheiro era repassado pelo ex-ministro da Justiça falecido Márcio Thomaz Bastos. Chama a atenção o fato de os depósitos terem começado logo após Palocci ser anunciado ministro da Casa Civil da ex-presidente Dilma. O que por si só configuraria um conflito de interesses. As irregularidades se acumulam. Sequer há um contrato formal entre as partes. O próprio Grupo Pão de Açúcar reconheceu, depois de uma auditoria interna sob nova administração, não ter identificado qualquer serviço prestado pela Projeto. Na prática, acreditam os procuradores, a verdadeira razão dos pagamentos não podia ser registrada em papel: propina para Palocci defender os interesses da empresa.
A segunda apuração do MPF contra Palocci esquadrinha as suas relações com o grupo Caoa. A empresa automobilística aparece como a segunda principal cliente da Projeto. Pagou R$ 10 milhões à firma do petista. Uma parte dos depósitos ocorreu durante a primeira campanha de Dilma. Seria, de acordo com o contrato selado, para Palocci identificar e auxiliar em negócios na China. Não é o que acreditam os investigadores. “Aventou-se que o presente contrato destinar-se-ia, em verdade, a acobertar a prática do crime de tráfico de influência, ocorrido no processo de edição de medidas provisórias que, ao concederem benefícios fiscais à indústria automobilística, favoreceram sobremaneira a Hyundai-Caoa”, afirmou o procurador Frederico Paiva em despacho. A medida provisória, de fato, atendeu aos interesses da Caoa ao prorrogar as vantagens tributárias para montadoras instaladas nas regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste. O grupo comanda uma fábrica da Hyundai em Anápolis (GO). Por contratar “consultorias” similares, a Caoa se tornou alvo das operações Zelotes e Acrônimo. Em uma delas, há suspeitas de que teria pago R$ 10 milhões a Fernando Pimentel, então ministro da Indústria e Comércio de Dilma. Em troca, teria recebido benefícios fiscais.
Aos poucos, os investigadores vão conseguindo mapear a origem e o destino dos recursos amealhados por Palocci. Um relatório produzido pela CPI do BNDES mostra que o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) identificou nove operações bancárias suspeitas ligadas ao ex-ministro. Há outros alertas ainda de entradas atípicas de dinheiro no caixa de sua consultoria, como somas acima de R$ 1 milhão pagas por treze empresas. Só a Amil e seu ex-controlador Edson Bueno depositaram R$ 24,9 milhões nas contas da Projeto.
Foram, inclusive, as revelações pela imprensa a respeito dos ganhos milionários de Palocci com consultorias que levaram à segunda queda do petista. Em 2011, Palocci tinha conseguido voltar ao poder como ministro da Casa Civil de Dilma, depois de deixar a Fazenda, em março de 2006, em meio ao escândalo da quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo. O episódio rendeu um inquérito contra o petista no Supremo Tribunal Federal. Entrou na conta dos 19 arquivados desde 2005. A passagem do petista pela Casa Civil durou cinco meses. Foi abatido em pleno vôo ante às denúncias de multiplicação por 20 de seus bens – hoje, sabe-se, que a progressão patrimonial foi e é muito maior.
Palocci entrou no radar da Lava Jato também por uma consultoria que ajudou a engordar o seu patrimônio. Entre 2007 e 2010, sua empresa recebeu recursos da construtora WTorre. Neste período, a empreiteira comprou e, logo, arrendou o Estaleiro Rio Grande para a Petrobras construir plataformas. Coincidentemente, a consultoria de Palocci se encerrou junto com a venda do estaleiro para a Engevix. O serviço de lobby, desconfiam investigadores, não era mais necessário. Depoimentos de delatores, como Paulo Roberto Costa, Alberto Youssef e Fernando Baiano mostram o envolvimento do ex-ministro com o Petrolão. Ao juiz Sergio Moro, eles narraram que Palocci pediu R$ 2 milhões desviados da Petrobras para a campanha presidencial de 2010.
Na manhã da segunda-feira 26, a Lava Jato fechou o cerco contra Palocci. O petista, conhecido como “italiano” nas listas de propina, foi preso em seu apartamento na capital paulista. Não restam dúvidas, para os procuradores, de que o ex-ministro tinha papel central nas negociatas entre os governos do PT e a Odebrecht. Era o elo entre os desejos financeiros do partido e os da empreiteira. “Existe um pagamento (da Odebrecht) que é feito constantemente e que forma um caixa mesmo, uma poupança, digamos assim, de onde são depois, posteriormente, pelo gestor da conta – no caso, o senhor Antonio Palocci – destinados os pagamentos no interesse do partido”, afirmou a procuradora Laura Tessler. E-mails e planilhas mostram que o ex-ministro gerenciou R$ 128 milhões em propina paga pela construtora entre 2008 e o final de 2013. Cerca de R$ 30 milhões foram pagos em espécie a Palocci entre julho e outubro de 2010 num total de 26 pagamentos. Cada entrega era feita mediante uma senha com nome de um prato italiano, como espaguete, lasanha e canelone. Em contrapartida, Palocci agia dentro do governo, com anuência de lideranças petistas, para garantir que a construtora ganhasse contratos, obtivesse empréstimos de bancos estatais e pautasse projetos de seu interesse.
A Lava Jato prendeu, além de Palocci, seus dois homens de confiança: Branislav Kontic e Juscelino Dourado. Chefe de gabinete do petista durante o governo Dilma, Kontic participava ativamente das operações ilegais do ex-ministro. Era ele quem fazia a comunicação do petista com executivos da empreiteira. Foi o responsável por encaminhar mensagens relacionadas à compra de um terreno na capital paulista pela Odebrecht onde pretendiam erguer a sede do Instituto Lula. A área, que custou R$ 12 milhões, seria repassada pela empreiteira e seu valor descontado das propinas. A participação de Juscelino Dourado, assessor de Palocci desde os tempos em que ele comandava a prefeitura de Ribeirão Preto, não fica para trás. Ele é acusado de receber U$S 48 milhões em negócios ilícitos. Há suspeitas que seja, na verdade, responsável por receber e lavar recursos para Palocci. Na mira dos investigadores está uma fazenda referência na criação e no leilão de gados Nelore. A PF deflagrou busca e apreensão na propriedade, localizada em Mato Grosso. Há suspeitas de que Dourado seja laranja do ex-ministro no empreendimento. “Nós, da Receita Federal, estamos acompanhando vertentes relacionadas à interposição de pessoas na aquisição de dois imóveis, principalmente uma fazenda no Mato Grosso”, afirmou o auditor Roberto Leone. “Possivelmente, no caso da fazenda, há indícios de que houve um subfaturamento na declaração ou na escrituração”, complementou.
O hoje milionário Palocci construiu uma carreira política tão ascendente como cercada de suspeitas. Elegeu-se vereador, deputado estadual, federal e prefeito de Ribeirão Preto. Sua gestão à frente do município paulista foi marcada por suspeições. A primeira acusação foi de direcionar uma licitação exigindo que os molhos de tomates viessem com ervilha. Tirou da frente, assim, uma grande quantidade de concorrentes. Um expediente que teria sido repetido na máfia do lixo. Segundo a denúncia, Palocci recebia uma mesada para favorecer o Grupo Leão Leão em contratos de coleta. Em 2002, ele deixou o comando do município. Assumiu a coordenação da vitoriosa campanha de Lula à presidência. Com a chegada do PT ao poder, foi alçado ao cargo de ministro da Fazenda e recebeu do ex-presidente a missão de fazer a interlocução com os empresários. A partir daí, tornou-se o poderoso petista conectado com o mercado. O resto já é história. Treze anos depois, sabe-se que Palocci usou as conexões para se tornar o homem de mais de R$ 200 milhões – agora, preso.
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CARANDIRU ELEITORAL

Da ISTOÉ
A violência marca as eleições de 2016, as primeiras após o impeachment de Dilma Rousseff. Em Itumbiara (GO), o candidato a prefeito Zé Gomes (PTB) foi assassinado na quarta-feira 28 numa carreata, dois dias depois de o candidato a vereador e presidente da Portela, Marcos Vieira de Souza (PP), ser morto em seu comitê, no Rio de Janeiro. No País que sediou os memoráveis Jogos Olímpicos 2016, ao menos 20 pessoas foram eliminadas das campanhas eleitorais na base da bala, desde agosto. Em São Gonçalo (RJ), homens armados impediram a circulação do jornal Extra, que trazia denúncias contra um candidato a vereador pelo PMDB.
As motivações desses crimes bárbaros contra a vida e a democracia ainda precisam ser esclarecidas, mas é evidente que eles simbolizam o lamentável faroeste em que se tornou a política brasileira. Em muitas cidades, sobram acusações de corrupção, incompetência e improbidade administrativa entre os principais candidatos e faltam propostas concretas e factíveis para melhorar a vida dos cidadãos. São eles que sofrem na pele as balas certeiras dos escândalos dos governos municipais, estaduais e federal nos últimos anos: recessão, desemprego, precariedade na saúde, na educação e nos transportes. São eles que têm dúvidas sobre quais candidatos estão do lado da lei e do povo e quais são meros criminosos prontos para roubar o dinheiro público por mais quatro anos. Muitos eleitores indignados, ao exercerem o poder das urnas em 2 de outubro, votarão em novatos na política somente por isso, como se a experiência fosse um mal a ser expurgado, em vez de valorizado.
A Operação Lava Jato, nesse aspecto, contribui para a moralização da política no País ao desmontar esquemas de corrupção e financiamento eleitoral e prender políticos, empresários e gestores públicos que saquearam a Petrobras. Mas quantos escaparão da Justiça e seguirão impunes? Onde está a justiça num País que rasga a Constituição ao fatiar a sentença do impeachment para preservar os direitos eleitorais de alguns políticos acusados de crimes? Onde está a justiça num País em que seguem livres os policiais militares condenados pelo massacre dos 111 presos do Carandiru, há 24 anos? Com o perdão da comparação, candidatos de vários partidos que assassinaram a ética sofrerão uma chacina nas urnas nesse final de semana. E outros suspeitos serão eleitos. Restará a dúvida: fez-se justiça?
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OS OPERADORES DE DESVIOS DO PT

Da ISTOÉ
Definitivamente há algo de podre no longo reinado petista de quase 14 anos governando o País. A prisão de dois de seus ministros da Fazenda, em sequência, dentro da Operação Lava Jato desfraldou para o Brasil como funcionava – nos limites do impensável – a engrenagem operacional do Partido na busca de financiamento ilegal para garantir a sua perpetuação no poder. Antônio Palocci foi parar atrás das grades, logo após Guido Mantega, ao ficar demonstrado que a pasta reiteradamente serviu, pelas mãos deles, de arrecadadora de fundos na troca por “favores” lucrativos aos interlocutores. Palocci atuou como intermediário em negócios escusos que, de uma única empreiteira, arrancou pelo menos R$ 128 milhões, conforme apuraram os investigadores. Enquanto isso, enriqueceu. Teve uma das mais fulgurantes carreiras de “consultor” de que se tem notícia, facilitando os contatos entre clientes e os governos de Lula e Dilma, aonde manteve livre acesso mesmo após deixar o posto envolto em escândalos. Disse o juiz Sérgio Moro em seu despacho que o ex-ministro mergulhou em um “mundo de sombras” e usou os mais altos cargos da República e campanhas eleitorais para achacar empresários. O modesto médico de Ribeirão Preto, o “italiano”, como era chamado nos emails, chegou longe. Deu método e sistemática imorais ao relacionamento da sigla PT com o mundo empresarial. Como interlocutor preferencial foi depois sucedido por Mantega que, diligentemente, atendendo a determinação dos mandatários a quem serviu, levou adiante a montagem e execução do esquema. A Polícia Federal liga Mantega a propinas que somam R$ 50 milhões. Os guardiões da economia, agora se sabe, trataram primeiro de garantir os interesses da sigla, dos aliados e seus próprios antes de zelar pela estabilidade. O Partido dos Trabalhadores, cada dia fica mais evidente, usou a máquina estatal de maneira criminosa como nenhuma outra agremiação na história. De forma premeditada corrompeu o sistema. Não por menos, três tesoureiros petistas, dois ministros da Fazenda e vários chefes da Casa Civil foram parar atrás das grades ou estão em vias disso. Um plantel digno de Ali Babá e os 40 Ladrões.
Nos gabinetes da Casa Civil petista o controle da “propinocracia” alcançou o ápice. É surpreendente o número de titulares da pasta pegos em ações delinquentes. A começar por José Dirceu entram na lista Erenice Guerra, Palocci (de novo!), Aloizio Mercadante e a senadora Gleisi Hoffmann, essa última transformada em ré por corrupção, na semana passada, junto com o marido, o também ex-ministro Paulo Bernardo. O reflexo dessa propensão delituosa do Partido pode ser notado nas eleições municipais, onde ele experimenta desempenho medíocre. O PT não apenas encolheu dramaticamente seu prestígio junto à opinião pública. Os parcos candidatos que se habilitaram à disputa ainda tiveram de esconder até mesmo a filiação nas peças de campanha para não serem massacrados. No Rio de Janeiro, sequer foi lançado um candidato próprio. O mesmo ocorrendo em Salvador, Aracaju e São Luís. Nas principais capitais, o desempenho petista é deprimente e ele almeja emplacar somente um prefeito na longínqua cidade de Rio Branco, no Acre. Em Garanhuns, onde Lula nasceu, e em São Bernardo do Campo, onde ele mora, o PT sai derrotado na eleição. E nada se compara à fragorosa surra na maior das capitais, São Paulo, na qual o candidato e atual prefeito, Fernando Haddad, sequer ameaçou a liderança. A indigência política que está a exigir uma refundação do Partido é fruto, inegavelmente, da desfaçatez com que esse grupo tentou assaltar os cofres do País. Preço alto a pagar. 
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quarta-feira, 28 de setembro de 2016

MORRE SHIMON PERES

O estadista de 93 anos morreu por volta das 03:00 (01:00 em Lisboa), afirmou Rafi Walden, que é também genro de Shimon Peres.
Shimon Peres sofreu um acidente vascular cerebral (AVC) a 13 de setembro e encontrava-se hospitalizado desde então. Internado na unidade de cuidados intensivos, estava sedado e com respiração assistida. O último dos 'arquitetos' de uma paz que não prosperou, o último sobrevivente da geração dos "pais fundadores" de Israel, Shimon Peres foi um dos principais artesãos dos acordos de Oslo, defendendo o diálogo com os palestinianos como o único meio para alcançar a paz.
Artífice da segurança de Israel - sem nunca ter sequer passado pelo exército -, ocupou todos e cada um dos cargos possíveis, a partir dos quais deixou um indelével contributo para o desenvolvimento tecnológico, económico e militar do seu país.
Nascido na Polónia a 02 de agosto de 1923, Peres chegou ainda criança, com a sua família, à Palestina sob mandato britânico e, com menos de 20 anos, foi descoberto pelo fundador de Israel, David Ben Gurion, ao lado do qual viveu a criação do Estado judeu em 1948, dirigiu o Serviço Naval e liderou a missão do Ministério da Defesa israelita nos Estados Unidos enquanto estudou em Harvard e em Nova Iorque.
O seu contributo mais reconhecido internacionalmente foi o de impulsionar da aproximação entre palestinianos e israelitas que culminou, em 1993, com o reconhecimento israelita da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) e o início de um processo de negociações que aproximou como nunca ambas as partes no sonho da paz e que deveria ter conduzido à criação de um Estado palestiniano.
Apesar de a paz ter sido 'truncada' em 2000 pela Segunda Intifada e de as partes não terem conseguido voltar a encarrilar um diálogo frutífero, Shimon Peres continuou a erguer a bandeira da solução de dois estados e tornou-se numa voz conciliadora em prol da paz numa região submersa num conflito que dura há mais de um século. Shimon Peres foi o israelita que mais tempo exerceu a função de deputado, após entrar para o Parlamento em 1959 e servir ininterruptamente até 2007, altura em que foi eleito Presidente.
Um dos primeiros cargos políticos de Shimon Peres foi o de subdiretor-geral do Ministério da Defesa, nos anos 1950, tutela a que regressaria como ministro duas décadas mais tarde. Nesta primeira etapa da sua carreira política, Peres é reconhecido por ter estabelecido uma crucial aliança com a França, que concedeu a Israel a sua histórica supremacia aérea regional e o seu programa nuclear.
Shimon Peres contribuiu com Ben Gurion para a reunificação dos movimentos socialistas no Partido Trabalhista, por via do qual exerceu o cargo de ministro em cinco pastas desde 1969 até à disputa pela liderança do partido, em 1974, em que foi derrotado pelo mais carismático Isaac Rabin. Após a demissão de Isaac Rabin, três anos mais tarde, devido a um escândalo político, Peres foi por um breve período de tempo, primeiro-ministro em exercício, cargo que deixaria ao sair perdedor das eleições de 1977 diante do conservador Menahem Begin. Nas duas décadas seguintes, continuou na liderança do Partido Trabalhista e as suas tentativas para chegar ao Governo (em 1981, 1984, 1988 e 1990) foram infrutíferas. Isto apesar de ter sido primeiro-ministro entre 1984 e 1986 no âmbito de um acordo de rotatividade com Isaac Shamir (Likud).
Contra a recusa de Isaac Shamir, Shimon Peres lançou durante aqueles anos uma campanha de contactos com líderes árabes e abriu um canal de comunicação informal com figuras palestinianas. Uma manobra política em falso -- fez cair um governo confiando no apoio de partidos ultraortodoxos que depois o negaram --, a par com a rivalidade que mantinha com Rabin e a crescente influência de este levaram-no a voltar a perder a liderança trabalhista em 1992, começando-se a criar a sua fama em Israel de "eterno perdedor".
Rabin, o seu rival más acérrimo, nomeou-o nesse mesmo ano ministro dos Negócios Estrangeiros, o que daria lugar a um período de cooperação fora do comum entre ambos e que abriu caminho aos acordos de Oslo, assinados com os palestinianos em 1990, que os levaria a partilhar o Nobel da Paz, a par com o ex-presidente palestiniano Yaser Arafat.
Peres investiu o dinheiro do prémio na criação do Centro Peres para a Paz, para promover a coexistência entre árabes e judeus. Depois do assassínio de Rabin, em 1995, voltou a assumir a chefia do Governo até ser derrotado por Benjamin Netanyahu em maio de 1996, deixando depois o partido nas mãos do general retirado Ehud Barak. Falhou a presidência em 2000, quando perdeu para o então quase desconhecido Moshe Katsav, mas alcançou-a finalmente em 2007.
Como chefe de Estado, cargo que abandonou em 2014, aos 91 anos, viveu a sua época dourada, em que rivais e aliados lhe reconhecem méritos, ganhando o mais elevado reconhecimento da cidadania israelita. Em sete décadas de carreira, foi primeiro-ministro por duas vezes, ministro em 16 governos, deputado durante 48 anos e chefe de Estado ao longo de sete.
Do Diário Digital com Lusa
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segunda-feira, 26 de setembro de 2016

PSICODRAMAS

Grão Mogol, Minas — De novo na estrada, e o intenso trabalho ao ar livre é o antídoto para a tristeza de ver não só o momento econômico, mas também a longa agonia do sistema político brasileiro. Não são animadoras as notícias que vêm de esquerda, direita e centro. Em toda parte, os parâmetros políticos são subvertidos. Lula, por exemplo, fez um pronunciamento para anunciar que era candidato. Comparou-se a Jesus Cristo e insultou numa só frase todos os funcionários públicos concursados do Brasil.
Os admiradores fazem vista grossa. Os livros do século passado definem a classe operária como a eleita para transformar a História. Eles querem um presidente operário, ainda que delirando. Lula disse coisas que contrariam o mais elementar senso político. A única saída é colocá-lo à força no modelo marxista e, sobretudo, não levar em conta o que diz. No fundo é adotar a mesma tática que adotei quando disse que Lula tinha habeas língua. Buscar um sentido é perder tempo.
Num outro espaço, escrevi sobre o psicodrama da denúncia, parecido com aquele da condução coercitiva. As críticas se concentraram na coletiva da Lava-Jato e no PowerPoint. A denúncia tem em torno de 150 páginas. Sérgio Moro não ia aceitá-la ou rejeitá-la apenas vendo uma entrevista e o PowerPoint. É obrigado a ler atentamente. E aceitou. A denúncia foi apenas o segundo ato. O terceiro será a sentença, após um trabalho específico de coleta de dados e exame dos argumentos da defesa.
Mas, se o panorama é desolador à esquerda, o que dizer do restante do espectro? Rodrigo Maia, um jovem do DEM, foi aconselhado a não usar casa oficial ou avião da FAB. Maia recusou. Nesse último caso, então, o avião da FAB só para transportá-lo é um disparate econômico e ambiental. Acomodado no assento oficial de um avião vazio, sente-se, possivelmente, projetando mais poder. Mas está em franco conflito com a situação do país, inclusive com nosso compromisso internacional de reduzir emissões.
Um grupo de deputados tentou aprovar às pressas um projeto anistiando o caixa dois. Descobertos, pareciam um grupo de garotos travessos. De quem é o projeto que já estava na mesa do presidente? Ninguém sabia. O projeto não tem autor. Sua inclusão na pauta também é um mistério.
Uma semana depois do maior criador de jabutis, Eduardo Cunha, ser cassado, eles inventam um outro jabuti, desta vez destinado a proteger os investigados na Lava-Jato.
Dizem que Renan estava ciente e Maia também. Renan está em luta aberta contra a Lava-Jato. Pena que a recíproca não seja verdadeira. Apesar de tantos inquéritos, não foi incomodado. O interessante é pensarem que daria certo. Vão se recolher e preparar um novo truque. Possivelmente tão patético quanto esse.
As pessoas que fazem campanha eleitoral hoje contam que estão comendo o pão que o diabo amassou. As ruas estão frias, no limite da hostilidade. A indiferença era prevista. O inquietante é imaginar que vencedores vão emergir desse processo eleitoral tão atípico.
No psicodrama da denúncia contra Lula, ouvi alguns jornalistas dizendo: o Planalto acha que os promotores exageraram. Mas quem no Planalto? Temer, Geddel, Padilha ou Moreira? Quem está com sua espingardinha atrás da janela querendo atirar na Lava-Jato? Houve gente que se expôs, de um lado e de outro, e a discussão sobre os caminhos da Justiça é saudável, embora inexista quando os acusados são pessoas anônimas.
Foram 115 as conduções coercitivas antes de Lula. E centenas de denúncias antes da dele.
De psicodrama em psicodrama, avança o conhecimento do que se passou no Brasil, e aproxima-se o julgamento dos acusados.
Ainda não sabemos tudo porque o governo Temer é opaco, por escolha ou inépcia. É preciso usar a Lei da Transparência para descobrir o que resta.
Os homens no Palácio do Planalto, Temer à frente, estão no governo por um acidente constitucional. São parte de um sistema político em agonia, sócios menores do governo petista.
O Planalto com seus palpites, Renan e os deputados querendo anistiar o caixa dois, Lula defendendo-se da denúncia — todos de alguma forma reagem ao processo da Lava-Jato, que precipitou a ruína do sistema político. Rodrigo Maia sentado na poltrona do avião da FAB: apenas uma das várias maneiras de se apegar ao passado.
Na ausência de um olhar para o futuro, para um sistema reformado, o Brasil dá uma sensação de exilar a própria sociedade que pede mudanças desde 2013.
De costas para a parede, protegendo-se da Lava-Jato, os políticos de Brasília não almejam do futuro nada mais do que escapar de seu passado.
Artigo publicado no Segundo Caderno do Globo em 25/09/2016
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POKER DO LULA

Mentor Neto, ISTOÉ
Poker na casa do Lula.
A turma de sempre: Sarney, Zé Dirceu, Dilma,
Cunha e Renan.
Todos bebem cerveja e riem alto, sentados á mesa de feltro.
Dirceu estica o baralho e cada um tira uma carta.
Lula sai com o rei de ouros.
– O presidente dá as cartas – ordena Dirceu.
Toda semana é a mesma coisa.
Sarney nunca sobe a aposta, só sobrevive.
Zé Dirceu dá all in em todas as mãos, atrapalha o jogo.
Dilma não sabe jogar, só perde dinheiro.
Renan tenta blefar, mas os outros são mais espertos.
Cunha é flagrado com um ás na manga do paletó.
E todos sempre deixam Lula ganhar.
Toca a campainha.
Os jogadores se entreolham, tensos.
– Tão esperando alguém? – pergunta Lula.
Não estão.
E a pizza já chegou.
Temem pelo pior.
O ex-presidente faz piada disfarçando o medo:
– Só falta ser aquele cretino de Curitiba, justo hoje que eu tô ganhando.
Todos riem amarelo.
Marisa sai da cozinha, deixa um prato de risoles na mesa e vai abrir a porta.
Olha pelo buraquinho.
– Relaxem! – grita a ex-primeira-dama – É só a morte!
Todos se ajeitam e respiram aliviados.
A morte, num manto negro e segurando uma foice, desliza pela sala precedida por uma ventania.
Passa por trás de cada jogador, simulando dramaticamente golpes de foice.
– Fala, filha! Vai levar quem hoje? Decide logo aí que nóis tamo jogando – comanda Lula, durão.
Sarney levanta:
– Bom, como não é comigo, aproveito pra fazer um xixizinho.
A morte bloqueia o caminho de Sarney e o empurra de volta à cadeira.
– A escolha é de vocês – revela numa voz gutural – vim porque o País não aguenta mais tanta safadeza. Qualquer um serve, só preciso fazer uma politicazinha. Que nem fiz na Venezuela e na Argentina, com o Hugo e o Néstor.
– Mas somos jovens! Temos muito pela frente! – defende-se Dilma.
– O critério não é idade, querida. É maldade – explica a morte.
A resposta cria uma acalorada celeuma entre os convidados.
A morte senta enquanto espera a decisão.
Cutuca Cunha no ombro.
– Não tem xadrez nessa casa? Prefiro xadrez.
– Pelo amor de Deus, não fala isso! A turma morre se ouvir falar em xadrez – Cunha cochicha e volta à discussão.
A morte embaralha as cartas com suas longas unhas.
Depois de duas horas, os políticos chegam a um acordão.
Dirceu abre a negociação.
– Morte, é o seguinte: há várias formas de resolver um impasse.
– Hum… E daí? – responde, desconfiada.
– Apesar de realizada na vida, você deve ter ainda algum sonho – Cunha segue o jogral.
– Uma viagem de primeira classe… uma vila na Provence… – diz Sarney.
A morte olha para o infinito, coçando o queixo.
– Para dizer a verdade, eu sempre quis ter um… – deixa escapar, mas rapidamente volta ao dever do dia – Não adianta! Eu preciso levar alguém hoje, sem falta!
Três dias depois.
Na internet a manchete:
“Empreiteiro morre poucas horas antes de sua delação premiada”.
A morte desliga o computador, levanta e caminha vitoriosa pelo recém-adquirido apartamento em Miami.
Da varanda pensa “hoje vai dar praia”.
Negociando com jeito, afinal, todo mundo ganha.
E segue o jogo.
Sarney nunca sobe a aposta, só sobrevive.
Zé Dirceu dá all in em todas as mãos, atrapalha o jogo.
Dilma não sabe jogar, só perde dinheiro.
E todos sempre deixam Lula ganhar
(Inspirado no conto Death Knocks, de Woody Allen)
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PRISÃO TEMPORÁRIA

O ex-ministro da Casa Civil e da Fazenda Antonio Palocci (PT) foi preso temporariamente na manhã desta segunda-feira (26) na 35ª fase da Operação Lava Jato, em São Paulo.
Ele decolou com policiais federais no começo desta tarde, no aeroporto de Congonhas, rumo a Curitiba.
A nova fase da operação, intitulada Omertà, investiga indícios de uma relação criminosa entre o ex-ministro e a empreiteira Odebrecht.
O juiz federal Sergio Moro decretou o bloqueio de bens de Palocci e de outros acusados até o valor de R$ 128 milhões. Segundo o magistrado, esse é o montante indicado em planilha da Odebrecht que supostamente registra os valores de propina que estavam sob a gestão do ex-ministro –desse total, Palocci teria recebido R$ 6 milhões.
A medida atinge contas e investimentos bancários dos investigados.
No despacho de prisão de Palocci, assinado no último dia 12, o juiz federal Sergio Moro afirma que há provas de que Palocci coordenou o repasse de propinas da Odebrecht para o PT.
"Surgiram provas, em cognição sumária, de que ele [Palocci] recebia e era responsável pela coordenação dos recebimentos por parte de seu grupo político de pagamentos subreptícios pelo Grupo Odebrecht", escreveu o juiz na decisão.
Segundo a PF, há indícios de que o ex-ministro tenha atuado diretamente para obter vantagens econômicas para a empresa em contratos com o poder público e se beneficiado de valores ilícitos. Entre as provas obtidas pela força-tarefa estão e-mails que mostram indícios da atuação de Palocci nos crimes sob investigação. No escopo da delação premiada que a Odebrecht negocia com a Procuradoria, executivos da empreiteira detalham a relação de Palocci com o grupo.
Entre as negociações envolvendo Palocci, apuradas pela PF, estão as tentativas de aprovação do projeto de lei de conversão da MP 460/2009 que resultou em benefícios fiscais à empreiteira baiana, aumento da linha de crédito no BNDES para um país africano com a qual a empresa tinha relações comerciais, além de interferência no procedimento licitatório da Petrobras para aquisição de 21 navios sonda para exploração do pré-sal.
Nesta manhã, agentes federais estiveram no escritório de Palocci e na casa do ex-ministro, nos Jardins, mas o local da prisão do petista não foi divulgado pela PF. Cerca de 180 policiais federais e auditores fiscais cumprem 27 mandados de busca e apreensão, três de prisão temporária e 15 mandados de condução coercitiva em São Paulo Rio de Janeiro, Espírito Santo, Bahia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal.
Como a Folha já informou, Palocci era conhecido internamente na Odebrecht como "italiano" e esse apelido figura em planilhas de pagamentos apreendidas pela PF em fases anteriores.
Branislav Kontic, ex-assessor de Palocci na Casa Civil, e Juscelino Dourado, seu ex-chefe de gabinete na Fazenda, também tiveram mandados de prisão expedidos. Kontic, conhecido como Brani, continuou trabalhando com o petista mesmo depois de Palocci ter deixado a pasta.
Sociólogo de formação, Brani trabalhou na Projeto, consultoria de Palocci. Duas empresas ligadas ao nome dele estão sob a mira dos investigadores: a Anagrama Consultoria e Assessoria e a Epoke Consultoria em Mídia Ltda.
Já Dourado pediu demissão do cargo depois de admitir na CPI dos Bingos que marcou reuniões do então ministro com empresários. Era um dos frequentadores da chamada "casa do lobby", localizada no lago sul, em Brasília.
Outro alvo de condução coercitiva desta segunda foi o empresário Milton Lira, apontado como operador do PMDB. Ele prestou depoimento da superindetndência da PF de Brasília onde foi questionado sua relação com a Odebrecht.
Segundo porta-vozes de Lira, ele afirmou que não tem relação com a empreiteira baiana.
FUNDAMENTOS
Segundo Moro, o "risco à aplicação da lei penal" e o "risco à ordem pública" justificam as prisões da 35ª fase da Lava Jato.
O juiz afirma que as investigações não rastrearam ainda toda a movimentação dos valores ilícitos repassados sob coordenação da Palocci e é possível que os pagamentos tenham, em parte, ocorrido em contas secretas no exterior ainda não identificadas ou bloqueadas.
"Enquanto não houver tal identificação, há um risco de dissipação do produto do crime, o que inviabilizará a sua recuperação. Enquanto não afastado o risco de dissipação do produto do crime, presente igualmente um risco maior de fuga ao exterior, uma vez que os investigados poderiam se valer de recursos ilícitos ali mantidos para facilitar fuga e refúgio no exterior", fundamentou o magistrado.
Quanto ao risco à ordem pública, Moro escreveu que "o contexto não é de envolvimento episódico em crimes de corrupção e de lavagem de dinheiro, mas do recebimento sistemático de propinas, remontando a relação entre o Grupo Odebrecht e Antônio Palocci Filho a pelo menos 2006 e estendendo-se se por anos".
O magistrado sustenta que a planilha de repasses a Palocci apreendida na Lava Jato indica que ainda há saldo de propinas a ser pago e o "fato de ele não mais exercer cargo ou mandato público não impediu que continuasse como recebedor ou intermediador de pagamentos, em 2012 e 2013 pelo menos, para o seu grupo político".
LIMITE DO PRAZO
Deflagrada seis dias antes das eleições, a nova fase da Lava Jato aproveita o último dia previsto em lei para a prisão de um eleitor (com exceção de prisões em flagrante, por condenação criminal ou por desrespeito a salvo-conduto).
Em entrevista à imprensa, a Polícia Federal, no entanto, negou que a deflagração da operação estivesse relacionada à proximidade das eleições. "A ação da polícia é pautada nos fatos e no tempo da investigação; não tem relação nenhuma com eleições", disse o delegado Igor Romário de Paula.
As prisões feitas nesta segunda são temporárias e se encerram em cinco dias. Para os investigadores, porém, é possível prorrogá-las por mais cinco dias, se necessário, ou convertê-las em prisões preventivas (válidas por tempo indeterminado).
"Essa previsão da lei existe para garantir o direito ao voto de pessoas que estejam livres. Mas não se aplica a pessoas presas", disse o delegado Filipe Pace. "Se houver elementos para pedir a conversão da prisão em preventiva, vamos pedir."
CARREIRA
Antonio Palocci foi eleito vereador de Ribeirão Preto em 1988, mandato incompleto por ter sido eleito deputado estadual. Ficou apenas dois anos no cargo, pois foi eleito prefeito da cidade em 1992.
Em 1998, mais uma vez foi eleito deputado federal, interrompendo o mandato para ocupar novamente o cargo de prefeito de Ribeirão. Como deputado federal, foi o relator do projeto de lei que mudou o regime de exploração do petróleo no pré-sal, no fim dos anos 1990.
Chefiou a pasta da Fazenda nos primeiros anos do governo Lula, entre janeiro de 2003 e março de 2006, quando foi substituído por Guido Mantega.
Retornou ao ministério no governo Dilma, em 2011, desta vez à frente da Casa Civil, permanecendo apenas seis meses no cargo. Em 2010, ele havia sido coordenador de sua campanha à presidência.
ANTECIPADA
No último domingo (25), o ministro da Justiça Alexandre de Moraes já havia declarado, segundo o jornal "O Estado de S. Paulo", que novas investigações da Lava Jato seriam realizadas nesta semana. A conversa ocorreu com integrantes do MBL (Movimento Brasil Livre) em um ato de campanha do deputado federal Duarte Nogueira, em Ribeirão Preto.
Horas depois, sua assessoria de imprensa informou que a declaração era apenas uma "força de expressão", usada pelo ministro com o intuito de garantir a continuidade das investigações.
OPERAÇÃO
"O nome Omertà, dado à investigação policial, é um termo usado pela máfia italiana para designar a "lei do silêncio" e a obrigação de não se delatar companheiros diante de autoridades ou rivais –pacto que, quando quebrado, é punido com morte.
Para a PF, é uma referência "à origem italiana do codinome que a construtora usava para fazer referência ao principal investigado [Palocci] da fase, bem como ao voto de silêncio que imperava no Grupo Odebrecht que, ao ser quebrado, permitiu o aprofundamento das investigações".
Omertà também é o nome de um livro de Mario Puzzo, o mesmo autor de "O Poderoso Chefão".
"Nos casos dos investigados para os quais foram expedidos mandados de condução coercitiva, estes estão sendo levados às sedes da Polícia Federal nas respectivas cidades onde foram localizados a fim de prestarem os esclarecimentos necessários. Os investigados serão liberados após serem ouvidos no interesse da apuração em curso."
A Polícia Federal, o Ministério Público Federal e a Receita Federal farão uma coletiva de imprensa no auditório da PF, em Curitiba, às 10h.
OUTRO LADO
O advogado de Palocci, José Roberto Batochio, disse que o ex-ministro nega todas as acusações.
O criminalista disse estranhar o fato dos presos recentes estarem associados a gestões petistas. "Só os do PT são presos. É um fato difícil de explicar", afirmou, fazendo referência a outros partidos investigados na Operação Lava Jato.
Batochio disse ter se encontrado com o ex-ministro após a prisão para verificar a agenda que irão ter daqui para frente e afirmou ser muito cedo para definir se entrará com pedido de habeas corpus. "É prematuro".
O criminalista conversou com jornalistas em frente à Superintendência da Polícia Federal em São Paulo. Sobre a coletiva de imprensa da PF que tratou da prisão de Palocci, afirmou: "Absolutamente vazia, só presunções, só deduções, só imaginação, nada de provas."
Em nota, o BNDES disse que "está na fase final de revisão das operações já realizadas" e que está colaborando com o Tribunal de Contas da União.
A Folha não conseguiu contato com a defesa de Branislav Kontic. Procurada, a defesa de Juscelino Dourado ainda não se manifestou.
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domingo, 25 de setembro de 2016

A GRANDE TACADA DE MORO

Da ISTOÉ
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UM GOLPE NA FUNCEF

Da ISTOÉ
Operação greenfield
Segundo os procuradores, o núcleo político da organização criminosa influenciava os diretores dos fundos de pensão.
Aparelhados pelos partidos políticos durante a era petista, os fundos de pensão das estatais e empresas federais se tornaram alvo de uma megainvestigação da Procuradoria do Distrito Federal sobre desvios de recursos que lesaram os aposentados em R$ 8 bilhões. Trata-se da Operação Greenfield, que cumpriu, no último dia 5, um conjunto de 28 mandados de condução coercitiva, sete de prisões temporárias e 106 de buscas e apreensão. ISTOÉ obteve com exclusividade as gravações que fundamentaram a operação. Os áudios referem-se a reuniões de diretores da Funcef – órgão que administra a previdência complementar da Caixa e foi comandado por executivos indicados e ligados ao PT, acumulando um prejuízo de ao menos R$ 2 bilhões. O material explosivo revela a total negligência com os recursos dos aposentados e indica uma clara atuação de dirigentes da Funcef no sentido de honrar acertos políticos. Para a PF, há fortes indícios de que o ex-tesoureiro petista João Vaccari Neto, atualmente preso pela Lava Jato, esteja por trás das operações fraudulentas aprovadas pela cúpula da Funcef. As suspeitas também recaem sobre o ex-ministro da Casa Civil de Dilma, Jaques Wagner. Um dos beneficiários do esquema, segundo as investigações, foi o ex-presidente da OAS, Léo Pinheiro, ligado ao PT, a Lula e a Jaques Wagner.
A postura observada nas reuniões é escandalosa: diretores dão o aval aos investimentos mesmo admitindo não terem lido todos os documentos, autorizam aportes sem saber de onde a Funcef vai tirar dinheiro e passam por cima de riscos considerados graves por executivos do órgão, como a existência de dívidas tributárias e trabalhistas de uma empresa que demandava recursos do fundo. Em comum, nos encontros de diretores da Funcef, há o fato de os presidentes do Fundo de Pensão dos servidores da Caixa, indicados pelo PT, sempre defenderem a liberação dos recursos, a despeito dos reiterados alertas feitos pelos seus diretores. São eles, em dois momentos administrativos distintos da Funcef: Guilherme Lacerda e Carlos Alberto Caser, ambos ligados ao PT. Os dois e outros cinco gestores do fundo foram presos temporariamente durante a Operação Greenfield. Depois de prestarem depoimento, deixaram a cadeia.
A PF destaca três reuniões como as mais emblemáticas para demonstrar a existência de negociações prejudiciais à Funcef, feitas única e exclusivamente para cumprir acordos políticos: a que selou aportes de R$ 400 milhões na OAS Empreendimentos, a que confirmou investimentos de R$ 1,2 bilhão em três anos na Invepar (braço da OAS na área de transportes) e a que ratificou a aplicação de R$ 17 milhões no FIP Enseada, a fim de reerguer a Gradiente. Naquele momento, o ex-presidente da OAS Léo Pinheiro pressionava a cúpula petista pelo aval aos negócios de seu interesse. Nas mensagens extraídas do celular do empreiteiro, há referências à atuação de Jaques Wagner e Vaccari na Funcef. Em julho de 2013, quando o caso estava sob discussão, Léo Pinheiro escreveu para o acionista da OAS Antônio Carlos Mata Pires: “Como foi na Funcef? O nosso JW [Jaques Wagner] me perguntou”. Ao que Pires respondeu: “Ótimo. Foi aprovado para contratação do avaliador, Deloitte. Agora, precisaremos de JW [Jaques Wagner] na aprovação final”. Em outra conversa pelo celular, Léo Pinheiro diz que pela Funcef estaria tudo certo, mas adverte César Mata Pires, dono da OAS, que poderia haver problemas na aprovação do negócio pela Caixa. Segundo a mensagem, Carlos Borges, diretor da Funcef, havia ligado para Pinheiro preocupado com a questão. Quem também telefonou para agendar um encontro foi João Vaccari. Ao fim, o investimento foi aprovado. “Não esqueça de me reservar uma vaga de officeboy nesse arranjo político. Afinal com a sua influência junto ao Galego e o Lula, vc é o CARA”, atesta Carlos Borges, da Funcef, em mensagem encaminhada a Léo Pinheiro em 2014.
Sinal verde à fraude
Para a PF, a pressão que precedeu a aprovação do negócio explica o conveniente “descuido” na hora de aprovar os investimentos que deram prejuízos à Funcef. A reunião da diretoria da Funcef para sacramentar o investimento na OAS Empreendimentos ocorreu em novembro de 2013. O aporte seria feito em duas parcelas de R$ 200 milhões. Os diretores não sabiam de que fonte orçamentária sairia o segundo aporte. Mesmo assim, deram o sinal verde para a operação. Isso gerou longos embates na reunião, que durou 1 hora e 23 minutos. Nas conversas, o então diretor de Planejamento e Controladoria da Funcef, Antônio Bráulio de Carvalho, faz uma autocrítica e alerta para o risco de faltar dinheiro para honrar os compromissos: “A gente não presta muita atenção na política de investimentos e não faz as discussões nos momentos que têm que ser feitos. Se eu aprovo R$ 200 milhões aqui pro ano que vem, se chegar outro investimento também que não está previsto… se chegar outro que não tá previsto, o que vou fazer? Nós estouramos a liquidez”. Um outro participante da reunião, não identificado, faz outra ressalva: “Vai ter que vencer isso, de onde sai o dinheiro. Não dá pra investir R$ 400 milhões, ou R$ 200 milhões, e falar ‘ah não sei de onde’”. No final da reunião, o diretor-presidente Carlos Alberto Caser, indicado pelo PT, rebate as críticas e sustenta que não deveriam deixar de aprovar o negócio só porque não estava previsto na política de investimentos. Para ele, a fonte dos recursos seria resolvida posteriormente. “Depois de termos gastado um ano de discussões, contratando uma consultoria que custou R$ 500 mil, foi cara pra dedéu. Negociamos blá blá blá blá blá blá. Agora [para quê] eu vou submeter isso (…) burocraticamente à política de investimentos, tendo um retorno bom?”, afirmou Caser. Ao fim, a Funcef aprovou o negócio. Segundo o Ministério Público Federal, os milhões investidos viraram pó: valiam apenas R$ 117,5 mil em dezembro de 2015.
Gestão temerária
Outro investimento na OAS de R$ 1,2 bilhão, o chamado FIP Invepar, foi aprovado sem relatórios da análise jurídica e de conformidade – que avalia o cumprimento a determinadas regras. É o que revela o áudio da reunião ocorrida em 20/10/2008, com duração de 37 minutos. No encontro, o diretor de Planejamento e Controladoria, Antônio Bráulio, discorda da pressa na aprovação: “Em termos de coerência fica complicado. Como é que um diretor de conformidade e controle pode aprovar uma coisa sem ter analisado anteriormente?”. Coube mais uma vez a um diretor-presidente ligado ao PT, neste caso Guilherme Lacerda, intervir para garantir o negócio: “(…) Eu queria também fazer um apelo, é um apelo, é um esforço muito grande o investimento que a gente tá, pode dar errado (…) mas é um investimento que vinha pensado aqui muitas vezes, na perspectiva de ter uma valorização grande”.
O terceiro caso que chamou a atenção dos investigadores envolveu a aprovação do investimento de R$ 17 milhões no FIP Enseada, um fundo constituído para reerguer a antiga Gradiente, mergulhada em dívidas trabalhistas e tributárias. De novo os diretores resolveram passar por cima dos riscos que envolviam o negócio para agradar ao então presidente da empresa, Eugênio Staub, que havia declarado apoio a Lula na eleição. Logo ao apresentar o projeto, o diretor de investimentos Demósthenes Marques adverte: “A gente tá entrando em um negócio que é de nível de risco maior do que a grande maioria”. Bráulio, por sua vez, classifica de “preocupante” a possibilidade de as dívidas da empresa provocarem perdas à Funcef. A exemplo do episódio anterior, em que avalizou um negócio altamente temerário com o único objetivo de atender demandas políticas, o presidente Guilherme Lacerda banca o aporte. Atribui as advertências a “fofocas de jornal” e diz que o fato de o dono da Gradiente ter anunciado apoio ao Lula não pesaria em sua decisão. Pesou.
“Estou tranquilo em relação às posições que adotei na Funcef porque as informações que tinha à época levariam qualquer gestor a ter a mesma postura”, disse Lacerda por meio de seu advogado. Não é o que pensam os investigadores. Para eles, as negociações ocorriam “em conjunto com autoridades políticas que tinham clara ascendência sobre os diretores dos fundos de pensão”. Vaccari integraria o chamado núcleo político do esquema e, segundo a PF, “possivelmente concorreu” para que fosse aprovado o investimento na OAS “em detrimento do patrimônio da Funcef”. O próximo passo do procurador Anselmo Henrique é destrinchar ainda mais a relação desse núcleo político com os fundos de pensão. Nos últimos dias, foram analisados os depoimentos prestados no último dia 5. Agora, o MP quer acesso a delações da Lava Jato. Na última semana, empresas alvo da operação firmaram acordos com o MP para depositar valores em juízo e ficarem livres de medidas restritivas. A OAS devolveu R$ 240 milhões. Ainda é muito pouco perto do bilionário prejuízo amargado pelos aposentados da Caixa.
Ouça o áudio das gravações citadas na matéria
1. Antônio Bráulio de Carvalho, diretor de Planejamento e Controladoria
“Nós que estamos aqui pra deliberar, é uma deliberação um pouco confusa, pelo menos complicada pra gente. Como é que eu vou colocar um dinheiro, sem a área me dizer qual a expectativa de retorno disso?”
2. Mauricio Pereira, diretor de investimentos
“Também recebi o parecer de risco, não li o parecer de risco, acabei de chegar do almoço e peguei lá na minha mesa. Então seria o maior investimento que a gente aprova aqui também sem todas as peças”.
3. Interlocutor não identificado
“Claro, vai ter que vencer isso, de onde sai o dinheiro. Não dá pra investir R$ 400 milhões, ou R$ 200 milhões, e falar ‘ah não sei de onde’”
4. Antônio Bráulio de Carvalho, diretor de Planejamento e Controladoria
“A gente não presta muita atenção na política de investimentos e não faz as discussões nos momentos que têm que ser feitos. Se eu aprovo R$ 200 milhões aqui pro ano que vem, se chegar outro investimento também que não está previsto… se chegar outro que não tá previsto o que vou fazer? Nós estouramos a liquidez”
5. Carlos Alberto Caser, diretor presidente da Funcef, ligado ao PT
“Depois de termos gastado um ano de discussões, contratando uma consultoria que custou R$ 500 mil, cara pra dedéu. Negociamos blá blá blá blá blá blá. Agora eu vou ter que submeter isso ‘burocraticamente’ à política de investimentos, tendo um retorno bom?”
6. Antônio Bráulio de Carvalho, diretor de Planejamento e Controladoria
“Em termos de coerência fica complicado. Como é que um diretor de conformidade e controle pode aprovar uma coisa sem ter analisado anteriormente?”
7. Guilherme Narciso de Lacerda, diretorpresidente, ligado ao PT
“Pontue qual é o incômodo maior de irregularidade e a gente vai tentar esclarecer, entendeu? Agora, eu queria também fazer um apelo, é um apelo, é um esforço muito grande o investimento que a gente tá, pode dar errado (…) mas é um investimento que vinha pensado aqui muitas vezes, na perspectiva de ter uma valorização grande.”
8. Demósthenes Marques, diretor de Investimentos
“A gente tá entrando em um negócio que é de nível de risco maior do que a grande maioria dos negócios que a gente propõe”
9. Guilherme Narciso de Lacerda, diretor presidente, ligado ao PT
“Estamos à disposição pra vocês discutirem, chamar empresário aqui… Agora não é porque faz fofoca em jornal que eu vou deixar de olhar, entendeu? Não é porque o cara [dono da Gradiente, Eugênio Staub], apoiou Lula que eu vou fazer ou deixar de fazer”
10. Renata Marotta, diretora de Administração
“Nas conclusões no nosso parecer diz assim ‘diante do exposto, em princípio recomenda-se que os investimentos analisados devam ser reexaminados para melhor adequação jurídica’.
11. Antônio Bráulio de Carvalho, diretor de Planejamento e Controladoria
“Se me permitem, acho que na estruturação conseguiram mitigar os riscos operacionais. E o que é que acontece aqui? Ficaram os riscos jurídicos. São, vamos dizer, em grau significativo. Você tem risco trabalhista, você tem risco… Tem uma série de riscos.
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