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sexta-feira, 31 de março de 2017

O MENSALINHO DO CERRADO

Do G1, MT
O ex-deputado José Riva, que responde a mais de 100 processos na Justiça, afirmou durante audiência no Fórum de Cuiabá, nesta sexta-feira (31), que o atual ministro da Agricultura, Blairo Maggi (PP), pagou ‘mensalinho’ aos deputados da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) durante a gestão dele no governo do estado. Maggi foi eleito para o cargo em 2003 e reeleito em 2007, ficando no cargo até 2010, quando concorreu ao senado.
Em nota, o ministro disse que tem a consciência tranquila de que não fez nada de errado e que deve comprovar isso.
Riva prestou depoimento sobre suposto esquema na ALMT que investiga o desvio de R$ 62 milhões do órgão. De acordo com a denúncia, o ex-deputado liderou um grupo que fraudou a compra de materiais de expediente e de informática. Recentemente, ele foi condenado a 21 anos e oito meses de prisão pelo desvio de R$ 5,4 milhões da ALMT.
Em seu relato à juíza Selma Arruda, da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, Riva afirmou que Maggi se recusou a pagar um ‘mensalinho’ aos deputados quando assumiu o governo.
No entanto, ele teria cedido e passou a fazer os repasses aos parlamentares. O pagamento, segundo Riva, era feito através do duodécimo, valor mensalmente repassado ao Poderes pelo governo do estado.
Riva, que foi presidente e 1º secretário da Casa de Leis, declarou que a corrupção na ALMT ocorria desde o governo de Dante de Oliveira, governador entre os anos de 1995 e 2002. Ele foi sucedido por Blairo Maggi.
No depoimento, alegou que à época em que foi eleito governador, Maggi tinha uma bancada pequena na ALMT e fez um discurso duro em relação à corrupção no órgão.
Na ocasião, ele teria afirmado que não participaria do esquema.  No entanto, segundo Riva, ele cedeu e começou a realizar os pagamentos para todos os deputados. Os repasses no govenro Maggi teriam começado em 2003.
“Os valores pagos no duodécimo variam de um mês para o outro. Não tinha nada fixo”, afirmou. De acordo com Riva, antes de Maggi assumir o cargo o repasse da verba anual era de R$ 1 milhão. Nos anos seguintes, o valor chegou a R$ 15 milhões por ano.
Por meio de assessoria, o ministro Blairo Maggi (PP) alegou que "o próprio José Riva reconheceu que me recusei terminantemente, enquanto governador do Mato Grosso, a participar de qualquer esquema de distribuição de propina a deputados".
Leia a íntegra da nota de Blairo Maggi:
Sobre o depoimento prestado na data de hoje (31/03) pelo ex-deputado José Riva à Justiça, esclareço que o próprio José Riva reconheceu que me recusei terminantemente, enquanto governador do Mato Grosso, a participar de qualquer esquema de distribuição de propina a deputados.  Além disso, o orçamento do Estado do Mato Grosso é debatido e votado anualmente pela Assembleia Legislativa. Nele estão incluídas as previsões orçamentárias dos três poderes, que são independentes e fiscalizados pelo Tribunal de Contas do Estado. O Poder Executivo, no caso o governador, não tem qualquer ingerência na execução orçamentária da Assembleia Legislativa.Tenho a consciência tranquila, nada fiz de errado e tenho certeza de que isso será devidamente comprovado.
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FOGO NO CONGRESSO

Centenas de pessoas invadiram, saquearam e incendiaram o Congresso do Paraguai na noite desta sexta-feira (31), horas depois que senadores partidários do presidente Horacio Cartes aprovaram uma emenda à Constituição liberando a reeleição presidencial.
A ira dos manifestantes foi provocada pela forma como a mudança foi feita. Na terça-feira (28), uma sessão paralela no Senado, comandada pela bancada governista à revelia do presidente da Casa –o opositor Roberto Acevedo–, abriu caminho para o direito a reeleição ser votado em plenário nesta sexta.
 Acevedo e outros opositores de Cartes acusaram a manobra de "golpe parlamentar". Já na terça, a capital, Assunção, havia registrado protestos em torno do Congresso, que acabaram ganhando outra dimensão.
Inicialmente, os manifestantes que estavam do lado de fora enquanto ocorria a sessão plenária foram alvo da polícia, que disparou bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha.
O confronto se expandiu pelas ruas do centro de Assunção, enquanto outro grupo permaneceu em frente ao Congresso e conseguiu entrar. Os manifestantes atearam fogo em uma guarita, e as chamas atingiram parte do prédio. Uma parte deles foi até os gabinetes dos senadores que aprovaram a emenda e saquearam as salas.
Cerca de meia hora depois, os bombeiros chegaram para conter as chamas, e o protesto se dispersou. Segundo as autoridades, ao menos 30 pessoas ficaram feridas, incluindo políticos.
Acevedo foi atingido de raspão por uma bala de borracha, assim como o liberal Efraín Alegre e o deputado Édgar Costa.
Diante da violência dos protestos, a Câmara de Deputados –onde Cartes tem maioria– cancelou a sessão que estava marcada para a manhã de sábado (1º) para aprovar o projeto e enviá-lo à sanção presidencial. Em Ciudad del Este, centenas bloquearam a Ponte da Amizade, na fronteira com Foz do Iguaçu (PR).
A aprovação no Senado foi selada em sessão extraordinária presidida pelo segundo vice-presidente, o governista Julio César Velázquez. O presidente, Roberto Acevedo, se recusou a pôr a medida na pauta, e o primeiro vice, Eduardo Petta, não estava presente. Velázquez desacatou Acevedo, e a medida recebeu o apoio de 25 dos 45 senadores. A manobra foi a mesma usada pelo governista na terça (28) para mudar o regimento interno do Senado.
O grupo alterou a votação necessária para aprovar projetos de lei ou emendas constitucionais de maioria de dois terços para maioria simples, além de ter tirado o poder do presidente do Senado de acolher ou rejeitar projetos de lei.
PRESIDENTE
Em uma rede social, Cartes culpou os senadores da oposição e os meios de comunicação críticos a ele pelos episódios de violência. Segundo o presidente, esses grupos "buscam destruir a democracia e a estabilidade política e econômica do país". Ele, porém, não fez menção à aprovação da emenda que, se confirmada, lhe permitirá concorrer a um novo mandato –o atual termina em 2018.
Além dos governistas, também apoia a reeleição a esquerdista Frente Guasú, liderada por Fernando Lugo, senador e presidente deposto em 2012 em um controvertido processo de impeachment que durou 36 horas. Uma das justificativas para sua deposição foi justamente ter tentado aprovar a reeleição.
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PLANO MONTADO

Da Veja
Conforme declarou há três semanas, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva acorda todos os dias achando que será preso. Se vai ser mesmo, e quando, ninguém pode dizer. Mas, caso isso aconteça, já é certo que nem ele nem o PT serão pegos de calças curtas.
A defesa e o partido do ex-presidente montaram um roteiro pormenorizado para os minutos que se seguirem à entrada da Polícia Federal na cobertura de São Bernardo do Campo onde mora o petista. Depois de ouvir sete fontes, VEJA desvendou os detalhes já definidos da operação.
O plano de contingência do PT para o “Dia D” de Lula terá início em um grupo de WhatsApp batizado de “Tamoios”. O nome é uma referência à aliança formada por povos indígenas brasileiros no século XVI.
O grupo Tamoios de WhatsApp reúne cerca de quarenta pessoas, incluindo o presidente do PT, Rui Falcão, senadores do partido e os presidentes da CUT e do MST. Seu objetivo: dar uma demonstração de força do PT e conferir a Lula a aura de “injustiçado”.
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EDIÇÃO FALSA

O jornal "O Globo" informou que uma edição falsa da publicação foi distribuída nesta sexta-feira (31) no centro de São Paulo. Também havia exemplares disponíveis em bancas de jornal.
A edição, de oito páginas, trazia uma série de notícias falsas. O título do texto principal dizia: "Temer renuncia: eleições são convocadas". Havia ainda uma falsa entrevista com Sergio Moro.
Os exemplares eram datados de 1º de abril.
O jornal diz ter sido informado pela polícia de que um inquérito será instaurado na segunda-feira (3).
"'O Globo' vê no episódio uma atitude criminosa e vai tratar o assunto através de seu Departamento Jurídico", informou.
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GORDINHO MALUCO

WASHINGTON - A Coreia do Norte já ameaçou ir a guerra contra os EUA por muitos motivos: exercícios militares, supostas ameaças de invasão e interferência econômica. Mas a mais nova ameaça aos americanos veio após seu líder, Kim Jong-un, ter sido chamado pelo senador republicano John McCain de "gordinho maluco". Sob ataques verbais do regime, ele ainda ironizou o ditador e sua forma física.
— A China é a única que pode controlar Kim Jong-un, este garoto gordinho maluco que está chefiando a Coreia do Norte. Eles poderiam paralisar a economia norte-coreana em uma semana — disse McCain, herói de guerra e candidato presidencial em 2008, na rede MSNBC. — Não estamos lidando nem com alguém como (o ditador soviético) Josef Stalin, que tinha uma certa racionalidade na barbárie.
As declarações foram rebatidas pela agência estatal KCNA, que funciona como porta-voz do regime. Numa nota, a entidade atacou McCain e seu colega de Senado Ted Cruz que pediu que o país seja designado como um Estado apoiador do terrorismo.
"O que eles ousaram dizer fere a dignidade da liderança suprema da RPDC (sigla para República Democrática Popular da Coreia, como o país se identifica) e é apenas uma manifestação da sua pior hostilidade em relação à ideologia e sistema social da RPDC e seu povo, e uma grave provocação pouco antes de uma declaração de guerra", diz o comunicado.
Segundo a KCNA, "o pessoal de serviço e as pessoas da RPDC tratam a dignidade de seu líder supremo como sua vida e alma".
"Os EUA devem saber muito bem sobre como eles (o povo) reagem a quaisquer atos ofensivos contra ele. Como pessoas como John McCain e Ted Cruz fizeram uma provocação equivalente a declaração de guerra contra a RPDC, a RPDC vai tomar medidas para contorná-lo. Eles terão que sofrer amargamente as consequências desastrosas por sua imprudente língua solta, e então qualquer pesar por ela virá tarde demais. Eles terão que ser inteiramente responsáveis por sua imprudente língua solta", completa a nota, dizendo que o país cumprirá sua "missão sagrada de dar um golpe sem piedade contra quem fere a dignidade do líder supremo".
Após ter acesso à resposta, McCain aproveitou e a ridicularizou:
"O quê? Queriam que eu o chamasse de garoto magrinho maluco?", escreveu McCain no Twitter.
Em novembro, segundo a imprensa britânica, funcionários consulares da Coreia do Norte pediram à China que começasse a proibir seu usuários nas redes sociais de chamarem Kim de "gordinho". Ele é apelidado no país de "Kim gordinho, o terceiro", citando seu avô e seu pai, que também foram líderes norte-coreanos.
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DEMOCRACIA ÀS FAVAS

O Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) da Venezuela, máxima instituição do Judiciário e controlado pelo chavismo, assumiu nesta quinta-feira (30) as funções da Assembleia Nacional. A decisão, classificada pela oposição de "golpe de Estado", agravou a crise política no país.
Desde o início de 2016, a Justiça venezuelana considera que o Legislativo, sob controle da oposição, age em desacato à Constituição por ter juramentado três deputados do Estado de Amazonas acusados de fraude eleitoral. Embora a Câmara tenha exonerado os parlamentares posteriormente, o TSJ diz que o ato não foi formalizado.
Os três legisladores eram importantes porque, com eles, a oposição tinha a maioria qualificada de 112 das 167 cadeiras da Casa (dois terços). Isso permitiria aprovar emendas à Constituição, mudar leis orgânicas, como a de controle de preços, e inclusive remover a cúpula do próprio TSJ.
"Enquanto persistir a situação de desacato e invalidez das ações da Assembleia Nacional, esta Sala Constitucional garantirá que as competências parlamentares sejam exercidas diretamente por esta sala ou pelo órgão que ela definir, a fim de preservar o Estado de Direito", diz sentença publicada pelo TSJ na noite de quarta (29).
Na prática, isso significa que, por um prazo indeterminado, o tribunal pode escrever as próprias leis ou indicar um órgão que passe a legislar no lugar da Assembleia.
O gesto ocorre dois dias depois de o TSJ retirar a imunidade dos congressistas e autorizar o governo do presidente Nicolás Maduro a processar opositores por crimes militares e de terrorismo.
Opositores protestaram diante do TSJ e entraram em confronto com a polícia. Em outros pontos de Caracas, manifestantes bloquearam rodovias. Não foi divulgado se houve feridos nesses atos.
O presidente do Legislativo, Julio Borges, declarou que a decisão é um "golpe de Estado" e dá a Maduro "poder de fazer o que quiser".
Borges também pediu que as Forças Armadas reajam e convocou manifestações para o sábado (1º)."Esperamos que o povo nos acompanhe. Sabemos que há medo e repressão, mas este é o momento para nos levantarmos. A Venezuela tem fome de comida, justiça e liberdade."
O governista PSUV (Partido Socialista Unido da Venezuela) considera a sentença necessária para "preservar o Estado de Direito ante o desacato do Legislativo".
O deputado Diosdado Cabello, número dois do chavismo, atacou os "lacaios da direita e o imperialismo norte-americano" que, para ele, pedem uma intervenção militar. Maduro não se manifestou até o momento.
REUNIÃO DA OEA
O secretário-geral da OEA (Organização dos Estados Americanos), Luis Almagro, classificou de "autogolpe" a decisão do TSJ e convocou reunião urgente do Conselho Permanente da organização.
"As sentenças da Suprema Corte são os últimos golpes com os qu o regime subverte a ordem constitucional. Aquilo que vínhamos advertindo infelizmente se concretizou."
Na terça (28), os membros da OEA se reuniram em Washington, após pedidos de Almagro e da oposição venezuelana, para discutir a suspensão do país por violar a Carta Democrática Interamericana.
O encontro terminou sem acordo, mas 20 países, inclusive o Brasil, assinaram declaração na qual expressaram "preocupação" com a crise e reconheceram a autoridade da Assembleia. Os chavistas comemoraram a falta de quórum para uma punição.
Desde que comanda a Assembleia, a oposição tenta antecipar as eleições presidenciais, marcadas para o final de 2018. O primeiro recurso foi tentar convocar um referendo que revogaria o mandato de Maduro, mecanismo previsto na Constituição.
Em outubro, porém, a Justiça bloqueou o processo para a consulta, impedindo que houvesse a votação antes de 10 de janeiro, quando o presidente chegou a dois terços de seus seis anos de mandato. A partir daí, se Maduro fosse derrubado, quem assumiria é seu vice, hoje o chavista radical Tareck el-Aissami.
Eleições locais, que deveriam ter ocorrido em dezembro, também foram adiadas duas vezes: uma em outubro, sob a justificativa de falta de verba, e outra em fevereiro, para recadastramento de partidos.
REAÇÕES
Em nota divulgada nesta quinta (30), o Itamaraty "repudiou a sentença" do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) da Venezuela e a considerou um "claro rompimento da ordem constitucional".
"As decisões do TSJ violam [o princípio da independência dos poderes] e alimentam a radicalização política no país", diz o documento.
O Brasil afirmou, porém, que "a responsabilidade primária de inverter o rumo da crise cabe hoje ao próprio governo venezuelano".
O governo dos EUA acusou o TSJ de "usurpar" os poderes do Legislativo e "romper as normas democráticas e constitucionais".
"Nós consideramos [a decisão da corte] um retrocesso sério para a democracia na Venezuela", diz um comunicado do Departamento de Estado americano.
Em conversa com jornalistas na quarta-feira (29), um alto funcionário do Departamento de Estado deixou claro que os EUA apostam na OEA (Organização dos Estados Americanos) como o "veículo apropriado para tentar considerar os próximos passos" sobre a Venezuela.
Questionado pela Folha sobre que papel o governo Trump espera do Brasil diante da crise no país vizinho, o diplomata disse que Washington não vai "ditar" um papel específico para o governo brasileiro, mas que espera o apoio do Brasil à OEA "como o canal apropriado para buscar uma solução".
Em protesto às ações do governo venezuelano, a chancelaria do Peru anunciou a "retirada de maneira definitiva" de seu embaixador em Caracas. O presidente peruano, Pedro Pablo Kuczynski, afirmou que "a América Latina é democrática" e que "é inaceitável o que está acontecendo na Venezuela".
A ministra de Relações Exteriores venezuelana, Delcy Rodríguez, rebateu, afirmando que "rechaça o apoio grosseiro do governo peruano aos setores violentos e extremistas da Venezuela" e citou um "plano da direita na região para atacar o sistema democrático venezuelano".
A Chancelaria da Argentina expressou sua "preocupação" com a situação na Venezuela e pediu que o governo "retome o diálogo" para resolver a crise no país.
O ministro de Relações Exteriores do Chile, Heraldo Muñoz, também manifestou preocupação "ante o agravamento da crise política". Horas depois, a presidente Michelle Bachelet convocou o embaixador chileno em Caracas para consultas.
A Chancelaria da União Europeia disse que a separação de poderes é crucial para retomar a estabilidade e pediu um "calendário eleitoral claro e respeito à Assembleia".
Diferentemente do informado anteriormente, o órgão eleitoral venezuelano cancelou duas vezes as eleições regionais: em outubro e fevereiro, não em dezembro. Apenas na segunda a justificativa foi recadastramento dos partidos.
A Justiça venezuelana também não suspendeu a votação da Assembleia Nacional pelo abandono de cargo de Maduro. O TSJ proibiu, mas a votação ocorreu, embora tenha sido anulada dias depois.
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AGRESSÃO FÍSICA

Casada há quase cinco anos com o senador Lasier Martins (PSD-RS), a jornalista Janice Santos, de 38 anos, prestou queixa na Delegacia Especial de Atendimento à Mulher, em Brasília, contra o marido por agressão física. O senador diz que o casal está em processo de separação, que não a agrediu e que é vítima de chantagem. As informações são do Correio Braziliense.
Janice denunciou Lasier à polícia na última terça-feira, quando passou por exame de corpo de delito. Estava acompanhada da empregada doméstica, que levou como testemunha. No depoimento, a jornalista afirmou que não foi a primeira vez que foi agredida pelo companheiro, a quem classificou como um homem “violento e agressivo”. Ela contou que teve as pernas chutadas pelo senador e as mãos pressionadas por ele enquanto segurava um porta-joias. Disse, ainda, que foi xingada e humilhadas várias vezes pelo marido e que foi agredida na barriga, em outra briga, enquanto se recuperava de uma cirurgia na região.
Em entrevista ao Correio, Lasier contestou as declarações da esposa. “Ela partiu para cima de mim e eu apenas reagi para me defender, sem agredi-la. Ela mesmo se cortou e passou sangue em mim. Ela é louca. Está me chantageando por conta do divórcio. Não tenho dúvida de que a polícia vai apurar o caso e concluir que não fiz absolutamente nada”. O senador afirma que a doméstica o procurou para dizer que havia se recusado a “mentir” para a delegada. “Ela estava no local e não viu nenhuma agressão, pois isso não aconteceu”, afirmou.
Em nota enviada ao Congresso em Foco por meio de sua assessoria, o senador diz estar triste com o episódio e reiterou não ter praticado qualquer ato de agressão:
“A propósito de ocorrência policial registrada por sua mulher Janice, o senador Lasier Martins informa que está em processo judicial de separação litigiosa no Foro do Distrito Federal. Esclarece que não houve a alegada agressão física, mas ações e manobras da mulher no sentido de tirar proveito em tentativa de acordo no processo judicial. O senador está triste com o acontecimento e aguarda o andamento do processo judicial onde apresentará provas de sua inocência.”
Choque na TV
Um dos principais nomes da RBS, afiliada da Rede Globo no Rio Grande do Sul, Lasier chegou ao Senado em fevereiro de 2015, após conquistar o seu primeiro mandato eletivo. A advogada da jornalista não quis comentar a denúncia da cliente contra o senador.
Antes de entrar para a política, ele ficou conhecido nacionalmente após a divulgação de um vídeo na internet em que aparece tomando um choque ao encostar em uma parreira energizada durante transmissão ao vivo da Festa da Uva, em 2000. Eleito em 2014 pelo PDT, ele se filiou ao PSD no ano passado após seguidos desentendimentos com a direção nacional do partido. Ele foi um dos pedetistas que votaram a favor do impeachment de Dilma, posição que contrariou a cúpula partidária.
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FOLHA FRAUDADA

Do Blog do Fausto Macedo, O Estado de S.Paulo
A Assembleia Legislativa de Alagoas (AL) declarou em 2010 o triplo de servidores do que realmente possuía e para manter um esquema de desvio de verbas por meio de funcionários fantasmas e até 220 beneficiários do Bolsa Família. As informações foram reveladas pela Operação Sururugate, que fez buscas e apreensões na Diretoria Financeira e de Recursos Humanos da Assembleia Legislativa de Alagoas.
Naquele ano, o Legislativo estadual mantinha junto à Caixa Econômica Federal, que gere as contas dos servidores da AL, o número de 2400 funcionários. Perante o Ministério do Trabalho, contudo, foi constatado que a assembleia possuía, de fato, 800 servidores em sua folha de pagamento. As disparidades, segundo o superintendente regional da Polícia Federal em Alagoas Bernardo Gonçalves de Torre se mantiveram durante todo o período investigado, de 2010 a 2013. Neste tempo, afirma, a folha de pagamento da AL ficou em torno de R$ 100 milhões.
“De acordo com as informações prestadas pela assembleia ao Ministério do Trabalho essa folha era bem menor, de R$ 40 milhões, por exemplo”, afirma o delegado, explicando que foi a partir destas disparidades que as investigações avançaram e a CGU realizou uma auditoria com os bancos de dados do governo federal sobre beneficiários do Bolsa Família e outros programas sociais.
A operação deflagrada ontem foi autorizada pelo Tribunal de Justiça de Alagoas e envolve nove deputados estaduais e um ex-deputado que teriam se beneficiado do esquema. O processo, contudo, tramita em sigilo e os nomes não foram divulgados. De 2010 a 2013 foi constatado, por exemplo, que os pagamentos da AL a pessoas cadastradas em programas sociais do governo federal, como o Bolsa Família, somaram R$ 15 milhões.
Ao todo, de acordo com o delegado Torres, foram constatados 220 beneficiários do Bolsa Família vinculados à Assembleia neste período. “Se a pessoa recebe benefícios do Bolsa Família, obviamente não pode ser funcionário da Assembleia, onde eles recebem salários altos, de R$ 10 mil até R$ 17 mil”, disse.
Deste número, foi feita uma auditoria em 80 casos em que foram constatadas diferentes situação. Havia desde pessoas que trabalhavam na assembleia e recebiam indevidamente o benefício, até “laranjas” que emprestavam o nome e em troca recebiam uma quantia simbólica, de até R$ 300 sem trabalhar na assembleia. A PF identificou ainda casos de mais de 30 pessoas que moram em outros Estados e sequer sabiam que eram “funcionários” da assembleia.
Dos 80 investigados, 41 afirmaram que sequer tinham conhecimento que seus nomes constavam na folha de pagamento da AL. Outros 39 admitiram que emprestaram o nome para o esquema mas, na prática, eram funcionários fantasmas. “Tivemos um caso de uma agricultora em condições de vulnerabilidade, que recebia Bolsa Família e teria recebido no período um salário mensal de R$ 24 mil da assembleia, mas só recebia, de fato, R$ 700 em seu trabalho no campo e não trabalhava na assembleia”, contou o delegado Torres.
A reportagem tentou contato reiteradas vezes com a assessoria da assembleia ontem durante todo o dia, mas não obteve retorno. Também foi encaminhado e-mail para a assessoria da Casa, mas sem resposta até o momento. Após a operação de ontem, a assembleia divulgou uma nota em seu site:
COM A PALAVRA, A ASSEMBLEIA DE ALAGOAS:
“A Assembleia Legislativa foi alvo, nesta manhã, de ação de cumprimento de mandado judicial, referente a uma investigação circunscrita ao período de 2010-2013. Preliminarmente, o Poder assim se manifesta:
2-Sobre a acusação de suposta presença de beneficiários do Bolsa Família na folha de pessoal, causa espécie a constatação da falta de integração e de acesso das demais esferas de poder ao cadastro do mencionado Programa, que é de responsabilidade federal. A restrição é tanta que o próprio Congresso Nacional já discute projeto de lei pelo qual garante ao cidadão o acesso a essa listagem;
3-A atual Mesa Diretora desconhece que tenha havido qualquer requisição administrativa, visando um confronto sistemático da folha de pessoal com o cadastro do Bolsa Família. Nos últimos tempos, vem atendendo, de pronto, diversos pedidos pontuais efetuados por órgãos de investigação;
4-AO recomendar prudência em relação às informações extraídas de contexto, a atuai mesa Diretora, por fim, vê com naturalidade a ação investigativa. Afirma encontrar-se aberta à criação de novos mecanismos de controle interno e reitera o compromisso de colaborar com O esclarecimento da verdade.”
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MATÉRIA ESCOLAR

Argentina coloca Cinema como matéria escolar no primário
É isso mesmo que você leu. Todos – ou a maioria – sabem da importância do cinema argentino, são obras de extrema profundidade técnica e roteiros imperdívies, sem contar as atuações gringas de tirar o fôlego, como exemplo: Hector Alterio, Osmar Nuñez, Valeria Bertuccelli, Ricardo Darín, Arturo Goetz.
Mas não é por menos, afinal, a Argentina valoriza demais a sétima arte, prova disso é a nova implementação nas escolas. Agora, todas as turmas do primário terão como matéria o cinema, a iniciativa é feita em parceria com a França, que já adota o modelo através do programa “Collège au Cinéma”.
As crianças vão aprender a analisar filmes, assistindo aos grandes ícones do cinema do país. Sendo assim, o apreço pelo cinema será muito maior do que apenas uma questão de entretenimento.
Essa decisão está em avaliação desde agosto, mas já se pode notar uma boa recepção dessa nova disciplina. O presidente do INCAA (Instituto Nacional de Cine y Artes Audiovisuales), Alejandro Cacetta, diz ter interesse em transformar o “Escola Vai Ao Cinema” em um programa de longo prazo, querendo que se torne parte da política de Estado.
E aí, Brasil. Que tal?
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CUNHA CONDENADO

Do Blog do Fausto Macedo, O Estado de S.Paulo
O juiz federal Sérgio Moro condenou nesta quinta-feira, 30, o ex-presidente da Câmara responsável por aceitar o processo de impeachment de Dilma Rousseff (PT) Eduardo Cunha (PMDB) por crimes de corrupção, de lavagem e de evasão fraudulenta de divisas, 15 anos e 4 meses de prisão na Operação Lava Jato. O peemedebista foi condenado em ação penal sobre propinas na compra do campo petrolífero de Benin, na África, pela Petrobrás, em 2011.
Moro determinou ainda que ‘deverá Eduardo Cosentino da Cunha responder preso cautelarmente eventual fase recursal’.
“Entre os crimes de corrupção, de lavagem e de evasão fraudulenta de divisas, há concurso material, motivo pelo qual as penas somadas chegam a quinze anos e quatro meses de reclusão, que reputo definitivas para Eduardo Cosentino da Cunha. Quanto às penas de multa, devem ser convertidas em valor e somadas”, condenou Moro.
O magistrado da Lava Jato afirmou ainda. “Considerando as regras do artigo 33 do Código Penal, fixo o regime fechado para o início de cumprimento da pena. A progressão de regime para a pena de corrupção fica, em princípio, condicionada à efetiva devolução do produto do crime, no caso a vantagem indevida recebida, nos termos do artigo 33, §4º, do Código Penal.”
Eduardo Cunha foi preso preventivamente por ordem do juiz federal Sérgio Moro em 19 de outubro, em Brasília.
Os valores da propina a Eduardo Cunha teriam saído da compra, pela Petrobrás, de 50% dos direitos de exploração de um campo de petróleo em Benin, na África, no valor de US$ 34,5 milhões. O negócio foi tocado pela Diretoria Internacional da estatal, cota do PMDB no esquema de corrupção.
Segundo a sentença, ‘a prática do crime corrupção envolveu o recebimento de cerca de US$ 1,5 milhão, considerando apenas a parte por ele recebida, o que é um valor bastante expressivo, atualmente de cerca de R$ 4.643.550,00’. O prejuízo estima à Petrobrás, pela compra do campo de petróleo, afirmou Moro, é de cerca de US$ 77,5 milhões, segundo a Comissão Interna de Apuração da estatal.
“A corrupção com pagamento de propina de US$ 1,5 milhão e tendo por consequência prejuízo ainda superior aos cofres públicos merece reprovação especial. A culpabilidade é elevada. O condenado recebeu vantagem indevida no exercício do mandato de deputado federal, em 2011”, observou Moro.
“A responsabilidade de um parlamentar federal é enorme e, por conseguinte, também a sua culpabilidade quando pratica crimes. Não pode haver ofensa mais grave do que a daquele que trai o mandato parlamentar e a sagrada confiança que o povo nele deposita para obter ganho próprio. Agiu, portanto, com culpabilidade extremada, o que também deve ser valorado negativamente.”
Perguntas. Em alegações finais, parte derradeira do processo antes da sentença, entregue à Justiça Federal na segunda-feira, 27, a defesa de Eduardo Cunha alegou cerceamento de defesa. No documento o peemedebista alega que houve cerceamento ao ter suas perguntas ao presidente Michel Temer (PMDB) indeferidas.
Ao sentenciar o ex-deputado, o juiz federal Sérgio Moro apontou para as perguntas de Cunha. Segundo o magistrado, os questionamentos de Eduardo Cunha ‘nada diziam respeito ao caso concreto’.
Na sentença, Moro destacou três perguntas em que Eduardo Cunha citava José Yunes, amigo do presidente Michel Temer.
“35 – Qual a relação de Vossa Excelência com o Sr. José Yunes?
36 – O Sr. José Yunes recebeu alguma contribuição de campanha para alguma eleição de Vossa Excelência ou do PMDB?
37 – Caso Vossa Excelência tenha recebido, as contribuições foram realizadas de forma oficial ou não declarada?”
Para Moro, os questionamentos eram ‘absolutamente estranhos ao objeto da ação penal’ e ‘tinham por motivo óbvio constranger o Exmo. Sr. Presidente da República e provavelmente buscavam com isso provocar alguma espécie intervenção indevida da parte dele em favor do preso’.
“Além de não ter este Juízo competência para apurar condutas do Exmo. Sr. Presidente da República, não se pode permitir que o processo judicial seja utilizado para que a parte transmita ameaças, recados ou chantagens a autoridades ou a testemunhas de fora do processo. Não se trata, portanto, de cerceamento de defesa, mas de coibir a utilização do processo para fins estranhos e escusos pelo acusado”, destacou o juiz da Lava Jato.
COM A PALAVRA, O ADVOGADO MARLUS ARNS QUE DEFENDE EDUARDO CUNHA
A defesa vai recorrer ao TRF4.
COM A PALAVRA, A ASSESSORIA DE IMPRENSA DO PRESIDENTE MICHEL TEMER
A assessoria de imprensa informou que o presidente não vai se manifestar.
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MANDATO CASSADO

O Tribunal Regional Eleitoral do Pará (TRE-PA) cassou o mandato do governador do estado, Simão Jatene (PSDB), e do vice, Zequinha Marinho (PSC). Por 4 votos a 2, a Corte condenou o governador por abuso de poder econômico.
O Ministério Público Eleitoral acusa o governador de irregularidades em programas de habitação durante as eleições de 2014, como a entrega de cheque-moradia a eleitores que prometeram voto a Jatene e Zequinha. A chapa também é acusada de uso indevido de meios de comunicação.
Como ainda cabe recurso, a perda de mandato não é imediata. O afastamento só ocorre se o Tribunal Superior Eleitoral mantiver a decisão de cassar o governador. Simão Jatene está no terceiro mandato como chefe do Executivo estadual. O governador ainda não se pronunciou sobre a decisão do TRE.
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CORRUPÇÃO PASSIVA

BRASÍLIA - A Procuradoria-Geral da República (PGR) ofereceu denúncia ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) contra o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB). O tucano é acusado de corrupção passiva, por ter parte de uma dívida de campanha eleitoral, no valor de R$ 90 mil, paga em troca de um aditivo realizado em contrato do Estado com a Delta Engenharia.
Foram denunciados por corrupção ativa, na mesma investigação, o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira; o empresário Fernando Cavendish, dono da Construtora Delta Engenharia; e Cláudio Dias Abreu, um ex-diretor da empreiteira para a região Centro-Oeste. O Estado teve acesso à denúncia, que foi oferecida no último dia 24 e permanece em segredo de justiça.
De acordo com a PGR, Carlinhos Cachoeira se valeu de “estreitas relações” com agentes políticos de Goiás para que a Delta estabelecesse “contratos vultosos, vários deles firmados com violação de dispositivos expressos de lei ou com prejuízo flagrante aos cofres públicos”. Em troca, o contraventor – considerado na denúncia um “operador oculto dos interesses da Delta” - oferecia propina aos agentes públicos.
O desvio total estimado com os pagamentos de propina é de R$ 370 milhões, fato que é objeto de ação penal na Justiça Federal do Rio de Janeiro.  Para a PGR, o “papel” de Marconi Perillo “era central” no esquema.  “Com a assunção à chefia do executivo estadual em 01/01/2011, Perillo chancelou o violento aumento do número de contratos de diversas áreas da Administração entregues à Delta Construções, em virtude do que recebeu vantagens indevidas dos demais acusados, por meio de empresas fantasma criadas para tanto”, descreve na denúncia o vice-procurador-geral eleitoral, José Bonifácio Borges de Andrada. Após a posse de Perillo, os valores de contratos da delta subiram da casa de R$ 5 milhões para R$ 70 milhões, de acordo com a PGR.
Os investigadores identificaram o repasse de verbas ilícitas a 18 empresas fantasma, que eram usadas para lavar o dinheiro. “Os pagamentos das propinas, diga-se, eram levados a efeito através de transferências feitas pelas empresas fantasma aos beneficiários sob a forma de quitação de despesas dos agentes públicos ou por meio de saques em dinheiro e entrega em espécie às autoridades”, escreveu o vice-procurador-geral.
O advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, que representa Marconi Perillo, afirmou que a defesa foi surpreendida porque achava que o assunto estava esclarecido. Sobre as interceptações, o advogado disse que não vai se posicionar porque já anulou em outros casos essas gravações. “Essa denúncia é fruto do momento punitivo brasileiro, porque a denúncia é desconectada dos fatos. Não houve nenhum irregularidade”, afirmou.
O advogado de Fernando Cavendish, Antonio Pitombo, disse que não vai comentar a denúncia. O Estado não conseguiu contato com a defesa de Carlos Ramos e de Claudio Abreu.
Denúncia. No caso específico, a denúncia oferecida pela PGR aponta que, entre 2011 e 2012, Cachoeira, Cavendish e Abreu ofereceram propina a Perillo, para garantir contratos da Delta com os vários órgãos do Estado de Goiás. Uma das promessas foi de pagamento uma dívida do governador com o marqueteiro eleitoral Luiz Bordoni. Em troca, a empresa buscava um aditivo em contrato para ampliar o número de carros locados pela Delta para a Secretaria de Segurança Pública (SSP).
O valor original do contrato era de R$ 66,1 milhões, que já havia sido aditivado em 15,78%. Posteriormente, foi realizado outro incremento, que fez a aditivação superar o porcentual de 25% permitido pela Lei de Licitações. Após incremento determinado pelo governador, o valor do contrato pulou para R$ 75,3 milhões.
A promessa de pagamento a Perillo, segundo a PGR, foi feita em 2011, em Goiânia (GO). Foram feitas duas transferências de R$ 45 mil cada através de empresas fantasma para a conta corrente de Bruna Bordoni, filha do marqueteiro eleitoral.
Para a PGR, Perillo “tinha ciência de que o valor dispendido com o contrato de locação, nos moldes como posto, era desvantajoso para a Administração e ilegal”. Bonifácio indica na denúncia que caso o Governo de Goiás tivesse optado por comprar as 1.981 viaturas locadas gastaria R$ 39,2 milhões no lugar dos R$ 75,3 milhões do aluguel.
“Mesmo assim, a vista do pagamento pelos demais acusados das duas parcelas de R$ 45 mil relativas a sua dívida de campanha eleitoral, o governador Marconi Perillo determinou fosse levada a execução a segunda aditivação do contrato no dia 31/11/2011”, escreveu o vice-procurador-geral da República.
Processo. O caso está sob relatoria do ministro Humberto Martins, no STJ, tribunal competente para analisar investigações e denúncias contra governadores. Um acusado só se torna réu após recebimento da denúncia e abertura de ação penal. No caso dos governadores, no entanto, há uma outra etapa: a autorização da Assembleia Legislativa do Estado para processar criminalmente o governador.
O Supremo Tribunal Federal (STF) já se manifestou reiteradas vezes pela validade da exigência de autorização do legislativo estadual para que se abra ação penal contra governadores acusados por crimes comuns. Há uma nova discussão nesse sentido, no entanto, levada à Corte por conta da denúncia contra o governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT). O julgamento já teve início, mas ainda não foi finalizado no STF.
Delação. O Estado revelou que Cavendish negocia um acordo de delação premiada, no qual pretende detalhar supostos pagamentos de propinas a políticos do PMDB e do PSDB relacionados a obras nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Goiás, além de estatais federais como o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e Petrobrás. O acordo de colaboração se dá no âmbito da Operação Saqueador, da qual o empresário foi alvo em junho do ano passado.
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NA CALADA DA NOITE

Na calada da noite, há exatos 53 anos o país era surpreendido com o golpe militar que tirou do governo, o presidente da República, João Goulart.  Com o golpe militar de 1964, a censura foi instalada, perseguição, tortura e morte para aqueles que discordavam da forma que o governo dos generais conduzia a Nação. A partir daí, o Brasil passou a viver os anos de chumbo.
Duas décadas de atrocidades contra políticos, estudantes, artistas, escritores e civis que discordavam do regime ditatorial implantado no país sob o comando dos militares que colocaram no poder, o general Castelo Branco, o primeiro linha-dura da ditadura.
Hoje é um dia para refletirmos sobre as agruras que nossos irmãos brasileiros passaram naquelas duas décadas sombrias. Alguns foram exilados, outros saíram para comprar cigarro ou um café e nunca mais voltaram. Metaforicamente, eles sumiram num rabo de foguete como diz trecho da canção O Bêbado e o Equilibrista, de João Bosco e Aldir Blanc.
Não podemos esquecer esse momento escuro da história do país e as novas gerações não podem deixar de saber que um dia tivemos nossa liberdade de expressão cerceada. Qualquer forma de censura deve ser combatida, eliminada.
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PRISÃO DECRETADA

Mônica Bergamo, Folha de S.Paulo
A Justiça Federal decretou na quinta (30) a prisão do ex-delegado da Polícia Federal e ex-deputado Protógenes Queiroz.
A juiza substituta Andréia Moruzzi tomou a decisão depois que Protógenes não compareceu a uma audiência, no começo de março, em que seria estabelecida a forma de ele cumprir pena a que já estava condenado anteriormente, de prestação de serviços, por ter vazado dados da Operação Satiagraha à imprensa.
Depois da condenação, Protógenes pediu asilo na Suíça, alegando perseguição. Ele hoje vive naquele país.
"Como ele está na Suîça, está com passaporte retido e poderia cumprir pena apenas lá. Explicamos isso à Justiça. Ele não se negou a colaborar nem a cumprir a pena", diz o advogado do ex-delegado, Adib Abdouni. "Além disso, ele fez uma cirurgia na perna e não poderia viajar ao Brasil para participar da audiência", segue.
O advogado tentará suspender a medida por meio de habeas corpus.
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terça-feira, 28 de março de 2017

NA BALA

BRASÍLIA - O ex-ministro da Integração Nacional no governo Lula, Ciro Gomes (PDT) - que também é pré-candidato a presidente para as eleições de 2018 - gravou um vídeo, na última terça-feira, no qual desafia o juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, a prendê-lo. Gomes afirma que, se isso vier a acontecer, ele receberá a "turma" de Moro "na bala".
As declarações foram gravadas em vídeo no dia em que a Polícia Federal cumpriu, em São Paulo, mandados de busca e apreensão e de condução coercitiva contra o blogueiro Eduardo Guimarães, que edita o site Blog da Cidadania.
"Hoje esse Moro resolveu prender um blogueiro. Ele que mande me prender, eu recebo a turma dele na bala", diz o pedetista no vídeo.
O ex-ministro faz críticas constantes à atuação de Moro. Gomes chegou a sugerir no ano passado que, caso o ex-presidente Lula seja preso no âmbito da Operação Lava-Jato, ele poderia "sequestrar" o petista e levá-lo a uma embaixada com pedido de asilo para que ele possa se defender “de forma plena e isenta”.
— Pensei: se a gente formar um grupo de juristas, a gente pode pegar o Lula e entregar numa embaixada. À luz de uma prisão arbitrária, um ato de solidariedade particular pode ir até esse limite. Proteger uma pessoa de uma ilegalidade é um direito — disse Ciro ao GLOBO.
O “Blog da Cidadania” tem Guimarães como único colaborador e traz notícias próprias, notícias de outros sites e análises do autor sobre política, com viés de esquerda, publicadas desde 2010. O portal se identifica como integrante do “Movimento dos Sem-Mídia”. Guimarães foi candidato a vereador pelo PCdoB, em São Paulo, em 2016, mas não se elegeu. Na nota divulgada no dia das buscas, a assessoria da Justiça Federal escreveu considerar o blog “veículo de propaganda política”. Mencionou que em seu cadastro no TSE, Guimarães se identificou como comerciante.
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O CAMPEÃO DA LISTA

Da coluna Expresso, ÉPOCA
A lista de Janot é generosa com o presidente do PSDB, senador Aécio Neves: ele é o político de destaque com maior número de pedidos de investigação. O depoimento de Henrique Valladares, ex-executivo da Odebrecht,  é devastador para o tucano. Valladares revelou que Aécio recebeu propina numa conta secreta em Cingapura em nome de um amigo. O mesmo Valladares diz que Aécio tinha esquema com Dimas Toledo, ex-dirigente de Furnas. O pagamento em Cingapura foi vinculado a benefícios obtidos pela Odebrecht em Furnas, diretamente a investimentos no Rio Madeira.
Nas delações, Aécio também é acusado de receber propina pelas obras da Cidade Administrativa, sede do governo mineiro. Uma das parcelas da propina foi entregue numa concessionária em Belo Horizonte, pertencente a Oswaldo Borges, uma espécie de tesoureiro informal do tucano. Quem relatou o acerto do pagamento da propina foi Sérgio Neves, ex-executivo da Odebrecht.
Posicionamento do senador Aécio Neves:
"É falsa e absurda essa  afirmação. Entre tantas mentiras que têm sido ditas envolvendo o nome do senador essa talvez seja a mais fácil de ser desmentida. O delator tem a obrigação agora de apresentar a tal conta em Cingapura, quando ficará claro quem é o responsável por ela e, por consequência, que o senador não tem qualquer relação com o assunto . É inaceitável que acusações falsas sejam feitas e vazadas de forma intencional e selecionada sem que haja qualquer  tipo de comprovação.
Assessoria Jurídica do senador Aecio Neves"
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O DECLÍNIO DA IGREJA DA BISPA SÔNIA

Da ISTOÉ
"É difícil pensar em alguém menos apropriado que a bispa Sônia para escrever um livro intitulado ‘Vivendo de Bem com a Vida’." A frase é de um ex-bispo que foi do alto escalão da Igreja Renascer em Cristo por mais de uma década e sintetiza o momento da instituição neopentecostal brasileira liderada pelo casal Sônia, 52 anos, e Estevam Hernandes, 57. No ano em que comemora um quarto de século, a denominação, tida como a grande promessa evangélica dos anos 1990, dá sinais claros de que está em franca decadência. Com cisões internas, uma complicada crise sucessória, um crescente número de lideranças migrando para outras denominações, templos fechados por falta de pagamento de aluguel e um sem-número de indenizações a serem pagas num futuro próximo, as perspectivas não são nada boas. “O futuro da igreja está nas mãos de Deus”, disse a bispa em entrevista exclusiva à ISTOÉ (leia aqui).
O livro “Vivendo de Bem com a Vida” (Ed. Thomas Nelson), que narra parte da trajetória desta que ainda é uma das figuras femininas de maior peso do movimento neopentecostal brasileiro, será lançado oficialmente no sábado 10, na Bienal do Livro do Rio de Janeiro. Com tom professoral e confessional, o título já vendeu as 17 mil cópias da primeira impressão e está a caminho de esgotar as dez mil da segunda, uma raridade para o mercado editorial brasileiro. Parte desse quinhão será oferecida para os fiéis nos templos da Renascer a preços bem acima da média. “Quero cinco pagando R$ 300 por cada um destes livros até o final do culto”, anunciarão os bispos, como já fazem com os CDs, DVDs e livros nos templos da instituição. Tudo para aumentar a arrecadação do grupo. “A sede deles por dinheiro é absolutamente insaciável e está destruindo a igreja”, afirma o ex-bispo.
Sede essa que não é mais condizente com a estrutura encolhida que a igreja tem hoje. Em 2002, a Renascer em Cristo contava com 1.100 templos espalhados pelo Brasil e o mundo. Atualmente são pouco mais de 300. O líder que poderia imprimir agilidade à administração, o bispo Tid, primogênito de Estevam e Sônia que sempre teve saúde frágil, está em coma profundo há quase dois anos num leito de hospital. Da equipe de aproximadamente 100 bispos de primeiro time que a denominação tinha espalhada pelo Brasil até 2008, metade saiu para outras igrejas levando consigo pastores, diáconos e presbíteros. Para o lugar deles, ascenderam profissionais com menos experiência, o que, especula-se, pode ser um dos motivos da debandada de fiéis.
Quem acompanha a bispa hoje, porém, pode até acreditar que ela viva de bem com a vida, como diz o título de seu livro. Com um salário que gira em torno dos R$ 100 mil, ela continua com programas televisivos e de rádio diários, se veste com as mais exclusivas grifes e está sempre adornada com joias e relógios caros. Do apartamento triplex onde mora, em um bairro nobre na zona centro-sul da capital paulistana, ela sai pela cidade para cumprir suas obrigações de carro importado, blindado e escoltada por dois seguranças. Isso quando não usa um helicóptero avaliado em R$ 2,5 milhões para visitar seus sítios e haras no interior paulista. Mas que o observador não se engane. A riqueza que ela ostenta hoje não tem a retaguarda do começo dos anos 2000, quando a Renascer nadava de braçada no mar do crescente movimento evangélico brasileiro. “Hoje os Hernandes sangram a igreja para dar sobrevida ao padrão de vida nababesco que têm”, acusa um dissidente. Se nos anos 1990 a opulência do casal servia de chamariz para os adeptos da teologia da prosperidade, que celebra a riqueza material como uma dádiva proporcional ao fervor com que o devoto professa sua fé, hoje ela é uma ameaça à sobrevivência da instituição.
Mas como uma neopentecostal de envergadura internacional, que trouxe eventos gigantescos ao País, como a Marcha para Jesus, capaz de arregimentar 3,5 milhões de pessoas na capital paulista num único dia, e criou marcas de imenso sucesso como o Renascer Praise – o maior show de música gospel do Brasil, com mais de 15 edições –, entrou numa espiral descendente e, aparentemente, irreversível, de prestígio e credibilidade? Por que uma líder tão carismática como Sônia Hernandes perdeu apelo tão rápido? Dois eventos, próximos um do outro, desencadearam a derrocada da instituição. O primeiro começou na madrugada do dia 14 de janeiro de 2007, uma terça-feira. A caminho de Miami, nos Estados Unidos, Sônia, Estevam, dois filhos e três netos embarcaram na primeira classe de um voo levando US$ 56.467 em dinheiro. Ao pousar, tentaram passar pela alfândega americana sem declarar o valor. Foram pegos, presos, admitiram a culpa e cumpriram pena de reclusão em regime fechado e semi-aberto. Na época veio a público a informação de que parte da quantia foi encontrada dentro de uma “Bíblia”.
O impacto na igreja por aqui foi de nítido enfraquecimento. Segundo o professor Paulo Romeiro, da pós-graduação em ciências da religião da Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo, casos como esse podem até reforçar os laços de quem tem vínculos exclusivamente emocionais com a instituição. Mas para o fiel pragmático – cada vez mais presente no rol de devotos, como bem mostra a alta no trânsito religioso entre denominações – a força de um caso desse pode ser devastadora. Somada às acusações de lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e estelionato feitas pelo Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP), que vieram a público em 2007, a prisão nos Estados Unidos potencializou as incertezas dos fiéis. “Eles perderam a confiança do rebanho”, garante outro dissidente. Em 2008, o reflexo da debandada chegou aos cofres da instituição. Naquele ano, como arrecadou menos, a dívida com aluguéis de imóveis bateu os R$ 7 milhões.
Pouco depois, enquanto o casal ainda cumpria pena nos Estados Unidos, veio o segundo baque. Em 18 de janeiro de 2009 o telhado da sede da Renascer, na avenida Lins de Vasconcelos, no Cambuci, área central de São Paulo, desabou. No espaço onde boa parte dos cultos era filmada e transmitida, nove pessoas morreram e 117 ficaram feridas. Um laudo preliminar apontou como causa do acidente problemas de conservação e manutenção da estrutura. Dois anos e oito meses após a tragédia, ninguém foi formalmente indenizado. Em pelo menos dez processos, a igreja foi condenada a pagar valores aos fiéis e parentes das vítimas fatais que variam entre R$ 10 mil e R$ 150 mil. Mas os representantes da entidade recorreram de todas as decisões de primeira instância. Somente o advogado Ademar Gomes promove 37 ações de indenização. “A responsabilidade da igreja em relação ao que aconteceu já está comprovada pelos laudos técnicos do Instituto de Criminalística.” O professor de inglês Juris Megnis Júnior, 43 anos, perdeu a mãe, Maria Amélia de Almeida, 60, e a avó Acir Alves da Silva, 79. Sem chance de escapar dos escombros, elas morreram abraçadas. “Não há um dia em que não pense nisso. Nada vai reparar”, afirma. Dirigentes da Renascer respondem criminalmente e na área cível pelo caso em dois processos, que ainda não têm perspectiva de desfecho.
Com a credibilidade abalada, a frequência nas igrejas e a arrecadação caíram ainda mais. Nas reuniões com o bispado nessa época, que aconteciam às terças-feiras, para rever os resultados da semana anterior, as humilhações se multiplicaram. Se antes Estevam e Sônia maltratavam os bispos que não atingiam as metas, agora, dos Estados Unidos, as broncas vinham por videoconferência, com muito mais veemência. “As reu­niões sempre foram um massacre”, lembra um dissidente. “Mas, com eles nos Estados Unidos, as coisas pioraram, embora um time de bispos daqui, junto com o filho do casal, o bispo Tid, tenha articulado um saneamento nas contas da instituição.”
Quando o plano começou a dar resultados, em agosto de 2009, Tid, ou Felippe Daniel Hernandes, precisou fazer uma operação para reparar uma cirurgia de redução de estômago malsucedida. Durante o procedimento, ele teve uma parada cardiorrespiratória que causou um edema cerebral, comprometendo o funcionamento do órgão e, para todos os efeitos, interditando Tid, que passou a viver em estado vegetativo. A fatalidade, terrível para qualquer família, foi ainda pior para os Hernandes, que tinham no filho um sucessor natural preparado para assumir a Renascer quando Sônia e Estevam se aposentassem. O futuro de uma igreja que já se arrastava ficou ainda mais incerto. Embora na instituição ainda se fale em um milagre, para os médicos, o coma do herdeiro, hoje com atividade neurológica quase nula, é irreversível. Sônia é vista quase diariamente visitando o filho na ala de tratamento semi-intensivo do Hospital Albert Einstein. Muitas vezes a visita é feita tarde da noite, depois dos cultos. Quando Tid precisa passar por qualquer procedimento, como foi o caso na semana do dia 5 de setembro, momento em que trocou uma sonda de alimentação, a bispa para tudo para ficar ao lado do primogênito.
Em meados de 2009, foi o agravamento do estado de Tid que adiantou a volta do casal dos Estados Unidos. A Justiça americana autorizou o retorno 15 dias antes do fim da sentença, no começo de agosto, para que os pais estivessem no Brasil, caso o estado de saúde do filho piorasse. O retorno marcou uma piora na instituição. O saneamento das contas foi interrompido de vez e a torneira voltou a se abrir para bancar os gastos de Estevam e Sônia. “Não podíamos tirar da contagem nem o dinheiro para pagar o papel higiênico, que dirá o aluguel do templo”, diz um bispo sobre a época que sucedeu o retorno do casal. Contagem é o nome dado pelos religiosos para o procedimento que acontece logo depois do culto, quando as doações são somadas. “Tínhamos que remeter tudo direto para a sede.” Com o aluguel atrasado em diversos locais, a igreja começou a receber ordens de despejo. Em levantamento de dezembro de 2010 feito pelo site Folha Renascer, uma espécie de fórum aberto sobre assuntos ligados à igreja dos Hernandes, 29 templos aparecem com a ordem registrada por falta de pagamento de aluguel em nove foros paulistanos. Hoje com fama de má pagadora, a Renascer tem dificuldade de encontrar proprietários dispostos a tê-la como inquilina.
Foi também em 2010 que a igreja perdeu seu garoto-propaganda e principal dizimista, o jogador de futebol Kaká. Com a mulher, Caroline Celico, eles formavam uma dupla que fortalecia e divulgava a Renascer no Brasil e no mundo. O casal Hernandes não comenta a saída, muito menos o atleta do Real Madrid. Apenas Caroline arrisca alguns comentários enviesados. “Confiei no que me falavam. Parei de buscar as respostas de Deus para mim e comecei a andar de acordo com a interpretação dos homens”, escreveu ela em seu blog. O mau uso do dízimo pago pelo craque, que sabia do fechamento de templos e da fuga de lideranças, teria motivado o rompimento com a igreja. Foi um baque financeiro e tanto. Kaká é o sexto jogador mais bem pago do mundo e, estima-se, depositava nas contas da Renascer 10% dos R$ 21 milhões anuais que recebia.
No fim, quem mais sofre é o fiel. Sua religiosidade acaba envolvida, marginal e injustamente, em questões pouco sagradas. Os evangélicos têm todo o direito de pagar o dízimo e as igrejas de recolhê-lo. O problema é quando o dinheiro desaparece dos templos para reaparecer em forma de ternos, sapatos, brincos e anéis de lideranças pouco comprometidas com a fé. “Estamos nos trâmites finais do processo, em primeira instância, que acusa tanto Estevam quanto Sônia por dissimulação de patrimônio, também conhecida como lavagem de dinheiro”, diz o promotor de Justiça do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado do Ministério Público de São Paulo (Gaeco-SP), Arthur Lemos Júnior. O casal costuma atribuir as acusações à perseguição ou à ação de forças malignas. Até meados dos anos 2000 esse discurso tinha algum efeito. Hoje, porém, as coisas mudaram. “A Renascer nunca mais será o que foi”, sentencia Romeiro. Será difícil honrar seu nome de batismo. 
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segunda-feira, 27 de março de 2017

E A FILA CONTINUA...

Do UOL
A estudante Taina Lima sonha desde criança com uma cirurgia para a correção de seu estrabismo. Hoje com 23 anos, ela finalmente atingiu a idade para que possa passar pelo procedimento. Só não o realizou ainda pois precisará aguardar mais três meses para passar por uma consulta com um oftalmologista da rede pública de saúde da capital fluminense.
"[O estrabismo] é uma coisa que sempre me incomodou", disse Taina ao UOL. "Fui ao posto de saúde em outubro para tentar resolver isso. O problema é que marcaram minha consulta com um oftalmologista só para o final de junho.".
Assim como Taina, milhares de pessoas aguardam longos períodos para passar por um médico especialista ou realizar um exame no Rio. A redução do tempo de espera por consultas e procedimentos foi promessa de campanha do prefeito eleito, Marcelo Crivella (PRB), e chegou a motivar o lançamento de um plano de ação elaborado pela SMS (Secretaria Municipal de Saúde).
 Apesar disso, desde que Crivella assumiu a prefeitura, a fila cresceu. No dia 2 de janeiro, um dia após o início da nova gestão, mais de 132 mil consultas e procedimentos médicos compunham a lista de pendências do Sisreg (Sistema Nacional de Regulação) no Rio. Na quinta-feira (16), o mesmo sistema apontava a existência de mais de 166 mil pendências --ou seja, 25% a mais.
 Os dados de janeiro foram divulgados pela própria SMS no dia 16 de fevereiro, data em que o órgão apresentou um plano para redução das filas por atendimento após determinação do prefeito Crivella. Já os dados de março foram obtidos pela reportagem do UOL por meio de consultas ao Sisreg.
 Taina, por exemplo, espera uma consulta de oftalmologia geral. Em janeiro deste ano, cerca de 14 mil consultas desse tipo constavam na lista de pendências do sistema de saúde do Rio. Na quinta-feira, eram mais de 17 mil --crescimento de 21% no número de pendências.
"Demora demais", reclama a estudante. "Você vai ao posto e é informada de que só poderá começar a resolver seu problema seis meses depois. E olha que isso é só a consulta. Depois, vêm os exames e a cirurgia mesmo."
De acordo com os dados do Sisreg, o número de pendências referentes a consultas com ginecologistas para realização de laqueaduras subiu mais de 41% no Rio em desde o início do ano. Dos dez tipos de consultas mais procurados, o único que com redução de pendências foi as com dermatologistas: queda de mais de 55%.
á entre os dez procedimentos mais procurados por usuários do sistema de saúde do Rio, houve aumento no número de pendências em seis. Em janeiro, o Sisreg indicava que precisavam ser feitos no Rio 3.600 exames do tipo doppler venoso  em membros inferiores, indicado para o diagnóstico de varizes. Na quinta, esse número superou a marca dos 5.700 --crescimento de 58%.
Nesse mesmo período, em compensação, o número de cirurgias de vitrectomia, indicada para pacientes com descolamento de retina, na lista de pendências caiu 43%. Foi de 170 para 96.
 Procurada pelo UOL, a SMS disse que houve um aumento na oferta de serviços, que possibilitou "que mais pessoas tivessem acesso aos procedimentos da rede pública, como cirurgias, consultas e exames" e promoveu "a redução do tempo de espera na fila, possibilitando a entrada de novos usuários na fila."
O órgão lançou no mês passado um plano de ação para a redução das filas, aumento do número de atendimentos na rede pública e melhora na gestão do sistema de marcação de consultas. A secretaria constatou, por exemplo, que há pacientes aguardando por uma mesma consulta cadastrados duas vezes na fila.  O plano da SMS prevê que algumas medidas previstas no plano passarão a ser implantadas até julho deste ano.
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A GRANDE HISTÓRIA DE TANCREDO NEVES

Elio Gaspari, Folha de S.Paulo
Nas próximas semanas chegará às livrarias "Tancredo Neves, O Príncipe Civil", do repórter Plínio Fraga. Uma biografia daquele mineiro miúdo, culto e conciliador é sempre algo mais do que uma visita ao passado. É também uma iluminação para o presente. Tancredo Neves (1910-1985) foi eleito presidente da República, adoeceu e só entrou no Planalto morto.
Arquiteto da grande conciliação de 1984, a única que partiu da oposição, Tancredo, um civil, foi a maior figura política do período em que o Brasil era governado por generais. Olhando-se para o enrosco da política de hoje, sente-se a falta que faz um Tancredo. O que ele faria? Sabe-se lá, mas ele saberia.
Plínio Fraga reconstruiu a figura do político conservador que viveu numa oposição legal que abrigava a esquerda, o democrata intransigente, conciliador com lances de inesperada inflexibilidade. Depois da grande campanha pelas eleições diretas, ele se elegeu presidente pelo sistema indireto. O livro de Fraga mostra, aos poucos, como ele operava essa mistura. O menino Tancredo teve um pajem, o negro Custódio, neto da cozinheira dos Neves, que continuou com a família depois da Abolição. Custódio ficou com os Neves até morrer, aos 90 anos, anexando o sobrenome dos velhos senhores. Sabendo-se disso, conhece-se a alma patriarcal de Tancredo.
Fraga revirou arquivos da família, do Departamento de Estado e do Serviço Nacional de Informações, entrevistou dezenas de pessoas e produziu um cartapácio de 648 páginas, dividido em capítulos curtos. Um trabalho desse tamanho carrega sempre imprecisões, felizmente pouco relevantes. Juarez Távora não combateu com a Força Expedicionária Brasileira e na fotografia da posse de Tancredo como ministro da Justiça, em 1953, o chefe da Casa Civil Lourival Fontes está na legenda, mas não está na cena.
"O Príncipe Civil" faz revelações relevantes de fatos que sempre circularam à boca pequena no andar de cima, desde que não fossem contados à turma de baixo. Segredos que os Polichinelos administraram por mais de 30 anos.
Fraga expôs a caixa da campanha de Tancredo. Maluf, seu adversário, era acusado de ser "o candidato do milhão". A caixa de Tancredo foi gorda, abastecida por dezenas de endinheirados, entre eles o empreiteiro Sebastião Camargo e o industrial Jorge Gerdau. Na equipe de coletores estiveram os empresários Sergio Quintella e João Pedro Gouvea Vieira, mais Tancredo Augusto, filho do próprio candidato, e José Hugo Castello Branco, que viria a ser chefe da Casa Civil do novo governo. Lá estava também o banqueiro Ronaldo Cezar Coelho, que hoje é freguês da Lava Jato.
Estima-se que a caixa de Tancredo tenha amealhado o equivalente a US$ 45 milhões em dinheiro de hoje. A maior parte desse dinheiro foi gasta. Talvez tenham sobrado uns US$ 10 milhões. Cadê? Teriam ido para instituições de caridade ou para Risoleta, viúva de Tancredo.
"Conversa fiada", disse Tancredo Augusto a Plínio Fraga. Ele acrescenta, referindo-se a um depositário das "sobras": "Filho da puta".
Uma pessoa devolveu um cheque dessa caixa. Foi Antônia Gonçalves de Araújo, a poderosa secretária de Tancredo. Essa é a segunda exposição de Fraga. "Dona Antônia", uma bonita morena, era funcionária do Congresso e conheceu Tancredo em 1971. Ela tinha 38 anos, ele 61. A relação dos dois durou até 1985. Foi um romance diferente daqueles que Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek e Fernando Henrique Cardoso tiveram fora de seus casamentos. "Dona Antônia" era também a chefe de gabinete do "Doutor Tancredo" e por alguns meses foi a mulher mais poderosa da República. Mencionar seu nome demonstrava prestígio, revelar sua condição, suicídio.
Fraga entrevistou "Dona Antônia". Aos 84 anos, ela tem na parede de sua sala o ato de Tancredo nomeando-a secretária do presidente da República. Antônia fala ao longo de sete páginas emocionantes, sobretudo quando conta como conseguiu entrar no hospital, à sorrelfa, para se despedir de Tancredo.
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domingo, 26 de março de 2017

DOENÇAS DA CARNE, DOENÇAS DA ALMA

Artigo de Fernando Gabeira
Quando menino, ouvia muito essa frase: ou o Brasil acaba com a saúva ou a saúva acaba com o Brasil. Envelheci, nenhum dos dois acabou, nem a saúva nem o Brasil. Por isso, sou bastante contido ao falar da corrupção no país. Desde a década de 1990, limito-me a afirmar aos amigos que a corrupção iria inviabilizar nosso futuro.
Alguns discordavam. Suas teses enfatizavam a importância das conquistas sociais e afirmavam que, num contexto de grande progresso, a corrupção não seria mais do que uma nota de pé de página na História do Brasil contemporâneo.
Naquele momento, preocupava-me a degradação do sistema político: a perda de credibilidade iria nos jogar numa crise sem precedentes. O século virou. Com o assalto à Petrobras ficou evidente um outro lado da corrupção: seus danos à economia nacional. A crise econômica e o desemprego acabaram demonstrando que as conquistas sociais eram uma nota de pé de página numa gigantesca história de corrupção.
De um ponto de vista técnico, equipamentos e competência, não havia nada de errado na Petrobras. O sistema de produção de carnes no Brasil, referendado por inspeções internacionais, vive um momento dramático de credibilidade aqui e no exterior. A maior empresa do Brasil foi devastada pela corrupção. Agora, o comércio exterior do país sofre um golpe temporário. Para mim, a corrupção reaparece num novo cenário para demonstrar a tese do fim do século XX: se não for atacada de verdade, ela inviabiliza o país moral e economicamente.
As denúncias da PF talvez não tenham sido bem entendidas. Ou melhor, alguns críticos fixaram-se em alguns pontos e fugiram de outros que me parecem decisivos. Em primeiro lugar, mesmo sem papelão, mesmo acreditando que o ácido ascórbico não provoca o câncer, de um ponto de vista sanitário havia de algo muito grave ali. A presença de salmonela na carne deveria nos preocupar. Era uma carne para exportação. Se não fosse evitado esse lance, a credibilidade corria um risco muito maior.
Outro ponto preocupante é o uso de animais não abatidos, isto é, mortos em diferentes circunstâncias. Essa denúncia mencionada pelos federais coincide com depoimentos anônimos na internet de ex-funcionários de frigoríficos. A ingestão de animais mortos foi um grande tema quando se discutiu a doença da vaca louca na Europa.
Tudo isso pode ser esclarecido, mas não é o centro. O problema é o uso político das agências de fiscalização. Segundo os jornais, 19 entre 26 estão aparelhadas pelos partidos. Na primeira intervenção sobre o tema, escrevi, com outras palavras, que Temer ofereceu um churrasco para os embaixadores estrangeiros, e eles entenderam que era uma pizza.
A denúncia principal da PF era de corrupção. Isto preocupa mais os observadores do que a estrutura técnica da produção. Eles precisam confiar nas autoridades locais, porque não há condições de fiscalizar tudo que entra num país. O governo brasileiro não deu uma resposta para isso, exceto a demissão de alguns superintendentes. A resposta adequada é despolitizar todas as agências fiscalizadoras, garantindo eficiência e imparcialidade.
Por não ser capaz de demitir o ministro da Justiça, de questionar o da Agricultura, de ordenar a retirada de afilhados políticos, Temer trilhou o caminho mais difícil, escorando-se nos números para afirmar que o problema era pontual, mas omitindo o aspecto sistêmico: a presença de políticos em cargos onde não deveriam estar.
Um dos principais frigoríficos envolvidos, a JBS invade nossas telas garantindo sua competência técnica e a modernidade de seus processos. Quanto mais afirmam isso, quanto mais gente de uniforme branco imaculado nas telas, mais se escondem de seu verdadeiro problema: as relações incestuosas com os partidos políticos, especialmente com o PT. A JBS deve à Previdência, tomou empréstimos no BNDES, entrou no dinheiro do FGTS. Ela, na verdade, agiu no espaço público com mais desenvoltura do que uma estatal. E entupiu os partidos políticos, PT à frente, com mais de R$ 50 milhões na campanha eleitoral. E foi um caminho rude, passando o trator nos pequenos frigoríficos, impondo aos vendedores de gado condições draconianas.
Se vi bem, Temer usou um chapéu branco de garçom numa selfie de churrascaria. É uma ideia promissora. Se ao lado dele viessem todos de branco, os donos da JBS e BRF e os políticos que controlam as agências poderiam trazer na mão suculentos nacos de carne e dizer:
— Não existe nada de errado com ela. O problema somos nós.
Olhando para trás, acho que, apesar de fraca, a carne resistiu alguns anos. Antes dela desapareceram a decência na política, o respeito aos fatos, tudo engolfado pela corrupção: petróleo, hidrelétricas, nuclear, empreiteiras até joalherias, é a paisagem depois de batalha.
Já escondidos atrás do foro privilegiado, os políticos querem se esconder de novo atrás de listas fechadas, anular provas da delação da Odebrecht, enfim voltar aos velhos tempos.
Não vão acabar com o Brasil. As saúvas não acabaram.
Artigo publicado no Segundo Caderno do Globo em 26/03/2017
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sexta-feira, 24 de março de 2017

A POLÍTICA DA CARNE

Artigo de Fernando Gabeira
Escândalos, como esse da carne, às vezes me alcançam no interior, com precária conexão. Na falta de detalhes, começo pelas ideias gerais. Por exemplo: como alimentar quase 10 bilhões de pessoas no meio do século?
Já é uma tarefa muito complexa – no meu entender, impossível – sem a produção de proteína animal. Há quem discorde disso e acredite que seria possível substituí-la. Mesmo assim, sempre haveria gente comendo carne por escolha.
Vegetarianos e carnívoros estão muito mais unidos do que se pensa quando se trata de segurança alimentar.
Em 2006, na Califórnia houve uma grande contaminação do espinafre produzida pela bactéria Escherichia coli (E.coli). Outras se verificaram nos EUA e no mundo.
O sistema de produção e distribuição de alimentos conseguiu ampliar a oferta, reduzir os preços e certamente livrou o planeta de muitas fomes. Já se produzem 20% mais calorias do que as necessárias para alimentar todo o mundo, apesar de um em cada sete habitantes do planeta ainda não ter o que comer.
Essa conquista mundial não seria possível sem produção em grande escala. E exatamente essa característica, que levou ao triunfo, é que revela seu ponto fraco: a vulnerabilidade diante de certo tipo de contaminação.
Segundo o escritor Paul Roberts, autor do livro A Fome que Virá, as mesmas cadeias de produção que constituem o supermercado mundial, e são capazes de colocar frutas, hortaliças e carnes nos dois Hemisférios em qualquer estação do ano, são um campo favorável para a expansão de patógenos alimentares como E.coli e salmonela.
O problema revelado pela Operação Carne Fraca ainda é de uma fase mais atrasada. É da corrupção de fiscais, algo que também já aconteceu em muitos países do mundo.
O abalo na credibilidade do sistema brasileiro foi inevitável, por vários fatores. O primeiro é que existe insegurança planetária mesmo quando o controle é honesto. E os dados lançados pela Polícia Federal são graves, por diversos aspectos.
As maiores empresas do Brasil estavam envolvidas. Elas podem dizer que casos de contaminação da carne são isolados. Mas suas ligações com a política são sistêmicas: a JBS, sobretudo, despeja milhões em campanhas eleitorais.
O relatório da Polícia Federal foi atacado por suas fragilidades: mistura da carne com papelão, algo que não parece viável, assim como apontar o ácido ascórbico como fator cancerígeno. No entanto, no mesmo relatório havia denúncias graves.
Uma delas é a presença de salmonela na carne. O governo afirma que é um tipo de salmonela tolerado. Duvido que os consumidores aceitem comer uma salmonela inofensiva – o que é até contestado cientificamente.
Houve outra denúncia, que passou em branco: o uso para consumo humano de animais não abatidos, mas mortos em outras circunstâncias. Isso é grave e, sobretudo depois da vaca louca, tem de ser fiscalizado com rigor.
Para sair dessa maré negativa no mercado internacional serão necessárias firmeza e transparência. Seria bom descartar teorias conspiratórias. Em 2006 vivemos um momento em que havia realmente algo inventado lá fora. Foi quando o Canadá insinuou que havia doença da vaca louca no Brasil. Foi uma pequena batalha diplomática. Lembro-me de que, apesar de vegetariano, participei de uma comissão que visitou a embaixada, foi ao Itamaraty e se preparava até para defender a carne brasileira lá mesmo, no próprio Canadá.
Esporadicamente, com uma ou outra notícia esparsa de febre aftosa, novas pressões vieram sobre o Brasil. Eram pressões positivas. Pediam o rastreamento do gado, um chip que contivesse as informações essenciais sobre o animal que seria abatido.
Alguns reagiram com a teoria conspiratória, pensando que era algo imposto por concorrentes para encarecer a carne brasileira. Uma década depois, os chips de rastreamento são vendidos à vontade, até pela internet. E fortalecem o sistema de controle.
Quando ficar claro, se ficar, que o problema é a escolha de fiscais por partidos políticos e essa relação for detonada, creio que o caminho para retomar a credibilidade se abre. De nada adianta impressionar os compradores estrangeiros com nossa estrutura física. Se acharem que a fiscalização depende de políticos, a desconfiança vai prevalecer.
De Luiz Eduardo a Petrolina, da Chapada dos Veadeiros ao Vale do Gurgueia, o agronegócio brasileiro que tenho visto é uma história de sucesso. Mas as empresas da carne que compram fiscais vão no sentido oposto de quem se garante pela competência. Isso pode representar um lucro. Mas estrategicamente conduz a um prejuízo sistêmico, a um abalo na exportação nacional. Ao darem as mãos aos partidos políticos, os grandes produtores de carne escolheram o caminho oposto ao da credibilidade.
É impressionante a cultura da dependência no Brasil. Mesmo um setor que poderia passar sem o governo não só se financia com dinheiro público, como destina uma parte para o processo eleitoral.
As delegações estrangeiras conhecem o equipamento instalado no Brasil para a produção da carne. O grande problema é a confiança na fiscalização local.
Dificilmente um país pode controlar todas as suas exportações. Segundo Paul Roberts, dos 300 milhões de toneladas de alimentos que os Estados Unidos importam, apenas 2% são fiscalizados. Não há fiscais para tudo.
Mas não é apenas a carne brasileira que está em foco, e sim o caráter dos funcionários do governo. Tanto no petróleo como na carne existem equipamentos e competência técnica. No entanto, os dois setores foram abalados pela corrupção política. Se Michel Temer quiser dar um na passo na recuperação da credibilidade, deve levar os embaixadores a uma churrascaria e dizer, como Rubem Braga diria: “This is not a pizza, this is a beef…”.
Artigo publicado no Estadão em 24/03/2017
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RECORDANDO PADRE CÍCERO

A cidade de Juazeiro do Norte, no Ceará celebra hoje o aniversário de 173 anos de Padre Cícero. Cícero Romão Batista nasceu no Crato, 24 de março de 1844 e faleceu em Juazeiro do Norte, 20 de julho de 1934. Carismático, Padre Cícero ou “Padim Ciço”, obteve grande prestígio e influência sobre a vida social, política e religiosa do Ceará e da Região Nordeste do Brasil.
Padre Cícero, foi o primeiro prefeito de Juazeiro do Norte, em 1911, quando o povoado foi elevado a cidade. Voltou ao poder, em 1914, quando o governador Marcos Rabelo foi deposto. No final da década de 1920, o Padre Cícero começou a perder a sua força política, que praticamente acabou depois da Revolução de 1930. Seu prestígio como santo milagreiro, porém, aumentaria cada vez mais.
Em 1° de novembro de 1969 no alto do Horto, em Juazeiro do Norte foi erguido uma estátua (a terceira maior do mundo) em homenagem ao Padre Cícero Romão Batista. Em 22 de março de 2001 “Padim Ciço” foi eleito o cearense do século.
A trajetória religiosa e política de Padre Cícero é relatada na excelente biografia Padre Cícero: poder, fé e guerra no sertão, do jornalista Lira Neto. A obra é primorosa, resultado trabalho intenso de dez anos de pesquisa, baseada em documentos raros e inéditos tornam a biografia a mais completa obra sobre a vida do mais amado e controvertido religioso que o Brasil já teve, Padre Cícero, para os romeiros e fiéis, o “Padim Ciço”.
Clique aqui e ouça a música Viva meu Padim, composta pelo Rei do Baião, Luiz Gonzaga e João Silva para homenagear Padre Cícero. A canção tem a participação especial de Benito di Paula.
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quarta-feira, 22 de março de 2017

ATAQUE TERRORISTA

Um ataque terrorista deixou ao menos quatro mortos, incluindo o agressor, e vários feridos e fechou o Parlamento britânico na tarde desta quarta-feira (22), em uma área das zonas mais turísticas de Londres.
Mark Rowley, chefe das operações antiterroristas da Polícia Metropolitana de Londres, confirmou que o suspeito está entre as quatro vítimas. Um dos mortos é um policial; outras duas pessoas morreram na ponte Westminster. Pelo menos 40 pessoas ficaram feridas. Rowley disse ainda que a polícia acredita que o terrorista agiu sozinho.
Inicialmente, foi informado que cinco pessoas morreram no ataque, mas o número foi revisado para quatro no fim do dia: uma mulher de 43 anos, um homem de cerca de 50, o policial que foi esfaqueado e o autor do atentado.
O ataque começou na ponte Westminster, que cruza o rio Tâmisa e dá acesso ao Parlamento, onde pessoas foram atropeladas por um carro. Em seguida, o motorista bateu contra as grades do Parlamento e teria tentado entrar no prédio com uma faca antes de ser atingido pela polícia nos jardins do Parlamento, onde feriu policiais, e levado a um hospital, onde morreu.
A morte de uma mulher, que teria sido encontrada debaixo das rodas de um ônibus, foi confirmada pelo St Thomas' Hospital. O hospital também afirmou que alguns dos feridos estão em situação "catastrófica".
 A primeira-ministra do país, Theresa May, se encontrava no Parlamento na hora do incidente, que ocorreu depois da sessão semanal na Câmara de perguntas à premiê. Ela vai conduzir uma reunião de emergência do comitê de segurança do governo nesta quarta-feira.
Em nota, o governo brasileiro informou que não há registro de brasileiros entre as vítimas.
Testemunhas afirmam que dois policiais teriam tentado conter o autor do ataque, aparentemente um homem de meia-idade, sendo que um deles caiu no chão logo depois.
"O outro começou a pedir ajuda, enquanto o agressor prosseguia sua corrida rumo à entrada do Parlamento. Dois homens à paisana e armados com pistola primeiro o intimaram a parar, depois dispararam duas ou três vezes, e ele caiu", contou à rede BBC a testemunha Quentin Letts. Segundo ele, o homem era robusto e estava vestido de preto.
Três estudantes franceses estão entre os feridos, informou o primeiro-ministro da França, Bernard Cazeneuve. Segundo o Ministério das Relações Exteriores, os alunos são da escola Saint-Joseph de Concarneau, de Finistère, que fica na região da Bretanha.
Uma mulher foi retirada do rio Tâmisa viva após o atentado e está em tratamento com ferimentos graves. Ainda não está claro se ela caiu ou saltou da ponte durante o atropelamento. O rio foi fechado para todo tráfego não emergencial na área.
A Polícia Metropolitana de Londres disse que está tratando o incidente como "terrorismo" e confirmou que seus agentes foram acionados às 14h40 (11h40 de Brasília) e foram para a ponte Westminster. "Os policiais --incluindo policiais armados-- permanecem no local e nós estamos tratando isto como um incidente terrorista até que tenhamos informações contrárias," disse a polícia em comunicado.
Um helicóptero pousou no gramado em frente ao edifício para participar do atendimento aos feridos. Ambulâncias e carros de polícia cercaram a região, que ficou completamente fechada.
A estação metrô de Westminster que fica perto do local também foi fechada a pedido da polícia. A London Eye, a roda gigante que é uma atração turística e que fica oposta ao Parlamento, do outro lado da ponte, foi fechada com vários turistas ainda a bordo. Eles tiveram que aguardar cerca de três horas até que pudessem desembarcar.
As entradas do Palácio de Buckingham, residência oficial da rainha Elizabeth 2ª, foram fechadas após o ataque no Parlamento do Reino Unido. A sede da monarquia também teve sua segurança reforçada. A monarca estaria dentro do edifício.
Pelo Twitter, o premiê francês, François Hollande, expressou "solidariedade" aos britânicos neste momento "terrível" e disse que todos os franceses estão "prestando apoio" ao país.
O ataque aconteceu no mesmo dia em que a Bélgica e as instituições da União Europeia homenagearam as vítimas dos atentados terroristas de Bruxelas, ocorrido há um ano e que deixaram 32 mortos e 320 feridos.
Além disso, o tiroteio ocorreu um dia depois que, por motivos de segurança, o Reino Unido se somou aos Estados Unidos na decisão de proibir computadores portáteis e outros aparelhos eletrônicos nas bagagens de cabine de alguns voos diretos procedentes de Turquia, Líbano, Jordânia, Egito, Tunísia e Arábia Saudita.
O Parlamento autônomo da Escócia cancelou nesta quarta-feira a sessão na qual decidiria se apoiaria um novo referendo sobre a independência do Reino Unido, após o incidente.
Depois de uma hora de debate, o presidente da Câmara de Holyrood, em Edimburgo, Ken Macintosh, determinou a suspensão da sessão até uma data ainda não determinada.
O nível de alerta terrorista no Reino Unido foi elevado desde agosto de 2014 a "severo", o quarto em uma escala de 5.
Do UOL, com agências internacionais.
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