sexta-feira, 31 de março de 2017

FOGO NO CONGRESSO

Centenas de pessoas invadiram, saquearam e incendiaram o Congresso do Paraguai na noite desta sexta-feira (31), horas depois que senadores partidários do presidente Horacio Cartes aprovaram uma emenda à Constituição liberando a reeleição presidencial.
A ira dos manifestantes foi provocada pela forma como a mudança foi feita. Na terça-feira (28), uma sessão paralela no Senado, comandada pela bancada governista à revelia do presidente da Casa –o opositor Roberto Acevedo–, abriu caminho para o direito a reeleição ser votado em plenário nesta sexta.
 Acevedo e outros opositores de Cartes acusaram a manobra de "golpe parlamentar". Já na terça, a capital, Assunção, havia registrado protestos em torno do Congresso, que acabaram ganhando outra dimensão.
Inicialmente, os manifestantes que estavam do lado de fora enquanto ocorria a sessão plenária foram alvo da polícia, que disparou bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha.
O confronto se expandiu pelas ruas do centro de Assunção, enquanto outro grupo permaneceu em frente ao Congresso e conseguiu entrar. Os manifestantes atearam fogo em uma guarita, e as chamas atingiram parte do prédio. Uma parte deles foi até os gabinetes dos senadores que aprovaram a emenda e saquearam as salas.
Cerca de meia hora depois, os bombeiros chegaram para conter as chamas, e o protesto se dispersou. Segundo as autoridades, ao menos 30 pessoas ficaram feridas, incluindo políticos.
Acevedo foi atingido de raspão por uma bala de borracha, assim como o liberal Efraín Alegre e o deputado Édgar Costa.
Diante da violência dos protestos, a Câmara de Deputados –onde Cartes tem maioria– cancelou a sessão que estava marcada para a manhã de sábado (1º) para aprovar o projeto e enviá-lo à sanção presidencial. Em Ciudad del Este, centenas bloquearam a Ponte da Amizade, na fronteira com Foz do Iguaçu (PR).
A aprovação no Senado foi selada em sessão extraordinária presidida pelo segundo vice-presidente, o governista Julio César Velázquez. O presidente, Roberto Acevedo, se recusou a pôr a medida na pauta, e o primeiro vice, Eduardo Petta, não estava presente. Velázquez desacatou Acevedo, e a medida recebeu o apoio de 25 dos 45 senadores. A manobra foi a mesma usada pelo governista na terça (28) para mudar o regimento interno do Senado.
O grupo alterou a votação necessária para aprovar projetos de lei ou emendas constitucionais de maioria de dois terços para maioria simples, além de ter tirado o poder do presidente do Senado de acolher ou rejeitar projetos de lei.
PRESIDENTE
Em uma rede social, Cartes culpou os senadores da oposição e os meios de comunicação críticos a ele pelos episódios de violência. Segundo o presidente, esses grupos "buscam destruir a democracia e a estabilidade política e econômica do país". Ele, porém, não fez menção à aprovação da emenda que, se confirmada, lhe permitirá concorrer a um novo mandato –o atual termina em 2018.
Além dos governistas, também apoia a reeleição a esquerdista Frente Guasú, liderada por Fernando Lugo, senador e presidente deposto em 2012 em um controvertido processo de impeachment que durou 36 horas. Uma das justificativas para sua deposição foi justamente ter tentado aprovar a reeleição.
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PLANO MONTADO

Da Veja
Conforme declarou há três semanas, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva acorda todos os dias achando que será preso. Se vai ser mesmo, e quando, ninguém pode dizer. Mas, caso isso aconteça, já é certo que nem ele nem o PT serão pegos de calças curtas.
A defesa e o partido do ex-presidente montaram um roteiro pormenorizado para os minutos que se seguirem à entrada da Polícia Federal na cobertura de São Bernardo do Campo onde mora o petista. Depois de ouvir sete fontes, VEJA desvendou os detalhes já definidos da operação.
O plano de contingência do PT para o “Dia D” de Lula terá início em um grupo de WhatsApp batizado de “Tamoios”. O nome é uma referência à aliança formada por povos indígenas brasileiros no século XVI.
O grupo Tamoios de WhatsApp reúne cerca de quarenta pessoas, incluindo o presidente do PT, Rui Falcão, senadores do partido e os presidentes da CUT e do MST. Seu objetivo: dar uma demonstração de força do PT e conferir a Lula a aura de “injustiçado”.
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EDIÇÃO FALSA

O jornal "O Globo" informou que uma edição falsa da publicação foi distribuída nesta sexta-feira (31) no centro de São Paulo. Também havia exemplares disponíveis em bancas de jornal.
A edição, de oito páginas, trazia uma série de notícias falsas. O título do texto principal dizia: "Temer renuncia: eleições são convocadas". Havia ainda uma falsa entrevista com Sergio Moro.
Os exemplares eram datados de 1º de abril.
O jornal diz ter sido informado pela polícia de que um inquérito será instaurado na segunda-feira (3).
"'O Globo' vê no episódio uma atitude criminosa e vai tratar o assunto através de seu Departamento Jurídico", informou.
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GORDINHO MALUCO

WASHINGTON - A Coreia do Norte já ameaçou ir a guerra contra os EUA por muitos motivos: exercícios militares, supostas ameaças de invasão e interferência econômica. Mas a mais nova ameaça aos americanos veio após seu líder, Kim Jong-un, ter sido chamado pelo senador republicano John McCain de "gordinho maluco". Sob ataques verbais do regime, ele ainda ironizou o ditador e sua forma física.
— A China é a única que pode controlar Kim Jong-un, este garoto gordinho maluco que está chefiando a Coreia do Norte. Eles poderiam paralisar a economia norte-coreana em uma semana — disse McCain, herói de guerra e candidato presidencial em 2008, na rede MSNBC. — Não estamos lidando nem com alguém como (o ditador soviético) Josef Stalin, que tinha uma certa racionalidade na barbárie.
As declarações foram rebatidas pela agência estatal KCNA, que funciona como porta-voz do regime. Numa nota, a entidade atacou McCain e seu colega de Senado Ted Cruz que pediu que o país seja designado como um Estado apoiador do terrorismo.
"O que eles ousaram dizer fere a dignidade da liderança suprema da RPDC (sigla para República Democrática Popular da Coreia, como o país se identifica) e é apenas uma manifestação da sua pior hostilidade em relação à ideologia e sistema social da RPDC e seu povo, e uma grave provocação pouco antes de uma declaração de guerra", diz o comunicado.
Segundo a KCNA, "o pessoal de serviço e as pessoas da RPDC tratam a dignidade de seu líder supremo como sua vida e alma".
"Os EUA devem saber muito bem sobre como eles (o povo) reagem a quaisquer atos ofensivos contra ele. Como pessoas como John McCain e Ted Cruz fizeram uma provocação equivalente a declaração de guerra contra a RPDC, a RPDC vai tomar medidas para contorná-lo. Eles terão que sofrer amargamente as consequências desastrosas por sua imprudente língua solta, e então qualquer pesar por ela virá tarde demais. Eles terão que ser inteiramente responsáveis por sua imprudente língua solta", completa a nota, dizendo que o país cumprirá sua "missão sagrada de dar um golpe sem piedade contra quem fere a dignidade do líder supremo".
Após ter acesso à resposta, McCain aproveitou e a ridicularizou:
"O quê? Queriam que eu o chamasse de garoto magrinho maluco?", escreveu McCain no Twitter.
Em novembro, segundo a imprensa britânica, funcionários consulares da Coreia do Norte pediram à China que começasse a proibir seu usuários nas redes sociais de chamarem Kim de "gordinho". Ele é apelidado no país de "Kim gordinho, o terceiro", citando seu avô e seu pai, que também foram líderes norte-coreanos.
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DEMOCRACIA ÀS FAVAS

O Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) da Venezuela, máxima instituição do Judiciário e controlado pelo chavismo, assumiu nesta quinta-feira (30) as funções da Assembleia Nacional. A decisão, classificada pela oposição de "golpe de Estado", agravou a crise política no país.
Desde o início de 2016, a Justiça venezuelana considera que o Legislativo, sob controle da oposição, age em desacato à Constituição por ter juramentado três deputados do Estado de Amazonas acusados de fraude eleitoral. Embora a Câmara tenha exonerado os parlamentares posteriormente, o TSJ diz que o ato não foi formalizado.
Os três legisladores eram importantes porque, com eles, a oposição tinha a maioria qualificada de 112 das 167 cadeiras da Casa (dois terços). Isso permitiria aprovar emendas à Constituição, mudar leis orgânicas, como a de controle de preços, e inclusive remover a cúpula do próprio TSJ.
"Enquanto persistir a situação de desacato e invalidez das ações da Assembleia Nacional, esta Sala Constitucional garantirá que as competências parlamentares sejam exercidas diretamente por esta sala ou pelo órgão que ela definir, a fim de preservar o Estado de Direito", diz sentença publicada pelo TSJ na noite de quarta (29).
Na prática, isso significa que, por um prazo indeterminado, o tribunal pode escrever as próprias leis ou indicar um órgão que passe a legislar no lugar da Assembleia.
O gesto ocorre dois dias depois de o TSJ retirar a imunidade dos congressistas e autorizar o governo do presidente Nicolás Maduro a processar opositores por crimes militares e de terrorismo.
Opositores protestaram diante do TSJ e entraram em confronto com a polícia. Em outros pontos de Caracas, manifestantes bloquearam rodovias. Não foi divulgado se houve feridos nesses atos.
O presidente do Legislativo, Julio Borges, declarou que a decisão é um "golpe de Estado" e dá a Maduro "poder de fazer o que quiser".
Borges também pediu que as Forças Armadas reajam e convocou manifestações para o sábado (1º)."Esperamos que o povo nos acompanhe. Sabemos que há medo e repressão, mas este é o momento para nos levantarmos. A Venezuela tem fome de comida, justiça e liberdade."
O governista PSUV (Partido Socialista Unido da Venezuela) considera a sentença necessária para "preservar o Estado de Direito ante o desacato do Legislativo".
O deputado Diosdado Cabello, número dois do chavismo, atacou os "lacaios da direita e o imperialismo norte-americano" que, para ele, pedem uma intervenção militar. Maduro não se manifestou até o momento.
REUNIÃO DA OEA
O secretário-geral da OEA (Organização dos Estados Americanos), Luis Almagro, classificou de "autogolpe" a decisão do TSJ e convocou reunião urgente do Conselho Permanente da organização.
"As sentenças da Suprema Corte são os últimos golpes com os qu o regime subverte a ordem constitucional. Aquilo que vínhamos advertindo infelizmente se concretizou."
Na terça (28), os membros da OEA se reuniram em Washington, após pedidos de Almagro e da oposição venezuelana, para discutir a suspensão do país por violar a Carta Democrática Interamericana.
O encontro terminou sem acordo, mas 20 países, inclusive o Brasil, assinaram declaração na qual expressaram "preocupação" com a crise e reconheceram a autoridade da Assembleia. Os chavistas comemoraram a falta de quórum para uma punição.
Desde que comanda a Assembleia, a oposição tenta antecipar as eleições presidenciais, marcadas para o final de 2018. O primeiro recurso foi tentar convocar um referendo que revogaria o mandato de Maduro, mecanismo previsto na Constituição.
Em outubro, porém, a Justiça bloqueou o processo para a consulta, impedindo que houvesse a votação antes de 10 de janeiro, quando o presidente chegou a dois terços de seus seis anos de mandato. A partir daí, se Maduro fosse derrubado, quem assumiria é seu vice, hoje o chavista radical Tareck el-Aissami.
Eleições locais, que deveriam ter ocorrido em dezembro, também foram adiadas duas vezes: uma em outubro, sob a justificativa de falta de verba, e outra em fevereiro, para recadastramento de partidos.
REAÇÕES
Em nota divulgada nesta quinta (30), o Itamaraty "repudiou a sentença" do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) da Venezuela e a considerou um "claro rompimento da ordem constitucional".
"As decisões do TSJ violam [o princípio da independência dos poderes] e alimentam a radicalização política no país", diz o documento.
O Brasil afirmou, porém, que "a responsabilidade primária de inverter o rumo da crise cabe hoje ao próprio governo venezuelano".
O governo dos EUA acusou o TSJ de "usurpar" os poderes do Legislativo e "romper as normas democráticas e constitucionais".
"Nós consideramos [a decisão da corte] um retrocesso sério para a democracia na Venezuela", diz um comunicado do Departamento de Estado americano.
Em conversa com jornalistas na quarta-feira (29), um alto funcionário do Departamento de Estado deixou claro que os EUA apostam na OEA (Organização dos Estados Americanos) como o "veículo apropriado para tentar considerar os próximos passos" sobre a Venezuela.
Questionado pela Folha sobre que papel o governo Trump espera do Brasil diante da crise no país vizinho, o diplomata disse que Washington não vai "ditar" um papel específico para o governo brasileiro, mas que espera o apoio do Brasil à OEA "como o canal apropriado para buscar uma solução".
Em protesto às ações do governo venezuelano, a chancelaria do Peru anunciou a "retirada de maneira definitiva" de seu embaixador em Caracas. O presidente peruano, Pedro Pablo Kuczynski, afirmou que "a América Latina é democrática" e que "é inaceitável o que está acontecendo na Venezuela".
A ministra de Relações Exteriores venezuelana, Delcy Rodríguez, rebateu, afirmando que "rechaça o apoio grosseiro do governo peruano aos setores violentos e extremistas da Venezuela" e citou um "plano da direita na região para atacar o sistema democrático venezuelano".
A Chancelaria da Argentina expressou sua "preocupação" com a situação na Venezuela e pediu que o governo "retome o diálogo" para resolver a crise no país.
O ministro de Relações Exteriores do Chile, Heraldo Muñoz, também manifestou preocupação "ante o agravamento da crise política". Horas depois, a presidente Michelle Bachelet convocou o embaixador chileno em Caracas para consultas.
A Chancelaria da União Europeia disse que a separação de poderes é crucial para retomar a estabilidade e pediu um "calendário eleitoral claro e respeito à Assembleia".
Diferentemente do informado anteriormente, o órgão eleitoral venezuelano cancelou duas vezes as eleições regionais: em outubro e fevereiro, não em dezembro. Apenas na segunda a justificativa foi recadastramento dos partidos.
A Justiça venezuelana também não suspendeu a votação da Assembleia Nacional pelo abandono de cargo de Maduro. O TSJ proibiu, mas a votação ocorreu, embora tenha sido anulada dias depois.
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AGRESSÃO FÍSICA

Casada há quase cinco anos com o senador Lasier Martins (PSD-RS), a jornalista Janice Santos, de 38 anos, prestou queixa na Delegacia Especial de Atendimento à Mulher, em Brasília, contra o marido por agressão física. O senador diz que o casal está em processo de separação, que não a agrediu e que é vítima de chantagem. As informações são do Correio Braziliense.
Janice denunciou Lasier à polícia na última terça-feira, quando passou por exame de corpo de delito. Estava acompanhada da empregada doméstica, que levou como testemunha. No depoimento, a jornalista afirmou que não foi a primeira vez que foi agredida pelo companheiro, a quem classificou como um homem “violento e agressivo”. Ela contou que teve as pernas chutadas pelo senador e as mãos pressionadas por ele enquanto segurava um porta-joias. Disse, ainda, que foi xingada e humilhadas várias vezes pelo marido e que foi agredida na barriga, em outra briga, enquanto se recuperava de uma cirurgia na região.
Em entrevista ao Correio, Lasier contestou as declarações da esposa. “Ela partiu para cima de mim e eu apenas reagi para me defender, sem agredi-la. Ela mesmo se cortou e passou sangue em mim. Ela é louca. Está me chantageando por conta do divórcio. Não tenho dúvida de que a polícia vai apurar o caso e concluir que não fiz absolutamente nada”. O senador afirma que a doméstica o procurou para dizer que havia se recusado a “mentir” para a delegada. “Ela estava no local e não viu nenhuma agressão, pois isso não aconteceu”, afirmou.
Em nota enviada ao Congresso em Foco por meio de sua assessoria, o senador diz estar triste com o episódio e reiterou não ter praticado qualquer ato de agressão:
“A propósito de ocorrência policial registrada por sua mulher Janice, o senador Lasier Martins informa que está em processo judicial de separação litigiosa no Foro do Distrito Federal. Esclarece que não houve a alegada agressão física, mas ações e manobras da mulher no sentido de tirar proveito em tentativa de acordo no processo judicial. O senador está triste com o acontecimento e aguarda o andamento do processo judicial onde apresentará provas de sua inocência.”
Choque na TV
Um dos principais nomes da RBS, afiliada da Rede Globo no Rio Grande do Sul, Lasier chegou ao Senado em fevereiro de 2015, após conquistar o seu primeiro mandato eletivo. A advogada da jornalista não quis comentar a denúncia da cliente contra o senador.
Antes de entrar para a política, ele ficou conhecido nacionalmente após a divulgação de um vídeo na internet em que aparece tomando um choque ao encostar em uma parreira energizada durante transmissão ao vivo da Festa da Uva, em 2000. Eleito em 2014 pelo PDT, ele se filiou ao PSD no ano passado após seguidos desentendimentos com a direção nacional do partido. Ele foi um dos pedetistas que votaram a favor do impeachment de Dilma, posição que contrariou a cúpula partidária.
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FOLHA FRAUDADA

Do Blog do Fausto Macedo, O Estado de S.Paulo
A Assembleia Legislativa de Alagoas (AL) declarou em 2010 o triplo de servidores do que realmente possuía e para manter um esquema de desvio de verbas por meio de funcionários fantasmas e até 220 beneficiários do Bolsa Família. As informações foram reveladas pela Operação Sururugate, que fez buscas e apreensões na Diretoria Financeira e de Recursos Humanos da Assembleia Legislativa de Alagoas.
Naquele ano, o Legislativo estadual mantinha junto à Caixa Econômica Federal, que gere as contas dos servidores da AL, o número de 2400 funcionários. Perante o Ministério do Trabalho, contudo, foi constatado que a assembleia possuía, de fato, 800 servidores em sua folha de pagamento. As disparidades, segundo o superintendente regional da Polícia Federal em Alagoas Bernardo Gonçalves de Torre se mantiveram durante todo o período investigado, de 2010 a 2013. Neste tempo, afirma, a folha de pagamento da AL ficou em torno de R$ 100 milhões.
“De acordo com as informações prestadas pela assembleia ao Ministério do Trabalho essa folha era bem menor, de R$ 40 milhões, por exemplo”, afirma o delegado, explicando que foi a partir destas disparidades que as investigações avançaram e a CGU realizou uma auditoria com os bancos de dados do governo federal sobre beneficiários do Bolsa Família e outros programas sociais.
A operação deflagrada ontem foi autorizada pelo Tribunal de Justiça de Alagoas e envolve nove deputados estaduais e um ex-deputado que teriam se beneficiado do esquema. O processo, contudo, tramita em sigilo e os nomes não foram divulgados. De 2010 a 2013 foi constatado, por exemplo, que os pagamentos da AL a pessoas cadastradas em programas sociais do governo federal, como o Bolsa Família, somaram R$ 15 milhões.
Ao todo, de acordo com o delegado Torres, foram constatados 220 beneficiários do Bolsa Família vinculados à Assembleia neste período. “Se a pessoa recebe benefícios do Bolsa Família, obviamente não pode ser funcionário da Assembleia, onde eles recebem salários altos, de R$ 10 mil até R$ 17 mil”, disse.
Deste número, foi feita uma auditoria em 80 casos em que foram constatadas diferentes situação. Havia desde pessoas que trabalhavam na assembleia e recebiam indevidamente o benefício, até “laranjas” que emprestavam o nome e em troca recebiam uma quantia simbólica, de até R$ 300 sem trabalhar na assembleia. A PF identificou ainda casos de mais de 30 pessoas que moram em outros Estados e sequer sabiam que eram “funcionários” da assembleia.
Dos 80 investigados, 41 afirmaram que sequer tinham conhecimento que seus nomes constavam na folha de pagamento da AL. Outros 39 admitiram que emprestaram o nome para o esquema mas, na prática, eram funcionários fantasmas. “Tivemos um caso de uma agricultora em condições de vulnerabilidade, que recebia Bolsa Família e teria recebido no período um salário mensal de R$ 24 mil da assembleia, mas só recebia, de fato, R$ 700 em seu trabalho no campo e não trabalhava na assembleia”, contou o delegado Torres.
A reportagem tentou contato reiteradas vezes com a assessoria da assembleia ontem durante todo o dia, mas não obteve retorno. Também foi encaminhado e-mail para a assessoria da Casa, mas sem resposta até o momento. Após a operação de ontem, a assembleia divulgou uma nota em seu site:
COM A PALAVRA, A ASSEMBLEIA DE ALAGOAS:
“A Assembleia Legislativa foi alvo, nesta manhã, de ação de cumprimento de mandado judicial, referente a uma investigação circunscrita ao período de 2010-2013. Preliminarmente, o Poder assim se manifesta:
2-Sobre a acusação de suposta presença de beneficiários do Bolsa Família na folha de pessoal, causa espécie a constatação da falta de integração e de acesso das demais esferas de poder ao cadastro do mencionado Programa, que é de responsabilidade federal. A restrição é tanta que o próprio Congresso Nacional já discute projeto de lei pelo qual garante ao cidadão o acesso a essa listagem;
3-A atual Mesa Diretora desconhece que tenha havido qualquer requisição administrativa, visando um confronto sistemático da folha de pessoal com o cadastro do Bolsa Família. Nos últimos tempos, vem atendendo, de pronto, diversos pedidos pontuais efetuados por órgãos de investigação;
4-AO recomendar prudência em relação às informações extraídas de contexto, a atuai mesa Diretora, por fim, vê com naturalidade a ação investigativa. Afirma encontrar-se aberta à criação de novos mecanismos de controle interno e reitera o compromisso de colaborar com O esclarecimento da verdade.”
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CUNHA CONDENADO

Do Blog do Fausto Macedo, O Estado de S.Paulo
O juiz federal Sérgio Moro condenou nesta quinta-feira, 30, o ex-presidente da Câmara responsável por aceitar o processo de impeachment de Dilma Rousseff (PT) Eduardo Cunha (PMDB) por crimes de corrupção, de lavagem e de evasão fraudulenta de divisas, 15 anos e 4 meses de prisão na Operação Lava Jato. O peemedebista foi condenado em ação penal sobre propinas na compra do campo petrolífero de Benin, na África, pela Petrobrás, em 2011.
Moro determinou ainda que ‘deverá Eduardo Cosentino da Cunha responder preso cautelarmente eventual fase recursal’.
“Entre os crimes de corrupção, de lavagem e de evasão fraudulenta de divisas, há concurso material, motivo pelo qual as penas somadas chegam a quinze anos e quatro meses de reclusão, que reputo definitivas para Eduardo Cosentino da Cunha. Quanto às penas de multa, devem ser convertidas em valor e somadas”, condenou Moro.
O magistrado da Lava Jato afirmou ainda. “Considerando as regras do artigo 33 do Código Penal, fixo o regime fechado para o início de cumprimento da pena. A progressão de regime para a pena de corrupção fica, em princípio, condicionada à efetiva devolução do produto do crime, no caso a vantagem indevida recebida, nos termos do artigo 33, §4º, do Código Penal.”
Eduardo Cunha foi preso preventivamente por ordem do juiz federal Sérgio Moro em 19 de outubro, em Brasília.
Os valores da propina a Eduardo Cunha teriam saído da compra, pela Petrobrás, de 50% dos direitos de exploração de um campo de petróleo em Benin, na África, no valor de US$ 34,5 milhões. O negócio foi tocado pela Diretoria Internacional da estatal, cota do PMDB no esquema de corrupção.
Segundo a sentença, ‘a prática do crime corrupção envolveu o recebimento de cerca de US$ 1,5 milhão, considerando apenas a parte por ele recebida, o que é um valor bastante expressivo, atualmente de cerca de R$ 4.643.550,00’. O prejuízo estima à Petrobrás, pela compra do campo de petróleo, afirmou Moro, é de cerca de US$ 77,5 milhões, segundo a Comissão Interna de Apuração da estatal.
“A corrupção com pagamento de propina de US$ 1,5 milhão e tendo por consequência prejuízo ainda superior aos cofres públicos merece reprovação especial. A culpabilidade é elevada. O condenado recebeu vantagem indevida no exercício do mandato de deputado federal, em 2011”, observou Moro.
“A responsabilidade de um parlamentar federal é enorme e, por conseguinte, também a sua culpabilidade quando pratica crimes. Não pode haver ofensa mais grave do que a daquele que trai o mandato parlamentar e a sagrada confiança que o povo nele deposita para obter ganho próprio. Agiu, portanto, com culpabilidade extremada, o que também deve ser valorado negativamente.”
Perguntas. Em alegações finais, parte derradeira do processo antes da sentença, entregue à Justiça Federal na segunda-feira, 27, a defesa de Eduardo Cunha alegou cerceamento de defesa. No documento o peemedebista alega que houve cerceamento ao ter suas perguntas ao presidente Michel Temer (PMDB) indeferidas.
Ao sentenciar o ex-deputado, o juiz federal Sérgio Moro apontou para as perguntas de Cunha. Segundo o magistrado, os questionamentos de Eduardo Cunha ‘nada diziam respeito ao caso concreto’.
Na sentença, Moro destacou três perguntas em que Eduardo Cunha citava José Yunes, amigo do presidente Michel Temer.
“35 – Qual a relação de Vossa Excelência com o Sr. José Yunes?
36 – O Sr. José Yunes recebeu alguma contribuição de campanha para alguma eleição de Vossa Excelência ou do PMDB?
37 – Caso Vossa Excelência tenha recebido, as contribuições foram realizadas de forma oficial ou não declarada?”
Para Moro, os questionamentos eram ‘absolutamente estranhos ao objeto da ação penal’ e ‘tinham por motivo óbvio constranger o Exmo. Sr. Presidente da República e provavelmente buscavam com isso provocar alguma espécie intervenção indevida da parte dele em favor do preso’.
“Além de não ter este Juízo competência para apurar condutas do Exmo. Sr. Presidente da República, não se pode permitir que o processo judicial seja utilizado para que a parte transmita ameaças, recados ou chantagens a autoridades ou a testemunhas de fora do processo. Não se trata, portanto, de cerceamento de defesa, mas de coibir a utilização do processo para fins estranhos e escusos pelo acusado”, destacou o juiz da Lava Jato.
COM A PALAVRA, O ADVOGADO MARLUS ARNS QUE DEFENDE EDUARDO CUNHA
A defesa vai recorrer ao TRF4.
COM A PALAVRA, A ASSESSORIA DE IMPRENSA DO PRESIDENTE MICHEL TEMER
A assessoria de imprensa informou que o presidente não vai se manifestar.
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MANDATO CASSADO

O Tribunal Regional Eleitoral do Pará (TRE-PA) cassou o mandato do governador do estado, Simão Jatene (PSDB), e do vice, Zequinha Marinho (PSC). Por 4 votos a 2, a Corte condenou o governador por abuso de poder econômico.
O Ministério Público Eleitoral acusa o governador de irregularidades em programas de habitação durante as eleições de 2014, como a entrega de cheque-moradia a eleitores que prometeram voto a Jatene e Zequinha. A chapa também é acusada de uso indevido de meios de comunicação.
Como ainda cabe recurso, a perda de mandato não é imediata. O afastamento só ocorre se o Tribunal Superior Eleitoral mantiver a decisão de cassar o governador. Simão Jatene está no terceiro mandato como chefe do Executivo estadual. O governador ainda não se pronunciou sobre a decisão do TRE.
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NA CALADA DA NOITE

Na calada da noite, há exatos 53 anos o país era surpreendido com o golpe militar que tirou do governo, o presidente da República, João Goulart.  Com o golpe militar de 1964, a censura foi instalada, perseguição, tortura e morte para aqueles que discordavam da forma que o governo dos generais conduzia a Nação. A partir daí, o Brasil passou a viver os anos de chumbo.
Duas décadas de atrocidades contra políticos, estudantes, artistas, escritores e civis que discordavam do regime ditatorial implantado no país sob o comando dos militares que colocaram no poder, o general Castelo Branco, o primeiro linha-dura da ditadura.
Hoje é um dia para refletirmos sobre as agruras que nossos irmãos brasileiros passaram naquelas duas décadas sombrias. Alguns foram exilados, outros saíram para comprar cigarro ou um café e nunca mais voltaram. Metaforicamente, eles sumiram num rabo de foguete como diz trecho da canção O Bêbado e o Equilibrista, de João Bosco e Aldir Blanc.
Não podemos esquecer esse momento escuro da história do país e as novas gerações não podem deixar de saber que um dia tivemos nossa liberdade de expressão cerceada. Qualquer forma de censura deve ser combatida, eliminada.
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PRISÃO DECRETADA

Mônica Bergamo, Folha de S.Paulo
A Justiça Federal decretou na quinta (30) a prisão do ex-delegado da Polícia Federal e ex-deputado Protógenes Queiroz.
A juiza substituta Andréia Moruzzi tomou a decisão depois que Protógenes não compareceu a uma audiência, no começo de março, em que seria estabelecida a forma de ele cumprir pena a que já estava condenado anteriormente, de prestação de serviços, por ter vazado dados da Operação Satiagraha à imprensa.
Depois da condenação, Protógenes pediu asilo na Suíça, alegando perseguição. Ele hoje vive naquele país.
"Como ele está na Suîça, está com passaporte retido e poderia cumprir pena apenas lá. Explicamos isso à Justiça. Ele não se negou a colaborar nem a cumprir a pena", diz o advogado do ex-delegado, Adib Abdouni. "Além disso, ele fez uma cirurgia na perna e não poderia viajar ao Brasil para participar da audiência", segue.
O advogado tentará suspender a medida por meio de habeas corpus.
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segunda-feira, 27 de março de 2017

A GRANDE HISTÓRIA DE TANCREDO NEVES

Elio Gaspari, Folha de S.Paulo
Nas próximas semanas chegará às livrarias "Tancredo Neves, O Príncipe Civil", do repórter Plínio Fraga. Uma biografia daquele mineiro miúdo, culto e conciliador é sempre algo mais do que uma visita ao passado. É também uma iluminação para o presente. Tancredo Neves (1910-1985) foi eleito presidente da República, adoeceu e só entrou no Planalto morto.
Arquiteto da grande conciliação de 1984, a única que partiu da oposição, Tancredo, um civil, foi a maior figura política do período em que o Brasil era governado por generais. Olhando-se para o enrosco da política de hoje, sente-se a falta que faz um Tancredo. O que ele faria? Sabe-se lá, mas ele saberia.
Plínio Fraga reconstruiu a figura do político conservador que viveu numa oposição legal que abrigava a esquerda, o democrata intransigente, conciliador com lances de inesperada inflexibilidade. Depois da grande campanha pelas eleições diretas, ele se elegeu presidente pelo sistema indireto. O livro de Fraga mostra, aos poucos, como ele operava essa mistura. O menino Tancredo teve um pajem, o negro Custódio, neto da cozinheira dos Neves, que continuou com a família depois da Abolição. Custódio ficou com os Neves até morrer, aos 90 anos, anexando o sobrenome dos velhos senhores. Sabendo-se disso, conhece-se a alma patriarcal de Tancredo.
Fraga revirou arquivos da família, do Departamento de Estado e do Serviço Nacional de Informações, entrevistou dezenas de pessoas e produziu um cartapácio de 648 páginas, dividido em capítulos curtos. Um trabalho desse tamanho carrega sempre imprecisões, felizmente pouco relevantes. Juarez Távora não combateu com a Força Expedicionária Brasileira e na fotografia da posse de Tancredo como ministro da Justiça, em 1953, o chefe da Casa Civil Lourival Fontes está na legenda, mas não está na cena.
"O Príncipe Civil" faz revelações relevantes de fatos que sempre circularam à boca pequena no andar de cima, desde que não fossem contados à turma de baixo. Segredos que os Polichinelos administraram por mais de 30 anos.
Fraga expôs a caixa da campanha de Tancredo. Maluf, seu adversário, era acusado de ser "o candidato do milhão". A caixa de Tancredo foi gorda, abastecida por dezenas de endinheirados, entre eles o empreiteiro Sebastião Camargo e o industrial Jorge Gerdau. Na equipe de coletores estiveram os empresários Sergio Quintella e João Pedro Gouvea Vieira, mais Tancredo Augusto, filho do próprio candidato, e José Hugo Castello Branco, que viria a ser chefe da Casa Civil do novo governo. Lá estava também o banqueiro Ronaldo Cezar Coelho, que hoje é freguês da Lava Jato.
Estima-se que a caixa de Tancredo tenha amealhado o equivalente a US$ 45 milhões em dinheiro de hoje. A maior parte desse dinheiro foi gasta. Talvez tenham sobrado uns US$ 10 milhões. Cadê? Teriam ido para instituições de caridade ou para Risoleta, viúva de Tancredo.
"Conversa fiada", disse Tancredo Augusto a Plínio Fraga. Ele acrescenta, referindo-se a um depositário das "sobras": "Filho da puta".
Uma pessoa devolveu um cheque dessa caixa. Foi Antônia Gonçalves de Araújo, a poderosa secretária de Tancredo. Essa é a segunda exposição de Fraga. "Dona Antônia", uma bonita morena, era funcionária do Congresso e conheceu Tancredo em 1971. Ela tinha 38 anos, ele 61. A relação dos dois durou até 1985. Foi um romance diferente daqueles que Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek e Fernando Henrique Cardoso tiveram fora de seus casamentos. "Dona Antônia" era também a chefe de gabinete do "Doutor Tancredo" e por alguns meses foi a mulher mais poderosa da República. Mencionar seu nome demonstrava prestígio, revelar sua condição, suicídio.
Fraga entrevistou "Dona Antônia". Aos 84 anos, ela tem na parede de sua sala o ato de Tancredo nomeando-a secretária do presidente da República. Antônia fala ao longo de sete páginas emocionantes, sobretudo quando conta como conseguiu entrar no hospital, à sorrelfa, para se despedir de Tancredo.
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domingo, 26 de março de 2017

DOENÇAS DA CARNE, DOENÇAS DA ALMA

Artigo de Fernando Gabeira
Quando menino, ouvia muito essa frase: ou o Brasil acaba com a saúva ou a saúva acaba com o Brasil. Envelheci, nenhum dos dois acabou, nem a saúva nem o Brasil. Por isso, sou bastante contido ao falar da corrupção no país. Desde a década de 1990, limito-me a afirmar aos amigos que a corrupção iria inviabilizar nosso futuro.
Alguns discordavam. Suas teses enfatizavam a importância das conquistas sociais e afirmavam que, num contexto de grande progresso, a corrupção não seria mais do que uma nota de pé de página na História do Brasil contemporâneo.
Naquele momento, preocupava-me a degradação do sistema político: a perda de credibilidade iria nos jogar numa crise sem precedentes. O século virou. Com o assalto à Petrobras ficou evidente um outro lado da corrupção: seus danos à economia nacional. A crise econômica e o desemprego acabaram demonstrando que as conquistas sociais eram uma nota de pé de página numa gigantesca história de corrupção.
De um ponto de vista técnico, equipamentos e competência, não havia nada de errado na Petrobras. O sistema de produção de carnes no Brasil, referendado por inspeções internacionais, vive um momento dramático de credibilidade aqui e no exterior. A maior empresa do Brasil foi devastada pela corrupção. Agora, o comércio exterior do país sofre um golpe temporário. Para mim, a corrupção reaparece num novo cenário para demonstrar a tese do fim do século XX: se não for atacada de verdade, ela inviabiliza o país moral e economicamente.
As denúncias da PF talvez não tenham sido bem entendidas. Ou melhor, alguns críticos fixaram-se em alguns pontos e fugiram de outros que me parecem decisivos. Em primeiro lugar, mesmo sem papelão, mesmo acreditando que o ácido ascórbico não provoca o câncer, de um ponto de vista sanitário havia de algo muito grave ali. A presença de salmonela na carne deveria nos preocupar. Era uma carne para exportação. Se não fosse evitado esse lance, a credibilidade corria um risco muito maior.
Outro ponto preocupante é o uso de animais não abatidos, isto é, mortos em diferentes circunstâncias. Essa denúncia mencionada pelos federais coincide com depoimentos anônimos na internet de ex-funcionários de frigoríficos. A ingestão de animais mortos foi um grande tema quando se discutiu a doença da vaca louca na Europa.
Tudo isso pode ser esclarecido, mas não é o centro. O problema é o uso político das agências de fiscalização. Segundo os jornais, 19 entre 26 estão aparelhadas pelos partidos. Na primeira intervenção sobre o tema, escrevi, com outras palavras, que Temer ofereceu um churrasco para os embaixadores estrangeiros, e eles entenderam que era uma pizza.
A denúncia principal da PF era de corrupção. Isto preocupa mais os observadores do que a estrutura técnica da produção. Eles precisam confiar nas autoridades locais, porque não há condições de fiscalizar tudo que entra num país. O governo brasileiro não deu uma resposta para isso, exceto a demissão de alguns superintendentes. A resposta adequada é despolitizar todas as agências fiscalizadoras, garantindo eficiência e imparcialidade.
Por não ser capaz de demitir o ministro da Justiça, de questionar o da Agricultura, de ordenar a retirada de afilhados políticos, Temer trilhou o caminho mais difícil, escorando-se nos números para afirmar que o problema era pontual, mas omitindo o aspecto sistêmico: a presença de políticos em cargos onde não deveriam estar.
Um dos principais frigoríficos envolvidos, a JBS invade nossas telas garantindo sua competência técnica e a modernidade de seus processos. Quanto mais afirmam isso, quanto mais gente de uniforme branco imaculado nas telas, mais se escondem de seu verdadeiro problema: as relações incestuosas com os partidos políticos, especialmente com o PT. A JBS deve à Previdência, tomou empréstimos no BNDES, entrou no dinheiro do FGTS. Ela, na verdade, agiu no espaço público com mais desenvoltura do que uma estatal. E entupiu os partidos políticos, PT à frente, com mais de R$ 50 milhões na campanha eleitoral. E foi um caminho rude, passando o trator nos pequenos frigoríficos, impondo aos vendedores de gado condições draconianas.
Se vi bem, Temer usou um chapéu branco de garçom numa selfie de churrascaria. É uma ideia promissora. Se ao lado dele viessem todos de branco, os donos da JBS e BRF e os políticos que controlam as agências poderiam trazer na mão suculentos nacos de carne e dizer:
— Não existe nada de errado com ela. O problema somos nós.
Olhando para trás, acho que, apesar de fraca, a carne resistiu alguns anos. Antes dela desapareceram a decência na política, o respeito aos fatos, tudo engolfado pela corrupção: petróleo, hidrelétricas, nuclear, empreiteiras até joalherias, é a paisagem depois de batalha.
Já escondidos atrás do foro privilegiado, os políticos querem se esconder de novo atrás de listas fechadas, anular provas da delação da Odebrecht, enfim voltar aos velhos tempos.
Não vão acabar com o Brasil. As saúvas não acabaram.
Artigo publicado no Segundo Caderno do Globo em 26/03/2017
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sexta-feira, 24 de março de 2017

A POLÍTICA DA CARNE

Artigo de Fernando Gabeira
Escândalos, como esse da carne, às vezes me alcançam no interior, com precária conexão. Na falta de detalhes, começo pelas ideias gerais. Por exemplo: como alimentar quase 10 bilhões de pessoas no meio do século?
Já é uma tarefa muito complexa – no meu entender, impossível – sem a produção de proteína animal. Há quem discorde disso e acredite que seria possível substituí-la. Mesmo assim, sempre haveria gente comendo carne por escolha.
Vegetarianos e carnívoros estão muito mais unidos do que se pensa quando se trata de segurança alimentar.
Em 2006, na Califórnia houve uma grande contaminação do espinafre produzida pela bactéria Escherichia coli (E.coli). Outras se verificaram nos EUA e no mundo.
O sistema de produção e distribuição de alimentos conseguiu ampliar a oferta, reduzir os preços e certamente livrou o planeta de muitas fomes. Já se produzem 20% mais calorias do que as necessárias para alimentar todo o mundo, apesar de um em cada sete habitantes do planeta ainda não ter o que comer.
Essa conquista mundial não seria possível sem produção em grande escala. E exatamente essa característica, que levou ao triunfo, é que revela seu ponto fraco: a vulnerabilidade diante de certo tipo de contaminação.
Segundo o escritor Paul Roberts, autor do livro A Fome que Virá, as mesmas cadeias de produção que constituem o supermercado mundial, e são capazes de colocar frutas, hortaliças e carnes nos dois Hemisférios em qualquer estação do ano, são um campo favorável para a expansão de patógenos alimentares como E.coli e salmonela.
O problema revelado pela Operação Carne Fraca ainda é de uma fase mais atrasada. É da corrupção de fiscais, algo que também já aconteceu em muitos países do mundo.
O abalo na credibilidade do sistema brasileiro foi inevitável, por vários fatores. O primeiro é que existe insegurança planetária mesmo quando o controle é honesto. E os dados lançados pela Polícia Federal são graves, por diversos aspectos.
As maiores empresas do Brasil estavam envolvidas. Elas podem dizer que casos de contaminação da carne são isolados. Mas suas ligações com a política são sistêmicas: a JBS, sobretudo, despeja milhões em campanhas eleitorais.
O relatório da Polícia Federal foi atacado por suas fragilidades: mistura da carne com papelão, algo que não parece viável, assim como apontar o ácido ascórbico como fator cancerígeno. No entanto, no mesmo relatório havia denúncias graves.
Uma delas é a presença de salmonela na carne. O governo afirma que é um tipo de salmonela tolerado. Duvido que os consumidores aceitem comer uma salmonela inofensiva – o que é até contestado cientificamente.
Houve outra denúncia, que passou em branco: o uso para consumo humano de animais não abatidos, mas mortos em outras circunstâncias. Isso é grave e, sobretudo depois da vaca louca, tem de ser fiscalizado com rigor.
Para sair dessa maré negativa no mercado internacional serão necessárias firmeza e transparência. Seria bom descartar teorias conspiratórias. Em 2006 vivemos um momento em que havia realmente algo inventado lá fora. Foi quando o Canadá insinuou que havia doença da vaca louca no Brasil. Foi uma pequena batalha diplomática. Lembro-me de que, apesar de vegetariano, participei de uma comissão que visitou a embaixada, foi ao Itamaraty e se preparava até para defender a carne brasileira lá mesmo, no próprio Canadá.
Esporadicamente, com uma ou outra notícia esparsa de febre aftosa, novas pressões vieram sobre o Brasil. Eram pressões positivas. Pediam o rastreamento do gado, um chip que contivesse as informações essenciais sobre o animal que seria abatido.
Alguns reagiram com a teoria conspiratória, pensando que era algo imposto por concorrentes para encarecer a carne brasileira. Uma década depois, os chips de rastreamento são vendidos à vontade, até pela internet. E fortalecem o sistema de controle.
Quando ficar claro, se ficar, que o problema é a escolha de fiscais por partidos políticos e essa relação for detonada, creio que o caminho para retomar a credibilidade se abre. De nada adianta impressionar os compradores estrangeiros com nossa estrutura física. Se acharem que a fiscalização depende de políticos, a desconfiança vai prevalecer.
De Luiz Eduardo a Petrolina, da Chapada dos Veadeiros ao Vale do Gurgueia, o agronegócio brasileiro que tenho visto é uma história de sucesso. Mas as empresas da carne que compram fiscais vão no sentido oposto de quem se garante pela competência. Isso pode representar um lucro. Mas estrategicamente conduz a um prejuízo sistêmico, a um abalo na exportação nacional. Ao darem as mãos aos partidos políticos, os grandes produtores de carne escolheram o caminho oposto ao da credibilidade.
É impressionante a cultura da dependência no Brasil. Mesmo um setor que poderia passar sem o governo não só se financia com dinheiro público, como destina uma parte para o processo eleitoral.
As delegações estrangeiras conhecem o equipamento instalado no Brasil para a produção da carne. O grande problema é a confiança na fiscalização local.
Dificilmente um país pode controlar todas as suas exportações. Segundo Paul Roberts, dos 300 milhões de toneladas de alimentos que os Estados Unidos importam, apenas 2% são fiscalizados. Não há fiscais para tudo.
Mas não é apenas a carne brasileira que está em foco, e sim o caráter dos funcionários do governo. Tanto no petróleo como na carne existem equipamentos e competência técnica. No entanto, os dois setores foram abalados pela corrupção política. Se Michel Temer quiser dar um na passo na recuperação da credibilidade, deve levar os embaixadores a uma churrascaria e dizer, como Rubem Braga diria: “This is not a pizza, this is a beef…”.
Artigo publicado no Estadão em 24/03/2017
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RECORDANDO PADRE CÍCERO

A cidade de Juazeiro do Norte, no Ceará celebra hoje o aniversário de 173 anos de Padre Cícero. Cícero Romão Batista nasceu no Crato, 24 de março de 1844 e faleceu em Juazeiro do Norte, 20 de julho de 1934. Carismático, Padre Cícero ou “Padim Ciço”, obteve grande prestígio e influência sobre a vida social, política e religiosa do Ceará e da Região Nordeste do Brasil.
Padre Cícero, foi o primeiro prefeito de Juazeiro do Norte, em 1911, quando o povoado foi elevado a cidade. Voltou ao poder, em 1914, quando o governador Marcos Rabelo foi deposto. No final da década de 1920, o Padre Cícero começou a perder a sua força política, que praticamente acabou depois da Revolução de 1930. Seu prestígio como santo milagreiro, porém, aumentaria cada vez mais.
Em 1° de novembro de 1969 no alto do Horto, em Juazeiro do Norte foi erguido uma estátua (a terceira maior do mundo) em homenagem ao Padre Cícero Romão Batista. Em 22 de março de 2001 “Padim Ciço” foi eleito o cearense do século.
A trajetória religiosa e política de Padre Cícero é relatada na excelente biografia Padre Cícero: poder, fé e guerra no sertão, do jornalista Lira Neto. A obra é primorosa, resultado trabalho intenso de dez anos de pesquisa, baseada em documentos raros e inéditos tornam a biografia a mais completa obra sobre a vida do mais amado e controvertido religioso que o Brasil já teve, Padre Cícero, para os romeiros e fiéis, o “Padim Ciço”.
Clique aqui e ouça a música Viva meu Padim, composta pelo Rei do Baião, Luiz Gonzaga e João Silva para homenagear Padre Cícero. A canção tem a participação especial de Benito di Paula.
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quarta-feira, 22 de março de 2017

ATAQUE TERRORISTA

Um ataque terrorista deixou ao menos quatro mortos, incluindo o agressor, e vários feridos e fechou o Parlamento britânico na tarde desta quarta-feira (22), em uma área das zonas mais turísticas de Londres.
Mark Rowley, chefe das operações antiterroristas da Polícia Metropolitana de Londres, confirmou que o suspeito está entre as quatro vítimas. Um dos mortos é um policial; outras duas pessoas morreram na ponte Westminster. Pelo menos 40 pessoas ficaram feridas. Rowley disse ainda que a polícia acredita que o terrorista agiu sozinho.
Inicialmente, foi informado que cinco pessoas morreram no ataque, mas o número foi revisado para quatro no fim do dia: uma mulher de 43 anos, um homem de cerca de 50, o policial que foi esfaqueado e o autor do atentado.
O ataque começou na ponte Westminster, que cruza o rio Tâmisa e dá acesso ao Parlamento, onde pessoas foram atropeladas por um carro. Em seguida, o motorista bateu contra as grades do Parlamento e teria tentado entrar no prédio com uma faca antes de ser atingido pela polícia nos jardins do Parlamento, onde feriu policiais, e levado a um hospital, onde morreu.
A morte de uma mulher, que teria sido encontrada debaixo das rodas de um ônibus, foi confirmada pelo St Thomas' Hospital. O hospital também afirmou que alguns dos feridos estão em situação "catastrófica".
 A primeira-ministra do país, Theresa May, se encontrava no Parlamento na hora do incidente, que ocorreu depois da sessão semanal na Câmara de perguntas à premiê. Ela vai conduzir uma reunião de emergência do comitê de segurança do governo nesta quarta-feira.
Em nota, o governo brasileiro informou que não há registro de brasileiros entre as vítimas.
Testemunhas afirmam que dois policiais teriam tentado conter o autor do ataque, aparentemente um homem de meia-idade, sendo que um deles caiu no chão logo depois.
"O outro começou a pedir ajuda, enquanto o agressor prosseguia sua corrida rumo à entrada do Parlamento. Dois homens à paisana e armados com pistola primeiro o intimaram a parar, depois dispararam duas ou três vezes, e ele caiu", contou à rede BBC a testemunha Quentin Letts. Segundo ele, o homem era robusto e estava vestido de preto.
Três estudantes franceses estão entre os feridos, informou o primeiro-ministro da França, Bernard Cazeneuve. Segundo o Ministério das Relações Exteriores, os alunos são da escola Saint-Joseph de Concarneau, de Finistère, que fica na região da Bretanha.
Uma mulher foi retirada do rio Tâmisa viva após o atentado e está em tratamento com ferimentos graves. Ainda não está claro se ela caiu ou saltou da ponte durante o atropelamento. O rio foi fechado para todo tráfego não emergencial na área.
A Polícia Metropolitana de Londres disse que está tratando o incidente como "terrorismo" e confirmou que seus agentes foram acionados às 14h40 (11h40 de Brasília) e foram para a ponte Westminster. "Os policiais --incluindo policiais armados-- permanecem no local e nós estamos tratando isto como um incidente terrorista até que tenhamos informações contrárias," disse a polícia em comunicado.
Um helicóptero pousou no gramado em frente ao edifício para participar do atendimento aos feridos. Ambulâncias e carros de polícia cercaram a região, que ficou completamente fechada.
A estação metrô de Westminster que fica perto do local também foi fechada a pedido da polícia. A London Eye, a roda gigante que é uma atração turística e que fica oposta ao Parlamento, do outro lado da ponte, foi fechada com vários turistas ainda a bordo. Eles tiveram que aguardar cerca de três horas até que pudessem desembarcar.
As entradas do Palácio de Buckingham, residência oficial da rainha Elizabeth 2ª, foram fechadas após o ataque no Parlamento do Reino Unido. A sede da monarquia também teve sua segurança reforçada. A monarca estaria dentro do edifício.
Pelo Twitter, o premiê francês, François Hollande, expressou "solidariedade" aos britânicos neste momento "terrível" e disse que todos os franceses estão "prestando apoio" ao país.
O ataque aconteceu no mesmo dia em que a Bélgica e as instituições da União Europeia homenagearam as vítimas dos atentados terroristas de Bruxelas, ocorrido há um ano e que deixaram 32 mortos e 320 feridos.
Além disso, o tiroteio ocorreu um dia depois que, por motivos de segurança, o Reino Unido se somou aos Estados Unidos na decisão de proibir computadores portáteis e outros aparelhos eletrônicos nas bagagens de cabine de alguns voos diretos procedentes de Turquia, Líbano, Jordânia, Egito, Tunísia e Arábia Saudita.
O Parlamento autônomo da Escócia cancelou nesta quarta-feira a sessão na qual decidiria se apoiaria um novo referendo sobre a independência do Reino Unido, após o incidente.
Depois de uma hora de debate, o presidente da Câmara de Holyrood, em Edimburgo, Ken Macintosh, determinou a suspensão da sessão até uma data ainda não determinada.
O nível de alerta terrorista no Reino Unido foi elevado desde agosto de 2014 a "severo", o quarto em uma escala de 5.
Do UOL, com agências internacionais.
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segunda-feira, 20 de março de 2017

NAÇÃO BLOGUEIRA

A blogosfera está em festa, 20 de março é Dia do Blogueiro. Um levantamento divulgado no caderno Link do O Estado de S. Paulo, mostra que em 2010 eram mais de 146 milhões de blogs no mundo. Em 2012, a estimativa era que chegasse a 150 milhões. No início de 2013, os recentes dados surpreenderam essa estimativa, que  ultrapassou a casa dos 152 milhões. Hoje, somos mais de 155 milhões.
Em língua portuguesa, a blogosfera ainda dar os primeiros passos, apenas 2% deles estão nessa linguagem — o japonês é a língua mais falada (37%), e o inglês, o segundo (36%). Com 48%, os EUA aparecem no topo da lista. Apenas 10% estão na Ásia. Outro fato interessante: 67% dos blogueiros são homens.
Em 2013, dados divulgados pelo site Technorati publicou que existem entre 180 de 200 milhões de Blogs/Sites no mundo todo. Os dados são do ranking do site Alexa - responsável por medir diariamente o ranking dos blogs/Sites na blogosfera mundial. No Brasil estimasse quase 3,5 milhões de Blogs/Sites com as mais variadas publicações.
Parabéns a todos os blogueiros!
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domingo, 19 de março de 2017

O JOIO E O TRIGO

Artigo de Fernando Gabeira
 
Assim que foram homologadas as delações de Odebrecht, começou um movimento para anistiar o caixa dois e separar o joio do trigo. Se me lembro bem da parábola em Mateus, todos, mesmo os mais simples de espírito, queriam separar o joio do trigo. A sabedoria de Cristo foi indicar quando isso era possível, o momento em que, realmente, se separa o joio do trigo. Na crise do sistema político brasileiro também existe um momento adequado para separar o joio do trigo: o fim das investigações.

De nada adianta construir um arsenal de leis protetoras antes que as investigações precisem o que representa cada caso. Muitos acham que essa teia de proteção é necessária para preservar o sistema político. Mas qualquer tentativa nesse sentido vai arrasar ainda mais sua credibilidade. Disseram, por exemplo, que a Lava-Jato estava criminalizando as doações oficiais e que esse erro foi seguido pelo Supremo, que tornou réu o senador Valdir Raupp. Todos sabem que não é bem assim. Não se criminalizou doação oficial. O que estava em debate era o uso da doação oficial para mascarar propina.

Se aceitamos essa tese, o comércio de joias também foi criminalizado no Rio. No entanto, as joias continuam sendo vendidas com liberdade. O que foi denunciado em alguns joalheiros foi o uso de sua estrutura legal para esconder a fortuna de Sérgio Cabral. Além disso, toda essa história em torno do caixa dois não cola. Aliás, não cola desde o mensalão, quando as doações eram chamadas de “recursos não contabilizados”.

É difícil convencer de que algo enraizado na cultura política brasileira não seja crime. Se acreditassem nessa complacência cultural não usariam mensageiros e senhas para camuflar a operação. Talvez o jogo de bicho, com as banquinhas na rua, possa reclamar essa tolerância social. Caixa dois, não. Se examinarmos, friamente, a perspectiva dos políticos, eles estão invertendo as prioridades. Em primeiro lugar, possivelmente, serão julgados pelos eleitores. Só depois é que serão julgados pelo Supremo. Ao se lançarem numa prematura batalha jurídica, inclusive com aquelas leis da madrugada, vão ser julgados com muito mais severidade no universo da política.

O único fator que poderia dar mais celeridade ao processo jurídico seria o fim do foro especial. Nesse caso, seria possível contar com julgamentos políticos e jurídicos mais próximos um do outro, antes das eleições de 2018. Esta semana, revelou-se mais um vez como os políticos jogam com o foro privilegiado como um escudo. O governador Pezão nomeou secretária uma ex-deputada, Solange de Almeida, acusada de ser cúmplice de Eduardo Cunha. Ela assinava os requerimentos com os quais Cunha pressionava empresas em busca de propina. Pezão tem foro especial. Trouxe Solange para seu círculo de detentores de foro especial e, com ela, procurava livrar Cunha de, pelo menos, um processo nas mãos de Sérgio Moro.

Pezão voltou atrás. Mas as pegadas são de um gigante. Inicialmente disse que não se importava com Solange ser ré porque também ele, Pezão, era investigado. Em seguida, afirmou que cancelou a nomeação porque soube que Solange já estava condenada em segunda instância, por improbidade administrativa. Se fosse condenada apenas em primeira instância, talvez ele aceitasse. Na verdade, não está se importando mais com o que pensam os eleitores. Assim, como, aliás, não estão mais se importando alguns senadores que decidiram ocupar todos os espaços para se defender da Lava Jato, inclusive escolhendo Lobão como presidente da CCJ.

A manobra fracassada de Pezão apenas serviu para mostrar que o foro privilegiado é o instrumento preferido para proteger alguém da Justiça comum. É um método que ficou célebre com o Bessias levando o documento de posse para Lula e, de uma certa forma, se repetiu na nomeação de Moreira Franco por Temer. As coisas estão ficando muito nítidas. E eles já não estão se importando com isso. A tentativa de novas leis de proteção revela o desespero de quem não já não se contenta apenas com o foro privilegiado. Um líder do PT chegou a dizer que a Justiça não sabe o que é ou não é crime, logo era preciso fazer leis específicas para orientá-la nesse universo da corrupção política. E esta é a grande tentação pelas quais passam nesse momento. Criar as leis que possam salvá-los da Justiça, pois têm como certa a hipótese de que se salvam nas eleições.

Provavelmente vão se ferrar, tanto numa como na outra. Mas se julgam os caras mais espertos do Brasil. Curitiba e Bangu estão cheios de gente esperta, mas, ainda assim, estão de braços abertos para novos candidatos.

Artigo publicado no Segundo Caderno do Globo em 19/03/2017
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sábado, 18 de março de 2017

DO PAU OCO

Da ISTOÉ

Conhecido como o “senhor rouba mas faz”, o deputado Paulo Maluf (PP-SP), 85 anos, enche o peito para se gabar de não estar na lista de Janot, assim como não esteve no mensalão. Em entrevista à IstoÉ, embalado pelo momento político, Maluf posa de vestal, sem ser, é claro, e diz que, perto do PT, ele se considera um “santo”. Afinal, segundo ele, os petistas trabalhavam com empresas que tinham até departamento de propina, enquanto que ele jacta-se de não ter sido condenado em última instância em nenhuma ação por corrupção. Acusado de ter superfaturado várias obras, enquanto prefeito de SP, Maluf alega que responder a processos não significa nada. Argumenta, num discurso batido, que as acusações carecem de provas. Sobre a prisão em 2005, sob a acusação  de depositar US$ 160 milhões nos EUA, Maluf inverte as coisas: “Não fui preso. Fui solto”.

Sempre disseram que o senhor era o maior corrupto da história do País, mas agora você está se gabando de não estar na lista de Janot. O senhor se redimiu?
Vou ser franco. Eu tenho um defeito. Sou polêmico porque falo o que eu penso. Eu tinha um preceptor político, Antonio Gontijo de Carvalho, era mineiro, que dizia: “Maluf, na minha terra, quando o adversário não tem defeito, eu invento”.
Mas não inventaram que o senhor é corrupto.
Vamos aos fatos. Quando entrei na política, tomava posse Costa e Silva e o ministro Delfim Neto. Convidado pelo Delfim para ser presidente da Caixa, eu tinha 35 anos, eu já morava na casa onde eu moro. Já era diretor da Eucatex. Não entrei na vida pública para enriquecer. Eu já entrei rico. Detesto essa palavra rico. Mas entrei na vida pública pensando no bem público. Construiu quase todas as grandes obras de São Paulo. Eu não destruí nada. Só construí.
Mas é sabido que algumas dessas obras foram superfaturadas.
Não tem mais prova neste País? O sujeito fala por falar? No mínimo tem que ter um documento provando. Quando se faz uma obra, foi um conjunto de mil pessoas. Um viaduto, tem a Secretaria de Obras que faz a concorrência, tem 30 engenheiros, tem o julgamento da concorrência que é público, vai construindo o viaduto e vão sendo autorizados pagamentos. Tudo isso é auditado pelo Tribunal de Contas. Para dizer que você superfaturou, tem que botar mil na gaveta. Isso não existe. As obras que eu fiz em São Paulo foram auditadas pelo Tribunal de Contas.
O que o senhor responde a quem garante que o senhor é corrupto?
Eu falo a eles: trabalhem como eu.
E sobre o PT, o que o senhor diz?
O PT hoje é exemplo de corrupção. As empresas que trabalharam para eles, tínham um departamento de propina. Não era um diretor que corrompia. Eles tinham um departamento inteiro. Eu morava na rua Costa Rica 146 e continuo morando na Costa Rica 146. Quando eu fui casar há 62 anos, na Igreja da Catedral da Sé, fui no Rolls Royce da minha mãe. Naquele tempo já tínhamos um Rolls Royce.
O senhor quer dizer que perto do PT …
Perto do PT, eu sou um santo. Não só do PT. Perto de todos os políticos do mundo. O dinheiro nunca me estimulou. O que me estimula é desamarrar fitinha de inauguração. Fiz mais de 60 viadutos em São Paulo. Fiz túneis que nunca alagaram, estações de metrô que nunca caíram…
Mas o Lula foi à sua casa em 2012 pedir apoio para a candidatura do então candidato a prefeito Fernando Haddad. O senhor não sabia que os petistas usavam dinheiro de caixa dois para eleger seus candidatos?
O que eu disse claro para o Rui Falcão, presidente do partido, é que eu não me caso no porão de igreja. Eu me caso no altar e com o cardeal. Eu não lhes pedi nada. Acho que o Haddad é um cara correto, mas o cardeal tem que ir em casa me pedir em casamento. Foi assim que aconteceu. Lula foi na minha casa. A mídia tomou um susto quando soube que o Lula tinha almoçado na minha casa. Mas não houve oportunismo da minha parte. Haddad tinha 3% nas pesquisas. O Serra liderava com folga, com 31%, mas acabou perdendo.
Mas usaram dinheiro de caixa dois na campanha…
Não sei se usaram. Cada campanha é uma campanha. O Haddad naquela eleição era o novo, como foi o Doria agora.
Apesar de o senhor dizer que é santo, ainda responde há mais de 60 processos por corrupção, como no superfaturamento da avenida Águas Espraiadas (atual Roberto Marinho)…
Processo não é condenação. Processo é oportunidade para provar juridicamente que é inocente. Qual é a função do Ministério Público? Por que ganham R$ 30 mil por mês? É para trabalhar. Então eles acusam. Ótimo. E a gente se defende. Não sou contra processo. Eu não perdi nenhum.
E aquela ação em que o senhor perdeu por ter doado os fusquinhas para cada um dos jogadores da seleção de futebol de 70?
Eu ganhei. Demorou 30 anos, mas eu ganhei na última instância.
Se é assim, por que o senhor ainda está na lista da Interpol, podendo ser preso caso deixe o Brasil?
Estou na lista da Interpol porque não temos governo aqui no Brasil. A lista da Interpol não mostra que eu fui condenado não. É que eu estou sendo processado nos Estados Unidos, mas o processo nem começou. Para começar o processo eu tenho que ser ouvido. Eu disse, eu quero ser ouvido sim. Mas quero ser ouvido aqui, por carta rogatória ou por videoconferência, como diz a legislação brasileira.

E por que os americanos insistem que o senhor seja ouvido nos Estados Unidos?
Eles querem passar por cima das leis brasileiras. Aliás, no caso dos pilotos americanos do Legacy, que derrubaram o jato da Gol em 2006, matando 150 pessoas, eles foram ouvidos naJustiça brasileira por videoconferência. Quero ser ouvido sim. Mas eles querem que eu tome um avião e vá até lá. Não vou. Não vou. Sou um homem que respeita a lei. Querem me ouvir, tem que me ouvir aqui onde eu moro. Se tivesse um governo com autoridade, enfrentava o governo americano e dizia: aqui não é quintal americano e vocês que mandem uma carta rogatória para ele ser ouvido aqui.
O senhor chegou a ficar preso 41 dias na sede da Polícia Federal em São Paulo, juntamente com seu filho Flávio. O senhor acha que prisão é uma coisa que ficou no passado para o senhor?
Não fui preso. Eu fui solto. É diferente. O Supremo Tribunal Federal me deu a garantia de que não havia fundamento legal nenhum para a prisão. Se soltaram o goleiro Bruno, que é assassino, se o Pimenta Neves é assassino confesso e ficou solto, por que iriam me manter preso? Eu tinha que responder em liberdade. Qual é o perigo que o Paulo Maluf oferece à sociedade solto? É um absurdo. Tem gente que só joga para a platéia. Aquela prisão o Supremo disse que foi ilegal e que se tivesse alguma coisa que eu respondesse em casa.
E como o senhor está vendo o governo atual? Ele é menos corrupto do que foi o de Lula?
Esquece corrupção. Tenho esperança no governo Temer. Está fazendo força pelas reformas que o País precisa. Vou votar a favor da reforma da Previdência do governo. Um dia desses, uma repórter me ligou querendo saber porque eu votaria a favor da reforma. Eu perguntei quantos anos ela tinha. Ela me disse ter 25. Eu falei pra ela: olha, você está contribuindo agora não para a sua aposentadoria, mas para quem está aposentado. Se a gente não fizer a reforma, não vai ter dinheiro para pagar a tua aposentadoria. Essa é a questão.
Temer vai tirar o País da crise?
Acho que sim. Já conversei com ele mais de uma vez. Ele conversa muito com o Delfim também, que é um dos economistas mais lúcidos do Brasil. Está disposto a fazer as reformas da Previdência, Trabalhista e a reforma política. Ele me disse: não quero ser endeusado na próxima eleição, mas quero deixar meu nome para a próxima geração.
O Lula está dizendo que quer voltar. O senhor concorda com uma nova candidatura dele em 2018?
O Lula foi bom presidente. Todas as acusações de corrupção contra ele são mentirosas.
Mas para o Ministério Público, empreiteiras lhe beneficiaram com apartamento e sitio…
O triplex do Guarujá não é triplex nenhum. São três apartamentinhos do BNH um em cima do outro. Se o Lula quiser ir para o Guarujá, eu tenho uma casa com cinco suítes, defronte para o mar. Está à disposição dele.
 
E o sítio de Atibaia?
Aquele sitiozinho de merda de Atibaia é uma acusação injusta. O que move o Lula não é o dinheiro, ele gosta de poder.
Mas não é um risco para o País? Afinal o PT quebrou o Brasil.
Ele tem o direito democrático de querer concorrer. Agora, não será roubando a bola e não deixando ele participar do jogo. Isso sim é antidemocrático.
O senhor já está com 85 anos e há uns dez anos disse que não pretendia mais disputar eleições, pois desejava cuidar dos netos. O senhor mantém essa postura?
Ainda é cedo para falar em 2018, mas pretendo me reeleger deputado federal.
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PARABÉNS, MARTA SUPLICY !

Hoje é dia de parabenizar a querida senadora, Marta Suplicy. Marta Teresa Smith de Vasconcelos, nasceu em São Paulo, 18 de março de 1945.
Formada em psicologia, Marta apresentou vários programa na tv brasileira, se destacou em seu primeiro programa, o TV Mulher da Rede Globo na década de 80.
Ex-deputada federal - 1995 /1999 - foi prefeita de São Paulo - 2001 / 2005 - e ministra do Turismo - 2007 /2008. Em 2010 foi eleita senadora, primeira mulher a representar São Paulo no Senado.
Perseverante e determinada, Marta Suplicy representa a força da mulher na política brasileira e sua contribuição tem sido de valor imensurável para uma sociedade mais justa e igualitária.
Parabéns, Marta!
Recomendo - O blog Sou Chocolate e Não Desisto recomenda a leitura do livro de Marta Suplicy Minha vida de prefeita - o que São Paulo me ensinou.
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sexta-feira, 17 de março de 2017

RECORDANDO CLODOVIL

Memória: Há exatos 8 anos faleceu em Brasília no Hospital Santa Lúcia, o deputado federal, Clodovil Hernandes, 71 anos. A morte cerebral foi anunciada pelo diretor do hospital, após 30 horas de ser encontrado desmaiado em sem seu apartamento, em Brasília.
Costureiro, apresentador de tv, ator e deputado federal, o segundo mais votado na eleição de 2006 – mais de 490 mil votos – Clodovil Hernandes teve sua vida marcada por polêmicas. Por onde passou deixou alguns desafetos e muitos amigos.
Em 1985, Clodovil recebeu uma homenagem de Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, na canção Deixa a tanga voar.
Biografia: Nasceu em Elisário (SP). Nos anos 60 e 70, Clodovil foi uma das figuras máximas da alta-costura brasileira. Os modelos assinados pelo estilista eram disputados por socialites e celebridades. Ainda no começo dessa carreira, ganhou o prêmio mais cobiçado do mundo da moda, o Agulhas de Ouro.
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quinta-feira, 16 de março de 2017

A LISTA DE JANOT

O ministro da Indústria e Comércio, Marcos Pereira (PRB), além de mais quatro senadores e cinco deputados tiveram pedido de inquérito apresentado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ao Supremo Tribunal Federal, em razão da delação premiada da empreiteira Odebrecht.
Os senadores são Lindbergh Farias (PT-RJ), Jorge Viana (PT-AC), Marta Suplicy (PMDB-SP) e Lídice da Mata (PSB-BA). Já os deputados são Marco Maia (PT-RS), Andrés Sanchez (PT-SP), Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA), José Carlos Aleluia (DEM-BA) e Paes Landim (PTB-PI).
Os nomes, que estão em sigilo, foram revelados pelo "Jornal Nacional" e posteriormente confirmados pela Folha.
Além disso, sete nomes sem foro no Supremo são mencionados nos pedidos para que seus casos sejam enviados a instâncias inferiores: o ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB), o ex-governador do Rio Sérgio Cabral (PMDB), o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB), o prefeito de Ribeirão Preto, Duarte Nogueira (PSDB), o presidente da Fiesp, Paulo Skaf (PMDB), o prefeito de Araraquara, Edinho Silva (PT) e Anderson Dornelles, ex-assessor da ex-presidente Dilma Rousseff.
Há ainda menção a pelo menos dez governadores, segundo a Folha apurou.
Nesses casos, Janot pediu ao STF que envie as delações ao Superior Tribunal de Justiça, onde eles têm foro.
Entre eles, estão Geraldo Alckmin (PSDB-SP), Luiz Fernando Pezão (PMDB-RJ), Fernando Pimentel (PT-MG), Tião Viana (PT-AC), Beto Richa (PSDB-PR) e Renan Filho (PMDB-AL).
O pedido, no caso dos governadores, foi feito por Janot ao ministro Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato no STF (Supremo Tribunal Federal).
Se Fachin acatar o pedido, a procuradoria pode então pedir ao STJ a abertura de inquérito, algo que ainda não foi decidido por Janot.
LENTO PROCESSO
Os pedidos de inquérito e envio de casos a outras instâncias são apenas as etapas iniciais do que promete ser um longo processo.
Caso os inquéritos sejam autorizados, começa então a fase de investigação sobre menções de pagamento de caixa dois e propina pela Odebrecht.
Após essa fase, se a PGR concluir que há indícios suficientes, é oferecida a denúncia, que pode ou não ser aceita pelo Supremo ou pela instância correspondente.
Aceita a denúncia, o citado vira réu e começa o julgamento.
A comparação com a primeira lista de Janot, divulgada há dois anos, ilustra a complexidade do processo. Na época, 50 políticos foram alvos de pedido de inquérito, mas até agora apenas seis se tornaram réus.
sigilo
O escopo completo da delação da Odebrecht, maior empresa implicada na Lava Jato, bem como a lista de pessoas investigadas, só será conhecido caso Fachin decida divulgar o material, o que não tem data para ocorrer.
Até agora, sabe-se que a lista de Janot atingiu o Palácio do Planalto e a cúpula do Poder Legislativo.
Além de Pereira, ao menos cinco ministros sofreram pedidos de inquérito: Eliseu Padilha (Casa Civil), Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência), Gilberto Kassab (Ciência e Tecnologia), Bruno Araújo (Cidades) e Aloysio Nunes Ferreira (Relações Exteriores).
Estão na lista também os presidentes do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), e da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), além dos senadores Renan Calheiros (PMDB-AL), Romero Jucá (PMDB-RR), Edison Lobão (PMDB-MA), José Serra (PSDB-SP) e Aécio Neves (PSDB-MG).
Os ex-presidentes petistas Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, que não têm foro privilegiado, devem ter seus casos enviados para a primeira instância.
Nos pedidos de abertura de inquérito, Janot busca diferenciar as práticas de doação eleitoral.
Ele tenta separar uma espécie de caixa dois "puro", sem contrapartida ilícita, dos caixas um ou dois vinculados a uma vantagem indevida.
Para o primeiro caso, a acusação se daria com base no código eleitoral, com punições mais brandas, como defendem os políticos que são mencionados neste contexto.
Nas doações ligadas a pagamento de propina seria aplicado o Código Penal, com acusação por corrupção passiva, com penas de reclusão maiores.
Caberá à equipe de Janot e à Polícia Federal investigar nos eventuais inquéritos abertos os motivo dos repasses informados pelos delatores e buscar provar o motivo pelo qual o dinheiro foi entregue.
Viraram réus
Investigado Quando virou réu
Eduardo Cunha (PMDB-RJ) 2.mar.2016
Nelson Meurer (PP-PR) 21.jun.2016
Gleisi Hoffmann (PT-PR) 27.set.2016
Aníbal Gomes (PMDB-CE) 6.dez.2016
Valdir Raupp (PMDB-RO) 7.mar.2017
Vander Loubet (PT-MS) 14.mar.2017
OUTRO LADO
Procurada, a assessoria de Geraldo Alckmin disse que como a Justiça não deu, até o momento, publicidade aos atos da PGR, "o governador Geraldo Alckmin não tem elementos sobre os quais se manifestar", informou.
Também em nota, o governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, disse que "desconhece a informação" e citou outros inquéritos contra ele que foram arquivados. Pezão ainda afirma que "está, como sempre esteve, à disposição da Justiça".
O governador de Minas, Fernando Pimentel, disse que não irá se posicionar sobre informações não oficiais.
Edinho Silva afirmou que sua conduta como coordenador financeiro da campanha de Dilma em 2014 "se deu dentro da legalidade e de forma ética" e que "irá esclarecer todos os fatos".
O ex-ministro Geddel Vieira Lima afirmou que não irá falar "sobre o que não conheço". Seu irmão, Lúcio Vieira Lima, não quis comentar.
Anderson Dornelles, braço direito de Dilma, disse que nunca esteve na sede da Odebrecht nem solicitou ajuda financeira. Lindbergh Farias disse que o arquivamento é "o único desfecho possível para esse processo".
Paes Landim, José Carlos Aleluia, Paulo Skaf e Marcos Pereira disseram que suas doações de campanhas foram legais e estão declaradas.
Andrés Sanchez nega citação feita sobre ele por delator.
Os outros citados não foram encontrados pela reportagem.
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